14 de mar de 2019

ENTREGUISMO: ATENÇÃO INVESTIDORES, ACOMPANHANDO OS AVIÕES DA BOEING, AÇÕES DA EMBRAER PODEM DESABAR.



Da equipe do blog - Atenção navegantes, principalmente os investidores do mercado de produção aeronáutica: o entreguismo é mau conselheiro  e pode colocar em risco o bolso e a saúde empresarial.



Potencialmente acopladas ao futuro - e aos problemas - da Boeing, que estão se multiplicando com os últimos acontecimentos, as ações da Embraer caíram de 26 para menos de 20 dólares com relação a um ano atrás e voltaram a fechar em queda ontem no Bovespa e na Bolsa de Nova Iorque, acompanhando as ações da Boeing, que baixaram de 423 para 377 dólares nos últimos 5 dias.


Diz-me com quem andas e te direi quem és.


Com a queda de aparelhos do modelo 737 Max e sua proibição de vôo em mais de 40 países, no continente europeu e nos próprios EUA, os problemas da Boeing com relação à eventual perda de valor da companhia parecem estar apenas começando .


Uma lição para os acionistas que aprovaram a entrega da Embraer para a Boeing a preço de banana achando que estavam fazendo um excelente negócio e para os entreguistas tupiniquins que, de modo geral, acreditam estúpida e basicamente que basta repassar nossas empresas para os Estados Unidos para que, da noite para o dia, elas se transformem em ouro em pó.


Ao contrário da Boeing, a Embraer acaba de concluir o lançamento da nova versão de sua família de jatos de passageiros E-2, um produto campeão, vitorioso, com mais de 1500 aviões vendidos que nunca caíram como está ocorrendo agora com o novo avião da Boeing, cujas alterações tecnológicas parecem ter dado com os burros n'água (ou no ar, se preferirem).


Será que a situação da Boeing e os prejuízos bilionários que a esperam em caso de fracasso do 737 Max, com pedidos de indenização por parte de vítimas e de companhias aéreas que se sentirem prejudicadas pela proibição de uso do modelo,  não seriam um aviso - um a mais - de que nem tudo que é bom para os EUA também é bom para o Brasil, quando não por acaso somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos com mais de 250 bilhões de dólares herdados do PT emprestados ao Tio Sam?  

Com a palavra os acionistas da Embraer que aprovaram a venda da empresa por miseráveis 5 bilhões de dólares para os gringos - entregando-lhes 80% da companhia quando o acordo da Bombardier com a Airbus foi praticamente na base de 50-50 -  e que poderiam pensar em desembarcar desse negócio antes que ele empurre também a Embraer para o chão.

6 de mar de 2019

BYE BYE, EMBRAER. BYE BYE !








(Da equipe do blog) - A entrega da EMBRAER à BOEING por apenas 5 bilhões de dólares é o maior absurdo já cometido contra a soberania e os interesses brasileiros.

Principalmente quando se considera que, desde o fim do governo do PT e ainda antes, temos 380 bilhões de dólares em reservas internacionais em caixa e ainda somos, depois da China e do Japão, em 2019, o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos. http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt

Em uma operação feita contra a vontade de uma minoria de acionistas nacionalistas, "vendemos" o controle de nossa única fábrica de aviões e maior empresa de tecnologia por uma fração do que temos no bolso, em um negócio, do ponto de vista estratégico, absolutamente imbecil e totalmente desnecessário quando a tão propalada parceria da Bombardier com a Airbus foi feita em bases muito diferentes e equilibradas preservando até mesmo presença estatal canadense no negócio feito com os três países europeus que também detêm presença estatal na Airbus.

Tudo em nome de um austericídio estéril e idiotam como ocorreu, por exemplo, no caso da queima dos 300 bilhões de reais que o PT deixou nos cofres do BNDES com sua entrega "adiantada" ao tesouro, que poderia ter sido feita em 30 anos sem problemas como estava programado.

Com a aplicação desses recursos em infraestrutura contribuindo para a retomada de dezenas de obras e programas direta ou indiretamente paralisados pela justiça nos últimos anos.

Tudo para continuar a alimentar o mito de que o PT quebrou o Brasil, quando a economia brasileira avançou da decima-quarta economia do mundo em 2002 para a sexta maior do mundo em 2011 e a nona maior ainda hoje e desde 2005, no governo Lula, não devemos mais um tostão ao FMI.

Os funcionários do BNDES estão devendo à sociedade brasileira uma campanha, ou ao menos um documentário, que desminta as grandes mentiras lançadas contra o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social nos últimos anos, entre elas a entrega de recursos brasileiros a governos estrangeiros sem a contrapartida de exportação de serviços e equipamentos e a existência de dívidas bilionárias nesse sentido.

É preciso desmentir a também a existência de balanços com prejuízo para o banco de 2002 para cá, a calúnia relativa a supostas caixa-pretas do BNDES que nunca existiram, o papel do banco no crescimento econômico em anos como 2011 quando a economia avançou 7,5% e a função de instituições semelhantes nas maiores economias do mundo, como a China, o Japão, os EUA e a Alemanha, Coréia do Sul, etc, que não abrem mão de possuir poderosos bancos públicos de fomento.

