20 de jun de 2018

‘MOROLISMO”, “JUSTICIALISMO”, “POLICIALISMO” E O NOVO DICIONÁRIO POLÍTICO BRASILEIRO.



(Do blog com equipe) - Se viéssemos a escrever um novíssimo dicionário político brasileiro destinado a ajudar a entender o que está acontecendo com o país nos dias de hoje, há certos verbetes que não poderiam, com certeza, faltar nessa apressada obra. Deixando a ordem alfabética de lado, poderíamos começar pelo TEMERISMO, como quase todo projeto neoliberal, um sinônimo de austericídio e de entreguismo, que, no caso, além de nefasto para o país, é praticado metendo os pés pelas mãos, no estilo tripatetário, como se viu pela greve dos caminhoneiros derivada da desastrosa gestão da política de preços da Petrobras. Ou pelo MANETISMO, praticado, apática, descoordenada ou displicentemente, pelo exército - com o perdão do uso do termo politicamente incorreto - de “manetas” virtuais composto por dezenas de milhares de cidadãos democratas, nacionalistas, desenvolvimentistas, ou de esquerda, que agem como se tivessem tido as mãos amputadas na sua permanente e acachapante negativa em dar combate e enfrentar os fascistas e com eles disputar os espaços de comentários dos principais portais e veículos de comunicação, dando à massa indecisa que se informa pela internet e ao mundo inteiro, de resto, não apenas a impressão, mas muitas vezes a certeza de que a visão e as opiniões da extrema direita são amplamente majoritárias, hoje, no seio da opinião pública brasileira. Vide, por exemplo, a repercussão à absolvição de Gleisi Hoffman pelo STF, ainda hoje, em que as opiniões contrárias a ela e ao PT ganham de 10 a 1 das que atacam a segunda turma do STF pela posição tomada em defesa da necessidade de provas cabíveis para a condenação em casos semelhantes. Isso em um país em que o PT afirma ter mais de 2 milhões de filiados ! Mas os mais importante verbetes, desse novo léxico que anda faltando em nossas reais e mentais prateleiras, seriam, para efeito do atual momento político, o MOROLISMO - movimento baseado na idolatria da egolatria e na prática de um pseudo julgamento moral caracterizado pela distorção da realidade, o preconceito rasteiro, a mais descarada parcialidade, a seletividade e a hipocrisia, além da negação da Lei, da Constituição e do Estado de Direito, intimamente sustentada pela convicção de que os meios acabam por justificar os fins, principalmente quando esses fins são ideológicos. E o seu filho direto e dileto, o JUSTICIALISMO (nada a ver com a acepção argentina do termo como sinônimo e uma espécie de denominação mais formal do peronismo) - um movimento não oficialmente organizado, caracterizado, desde que nasceu, com as famigeradas 10 Medidas contra a Corrupção, pelo endeusamento farisaico da justiça como instituição supostamente voltada para a purificação e correção de todos os males nacionais, destinada por Deus, na hora em que passou certos sujeitos em concurso, a: - tutelar a República - exemplar os representantes eleitos - mitigar os males provocados pelas escolhas eleitorais da pobreza Desde que ela, essa espécie de “justissa”, persiga e castigue apenas os desafetos e defenda e proteja apenas os objetivos e a visão ideológica dos próprios justicialistas. Isso faz com que, mais que entre “punitivistas” e “garantistas”, os membros da Suprema Corte, do Ministério Público e do Judiciário, se encontrem atualmente divididos entre justicialistas, abrigados em organizações de classe arraigadamente corporativistas e forças-tarefas e operações que se transformaram em verdadeiros partidos políticos; e os constitucionalistas, que mais recuam que avançam, e observam, perplexos, o que está acontecendo com o país, juntando-se, alguns, em torno de instituições marginalizadas pelo sistema jurídico-midiático, como a Associação Juízes para a Democracia, e os dissidentes do Ministério Público Democrático que - em virtude da direitização da entidade - deixaram a organização em 2016. Às vezes, vencem os constitucionalistas, como aconteceu ontem, com o julgamento da Presidente do PT e há alguns dias, com a proibição, por um único voto, da condução coercitiva, depois que esse instrumento fascista e arbitrário, digno da Gestapo, foi usado mais de 200 vezes para pressionar, no mais puro estilo torquemadiano, dezenas de “delatores” que contribuíram, com sua deduragem “voluntária” arrancada a fórceps e com seu medo de vir a ser presos “provisória” e indefinidamente, para a construção da narrativa distorcida e mendaz da Operação Lavajato. Nesse bolero com as circunstâncias, à base de cinco passos para trás e um para a frente, os constitucionalistas às vezes ganham, mas nem sempre levam. Como constatou certo ministro do STF outro dia, deparando-se com grande número de mães com filhos de menos de 12 anos de idade em uma prisão que estava visitando, apesar de decisão proibindo essa prática ter sido promulgada pela Suprema Corte desde fevereiro deste ano. Porque, na maioria das vezes, neste país, triunfam o arbítrio, o casuísmo, a exceção, a mentalidade meramente repressiva, a vontade do delegado de plantão que autorizou a prisão, ou a dos carcereiros que instituem e aplicam as próprias leis dentro do muro das cadeias, especialmente contra aqueles que não contam com assistência jurídica, com o mais absoluto desprezo pelo sistema que deveria controlá-los, e, quando necessário, coibi-los. Afinal, estamos em uma nação em que ministros da mais alta corte do país são insultados impunemente por procuradores saídos, há pouco do cueiro e por centenas, milhares de hitlernautas, todos os dias, sem nenhuma reação digna desse nome, quando deveriam todos eles ser imediatamente processados e punidos, em benefício ao menos da preservação das instituições. Há ingênuos e “espertos”, nas filas da “justiça”, principalmente entre jovens procuradores e juízes que nunca leram nada a não ser as apostilas de seus cursinhos de concurso, que sonham com o momento em que o Brasil irá transformar-se, de facto, na primeira República Justicialista do mundo. Um sistema político não oficializado, no qual deputados, senadores, governadores e prefeitos ficariam permanentemente submetidos, principalmente após o fim do foro privilegiado, à tutela, vigilância, monitoramento, vontades e mandato - que não depende de voto - de procuradores e magistrados, especialmente os de primeira instância. Sonha, Marcelino, sonha - como o milagroso personagem do velho filme espanhol da época do franquismo. Eles se esquecem que o Morolismo e o Justicialismo têm, ambos, as mesmas raízes punitivistas e arbitrárias que cresceram na vertente conservadora e anacronicamente anticomunista que deu origem e fortaleceu, em tempos recentes, outros verbetes de nosso glossário, como o INTERVENCIONISMO e o POLICIALISMO, derivado, este último, principalmente da vasta indústria do medo que defende a expansão contínua do aparato repressivo do país que mais mata no mundo como única solução para os problemas de segurança, e se sustenta em conceitos como o de “anti-direitos” dos “manos” e o de “bandido bom é bandido morto”, que mataram Marielle Franco e seu motorista e levaram uma milícia brutal, corrompida e assassina, composta em sua maioria por ex-agentes de segurança, ao poder em dezenas de comunidades do Rio de Janeiro. Presentes dentro e fora do Congresso, e nos dois lados da lei, há policialistas convictos que são corporativistas; aqueles que acham que policiais têm que ter cada vez mais privilégios e ganhar salários cada vez mais altos, ocupando, como uma particular casta, uma posição muito acima que a dos cidadãos comuns; e aqueles que acreditam e defendem que o policial pode cometer qualquer tipo de crime, desde que ele - supostamente - o faça “em nome” ou na sua condição de “defensor” da sociedade. São os policialistas - que simulam apoiar e estar ligados aos preceitos aparentemente inatacáveis do morolismo e do justicialismo - e que estão contando com a “justissa” para tirar Lula da eleição para que possam eleger seu candidato, que sairão vitoriosos da parada e tomarão conta do país, destruindo depois, como fez o escorpião com a tartaruga, aqueles que os estão ajudando a atravessar o Rubicão agora. Ao contrário do que eles mesmos pensam, o protagonismo de certos procuradores e juízes de primeira instância não aumentará, no médio e no longo prazo, se Lula continuar preso e for proibido de disputar - por única e exclusiva responsabilidade da justiça brasileira - as próximas eleições. Pelo contrário, ele diminuirá, da mesma forma que irá se enfraquecer, ainda mais, a democracia e o Estado de Direito como um todo. A justiça normal, e a justicialista - com seus diplominhas e regabofes no exterior, seus togados e engravatados, e suas glamourosas e bajulatórias capas de revista - assistirão - caludas! - à inversão das relações de poder, quando os ministérios estiverem todos nas mãos de militares conservadores e autoritários da reserva e a maioria dos cargos de confiança do Estado ocupados por pms, policiais federais e civis. Ou alguém acha - prestemos atenção aos eloquentes sinais silenciosos - que é por acaso - a exemplo do que acontecia às vésperas das eleições de 1932 na Alemanha, quando todo membro das forças de segurança tinha um uniforme das SA em casa - que nada menos que 65 policiais “voluntários” tenham se oferecido para fazer a segurança de certo pré-candidato à presidência da República em uma recente “reunião”, outro dia, em um evento no qual, entre outros mimos, vendiam-se camisetas fazendo a apologia de acusados de tortura? Afinal, se, na ausência da balança serena e equilibrada da boa justiça, os libelos acusatórios distorcidos e irresponsáveis de procuradores barbados e imberbes e os martelos dos juízes partidários e seletivos de primeira instância têm poder… muito mais força - onipotente, ilegítima, antidemocrática, absoluta - terão os porretes dos soldados e dos porões e os fuzis e até mesmo os revólveres dos guardinhas de esquina, no governo arbitrário e policialesco que, nascido do casuísmo político que muitos estão tentando consolidar como favas contadas agora, irão - se a justiça brasileira (e os manetistas) não corrigir a tempo seu rumo - mandar muito, mas muito mais e mais impunemente ainda, a partir do próximo ano.

