31 de jul de 2015

A NOVA MARCHA DOS INSENSATOS E A SUA PRIMEIRA VÍTIMA - Texto integral





(Do Blog) - Esperam-se, para o próximo dia 16 de agosto - mês do suicídio de Vargas e de tantas desgraças que já se abateram sobre o Brasil - novas manifestações pelo impeachment da Presidente da República, por parte de pessoas que  acusam o governo de  ser corrupto e comunista e de estar quebrando o país.


Se esses brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para tomar suas decisões, como o FMI - Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que se o PIB e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o Banco Mundial, (worldbank1) o PIB do Brasil, que era de 534 bilhões de dólares, em 1994, caiu para 504 bilhões de dólares, quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, oito anos depois.



Para subir, extraordinariamente, destes 504 bilhões de dólares, em 2002, para 2 trilhões, 346 bilhões de dólares, em 2014, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.

E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.

Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial - (worldbank2) - caiu de 3.426 dólares, em 1994, no início do governo, para 2.810 dólares, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E aumentou, também, em mais de 400%, de 2.810 dólares, para 11.208 dólares, também segundo o World Bank, depois que o PT chegou ao poder.

O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia 108 dólares, caiu 23%, para 81 dólares, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de 250 dólares, agora.

As reservas monetárias internacionais - o dinheiro que o país possui em moeda forte - que eram de 31,746 bilhões de dólares, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para 37.832 bilhões de dólares - (worldbank3) nos oito anos do governo FHC.

Nessa época, elas eram de fato,  negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI.

Depois, elas se multiplicaram para 358,816 bilhões de dólares em 2013, e para 370,803 bilhões de dólares, em dados de ontem (Bacen), transformando o Brasil de devedor em credor do FMI,  depois do pagamento total da dívida com essa instituição em 2005, e de emprestarmos dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, quando do pacote de ajuda à Grécia em 2008.

E, também, no terceiro maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano -(usa treasury).

O IED - Investimento Estrangeiro Direto, que foi de 16,590 bilhões de dólares, em 2002, no último ano do Governo Fernando Henrique Cardoso, também subiu mais de quase 400%, para 80,842 bilhões de dólares, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial: (worldbank4), passando de aproximadamente 175 bilhões de dólares nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para 440 bilhões de dólares entre 2002 e 2014.

A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder (aqui).    

Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 - segundo Ipeadata e o Banco Central.

E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha - cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” - ou o Canadá (economichelp).

Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois (worldbank5), e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20 (quandl).

Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, no início do ano, acreditem mais nos boatos das redes sociais - reforçados por um verdadeiro estelionato midiático - do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo brasileiro e seus seguidores.

Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola - ou da "cachola" - o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou “de presente” para a administração seguinte, um país econômica e financeiramente bem sucedido.

Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo dia dezesseis: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa - supostamente maravilhosa - “herança” de Fernando Henrique Cardoso.

O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.

Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, e que é constantemente alimentada e realimentada por medidas de caráter jurídico que afetam a credibilidade e a estabilidade de empresas e por uma intensa campanha antinacional, que fazem com que estejamos crescendo pouco, neste ano, embora haja diversos países ditos “desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos ainda do que nós.

Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos, como desonerações desnecessárias e um tremendo incentivo ao consumo que prejudicou - entre outras razões, também pelo aumento da importação de supérfluos e de viagens ao exterior - a balança comercial.

Mas, pelo amor de Deus, não venham  nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país que em 2002, era a décima-quarta maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.

Muitos brasileiros também vão sair às ruas, mais esta vez, por acreditar - assim como fazem com relação à afirmação de que o PT quebrou o país - que o governo Dilma é comunista e que ele quer implantar uma ditadura esquerdista no Brasil.

Quais são os pressupostos e características de um país democrático, ao menos do ponto de vista de  quem "acredita" e defende o capitalismo?

a) a liberdade de expressão - o que não é verdade para a maioria dos países ocidentais - dominados por grandes grupos de mídia pertencentes a meia dúzia de famílias, mas que, do ponto de vista formal, existe plenamente por aqui;

b) a liberdade de empreender, ou  de livre iniciativa, por meio da  qual um indivíduo qualquer pode abrir ou encerrar uma empresa de qualquer tipo, quando quiser;

c) a liberdade de investimento, inclusive para capitais estrangeiros;

d) um sistema financeiro particular independente e forte;

e) apoio do governo à atividade comercial e produtiva;

f) a independência dos poderes;

g) um sistema que permita a participação da população no processo político, na expressão da vontade da maioria, por meio de eleições livres e periódicas, para a escolha, a intervalos regulares e definidos, de representantes para o Executivo e o Legislativo, nos municípios, Estados e União.

Todas essas premissas e direitos estão presentes e vigentes no Brasil.

Não é o fato de ter como símbolo uma estrela solitária ou vestir uma roupa vermelha - hábito que deveria ter sido abandonado pelo PT há muito tempo, justamente para não justificar o discurso adversário de que o PT não é um partido "brasileiro" ou "patriótico" - que transformam alguém em comunista - e aí estão botafoguenses e colorados que não me deixam mentir, assim como o Papai Noel, que se saísse inadvertidamente às ruas, no dia 6,  provavelmente seria espancado brutalmente, depois de ter o conteúdo de seu saco de brinquedos revistado e provavelmente “apreendido” à procura de dinheiro de corrupção.

Da mesma forma que usar uma bandeira do Brasil não transforma, automaticamente, ninguém em patriota, como mostrou a foto do Rocco Ritchie, o filho da Madonna, no Instagram, e os pavilhões nacionais pendurados na entrada do prédio da Bolsa de Nova Iorque, quando da venda de ações de empresas estratégicas brasileiras, na época da privataria.

Qualquer pessoa de bom senso prefere um brasileiro vestido de vermelho - mesmo que seja flamenguista ou sãopaulino, que não são, por acaso, times do meu coração - do que um que vai para a rua, vestido de verde e amarelo, para defender a privatização e a entrega, para os EUA, de empresas como a Petrobras.

O PT é um partido tão comunista, que o lucro dos bancos, que foi de  aproximadamente 40 bilhões de dólares no governo Fernando Henrique Cardoso, aumentou para 280 bilhões de dólares nos oito anos do governo Lula.

É claro que isso ocorreu também por causa do crescimento da economia, que foi de mais de 400% nos últimos 12 anos, mas só o fato de não aumentar a taxação sobre os ganhos dos mais ricos e dos bancos - que, aliás, teria pouquíssima chance de passar no Congresso Nacional - já mostra como é exagerado o medo que alguns sentem do “marxismo” do Partido dos Trabalhadores.

O PT é um partido tão comunista, que grandes bancos privados deram mais dinheiro para a campanha de Dilma e do PT do que para os seus adversários nas  eleições de 2014.

Será que os maiores bancos do país teriam feito isso, se dessem ouvidos aos radicais que povoam a internet, que juram, de pés juntos, que Dilma era assaltante de  banco na década de 1970, ou se desconfiassem que ela é uma perigosa terrorista, que está em vias de dar um golpe comunista no Brasil ?

O PT é um partido tão comunista que nenhum governo apoiou, como ele, o capitalismo e a livre iniciativa em nosso país.

Foi o governo do PT que criou o Construcard, que já emprestou mais de 20 bilhões de reais em financiamento, para compra de material de construção, beneficiando milhares de famílias e trabalhadores como pedreiros, pintores, construtores; que criou o Cartão BNDES, que atende, com juros subsidiados, milhares de pequenas e médias empresas e quase um milhão de empreendedores; que aumentou, por  mais de quatro, a disponibilidade de financiamento para crédito imobiliário - no governo FHC foram financiados 1,5 milhão de unidades, nos do PT mais de 7 milhões - e o crédito para o agronegócio (no último Plano Safra de Fernando Henrique, em 2002, foram aplicados 21 bilhões de reais,  em 2014/2015, 180 bilhões de reais, 700% a mais) e a agricultura familiar (só o governo Dilma financiou mais de 50 bilhões de reais contra 12 bilhões dos oito anos de FHC).
Aumentando a relação crédito-PIB, que era de 23%, em dezembro de 2002, para 55%, em dezembro de 2014, gerando renda e empregos e fazendo o dinheiro circular.

As pessoas reclamam, na internet, porque o governo federal financiou, por meio do BNDES, empresas brasileiras como a Braskem, a Vale e a JBS.

Mas, estranhamente, não fazem a mesma coisa para protestar pelo fato do governo do PT, altamente “comunista”, ter emprestado - equivocadamente a nosso ver - bilhões de reais para multinacionais estrangeiras, como a Fiat e a Telefónica (Vivo), ao mesmo tempo em que centenas  de milhões de euros, seguem para a Europa, como andorinhas, todos os anos, em remessa de lucro, para nunca mais voltar.

A QUESTÃO MILITAR

Outro mito sobre o suposto comunismo do PT, é que Dilma e Lula, por revanchismo, sejam contra as Forças Armadas, quando suas administrações, à frente do país, começaram e estão tocando o maior programa militar e de defesa da história brasileira.

Lula nunca pegou em armas contra a ditadura. No início de sua carreira como líder de sindicato, tinha medo “desse negócio de comunismo” - como já declarou uma vez  - surgiu e subiu como uma liderança focada na defesa de empregos, aumentos salariais e melhoria das condições de classe de seus companheiros de trabalho, operários da indústria automobilística de São Paulo, e há quem diga que teria sido indiretamente fortalecido pelo próprio regime militar para impedir o crescimento político dos comunistas em São Paulo.

Dilma, sim, foi militante de esquerda na juventude, embora nunca tenha pego em armas, a ponto de não ter sido acusada disso sequer pela Justiça Militar.

Mas se, por esta razão, ela é comunista, seria possível acusar desse mesmo “crime” também José Serra, Aloísio Nunes Ferreira, e muitos outros que antes eram contra a ditadura e estão, hoje, contra o PT.   

Se o PT tivesse alguma coisa contra a Marinha, ele teria financiado, por meio do PROSUB, a construção do estaleiro e da Base de Submarinos de Itaguaí, e investido 7 bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a  França, de vários submersíveis convencionais e do primeiro submarino nuclear brasileiro, cujo projeto se encontra hoje ameaçado, porque suas duas figuras-chave, o Presidente  do Grupo Odebrecht, e o Vice-Almirante Othon Pinheiro da Silva, figuras públicas, com endereço conhecido, estão desnecessária e arbitrariamente detidos, no âmbito da "Operação Lava-Jato"?   

Teria, da mesma forma, o governo do PT, comprado novas fragatas na Inglaterra, voltado a fabricar navios patrulha em nossos estaleiros, até para exportação para países africanos, investido na remotorização totalmente nacional de mísseis tipo Exocet, na modernização do navio aeródromo (porta-aviões) São Paulo, na compra de um novo navio científico oceanográfico na China, na participação e no comando por marinheiros brasileiros das Forças de Paz da ONU no Líbano ?

Se fosse comunista, o governo do PT estaria, para a Aeronáutica, investido bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a Suécia, de mais de 30 novos caças-bombardeio Gripen NG-BR, que serão fabricados dentro do país, com a participação de empresas brasileiras e da SAAB, com licença de exportação para outras nações, depois de uma novela de mais de duas décadas sem avanço nem solução, que começou no governo FHC ?


Se fosse comunista - e contra as forças armadas - teria o governo do PT encomendado à Aeronáutica e à Embraer, com investimento de um bilhão de reais, do
governo federal, o projeto do novo avião cargueiro militar  multipropósito KC-390, desenvolvido com a cooperação da Argentina, do Chile, de Portugal e da República Tcheca, capaz de carregar até blindados, que já começou a voar neste ano - a maior aeronave já fabricada no Brasil ?


Teria comprado, para os Grupos de Artilharia Aérea de Auto-defesa da  FAB,  novas baterias de mísseis IGLA-S; ou feito um acordo com a África do Sul, para o desenvolvimento conjunto - em um projeto que também participa a Odebrecht - com a DENEL Sul-africana, do novo míssil ar-ar A-Darter, que ocupará os nossos novos caças Gripen NG BR?


Se fosse um governo comunista, o governo do PT teria financiado o desenvolvimento, para o Exército, do novo Sistema Astros 2020, e recuperado financeiramente a AVIBRAS ?

