24 de jun de 2016

OS NÚMEROS DE MAIO

 

 

Contrariando as "previsões" da mídia e do "mercado", o Brasil registrou, no mês passado, superávit de 1.2 bilhões de dólares em transações correntes, devido, principalmente, a um superávit de mais de 6 bilhões de dólares no comércio com outros países, que chegou a quase 20 bilhões de dólares nos primeiros 5 meses do ano.


Em maio, o Investimento Estrangeiro Direto também foi de mais de 6 bilhões de dólares, completando, nos últimos 12 meses, cerca de 79 bilhões de dólares, uma gigantesca soma de mais de 260 bilhões de reais.


Esse é o país - com 374 bilhões de dólares em reservas internacionais, quase um trilhão e quinhentos bilhões de reais guardados - que o  consenso de boa parte da mídia e da massa ignara que domina as redes sociais e o espaço de comentários dos jornais e portais aponta como um país destruído, economicamente  quebrado e sem credibilidade nos mercados internacionais.


Agora, resta saber se os "gênios" do PT - considerando-se que o partido estará sentado no banco dos réus, junto com ela,  no julgamento do impeachment pelo Senado -   vão aludir a dados como estes na defesa da Presidente Dilma, e outros, como o da diminuição da Dívida Pública Bruta e da Dívida Líquida de 2002 até agora, ou se vão continuar recorrendo ao "mimimi" e à retórica contraprodutiva na hora de defender a verdade dos fatos da massacrante consolidação dos mitos e paradigmas de seus inimigos junto à opinião pública.

 

 

15 de jun de 2016

ELE ESTÁ DE VOLTA.




O lançamento, na Europa, do filme "Ele está de volta", uma "comédia" "leve" sobre o que aconteceria se Adolf Hitler voltasse à Alemanha de nossos dias, com cenas de pessoas parando, na rua, para tirar selfies com o maior assassino da História; e o relançamento de sua obra-síntese, o "Mein Kampf" - "Minha Luta", em vários países - uma edição portuguesa esgotou-se em poucas horas, esta semana, na Feira do Livro de Lisboa - mostram que, mais do que perder o medo de Hitler, o mundo está, para com ele, cada vez mais simpático, no rastro da entrega - quase sem concorrência - dos grandes meios de comunicação globais a meia dúzia de famílias e de milionários conservadores que, se não simpatizam abertamente com o nazismo, com ele comungam de um profundo, hipócrita, e tosco anticomunismo, fantasma a que sempre recorrem quando seus interesses estão em jogo, ou se sentem de alguma forma ameaçados.
 

Como também mostram o filme e o livro, e manifestações em vários lugares do planeta, defendendo a tortura, a ditadura, o racismo, o sexismo, a homofobia, o criacionismo, o fundamentalismo religioso, não é Hitler que está de volta.
 

É o Fascismo.
 

Um perigo sempre iminente, permanente, persistente, sagaz, que se esconde no esgoto da História, pronto a emergir, como a peste, com sua pregação e suas agressões contra os direitos individuais, a Liberdade e a Democracia, regime que não apenas odeia, como despreza, como um arranjo de fracos e de tolos, desprovidos de mão forte na defesa dos seus interesses.
 

Os interesses de uma elite "meritocrática" e egoísta, ou da elite sagrada, ungida por direito de sangue e de berço, na hora do nascimento.

14 de jun de 2016

O GRANDE GOLPE




(Revista do Brasil) - A direita trabalha agora no sentido de alcançar a aprovação e a conclusão definitiva do processo de impeachment da presidente da República. A frente formada com esse intuito é ampla, reúne a mídia parcial e conservadora, a parte mais corrupta e fisiológica do Congresso, setores do Ministério Público,­ do STF, da Polícia Federal e do Judiciário contra o PT e a esquerda nacionalista. Apesar das dificuldades vividas pelo governo interino, o processo não será fácil de ser revertido. 

 

Não tendo sabido enfrentar, de forma organizada e decidida – a começar pela internet –, os ataques que vinha sofrendo desde 2013; não tendo estabelecido um discurso abrangente que defendesse minimamente suas conquistas, que ocorreram, sim, em importantes momentos dos últimos 13 anos; tendo cometido erros grosseiros do ponto de vista estratégico, político e eleitoral, o que resta ao PT e aos grupos que o apoiam é parar de se equivocar, de serem pautados pelas circunstâncias e pela imprensa adversária, e entender o que realmente ocorre com o país neste momento.

Manter a realização de protestos isolados e constantes contra o governo Temer – acusando-o de golpista – pode ser um exercício retórico, e uma forma de fugir do imobilismo, mas essa abordagem não deve ser a única, nem a principal, nem ser levada às últimas consequências, porque pode conduzir a graves equívocos dos pontos de vista tático e histórico. Não se discute a questão da legitimidade do voto. Mas é rasteira simplificação – que colabora com os conspiradores ocultos, muitíssimo mais perigosos – dizer que o golpe partiu do PMDB, como se ele tivesse nascido quando essa legenda abandonou o governo Dilma.

Dizer que quem compõe o governo interino é corrupto é outra simplificação que também não resolve, nem agora, nem a médio prazo, o problema. Por um lado, porque reproduz em parte o discurso adversário, minimizando o fato de que muitos dos que estão sendo investigados pela Operação Lava Jato à direita estão sendo processados com as mesmas justificativas e argumentos espúrios usados para justificar acusações e as investigações lançadas contra membros do próprio PT. 

 

Por outro lado, porque quem compõe o governo são, com exceção do PSDB e do DEM, basicamente as mesmas forças que estiveram durante tantos anos nos governos do PT, não por afinidade política, mas porque é assim que se estabelece o equilíbrio de governabilidade possível em um regime típico de presidencialismo de coalizão.