A intenção de avançar no esmilinguamento do BNDES ocorrido nos últimos três anos é clara.

Deixar as grandes empresas nacionais dependentes apenas de bancos privados, cujo único objetivo é o lucro, entre eles bancos estrangeiros que não tem nenhum compromisso, a médio e longo prazos, com o desenvolvimento brasileiro.


14 de fev de 2019

O PAÍS DAS GAMBIARRAS E AS VÍTIMAS DE 2019 - ATÉ AGORA.





(Da equipe do blog) - Este é o país das gambiarras.


Das gambiarras técnicas.

Das gambiarras jurídicas.

Das gambiarras políticas e de marketing.

Mas, sobretudo, das gambiarras morais, já que, em suas motivações e justificativas, elas se sustentam, na maioria dos casos, pela cobiça, a hipocrisia, a manipulação e a mentira.

Este é o país em que helicópteros, alguns do tempo da guerra do Vietnã, com autorização apenas para filmagens e aerofotogrametria transportam regularmente passageiros.

No qual barragens de rejeitos minerais são construídas a montante, com o agravante da edificação de instalações e até mesmo de refeitórios para dezenas de pessoas a jusante, bem no caminho da lama.

Em que o colapso das barragens da Vale em Mariana e Brumadinho foi fruto de gambiarras técnicas, da mesma forma como as punições à empresa pelo primeiro acidente foram gambiarras jurídicas espetaculosas e inúteis, para não dizer contraproducentes, a julgar pelo seu resultado prático do ponto de vista da fiscalização de outras barragens semelhantes.

Afinal, depois da porta arrombada, nos dias e semanas que se seguem a esses “acidentes”, não falta quem queira  aparecer e tirar sua casquinha, seus cinco minutos de fama, posando de implacável defensor do bem comum, com a imposição de multas e bloqueios gigantescos, imediatos, aleatórios, quando a intenção deveria ser punir a empresa e indenizar exemplarmente as vítimas, sim, mas, principalmente, estabelecer e fazer cumprir novos e concretos paradigmas de segurança, sem colocar em risco sua existência a médio e longo prazos, seus empregos e a geração de impostos e de riqueza que produz, dos quais dependem o próprio país e centenas de milhares de trabalhadores e investidores e suas famílias.

Para não repetir no setor de mineração o furor devastador da Lavajato, por exemplo, que simplesmente acabou com a grande engenharia nacional e interrompeu, destruiu e sucateou centenas de obras e negócios em todo o país, tornando setores inteiros da economia brasileira presas atraentes  para sua aquisição ou eliminação, em negociatas, a preço de banana, por concorrentes estrangeiros.

Da mesma forma que a segunda condenação de Lula, ocorrida alguns dias antes, foi uma gambiarra jurídica, que não se sustentaria em nenhum lugar do mundo na descarada tentativa de ligar as reformas do sítio mambembe de Atibaia  às bilionárias obras da Petrobras, e as barragens da Vale em Mariana e Brumadinho, como já dissemos, foram gigantescas gambiarras executadas a montante de forma que não se faz mais em nenhum lugar do planeta, o improvisado, para não dizer quase clandestino dormitório do Flamengo, feito de contêineres escondidos, sob telhas de lata, em um local em que constava haver um estacionamento - como ocorria até 2010 com certas prisões do Estado do Espírito Santo - abrigando seis pessoas em cada cubículo - já que não há outro nome para o lugar em que os meninos mortos dormiam - também não passou de uma gambiarra que não foi submetida a nenhum projeto ou teste de engenharia e a nenhuma fiscalização ou interdição direta por parte da prefeitura ou do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

Uma gambiarra que contrastava, antes de se transformar em cinzas, vergonhosamente, com as condições das 42 luxuosas suítes que fazem parte do complexo do centro de treinamento, que se encontravam, com certeza, todas elas, seguras, confortáveis e provavelmente desocupadas, enquanto meninos ardiam em chamas a poucos metros de distância, por ainda não serem atletas famosos mas apenas garotos pobres cheios de sonhos - vistos como uma espécie de "investimento" para o clube - que, como gerações de aprendizes de gladiadores nos subterrâneos do Coliseu em Roma, perseguiam, em seus corpos cansados, todas as noites, o anseio de dar um destino melhor a suas famílias, mergulhados em devaneios plenos de ilusões, de desafios e desejos de conquista.

Daqui a alguns meses, o que restará da memória das vítimas de 2019 do mau caratismo, da interessada e repentina hipocrisia holofótica, do "jeitinho brasileiro", do gambiarrismo generalizado e universal brasileiro?