14 de jun de 2018

CRISE ARGENTINA ESCANCARA A TRAGÉDIA DA INCOMPETÊNCIA NEOLIBERAL E DESMENTE MAIS UMA VEZ O MITO DE QUE O PT QUEBROU O BRASIL.

(Do blog com equipe) - O pedido de penico da Argentina ao FMI, de 50 bilhões de dólares, uma situação impensável no governo Kirchner, que zerou o passivo do país com a instituição e diminuiu a dívida pública em dois terços, mostra o perigo de se entregar o país aos “analistas” do mercado, que só pensam em manipular investidores e promover a especulação, e em mentir descaradamente a serviço de uma mídia mendaz e hipócrita, na televisão e em outros meios de comunicação.


Quando Nestor Kirchner subiu ao poder, depois do desastroso governo austericida e conservador - na economia - de Fernando De La Rúa, as reservas internacionais argentinas eram de 14 bilhões de dólares e a relação dívida pública-PIB de 135% - uma das mais altas do mundo.

Quando sua mulher, Cristina Kirchner, que o sucedeu, saiu do poder, em 2015, a Argentina havia pago sua dívida com o FMI, as reservas eram de quase o dobro e a relação dívida-PIB quase três vezes menor, ou de 42% do PIB, mesmo com os pagamentos feitos aos fundos “abutres” que não aceitaram a renegociação da dívida nacional anterior à era Kirchner, determinados pelo juiz Griesa, de Nova Iorque.

Mas de nada adiantou esse esforço.

A relativa dignidade argentina - com todos os problemas e desafios enfrentados pelos governos Kirchner - durou menos que uma década.

Em apenas dois anos, a administração neoliberal, conservadora, entreguista, “pró-mercado” do governo Macri conseguiu aumentar a dívida pública do país em 10 pontos percentuais, para 56% do PIB, a inflação, no ano passado, foi de 25% e neste ano já passa de 15%.

Levando Buenos Aires a pedir novamente, depois de muitos anos, arrego ao Fundo Monetário Internacional.

I

Quase exatamente - lembram do efeito Orloff ? - o que está começando a acontecer aqui.

Cantinho do mundo em que o governo neoliberal e entreguista atual recebeu o Brasil com uma relação dívida bruta-PIB de 63% e está correndo o risco de repassá-la ao próximo governo, no final do ano, próxima de 80%;

Com um aumento de mais de 16 pontos percentuais em pouco mais de dois anos, quando ela diminuiu, tanto no conceito bruto como no líquido - consultem os dados do Banco Mundial - nos 12 anos dos governos do PT.

Se Temer também ainda não está, como Macri, batendo às portas do Fundo Monetário Internacional, agradeça-se não ter tido ainda tempo, com as atitudes que anda tomando, de obrigar o país a tomar esse caminho.

E também aos governos nacionalistas anteriores, que pagaram em 2015 a dívida que FHC deixou com o FMI, de quarenta bilhões de dólares, e ainda multiplicaram por 10 as reservas internacionais, de 37 bilhões de dólares em 2002, para 370 bilhões de dólares em 2016.

O patamar em que se encontravam quando do desfecho da conspiração parlamentar, jurídica e midiática golpista que tirou - ao som das panelas e dos foguetes de milhares de otários - a Presidente Dilma Roussef do poder,

A ponte para o “futuro”, do neoliberalismo abjeto e antinacional está dando certo na Argentina.

Já conseguiu levou o país do tango e das empanadas de volta para o passado e - de banho tomado, chupeta, pijaminha de seda e gumex no cabelo - de novo para o colo do Fundo Monetário Internacional.

