7 de ago de 2017

AS FRONTEIRAS DA SUBALTERNIDADE


Enquanto os EUA suspendem a isenção de vistos para 38 países e o número de brasileiros barrados em aeroportos europeus - principalmente os espanhóis - aumenta em quase 10% - foram 923 apenas no primeiro trimestre - ainda há sujeitos que, no primeiro escalão do governo, defendem a isenção unilateral de vistos para países ditos "desenvolvidos", como se tivéssemos que assumir, na "nova ordem" mundial, a condição de cidadãos de segunda classe.

  

O "trade" turístico que nos desculpe, mas o 

diabo está nos "detalhes".


O excitatório frenesi dos vira-latas - que, junto ao entreguismo mais abjeto,  não consegue se refrear neste governo - precisa entender que, nas relações internacionais, o limite para o pragmatismo e o déficit de dignidade é o critério de reciprocidade. 


Não se deve assegurar ao outro o que ele faz questão - de forma aberta e oficial - de negar-nos.


Especialmente quando somos a quinta maior nação do mundo em território e população e, por mais que a contrainformação fascista e midiática faça questão de ignorar, com  mais de 250 bilhões de dólares emprestados, o quarto maior credor individual externo dos EUA, por exemplo.


Uma condição que se deve, justamente, à atuação de governos que estão sendo goebbelslianamente acusados de terem assaltado e quebrado o país.


Como diriam nossos antepassados, quem muito se abaixa acaba mostrando as nádegas.


No Brasil de hoje, parece que no trato com os gringos, estamos agindo como se estivéssemos quase sempre, despudoradamente, em permanente consulta proctológica.

5 de ago de 2017

GOERING FICARIA ORGULHOSO: CONTINUAM OS VIOLENTOS ATAQUES DA EMPIRICUS A LULA NOS MEIOS "EMPRESARIAIS".



Um dos fenômenos mais impactantes do processo histórico vivido pelo país neste momento, é a extensão, profundidade e complexidade alcançadas pelo amplo esquema de contrainformação fascista montado nos últimos anos.


Voltado para atingir não apenas o público geral, mas também segmentos específicos da opinião pública, como a juventude, as igrejas (católicas e evangélicas) os ruralistas e os empresários urbanos, ele tem operado, desde 2013, praticamente sem contestação.


Na ausência de planejamento tático, estratégia, determinação ou articulação, a esquerda, que poderia servir de alternativa a esse discurso, reage, junto com o campo nacionalista e democrático, de uma forma tão lamentável e errática, que as derrotas vão se sucedendo, umas sobre as outras, com grande rapidez e facilidade, como ocorreu com o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016.


Não há no Brasil uma frente pela democracia. 


Não existe, no país, um comitê estratégico de comunicação, que pudesse, ao menos em parte, suprir a ausência dessa frente, ou transformar-se no seu braço mais atuante, em defesa da Verdade, da Liberdade, do Estado de Direito e da Constituição.


Nem uma coordenação jurídica nacionalista e desenvolvimentista, que possa restabelecer minimamente a justiça e fazer frente  ao verdadeiro tsunami de calúnias produzido de forma mendaz pelo sistema de manipulação entreguista e fascista, em seus moinhos, ininterruptamente ligados, de ódio, mentira e hipocrisia.


E nem sequer grupos de monitoramento dignos desse nome, para ao menos mapear o que está ocorrendo nesse contexto, na internet e nos meios tradicionais de comunicação.


A cada 24 horas, no âmbito econômico e no institucional,  da desculpa da busca de austeridade - agora ridicularizada pelos mais de 3 bilhões em emendas parlamentares aprovados pelo governo - que disfarça e sustenta a entrega da nação aos estrangeiros, à suposta defesa da honestidade que justifica, por meio do discurso de combate à corrupção, a destruição do Brasil, de programas e projetos no valor de centenas de bilhões de reais, são gerados, livre e maciçamente - na mídia, nos organismos de controle, justiça e segurança da República, nos intestinos de uma plutoburocracia sem nenhuma visão geopolítica ou um mínimo de sensibilidade estratégica para com a dimensão e a história do país que está irresponsavelmente arrebentando - centenas de ataques (milhares, se somarmos as redes sociais) ao Estado, à Democracia e à Política.

Às principais  empresas nacionais e aos nossos bancos públicos - que poderiam nos servir de instrumento para enfrentar a crise em que nos meteram a propaganda, a conspiração e a sabotagem golpista desde a época da Copa do Mundo - distorcendo descaradamente a verdade, invertendo a realidade dos fatos, criando mitos tão mendazes quanto absurdos.