Seguindo esse raciocínio, por mais que seja difícil para alguns admitir isso, a mesma miríade de pequenos partidos e legendas de aluguel que apoia hoje Michel Temer, faz parte de seu governo e está sendo atacada pelo PT pode vir a ter de ser, amanhã, cooptada­ de volta por Dilma para compor seu ministério, caso ela retorne ao poder. 

 

O próprio presidente do PT, Rui Falcão, já admitiu que não fará nada para evitar que o partido se alie ao PMDB nas eleições municipais deste ano. 

Devagar, portanto, com o andor.

É preciso cautela, para não parecer hipócrita, na mesma linha de leviandade usada pela direita contra a esquerda – e pela extrema-direita contra a política de modo geral, tendo a democracia e a liberdade como alvos finais dessa linha de atuação. 

Na tentativa de atingir seus adversários, a esquerda não pode cair no mesmo erro – aproveitado com deleite pelos fascistas – na tentação e na esparrela da criminalização da política. Mesmo quando atacada hipócrita e injustamente. 

 

Pois corre o risco de legitimar o discurso de apoio à Operação Lava Jato e o discurso da mídia – muito mais importantes e deletérios do que o PMDB, no processo de golpe que estamos vivendo – e de se equiparar a quem o defende, diante da história e da população.

Vamos ser francos – mesmo que as conversas tenham sido propositadamente gravadas e conduzidas para ser usadas como habeas corpus por um dos interlocutores – os diálogos entre o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado e autoridades como Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney não podem ser rotulados com o mesmo grau de subjetividade dirigida com que se julgaram e disseminaram outros diálogos gravados com a mesma intenção, e divulgados fora de contexto, como os de Delcídio do Amaral, ou o de Lula e Dilma.

Ao dizer que a Lava Jato representou uma sangria, por exemplo, o senador Romero Jucá diz não mais que o óbvio. Uma sangria em empregos, em interrupção de negócios, em sucateamento de obras e projetos, em desvalorização de ações e ativos, em contratos interrompidos, em prejuízos institucionais e contábeis para as empresas acusadas, com terríveis resultados para o país, em termos estratégicos, de defesa, energia e infraestrutura, e para milhares de empregados e acionistas, o que é evidente e redundante.

Da mesma forma que dizer que era preciso costurar um diá­logo nacional para analisar o assunto, com a participação do próprio STF, a quem cabe corrigir eventuais desvios e ações polêmicas – principalmente no âmbito jurídico –, colidentes com o texto constitucional, seria uma afirmação consequente, lógica, e, no correr da conversa, óbvia e ululante.

Ou será que a Lava Jato não poderia ter investigado e condenado os corruptos efetivamente identificados, com dinheiro em contas no exterior, como Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, sem precisar destruir algumas das maiores empresas de engenharia do país? 

 

Ou sem atrasar e prejudicar tantos projetos e programas de interesse nacional, colocando no mesmo balaio de gatos gente que se locupletou pessoalmente - gastando acintosamente o dinheiro roubado à nação, em farras, mesmo que familiares,  bo exterior - e funcionários de partidos que obtiveram doações eleitorais registradas, à época, como rigorosamente normais e legais? 

 

Soltando os primeiros e encarcerando os segundos?

A Lava Jato pode ter tido, indiretamente, alguma influência positiva, sobretudo na identificação do fato de que não existem corrompidos no setor público se não houver os corruptores no âmbito privado. 

 

Facilitando a aprovação de leis como a que acabou com o financiamento privado de campanha. 

 

Mas o que está ocorrendo é que direita, centro e esquerda estão cometendo o erro primário de não entender que o que se está enfrentando é um grupo de forças que se opõem à própria atividade política, por princípio. 

 

E que ao se digladiarem fora do campo das ideias não estão fazendo mais do que favorecer os inimigos da liberdade, saudosos do autoritarismo, que se aproveitam das falhas normais de um regime – que, como diria Churchill, não é perfeito, mas é o melhor que se conhece – para jogar a população contra a democracia e promover e preparar, diligente e coordenadamente, a chegada do fascismo aos cargos mais altos da República.

O processo de impeachment é um golpe jurídico-midiático, mas ele representa apenas um passo, mais uma etapa, para a deflagração de um golpe maior contra a Nação, que levará à derrocada da democracia no Brasil, à aprovação de leis que lembram os nazistas, como a exigência de diploma superior para ministros e presidente, fim do voto obrigatório, volta do escrutínio manual, cassação de registros de partidos políticos, repressão ao trabalho de educadores na sala de aula, criminalização dos movimentos populares e até do comunismo – conforme propostas recentemente encaminhadas à apreciação do Congresso Nacional.

Some-se a isso a eventual chegada de um candidato de extrema-direita ao poder (há pelo menos dois sendo promovidos pela imprensa), ou a consolidação de uma massa de votos que seja suficiente para transformá-la na terceira força política do país, capaz de decidir, com o seu peso, o resultado do segundo turno das eleições de 2018. 

E dá para ter uma ideia concreta do que espera a Nação – se não houver urgente correção de rumo – depois da curva.

9 de jun de 2016

O PONTO DE FUSÃO




Os principais partidos do país - incluídos PT e PMDB - manifestaram-se, esta semana, contra os pedidos de prisão do Presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, e do ex-presidente José Sarney, encaminhados pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, com base em telefonemas gravados pelo ex-Presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e  “vazados” por O Globo.

Entre as razões citadas, está a alegação da possibilidade de crime de obstrução de justiça, porque os três - que são legisladores, para isso escolhidos pelo voto popular - teriam discutido a aprovação de leis para impedir que acordos de delação premiada sejam feitos com pessoas já detidas e para alterar a determinação - claramente promulgada sob pressão do clamor popular - que prevê prisão após a condenação já na segunda instância.