O que sobrará dessas perdas irreparáveis e injustas que atingiram para sempre - como se fossem fruto de cataclismas naturais ou da suposta vontade de um deus dos humildes e dos incautos que tudo justifica - a existência de tantas famílias, e de quem conheceu e amou os trabalhadores de Brumadinho e os meninos do Ninho do Urubú?

É preciso que se separe algum dinheiro, das dezenas de bilhões de reais em multas e bloqueios, para cimentar com concreto o chão por onde passou o barro amassado pelo diabo com o rabo nas profundezas da piscina de dejetos da Vale, em Brumadinho, para que nada mais cresça em uma parcela simbólica daquele solo, a não ser as silhuetas evocativas, feitas de aço forjado com ferro arrancado do local, de cada um dos 313 mortos e desaparecidos no rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

Assim como deveriam ser cobertos de concreto, como que para imobilizá-los no tempo, os escombros de casas e dos carros que, três anos depois, ainda afloram da paisagem lunar e vulcânica da pequena  vila de Bento Rodrigues, sepultados pelos 55 milhões de toneladas de rejeitos da Barragem do Fundão, em Mariana, na mesma região

Se a Vale não o fizer, quem sabe o Inhotim não possa tomar a iniciativa, abrigando a memória das vítimas da insensatez e do cinismo nacional em Brumadinho em seu vasto patrimônio artístico, para que neste país de hipocrisia e de jeitinho as futuras gerações se envergonhem e deixem de repetir a mesma história, o mesmo sofrimento e, com pequenas variações - vide o incêndio da Boate  Kiss e o agora já antigo naufrágio do Bateau Mouche - as mesmas tragédias de sempre, tecidas na trama de fatos encadeados e sucessivos, absurdos e inenarráveis.

Da mesma forma que, no Ninho do Urubú, o Flamengo deveria, se tivesse vergonha, substituir o monumento à desigualdade, à ganância, ao descaso, à criminosa irresponsabilidade, representado pelos restos calcinados dos contêineres que se abrigavam no estacionamento por trás das luxuosas instalações de seu CT de dezenas de milhões de reais, imortalizar o sonho dos futuros jogadores que perdeu, colocando aqueles 10 meninos, quase anônimos, que em alguns anos terão seus nomes esquecidos a não ser por suas famílias e amigos, para se exercitar para sempre, com a graça e a leveza de sua juventude e talento, em uma roda de bola forjada em bronze, em tamanho natural ou ainda maior, a ser montada sobre uma plataforma circular, como um marco à glória dos humildes.

À força e à determinação de milhares de garotos que, nos mais recônditos cantos deste país padrasto, sonham com um futuro melhor para si, seus país, mães e irmãos, em uma nação  hipócrita, desigual e desumana, gravando seus nomes para sempre ao pé de suas estátuas, sob um arco de concreto encimando o conjunto, com a expressão OS 10 DE 2019.


Se o Flamengo não o fizer, já que até agora seus dirigentes se dedicam apenas a tirar o do clube da reta, quem sabe sua torcida apaixonada e anônima não se cotize, dividindo o amor ao esporte - e ao seu clube - com os heróis que não o foram e coloque esse monumento em  área pública, do lado de fora do "ninho" que para as vítimas se transformou em túmulo, se lhes for negado o espaço que os viu queimar até a morte, no solo do pseudo estacionamento em que dormiam.

17 de jan de 2019

O BRASIL, O EFEITO ORLOFF, MACRI E A SUBORDINAÇÃO À EUROPA E AOS EUA.


(Da equipe do blog) - A imposição de barreiras e taxas, pela União Europeia, à importação de sete tipos de aço brasileiro, atitude que, de tanto se repetir, já se transformou, do ponto de vista histórico,  em um fator recorrente na desigual relação comercial entre o Brasil e a UE, chega em um momento particularmente interessante das relações internacionais brasileiras.


Ela coincide com a visita de Mauricio Macri - a primeira de um dignatário estrangeiro a Brasília - e com a defesa, pelos presidentes argentino e brasileiro, da “flexibiização” do Mercosul e da diminuição da tarifa externa comum do bloco, cedendo unilateralmente aos gringos, sem exigir contrapartida nenhuma dos países ocidentais, justamente quando as grandes potências mundiais, como os EUA, a China e a União Européia, reforçam intransigentemente a defesa de seus interesses estratégicos e comerciais nos mercados internacionais.

Se não fossem as exportações para a China, e, em certa medida, para a União Europeia, de commodities agrícolas e minerais, em uma situação, de fato, colonial, que se repete desde a fundação do Brasil, com o pau brasil cobiçado pelos franceses e lusitanos e o açucar explorado pelos portugueses e os holandeses com sua Companhia das ìndias Ocidentais, o Brasil não teria a quem exportar, já que os EUA não nos compram manufaturados, além de aviões que agora irão adquirir de uma companhia própria, que acabam de colocar sob o seu domínio e controle - a “internacionalização” das melhores empresas brasileiras, como a  Petrobras e a Embraer, mesmo com eventual “golden share”, tem nos ensinado que a última palavra fica sempre com os tribunais norte-americanos, que, com a desculpa de defender acionistas daquela nacionalidade, asseguram na verdade a prevalêcia dos interesses geopolíticos de seu país - e não nos adquirem commodities, já que neste aspecto concorrem diretamente conosco vendendo ao mundo, com exceção do café e do minério de ferro, os mesmos produtos que exportamos, como soja, algodão, carne de frango, de porco e de boi, por exemplo.