Disseminam-se, como sementes de ódio que brotam assim que atingem o solo - e tivéssemos sido tomados por um cego, orgásmico e orgiático viralatismo - falsos paradigmas que estão chegando - pela constante repetição, no incansável "pós venda" da "pós-verdade" - a milhões de brasileiros, nos mais diferentes nichos da sociedade e regiões do país, cumprindo sua missão de enfraquecer e destruir o Estado, desnacionalizar a economia e nossos principais  instrumentos de desenvolvimento, e de ajudar a entregar, quem sabe definitivamente, o país ao fascismo, com embrulho de presente e tudo, nas próximas eleições.


Para fazer isso, a  aliança entre direita "light", o anticomunismo tosco e anacrônico e o entreguismo mais abjeto, que encontraram no território brasileiro, nos últimos anos, um campo fértil, adubado com o preconceito e a ignorância, não utilizam apenas a mídia de massa - a ponta mais visível do iceberg que está afundando o país.

Mas também os mais insidiosos métodos e instrumentos, desenvolvendo estratégias específicas para cada tipo de público, por meio de instituições ligadas a interesses estrangeiros, vide as ligações entre o MBL e os irmãos Koch, por exemplo.


Há palestras e cursos de formação de "liderança" promovidos e financiados por consulados e embaixadas estrangeiras, de países que nos espionaram ainda nesta década.


Há "seminários" organizados por institutos e fundações de "defesa" da "justiça" e da "democracia", que não apenas levam nossos jovens para  outros países, facilitando por meio de "bolsas" suas viagens e estudos, como depois também promovem e premiam, com plaquinhas, diplomas, medalhas, espelhinhos, festinhas, diplomas e miçangas e palestras remuneradas, sua fiel, abjeta e prestimosa "cooperação", quando alcançam algum poder em suas carreiras.


Há centenas de sites  sofisticados, sem fontes de financiamento claras, e também empresas de "consultoria" e  "research" que, a pretexto de prestar  informações ao mercado e a investidores, fazem o mais descarado proselitismo político e antinacional.


Isso, sem serem incomodadas  ou impedidas, na maioria das vezes,  nem pelas autoridades, nem por quem está sendo por elas impiedosa e constantemente caluniado.


Usando, para pescar otários no oceano dos brasileiros comuns, saturantes- e caríssimas - campanhas de mídia dirigida, que, por sua extensão e capilaridade, devem envolver, principalmente na internet, milhões de reais.


Ora, todo mundo com um mínimo de conhecimento histórico sabe que, desde o início dos tempos, a mentira e o medo são as duas principais muletas do fascismo.


Que as utiliza para percorrer a trilha, pavimentada pela desinformação e o analfabetismo político, que costuma conduzí-lo ao poder, para finalmente calçar, sem abandoná-las como apoio para equilibrar-se, as pesadas botas do terror e do autoritarismo.


Quando na oposição, a falsidade e o preconceito servem ao fascismo para incentivar o golpismo.


Quando na situação, para impedir que ascendam novamente ao poder forças que possam se opor a ele.


Em fevereiro de 2015, denunciamos, em um texto para o qual recomendaríamos novamente a leitura, publicado na "Revista do Brasil", com o título de "O "FIM" DO BRASIL", a realização, na linha do "tenho medo", lembram-se? - de uma ampla campanha de mídia, dirigida principalmente para os meios empresariais, disfarçada como a venda de relatório de conjuntura, que afirmava - dentro da estratégia de  disseminação e justificação do golpismo - que o Brasil iria "quebrar" naquele ano.


Por trás dela, estava uma empresa de "consultoria" cuja principal missão tem sido, nos últimos anos, a de explorar e apoiar abertamente o anticomunismo e o antipetismo no Brasil, adotando o sensacionalismo mais vulgar e o mais descarado terrorismo econômico, mesma estratégia que adota  em outros "mercados", como Portugal, por exemplo.


Não apenas negando as eventuais conquistas que o país obteve na última década, mas, principalmente, assustando um público ignorante em economia, suscetível e contaminado ideologicamente pelo discurso conservador, privatista, entreguista e antibrasileiro vigente.


Ameaçando-o com a perspectiva da volta ao poder de um governo nacionalista, capaz de recolocar o país, por meio de um programa desenvolvimentista, em uma situação minimamente soberana e digna diante do mundo.


Agora, com a mesma estratégia, já denunciada, entre  outros, por Fernando Brito, Tereza Cruvinel e Denise Assis - a de apresentar um discurso escarradamente político, em sua forma e consequências, como peça de propaganda de uma pseudo "análise exclusiva" - essa mesma empresa, a EMPIRICUS - sócia do site Antagonista e da Agora.inc, dos EUA, e já processada pela CVM e o MP de São Paulo - está promovendo outra campanha milionária, que, no lugar de "O FIM DO BRASIL" traz como apelo o alerta "A AMEAÇA QUE PODE ARRUINAR COM O PATRIMÔNIO DE SUA FAMÍLIA".