A verdade é que não se pode mais esconder o fato de que o que está acontecendo é um embate, claro, entre o presidencialismo de coalizão e a Democracia - que, com todos os seus defeitos costumeiros, comuns a todas as nações em que ocorre, ainda é, como dizia Churchill, o melhor sistema possível, baseado na incontestável legitimidade do voto - e setores da plutocracia que pretendem se erguer sobre os três poderes da República, ignorando, ou fingindo ignorar, tanto a História quanto a proeminência lógica, constitucional, da política sobre certas carreiras de estado.

Qualquer cidadão, e, principalmente, os seus representantes, têm o direito de discutir o que quer que seja, e de propor a mudança legislativa que quiser, principalmente quando leis e outros procedimentos podem estar ameaçando o direito de opinião, a liberdade individual, ou o Estado de Direito.

A reação dos partidos à atitude do Procurador Geral, pode e deve, representar, o ponto de fusão resultante da pressão exercida sobre homens públicos de todas as tendências e partidos, nos últimos meses, e levar - independente das diferenças políticas e ideológicas - a uma reação em cadeia contra o que está ocorrendo, antes que seja tarde.

Se houvesse bom senso por parte do Ministério Público, bandidos notórios, eleitos ou não, que se locupletaram comprovadamente com dinheiro público, detentores de contas no exterior, e que gastaram milhares de dólares por dia em nababescas viagens com a família, já estariam presos há meses, e conversas políticas, ainda que gravadas, seriam reduzidas ao que são: meras conversas políticas.

Tudo isso é fruto de uma situação absurda, surreal, em que não se reagiu logo no início, e na qual, no lugar de trabalhar para promover a volta da governabilidade - sabe-se lá por que razão, talvez para lançar um candidato próprio - parte da mídia tomou, conscientemente, a decisão de martelar, exaustivamente, a tese de que o país está quebrado - quando saímos da décima-quarta para a oitava economia do mundo em pouco mais de 10 anos, temos quase um trilhão e quinhentos bilhões de reais em dólares, em caixa, em reservas internacionais, e somos o quarto maior credor individual externo dos EUA;

E de provar que todo o universo político-partidário, sem exceção, é corrupto, e deve ser destituído ou preso, baseando-se em duas premissas absolutamente frágeis: delações premiadas fechadas sob pressão após a prisão dos delatores, que raras vezes se apoiam em provas claras e irrefutáveis; e uma série de gravações de aúdio ou escutas telefônicas que até as pedras sabem que não se sustentam, moral ou judicialmente, como provas, porque foram preventiva, premeditada e intencionalmente feitas e manipuladas, por uma das partes, tanto do ponto de vista do tema, como da condução da conversa, com o intuito de comprometer o interlocutor e de livrar quem as gravou de ser acusado e detido, em um clima digno do Terror Estalinista - em que todo mundo acusa todo mundo das coisas mais estapafúrdias e rocambolescas - na tentativa de não ser massacrado no moinho permanente de um esquema galopante, arbitrário, kafkiano e inconstitucional.

Depois de sangrar umas às outras da forma mais imbecil e suicida, abrindo a Caixa de Pandora da mais rasteira e hipócrita criminalização da política, as lideranças partidárias precisam entender que as diferentes agremiações têm que se reunir em urgente aliança, em defesa da liberdade e dos sufrágios de seus eleitores, e alterar a Constituição, se necessário for, para retomar o controle do país, que está sendo usurpado, na prática, por segmentos do Estado que têm cada vez mais poder, mas - paradoxalmente - nem um voto.

É preciso exigir do Judiciário e do Ministério Público que se prove, irrefutavelmente, a enorme massa de afirmações que têm sido feitas por pseudo-delatores para se livrar de prisões arbitrárias e ilegais, já há mais de 2 anos.

Onde estão as dezenas de bilhões de reais que se afirma - ou melhor, se propaga, à boca pequena, há meses - que foram surrupiados à Petrobras?

Quais são os nomes das pessoas que, nas várias comissões de licitação da empresa, tornaram possíveis esses supostos desvios e sobrepreços, na fantástica escala que circula às vezes na imprensa, e quase sempre nas redes sociais?

O que elas receberam em troca da viabilização desses supostos crimes?

Por que elas não foram identificadas e processadas até agora?

Em que contas foram depositadas as “comissões” e “propinas”, e em que montante?

Que documentos - não ilações condicionais e subjetivas - comprovam esses ilícitos ?

Uma coisa é o desvio feito por bandidos, que se locupletaram de dinheiro sujo, para gastar a tripa forra, em verdadeiras farras do boi, no exterior.

Outra, financiamentos empresariais, feitos para viabilizar a campanha de diferentes partidos, e registrados com todas as letras, na forma da lei, no passado, que estão sendo transformados, agora, como por passe de mágica, em propinas. 

É isso - e não uma longa sucessão de "disse me disses" e vazamentos seletivos e distorcidos, seguindo as conveniências de momento de quem os facilita - que é preciso ser apresentado ao público.

É imprescindível que prevaleça, e seja re-proclamada, aos quatro ventos, a ideia maior que abre a Carta Constitucional.

Todo poder precisa emanar do povo e é em seu nome que ele deve ser exercido.

Chega de boato, manipulação, hipocrisia, mentira e mistificação dos fatos, com o objetivo de desconstruir a Política e a Democracia aos olhos da população, para abrir caminho à alternativa fascista de sedutoras vestais, travestidas de heróis de Polichinelo e de "salvadores" da Pátria.

O processo de construção e de aperfeiçoamento do sistema democrático - e, por extensão das instituições do Estado, que não podem ficar à margem de controle ou aprimoramento - pode, por natureza, ser permanente, árduo, paulatino e, até mesmo,  estar longe de ser perfeito,  mas deve ser conduzido por quem de direito, devidamente ungido pelo sagrado voto popular.

Até mesmo porque a Democracia é um processo nunca acabado de constante busca do equilíbrio possível entre diferentes tendências, grupos, opiniões, corporações, dentro de uma determinada comunidade, sociedade, nação ou território.   