Isso e o tradicional protecionismo dos EUA, explicam porque os estadunidenses - tão decantados como potenciais parceiros do Brasil nos dias de hoje - acumularam, nos últimos anos, sucessivos superavits no comércio com o nosso país, que por sua vez só obteve lucro em suas exportações de produtos industriais justamente com países e regiões dos quais a atual diplomacia  pretende se afastar como o diabo da cruz, como a África subsaariana, as nações árabes e a América Latina, entre eles a Venezuela, com quem chegamos a lucrar mais de dois bilhões de dólares em alguns anos, quando a situação daquele país, antes da queda dos preços internacionais do petróleo, estava melhor do ponto de vista econômico.

Quanto ao tango com Macri e aos perigos do “efeito orloff”, tão famoso na década de oitenta, é preciso tomar cuidado com o abraço dos afogados.

A orientação neoliberal do atual governo argentino acaba de levar Buenos Aires a voltar a passar o penico para o FMI, pouco tempo depois, em termos históricos, de  governos anteriores terem pago as dívidas com o país portenho com essa instituição, em 2006.

Situação muito diferente da brasileira, já que o Brasil continua com as sextas maiores reservas internacionais do mundo, 380 bilhões de dólares - mais de 300 deles emprestados aos Estados Unidos - acumuladas entre 2002 e 2015, período em que a dívida bruta caiu de 80% do PIB, no final do governo FHC, para 66% também no final de 2015, o último completo de Dilma Roussef na Presidência da República.

Dinheiro que não impede o avanço da abjeta subordinação aos EUA,  como a defesa da liberação de vistos para norte-americanos em troca, eventualmente, de alguns dólares a mais no turismo, sem a existência também de qualquer contrapartida que preserve minimamente a dignidade de milhares de cidadãos brasileiros que visitam, todos os anos, os Estados Unidos.

21 de dez de 2018

A ÚLTIMA DO BRASILEIRO, PÁ!




(Da equipe do blog) - Em Lisboa, 19 horas.

Nuvens negras se acumulam para os lados da Praça Luis de Camões e relâmpagos brilham, sinuosos, sobre o Castelo de São Jorge.

Um conhecido, capixaba, que vem  descendo a pé o passeio, testemunha inesperadamente o encontro de dois cidadãos portugueses,  perto da Tasca Maitai, na rua da Rosa.

-Tu por aqui, pá? E sozinho?

Como está frio,  cerca de 10 graus, com chuva e uma umidade de 81%, o primeiro parece estar tentando convencer o segundo a tomar uma taça de vinho, ou quem sabe algo mais forte, em um bar próximo, para esquentar o peito, e completa, incisivo, aumentando o tom de voz, com um apelo que lhe parece incontornável:

- Vamos, vamos, que quero comentar contigo a última do brasileiro!

Frase que, dita com tal ênfase, chama, naturalmente, aos brios, a curiosidade de nosso compatriota, que, não tendo nada melhor para fazer no momento,  resolve seguir os gajos para dentro de um lugar pitoresco, ali por perto, lotado de gente apinhada em frente a um balcão cheio de espelhos, onde os dois prováveis lisboetas conseguem uma mesa em um cantinho e o Joaquim - à falta de outros usamos aqui os prenomes que sempre utilizamos no Brasil para identificar  clássicos personagens portugueses - já matreiro, tirando a capa molhada com um sorrisinho na boca, volta a fazer alusão à última “do brasileiro”.

- Mas qual delas, pá, qual delas? - pergunta nosso suposto Manoel - diz-me logo que já são tantas, mais de uma por dia, ultimamente !

- Ora, a dos aviões, pá, a dos aviões. Não viste que o Temer, no apagar das luzes, acaba de abrir as asas, ou melhor, as pernas, do mercado brasileiro de aviação de passageiros aos estrangeiros?

- Ora meu caro, isso já era de se esperar. Os brasileiros estão como umas cavalgaduras na sofreguidão por entregar o seu ao alheio. Não percebem que a aviação civil é um excelente negócio, desde que esteja estrategicamente ligado, até por uma questão de segurança, também ao Estado, atendendo aos interesses nacionais, ou, em alguns casos, até mesmo continentais, como por aqui é o caso.

- É verdade. Não foi por acaso que o nosso governo comprou mais ações da TAP no ano passado, completando agora os 50% - disse Joaquim, levando pela primeira vez a taça aos lábios, com nosso providencial capixaba encostado ao balcão, meio de lado, com as orelhas em riste, acompanhando o  colóquio lusitano.