Se fosse um governo comunista, que odiasse o Exército, o governo do PT teria financiado e encomendado a engenheiros dessa força, o desenvolvimento e a fabricação, com uma empresa privada, de 2.050 blindados da nova família de tanques Guarani, que estão sendo construídos na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais?

Ou o desenvolvimento e a fabricação da nova família de radares SABER, e, pelo IME e a IMBEL, para as três armas, da nova família de Fuzis de Assalto IA-2, com capacidade para disparar 600 tiros por minuto, a primeira totalmente projetada no Brasil ?


Ou encomendado e investido na compra de helicópteros russos e na nacionalização de novos helicópteros de guerra da Helibras e mantido nossas tropas - em benefício da experiência e do prestígio de nossas forças armadas - no Haiti e no Líbano?

Em 2012, o novo Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, então Comandante Militar da Amazônia, respondeu da seguinte forma a uma pergunta,  em entrevista à Folha de São Paulo:

Lucas Reis:


“Em 2005, o então Comandante do Exército, general Albuquerque, disse “o homem tem direito a tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo (no Exército). A realidade atual mudou?


General Eduardo Villas Bôas:


“Mudou muito. O problema é que o passivo do Exército era muito grande, foram décadas de carência. Desde 2005, estamos recebendo muito material, e agora é que estamos chegando a um nível de normalidade e começamos a ter visibilidade. Não discutimos mais se vai faltar comida, combustível, não temos mais essas preocupações.”

Deve ter sido, também, por isso, que o General Villas Bôas, já desmentiu, como Comandante do Exército, neste ano, qualquer possibilidade de "intervenção militar" no país, como se pode ver aqui (O recado das armas).

 
A QUESTÃO EXTERNA

A outra razão que contribui para que o governo do PT seja tachado de comunista, e muita gente saía às ruas, no domingo, é a política externa, e a lenda do “bolivarianismo” que teria adotado em suas relações com o continente sul-americano.

Não é possível, em pleno século XXI, que os brasileiros não percebam que, em matéria de política externa e economia, ou o Brasil se alia estrategicamente com os BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul), potências ascendentes como ele; e estende sua influência sobre suas áreas naturais de projeção, a África e a América Latina - incluídos países como Cuba e Venezuela, porque não temos como ficar escolhendo por simpatia ou tipo de regime - ou só nos restará nos inserir, de forma subalterna, no projeto de dominação europeu e anglo-americano?

Ou nos transformarmos, como o México, em uma nação de escravos, como se pode ver aqui (O México e a América do Sul) que monta peças alheias, para mercados alheios, pelo módico preço de 12 reais por dia o salário mínimo ?

Jogando, assim, no lixo, nossa condição de quinto maior país do mundo em território e população e sétima maior economia, e nos transformando, definitivamente, em mais uma colônia-capacho dos norte-americanos?


Ou alguém acha que os Estados Unidos e a União Europeia vão abrir, graciosamente, seus territórios e áreas sob seu controle, à nossa influência, política e econômica, quando eles já competem, descaradamente, conosco, nos países que estão em nossas fronteiras?


Do ponto de vista dessa direita maluca, que acusa o governo Dilma de financiar, para uma empresa brasileira, a compra de máquinas, insumos e serviços no Brasil, para fazer um porto em Cuba - a mesma empresa brasileira está fazendo o novo aeroporto de Miami, mas ninguém toca no assunto, como se pode ver aqui (A Odebrecht e o BNDES)- muito mais grave, então, deve ter sido a decisão tomada pelo Regime Militar  no Governo do General Ernesto Geisel.

Naquele momento, em 1975, no bojo da política de aproximação com a África inaugurada, no Governo Médici, pelo embaixador Mario Gibson Barbosa, o Brasil dos generais foi a primeira nação do mundo a reconhecer a independência de Angola.

Isso, quando estava no poder a guerrilha esquerdista do MPLA - Movimento Popular para a Libertação de Angola, comandado por Agostinho Neto, e já havia no país observadores militares cubanos, que, com uma tropa de 25.000 homens, lutariam e expulsariam, mais tarde, no final da década de 1980, o exército racista sul-africano, militarmente apoiado por mercenários norte-americanos, do território angolano depois da vitoriosa batalha de Cuito-Cuanavale.

Ao negar-se a meter-se em assuntos de outros países, como Cuba e Venezuela, em áreas como a dos “direitos humanos”, Dilma não faz mais do fez o Regime Militar brasileiro, com uma política externa pautada primeiro, pelo “interesse nacional”, ou do “Brasil Potência”, que estava voltada, como a do governo do PT,  prioritariamente para a América do Sul, a África e a aproximação com os países árabes, que foi fundamental para que vencêssemos a crise do petróleo.


Também naquela época, o Brasil recusou-se a assinar qualquer tipo de Tratado de Não Proliferação Nuclear, preservando nosso direito a desenvolver armamento atômico, possibilidade essa que nos foi retirada definitivamente, com a assinatura de um acordo desse tipo no governo  de Fernando Henrique Cardoso.


Se houvesse, hoje, um Golpe Militar no Brasil, a primeira consequência seria um boicote econômico por parte do BRICS e de toda a América Latina, reunida na UNASUL e na CELAC, com a perda da China, nosso maior parceiro comercial, da Rússia, que é um importantíssimo mercado para o agronegócio brasileiro, da Índia, que nos compra até mesmo aviões radares da Embraer, e da Àfrica do Sul, com quem estamos também intimamente ligados na área de defesa.  

O mesmo ocorreria com relação à Europa e aos EUA, de quem receberíamos apenas apoio extra-oficial, e isso se houvesse um radical do partido republicano na Casa Branca.

Os neo-anticomunistas brasileiros reclamam todos os dias de Cuba, um país com quem os EUA acabam de reatar relações diplomáticas, visitado por três milhões de turistas ocidentais todos os anos, em que qualquer visitante entra livremente e no qual opositores como Yoani Sanchez atacam, também, livremente, o governo, ganhando dinheiro com isso, sem ser incomodados.

Mas não deixam de comprar, hipocritamente, celulares e gadgets fabricados em Shenzen ou em Xangai, por empresas que contam, entre  seus acionistas, com o próprio Partido Comunista.

Serão os "comunistas" chineses - para a neo-extrema-direita nacional - melhores que os "comunistas" cubanos ?   

A QUESTÃO POLÍTICA

A atividade política, no Brasil, sempre funcionou na base do “jeitinho” e da “negociação”.

Mesmo quando interrompido o processo democrático, com a instalação de ditaduras - o que ocorreu algumas vezes em nossa história - a política sempre foi feita por meio da troca de favores entre membros dos Três Poderes, e, principalmente, de membros do Executivo e do Legislativo, já que, sem aprovação - mesmo que aparente - do Congresso, ninguém consegue administrar este país nem mudar a lei a seu favor, como foi feito com a aprovação da reeleição para prefeitos, governadores e Presidentes da República, obtida pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.       

Toda estrutura coletiva, seja ela uma jaula de zoológico, ou o Parlamento da Grã Bretanha, funciona na base da negociação.

Fora disso,   só existe o recurso à violência, ou à bala, que coloca qualquer machão, por mais alto, feio e forte seja,  na mesma posição de vulnerabilidade de qualquer outro ser humano.

O “toma-lá-dá-cá” nos acompanha há milhares de anos e qualquer um pode perceber isto, se parar para observar  um grupo de primatas.

Ai daquele, entre os macacos, que se recusa a catar carrapatos nas costas alheias, a dividir o alimento, ou a participar das tarefas de caça, coleta ou vigilância.

Em seu longo e sábio aprendizado com a natureza,  já entenderam eles, uma lição que, parece, há muito, esquecemos: a de que a sobrevivência do grupo depende da colaboração e do comportamento de cada um.

O problema ocorre quando nesse jogo, a cooperação e a solidariedade, são substituídas pelo egoísmo e o interesse de um indivíduo  ou de um determinado grupo, e a negociação, dentro das regras usuais,  é trocada por pura pilantragem ou o mero uso da ameaça e da pressão.

O corrupto, entre os primatas, é aquele que quer receber mais  cafuné do que faz nos outros, o que rouba e esconde comida, quem, ao ver alguma coisa no solo da floresta ou da savana, olha para um lado e para o outro, e ao ter certeza de que não está sendo observado, engole, quase engasgando, o que foi encontrado.

O fascista é aquele que faz a mesma coisa, mas que se apropria do que pertence aos outros, pela imposição extremada do medo e da violência mais injusta.

Se não há futuro para os egoístas nos grupos de primatas, também não o há para os fascistas.

Uns e outros terminam sendo derrotados e expulsos, de bandos de chimpanzés, babuínos e gorilas, ou da sociedade humana, a dos "macacos nus", quando contra eles se une a maioria.

Já que a negociação é inerente à natureza humana, e que ela é sempre melhor do que a força, o que é preciso fazer para diminuir a corrupção, que não acabará nem com golpe nem por decreto ?

Mudar o que for possível, para que, no processo de negociação, haja maior transparência, menos espaço para corruptos e corruptores, e um pouco mais de interesse pelo bem comum do que pelo de grupos e corporações, como ocorre hoje no Congresso.

O caminho para isso não é o impeachment, nem golpe, mas uma Reforma Política, que mude as coisas de fato e o faça permanentemente, e não apenas até as próximas eleições, quando, certamente, partidos e candidatos procurarão empresas para financiar suas campanhas, se elas estiverem dispostas ainda a financiá-los, como se pode ver aqui (A memória, os elefantes e o financiamento empresarial de campanha)  -  e espertalhões da índole de um Paulo Roberto Costa, de um Pedro Barusco, de um Alberto Youssef, voltarão a meter a mão em fortunas, não para fazer “política” mas em  benefício próprio, e as mandarão para bancos como o HSBC e paraísos fiscais como os citados no livro "A Privataria Tucana".

O que é preciso saber, é se essa Reforma Política será efetivamente feita, já que é fundamental e inadiável, ou se a Nação continuará suspensa, com toda a sua atenção atrelada a um processo criminal, que tem beneficiado principalmente bandidos identificados até agora, que, em sua maioria, devido a distorcidas "delações", que não se sustentam, na maioria dos casos, em mais provas que a sua palavra, sairão dessa impunes, para gastar o dinheiro, que, quase certamente, colocaram fora do alcance da lei, da compra de bens e de contas bancárias.

Pessoas falam e agem, e sairão no dia seis de agosto às ruas também por causa disso, como se o Brasil tivesse sido descoberto ontem e o caso de corrupção da Petrobras, não fosse mais um de uma longa série de escândalos, a maioria deles sequer investigados antes de 2002.

Se a intenção é passar o país a limpo e punir de forma exemplar toda essa bandalheira, era preciso obedecer à fila e à ordem de chegada, e ao menos reabrir, mesmo que fosse simultaneamente, mas com a mesma atenção e "empenho", casos como o do Banestado - que envolveu cerca de 60 bilhões - do Mensalão Mineiro, o do Trensalão de São Paulo, para que estes, que nunca mereceram o mesmo tratamento da nossa justiça nem da sociedade, fossem investigados e punidos, em nome da verdade e da isonomia, na grande faxina "moral" que se pretende estar fazendo agora.
Ora, em um país livre e democrático - no qual, estranhamente, o governo está sendo acusado de promover uma ditadura - qualquer um tem o direito de ir às ruas para protestar contra o que quiser, mesmo que o esteja fazendo por falta de informação, por estar sendo descaradamente enganado e manipulado, ou por pensar e agir mais com o ódio e com o fígado do que com a cabeça e a razão.    

Esse tipo de circunstância facilita, infelizmente, a possibilidade de ocorrência dos mais variados - e perigosos - incidentes, e o seu aproveitamento por quem gostaria, dentro e fora do país,  de ver o circo pegar fogo.

Para os que estão indo às ruas por achar que vivem sob uma ditadura comunista, é sempre bom lembrar que em nome do anticomunismo, se instalaram - de Hitler a Pinochet - alguns dos mais terríveis e brutais regimes da História.

E que nos discursos e livros do líder nazista podem ser encontradas, sobre o comunismo as mesmas teses, e as mesmas acusações falsas e esfarrapadas que se encontram hoje disseminadas na internet brasileira, e que seus seguidores também pregavam matar a pau judeus, socialistas e comunistas, como fazem muitos fascistas hoje na internet, com relação aos petistas.