Atalhos e soluções rápidas, populistas, arrogantes e intempestivas, formuladas de modo amador e superficial, na tentativa de reformar o mundo, mesmo que revestidas, supostamente, das melhores intenções, como fez a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, costumam, no mundo real, levar a perigosos e quase sempre trágicos e sangrentos desvios, que conduzem ao estupro da liberdade e da dignidade humanas e a gravíssimos retrocessos históricos, políticos, econômicos e institucionais.

5 de jun de 2016

O PORTA-AVIÕES BNDES



 (Jornal do Brasil) - Na falta do que fazer, alguns segmentos da plutocracia brasileira, que tem proventos gordos - em muitíssimos casos, de mais que o dobro do Presidente da República - e que, ao contrário de nós, trabalhadores comuns e empreendedores, conta com estabilidade no emprego, insiste em dar lições aos "políticos" e meter-se, sem um voto reles de quem quer que seja, a administrar indiretamente o país.


Enfurecidos, ideologicamente, com o Estado que os alimenta - desde que não se mexa em seu salário, carreiras e privilégios - eles querem agora “diminuir” e ajudar a arrebentar com o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, um dos maiores símbolos do poder brasileiro - vejam, bem, da Nação, e não apenas do Estado nacional.


Esse é o caso da provável aprovação, pelo órgão de fiscalização da União, do pretendido repasse de 100 bilhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ao  Tesouro, aprovado pelo governo interino, para supostamente serem usados na “diminuição” da dívida pública.


Isso, em um momento em que a SELIC está altíssima, e se acaba de obter, paradoxalmente, autorização do Congresso,  para um aumento de mais da metade desse valor - 58 bilhões de reais - para os salários do próprio Congresso e do funcionalismo público.


E em que se está procedendo também, à criação, pelo Legislativo, de 14.000 novos cargos na administração federal.


Ora, quando uma nação está em crise - um mote já há tanto tempo quase monocórdico, e a principal razão citada pelo discurso de parte da mídia no apoio ao afastamento do governo anterior - é preciso  incrementar, e não baixar, os recursos disponíveis para a produção e a infraestrutura.


Logo, se há dinheiro para o funcionalismo, não se pode diminuir o valor destinado aos milhares de pequenos e médios empresários que dependem do  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para tocar seu negócio e às grandes empresas que têm acesso a  financiamento dessa instituição a fim de desenvolver - gerando, ou mantendo, milhões de empregos - o atendimento ao  mercado interno e à exportação, cujo superavit tem crescido fortemente neste ano.


Ainda há homens probos e nacionalistas no PMDB, partido que protagonizou a luta pela redemocratização e que, bem ou mal, esteve ao lado do PT na administração federal nos últimos anos.


Essa conversa fiada de endividamento público - que sustentou a tragédia da privatização e da desnacionalização da economia brasileira nos anos 90, com a duplicação, em oito anos, da dívida líquida, a diminuição do PIB e da renda per capita em dólar, segundo números do Banco Mundial - e o aumento da carga tributária, é hipócrita e recorrente.


E sempre omite - convenientemente - que o país acumulou de 2002 para cá, com a colaboração também do PMDB que já estava no governo, e do próprio Ministro Henrique Meirelles, mais de 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, fora os 40 bilhões também em moeda norte-americana pagos para liquidar a dívida com o FMI.


O propalado deficit de 150 bilhões de reais deixado pelo governo Dilma, aumentado  pela soma de compromissos a pagar nos próximos anos, representa - embora o PT e o PMDB, seu aliado nessa conquista, de forma incompetente não o digam - apenas cerca de 10% da quantia que o Brasil possui em moeda norte-americana, como quarto maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver - lembramos mais uma vez, no site oficial do tesouro USA: http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt


Mas, isso, a parcela da mídia conservadora, entreguista e parcial, que agora ataca, incessantemente, as grandes obras realizadas nos últimos anos com aporte e  financiamento do BNDES,  não o diz.


Como não diz - para a informação da malta que constitui seu público, radical, ignorante e tosca - que o BNDES é uma instituição muitíssimo bem administrada, que deu lucro de 6.2 bilhões de reais no ano passado, de 8.5 bilhões de reais em 2014, de 8,15 bilhões de reais em 2013, de mais de  8 bilhões de reais em 2012, de 9 bilhões de reais em 2011, de 9.9 bilhões de reais em 2010.


Esses resultados, não contam?  
  
Sem falar nas centenas de bilhões de reais emprestados no período, que deram, origem a um incalculável número de empregos e de negócios, movimentando toda a economia do país.


Uma estratégia que foi fundamental para evitar que a crise mundial de 2008 - que, de certa forma, ainda não acabou - não nos alcançasse violentamente antes. E imprescindível, também, do ponto de vista geopolítico, para projetar o “soft power” brasileiro para fora de nossas fronteiras, ajudando na expansão de grandes empresas nacionais no exterior, que agora também estão sendo destruídas, pela mesma plutocracia, por absoluta ausência de bom senso e de visão estratégica, e manifesta e deletéria arrogância.


O Brasil do Dinheiro, e os “burrocratas” - que existem, sim, com todo o respeito pelo conjunto dos funcionários públicos brasileiros - da nova aristocracia “concursista” nacional - bons em pagar cursinho, mas não em entender o país, a História, e as disputas geopolíticas internacionais - precisam compreender que um banco de fomento como o BNDES - que chegou a ser o maior do mundo nesta década - é um instrumento de poder e de persuasão tão forte quanto um submarino atômico ou um porta-aviões - se houvesse uma belonave desse tipo que pudesse ser vendida pelo preço que vale o banco - ou os 100 bilhões de reais que está se alegando que precisam ser “devolvidos” ao Tesouro Nacional.