Nela, ela usa como principal gancho o retorno de Lula - que tirou o Brasil da decima-terceira economia do mundo e levou para sexta, hoje, ainda, nona posição, pagou a dívida com o FMI, triplicou o PIB, e multiplicou por 10, para 340 bilhões de dólares, as reservas internacionais - à Presidência da República e também defende, em outra peça de propaganda, a condenação definitiva do ex-presidente como um fator de melhora da situação para os investidores.


Em homenagem a Goering (Goebbels era mais sofisticado) vale a pena ler, na íntegra, o fac-símile dessa pilantragem:












Agora, resta saber o que o PT poderia fazer a respeito disso.

O leitor escolha, nas alternativas abaixo, como nas provas do Ministério Público:

a) Chamar alguns economistas sérios e incentivar a montagem de uma consultoria para concorrer - ao menos institucionalmente - com a Empiricus, que possa finalmente explicar aos investidores - e a parte da opinião pública - o que realmente ocorreu com a economia  brasileira desde 2002.

b) Mandar alguém fazer um estudo criterioso dos "relatórios" da EMPIRICUS nos últimos anos e mostrar que, entre os alegados 1.6 milhão de "leitores" que a seguem, muita gente jogou dinheiro fora - como no caso das ações da Petrobras - ao se deixar contaminar ideologicamente e indo atrás da conversa fiada deles.   

c) Processar - como já fez no passado - essa pseudo consultoria junto ao TSE por propaganda (ou contra informação) eleitoral antecipada.

d) Não fazer absolutamente nada, porque trata-se  de um caso típico de liberdade de expressão, ou porque "isso não vem ao caso", como diz certo  juiz "imparcial" de Curitiba. 





29 de jul de 2017

PROCUREM O CONCORRENTE, POR FAVOR!





Um amigo, recém-retornado ao Brasil depois de muitos anos  trabalhando no exterior, resolveu abrir, outro dia, com parte de suas economias, uma conta na agência Estilo do Banco do Brasil do Setor Sudoeste, em Brasília, e não conseguiu.


A justificativa, citada pela atendente - que não quis nem saber sequer quanto ele tinha para depositar e aplicar, foi "tout court", "superlotação", como se tratasse não de uma agência bancária top de linha, mas de uma vulgar - e desumana - cela de prisão.


A verdadeira razão da recusa?


A apressada e repentina decisão do governo Temer, tomada a toque de caixa, com menos de seis meses de governo e sem discussão com a sociedade, de fechar ou transformar em postos de atendimento centenas de agências do BB, apesar de o Banco do Brasil não ter tido um centavo de prejuízo nos ultimos 15 anos e dos seus funcionários já estarem atendendo, em média, mais de 400 contas por cabeça quando a medida entrou em vigor.


Orientado, em nova agência, a tentar abrir sua conta pela internet, ele tentou várias vezes, mas também não conseguiu, embora o governo tenha feito paradoxalmente há alguns meses campanhas na  televisão sobre apps do banco, em seu esforço de tentar molhar a pata de veículos que - com seus próprios interesses em vista e decepcionados com a baixíssima popularidade de Temer - agora mordem a sua mão.


Conversando com outro funcionário, na porta do estabelecimento, foi lhe explicado, diretamente e sem subterfúgios, que, com a desculpa de "modernizar" o banco, se está sabotando  deliberadamente o Banco do Brasil - como se fez no governo FHC - com a intenção de privatizá-lo, de forma fatiada, a médio prazo. 


Na verdade, esse é um movimento que já começou, com a venda de ações do Banco do Brasil do Fundo Soberano, que fará cair a participação do governo para apenas 50,7% do total.


Enquanto isso, entrega-se, diminuindo a qualidade do atendimento ao consumidor, parcelas cada vez maiores do seu público e de seu mercado aos bancos privados, corrigindo o "crime" perpretado por Lula e Dilma, de terem fortalecido - da Caixa Econômica federal ao BNDES - o papel dos bancos públicos e aumentado o percentual de sua participação no mercado financeiro e na economia nacionais.  


As perguntas que ficam agora são as seguintes:


Quantos clientes do Banco do Brasil, ou potenciais  clientes, como esse, se passaram, nos últimos meses - irritados com a queda de qualidade do atendimento - para bancos particulares, ou pior, para bancos particulares estrangeiros - como o Santander, que em plena pressão pela Reforma da Previdência, acaba de ter 338 milhões de reais em multa perdoados pelo CARF -  desde que começou, no BB, essa pilantragem chamada genericamente de "restruturação"?


A quem interessa arrebentar com os nossos bancos públicos - a Caixa e o BNDES também estão sob insuportável pressão - indiscutíveis e estratégicos instrumentos para o desenvolvimento nacional? 