A questão não é a de defender ou não o comunismo - que, aliás, como "bicho-papão" institucional, só sobrevive, hoje, em estado "puro", na Coréia do Norte - mas evitar que, em nome da crescente e absurda paranoia anticomunista, se destrua, em nosso país, a democracia.   

Esperemos que os protestos do dia 16 de agosto transcorram pacificamente - considerando-se a forma como estão sendo convocados e os apelos ao uso da violência que já estão sendo feitos por alguns grupos nas redes sociais - e que não sejam utilizados por inimigos internos e externos, por meio de algum "incidente", para antagonizar e dividir ainda mais os brasileiros, e nem tragam como consequência, no limite, a morte de ninguém, além  da Verdade - que já se transformou, há muito tempo, na primeira e mais emblemática vítima desse tipo de manifestação.

Há muitos anos, deixamos de nos filiar a organizações políticas, até por termos consciência de que não há melhor partido que o da Pátria, o da Democracia e o da Liberdade.

O rápido fortalecimento da radicalização direitista no Brasil - apesar dos alertas que tem sido feitos, nos últimos três ou quatro anos, por muitos observadores - só beneficia a um grupo: à própria extrema direita, cada vez mais descontrolada, odienta e divorciada da realidade.

Na longa travessia, pelo tempo e pelo mundo, que nos coube fazer nas últimas décadas, entre tudo o que aprendemos nas mais variadas circunstâncias políticas e históricas, aqui e fora do país, está uma lição que reverbera, de Weimar a Auschwitz, profunda como um corte:

Com a extrema-direita não se brinca, não se alivia, não se tergiversa, não se compactua.  

Quem não perceber isso - e esse erro - por omissão ou interesse - tem  sido cometido tanto por gente do governo quanto da oposição - ou está sendo ingênuo, ou irresponsável, ou mal intencionado.

30 de jul de 2015

DECOLA O GRIPEN NG-BR


(Do Blog) - Com a conclusão do acordo pelos governos do Brasil e da Suécia, para o desenvolvimento conjunto de 36 novos caças Saab Gripen NG-BR, anunciada ontem, termina a novela do Programa F-X, que se arrastava desde os tempos de FHC, e o Brasil adquire tecnologia para o desenvolvimento futuro, para a Força Aérea Brasileira, de caças próprios de última geração. 

A decisão do governo sueco, de dar quase 6 bilhões de dólares em financiamento ao Brasil - que tem 370 bilhões de dólares em caixa em reservas internacionais (eram 30 bilhões de dólares em 2002, mas havia uma dívida de 40 bilhões com o FMI) e é o terceiro maior credor individual externo (link) dos EUA, a juros de 2.19% ao ano - menos do que o previsto inicialmente - com 25 anos de prazo para liquidar a dívida e oito anos de carência, mostra que o que vale, do ponto de vista da macroeconomia real, são  fatos como este, e não a campanha antinacional em curso, e as sandices que são ditas lá fora, por veículos dirigidos e parciais - e frágeis a ponto de estarem sendo desnacionalizados - como o Financial Times.

29 de jul de 2015

OS NOSSOS "YES, BWANA!" E OS NOVOS "HAI, BWANA!" DO FINANCIAL TIMES.


(Jornal do Brasil) - A imprensa brasileira destacou amplamente na semana passada o "duro" editorial da última quinta-feira do jornal inglês Financial Times sobre a crise política e econômica no Brasil, . Com o título “Recessão e politicagem: a crescente podridão no Brasil”, o texto conclui que a “incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia” do nosso país.

Assim como há quem se pergunte, nos moldes da sabedoria popular, de que se riem as hienas, seria o caso de se perguntar de que estava falando o Financial Times, quando chamou o Brasil de "um filme de terror sem fim", em seu editorial, prontamente reproduzido e incensado, com estardalhaço, por uma multidão de "Yes, Bwana!" nativos, prostrados - como os antigos criados negros na frente de seus mestres estrangeiros nos filmes de Tarzan - diante do trovejar do Grande Totem Branco do Reino Unido de Sua Majestade Elizabeth, quando ele se digna a contemplar com sua atenção este “pobre” e “subdesenvolvido” país.


Diante de tão poderoso édito e tão diligentes arautos, não há, no entanto, como deixar, também, de se perguntar:


Afinal, na economia, de que estava falando - ou rindo, como hiena - o Financial Times?


Se a Inglaterra, com uma economia do mesmo tamanho da nossa, tem uma dívida externa 20 vezes maior que a do Brasil, de 430% contra menos de 25% do PIB ?


Se as reservas internacionais britânicas são, também segundo o Banco Mundial, quase quatro vezes menores (107 bilhões contra 370 bilhões de dólares) que as do Brasil ?Se o déficit inglês no ano passado, foi de 5,5%, o maior desde que os registros começaram em 1948, e a renda per capita ainda está 1.2% abaixo da que era no início de 2008, antes da eclosão da Crise da Subprime?


Quanto à corrupção, também seria o caso de se perguntar: de que estava falando - ou rindo, como uma hiena - o Financial Times?Se a Inglaterra é tão corrupta, que deputados falsificam notas para receber ressarcimento e aplicam a verba de gabinete até para a assinatura de canais pornográficos?


Se a Inglaterra é tão corrupta, que o político conservador e ex-presidente do Comitê de Inteligência do Parlamento Malcolm Rifkind, que trabalhou por mais de uma década nos gabinetes da famigerada Margaret Tthatcher e do ex-primeiro-ministro John Major, e o político trabalhista Jack Straw, ex-secretário de Justiça, Ministro do Interior, Ministro de Relações Exteriores e ex-líder da Câmara dos Comuns, caíram em uma arapuca criada por um jornal e um canal de televisão, no início deste ano, e foram filmados sendo contratados para vender serviços de "consultoria" para pressionar embaixadores britânicos e líderes de pequenos países europeus para favorecer os negócios de uma empresa chinesa (fictícia), por quantias que variavam de 5.000 a 8.000 libras por dia?


Se em 2010, o mesmo tipo de reportagem, feita também pelo Channel 4, revelou que deputados e Lordes britânicos, como os ex-ministros trabalhistas Stephen Byers, a ex-secretária (ministra) de Transportes, Governo Local e das Regiões, Patricia Hewitt o ex-secretário (ministro) de Saúde, Geoff Hoon, e o ex-secretário (ministro) dos Transportes e ex-secretário (ministro) da Defesa Richard Caborn estavam dispostos a fazer lobby em favor de empresas privadas em troca de grandes somas de dinheiro, em um esquema que foi totalmente convenientemente blindado pelo governo do Primeiro-Ministro Gordon Brown?


Se, dois anos mais tarde, em maio de 2012, foram revelados que teriam sido oferecidos pelo tesoureiro do Partido Conservador, Peter Cruddas, jantares "íntimos" com o Primeiro-Ministro David Cameron - que está atualmente no poder - pela módica quantia de 250.000 libras, quase um milhão de reais, em "doação" para seu partido, e o gabinete do Primeiro-Ministro se recusou a revelar qualquer detalhe sobre esses jantares, nome dos "convidados", etc, alegando que eles eram "privados"?


Já imaginaram se fosse o Lula no lugar do Cameron? O que não iria dizer do Brasil o Financial Times em seus editoriais?


Finalmente, quanto à questão política, de que fala, como uma hiena - o Financial Times, com relação à popularidade da Presidente Dilma Roussef, se a desaprovação do Primeiro-Ministro James Cameron, segundo a empresa de monitoramento de redes sociais Talkwalker, subiu de 25% para 65%, e o número de cidadãos que o aprova caiu de 9 para 7 % nos últimos meses?


Não seria o caso - se nos preocupássemos com eles da mesma maneira que eles insitem em se meter em nossos assuntos - de escrever um editorial sobre a "permanente podridão da Grã Bretanha" ?


É por isso, por sua mania de dar lições aos outros, que os ingleses acabam tomando as suas. Quando a empáfia é muita, ela incomoda os deuses, e o castigo vem a cavalo.


Na mesma quinta-feira passada, do seu arrogante editorial sobre a situação brasileira, em suave vingança poética, depois de 153 anos servindo de escudo e biombo para a hipocrisia de um império decadente, erguido por corsários, bandidos e traficantes de drogas - vide a Guerra do Ópio - o Grupo Financial Times - por incompetência e risco de quebra - incluído o próprio jornal e todas as suas outras publicações - foi vendido para o grupo japonês Nikkei.Inc, por 1.3 bilhões de dólares.

A partir de agora, os jornalistas, editores e "analistas" do FT, famosos pela visão colonialista que tem do resto do mundo, vão ter que se acostumar - os que sobrarem, depois das demissões - a trabalhar, debaixo de chibata - em sentido figurado, mas não menos doloroso - para o Império do Sol Nascente, como os figurantes do clássico filme de guerra a Ponte do Rio Kwai, e a pronunciar "Hai, Bwana-San!", para seus novos donos nipônicos, expressão que deveria ser aprendida, por osmose - para que possam reconhecer quem são, a partir de agora, seus novos mestres - pelos "Yes, Bwana!" - nacionais.

27 de jul de 2015

O GOOGLE E A MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA



(Jornal do Brasil) - Quando as grandes empresas de internet surgiram, nascidas nas universidades, e não nos grandes grupos de comunicação que já existiam, houve esperança de que elas viessem a contribuir para a consolidação de um ambiente de produção, publicação e troca de informações realmente livre.


Um novo espaço que privilegiasse o indivíduo no lugar do Sistema, ajudando-o a libertar-se do deletério domínio da mídia tradicional, umbilicalmente ligada, de parte a parte, por milhares de tentáculos, aos maiores grupos empresariais privados, que, no mundo inteiro, e em cada país, trabalham para manter o status quo e defender seus interesses, entre eles o de continuar - mesmo depois do surgimento da Rede Mundial de Computadores - a manipular e a explorar, do nascimento à morte, o homem comum.


Website mais visitado do mundo, e a marca mais valiosa do planeta, com aproximadamente 25.000 funcionários, um enorme faturamento e bilhões de usuários, o Google parecia ser uma dessas empresas, voltada, como rezava a missão inicial do  “navegador” criado por Larry Page e Serguey Bryn, para “tornar a informação mundial universalmente útil e acessível.”


A primeira impressão, era a de que o Google buscava, ao menos aparentemente, uma aura de identificação e comprometimento com os “melhores” valores, que se refletia no lema “dont be evil” - “não seja mau”, e outros slogans relacionados de sua “filosofia corporativa”, como “você pode ganhar dinheiro sem fazer o mal”, ou “você pode ser sério sem um terno”.


Uma impressão reforçada - teoricamente - pelo fato do Google não perder  uma oportunidade de declarar seu “marcante” comprometimento com a neutralidade da internet, como diz, quase sempre, seu vice-presidente e “Chief Internet Evangelist”, Vint Cerf, quando afirma  que “não se pode permitir que os provedores de acesso controlem o que as pessoas vêem e fazem online.”


No entanto, o Google, além de ter tido problemas em vários países do mundo no quesito privacidade, sempre esteve estreitamente ligado à comunidade de informações norte-americana, como revelaram jornais como o The Huffington Post , no ano passado, reproduzindo e-mails divulgados pela Al Jazeera America, trocados entre o Presidente da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA, o general Keith Alexander, o Presidente do Google, Erick Schmidt, e um dos seus fundadores, Serguey Bryn, nos anos de 2011 e 2012.


Afinal, porque o Google - em uma excelente jogada de relações públicas - por meio do seu presidente Erick Schmidt - fez questão de receber na sede da empresa a Presidente brasileira Dilma Roussef em sua recente visita aos Estados Unidos ? 


Não apenas porque o Brasil é o quinto país do mundo em usuários de internet ou abriga o único Centro de Desenvolvimento Tecnólógico do Google na América Latina.


Mas também, e principalmente, porque no auge do escândalo de vigilância global da NSA, e dos Five Eyes - a aliança de espionagem anglosaxônica que reúne os EUA, a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e o Reino Unido e “parceiros privados” - em que Edward Snowden desnudou ao mundo o gigantesco sistema de monitoramento em massa e a íntima correlação entre agências de informação dos EUA e grandes empresas norte-americanas que dominam o negócio da internet - incluindo, como vimos, o Google - foi Dilma Roussef que liderou a reação mundial aos EUA, suspendendo sua visita de Estado aos Estados Unidos, e aliando-se à Chanceler alemã Angela Merkel, na apresentação e aprovação, na ONU, por 193 países - contra a vontade de Washington - das diretrizes de uma “lei de internet mundial” a resolução sobre “O Direito à Privacidade na Era Digital”.