Tanto é que não existe, no grupo das dez maiores economias do planeta, entre as quais voltamos a nos incluir na última década nenhum país poderoso que não possua - vide o Eximbank, dos EUA, o KFW Bankengrouppe, da Alemanha, o JBIC, do Japão - o seu próprio BNDES, ou que tenha alcançado a posição que ocupa, no concerto das nações, sem um igualmente forte e poderoso banco - estatal - de fomento e de desenvolvimento.


Se banco estatal fosse sinônimo de incompetência, as maiores instituições do mundo não pertenceriam ao estado - verifiquem o ranking: http://www.relbanks.com/worlds-top-banks/assets , e os três maiores bancos do planeta não seriam de um país comunista, a República Popular da China  - e a Caixa Econômica Federal não teria acabado de ultrapassar o Itaú esta semana, passando a figurar, logo depois do Banco do Brasil, como a segunda maior instituição bancária brasileira.


Por mais que se tente convencer os incautos do contrário, bancos particulares visam, antes de mais nada, o lucro. Enquanto bancos públicos visam - ou deveriam visar, sempre, se os deixassem trabalhar em paz - o desenvolvimento de seus países, e crescem, principalmente no varejo, porque fazem empréstimos de menor valor e menor risco, e portanto, mais democráticos - a custos menores, para seus tomadores.


Mas uma vez, o Brasil do Dinheiro, dos  grandes comerciantes, agrícultores, pecuaristas e fabricantes, e de seus filhos que eventualmente entraram para a plutocracia graças à valorização das carreiras de Estado propiciada pela visão estratégica e republicana de governos que aprenderam a desprezar e odiar, apoiados pelo mesmo PMDB que está no poder atualmente, precisam aprender a viver com - e a respeitar - o Brasil do Futuro: o Brasil dos interesses estratégicos e perenes da Pátria e do povo brasileiros; o Brasil das grandes hidrelétricas; das gigantescas plataformas de petróleo; dos caças supersônicos; dos submarinos convencionais e atômicos; das bases de submergíveis;  das rodovias de alta velocidade; das ferrovias, como a norte-sul, que já une Anápolis, em Goiás, a Itaqui, no Maranhão;  das hidrovias; dos cargueiros aéreos militares; de aceleradores de partículas, como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron; a maior parte, obras que  foram realizadas nos últimos anos, com apoio do partido que está agora no governo - lembramos mais uma vez - e o financiamento do próprio BNDES.


O Brasil do Futuro, dos blindados, dos mísseis de saturação, dos novos rifles de assalto que disparam 600 tiros por  minuto, da terceira maior usina hidrelétrica do mundo - que recentemente começou a operar na Amazônia - não pode nem deve depender de bancos privados - cujo objetivo primordial é o lucro e não o fortalecimento da pátria - para financiar esse tipo de projeto.


Projetos estratégicos - que podem eventualmente, até atrasar e até aumentar de preço - como ocorre em outros países - têm que ser vistos como etapas necessárias, mesmo que nem sempre bem sucedidas - do processo de fortalecimento nacional.


Ou quanto a plutocracia brasileira acha que foi jogado “fora” em dinheiro pelos Estados Unidos, com financiamento público, em tentativas fracassadas, até que eles conseguissem chegar à Lua, ou desenvolver armas atômicas, ou sua primeira frota de submarinos ou de bombardeiros estratégicos, ou o computador e a internet?


E no financiamento do New Deal, um projeto, antes de mais nada, social, que tirou os EUA da Grande Depressão, em que estava mergulhado desde o início da década de 1930?  


Ou alguém ainda acha que os EUA vão  destruir, algum dia,  suas principais empresas - todas ligadas  ao esforço de defesa e com o complexo industrial-militar - e interromper seu projeto de hegemonia, por causa de conversa fiada de falsos fiscalistas e monetaristas, pseudo-escândalos de corrupção, ou contos da Carochinha como o da Operação Mãos Limpas - cujo êxito está sendo históricamente desmentido por outra operação,  que investiga o escândalo da Mafia Capitale, de 10 bilhões de euros, na Itália?


Os militares da reserva, os industriais e os empresários brasileiros, os trabalhadores, os milhares de empreendedores que possuem um Cartão BNDES, e que sabem muitíssimo bem a diferença das taxas de financiamento cobradas por esse banco e aquelas da banca privada - e os proprios funcionários da instituição e das empresas em que ela possui participação - precisam  mobilizar-se para fazer ampla campanha em defesa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, começando com um manifesto-slogan, com o tema de "não toquem no BNDES".


O Brasil não pode permitir que o desmonte dos pilares estratégicos que sustentam e podem fazer avançar o projeto de desenvolvimento nacional, comece logo por nosso maior banco de fomento, sem o qual não teríamos nos projetado para a nossa área de influência - a África e a América Latina - e ainda estaríamos relegados a ser um país apenas, e eminentemente, agrícola e servil.


Querem - e nossos concorrentes estrangeiros iriam vibrar se isso ocorresse - afundar o porta-aviões da economia brasileira.


E cabe aos setores mais responsáveis e organizados da sociedade civil, em nome também de nossos filhos e netos, se organizar e lutar, para evitar que isso ocorra.





24 de mai de 2016

AVISO AOS NAVEGANTES



Estratégica, filosófica e taticamente, o campo da esquerda tem que ficar sempre - nem que seja apenas pelo silêncio ou por meio do cuidadoso estabelecimento de seu discurso e intervenções - até por uma questão de princípios, contra a Operação Lava-Jato.  

Ele não pode discordar dela quando as prisões arbitrárias, as acusações rasteiras, os vazamentos propositais, as penas injustas, as conduções coercitivas, humilham, atingem ou ameaçam Lula, Dilma, Vaccari, José Dirceu, e a favor, quando interessa, querendo utilizá-la, como fizeram contra o PT,  para tentar ficar bem com uma parte da opinião pública manipulada e ignorante e para atingir figuras adversárias de outros partidos.