Por que os sindicatos não entram - ou não entraram - na justiça para contestar essas medidas?


Por que o extremamente bem sucedido Ministro da Fazenda de um governo sem voto, que ganhou de fontes privadas mais de 200 milhões de reais em "consultoria" nos últimos quatro anos - de um país de uma justiça absurda, no qual tem gente que está se arriscando a ser preso e ter seus direitos políticos cassados por ser "dono" de um apto do qual não possui escritura, cujas chaves nunca recebeu - não tenta aplicar, para mostrar confiança na nação - pelo menos uma parte dessa "merreca" no Banco do Brasil?

28 de jul de 2017

A RUA E A REDE



José Dirceu, em recente entrevista para um site argentino,  comentou que as ruas são mais importantes que a "rede".
 

Não sei se poderíamos concordar com essa afirmação.
 

A Rede não só é a nova rua, em certo sentido, como ela antecipa o que vai ocorrer nas ruas.
 

Onde nasceram os "coxinhas"?
 

Na Rede.
 

E depois tomaram as ruas.
 

Onde nasceram os movimentos fascistas, como o MBL e o Vem pra Rua?
 

Na Rede, e depois tomaram as ruas.
 

Onde nasceu o impeachment de Dilma?
 

Na Rede, e depois tomou a rua.
 

Onde nasceram as "10 Medidas Contra a Corrupção"?
 

Na Rede e depois saíram - em busca de assinaturas e apoio - para a rua.
 

Onde nasceram - por meio da disseminação repetitiva e goebbeliana, de mentiras, mitos e paradigmas - as mais recentes derrotas para a democracia brasileira?
 

Na indiferença das lideranças que deveriam defendê-la na  Rede e na mais absoluta incapacidade de reação na internet de modo geral, que depois se refletiu nas ruas.  
 

No exterior, e com razão - li uma vez, em uma pichação, em um muro de Berlim: Netz zuerst, strasse dann ! se diz que o trabalho na Rede - principalmente no sentido do convencimento e da mobilização - precede a ocupação - no sentido da marcação simbólica de território e de demonstração de apoio da população - do asfalto.  

 

Onde nasceu - e está crescendo a cada dia - a candidatura Bolso naro, mais uma vez sem nenhuma reação digna de nota, por parte daqueles que dizem estar preocupados com o futuro da democracia brasileira?

 

Para reflexão e debate:
 

No Facebook - 4.5 milhões de curtidas na principal página de Bolsonaro (não interessa se "fakes" ou não) contra menos de 3 milhões para Lula.
 

No Google, 458.000 resultados - a maioria negativos - para Luis Inácio Lula da Silva, contra 980.000 citações para Jair Messias Bolsonaro.
 

No Youtube, 18.600 resultados para Luis Inácio Lula da Silva, contra 19.800 para Jair Messias Bolsonaro.
 

Junte-se a isso, 2.900.000 curtidas de Moro apenas em suas duas  principais páginas, 398.000 resultados para Sérgio Fernando Moro no Google, e 77.000 vídeos para ele no Youtube, e dá para ter - olavetes, villetes, lobetes, somadas - uma ideia aproximada do recente crescimento do eleitorado de  extrema-direita no Brasil. 
 

 


 

27 de jul de 2017

Da série "Curiosidades Inúteis (e totalmente irrelevantes para o destino da República): O QUE FAZ UM SÓSIA DE CANTINFLAS NA FOTO DA MORTE DE ZAPATA?


Razoável fisionomista, pelo menos até começar a usar óculos, e tentado a me aventurar pelo sensacionalismo, uma das armas prediletas do campo adversário - vide Ferraris banhadas a ouro, versões que afirmam que Hitler era comunista, o denunciado reaparecimento de Dona Maria Letícia, viva, em outros países, etc, etc, etc - deparei-me com uma coincidência non sense, ao pesquisar uma  foto de Emiliano Zapata para ilustrar uma nota (abaixo) sobre o mais recente - e não menos surreal, considerando-se a situação do país -  aumento de salários da Procuradoria-Geral da República.

Ao ver uma foto famosa do  cadáver de Zapata, cercado por  "papagaios de pirata", tirada, premonitoriamente, na mesma pose infame e ostentatória  adotada pelo grupo que matou Guevara, na Bolívia, 48 anos depois, nela reconheci um rosto familiar, que identifiquei quase que imediatamente como o de Cantinflas, o comediante mexicano - que em algumas fotografias também lembra, curiosamente, "El Che" - Mario Moreno, figura popular nos cinemas nas décadas de 1950 e 1960.

Zapata morreu em 1919, quando Cantinflas tinha 8 anos, e, logo, foi contemporâneo do pai do comediante, Pedro Moreno Esquivel, que, no entanto, era carteiro, e talvez não tenha participado como soldado da prolongada guerra civil que a história terminaria registrando como Revolução Mexicana.