Enquanto, por estas bandas, a parcela da mídia mais farsante e solerte continua insistindo, com asseclas próprios, além daqueles que são “convidados” e alugados, no discurso único, parcial, falacioso e calhorda de que o PT quebrou o Brasil.

Um país que já arrecadou um trilhão de reais em impostos este ano, produz quase três milhões de barris de petróleo por dia e é - ainda hoje - para a tristeza de certos vira-latas americanófilos que aqui coaxam permanentemente - o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, como se pode conferir no site do tesouro dos EUA.

Mas, afinal, se o povo ficasse sabendo disso, como continuar destruindo os bancos públicos, os direitos dos trabalhadores e entregando o país aos gringos, a preço de banana, como se está fazendo permanentemente nesse governo ?

6 de jun de 2018

A COLÔMBIA NA OTAN E OS PROTOCOLOS DA CAPITULAÇÃO

(Do blog com equipe) - Se tivesse tempo, um artigo cada vez mais escasso no meu caso, gostaria de escrever um livro que poderia se chamar “garrafas ao mar”, ou “notas ao pé da história” na esperança de que estas linhas fossem lidas por alguém daqui a algumas décadas, do qual constaria um extenso capítulo chamado os "diários" ou "protocolos" da capitulação, para descrever - com nomes, datas e fatos - os tempos vergonhosos que estamos vivendo;


Tempos temerários - no sentido de sua irresponsabilidade e imprudência - com relação ao que estamos fazendo com o nosso futuro como nação.


Só a janela aberta, inesperadamente, em termos históricos, por meio de um impeachment espúrio, para a repentina ascensão de um governo ilegítimo e antinacional ao poder, consegue explicar a ofegante sofreguidão - de caráter quase sexual - com que o Brasil tem sido entregue - sem planejamento, sem discussão, sem estratégia alguma - a seus concorrentes e a eventuais controladores externos, nestes anos de sabotagem da democracia, que culminaram com a interrupção do processo democrático, no momento da queda da Presidente Dilma e podem levar o país ao fascismo, a partir do próximo ano.     


De um país que saiu da decima-quarta economia do mundo em 2002, para a sexta maior do planeta em 2011, que lançou o BRICS, que quintuplicou o PIB em dólares, que pagou a dívida com o FMI, que estava construindo tanques, submarinos - incluído um de propulsão atômica - aceleradores de partículas, caças supersônicos, aviões de transporte militar, radares, fuzis de assalto, mísseis de saturação e até mesmo de cruzeiro, nos transformamos  em uma republiqueta de bananas, quase da noite para o dia.


A cargo de uma administração que, embora não consiga assegurar a chegada de combustíveis aos postos de gasolina, assinou documentos garantindo a entrega de centenas de milhões de barris das reservas de petróleo do pré-sal para empresas estrangeiras, algumas delas estatais, ou sob controle de governos de outros países.


Que negocia a entrega - a repetição do verbo é intencional, não de estilo - da EMBRAER para a Boieng, com o estabelecimento de uma parceria que lembra aquela que o porco firmou com a galinha para vender ovos com bacon.


Que, em um momento em que os EUA repassam seu programa espacial para a iniciativa privada - vide a Space-X, de Elon Musk,   - pretende entregar o controle da Base Espacial de Alcântara para os Estados Unidos - sem ao menos pensar em equilibrar essa doação com a negociação da construção de outras bases espaciais em nossa linha do Equador em aliança com outras nações, muito mais propensas a nos transferir tecnologia, como a Rússia, a Índia e a China.

Que pretende também entregar os nossos céus, agora, sem restrições, com a cumplicidade do Congresso, a companhias aéreas estrangeiras.


Em um país que desfila - em discutíveis marchas em que todos os fascistas comparecem, menos Jesus, porque esse nunca foi fascista - defendendo a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, com bandeiras de Israel, saudando a direita sionista,


Um governo que abandona - coisa que nem mesmo os militares ousaram fazer - a doutrina de não interferência em assuntos internos de outras nações, para comandar na OEA - Organização dos Estados Americanos, lado a lado com os EUA - ao contrário do que fizemos com Cuba, em 1962, quando nos abstivemos - o indecente processo de cerco contra a Venezuela.   
     
Enquanto isso, as verdadeiras intenções do “ocidente” com relação ao Brasil, ficam cada vez mais claras, com o processo de “ucranização” da Colômbia e sua entrada na OTAN e também na OCDE, aqui celebrado por viralatas inquietos como um sinal do sucesso daquele país e do “atraso” brasileiro nas relações internacionais.


Não se entende que da mesma forma que o avanço do processo de entrada de Kiev na OTAN - no dia 10 de março de 2018 essa organização reconheceu o status da Ucrânia como “país candidato” -  está voltado para completar o cerco do “ocidente”, por meio de países satélites, contra a Rússia; a entrada da Colômbia na organização, longe de estar sendo feita contra a Venezuela, dá início a cerco semelhante do Brasil por nações sob o mando militar da Europa e dos Estados Unidos, com a possível instalação, no futuro, de mísseis do outro lado das nossas fronteiras - como ocorreu com a recente colocação de foguetes “Patriot” na Lituânia dirigidos contra a Rússia - que estarão voltados não para Caracas, mas para as principais cidades e alvos militares brasileiros.


A estratégia geopolítica “ocidental” é clara.


Sabotar-nos e cooptar-nos ou nos cercarmilitarmente, espalhando bases em países que estiverem em nossas fronteiras.


Assegurar a eleição de governos fantoches de direita - no caso da Ucrânia foram governos de inspiração neonazista - assim como estão tentando fazer em volta da Rússia de Putin, e, em menor escala, com a China, que está fortalecendo sua presença na Ásia e no Pacífico e não lhes permite essa ousadia.


Para inviabilizar, com isso, a continuidade do BRICS, a única alternativa multilateralista capaz de desafiar a hegemonia anglo-saxã no mundo e a principal razão de ordem externa por trás dos golpes sofridos pelo PT, nos últimos anos, e de Lula estar sendo mantido na cadeia, afastado das eleições presidenciais.


Uma missão cumprida por uma justiça dócil, ou, no mínimo simpática aos interesses norte-americanos e “ocidentais”, treinada, manipulada e corrompida, pelos gringos, com cursos de “liderança”, seminários de “cooperação”, espelhinhos e miçangas, como vemos com os regabofes para Moro promovidos pelos Estados Unidos e países satélites, em terras estrangeiras.         


O objetivo é controlar o Brasil tirando-nos todos os instrumentos - como os bancos públicos, a EMBRAER, a Base Espacial de Alcântara, a Petrobras e o pré-sal - que possam possibilitar o nosso desenvolvimento autônomo, consolidando, a partir disso, com o fim da UNASUL e do Conselho de Segurança da América do Sul, o domínio  do nosso subcontinente, já que, como disse Richard Nixon, certa vez, “para onde for o Brasil, também irá a América Latina”.