Em razão de haver gente presa injustamente de um lado, não se pode defender que se prenda de supetão gente do outro lado, de olho apenas na repercussão momentânea do fato, sem rigorosa análise do que realmente está ocorrendo e sem respeito ao amplo direito de defesa. 

É preciso entender que o movimento permanente de criminalização da política e o nivelamento por baixo de todos os partidos e homens públicos, frente à "justiça" e à população, não favorece,por si só, à Democracia, e só pode fortalecer, pelo contrário, ao Fascismo, que continua brilhando, estelar e faceiro, e sendo profusamente incensado, a cada semana, a cada dia, a cada novo episódio da "novela" política brasileira, pela mesma parcela da mídia conservadora e entreguista de sempre. 

Não se pode aceitar passivamente, quando não, ansiosamente, ser pautado apenas pela imprensa e pelas circunstâncias. 

Porque ao legitimar, indireta e ruidosamente, em alguns casos, a Operação Lava-Jato, o campo que se declara socialista e nacionalista não poderá se colocar contra ela, publicamente, quando for retomado o processo de massacre contra seus próprios membros e lideranças - que continua em curso, não se iludam - sob pena de ser desmoralizado pela mesma mídia, que continua armando-lhe bem pensadas esparrelas e manipulando-o descaradamente. 

Não se pode entrar no jogo da judicialização da política, porque nessa modalidade ainda não oficialmente olímpica, a direita é especialista e várias vezes "medalhista". 

23 de mai de 2016

O QUE FAZER COM O FASCISMO.







(Revista do Brasil) - Querendo ou não, o voto do Sr. Jair Bolsonaro no plenário da Câmara, homenageando, aos gritos, o golpismo, a tortura, e fazendo alusão ao sofrimento físico e ao terror sofridos por Dilma Roussef quando de sua prisão – ilegal, por ilegal ser o regime – à época do regime militar, foi o ápice emblemático, o marco, o símbolo, a evidência, de uma situação histórica cristalina e incontornável.