  

Diante do gigantismo do Google e do dinheiro que aplica em marketing - incluindo um bilhão de dólares para um fundo de filantropia - é preciso prestar a atenção em detalhes para encontrar provas de seu claro comprometimento com o status quo e as forças mais conservadoras em cada país em que atua.


Talvez a mais evidente delas, que pode passar - e essa é a sua função - desapercebida pela maioria dos leitores, é a presença de uma seção denominada de “Sugestões dos Editores”, que se pode ver no alto da tela, na coluna da direita, da página inicial do Google Notícias.   


Dependendo do momento em que estiver olhando, o leitor pode se deparar com chamadas para matérias prosaicas, como dicas de beleza, dietas, etc. 

Mas, na maioria das vezes, ele terá chance encontrar, “casualmente”, no mesmo espaço, no Brasil, por exemplo - mas não apenas em nosso país - o mesmo tipo de conteúdo  reacionário, anacrônico e fascista, que intoxica maciçamente a internet brasileira, hoje, o que leva, naturalmente, qualquer leitor mais atento a se perguntar : que raios de “editores” são esses? 


Seriam “editores” do Google? Ou “editores” voluntários, organizados em grupos de leitores?


Não. Trata-se de “editores” de veículos de informação “tradicionais”,  que enviam suas “sugestões”, principalmente de artigos de opinião, ao Google, por meio de feeds. 


Em suas informações sobre a seção, o Google explica que qualquer veículo pode enviar uma sugestão. 


Mas quem escolhe quais e em que ordem essas sugestões irão ser publicadas na primeira página do Google News?


Se fossemos pensar no âmbito exclusivamente empresarial, compreende-se que, procurando fabricar de óculos a relógios, de carros a balões de reprodução de sinal de internet - e ampliando suas atividades para serviços correlatos de fornecimento de banda larga para usuários finais, que acaba de lançar nos EUA - o Google se sinta cada vez mais como parte do ambiente empresarial  tradicional, voltado para ganhar dinheiro e lucrar com o consumidor final - no seu caso, bilhões de consumidores finais - com os quais  estabelece contato, por meio de seu brownser, todos os dias.


Também se comprende que o Google busque boas relações com grandes empresas jornalísticas dos países em que está presente, de onde busca - ainda - a maior parte do conteúdo informativo apresentado a seus usuários por seu motor de pesquisa, principalmente depois que foi proibido de indexar esse conteúdo - por ter se recusado a pagar por ele - , em países como a Espanha. 


O problema é que, ao fazer isso - dar destaque às “sugestões dos editores” - um eufemismo para levar  o consumidor a ter acesso destacado e facilitado, no alto de página, ao diktat da mídia tradicional, manipuladora e conservadora que predomina nos países em que atua, o Google está tomando uma atitude política, e também está renegando, descaradamente, o seu “GUIA DE NEUTRALIDADE DA REDE” e os princípios que ele evidencia, quando afirma que:


“Neutralidade da rede é o princípio de que os usuários da Internet devem estar no CONTROLE DO CONTEÚDO QUE ELES VÊEM e de quais aplicações eles usam na internet. A Internet tem operado de acordo com este princípio de neutralidade desde seus primeiros dias... Fundamentalmente, a neutralidade da rede é a igualdade de acesso à Internet. Em nossa opinião, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a usar seu poder de mercado para discriminar candidatos ou conteúdos concorrentes. Assim como as empresas de telefonia não estão autorizadas a dizer aos consumidores para quem eles devem ligar ou o que eles podem dizer, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a utilizar seu poder de mercado para controlar a atividade online.”

E também está, na verdade, rasgando os compromissos assumidos com o público, quando do lançamento do seu serviço de  notícias, em 2002, quando afirmou que havia criado um site “altamente incomum” que oferecia um serviço de notícias compilado UNICAMENTE por algoritmos de computador, SEM INTERVENÇÃO HUMANA, ressaltando que para esse serviço não empregava “editores, editores de gestão, ou editores executivos.”


Como os usuários devem estar no controle do que eles vêem? Como “unicamente” por “algoritmos de computador” e sem “intervenção humana” ?


São robôs os “editores” privados  que determinam com suas “sugestões” no alto da coluna da direita, da página inicial do Google News, todos os dias, o que o leitor deve ler,  nos países em que o Google atua, começando pelos Estados Unidos?

   

Desse ponto de vista, o Google pode não estar empregando “editores”. Mas nem precisa. 


Ao menos nessa seção,  o maior site de buscas do planeta preferiu terceirizar o trabalho de escolher o que seus usuários devem ler para os grandes grupos de mídia. Abrindo mão de estabelecer - por meio da internet - um marco na história da comunicação - um novo patamar na relação entre o indivíduo e o universo informacional, para transformar-se, como um mero aparelho de rádio ou televisão, em apenas mais um instrumento de repetição e disseminação do que dizem os maiores jornais e revistas de cada país em que atua. Delegando a essas empresas e jornais - que tem seus próprios compromissos e interesses - o direito de determinar o que eles acham que é mais importante e conveniente - para eles e seus anunciantes, é claro - que os usuários vejam e leiam.       


Ainda em suas informações sobre o serviço, o Google diz que é possível para o leitor escolher com que “editores” prefere ter mais “vínculos”, e existe até mesmo uma barra deslizante para que ele possa “personalizar esta fonte de notícias”, mas  a maioria dos usuários tem tempo, conhecimento, ou iniciativa para trabalhar com ela ? 


E como fica isso no caso das centenas de milhões de usuários que acessam o Google News sem ter uma conta do Google, ou em “lan houses” e “cybercafés”- como ocorre na maioria dos países mais pobres - ou de seu trabalho, por exemplo? 


Eles vão deixar de ler, e de ser influenciados, pelas chamadas dessa seção específica?


Seria mais honesto que - caso se visse a isso obrigado, mesmo considerando-se o público que já acarreta para os portais da mídia tradicional - o Google  colocasse como publicidade claramente identificada, banners dirigidos para o conteúdo desses veículos na primeira página do Google News e cobrasse - claramente - por esse serviço.


Ao disfarçar esse conteúdo, colocando-o no alto da página, mas obedecendo ao mesmo layout, tamanho de letra, etc, das chamadas normais de conteúdo automaticamente indexado, o Google mostra que tem reforçado, ao longo do tempo, de forma sutil, mas reconhecível, uma decisão  clara: a de ficar ao lado do Sistema e não do cidadão, ajudando a reproduzir os esquemas de poder, dominação e manipulação que existem no mercado editorial e jornalístico de cada país, na rede mundial de computadores.


Transformando-se em um instrumento e uma extensão a mais da "fabricação do consenso", ou do consentimento, de que fala Noam Chomsky e do controle do sistema jornalístico tradicional sobre o homem comum, e contribuindo para estender o poder dos grandes grupos empresariais de comunicação de cada país sobre a opinião pública.


Com seus carros  que andam sozinhos, o Google Earth, o novo serviço que permite chamar do Gmail para telefones, e suas ações no apoio à pesquisa científica e à filantropia, a marca Google pretende ser apresenbtar-se e ser identificada com uma empresa inovadora, que pareça estar voltada, como um farol, para o século XXI e o futuro.


Livrar-se dessa excrescência incômoda, do ponto de vista moral e político, deixando apenas os algoritmos, a busca temática, e o critério de relevância arimética, como mecanismos de escolha do leitor, na primeira página de seu serviço de notícias - isso, sim, faria do Google, ao menos aparentemente, uma marca realmente inovadora do ponto de vista da relação  da mídia com a opinião pública.


Quem sabe, assim, o Google poderia abrir caminho para se transformar em uma companhia verdadeiramente global - da forma como pretende apresentar-se e quer que o público o reconheça - e não - como ele parece ser agora -  uma mera extensão do poder do establishment norte-americano - e de seus prepostos locais - sobre a internet e os seus usuários em todo o mundo.    

23 de jul de 2015

AGÊNCIA "NACIONAL" REBAIXA NOTA DO BRASIL. ALGUÉM JÁ OUVIU FALAR DELA?




(Do blog) - A vontade de aproveitar a onda para aparecer - e de "melhorar" o estado de espírito do país - é grande. 


Não bastassem as sandices perpetradas por agências de "classificação de risco" estrangeiras, que, como já demonstramos muitas vezes aqui, não tem a menor moral nem credibilidade para prever, auditar, ou classificar coisíssima nenhuma, é preciso também conviver com simulacros tupiniquins desses autênticos simulacros externos, que não resistem à tentação de se meter a "gato mestre". 

Uma  certa Austin Rating - com esse nome o leitor tende a se perguntar se está situada no Texas  e como, ainda, nunca ouviu falar dela - que se identifica como "a primeira empresa nacional a "conceder" ratings no país - e já adverte, em sua apresentação, ter desenvolvido e trabalhar com "metodologia própria" - e que seu "processo é eficiente, porque atinge os seus objetivos, concedendo sempre uma opinião fundamentada em fatores quantitativos e qualitativos" (sic) - acaba de rebaixar a nota creditícia do Brasil em moeda estrangeira. 

O Brasil, em pleno processo de recuperação de superávits no comércio exterior, do alto de 2.346 trilhões de dólares de PIB (world bank), 370 bilhões de dólares em reservas internacionais (bacen), e de sua condição de terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos (usa treasury) penhoradamente, agradece.  


HAVANA EM WASHINGTON E OS EUA NO BRICS.




(Carta Maior) - Membros das forças armadas da ilha caribenha, hastearam, esta semana, orgulhosamente, sob aplausos e apupos, pela primeira vez em quase 60 anos, a bandeira da República de Cuba, no mastro frontal de sua nova embaixada em Washington, a capital dos Estados Unidos.


Sem ter o que dizer diante da transcendência - histórica - do fato, os hitlernautas que infestam a internet brasileira, com sua deslustrosa ignorância e seu anticomunismo tosco- tão sutil e tresloucado quanto um paquiderme, ensandecido, solto em um salão de chá -  desenvolveram, como fizeram há alguns anos a respeito de Pequim com relação ao capitalismo, a retorcida tese de que Cuba estaria se rendendo aos EUA.


Nem Cuba se rendeu aos EUA, nem a China ao capitalismo.

Tanto é que, hoje, os quatro maiores bancos do mundo, segundo a lista da Forbes deste ano, não são privados, mas sim, estatais, - e chineses - e o milenar "Império do Meio", sem deixar de ser oficialmente um país socialista, se transformou na maior plataforma industrial do mundo e está prestes a arrebatar dos próprios EUA o posto de primeira economia do planeta.

Outra linha de ação da florescente frente antinacional cibernética, é a de dizer que, ao construir o novo Porto de Mariel e sua Zona Especial de Desenvolvimento, em Cuba, o Brasil deixou de investir aqui dentro e fez a cama para que os EUA nela se deitassem.
Em primeiro lugar, em benefício, principalmente, da verdade, é preciso dizer que se o BNDES financia obras no exterior - minoritariamente, lembremos, como é o caso do conjunto de contratos internacionais da Odebrecht - para apoiar a exportação de serviços e produtos nacionais - inclusive para os EUA - ele também o faz no Brasil.

E tanto o faz por aqui, que, por mais que se tente ocultar, já foram ou estão sendo construídos - entre obras de “pequeno” porte, como milhões de casas populares - superportos como o de Açu, gigantescas usinas hidrelétricas, como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte - a terceira maior do mundo - bases de submarinos - grandes - depois de décadas sem fazê-lo - refinarias de petróleo, pontes incríveis, em sua engenharia e arquitetura, como a recentemente inaugurada Anita Garibaldi, em Laguna, Santa Catarina, ou a que se estende, majestosa, sobre o Rio Negro, em Manaus, no Amazonas, a Transposição do São Francisco,  além de milhares de quilômetros de rodovias que estão sendo duplicadas, "novos" aeroportos, como o de Brasília, acessos e entrocamentos ferroviários - ampliados e duplicados - como o que a Vale inaugurou na Grande Belo Horizonte na última semana.