Quanto à OCDE, aqui celebrada pela coxinhice ignorante e viralatista como um clube de países desenvolvidos, é mais uma organização factoide, criada para enfraquecer a cooperação sul-sul, sem nenhuma importância geopolítica concreta, a não ser a de ajudar a manter sob controle os países menores que se candidatam a entrar nela.


Se fosse um clube de ricos, a OCDE não contaria com o México - a não ser como mordomo - um país que, apesar de ser membro dessa organização e do NAFTA há muito tempo, tem hoje mais pobres do que tinha há 20 anos, como afirma, apoiado pelas estatísticas de praxe, o candidato às eleições presidenciais de julho naquele país, Ricardo Anaya.


Iludem-se aqueles que acreditam que, entregando de mão beijada o Brasil ou entrando, em um futuro cada vez mais provável - depois que já estivermos cercados por suas bases - para a OTAN,  como “sócio global”, como está fazendo a Colômbia - um eufemismo para colônia de terceira classe, muito abaixo, portanto, de países satélites como a Polônia ou a Hungria; e nos alinhando geopoliticamente aos Estados Unidos e à Europa, abandonando qualquer veleidade de desenvolvimento autônomo, apesar de controlarmos o quinto maior território e população do mundo, que nos foi legado,  à custa de sangue, suor e coragem, por nossos antepassados, iremos nos transformar, daqui a uns 50 anos, em uma espécie de Austrália.


Acorda, Muttley!

Não se iludam, coxinhas!


Por aqui não temos cangurus, nem somos todos branquinhos, de olhos verdes e azuis, não merecemos ser súditos da Rainha, não temos entrada franca nos EUA, nem pertencemos à Commonwealth - somos devovidos dos aeroportos europeus, aos magotes, mesmo quando estamos indo a turismo, gastar dinheiro.


Independência, altivez, soberania?


-Nevermore! Diria o corvo de Edgar Allan Poe.

Neste caminho, o que nos espera é o glorioso destino mexicano - tão longe de Deus e tão perto dos EUA, segundo Porfírio Diaz, coitados - um “sócio” ocidental em vias de ser aprisionado por um muro em que poderia ser perfeitamente afixado, do lado norte-americano, um cartaz com um “mantenha do outro lado os animais” escrito, que, hoje, por mais que exporte maquilas não consegue ter os superávits brasileiros, no qual o salário mínimo em janeiro de 2018 foi de 4,6 dólares por dia, ou entre 300 e 400 reais por mês, tirando os finais de semana.           


Não há nada mais indecoroso do que entregar um país depois de exterminar seus sonhos, com um banho altamente tóxico de mentiras e hipocrisia.


Ao fazer o que está fazendo - o que inclui a provável desnacionalização da Eletrobras, uma das maiores distribuidoras de energia elétricas do mundo, também a preço de banana - apesar de ter arrecadado em impostos cerca de um trilhão de reais no primeiro semestre e de estar sentado sobre 380 bilhões de dólares em reservas internacionais herdadas, em mais 95%, dos governos Lula e Dilma - o atual governo assina, sob o olhar implacável da História,  os protocolos da capitulação de uma nação que há alguns anos pretendia ser grande, independente e forte, e que, devido ao avanço da subserviência e de um movimento de extrema-direita abjeto, derivado das costelas do lawfare, do coxismo, do golpismo e do entreguismo apátrida, tão em voga na internet nos dias de hoje, está cada vez menor, tanto no contexto moral quanto no geopolítico.

5 de jun de 2018

"DEU RUIM" NO GOVERNO. CHAMEM OS TRÊS PATETAS, POR FAVOR !

(Do blog com equipe) - Como avisamos que iria acontecer, quando o governo fez seu teatrinho e anunciou, pela primeira vez o “acordo” com os caminhoneiros, não adiantou diminuir impostos nem tabelar em 36 centavos a queda de preço - os outros combustíveis continuam aumentando - que o valor do diesel não caiu nem a pau nas bombas dos postos de gasolina.


Segundo a ANP, pelo contrário, o lucro dos postos aumentou brutalmente durante a crise, mostrando que, neste maravilhoso sistema capitalista abençoado pelo deus argentário das igrejas multitudinárias que vendem água de torneira, em que vivemos, não existe solidariedade, patriotismo e cidadania e os interesses estão voltados, primeiro, para o próprio bolso, quando se trata do “empreendedor” brasileiro.   


A solução, que o governo se recusa a enxergar, dirigindo o país com a firmeza   de um cachorro que caiu do caminhão de mudança e de forma mais desastrada que o trio de personagens de Moe, Larry e Curly, dos Três Patetas, passa por permitir a compra de combustível por associações e cooperativas de caminhoneiros direto das distribuidoras e, principalmente no  interior, dos produtores de biodiesel; aumentar imediatamente a produção de diesel nacional nas refinarias da Petrobras, abandonando a política parentista de importar cada vez mais combustível norte-americano que tem que ser pago em dólar; e parar de vender de maneira frankensteiniana, a preço de banana, como se de um cadáver se tratasse, pedaços da estrutura da Petrobras para os gringos, fazendo com que a empresa se veja impedida de ganhar em todas as fases - do poço ao posto - os recursos de que necessita para cumprir, agora e em longo prazo,  o seu papel estratégico de abastecer o país. 

4 de jun de 2018

O TCU E OS “PREJUÍZOS” DO BRASIL NA VENEZUELA E EM CUBA.



(Do blog com equipe) - A imprensa informa que o Tribunal de Contas da União estaria “investigando” as administrações  petistas por supostos prejuízos dados ao BNDES, com o financiamento, em condições subsidiadas, de governos “vermelhos”, como os de   Cuba e Venezuela, na construção de obras como o Porto de Mariel e o metrô de Caracas.
O financiamento da exportação de serviços e obras para o exterior vem do tempo dos governos militares, vide as obras da Mendes Jr. no Iraque, por exemplo.
Segundo publicado, os "subsídios" a Cuba teriam ocorrido no prazo concedido para pagamento, com 300 meses para pagar no lugar dos 120 usuais.


Tudo isso, na extraordinária quantia de 68 milhões de dólares, oito vezes menos do que o Brasil exporta por dia; 0,03% do 1 trilhão de reais que, segundo o impostômetro, foi arrecadado pelo governo neste ano, até ontem, 4 de junho ; ou mais ou menos o que o governo federal transferiu do orçamento público para os  bancos, em juros, a cada 5 horas, no ano passado, sem gerar um miserável emprego, com relação aos que foram criados para brasileiros, dentro e fora do país, pelo projeto do Porto de Mariel, na engenharia, na fabricação e transporte de veículos e equipamentos, etc, etc, etc.

A imprensa brasileira também "informa" que o porto cubano seria um fracasso devido ao esfriamento da aproximação dos EUA com Cuba com a vitória de Trump e o pequeno número de empresas instaladas na sua zona de desenvolvimento até agora.