Descarado, despudorado, estúpido, violento, irracional, com centenas de milhares de votos e milhões de simpatizantes, muitos deles organizados em uma miríade de grupos que vai de saudosistas e apologistas da tortura e dos assassinatos de opositores políticos a fundamentalistas religiosos corruptos, nascidos da exploração da fé, do voto e do bolso da parte mais pobre e menos informada da população – sem oposição, sem controle por parte do Judiciário, que a ele se alia por numerosos braços, e da polícia, que lhe fornece candidatos e simpatizantes – o fascismo veio para ficar e ocupa já um espaço próprio na sociedade brasileira, desafiando abertamente a Democracia e o que ela tem de mais importante, essencial, libertário, humanístico, civilizatório.
A questão inadiável, que se coloca, para agora e o  anos de eventual pós-petismo, é a seguinte: o que fazer com o fascismo?
Denunciá-lo e isolá-lo, como a absurda excrescência que é em nosso modo de vida e no nosso espectro político? Tentar articular uma frente possível, para enfrentá-lo?
Ou permitir que se instale, como legado do nosso passado colonialista e escravagista, “normalmente”, na vida do país, e que abra caminho para o poder, ajudando a isolar e a  desconstruir, institucionalmente, as forças socialistas e nacionalistas, sabotando-as, e destruindo-as, e eliminando-as, praticamente, institucionalmente, da vida nacional?
Por que se chegou a esse ponto de escancarado desafio às instituições e ao Estado de direito – com o beneplácito de uma mídia parcial e partidária, e o silêncio e a omissão do Legislativo e do Judiciário, aí incluído o Supremo Tribunal Federal, que não disse “gato” a respeito da fala de Bolsonaro?
É fácil procurar culpados no campo dos inimigos da Democracia, como a velha mídia entreguista, “elitista”, venal e reacionária, que estereotipa o negro, o gay e a mulher que diz defender, em suas novelas e programas de televisão.
Também é cômodo atribuir esse estado de coisas ao próprio fascismo e a seus expoentes surgidos nos últimos anos do ventre de um anticomunismo tosco, ignorante, imbecil que vão, do que há de mais abjeto na imprensa brasileira a filósofos de bolso, cantores de rock e astrólogos, passando por pastores caçadores de passarinhos e sacerdotes católicos fundamentalistas, com ligações com o exterior.
Mas isso equivaleria a culpar uma hiena por ser uma hiena, um abutre por ser um abutre, um escorpião por ser um escorpião.
O fascismo não é razoável, nem cordato, nem racional. Com ele, não há como ceder ou negociar. Se o fosse, não seria fascismo.
A culpa pela irresistível ascensão da extrema direita – e não há outro termo, nos aspectos quantitativo e qualitativo, que possa descrever com mais propriedade o atual processo – deve ser procurada entre aqueles que deveriam, por natureza, ter – mais que vocação – a necessidade de defender a Democracia e aqueles que, no poder, tinham a obrigação, a responsabilidade histórica e ideológica, de combatê-lo, evitando que as coisas chegassem aonde estão.
Tendo enfrentado o regime militar e procurado negociar o seu fim, com o movimento das Diretas Já e a eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República, cabia às lideranças e partidos que conduziram esse processo ter promovido a defesa, didática, permanente, verdadeira, racional, dos valores democráticos junto à população, buscando também a renovação que fosse possível nos meios de comunicação de massa - que desde antes dos governos militares, continuam basicamente os mesmos e são controlados pelas mesmas famílias – em benefício da pluralidade de opinião e da amplitude de informação, evitando que se instalasse no país um senso comum medíocre, rasteiro e estúpido, ditatorial.
Mas não o fizeram.
O Sr. Fernando Henrique Cardoso, que agora declarou que a fala do Sr. Jair Bolsonaro em defesa de um torturador ofende o país, não procurou contar, em seu governo, às novas gerações, o papel – a serviço também de interesses estrangeiros – do golpismo e do fascismo, pragas permanentes na história brasileira, no suicídio de  Getúlio Vargas, na sabotagem e nas tentativas de golpe contra Juscelino ­Kubitscheck durante todo o seu mandato, na constante pressão contra Jango, até derrubá-lo, pela força das armas, em 1964.
Assim como não o fez o PT.
Nos 22 anos dos governos tucanos e petistas, nem sequer um miserável Dia da Democracia foi incluído no calendário oficial, com direito a feriado, e, depois da sua instituição pela ONU, em 2007, para ser comemorado todos os dias 15 de setembro, sua existência sequer foi lembrada, em uma prosaica campanha do Tribunal Superior Eleitoral.
Nesse absurdo país em que estamos vivendo, em que o Estado de Direito foi substituído pelo Estado de Direita, e não se pode ter mais liberdade de expressão ou de opinião, o que irrita não é o ódio irracional, sádico e sombrio dos apologistas do pensamento único, dos assassinatos e da tortura, mas a inação, a incompetência tática e a falta de visão estratégica – que nesse aspecto caracterizaram os últimos anos – daqueles que deveriam dar-lhe combate.
A esquerda errou quando fingiu que não viu o que estava ocorrendo já na véspera da Copa do Mundo. Errou quando não reagiu aos insultos, aos atentados verbais, às calúnias, judicialmente. Errou quando entregou a internet à direita e à extrema-direita, permitindo que esta última a usasse como um fantástico instrumento de mobilização, mas também abandonando os portais de maior audiência, para que o fascismo, por meio de seus trolls,  conquistasse para seus argumentos e mentirosos paradigmas, milhões de brasileiros que estavam começando a se “politizar” justamente naquele momento – com o acesso à internet – devido à inclusão social e digital promovida pelo próprio governo.
Errou quando não compilou suas conquistas, com dados numéricos, incontestáveis – como o crescimento do PIB e da renda per capita ou a diminuição da dívida líquida de 2002 a 2014 – fazendo delas a base de um discurso e de um plano coerente de governo, que cobrisse, institucionalmente, a economia, a soberania, o desenvolvimento e a defesa.
Errou quando não fez uma reforma política, digna desse nome, quando tinha poder e popularidade para isso, preferindo adotar, como governos passados, o fisiologismo, no convívio com o tipo de escolhos políticos que se viu na televisão no dia da votação do impeachment.
E continua errando quando quer misturar alhos e bugalhos no mesmo saco de gatos e sair atirando como uma metralhadora giratória contra tudo e contra todos, em um momento em que já ninguém quer lhe dar a mão, e taticamente, há muito pouco a fazer para reverter a situação em que se encontra.
Ao fazer isso, a esquerda está pedindo para ser isolada ainda e cada vez mais dos demais partidos e parte expressiva da “opinião pública”.
E está fazendo exatamente o que dela esperam seus inimigos. Dando murro em ponta de faca.
Deixando-se provocar e pautar, o tempo todo, pelos adversários e pelas circunstâncias.
Estamos à vontade para criticar, porque cansamo-nos de alertar, nos últimos anos, insistentemente, em artigos como “O PT, o PSDB e a arte de cevar os urubus”, “Os Pilares da Estupidez”, e “De Golpes e de Labaredas”, para o que estava ocorrendo, do ponto de vista da degradação e da expansão geométrica dos ataques repetidos, premeditados, intencionais, contra a Democracia brasileira.
É preciso denunciar  o golpe desfechado?
Sim. Mas não se pode simplesmente colocar trava na porta depois da casa arrombada e tentar fazer na saída do poder o que não se fez em anos em que se estava nele, do ponto de vista da defesa da Democracia, quando se viu calmamente, da janela, de braços cruzados, que a boiada estava indo, rês a rês,  inexoravelmente, para o brejo.
Tão prioritário quanto, se não muitíssimo mais importante do ponto de vista histórico e estratégico, é trabalhar com firmeza para não se isolar, perecendo, politicamente – o que seria péssimo para a democracia brasileira – e tentar, em contraposição, ir isolando o fascismo com relação ao resto da sociedade, para evitar que Bolsonaro e, eventualmente, certo juiz de Curitiba – que tem sido incensado permanentemente pelos Estados Unidos – triunfem, direta ou indiretamente – transformando-se, na oposição ou no governo, em fiel da balança eleitoral e em um elemento de permanente chantagem e desestabilização, para qualquer um que venha a vencer as eleições presidenciais – agora, antecipadamente – ou em 2018.
O que nos preocupa, no risco que corre o país, não são os palhaços loucos, sempre subestimados e ridicularizados no início, como Hitler ou Mussolini, e seus genéricos locais, mas os psicopatas que medram à sua sombra, que os veem como líderes e exemplo messiânico, e acreditam piamente neles.
Esses se transformam na alma e no sustentáculo do totalitarismo, praticando os piores crimes, usando o discurso ideológico como desculpa para idolatrar o mal e desatar, doentiamente, o seu ódio, a sua devoção pela injustiça, pela dor e pela destruição de outros seres humanos.
São eles, não em troca de voto, mas por acreditar apaixonadamente nas mentiras e mitos mais absurdos, que defendem a tortura e dizem que poderiam espancar, arrebentar e matar, como reles assassinos, em seus comentários nos portais e redes sociais.
São eles que – não se iludam – poderiam tranquila e alegremente sujar suas mãos com o sangue de pessoas desarmadas porque elas pensam de forma diferente, ou de mulheres grávidas ou crianças indefesas, por serem filhos de seus adversários políticos, caso lhes dessem uma arma, um uniforme, um porrete, uma máquina de dar choque, uma carteira com o seu retrato e um emblema.
Caberá à atitude dos grandes partidos, e das forças políticas, principalmente a esquerda, e de organizações da sociedade civil, como a OAB e a Igreja, determinar se a absurda fala de Jair Bolsonaro na votação do impeachment – que equivaleu a um histórico show de strip-tease moral por parte da Câmara dos Deputados – será vista, no futuro, como um marco fundamental para a ascensão política do que existe de pior na população brasileira, ou como o ponto de inflexão que provocou a reação da sociedade contra o avanço, até agora, paulatino, inconteste, inexorável, da fascistização do país.
Mais do que quem vai “governar” a nação nos próximos meses – entre aspas mesmo, porque há cada vez menos condições de se administrar este país, ainda mais sob condições de pressão e chantagem permanentes – é isto que está em jogo neste momento.