- O governo português é socialista - retrucou o Manuel - mas não é burro. No mesmo ano a Air Portugal já deu logo 104 milhões de euros em lucro. Em bom brasileiro, quase 400 milhões de reais.

- A TAP. Uma empresa que foi, durante  anos, comandada por um gaúcho brasileiro nada burro, o Fernando Pinto, que acaba de se aposentar. Ficou mais de 15 anos por aqui, vindo de uma empresa antiga, te lembras, que operava em quase todos os aeroportos do mundo e tinha uma rosa dos ventos no rabo das aeronaves, chamava-se VARIG ou BARIG, não me lembro mais...  

- Ficando os outros 5% para os funcionários da TAP e 45% para o Atlantic Gateway…

- Um consórcio comandado por outro brasileiro também nada burro, pá, já que é também estadunidense, o David Neeleman...

- Que como li, se colocou contra a abertura indiscriminada do mercado aos concorrentes estrangeiros, ainda mais sem a exigência de nenhuma reciprocidade, como foi feito, aconselhando que o limite fosse de no máximo 49%...

- Como é no outro país dele, os Estados Unidos, onde, por lei, nenhuma empresa estrangeira pode ter mais do que 49% em companhias locais, senão não pode entrar no mercado norte-americano.

- Ou aqui, na Europa, onde a União Europeia proíbe, também por lei, que empresas que não sejam estatais ou não pertençam a capitais europeus, ou a cidadãos nascidos em países da UE,  tenham mais de 50% do controlo de qualquer companhia aérea de transporte de passageiros.

- Mas os brasileiros são burros, pá…. - tornou o Manuel, pensativo - ainda  acreditam em lorotas como a da livre iniciativa. Mal sabem eles que a liberdade da tal mão invisível do mercado acaba onde começam os interesses dos grandes países e blocos econômicos que têm vergonha na cara.

- Aquela mãozinha sacana dos mercados que onde não tem controlo está sempre enfiada no bolso de trás dos consumidores. A mexer na carteira deles ou a apertar, lascivamente, suas nádegas.

- Como faria o tal do João de Deus - riu Manuel - para continuar com as atualidades de além-mar !

- E a Embraer, pá, não viste como estão encaminhando mal o tema?

- Entregando a companhia de mais alta tecnologia que têm à Boeing, a preço de bananas?

- Sim. Com a justificativa de que a Bombardier canadense também se aliou à Airbus.

- É. Mas a mídia lastimável que os gajos têm no Brasil não explica que a Bombardier canadense tem participação estatal e que o Canadá só vai abrir mão de 50% da nova empresa, porque a tal "aliança" por lá é meio a meio.

- Enquanto a Embraer está entregando o futuro do negócio e 80% das ações para os norte-americanos, com uma claúsula de eventual venda dos outros 20%.

- Com isso os asnos não vêem que a Boieng já se livra, a longo termo, de um futuro concorrente, que já estava fabricando aviões médios, de 120 lugares.

- E que daqui a uns dois ou três anos a Boeing pode fechar as fábricas da Embraer no Brasil e transferí-las aos EUA, engolindo os canarinhos de camisola amarela da seleção 1 x 7.

- Como faria qualquer bom gavião, pá, já que estamos em assuntos aéreos.

- E alcóolicos e etéreos - retrucou Joaquim, filosoficamente - fazendo um sinal ao moço para trazer mais uma taça de vinho.

- Mas o pior de tudo são as desculpas - continuou o Manoel, dando uma boa gargalhada.

- Eu vi, eu vi. Estou acompanhando na  Tv a cabo os “especialistas” comprados, que sempre estão à mão para justificar este tipo de engodo e garantir, como diria o Noam Chomsky, a fabricação do consentimento. Estes teimam em dizer  que sem o "acordo", melhor dizendo sua rendição à Boieng, a Embraer não sobrevive no mercado.

- Como se a Embraer não tivesse acabado de bancar, sozinha,  o desenvolvimento de toda uma nova família de aviões civis para até 120 passageiros, a E-2, muito mais moderna, segura e econômica, sem precisar de ajuda ou parceria de nenhuma companhia estrangeira.

- E não estivesse a colher os frutos desse gigantesco projeto com um tremendo sucesso de vendas nos principais salões aeronaúticos.

- Só no Farnbourough Airshow na Inglaterra, neste ano, a Embraer vendeu 300 aviões, em contratos que podem render até 15 bilhões de dólares.

- Que agora irão para o bolso dos norte-americanos.

- Sem falar nas vendas da semana passada, quando a Embraer vendeu de uma só vez - também sem precisar da Boeing nem de nenhuma outra empresa estrangeira para isso - 100 aviões de médio porte para a Republic Airways dos Estados Unidos em uma única canetada.

- Fora os 21 jatos que vendeu à Azul, do David Neeleman, também nos últimos dias, não te esqueças, por 1.4 bilhão de dólares.

- Ora...o amigo acha que se as grandes empresas de aviação regional estivessem preocupadas  com o futuro da Embraer estariam comprando os aviões dela dessa forma?