Até fevereiro deste ano, já estavam funcionando na zona industrial do porto a sul-coreana Arco33, a Womy Equipment holandesa, a francesa Bouygues, a portuguesa Engimov Caribe, a espanhola Tecnologias Constructivas, a Bihn Global do Vietnã, e até mesmo grandes multinacionais ocidentais como a UNILEVER e a Caterpillar..

Por outro lado, pode ser um equívoco achar que o projeto do Porto de Mariel foi feito pensando apenas na proximidade com os EUA, embora esta possa ser importante para ele no futuro.

O que está por trás do seu projeto é, principalmente, a construção pela China do canal inter-oceânico da Nicarágua, que concorrerá com o canal do Panamá, e que está programado para receber mais de 5000 navios por ano.

É para esse canal que o porto cubano operará como entreposto de containers, com o transbordo de mercadorias fabricadas na China para navios menores, para distribuição dirigida para seus clientes finais nos quatro quadrantes do Atlântico.     


Já no caso venezuelano, Caracas teria dado um “calote” de pouco mais de 300 milhões de dólares ao Fundo de Garantia à Exportação e  ao Banco Credit Suisse.


Vinte vezes menos, portanto, que o lucro que o Brasil teve no comércio com a Venezuela, apenas em 2012, quando o superávit com aquele país foi de 6 bilhões  de dólares - ou quase 20 bilhões de reais, com tudo o que isso representa em termos de empregos - líquidos - em nosso país para possibilitar a exportação de bens nesse valor.

Tudo isso alcançado graças, justamente, à política de aproximação com a Venezuela, obtida também, naturalmente, com o financiamento de projetos de engenharia naquele país pelo BNDES.

Como fazem, com seus bancos de fomento, em todo o planeta, as nações mais poderosas do mundo.


O EXIM, Export-Import Bank of the United States, o BNDES dos EUA - para quem defende que só se invista aqui dentro, um país com mais de 40 milhões de miseráveis  segundo o USA Census Bureau e sequer um sistema de saúde pública que possa atender mal e porcamente, como muitos afirmam que acontece aqui, o cidadão comum norte-americano - investiu, apenas nos últimos 5 anos,  140 bilhões de dólares no financiamento em exportações e obras no exterior, gerando, aproximadamente. 785.000 empregos.


O mesmo fazem outros bancos públicos semelhantes, do Japão, Coréia do Sul, China - o maior do mundo - e Alemanha.


Que, naturalmente, como qualquer quaisquer outras instituições financeiras, têm prejuízos em algumas operações e ganhos em outras.


Cumprindo todos eles, no entanto, um papel fundamental na projeção geopolítica de seus respectivos países no exterior, como tem que fazer, bem ou mal, o Brasil, que não pode ficar fazendo conta de padaria, tratando-se, como se trata, da nona maior economia e do quinto maior território e população da planeta.


Desta nobre esfera azul, na qual, ao contrário do que insiste em dizer o discurso neoliberal hipócrita e mendaz vigente, o Estado está cada vez mais forte e presente, como mostram exemplos como a própria China e o "pacote" de investimentos de um trilhão de dólares em infraestrutura, projetado pelo governo Donald Trump para reaquecer a economia dos EUA.     


Uma realidade que se faz questão de manter ignorada, quando não é ridicularizada e desprezada pela raça de vira-latas entreguistas e americanófilos apátridas em que estamos nos transformando.


Mesmo assim, se o negócio dos Ministros do TCU é medir um país como uma quitanda de esquina, pelas meras colunas de perdas e ganhos - como uma nação que não merece ter maiores preocupações estratégicas ou  legítimos anseios geopolíticos - vamos aos números, da Brasil Ltda (ou S.A,  como queiram) no tempo em que esteve sob a “antiga” direção, indicada pelo voto direto, entre os anos de 2003 e 2015, período no qual o PIB brasileiro em dólares  chegou a se multiplicar por cinco, depois de recuar - segundo estatísticas do próprio Banco Mundial, junto com a renda per capita - nos malfadados oito anos do governo neoliberal de Fernando Henrique:


Lula e Dilma deram um prejuízo de menos de 400 milhões de dólares ao Brasil em empréstimos do BNDES a empresas brasileiras  - para a criação de empregos com essas operações, para brasileiros, dentro e fora do Brasil, por meio da exportação desses serviços para Cuba e Venezuela?


Não, senhores conselheiros do Tribunal de Contas da União.


Na ponta do lápis, eles deram mais de 800 vezes esse valor, em dólares, de lucro ao país, com o pagamento da dívida com o FMI, de 40 bilhões de dólares em  2005, e o acúmulo de mais 380 bilhões de dólares em reservas internacionais - boa parte delas em comunistíssimas aplicações em títulos do governo norte-americano - que nos levaram à condição que ainda conservamos, a duras penas - de quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, como os senhores podem conferir no site oficial do tesouro dos EUA, procurando por mayor treasuries holders no Google.


Sem aumentar - como se mente descaradamente por aí - a dívida pública, já que tanto a Bruta como a Líquida foram entregues por Dilma Roussef a Michel Temer em patamares inferiores aos que estavam, com relação ao PIB, às vésperas de Lula assumir o poder, em dezembro de 2002.

Os governos Lula e Dilma deram prejuízo ao BNDES?


Não que se saiba, por mais que se tente enganar e manipular a população brasileira.


Fora os mais de 1.2 trilhões de reais deixados em reservas internacionais, eles ainda legaram ao país, no caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, mais 260 bilhões de reais em dinheiro, que foram usados criminosamente pelo governo Temer para pagar “adiantadamente” ao Tesouro uma dívida que poderia ser liquidada, como estava programado, em 30 anos.


Uma verdadeira montanha de recursos que poderia ter sido utilizada na retomada de obras interrompidas de forma suicida pela justiça nos últimos quatro anos.


Para tentar substituir ao menos alguns das centenas de milhares de empregos eliminados sem nenhuma necessidade - para investigar corruptos não é preciso nem se deve massacrar empresas e riqueza, trabalhadores, investidores, acionistas, fornecedores - pela autêntica bomba de nêutrons da Operação Lavajato.


Seria bom que certos órgãos - cuja assessoria tem plena ciência desses dados - e certa mídia deste país, parassem agir como se estivessem se esforçando para ludibriar o Brasil permanentemente, mostrando apenas um dos lados da moeda.


Por mais que se tente, com isso, imbecilizar a nação, a verdade é que nem todos, neste país, pertencem à  espécie - que vem se multiplicando, nos últimos tempos, principalmente na internet, como vermes imersos em chorume - dos idiotas e energúmenos.