20 de abr de 2016

DE CHIFRES E DE CAVALOS







(JB online) - A Agência Brasileira de Inteligência comunicou em nota que o Brasil teria sido ameaçado, em novembro, pelo Estado islâmico, por meio de um twitter supostamente assinado por um francês chamado Maxime Hauschard, um “integrante do grupo”, cujo perfil teria sido posteriormente deletado.


O assunto, segundo a ABIN, veio à tona por causa de uma palestra do chefe do “Departamento de Contraterrorismo” da agência, no Rio de Janeiro, falando sobre a Olimpíada.  

Ora, não se conhecia que a ABIN dispusesse de um “Departamento de Contraterrorismo”, e seria interessante saber sob que circunstâncias ele foi criado, e com autorização de quem, já que essa atitude – que muitos veriam como normal e corriqueira - tem diretas consequências para a diplomacia e as relações externas do pais e que cabe à Presidência da República, por meio do Gabinete de Segurança Institucional e da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional, supervisionar as atividades da organização, e ao Congresso Nacional exercer o controle externo, por meio de órgão composto, entre outros membros, dos líderes da maioria e da minoria na Câmara e no Senado, assim como dos Presidentes das Comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional das duas casas, como reza a legislação que lhe deu origem.

Voltando ao twitter supostamente assinado por Maxime Hauschard, será difícil saber se esse cidadão realmente existe, e, em caso afirmativo,  virtualmente impossível comprovar se ele, um “terrorista” foragido, foi realmente o autor da mensagem, ou se “Monsieur” Haushard foi “clonado” e a mensagem eventualmente “plantada” – já que o perfil, que sequer se sabe se era falso, foi, curiosamente, apagado depois – por agentes de inteligência  de outros países interessados em envolver  o Brasil com uma doutrina “antiterrorista” que não lhe diz respeito, com o objetivo de assegurar o alinhamento de nossas forças de inteligência e de segurança a organizações congêneres “ocidentais”, levando-nos a  tomar partido em uma briga que não é nossa, com uma decisão de administrativa de grande gravidade, que, para ser tomada, precisaria ser discutida no âmbito do Congresso, da diplomacia e da sociedade, de forma ampla, transparente e irrestrita.

      
Se tratava, a mensagem, de fato, de uma ameaça, ela não deveria – em benefício da estratégia e da discrição característica dos serviços de inteligência - ter sido divulgada, e, sim, combatida e investigada, em sigilo. 

Se, em caso de uma improvável comprovação inequívoca de sua autoria, tratou-se apenas de um episódio irrelevante, de um mero twitter de um “integrante” do grupo, e não de um ameaçador vídeo, com um refém decapitado, por exemplo, como costuma ser feito pelo EI, mereceria menos ainda ter sido digna de nota oficial e de divulgação à imprensa, até mesmo para evitar caracterizar uma reação despropositada e uma postura exagerada de confronto, que poderá, sim, nos criar problemas no futuro.

Os órgãos de inteligência e de segurança brasileiros, precisam parar de querer ficar emulando seus congêneres estrangeiros de potências que se metem na vida e em territórios alheios, como a Europa (via OTAN) e os Estados Unidos, a ponto de terem armado os grupos que deram origem ao próprio Estado islâmico, no início, para derrubar governos estáveis em países que tinham uma vida relativamente normal antes da Primavera Árabe, e que hoje se transformaram em um monte de ruínas.

Os inimigos dos EUA não são, por mais que cresçamos vendo filmes e séries de TV norte-americanas – e muitos quisessem abjetamente ter nascido nos EUA - necessariamente, como por osmose, nossos inimigos.

Temos, como Nação, interesses próprios, ditados por nosso lugar no mundo e nossa posição geopolítica, é com eles que devemos nos preocupar, e entre essas prioridades não está a de ficar vendo ou inventando fantasmas onde não existem, para justificar eventos, leis específicas, ou, indiretamente, a existência de agências de inteligência, que são, sim, extremamente importantes para qualquer nação, mesmo aquelas que não confundem a busca da preservação da paz e da soberania, com eventual fraqueza ou  vulnerabilidade.
 
Antes de se começar a falar em Lei Antiterrorista, não se identificavam “ameaças” contra o Brasil na internet – nem mesmo um mero e discutível twitter.

É recomendável parar de ficar discutindo exaustiva e publicamente a possibilidade de haver atentados durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, antes que eles venham a se confirmar, eventualmente, não por causa da suposta mensagem de novembro, mas como reação à excessiva ligação que o Brasil tem estabelecido, nos últimos tempos, com países ditos “ocidentais” nesse contexto.

O trabalho de inteligência se faz entre quatro paredes, com a preservação, sob segredo, tanto de eventuais preocupações, como das informações coletadas que estejam relacionadas a elas.

Com todo o respeito, ao dar publicidade ao “fato” a ABIN faz o mesmo que fez o governo Dilma, ao aprovar uma Lei Antiterrorista desnecessária - o código penal, sem chamar a atenção, e sem qualquer matiz ideológico, bastava para investigar e colocar atrás das grades responsáveis por homicídios ou atentados – inócua – em outros países esse tipo de lei não tem evitado a ocorrência de ataques - e inadequada do ponto de vista diplomático e estratégico: age como se estivesse procurando – correndo o risco de dar bom dia ao quadrúpede – chifre em cabeça de cavalo.