Procurei, em vão, no Google, pela identificação completa dos homens que cercaram o seu cadáver.

Como os amigos podem ver, existe, entre os dois, forte semelhança.

Será que o homem desconhecido, olhando diretamente para a câmera, por trás do corpo do líder guerrilheiro mexicano, era um parente, próximo ou distante, do célebre - e conservador, politicamente - humorista  - que fez o mordomo Passepartout no filme "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias" - nascido em um país e em uma época - segundo consta, o pai de Cantinflas teve, apenas com su "señora", María de la Soledad Reyes Guízar, 14 filhos - em que as famílias primavam pelo grande número de seus integrantes?

26 de jul de 2017

Y QUE VIVA ZAPATA !




Com autonomia, e 3.8 bilhões de orçamento, a Procuradoria-Geral da República acaba de triplicar a verba da Operação Lava Jato e de reajustar seus salários em 16% - mesmo aumento obtido no ano passado - em um efeito cascata que fará com que passem a ganhar mais que o salário oficial de um ministro do Supremo, e que pode se estender a procuradores de todos os estados do país.


Muito embora já haja impolutos cavaleiros da justiça recebendo, benefícios somados, mais de 100.000 reais por mês, logo, muito acima do limite máximo permitido constitucionalmente, equivalente ao salário de presidente da República.


Fora as palestras feitas por alguns deles, cujo valor pode atingir - assim como ocorre com gente que se arrisca a ser condenada por isso, como é o caso de Lula - dezenas de milhares de reais.


Enquanto isso, com cada vez menos poder e autonomia, neste novo país parido nos vagidos do golpe de 2016 - agora nem sindicatos existirão mais para defender o trabalhador e prestar-lhe assistência médica ou jurídica - a chusma que ganha salário mínimo e não tem papai para pagar cursinho para passar em concursos - infelizmente - eventualmente fraudados, teve que contentar-se com 6,47% de reajuste e vai ter que dar adeus à política de aumento real adotada pelo PT nos últimos 15 anos.


Daqui em diante, aumento do mínimo só se for equivalente à inflação, que deve ser de menos de zero, já que oficialmente - e oficiosamente, vide a mídia - os preços estão diminuindo - alguém viu? Onde? Será que foi nos postos de gasolina? - no Brasil.

25 de jul de 2017

DELEGADA DA PF RECOLOCA OS PINGOS NOS "IS" NAS CONVERSAS DE MACHADO.






Independentemente da simpatia (ou da antipatia) de cada um por Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, que, como qualquer homem público, contam com apoiadores e com adversários em Brasília e em seus respectivos estados, não há outra coisa a fazer, para quem defende a democracia no Brasil, a não ser comemorar a decisão - corretíssima - da delegada da Polícia Federal Graziela da Costa e Silva, de descaracterizar a acusação de tentativa de "obstrução de justiça" que pesava contra  eles, no contexto de gravações telefônicas premeditadamente feitas por Sérgio Machado, com  a intenção de fazer jus a "delação premiada".


Como já dissemos aqui, a Operação Lava-Jato tem sido tratada, pelos membros de sua Força-Tarefa, por boa parte de procuradores e juízes e delegados da Polícia Federal - muitas vezes por meio de suas associações de classe - e por  podeosos segmentos da mídia, como um  inatacável e impoluto tabu, uma espécie de vaca sagrada que merecesse uma estátua em cada esquina, e tivesse o dom de transformar automaticamente em leproso, bandido ou corrupto qualquer um que ousasse - como ocorre com Lula, por exemplo - criticá-la.  

   

Quando, na verdade, trata-se de uma iniciativa com nefastas consequencias políticas e econômicas, que:


- abriu caminho para a defesa do golpe de 2016 junto à opinião pública.

- Cresceu com a desestabilização do equilíbrio institucional necessário à governabilidade e ao  exercício normal da democracia.


- Promoveu, direta e indiretamernte, a destruição da engenharia brasileira e de nossas maiores empresas, dentro e fora do país, com a interrupção e o sucateamento de dezenas de projetos e programas estratégicos nas áreas de petróleo e gás, infraestrutura e defesa, no valor de dezenas de bilhões de dólares.


- Quebrou milhares de acionistas, investidores e fornecedores ligados a essas empresas e levou à demissão de milhares de trabalhadores nos últimos três anos.


- Com a criminalização permanente da política, está ajudando a abrir espaço para o fascismo, levando pela primeira vez na história uma candidatura de extrema-direita a se tornar viável, senão favorita, para as próximas eleições presidenciais.