E em segundo lugar, porque quem vai comandar Mariel - por força de  licitação internacional - não é uma empresa brasileira - e nem poderia, já que com certeza qualquer empresa nacional que o fizesse estaria sendo vilipendiada e acusada de todo tipo de crime agora - nem muito menos norte-americana, mas, em um exemplo a mais de que a internacionalização da economia cubana vem de muito antes da reaproximação com os Estados Unidos, do distante arquipélago  de Singapura.

Na verdade - e não há, como vemos, nenhuma contradição econômica ou estratégica nisso,  o Brasil está sendo muito mais relevante para Cuba para a revitalização de sua agricultura, com a introdução da soja - e os cultivares da EMBRAPA - e da mecanização (exportação de implementos) e da sua indústria açucareira e o do tabaco.
E, se formos dar ouvidos aos comentários que enchem as páginas da internet, parece que está fazendo isso por meio de empresas famosas por seu "marxismo-leninismo" como a Souza Cruz, uma companhia controlada - pelos padrões dos fascistas brasileiros de ocasião - pela "bolivarianíssima" e "comunistíssima" British American Tobacco Company, a maior multinacional tabaqueira do mundo, que fabrica um em cada oito cigarros fumados no planeta, dona de 50% da Brascuba, uma empresa binacional, teoricamente cubano-brasileira, que produz a maioria dos cigarros consumidos na ilha e os famosos charutos COHIBA.

Cuba não precisa se aproximar dos EUA para "abrir" sua economia, embora possa, com certeza, expandir suas possibilidades, se vier a ter acesso ao maior mercado do mundo, localizado a escassas milhas de distância.

A ilha já recebe - sem mudar o seu sistema de governo - mais de 3 milhões de turistas estrangeiros por ano. Há dezenas de cadeias hoteleiras de capital espanhol e italiano em Cuba, e a presença parcial - e o interesse - do capital estrangeiro, não necessariamente dos EUA - que deve estabelecer parcerias com o governo para se estabelecer na ilha - é tão importante, que na XXXIII Edição da FIHAV, a Feira Internacional de Havana, do ano passado, compareceram 4.500 expositores de mais de 60 países — aproximadamente 90% deles ocidentais — para a exposição, pelo governo cubano a grandes investidores, de 271 diferentes projetos de infra-estrutura, com investimento previsto de mais de 8 bilhões de dólares.

Isso, poucas semanas depois que 188 países tivessem condenado, em votação na ONU, o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, exigindo pela enésima vez o fim do embargo.

Foi essa pressão diplomática, a crescente presença dos BRICS - especialmente do Brasil, da Rússia e da China - em Cuba, e a evidência de que se não tomassem a mesma atitude da grande maioria das nações, estariam se tornando cada vez mais ridículos aos olhos do mundo, que fez com que os EUA reatassem as relações diplomáticas com a ilha, e que a bandeira cubana tenha sido orgulhosamente hasteada, esta semana, em sua nova embaixada na capital norte-americana.

Da mesma forma que o Brasil não construiu e financiou Mariel para ajudar o regime cubano, e nem mesmo porque acredita - até mesmo porque vem conversando há anos com os EUA sobre isso - que o fim do bloqueio está cada vez mais próximo.

Mas, principalmente, porque esse porto, beneficiado por uma localização geográfica única, e a profundidade de suas águas, será o mais importante e moderno entreposto de containers a funcionar na boca do novo Canal do Panamá e do futuro Canal da Nicarágua, em instalação pela China, funcionando como o principal, quase obrigatório, centro de transbordo e distribuição de produtos embarcados na Europa, no Extremo Oriente e nas costas atlânticas da África e das Américas, ou que estejam sendo transportados para esses destinos.

Uma localização que será, essencial, também, para a instalação de negócios brasileiros na Zona de Desenvolvimento de Mariel. Empresas que estão interessadas em "maquiar", por meio do aproveitamento de um excelente - devido ao câmbio - custo de mão de obra cubana (extremamente bem formada graças ao ensino universal gratuito (do berço à universidade), produtos de consumo fabricados no Brasil. Levando para a ilha insumos e peças feitos majoritariamente em nosso país, por trabalhadores brasileiros, que, depois de terminados e  embalados em Cuba, serão distribuídas, com maior eficiência logística e melhores preços, por meio do porto de Mariel, para o mundo todo, melhorando a competitividade de nossa indústria não apenas frente à China, mas também ao México, também com relação - depois do fim do bloqueio - ao vizinho  mercado dos EUA.

O reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos é mais uma evidência da emergência, possível, de um novo mundo, no qual a hegemonia europeia e norte-americana terá, obrigatoriamente, que dar lugar a um multilateralismo pragmático, com mais respeito pela soberania de grandes países como a Rússia, a China, a Índia, e o próprio Brasil, que se situam, na maioria dos quesitos geoestratégicos, entre as principais nações do mundo.

Neste novo mundo - mesmo mantendo suas rivalidades geopolíticas, econômicas e militares - deverá se perseguir, cada vez mais, o estabelecimento de um equilíbrio, também possível, no qual países com diferentes formas de governo e variadas abordagens ideológicas dos desafios que devem enfrentar, em benefício do desenvolvimento de seus respectivos povos, competirão em paz pela defesa de seus interesses, cooperando no lugar de apenas pressionar e respeitando - como o Brasil já faz há muito tempo, por força da Constituição - o princípio de não ingerência em assuntos internos de outras nações.

OS EUA NO BRICS.


É isso que irrita os radicais antinacionais que pululam nas redes e portais da internet brasileira. Se, mais realistas que o rei, em sua patética subserviência aos Estados Unidos, e seu ridículo, anacrônico e baboso anticomunismo, eles estão indignados com o reatamento das relações diplomáticas entre Washington e Havana, chamando Barrack Obama de comunista sujo e de "burro" em seus comentários, imaginem o que fariam se a Alemanha e os EUA viessem a aderir ao BRICS, a aliança estratégica global dos países emergentes - com 17 trilhões de dólares de PIB - que a direita mais rançosa e certos grupos de comunicação brasileiros não perdem a oportunidade de execrar sempre que possível.

Por mais absurda que pareça, essa hipótese - independentemente das atuais considerações estratégicas de Pequim, Moscou, Brasília, Pretória e Nova Delhi - já está sendo aventada por
muita gente por aí.

O jornalista Greg Hunter, ex-ABC News, Good Morning America e CNN, do site USA Watchdog, diz que a Alemanha - levada, também, entre outros fatores, pela espionagem norte-americana da NSA - já estaria secretamente estudando a hipótese de entrar para o BRICS, o que abriria caminho para uma aliança com a Rússia, país que representa, hoje, paradoxalmente, não apenas a maior ameaça militar contra Berlim - em resposta ao cerco da OTAN contra Moscou patrocinado pelos EUA - mas também, a sua maior alternativa de expansão econômica rumo ao Leste, para além do espaço europeu. Esse é uma atitude que também levaria, segundo alguns comentaristas alemães, a uma maior independência do país mais importante da Europa com relação aos EUA, lembrando, o fato, cristalino, de que as únicas tropas estrangeiras que ainda estão ocupando o pais, desde 1945, já não são mais russas, mas Made in USA.



Há algumas semanas circula, também, nos Estados Unidos, patrocinada pelo controvertido jornalista norte-americano Lyndon LaRouche, uma petição internacional para que a União Europeia e os EUA - em benefício da paz - entrem para o BRICS, com assinaturas que vão de conservadores britânicos a roteiristas premiados e cientistas e professores universitários, cujos principais nomes, a título de curiosidade, coloco logo depois do final deste texto.

LaRouche lançou até mesmo um livro (foto) cujo título não é outro que: PORQUE OS ESTADOS UNIDOS DEVEM ENTRAR NOS BRICS - Uma nova ordem internacional para a Humanidade.



Nada - ao menos por enquanto - mais improvável. Mas com relação à reação - no duplo sentido - dos hitlernautas brasileiros, seria algo - caso viesse a ocorrer - como mostra a sua atitude frente à reabertura da embaixada cubana em Washington - muito  engraçado de se ver.