1 de jun de 2018

MORO E A APOSTA DOS EUA


(Do blog com equipe) - Da mesma forma que a História não desculpará ao Supremo, por sua leniência, a intervenção da Lava Jato no processo político e eleitoral em curso, com a surreal condenação e prisão de Lula e a  clara, direta consequência da entrega do país - se as coisas continuarem como estão - a Bolsonaro em outubro, ela não perdoará à mesma operação a destruição neutrônica do Brasil e da engenharia brasileira e o enterro judicial dos projetos estratégicos que estavam destinados a aumentar a nossa independência e soberania frente a outras nações.


Nesse sentido - como já foi lembrado - é emblemática a ainda recente imagem em que aparecem, sorridentes, cumprimentando-se, o Sr, Pedro Parente e  o Sr. Sérgio Moro e sua esposa.


Tirada há duas semanas em Nova Iorque, em jantar patrocinado por bancos no qual, apesar disso, a Petrobras pagou 26.000 dólares por uma das principais mesas - olhaí, alegre consumidor, para onde vai a grana dos sucessivos aumentos da sua gasolina - de um evento em que um convite custava 1.200 dólares (cerca de 4.000,00 reais) por cabeça, ela é um fiel e bem acabado retrato do Brasil dos dias de hoje


De um lado, vemos o homem-símbolo de uma operação que, envolvendo o Judiciário e o Ministério Público,  interrompeu dezenas de bilhões de dólares em obras, entre elas, por suspeita de superfaturamento, a expansão do projeto da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que tinha como objetivo, com uma produção planejada de 230.000 barris por dia, contribuir para que o Brasil atingisse a autosuficiência na produção interna de óleo diesel.


Um  passo imprescindível para que se impedisse situações como a que o país vive agora, quando nossa dependência externa nesse quesito ficou escancarada com a greve dos caminhoneiros e o cerco pelos grevistas a portos por onde entram, em território nacional, milhões de litros de combustível importado, todos os dias,  principalmente dos EUA.


Na outra ponta desse cordialíssimo - e sorridentíssimo - aperto de mão, que o fotógrafo registrou para a História - que sempre dá um jeito de entrar como penetra nesses regabofes - estava o homem que esteve desmontando e entregando a Petrobras aos gringos nos últimos dois anos - das reservas do pré-sal às portentosas refinarias e gasodutos construídos pelos governos de Lula e Dilma Roussef ao longo de 13 anos, enfrentando sabotagens e resistências de todo tipo.


Um gênio da raça - desembarcado da máquina do tempo vinda dos fabulosos anos de FHC - que estava fazendo da venda de petroleo bruto lá fora e do aumento da importação de combustível dos Estados Unidos, com alto valor agregado, a pedra angular de sua administração à frente da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima.


O engenhoso condutor - não esqueçamos - da espetacular política de reajuste de preços da maior empresa do país, que, baseada justamente no atrelamento da Petrobras ao mercado externo, levou à paralisação da nação, com uma greve de caminhoneiros.

Um movimento infiltrado - e afinal sequestrado - por fascistas golpistas, que mergulhou o Brasil no maior desastre logístico de uma longa série de infortúnios, inaugurada quando a frota de Cabral - o navegante, não o governador - perdeu em um naufrágio a sua "Ventura', uma caravela com 150 homens e muitas provisões a bordo,  aos cuidados do comandante Vasco de Ataíde, no dia 22 de março de 1500, quando ainda estava a caminho desta gloriosa terra que hoje connecemos pelo nome de Brasil.


Não estranha, diante da situação,  que os dois tenham se encontrado, por ironia. em um convescote realizado em um lugar curiosamente mais (que, talvez) apropriado a ofídeos, o Museu de História Natural de Nova Iorque - em sagrado solo norte-americano, país ao qual os dois prestam, em consequencia direta e indireta de seus ações, inúmeros e relevantíssimos serviços.


Não apenas ao “stablishment” mais poderoso do mundo, mas à nação que, em troca da fidelíssima “cooperação” na luta contra o crime e em defesa de seu trumpiniano e elasticíssimo conceito de democracia -  vide seu implacável combate à busca de autonomia por outros países, incluído o nosso - premia direta e indiretamente nosso celebrado juiz de Curitiba organizando para satisfação de seu modestíssimo ego encontros desse tipo, que incluem, ao fabuloso herói tupiniquim deste simulacro de nação em que nos transformamos, a pública outorga, regada a champanhe, de rapapés e salamaleques, espelhinhos e miçangas.


Daqui a cinquenta anos, como monumento aos sonhos naconalistas da era Lula e Dilma, o que sobrará das refinarias, gasodutos, hidrelétricas, navios, plataformas de petróleo, submarinos, erguidos ou fabricados ao longo de 15 anos, depois de décadas de estagnação e de descaso, em que neste país não se construiu nenhuma obra desse porte?



As ruínas de gigantescos projetos interrompidos judicialmente - em decisões em que a irresponsabilidade estratégica só não é maior do que a falta de bom senso e a ignorância geopolítica - e uma ou outra obra que, se miraculosamente concluída, já estará, como todas as outras em sua condição, definitivamente desnacionalizada, entregue ao controle estrangeiro por um governo patético e lastimável, que não precisava, com a desculpa de ter sido convocado para “salvar o país” ou de estar “quebrado” - com 1.2 trilhões de reais em caixa em reservas internacionais herdadas - fazer exatamente o contrário do que faziam, em termos de política industrial soberana, as administrações que o precederam.

Apresentado pelo último ganhador da mesma homenagem, um esfuziante ex-prefeito de São Paulo, para cuja empresa daria uma palestra em Nova Iorque no dia seguinte, na qual negou, entre uma brincadeira e outra, ser agente da CIA, nosso badaladíssimo juiz - que - segundo a Folha -  escutou apelos de “Moro Presidente” quando subiu ao palco, enquanto cidadãos brasileiros e norte-americanos se manifestavam gritando “Moro salafrário, juiz partidário” do lado de fora - concluiu seu discurso dizendo que por aqui não existe risco de ruptura democrática e que os EUA podem apostar no Brasil de hoje.

Ora, no Brasil não existe risco de ruptura democrática porque nossa democracia já vem sendo estilhaçada desde 2006 pelas mãos do próprio Judiciário, quando foram elevados à condição de jurisprudência, borrachudos casuísmos como a versão tupiniquim da Teoria do Domínio do Fato,  levada a extremos nunca dantes navegados, e outros como mandar condenados para a cadeia sem provas, com a permissão da "literatura jurídica" e de outros subterfúgios verbais dignos de contorcionistas javaneses do Circo de Jacarta.