  

Quem aceita que Sarney, Renan e Jucá cometeram crime ao criticar a Operação Lava-Jato e até mesmo ao discutir sua eventual interrupção ou descontinuidade,  reconhece, ingênua, hipocrita ou seletivamente, nela, algum ganho, quando não houve quase nenhum, quando comparado às perdas que acarretou para o país e para a sociedade brasileira.


Corruptos comprovados estão em sua maioria soltos, o país encontra-se inerme frente a seus concorrentes externos, levaremos uma geração para sair do buraco em que nos metemos - também graças às "reformas" e PECS do governo Temer - estrategicamente.


E corrobora indiretamente teses e desmandos moronianos, como o que acusou Dilma do mesmo crime de "obstrução de justiça", quando tentou nomear para a Casa Civil Luís Inácio da Silva e foi inconstitucionalmente grampeada junto com o ex-presidente, com  imediato vazamento do conteúdo da conversa - quem não se lembra do aproveitamento do "tchau, querida" por seus adversários? - para certos meios de comunicação.



Ao confabular com Sérgio Machado pelo telefone, Sarney, Jucá e Calheiros estavam fazendo - como reconheceu, recolocando os pingos no is, a delegada Graziela Costa e Silva - política, como fazem, ou deveriam fazer, livremente, a qualquer momento,  deputados e senadores - eleitos por milhares de votos - de qualquer partido.


E como não deveriam fazer procuradores e juízes que, além de se dedicar mais do que deveriam ou poderiam, a essa atividade, ilegalmente, dão entrevistas - como se fossem  autoridades de primeiro escalão -  para  câmeras "aliadas" de televisão, ou fazem palestras eventualmente pagas por instituições "apoiadoras", para um público simpatizante ou manipulado, dentro e fora do Brasil.


Isso, quando não organizam eventos,   sobre Segurança Pública e "Bandidolatria",   com a presença do Procurador Geral do Estado e de juízes de tribunais superiores cariocas,  como está fazendo o Ministério Público do Rio de Janeiro - em fato muitíssimo mais grave, politicamente - com a presença, como palestrante e um dos convidados de honra, do "líder" de um movimento neofascista como o MBL , o "senhor" Kim Kataguiri.

17 de jul de 2017

O MOMENTO DA VIRADA.



A condenação de Lula sem provas, por um crime que não cometeu - não recebeu, não usufruiu, nunca teve o tal triplex em seu nome - com a argumentação, como nos filmes de ficção científica, vide "A Nova Lei - Minority Report", de que tinha a intenção de  eventualmente praticá-lo - a quase dez anos de prisão e a mais de sete de ostracismo político, precisa servir de alerta final, talvez o mais significativo até agora, antes que se proceda à inexorável entrega do país ao fascismo nas eleições do ano que vem.


O passo dado pelo Juiz Sérgio Moro foi de sutileza paquidérmica, do ponto de vista do desrespeito, desconsideração e desprezo pelo Estado de Direito, e, como já dissemos tantas vezes aqui, já estava sobejamente anunciado.


Tanto quanto o está a condenação de Lula em segunda instância, em prazo eventualmente recorde - como já dá,  espertamente, como favas contadas, certa mídia - se não se estabelecer  prontamente uma estratégia de defesa da democracia, com relação às eleições diretas, ocorram elas em 2018 ou nos próximos meses.
O problema não é partidário.
A grande questão não é o que está ocorrendo com Lula, Dilma e o PT, que, por omissão, excessivas concessões ou falta de planejamento e resposta tática, contribuíram também para que as coisas chegassem onde estão hoje.
O drama do PT e de seus dirigentes é apenas a extremidade exposta do iceberg que pode engolir cada um de nós - do que pode acontecer, "casualmente", com a eventualidade de um fenômeno meteorológico, com qualquer cidadão brasileiro, a partir de agora.    
O Brasil já vive, de fato, uma ditadura, na qual se prende e se condena sem provas, com base no dedurismo generalizado de presos "provisórios-permanentes" que são obrigados a negociar e a delatar enquanto se encontram sob custódia do Estado - e de empresas que, se não fizerem o mesmo, vão à bancarrota - com pesos, medidas e resultados diferentes para cada tipo de delatado.

Desse esquema faz parte a libertação -  para prisão domiciliar - de corruptos comprovados.

E, naturalmente, a condenação de lideranças políticas de certas agremiações - que não receberam dinheiro sujo nem tem conta no exterior - enquanto outras não são detidas, ou servem de distração e de pretexto, na mídia e junto à opinião pública internacional, para justificar o quadro de descalabro jurídico, econômico, estratégico e institucional em que estamos mergulhados.

A defesa da democracia - antes que seja tarde e não se possa mais escapar do arbítrio, das grades e dos porões de um estado jurídico-policial (principalmente policial) que será institucionalizado com sua sagração nas urnas em 2018 - não será alcançada apenas colocando gente na rua ou limitando-se a luta política a uma dimensão partidária e eleitoral.