- Quer dizer, os brasileiros investem durante dezenas de anos sangue e suor e bilhões de dólares em dinheiro público para matar o leão e construir a terceira maior fabricante de aviões do mundo.

- E na hora de comer o felino - completou Manuel - põem a mesa de gravatinha borboleta e creminho no cabelo e servem tudo à francesa para os gringos.

- É que a moda agora no Brasil é acreditar na conversa fiada de que são incompetentes e que estão quebrados.  Duas excelentes desculpa para todo tipo de corrupção e de negociatas.

- Afinal, só um país de idiotas vende o controlo de sua mais avançada empresa de tecnologia por 5 bilhões de dólares.

- Quando tem 380 bilhões de dólares - mais que o nosso PIB português - só em reservas internacionais.

- 250 bilhões desses 380 bilhões de dólares, diga-se de passagem, emprestados justamente para os norte-americanos, que são quem está levando para casa a EMBRAER na bacia das almas.

- Acredito que só com as encomendas deste ano a Boeing lucra os 5 bilhões de dólares que vai pagar pela Embraer. A empresa vai sair de graça.

- Ora, se a intenção é atingir escala aliando-se à Boeing, o governo brasileiro devia pegar 5 bilhões de dolares das reservas internacionais, que ao final não fazem a menor diferença diante do total, dá menos de dois por cento, e capitalizar a EMBRAER no mesmo montante da Boeing, ficando com peo menos 50% do negócio e com uma empresa muito maior do que a que o Brasil já tem.

- Mas isso, está claro, não se pode fazer. Seria coisa de comunista estatizante.

- Se vê muito bem que a razão não é empresarial. A questão é não perder a oportunidade de mostrar como são abjetos e como esse “novo” Brasil se rebaixa caninamente aos interesses de tudo que é norte-americano !

- Além de se estar fazendo o mesmo com o KC-390, o novíssimo cargueiro militar feito pra substituir o Hercules C-130 do qual também participamos do desenvolvimento, junto com os brasileiros, os argentinos e a República Tcheca.

- No princípio diziam que o negócio só abrangeria os aviões civis e agora vão chamar a Boieng também para ser sócia na fabricação desse avião, o maior já produzido pela indústria brasileira, que está mais voltado para operações de defesa.

- Nos dois casos o que importa é saber se o governo brasileiro vai conservar a ação de mando na EMBRAER,  impedindo que a Boieng amanhã desmonte as fábricas e as leve para os Estados Unidos.

- Como a própria Embraer teve que fazer quando transferiu a fabricação de Super Tucanos vendidos para EUA para a Flórida, sendo obrigada a fazer uma joint venture minoritária com uma empresa americana, a Sierra Nevada, porque os EUA - que já avisaram que querem que o KC-390 seja montado nos EUA - proíbem a importação de armamento para suas forças se não forem construídos em território norte-americano e por empresas majoritariamente norte-americanas.

- É óbvio. Já que os norte-americanos não são estúpidos como os brasileiros, ou a massa ignara e manipulada deles, sempre enganada pela mídia.

- Como se diz por lá, os gringos  não dão ponto sem nó, pá !

- Como estão fazendo no caso da Petrobras, a outra grande empresa brasileira de tecnologia.

Arrebentando com a empresa nos tribunais dos EUA com a desculpa da corrupção e se apropriando das reservas de petroleo que ela descobriu com tecnologia própria para suas próprias grandes empresas como a EXXON, com isenção de impostos de dezenas de anos.

- Pobre Brasil… - suspirou o Joaquim, desconsoladamente - aquele baixinho, que tem uma estátua em Le Bourget, na França…

- Quem, o tal Santos Dumont ?

- Deve estar revirando-se no túmulo…

- Afinal, o que não se pode compreender, pá, é como um país tão grande….

- Com 8.5 milhões de quilômetros quadrados e um território e um espaço aéreo maiores que o da Europa inteira.

- E mais de 200 milhões de habitantes com a quinta maior população do  mundo…

- Com 380 bilhões de dólares  em reservas internacionais e uma das dividas mais baixas do planeta com relação ao PIB entre as 20 maiores economias.

- Consegue ser....

- E pensar…

- Tão pequeno !

- Ah se a Embraer fosse portuguesa...- concluiu Joaquim - pontuando a discussão com um gole que levou até a última gota de vinho e colocando, decisivamente, quase que de forma abrupta, a taça vazia sobre o pano da mesa - e então, pá, vamos embora ou mudamos de assunto?

A essa altura o nosso capixaba, já tendo pago a conta, não se aguentando mais de curiosidade, decide aproximar-se da mesa, e com a capa ao ombro, pendurada no dedo, já de saída, pergunta de sopetão, arriscando-se a levar um chega pra lá ou uma má resposta dos gajos:

- Os senhores vão me desculpar, mas antes de tomarem essa decisão, posso saber como entendem tanto de tudo isso ?