LIST OF PROMINENT SIGNERS AS OF May 27, 2015:*


United States


Rep. Rodney Alexander, former U.S. Congressman (Monroe, Louisiana)
George Albantov, Co-Founder, Vice President of the Russian-American Youth Association (Seattle, WA)
John Rich Anderson, Former Director, Texas and Southwest Cattle Ranchers Association (Gale, TX)
Konstantinos Angelis, Federationa of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Philadelphia, PA)
Litga Angelis, Federationa of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Philadelphia, PA)
Dr. Raymond Armstrong, Monroe City Council, District 1 (Monroe, LA)
Edward Asner, Actor (Valley Village, California)
Morad Abou-Sabe, Arab American League of Voters of NJ (Monroe, NJ)
Amer Aboud, Syrian American Forum (Chicago, Illinois)
Fidel Acevedo, Co-Chair, Progressive Hispanic Caucus, Texas Democratic Party (Texas)
Ramatu Ahmed, Founder, Federation of African Muslim Women in America (Bronx, NY)
Rev. Hector Arriaga, Pastor, Jesus es el Kryios Church (Alexandria, VA)
Syed Hossain Babu, Actor, Director, Screen Writer (Los Angeles, CA)
John D. Baker, MSG, United States Army (ret.), President, CEO, Tubamiurm Productions (Maryland)
Dr. Panayiotis Baltatzis, Hellenic Society Paedeia (Parkville, MD)
Roseanne Barr, Comedienne and former Presidential candidate, Peace and Freedom Party (Hawaii)
Nathaniel Batchelder, Director, Oklahoma City Peace House (Oklahoma City, OK)
Roland L. Beanum, Economic Adviser to Papua New Guinea (Valley Center, California)
Rev. Alonzo Bell, Pastor, Martin Evans Missionary Baptist Church (Detroit, MI)
Edith Bell, Coordinator, Pittsburgh, Pa. Branch, Women's International League for Peace and Freedom (Pittsburgh, PA)
Robert Beltran, Actor, Director (Los Angeles, CA)
James Benham, State President, Indiana National Farmers Union (Versailles, IN)
Prof. Cyrus Bina, Distinguished Professor of Economics, University of Minnesota (Morris, MN)
George Bioletto, International Association of Machinist Trustee (Long Beach, CA)
Lili Bita, Writer, Hellenic News of America, Poet, Actress, Dramatist (Bala Cynwyd, PA)
Kofi A. Boateng, PhD, African Federation Inc. (Ossing, NY)
Charles H. Borowsky, M.D., President and Founder, Intermuse (Baltimore, MD)
Roger Boyer, Stanford Linear Accelerator (retired) (Menlo Park, CA)
Amelia Boynton-Robinson, Civil Rights Movement leader (Tuskegee, Alabama)
Elena Branson, President, Russian Center NY (New York, NY)
Mark Bush, CEO SouthOil (Houston, TX)
Douglas Caddy, attorney (Houston, TX)
Monica Calzolari, Director, Enrollment Communications, University of Massachusetts Boston (Boston, MA)
Charles E. Campbell, founder and CEO, Allen Hydro Energy Corporation (Columbus, OH)
Gerald Caprio, Director, Ahimsa Berkeley (Mill Valley, CA)
Dimitri Carapanos, (Emeryville, CA)
Bernard Casey, Former President of American Chamber of Commerce in Ukraine (2014) (San Jose, CA)
Frank Cattone, Secretary, Monmouth County, N.J. Constitution Party (New Jersey, USA)
Howard Chang, Professor of Hydraulic Engineering (ret) San Diego State University (CA)
Victor Chang, Retired Professor University of Southern California, Director, Institute of Sino Strategic Studies (Los Angeles, CA)
Bishop Juan Carlos, Pastor, President, CEO, Centro Cristiano Bet-El (South Gate, CA)
Nicholas Chingas, Greek-American Student Association, Saint Joseph University (Philadelphia, PA)
Rep. Donna Christensen, former Delegate of the U.S. Virgin Islands to Congress 1997-2014 (U.S. Virgin Islands)
Andreas Christou, Supreme Vice-President, Sons of Periclese (Schenectady, NY)
Dr. Luis G. Collazo, Minister, former head of the Puerto Rico chapter of the Jubilee Network USA (Puerto Rico)
Wang Chung Ping, President, Institute Sino Strategic Studies (Los Angeles, CA)
Mario J. Civera, Jr., Chairman, Delaware County Council (Media, PA)
Albert Clark, San Diego County Hispanic Chamber of Commerce (New York, NY)
Ramsey Clark, United States Attorney General 1967-69 (San Diego, CA)
Jaime Contreras, Las Vegas Chapter Coordinator, Labor Council For Latin American Advancement
Hal Cooper, Engineer, Seattle Freight Transportation Division Advisory Board (Seattle, WA)
Raymond Cordova, Chair, Central Labor Council (Garden Grove, California)
Professor Mark Crispin, Author, Professor of Media Studies, New York University (New York, NY)
Brian Crowell, Shop Steward (fmr) American Federation of Teachers Local 1078 (Berkley, CA)
Dr. Fred Dallmayr, Co-Chair, World Public Forum—Dialogue of Civilizations (South Bend, IN)
Fr. Richard F. Davidson, FSGG (Franciscan Servants of God's Grace) (New Jersey, USA)
Dr. Bill Deagle, Genesis Communication Network, Host, Nutri-Medical Report (California)
Stephen P. DeGot, Ecoban Securities Corp. (New York, NY)
Atul Deshmane, CEO/President, Whole Energy Corporation (Seattle, Washington)
T. Herbert Dimmock, Founder and Music Director of the Bach Concert Series (Baltimore, MD)
Judge Jim Dimos, Former Speaker of the Louisiana State House of Representatives, Retired (Monroe, LA)
Dorceal Duckens, Ebony Opera Guild (Houston, TX)
Charlton Dunn, Senior Engineer (retired) Rocketdyne and Atomics International (Paso Robles, CA)
Lt. Col. Stanley Dzierzeski, USAR, ret., Director, Polish American Congress, Eastern Massachusetts (Belmont, MA)
Edwin Edwards, former Governor of Louisiana (Louisiana)
E. Leopold Edwards, retired faculty Howard University (Washington, DC)
Dr. T.M. Fasy, Muslim Peacemaker Teams (New York, NY)
James H. Fetzer, PhD, McKnight Professor Emeritus, University of Minnesota (Duluth, Minn.)
Chris Fogarty, Columnist. Chair of Chicago Friends of Irish Freedom, Author of www.irishholocaust.org and "Ireland 1845-1850; the Perfect Holocaust, and Who Kept it 'Perfect'" (Chicago, IL)
James Fox, President, American Fertilizer Trade, LLC (Great Neck, NY)
Fran Foulkrod, Vice-Chair, Philadelphia Chapter, Women's International League for Peace and Freedom (Philadelphia, PA)
Jimmie Franklin, V.P. Summerdale Community Organization (Memphis, TN)
Congressman Cornelius Gallagher, U.S. Congressman 1959-1973 (New Jersey)
Habib Ghanim, Sr., President, D.C. Halal Chamber of Commerce. (Silver Spring, MD)
Donald Gibson, Professor Emeritus, University of Pittsburgh, author (Greensburg, PA)
Henry C. Gonzalez, Mayor of South Gate, California, Founder and Former President of the Labor Council for Latin American Advancement (South Gate, CA)
Senator Mike Gravel, Former U.S. Senator from Alaska 1969-1981 (Burlingame, CA)
Lisa Gray, Chair, North American Chinese Coalition (NACC) (Michigan, USA)
Melvin Grimes, President and Founder, A Fresh Drink of Water (Los Angeles, CA)
Dennis W. Grubb, Director, Investia, Ltd. Development, Finance Expert (Washington, DC)
Nitin Gujaran, President, Association for India's Development, Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, MA)
Sami Hadgis, Dean, School of Hospitality Management, Widener University (Chester, PA)
Don Hank, Editor-in-Chief, Laigle's Forum (USA)
David Hartsough, Peaceworkers (San Francisco, CA)
Cathy M. Helgason, MD, Professor of Neurology (retired) University of Illinois College of Medicine (Chicago, Illinois)
George C. Hillman, MBA, american entrepreneur (Boston, Massachusetts)
Samuel Hoff, Liberian Community Activist (Torrance, CA)
Art Hoffman, Member, Orange County Democratic Committee (Santa Ana, California)
Jim Hogue, host, WGDR radio (Plainfield, Vermont)
Lok Home, president, Robbins Co. (Solon, Ohio)
Eliane Van Horn, Corona Hispanic Chamber of Commerce (Yucaipa, California)
Thomas Hoverston, Former Columbia County Republican Party Chairman (Lodi, Wisconsin)
Prof. James C. Hsiung, Professor of Politics and International Law, New York University (New York, NY)
Hunter Huang, president, National Association for China's Peaceful Unification (Washington, DC)
Fred Huenefeld, member, Louisiana State Democratic Party Central Committee (Monroe, LA)
Anna Ikeda, Board member, Metta Center for Non Violence (Harrison, NJ)
Rep. Thomas Jackson, State Representative, Alabama (Alabama)
Ralph Johnson, nuclear engineer (Seattle, WA)
Rep. Constance Johnson, Oklahoma State Senator (ret.) District 48 (Oklahoma)
Cynthia Johnson, Co-founder, Brownie Mary Democrats (Bakersfield, California)
Sam Kahl, District Leader, Democratic Party of Multnomah County Oregon (Portland, OR)
Pauline Kathopoulis, Vice-President, Hellenic Student Association, Drexel University (Philadelphia, PA)
Eleni Kalstidou, Hellenic Student Association, Saint Joseph University (Philadelphia, PA)
Tarak Kauff, Veterans for Peace National Board of Directors (St. Louis, Missouri)
Lateef Kareem-Bey, God's Army for the Advancement of All People (Americus, GA)
Fred Kaviani, surface transportation systems sales manager, Monogram Systems (Los Angeles, CA)
Petros Karamanidis, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Philadelphia, PA)
Konstantinos Kavaris, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Drexel Hill, PA)
Paul Kotrotsios, President, Hellenic American National Council, Publisher, Hellenic News of America (Broomall, PA)
Vasilios Keisoglou, Epirotes Society of Philadelphia (Philadelphia, PA)
Sang Joo Kim, Founder and Director, Institute for Korean-American Studies (Washington, D.C.)
Frank Kloucek, Former State Senator (South Dakota, USA)
Keerthana Krishnan, Executive Director, Association for India's Development, Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, MA)
Father Labib Korbi, Former Priest of St. Thomas More Church, Founder of Al-Bushra website (San Francisco, California)
George Krasnow, President, Russian-American Goodwill Association
John J. Lampl, North Dakota AFL-CIO Region 8 Vice President (former) (Dickenson, ND)
Kevin Lynn, Director, Center for Progressive Urban Politics (Los Angeles, CA)
Dr. Ernest L. Johnson, President, NAACP Louisiana State Conference (Baton Rouge, LA)
Peter Lago, Chief Operating Officer, LionsGate Corporation (San Francisco, CA)
Bernard Lafayette, Jr. Chairman of Board Southern Christian Leadership Conference (SCLC) (Tuskegee, AL)[/tiem]
Beth K. Lamont, NGO Representative to the United Nations for the American Humanist Association (New York, NY)
Lyndon H. LaRouche, Economist, Statesman, former Presidential candidate (Round Hill, VA)
Eric Larsen, author, The Skull of Yorick: The Emptiness of American Thinking (New York, NY)
Stephen Lendman, Author and Radio Host (Chicago, Illinois)
LaMar Lemmons III, Detroit Board of Education; former member Michigan House of Reps. (Detroit, MI)
Anges Lin, Senior Research Scientist in Education and Information Studies (Los Angeles, California)
Dr. Edward Lozansky, PhD, President & Founder, American University in Moscow; Founder, World Russia Forum (Washington, DC)
Harold L. Madison, Community Organizer and Community Diplomat (Baltimore, MD)
Wayne Madsen, investigative journalist; Publisher and Editor, The Wayne Madsen Report
Clyde Magarelli, Former Director of War Studies, William Paterson College, Author, Professor of Sociology (USA)
Vance McAllister, Former U.S. Representative 2013-14 (Monroe, LA)
Heliatrice Marques, Founder and President of BRICS Working Group, School of International and Public Affairs, Columbia University (New York, NY)
Eli Mellor, Writer, Activist, Founder, The Time is Now Institute, "anti-corporate activist, provocateur and self-styled seer of 30 years of public and foreign policy disasters" (Claremont, CA)
Joaquin Meneses, Labor Council for Latin American Advancement (Los Angeles, CA)
Kyriakoula Micha, International Speaker, University of Pennsylvania Museum of Archaeology and Anthropology (Philadelphia, PA)
Theo Mitchell, Esq., Former State Senator (Greenville, SC)
Constantinos Mitoulis, Pan Macedonian Society of Philadelphia (West Chester, PA)
Jeff Monroe, State Senator (South Dakota, USA)
Pastor Joseph Moussa, Pastor for Arabic Christian Churches in Maryland and Pennsylvania (York, PA)
Somnath Mukherji, Volunteer, Association for India's Development, Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, MA)
Rep. Mike Manypenny, Member, West Virginia House of Delegates (West Virginia)
Marie Martin, Stop Mass Incarceration (Inglewood, CA)
Thomas Grolund Miner, Chairman and CEO of Thomas H. Miner Associates, Inc. (Chicago, Illinois)
Saket Mishra, Volunteer, Association for India's Development, MIT (Boston, Massachusetts)
Anthony Morss, Music Director & Principal Conductor of the New Jersey Association of Verismo Opera, Inc. (New York, NY)
Joseph Moussa, Pastor for Arabic Christian Churches in Rockville, Md., York, Pa., Harrisburg, Pa. (York, PA)
Dr. Michael Nagler, Professor Emeritus of Classics and Comparative Literature, University of California Berkeley; Founder, Peace and Conflict Studies Program, U.C. Berkeley; Founder and President, Metta Center for Nonviolence (Tomales, CA)
Robert Newton, former Vice President Communications Workers of America Local 2252 (Oakton, VA)
Georgios Nitsolas, Corthion Andros Society (Mount Laurel, NJ)
Victor H. Ortiz, Justicia Social Para Los Immigrantes (Los Angeles, CA)
Konstantine Ouranitsas, President, National Hellenic Student Association of North America (Philadelphia, PA)
Perry Owens, National Beef Board (Minneapolis, Kansas)
Bob Pantelous, Corthion Andros Society (Cherry Hill, NJ)
Rev. Michael L. Pastrikos, St. Nicholas Greek Orthodox Church (Baltimore, MD)
Alexandre Perrinelle, Russian Community Activist (West Hollywood, CA)
Larry Pinkney, Black Activist Writers Guild (Minneapolis, Minnesota)
Don Pondysh, North County N.Y. Veterans for Peace (Nichoville, NY)
Nomi Prins, Author All the Presidents' Bankers: The Hidden Alliances that Drive American Power (Los Angeles, CA)
Elisha B. Pulivarti, Vice-President, Maryland India Business Roundtable, Inc. (College Park, MD)
Ganga P. Ramdas, PhD, MA, MS, Professor of Economics, Lincoln University (Philadelphia, PA)
Earl D. Rasmussen, P.E., Executive Vice President Eurasia Center, Lt. Colonel (ret) U.S.Army (Falls Church, VA)
Alya Rea, Freelance Writer, Contributing Author, Cyrano’s Journal Today, Uncommon Thought Journal (Olympia, WA)
James Reed, National Action Network Michigan State Representative (Inkster, Michigan)
Phillip Restino, VFP 136, chapter co-chair, Central Florida, Vets for Peace (Daytona, Florida)
Geroge E. Riser, Justice of the Peace, Harris County, TX Precinct 2 (Pasadena, TX)
Priscilla Roche, Nevada State Director, League of United Latin American Citizens (LULAC) (Las Vegas, NV)
Kesha Rogers, Democratic Nominee for Congress TX-22 (2010, 2012), former candidate for US Senate (Texas)
Natalie Sabelnik, Russian-American community leader (San Francisco, California)
Prof. Christine Salboudis, Philo4Thought Inc. Hellenic Mentoring (New York, NY)
Ranjani Saigal, Executive Director, Ekal Vidyalaya Foundation of the USA (Burlington, MA)
Dr. Jose I. Sangerman, PhD, Biologics Researcher (Boston, Massachusetts)
Henry J. Santos, Professor Emeritus, Bridgewater State University (Bridgewater, Massachusetts)
Keith L. Shaffer, former President IAM local 1784 (Baltimore, Maryland)
Prashant Shah, Publisher, India Tribune (Chicago, Illinois)
Vaithilingam Shanmuganathan, National Committee Member, Liberal Party of Sri Lanka; Secretary General, Liberal Democratic Workers Union of Sri Lanka; Former Advisor to the Governor of the Central Bank of Sri Lanka (Azusa, California)
Trilochan Singh, Professor, Mechanical Engineering, Wayne State University (Detroit, Michigan)
Dr. Kenneth Smith, Delegate to the California State Republican Convention, 2013, 2014 (Sunnyvale, CA)
Nick Spiliotis, Vice-President, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Feasterville Trevose, PA)
Rick Staggenborg, Founder, Soldiers for Peace International, Host of Take Back America (Coos Bay, OR)
Randy Sowers, owner, South Mountain Creamery (Middletown, Maryland)
Sean Stone, Filmmaker (New York, NY)
Johannes Strohschank, Author, Member Board of Directors, Friends of Max Kade Society, Professor of German Studies, University of Wisconsin (Madison, WI)
Baifeng Sun, Director, The Confucius Institute, UMASS Boston (Massachusetts)
Rep. Rosemarie Swanger, retired Pennsylvania State Representative. (Pennsylvania)
Harold Taylor, Former Black Panther Party member, ex-Defendant in the San Francisco Eight Trial (Panama City, FL)
Dr. John Telford, Superintendent (retired) Detroit Public Schools (Detroit, Michigan)
Michele Thomas, Photographer and Constitutional Activist (Los Angeles, CA)
Fr. Peter J. Thornburg,St. Sophia Greek Orthodox Church (Jeffersonville, PA)
Jimal Thrower, Special Representative AFSCME Local 865 (Los Angeles, CA)
Igor Trofimov, Vice-President, Russian-American Chamber of Commers (New York, NY)
Magalis Troncoso, Director and Founder of the Dominican Development Center (Boston, MA)
Rev. Benny L. Tucker, City Council (Selma, AL)
Sean Turnbull, SGT Report (Minneapolis, Minnesota)
Eric Tymoigne, Assistant Professor of Economics, Lewis and Clark College (Portland, Oregon)
Judith Van Dyke, United Association of Entrepreneurs (New York)
Bob Van Hee, Alderman, Former City Council President (Redwood Falls, Minn.)
Anil Verma, President, Anil Verma Associates, Inc. (Los Angeles, California)
Phil Vogis, Supreme Commander Region 3, American Hellenic Educational Progressive Association (Wyckoff, NJ)
Pat Wadsworth, former Chair and current Secretary, Grays Harbor Democrats (Grays Harbor, WA)
Vince Weldon, retired aerospace engineer, designer of components for Apollo and Space Shuttle missions (Seattle, WA)