Até mesmo porque militantes não são coelhos - não se multiplica seu número simplesmente reunindo-os durante certo tempo em algum lugar - e o eleitorado antifascista, principalmente depois do massacre midiático dos últimos anos, vai continuar quantitativamente onde sempre esteve, historicamente, com aproximadamente um terço dos votos nacionais.
A esse terço, matemático, se contrapõe outro, equivalente, em termos numéricos, que se encontra, agora, nas mãos da extrema- direita.

E uma terceira parte,  ignorante,  fisiológica, oportunista do ponto de vista partidário, que  - e é preciso fazer tudo para que isso não ocorra - também tende a pender para direita no segundo turno das próximas eleições.

Na verdade - e há muita gente boa que ainda não entendeu isso - mesmo que Lula seja eleito - caso lhe permitam ser candidato  - sem o convencimento real da maioria da população e uma grande diferença de votos, ele será derrubado, em poucos meses, como aconteceu com Dilma, por uma aliança entre os golpistas de sempre e certa mídia que está fazendo tudo - e tudo fará tudo que puder - para impedir a sua volta ou permanência no Palácio do Planalto. 
Como já nos cansamos de alertar aqui e em outros espaços desde 2013, a batalha de quem se preocupa em defender a Constituição, o Estado de Direito e a Democracia, assim como a da própria eleição futura, tem que ser travada não apenas no asfalto, já ocupado e dividido, quase salomonicamente, com a coxinhada, mas nos corações e mentes da população brasileira, com ênfase na parcela que, apesar de sua falta de informação ou conservadorismo, ainda não cerrou fileiras com o fascismo.

Além do processo político "comum" que transcorrerá na superfície, os neofascistas precisam ser combatidos onde tem tido maior sucesso,  comentário a comentário, site a site, página a página, e, principalmente nos grupos do Whatsapp, com argumentos sólidos, contrapondo-se dados concretos ao seu ódio e à sua ferrenha ignorância, a cada vez que se manifestarem nas redes sociais e nos grandes portais nacionais.
Afinal, já há campanhas presidenciais que estão se desenvolvendo na internet, a rédea solta, de forma cerrada e contínua, há vários meses, enquanto o campo democrático se debate na divisão e na pauta imposta pela Lava Jato e a constante doutrinação e sabotagem da mídia conservadora.

É preciso dizer aos fascistas - fakes ou reais, não interessa de que tipo - que para cada um deles existe pelo menos um brasileiro que pensa diferente - motivado, convincente, racional, mais bem informado,  coerente, consciente, com paciência - se necessário for - para ser tão repetitivo e insistente quanto eles.

E não adiantam desculpas como perda de tempo ou o fato de que não se tem assinatura deste ou daquele "veículo".
Quem quer defender a democracia, que assine os grandes jornais e portais, pois não estará investindo mais do que na proteção do que resta das instituições e na sobrevivência futura - dentro da paz possível - em um país minimamente livre, de sua família.
O que não se pode é abandonar a internet - o maior instrumento de comunicação e de doutrinação já criado pelo homem - ao fascismo, como se fez, tola e irresponsavelmente - e não apenas no Brasil - nos últimos anos.
A grande missão de qualquer cidadão digno desse termo, nesta hora, deve ser a defesa e a restauração da verdade, torcida e vilipendiada pela "história oficial" vigente, montada, contada e recontada por uma plutoburocracia parcial e seletiva, totalmente descompromissada, geopolítica e estrategicamente, com o país, movida pela busca de mais poder e por seus interesses - que no mínimo coincidem com os de nossos concorrentes externos - e vaidade.
Debater com competência, números e fatos, com um adversário na internet pode até não mudar a opinião dele.
Mas arrisca a abalar suas certezas.
E impede que o público "neutro" que está acompanhando a discussão, lendo os comentários, venha a se deixar convencer, sem o benefício e a alternativa de uma segunda opinião, pela argumentação, costumeiramente mendaz e odiosa, dele.
Moro só pôde condenar Lula tranquilamente, da forma como o fez, porque o antilulismo, o antipetismo e o antibolivarianismo - filhos diletos e diretos do anticomunismo tosco, anacrônico e distorcido renascido nos neurônios da nação como um fungo  alucinógeno, contaminante e tumoral, nos últimos tempos - tomaram conta, por meio da rede, de uma massa amorfa e mal informada, confundindo-a e manipulando-a sem nenhum tipo de reação - nem de comunicação, nem jurídica - por parte de quem estava sendo atacado - durante quatro longos anos, implantando na cabeça da população um punhado de incontestados - por não terem sido prontamente respondidos - paradigmas.