- Porque somos técnicos aeronáuticos, ó brazuca! Trabalhamos para uma subsdiária da EMBRAER daqui de Portugal, em Évora, e viemos passar o final de semana.


2 de nov de 2018

NÃO TOQUEM NAS RESERVAS INTERNACIONAIS











(Da equipe do blog) - Depois de o governo Temer ter detonado com mais de 200 bilhões de reais deixados pelo governo Dilma nos cofres do BNDES, criminosamente esterilizados com sua devolução “antecipada” ao Tesouro - quando havia um prazo de 30 anos para serem pagos - no lugar de tê-los  
investido em infraestrutura para a a geração de renda e emprego e a retomada de obras paralisadas - muitas dela pela justiça- chegou a hora do Presidente do Itaú, banco que lucrou mais de 20 bilhões de reais neste ano, propor a “saudável” diminuição das reservas internacionais do país - também economizadas pelo PT - para “diminuir” a dívida pública brasileira, que já é das mais baixas entre as 10 maiores economias do mundo.

Ora, não é preciso ser Mandrake para saber que diminuir a poupança nacional é saudável para os banqueiros.

A alegação de que o país precisa contrair dívida para manter as reservas e que o PT teria aumentado a dívida pública para criá-las é furada e uma das principais fake news criadas contra o Partido dos Trabalhadores - uma agremiação  absolutamente incompetente do ponto de vista de comunicação -  nos últimos anos. 

A dívida bruta quando o PT chegou ao poder, em 2002, e o país devia 40 bilhões de dólares ao FMI, era de 80% do PIB e quando Dilma saiu, em 2015, estava em 65%. 

Logo, a balela de que manter as reservas aumenta a dívida - que repassa dezenas de bilhões de reais a bancos como o Itaú todos os anos - é tão falsa quanto aquela que diz que o PT, que deixou quase dois trilhões de reais para o país em caixa, apenas de reservas internacionais e nos cofres do BNDES, quebrou o país que pegou na décima-terceira economia do mundo e que devolveu na oitava posição, em 2015, em quarto lugar entre os principais credores individuais externos dos Estados Unidos. 

Basta ver a situação da Argentina, obrigada a voltar a passar penico para o FMI, para aferir o tamanho da incompetência neoliberal e lembrar que cautela, reservas internacionais e canja de galinha não fazem mal a ninguém - como diria Tancredo.

11 de out de 2018

BEM-VINDOS AO FASCISMO. O BULLYING ELEVADO À ENÉSIMA POTÊNCIA.


(Da equipe do blog) -  Com uma lâmina, uma mulher tem uma suástica escavada na pele, em Porto Alegre.

Um estudante da Universidade Federal do Paraná é levado para o hospital em Curitiba, após ser espancado por integrantes de uma torcida organizada, em frente à universidade, em meio a gritos de apoio ao candidato que está na frente das pesquisas do segundo turno, por estar usando um boné de um movimento social e uma camiseta vermelha.

Um mestre de capoeira, artista e educador baiano, Moa do Katendê,  é assassinado com 12 facadas em Salvador. por um simpatizante e eleitor do mesmo candidato por ter declarado seu voto a favor do PT. 

Ora, o que diria esse candidato se, em vez de ser um maluco, o sujeito que o esfaqueou se declarasse petista, e o candidato do PT, confrontado com o fato, respondesse: - O cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso. O que eu tenho a ver com isso? Eu lamento. Peço ao pessoal que não pratique isso. Mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam.”

Se não pode controlá-los como “lider” político, será que o candidato da extrema-direita vai conseguir controlá-los quando for Presidente?

Quem vai “segurar” certo tipo de policial que acha que é uma  marca de amor, ou de “budismo”, o desenho a faca de um símbolo que levou à morte de 70 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial há menos de 70 anos na barriga de uma moça de 19 anos, porque ela estava vestida com uma camiseta do #elenão, com um apelo político divergente? 

Quem vai conter o guardinha da esquina, que está careca de saber a opinião do próximo presidente da República sobre tortura, abate de “bandidos”, abuso de autoridade, e isenção de ilicitude para agentes do Estado agindo em suposta “defesa da sociedade”, em um país em que policiais matam até policiais “por engano”, quando ele parar em uma blitz, daqui há alguns meses, alguém que ele achar que, por causa de uma camiseta ou de um boné, pensa diferente dele?

Quem vai segurar a mão de quem decidir meter a faca ou as balas da arma cujo porte acabou de receber do Estado, no vizinho ou no interlocutor de bar, quando não concordar com o voto ou a opinião política dele, como aconteceu em Salvador com o Mestre Moa?  

Será que não teria sido mais conveniente, diante da crescente espiral de radicalização, um apelo do candidato vitorioso no primeiro turno em favor da democracia e de que seus “seguidores” evitassem, no futuro, o uso da violência como arma política, como ele acabou fazendo, em uma pequena nota no twitter, posteriormente?