Dr. Cornel West, Author, Activist, Professor of Philosophy and Christian Practice: Union Theological Seminary; Professor Emeritus: Princeton University (Princeton, NJ)
Fred Wimberley, Member of the Bargaining Committee, Service Employees International Union Local 721 (Los Angeles, CA)
Captain James H. Whitley, Jr., Battalion Fire Chief, Washington, D.C. Fire Department (Mitchellville, MD)
Lynn Yen, Executive Director of the Foundation for the Revival of Classical Culture (New York, NY)
Lowell Young, Treasurer, Mariposa County Democratic Central Committee (Mariposa, CA)
Prof. Robert Zaller, Distinguished Professor of History, Drexel University (Bala Cynwyd, PA)
Weijun Zhao, Director, Office of China Programs, Michigan State University (Detroit, Michigan)
Apostolos C. Ziogas, Hellenic Federation of Philadelphia (Bala Cynwyd, PA)
Maria Ziogas, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Bala Cynwyd, PA)
International
Julio C. González, former Secretary of State of the Argentine Republic; University Professor (Buenos Aires, Argentina)
Carlos Alberto Baltazar Perez Galindo, Attorney (Buenos Aires, Argentina)
Wilhelm Augustat, President, International Society “Peace Through Culture” (Linz, Austria)
Prof. Dr. H.C. Peter Bachmeier, Austria-Belarus Society (Vienna, Austria)
Prof. Reinhard Kleinknecht, Department of Philosophy, University of Salzburg (Salzburg, Austria)
Prof. Dr. Hans Koechler, President, International Progress Organization (Vienna, Austria)
Eva Pfisterer, Magazine Journalist, Formerly with the Osterriech Rundfunk ORF (Vienna, Austria)
Michael Machura, Counsellor and Engineer, Österreichischer Wirtschaftsrat (Austria)
Dr. Harold Raffay, (Vienna, Austria)
Professor Karl Socher, Professor Emeritus University of Innsbruck, Institute for Economic Theory, Political Economy (Innsbruck, Austria)
David Comissiong, President, Clement Payne Movement; Former Senator, Government of Barbados; Former Director, Commission for Pan-African Affairs, Government of Barbados (Barbados)
Koen Van Dessel, Editor, SouthFront Dutch (Antwerp, Belgium)
Lode Vanoost, Former Deputy Speaker of the Belgian Parliament, 1999-2003 (Sint-Genesius-Rode, Brussels, Belgium)
Jean Verstappen Veteran of the Belgian Resistance, former Belgian Senator. 1965-68 (Nivelles, Belgium)
Valko Petrov Bulgarian Academy of Sciences (Sofia, Bulgaria)
Yuri Avdiev Russian Multicultural Society of British Columbia (Vancouver, B.C., Canada)
Rodrigo Menezes, Technical Manager and Regulatory Affairs, Eutelsat (Rio de Janerio, Brazil)
María Luz Navarrete Alarcón, Vice President for Social Security of Aquí la Gente Citizens Movement (Santiago, Chile)
David Gontar, Adjunct Professor of English and Philosophy, Inner Mongolia University (China)
Jhon Jairo Jaramillo, Liberal Arts Professor, University of el Valle (Colombia)
Carlos Julio Diaz Lotero, General Director, National Trade Union School, Unified Workers Federation (CUT) (Medellin, Colombia)
Pedro Pablo Escobar Morales, President, Unified Education Workers Trade Union (SUTEV), (Buga, Colombia)
Hugo Andersen, Director, Taarnby Karroserifabrik (Taamby, Denmark)
John Scales Avery, Associate Professor Emeritus, University of Copenhagen; Chairman of The Danish Peace Academy; Pugwash Conferences on Science and World Affairs (Denmark)
Anika Telmányi Lylloff, Classical Violinist (Denmark)
Mohammed Mafoud, Head of Danish-Syrian Union (Denmark)
Thomas Grønlund Nielsen, Physics Lecturer, Herlufsholm Skole (Denmark)
Jens Jorgen Nielsen, Lecturer, Niels Brock Business School (Denmark)
Ole Skjold, former director, Ole Skjold ApS (Frederikssund, Denmark)
Erling Svendsen, Former President, Danish Wheat Growers Association (Hvalso, Denmark)
Ole Valentin-Hjorth, Economist (Denmark)
Ramon Emilio Concepcion, Attorney (Santo Domingo, Dominican Republic)
Alexis Ponce, Defender of Human Rights (Ecuador)
Jorge Washington Núñez Sánchez, Former President of the Association of Latin American Historians (Quito, Ecuador)
Peter Liskola, Former Diplomat and Member of the Council of Europe, International Law Expert (Finland)
Georges Beriachvili, Classical Pianist (Paris, France)
Jean-Paul Brignoli, Mayor of Ormey (Ormey, France)
Jacques Cheminade, President, Solidarité et Progrès (Paris, France)
Gérard Coinchelin, Deputy Mayor (Denipaire, France)
Col. (ret) Alain Corvez, Counsellor for International Strategy, former advisor to the General-in-Command of UNIFIL (France)
Claude Champaud, Honorary President of the Rennes University, President of the Scientific Council of the foundation for Research on the Corporate Doctrine (Rennes, France)
Marc Chautemps, Mayor of Gemeaux (Gemeaux, France)
Pierre Eboundit, President of the Panafrican Leauge—Umoja (Reims, France)
Evard Garnier, Mayor (Mijoux, France)
Alain Giletti, Former Champion Figure Skater (Tours, France)
Michele Guerin, Economist, Consultant (Paris, France)
Deva Koumarane, poet, teacher Indian Studies (Rambouillet, France)
Jean-Yves Lapeyrere, Mayor (Lorignac, France)
Jean-Pierre Luminet, Author, Astrophysicist Laboratory of Physical Sciences of Marseille (France)
Eugene Perez, Mayor of Chamouilley (Chamouilley, France)
Catherine Plantevin, Archeologue, INRAP (Lyon, France)
Ali Rastbeen, President Geopolitical Academy Of Paris (Paris, France)
Dr. Louis Reymondon, Honorary Surgeon of French Hospitals; President of VietAmitié (France)
Jean-Jacques Seymour, Radio Journalist (Paris, France)
Bernard Sutter, Mayor of Sternenberg (Sternenberg, France)
Bassam Tahhan, Franco-Syrian Professor of Geostrategy, Ecole Nationale supérieure des Techniques Avancées (Paris, France)
Frithjof Banisch, Career Military Officer (retired) (Baruth/Mark, Germany)
Dr. Johannes Maria Becker, Privatdozent Phillips University, Center for Conflict Studies (Marburg, Germany)
Ruhild Boehm, Author (Tuebingen, Germany)
Niccolai Dolmetsch, District Chapter Chairman Left Party (Stuttgart, Germany)
Wolfgang Effenberger, Publicist (Rosenheim, Germany)
Hans-Juergen Ehlers, Retired State's Attorney (Bavaria, Germany)
Anatol Graf, Federal Council for the Integration of Germans from Russia (Berlin, Germany)
Dr. Josef Gruber, Professor Emeritus (Hagen, Germany)
Brunhilde Hanke, Former Mayor of Potsdam Germany 1961-1984 (Potsdam, Germany)
Uwe Heimrich, Mayor (Thueringen, Germany)
Prof. Dr. Klaus Hennig, Physicist (Prina, Germany)
Martin Hoffman, Lawyer, German India Round Table (Leipzig, Germany)
Prof. Helmut Keutner, Beuth Hochschule fuer Technik (Berlin, Germany)
Erika Herbrig, Former Director of the Historical Memorial Site of the Potsdam Agreements (Cecilienhof, Germany)
Dipl.-Ing. Enayetullah Ishaqzay, Economist (Goettingen, Germany)
Dr. Ing. Eberhard Langer, Former Mayor of Chemnitz (Chemnitz , Germany)
Gerhard Matthes, Naval Officer (retired) (Strausberg , Germany)
Gerd Medger, Board Member, Brazilian-German Association for Business and Science (Dresden, Germany)
Ekaterina Medvedeva-Schwerbock, Actress (Berlin, Germany)
Alena Petrova, General Director, Art Assemblee Agency, GmbH (Baden-Wurtemberg, Germany)
Dr. Albrecht Poth, Scientific Director (Rossdorf, Germany)
Ronald Regolien, Journalist (Ravensberg, Germany)
Dorothea Schleifenbaum, County Councilwoman Siegen-Wittgenstein (Siegen, Germany)
Dr. Kurt Schumann, Embassy Counselor, a.D. (ret.) (Germany)
H. C. von Sponeck, Former U.N. Assistant Secretary General (Germany)
Dr. Hermann Schwiesau, Ambassador a.D. (ret.) (Germany)
Dr. Gallus Strobel, Mayor, Triberg Germany (Baden-Wurtemberg, Germany)
Dmitris Tzamouranis, Greek visual artist (Berlin, Germany)
Prof. Dr. Carl-Otto Weiss, Research Director at the Physikalisch-Technische Bundesanstalt (Braunschweig, Germany)
Helga Zepp-LaRouche, Founder, Schiller Institute (Wiesbaden, Germany)
Michael Plum, Project Manager and Former Chairman of the Left Party Landau (Landau, Germany)
Philipp Windemuth, J.D. Company Dentons Europe LLP (Berlin, Germany)
Leonidas Chrysanthopoulos Ambassador (ret), Member of the Political Secretariat of United People's Front (Greece)
Panos Kammenos, President of the Independent Greeks, Member of the Hellenic Parliament (Athens, Greece)
Lefteris Karayannis, Ret. Ambassador, Diplomatic advisor to Panos Kammenos (Athens, Greece)
Theodore Katsanevas, Chairman of the Drachma 5 Party​ (Athens, Greece)
General (ret) Konstantinos Konstantinides, one of the founders of Generals Against Nuclear War (Greece)
Dr. George Pararas-Carayannis, Chairman, 6th International Tsunami Symposium; President Tsunami Society International (Greece)
Philippos Tsalides, Professor of Electronics, Democritus University of Thrace, President of the Institute of Geopolitical Studies “National Regeneration” (Xanthi, Greece)
Dr. George Tsobanoglou, Vice President, International Sociological Association, Research Committee on Sociotechnics & Sociological Practice (Greece)
Raúl Aníbal Marroquín Casasola, former Secretario General del Sindicato de Trabajadores del INDE-STINDE (Guatemala)
Jacques Bacamurwanko, Former Ambassador of Burundi to the United States, (Conakry, Guinea)
Yufang Guo, Chairman, Jomec International (Rotterdam, Holland)
Shalini Pradhan, DDS, A/8 Model Town Housing Scheme (Mumbai, India)
Dr. Vinod Saighal, Executive Director, Eco Monitors Society (New Delhi, India)
Arun Shrivastava, author (New Dehli, India)
Seyed Hossein Mousavian, Research Scholar, Program Science and Global Security Princeton University, Former Iranian Ambassador to Germany, Former Head of the Foreign Relations Committee of Iran's National Security Council (Iran)
Sami Rasouli, Founder, Muslim Peacemakers Team (Naajaf, Iraq)
Eugene Douglas, Editor, LaRouche Irish Brigade (Armagh, Ireland)
Antonella Banaudi, Opera Singer (Sanremo, Italy)
Luca Bertoni, Secretary, Lomardi-Russia Cultural Association (Milan, Italy)
Senator Stefano Candiani, Member of the Italian Senate (Rome, Italy)
Gabriele Chiurli, Member, Tuscany Regional Council (Arezzo, Italy)
Prof. Guglielmo Forges Davanzati, University of Salento (Lecce, Italy)
Gianmatteo Ferrari, Vice-President, Lombardy-Russia Cultural Association (Milan, Italy)
Pietro Foroni, Member of the Regional Council in the Lombardy Region (Milan, Italy)
Nino Galloni, Economist (Rome, Italy)
Alfonso Gianni, Director of the Cercare Ancora Foundation (Rome, Italy)
Pietro Giubilo, Former Mayor, Rome (Rome, Italy)
Tiberio Graziani, President, Institute of Advanced Studies in Geopolitics (Rome, Italy)
Paolo Grimoldi, Member of the Italian Parliament, Founder of the Parliamentary group, “Friends of Putin” (Carugate, Italy)
Giacomo Guarini, Administrative Director, Institute for High Studies of Geopolitics (Rome, Italy)
Armando Manocchia, Journalist, Editor in Chief Imola Oggi.it (Imola, Italy)
Prof. Giulio Sapelli, Economist, University of Milan (Milan, Italy)
Gianluca Savoini, President, Lombardy-Russia Cultural Association (Milan, Italy)
Enzo Siviero, Member of the Italian National Council of Universities (Padua, Italy)
Valentina Iorio Tomasetti, City Councilwoman (Galliate Lombardo, Italy)
Marcello Vichi, Author, Transaqua, an Idea for the Sahel, Former Director Foreign Department, Bonifica Engineering Company, IRI Group (Rome, Italy)
Daisuke Kotegawa, Former Japanese Executive Director of the International Monetary Fund (Tokyo, Japan)
Yim Sungbin, Former Secretary to the President of the Republic of Korea for Climate and Environment (Republic of Korea)
Chandra Muzaffar, President of the International Movement for a Just World (Kuala Lampur, Malaysia)
Manuel Ignacio Espinoza Gonzalez, Primary School Teacher, former Municipal President, PRD (Ures, Sonora, Mexico)
Luis Benito Acosta Jiménez, Agronomist, Director General, Agronomy Federation of Mexico City (Mexico City DF, Mexico)
Carlos Arellano Palma, Architectural engineer, Mexican Association of Engineers (Mexico City DF, Mexico)
Esteban Palma Bautista, Civil engineer, Mexican Association of Engineers (Mexico City DF, Mexico)
Gaston Pardo-Pérez, journalist, Reseau Voltaire (Veracruz, Mexico)
Jesus E. Ramirez Diaz, Secretary General, Mexican National Federation of Organized Trade Unions FENASO (Mexico)
Martínez Rojas, Andrés Eloy, Federal Congressman, Mexico, MORENA party, Secretary of the Science and Technology Committee in the Chamber of Deputies (Mexico)
Rosa Elia Romero Guzmán, Mexican Federal Congresswoman (Oaxaca, Mexico)
Casimiro Navarro Valenzuela, Industrial Engineer, Former Municipal President, PAN (Hermosillo, Sonora, Mexico)
Jose Modesto Torres Valerio, Secretary General of the University of Sonora Workers and Employees Union (SETUS) (Hermosillo, Sonora, Mexico)
José Francisco Rosales Argüello, Vice President of Permanent Conference of Political Parties of Latin America and the Caribbean, Justice Nicaragua Supreme Court (Nicaragua)
lloegbunam Ngoesina, General Organizer of the All Progressive Grand Alliance (APGA) (State of Anambra, Nigeria)
Mario Rognoni, Journalist, Businessman, Engineer (Panama City, Panama)
Julio A. Mendoza, architect, President of the Chamber of Housing and Infrastructure of Paraguay (Paraguay)
Teresa Nowak, Chairman of the Board at The Institute for Intercultural Communication and Interdisciplinary Studies SILK ROAD (Poland)
Dr. Jacek Nowak, Executive Director at The Institute for Intercultural Communication and Interdisciplinary Studies SILK ROAD (Poland)
Sergei Cherkasov, Deputy Director for Research, State Geological Museum, Russian Academy of Sciences (Moscow, Russia)
Markiyan S. Chubey, Senior Scientist, Pulkovo Main Astronomical Observatory of the Russian Academy of Sciences (St. Petersburg, Russia)
Guzel A. Danukalova, Institute of Geology, Ufa Scientific Center, Russian Academy of Sciences (Ufa, Russia)
Roman Krivonos, Space Research Institute, Russian Academy of Sciences (Moscow, Russia)
Victor Kuzin, Head of Moscow Bureau for the Defense of Human Rights without Borders (Moscow, Russia)
Olga Mekhtieva, Teacher of English Literature (Moscow, Russia)
Stanislav N. Nekrasov, professor; Chairman, International Legal and Futurological Information Agency (Yekaterinburg, Russia)
Alexander D. Petrushin, Institute for Demography, Migration, and Regional Development (Moscow, Russia)
Sergey Pulinets, Space Research Institute, Russian Academy of Sciences (Moscow, Russia)
Felix M. Royzenman, Russian Academy of Natural Sciences (Moscow, Russia)
Prof. Marietta Stepanyants, UNESCO Chair for Philosophy in the Dialogue of Cultures, Institute of Philosophy (Moscow, Russia)
Sergei V. Zaitsev, Institute of Solid State Physics, Russian Academy of Sciences (Chernogolovka, Russia)
Naeem Shakir, Supreme Court Attorney of Pakistan (Lahore, Pakistan)
Olga Zinovieva, Co-Chairman Rossiya Segodnya Ziniviev Club (Moscow, Russia)
John Bosnitch, International Journalist, Political Activist (Belgrade, Serbia)
Prof. Dr. Ana Langovic Milicevic, Faculty of Art and Design, Megatrends University (Belgrade, Serbia)
Father Themi Adamopoulous, Greek Orthodox Priest (Sierra Leone)
Jan Cernogursky, former dissident of Czechoslovakia, former Justice Minister, Slovak Republic (Slovakia)
Javier Otazu Ojer, Economics Professor, UNED in Pamplona (Pamplona, Spain)
Fructuoso Rodríguez Morales, retired transport union leader (Las Cannarias, Spain)
Sebastian Martin, Director, Noticanarias.com (Puerto del Rosario, Islas Canarias, Spain)
Fahrie Hassan, The Film Club (Cape Town, South Africa)
Greger Ahlberg, architect (Stockholm, Sweden)
Leena Malkki-Guignard, producer and opera singer, Operafabriken (Malmo, Sweden)
Daniel Mena, Member, City Council (Helsingborg, Sweden)
Professor Heinrich Bortis, Professor of Political Economy, University of Freiberg (Freiberg, Switzerland)
Tomader Gohar, Citizens for Peace Building (Geneva, Switzerland)
Alfonso Tuor, Journalist, Economist, (Lugano, Switzerland)
Dr, Gerd Joseph Weisensee, Delegate of the Board of Directors Pro-Life Association (Bern, Switzerland)
Dominique von Burg, Art Historian and Art Critic (Zurich, Switzerland)
Mustafa Acar, Professor, Dr. Rector, Aksaray University (Aksaray, Turkey)
Mother Agnes Mariam of the Cross, Mother Superior at the Monastery and Convent of St. James the Mutilated (Qara, Syria)
Vladimir R. Marchenko, Confederation of Labor of Ukraine (Kiev, Ukraine)
Natalia M. Vitrenko, Doctor of Economics; Chairman, Progressive Socialist Party of Ukraine (Kiev, Ukraine)
Dr. Jonathan Cartmel, Professor, Glyndwr University (Wrexham, United Kingdom)
Nicholas Cobb, Managing Director and Founder Cobb Energy Communications, Chairman of the Westminster Russia Forum (London, United Kingdom)
Rt. Hon. Michael Meacher, Labour Member of the House of Commons, Former Cabinet Minister and National Executive Member of the Labour Party (Oldham, United Kingdom)
Robert Oulds, Director of the Bruges Group (Conservative Party), Local government councilor for the London borough of Hounslow Author and Military Historian (London, United Kingdom)
Mike Robinson, Editor, UK Column (Plymouth, United Kingdom)
Professor Prem Sikka, Essex Business School at University of Essex Professor of Accounting and Economist (Colchester, United Kingdom)
Paul Webb, Screenwriter, Academy Award-nominated films Selma and Lincoln (London, United Kingdom)
Dr. Daya Thussu, Co-Director, India Media Center, University of Westminster (United Kingdom)
Roman Rojas Cabot, Former Venezuelan Ambassador to the European Union and to Guyana (Caracas, Venezuela)