Ora, se fôssemos o Tio Sam, incluindo seus grandes grupos de engenharia que não precisam mais se preocupar com a concorrência de empresas brasileiras ou com financiamentos do BNDES no exterior; suas grandes petrolíferas, como a EXXON, que acaba de botar a mão, a preço de banana, em dezenas de milhões de barris das reservas do pré-sal, com isenção de impostos por 25 anos para a importação de produtos e serviços estrangeiros; ou os “falcões” de Washington que estão adorando ver homens como o pai do programa brasileiro de enriquecimento de urânio, o Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a mais de 40 anos de prisão; e Lula, que criou o BRICS, a UNASUL, e o Conselho de Segurança da América do Sul, atrás das grades e impedido de concorrer por um processo e um julgamento espúrios, à Presidência da República; contando, no Brasil, com amigos como o Meretíssimo Magistrado e - dentro ou fora da Petrobras - Mister Pedro Parente, e considerando os resultados alcançados até agora, em tempo recorde, com esse jogo, nós também dobraríamos o cacife e apostaríamos regiamente em seu país e em festejos e jantares como esse, como os Estados Unidos estão fazendo, mister Moro!

31 de mai de 2018

AUDÁLIO DANTAS E ALBERTO DINES: O BRASIL CADA VEZ MAIS ÓRFÃO DE SI MESMO.




(Do blog com equipe) - Poucos dias depois da despedida de Alberto Dines, outro companheiro de incomensurável importância para o Brasil e para o jornalismo brasileiro, nosso amigo Audálio Dantas, nos deixou, ontem, a todos que amam este país, um pouco mais órfãos de nós mesmos.


Um de seus mais importantes gestos de amizade, mas não o último, foi nos dar a  honra de receber das mãos de Juca Kfouri, em outubro de 2015, o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos,  que depois foi entregue, em mãos, na nossa casa em Brasília, em afetuosa visita da companheira Ana Flávia Marx.


Para Audálio Dantas e Alberto Dines,  ficam estas palavras, que dormiram muito tempo na gaveta, desde que foram rabiscadas,  entre “cañas” e “tapas”, em uma noite solitária, em um bar de Madrid, na década de 1980:  


Los que luchan,
no parten.


Comparten.

El pan endurecido del coraje. 


La sangre que corre,
curtida en
odre de sudor y sal,
en sus venas solidarias.


Como el vino de uvas
veranas,
de soles antiguos,
paridas por la luz
del tiempo
insano
en la cara
de las montañas,
con prisa,
antes que la piedra
vuelva a ser arena,
serena,
en las orillas
de los horizontes.


Los que luchan,
no parten.


Brillan,
como el hidrógeno,
en el interior
de las estrellas.


Para donde vuelan,
como cohetes,
con la fuerza del inercial impulso
de su propio ímpetu.


Y pulsan,
en el corazón del futuro,
su memoria y su ejemplo.

30 de mai de 2018

INFILTRADOS É EUFEMISMO. O NOME DESSE BICHO É FASCISMO !



(Do blog com equipe) - A leitura dos principais jornais e portais da internet brasileira, cuja cobertura privilegia aspectos como o abastecimento de alimentos e a retomada da venda de combustíveis pelos postos e distribuidoras, mostra como no Brasil a mídia continua fazendo o perigoso jogo  da avestruz que, enfiando a cabeça no meio da areia, prefere tapar o sol com a peneira no lugar de discutir o que realmente está acontecendo com o país, tanto do ponto de vista jornalístico quanto do nosso destino político.

Mais que o desabastecimento provocado pelos bloqueios dos caminhoneiros, o que importa é a emersão impune e violenta, mais uma vez, da extrema-direita na vida brasileira, com a rápida mobilização de milhares de canalhas por meio do Whatsapp, para se assenhorearem de um movimento de protesto, como aprenderam a fazer desde que inauguraram com sucesso essa tática nas famigeradas jornadas de junho de 2013.

Fosse mais organizada, ao menos estrategicamente, a esquerda teria chegado primeiro aos bloqueios, obviamente sem camisetas e lenços vermelhos, não para defender um golpe de estado, mas uma bandeira muito mais cara aos grevistas legítimos, a volta da política de preços - equilibrada e consciente - da Petrobras dos tempos de Lula e Dilma.   

Em 2013, as manifestações foram  tratadas pelo governo e pela imprensa, como se fossem movidas pelo anseio de democracia, quando o que verdadeiramente escondiam - também com financiamento e infiltração externa - era o germe da fragmentação da República e da destruição do presidencialismo de coalizão que, com todos os seus defeitos, tinha nos trazido - apesar dos sinais mais que premonitórios do distorcido julgamento do “Mensalão” - até as vésperas da Copa do Mundo, com um mínimo de paz, de equilíbrio institucional e de governabilidade.

Dois aspectos marcaram esse processo:

O primeiro e mais evidente, o retorno da extrema direita ao universo político nacional, depois da aventura integralista dos anos 1930 e da derrota dos extremistas no contexto da própria ditadura militar, com o desfecho da crise provocada pelos assassinatos de Vladimir Herzog e de Manoel Fiel Filho, que culminou com a destituição do General Ednardo D´Ávila Mello e do Comandante do Exército, o General Silvio Frota pelo Presidente Geisel.

Mesmo que os radicais nunca tenham sido, de fato, totalmente controlados, como mostraram os atentados terroristas contra a ABI e o que matou a secretária da OAB, Dona Lyda Monteiro da Silva e a tentativa - frustrada pelo destino - de explodir uma bomba dentro do Riocentro, no governo Figueiredo.

Pela simples e cristalina razão de que a serpente do autoritarismo de direita, agora descaradamente voltada para a defesa da tortura, do genocídio e do retorno de um governo militar ao poder, além do fechamento do Congresso e do fim das eleições no país, nunca foi enfrentada com firmeza e com coragem pela sociedade brasileira.

Os covardes, como mostra a História, quando não são combatidos desde o ninho, crescem, em perversidade e violência, até o massacre de velhos, mulheres e crianças, como ocorreu com  o nazismo, que - não se iludam - subiu na base da mentira, da chantagem, da ameaça e fa brutalidade, exatamente como está ocorrendo no Brasil agora, sem nenhuma resistência digna de nota.

Por que isso ocorreu?

Porque, em primeiro lugar, vide O PT, O PSDB E A ARTE DE CEVAR OS URUBUS - a geração que lutou pela volta da democracia despreocupou-se totalmente da doutrinação democrática da população brasileira - em grande parte ignorante, manipulável, facilmente influenciável - no sentido não apenas do ensino da importância da liberdade como primeiro valor e principal conquista e riqueza de todo ser humano. mas também dos direitos e deveres do cidadão consubstanciados na Constituição de 1988.

É incrível que, mais de três décadas depois da reconquista do direito de voto para Presidente da República, tal conteúdo democrático, voltado para o ensino da cidadania e para explicar à sociedade - incluídos meninos e meninas que depois viriam a ser aprovados em concursos para a polícia, o Judiciário e o Ministério Público - como funciona o nosso sistema político, não tenha sido adotado, como aconteceu agora, com a elaboração e implementação da Base Nacional  Comum Curricular do governo Temer - obrigatoriamente sequer nas escolas públicas, a ponto de, pelo contrário, ter se fortalecido, em nosso país, a estapafúrdia tese do Movimento Escola sem Partido.