Ou o país virará um caos quando ele for eleito, e o ódio explodir desatadamente, por parte de seguidores sobre os quais ele diz não ter controle, e o “governo” se comportar como Pilatos, olhando para o outro lado, e lavar, a cada vez que algo assim acontecer, suas mãos na bacia da hipocrisia, não mais cheia de água, mas de sangue?

Na  Alemanha Nazista, na qual, emulando o Deutschland Uber Alles, que inspirou o slogan Brasil acima de tudo, Hitler também não segurou o porrete que quebrou cabeças de famílias judaicas e de suas crianças ou as pedras que destruíram milhares de vitrines de lojas de judeus alemães e centenas de Sinagogas na Kristallnacht, nas ruas das grandes cidades germânicas, em novembro de 1939.

Ou os relhos empunhados por oficiais das SS que expulsavam ao alvorecer judeus e ciganos de suas casas e de suas carroças cobertas nas florestas da Europa Central, para massacrá-los nos bosques e montanhas.

Ou os pedaços de ferro que se abatiam com violência inominável, entre urros de dor das vítimas, e grunhidos de êxtase dos seus algozes, sobre os corpos nus de judeus e de socialistas mortos em brutais pogroms, registrados pelas câmeras de sorridentes cinegrafistas nazistas, como o que ocorreu nas  ruas de Lvov, na Ucrânia, em 1941 - cujas cenas deveriam ser vistas por todos os brasileiros no youtube.

Nem pressionou o gatilho das armas que eram disparadas contra a nuca de crianças e mulheres ajoelhadas na beira das fossas que haviam acabado de abrir com as próprias mãos, por membros dos Einsatzgruppen.

Nem “organizaram” com pancadas de cilindros de oxigênio e chicotes de fio elétrico trançado,  fazendo com que  se enfiassem, uns atropelando os outros, como sardinhas, no último corredor que levava à sala escura da câmara de gás de campos de extermínio, como Maidanek, na Polônia, a "fila" de idosos e de seus netos recém desembarcados de vagões de trens para transporte de gado, depois de dias de viagem sem água ou alimentos através da Europa.  

Mas as mãos de Hitler armaram todas as mãos que fizeram isso quando ele chegou ao poder.

Elas avisaram, incentivaram, profetizaram, escreveram, claramente, em um livro, o Mein Kampf, o que iria acontecer caso ele viesse a ocupar o mais alto cargo político da Alemanha.

Sustentando seu dono durante seus discursos, proferidos caninamente, em meio a nuvens de perdigotos de ódio, contra  os socialistas, os comunistas e os judeus, nas manifestações do Partido Nazista  e, pelo rádio, para milhões de residências  alemãs, onde eram ouvidos, contritos, por milhões de imbecis enfeitiçados pelo ódio e o preconceito, enquanto o coro monocórdico da multidão enfurecida gritava, por trás do som gutural de seus insultos, Heil! Heil! Heil! Heil!

Mobilizando milhares de “seguidores” que, como fazem hoje outros milhares de “seguidores” em nosso país, começaram a sua carreira de “militantes” jurando matar comunistas e socialistas depois que seu líder chegasse ao poder e terminaram fazendo experiências genéticas, sabão de sebo humano e móveis de pele de homens e de mulheres  em campos de extermínio como Treblinka, Auschwitz, Sobibor, Dachau, Flossenburg, Buchenwald.

E olha que naquele tempo não havia internet nem redes sociais, nas quais,  sem nenhuma interferência das autoridades, se espalha já, há mais de dez anos, uma maré montante de esgoto de ódio, calúnias, ameaças e mentiras no Brasil, que, como a irresistível marcha de um infernal Flautista de Hamelin, penetrou de forma profunda e doentia na mente de boa parte da população, depois que suas comportas foram abertas  pelas bandeiras calhordas da antipolítica, de um pseudo morolismo hipócrita e de uma suposta doutrina anticorrupção corrompida, ela mesmo, pelos demônios do corporativismo, da egolatria, da parcialidade, da seletividade, do partidarismo, e da  abjeta sujeição aos interesses estrangeiros.

Ah! se cada cidadão brasileiro pudesse perceber o que está ocorrendo à nossa volta.

Mais  do que saber se o seu candidato poderá controlá-los, importa entender como esses “seguidores” veem a si mesmos.

Como mostram os modelos musculosos que servem para  a venda das suas camisetas, metidos,  “malhados”, com uma expressão de grosseria contida e de vaga estupidez sobressalente.

Qual é a mensagem subjacente?

Que o fascismo é a primazia dos mais fortes sobre os mais fracos?

Dos covardes contra os indefesos?

Das armas sobre a inteligência?

Da pseudo maioria sobre aquele que é ou que pensa diferente?

Ora, o leitor já deve ter cruzado por aí,  no seu antigo colégio, na rua, no bar, ao longo de sua vida, com esse tipo de gente.

O fascismo é o bullying institucionalizado.

O  bullying elevado à enésima potência, à categoria de uma pseudo ideologia do egoísmo, do preconceito, da violência e da brutalidade.