Os segmentos que hoje comemoram as dificuldades do governo - e do país - decorrentes, no plano econômico e institucional, da Operação Lava-Jato, que não se iludam. O alto empresariado brasileiro tem memória de elefante e da forma como estão sendo tratadas suas empresas e seus dirigentes - na maioria das vezes sem nenhuma prova real - dificilmente companhias de qualquer área de atividade, principalmente  as de construção, engenharia e infraestrutura, voltarão a reservar um centavo de seu dinheiro para apoiar candidatos ou partidos políticos no Brasil, por mais que a cínica "reforma" política em andamento o permita, com a previsão de elástico patamar de gastos, para o qual, na verdade, não há mais do que o céu como limite. 

 

Já se provou, na prática, que não existe mais doação legal de campanha em nosso país. Os critérios de legalidade ou ilegalidade desse mecanismo podem ser mutantes, subjetivos ou seletivos e dependem, basicamente, da eventual interpretação de quem estiver investigando algo em um determinado momento.

  

Ao ver alguns de seus principais colegas sendo algemados, e confinados indefinidamente na cadeia, independentemente do pretexto ou da legislação, grandes empresários já admitem que fugirão, doravante, do envolvimento com campanhas políticas como o diabo da cruz, mantendo delas a mesma distância de  uma multidão se afastando, apavorada, em polvorosa, de um bando de leprosos nos tempos de Jesus. 


O fechamento, que, pelo menos nos próximos anos, tende a ser praticamente definitivo, das torneiras do financiamento empresarial, deverá privilegiar, individualmente, os candidatos mais ricos, mas também levará, paradoxalmente, mais água para o moinho - e mais votos - para os partidos que tiverem maior penetração junto às chamadas organizações populares, e por meio delas, junto às camadas menos favorecidas da população.