Os mais simplistas - e logo, mais fáceis de serem desmontados - são aqueles que dizem que o PT quebrou o país, que foi implantado no Brasil um governo comunista nos últimos 15 anos, e que o PT odeia s Forças Armadas, por exemplo.


Isso, apesar de que o PIB e a renda per capita recuaram, segundo o Banco Mundial, em termos nominais, nos oito anos de FHC e de que as  dividas líquida e bruta serem menores hoje, com relação ao PIB, do que eram em 2002.
De o Produto Interno Bruto ter aumentado , nominalmente, pelo menos três vezes em dólares, nos últimos 15 anos, com relação aos 604 bilhões de dólares do último ano de FHC.
E também de que pagou-se a divida com o FMI em 2005 e desde então, nos governos do PT,  multiplicaram-se por onze as reservas internacionais.

De que, longe de ser comunista, nunca o capitalismo no Brasil cresceu tanto, como na última década e meia, com a explosão dos ganhos do sistema financeiro, daqueles derivados da duplicação da produção agrícola, do aumento das exportações e da expansão do crédito e do consumo.
E de que, quanto à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica, em vez de ser contra as Forças Armadas, o PT foi responsável pelo lançamento do maior programa de rearmamento da defesa nacional nos últimos 500 anos, com medidas como a ordem para a construção - em parceria com a França - do primeiro submarino nuclear brasileiro, da nova família de rifles IA2, dos novos caças Gripen NG BR - por meio de acordo com a Suécia - sem falar de aviões cargueiros como o KC-390, de blindados ligeiros como o Guarani, do novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, de novos radares e sistemas de artilharia, como o Astros 2020, etc, etc, etc.

Quanto à corrupção, ela existe em qualquer lugar do mundo e deve ser coibida. 

Mas só no Brasil é usada como pretexto para a sabotagem de nossas maiores estatais, como a Petrobras, a Eletrobras e o BNDES, a quebra de nossas maiores empresas, de milhares de acionistas e fornecedores, a destruição de nossos mais importantes - e estratégicos - projetos e programas nas áreas de energia, infraestrutura e defesa, e a eliminação de centenas de milhares, senão milhões, de empregos. 

Além de servir de biombo para o sequestro de valores muito maiores do orçamento público, em sonegação, pagamento dos juros mais altos do mundo ao sistema financeiro privado, e dívidas em impostos que envolvem quantias dezenas de vezes mais altas do se provou ter sido desviado no contexto em Caixa 2 e doações a partidos e candidatos.     

Esses são alguns dos argumentos que deveriam ser passados, democraticamente  à opinião pública que faz uso da internet pelo computador e o celular.
Os links e as informações que os sustentam - se o PT quebrou o país como ainda somos o quarto maior credor externo dos EUA - http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt  ? - que os comprovam encontram-se ao alcance de qualquer um, bastando copiá-los e publicá-los, sempre que possível, no final dos comentários. 
Informações de caráter social são importantes, mas opcionais, no caso do público protofascista, já egoísta e excludente por natureza - que é bombardeado, todos os dias, contra as "bolsas" e o "populismo" "esquerdopata".
O tempo não para - como diria o poeta - e o relógio da História também não se detêm, nem por um átimo.
Segundo a segundo, a cada passo silente, quase imperceptível, do mais fino dos ponteiros, estamos mais perto - e o Brasil mais próximo,  historicamente - da batalha decisiva das novas eleições presidenciais.
A saída de Temer e a eventual ascensão de Rodrigo Maia é pouco mais que irrelevante em termos eleitorais e nada mudará - a não ser para pior - da pauta entreguista e neoliberal em andamento.
O que importa - agora ou no ano que vem - é o próximo pleito.
Basta ler as reações à condenação de Lula na internet para ver onde estão aqueles que podem se levantar contra o autoritarismo.

Trancados, majoritariamente, em seus guetos, expondo, pela enésima vez, uns para os outros, como em um espelho estéril e infinito, sua indignação e perplexidade.

E ninguém apareceu para contestá-lo.    

Se essa ira, justa, diríamos, em muitos pontos, se transformar em força e se derramar para a internet como um todo, a partir desta semana, este poderá ser o momento da virada.

Se, no entanto, continuar contida, restrita e ineficaz, em termos de mudança de jogo - ontem, em comentário em artigo do Estadão no UOL, um sujeito afirmou, sem meias palavras, que, diante dos recursos que existem para que Lula escape à sentença de Moro, "para garantir logo, o melhor seria mandar logo este cabra pra debaixo da terra" e ninguém apareceu para contestá-lo até agora - o momento que estamos vivendo se transformará no marco simbólico da capitulação da liberdade e do direito de defesa, da antecipada rendição da resistência democrática, da prévia e definitiva entrega do país a um tipo de fascismo que, uma vez alçado ao poder, dificilmente irá apear-se dele novamente.