Esse equívoco, essa omissão, essa burrice - imperdoáveis historicamente do ponto de vista político - associados ao fato dos quartéis nunca terem aberto mão de sua versão particular do golpe de 1964 - ensinando intramuros que a derrubada de Jango se deu para evitar um fantasioso golpe comunista no Brasil -  levaram o país à situação em que se encontra agora.

Em que energúmenos armados de paus, pedras e armas e vestidos das cores nacionais mantêm sob a mira de revolveres, caminhoneiros em cárcere privado.

Altos oficiais das forças armadas - democratas e legalistas - se dizem preocupados com a influência de pseudo “manifestantes” sobre a tropa,

E torturadores e assassinos são festejados em eventos políticos, quando estão, há anos, em outros países,  como a Argentina e o Uruguai, pagando por seus crimes na cadeia.

Boa parte da responsabilidade por esse estado de coisas é da mídia conservadora brasileira, que sempre apoiou decisiva e entusiasticamente o radicalismo de direita, quando ele atende a seus interesses, como ocorreu com o impeachment de Dilma, e que depois, quando eclode o ovo da serpente, como está ocorrendo agora, finge não ter nada com isso, e apela para subterfúgios e eufemismos que impedem que a nação combata e dê nome aos bois do apocalipse.

Além disso, à pusilanimidade também do governo - ilegítimo, confuso, hesitante - soma-se a inapetência, a anomia neurológica e a inação de uma esquerda que, chamada a defender o país e a democracia - da qual depende sua sobrevência até mesmo física, em  um futuro próximo - continua fechada em seus guetos e reminiscências e divagações.

Deixando que os golpistas debatam e comentem livremente, como se apenas eles existissem, a situação do país no espaço de comentários de todos os jornais e portais da internet, sem o menor ataque, intervenção, contestação ou resistência.

Uma coisa é o sujeito alegar que não pode ir a uma manifestação, compreende-se.

Outra é se recusar a entrar no computador todos os dias, para acompanhar o que está ocorrendo e dar combate ao ódio, à canalhice e à mentira.

Hoje, no portal Terra, por exemplo - que sequer exige um cadastro para quem comenta - o  Comandante do Comando Militar Conjunto das Forças Armadas, Almirante Ademir Sobrinho, está sendo violentamente  desancado desde a manhã por pregar a obediência à Constituição, por hitlernautas - em meio a apelos para a distribuição de armas para matar “eleitores da esquerda” - sem que nenhum brasileiro decente apareça para defendê-lo ou apoiá-lo.    

A uma proporção de quinze para um, por baixo, de comentários contra a democracia, as eleições, o Estado de Direito, não estranha que muitos, na opinião pública, e não poucos, nas forças armadas, especialmente entre oficiais e sub-oficiais em início de carreira, para não falar nos conscritos, acreditem que os golpistas são ampla maioria na soiciedade brasileira.   
       
É preciso que quem crê na força da liberdade e da democracia tome - que me perdoem os leitores mas já estamos cansados de repetir esse alerta mais de mil vezes - vergonha na cara e parta imediatamente para o enfrentamento da mentira e da hipocrisia na internet, minuto a minuto, maciçamente, no tempo que nos resta até as eleições, e que se pare de apenas sonhar com Lula como uma Rapunzel presa na torre do castelo, que de lá sairá, miraculosamente, na undécima hora, para nos salvar dos monstros da Floresta.

O PT pode não precisar de um plano B, mas a nação precisa de um plano AB, e de uma aliança para travar o golpismo, urgentemente.

Ou será que em breve não restará outra alternativa que a de se importar armas do Paraguai e treinar em clubes de tiro e até mesmo no mato - como a direita já está fazendo há anos - com excursões desse tipo organizadas até mesmo por filhos de pré-candidatos à Presidência da República, e com a participação de “instrutores” norte-americanos, aqui e nos Estados Unidos, antes que muitos venham a ser caçados e massacrados como cordeiros daqui a um ou dois anos?

Não fiquem pensando que as centenas de sujeitos que defendem a tortura e o assassinato como arma política, todos os dias, na internet, sem por isso serem incomodados pelo MP ou pela Justiça,   estão falando da boca para fora ou que hesitariam nem por um instante se pudessem cometer seus crimes.

A diferença entre o canalha covarde que preliba este tipo de infâmia atrás do anonimato de seu computador e aquele que irá desatar todo o seu ódio e perversidade quando tiver a primeira oportunidade, é apenas um porrete na mão e um outro ser humano - desde que esteja desarmado, inerme e indefeso - na sua frente.         

A vanguarda das SA e das SS nazistas era composta de professores, advogados, farmacêuticos, comerciantes, agentes de segurança, que sem seus uniformes pardos e negros, posavam de "gente de bem", com um aspecto absolutamente normal de babacas inofensivos.

E não me venham dizer que estou defendendo ou pregando uma guerra civil.

Nesse aspecto e neste momento, estou sendo apenas mais um armamentista, dos muitos que proliferam por aí, e da linha norte-americana.

País que tem uma constituição que afirma que todo cidadão tem o direito de se armar para defender a liberdade e a democracia, principalmente contra a ameaça de formação de um governo tirânuico e ilegítimo.

Além de sua propriedade - como aqui defende a direita - todo brasileiro tem que gozar da prerrogativa de preservar os seus direitos e a sua vida, começando pelo de pensamento e opinião e o de ir e vir, como qualquer um pode perguntar aos caminhoneiros sequestrados nestes dias.

Que, se estivessem armados, poderiam ter tentado preservar a sua dignidade, dispersando em muito pontos de bloqueio a turba antidemocrática e ensandecida, que, irônica e hipocritamente, quase sempre aparece nessas ocasiões, pedindo intervenção militar, enrolada nas cores nacionais.

É um absurdo que a mídia continue a tratar genericamente como “infiltrados” - por quem, com que intenção, principalmente política? - uma malta de criminosos que agrediram caminhoneiros e destruíram os seus veículos e provocaram dezenas de bilhões de reais em prejuízo para empresários que, esperemos, aprendam com essa lição memorável, que vai lhes doer no bolso, com que tipo de capirotos enlouquecidos estão tratando, achando que é possível mantê-los sob controle, presos em uma garrafa, e onde estão amarrando a sua égua quando flertam, em concorridos regabofes, com a violência e o autoritarismo.

No mais, a população brasileira - quem está se arriscando a morrer porque não pode fazer hemodiálise, ou ficou com o filho doente e sem atendimento porque não havia funcionários nos postos de saúde - tem o direito de saber com quem está lidando.

Vamos lá, dona mídia.

Coragem para dizer a verdade.

Vamos dar nome aos bois.

Infiltrados é eufemismo.

O nome desse bicho é FASCISMO.