19 de fev de 2017

O ESCÂNDALO A-DARTER



Ou de como a tentativa de assassinato da Odebrecht pode ferir de morte a construção  do mais avançado míssil da Força Aérea Brasileira.

Está dando  certo o implacável, mesquinho, totalmente desvinculado da estratégia e dos interesses nacionais, cerco, montado pela Procuradoria Geral da República, para arrebentar com a Odebrecht, não apenas dentro do Brasil, mas, em conluio com os EUA, também na América do Norte e, com base em "forças tarefas" conjuntas, nos mais diferentes países da América Latina.

Pressionada pela perseguição além fronteiras da Jurisprudência da Destruição da Lava-Jato e pela estúpida, desproporcional, multa, de 7 bilhões de reais estabelecida a título de punição, pelo Ministério Público brasileiro, em parceria com o Departamento de Justiça norte-americano, a Odebrecht não está conseguindo vender boa parte dos ativos estratégicos que tenta colocar no mercado, para evitar sua bancarrota e total desaparecimento, com a paralisação de dezenas de bilhões em projetos, muitos deles estratégicos, dentro e fora do país, e a demissão de milhares de colaboradores que trabalham no grupo, que já foi obrigado a se desfazer de mais de 150.000 pessoas nos últimos dois anos.

Com o cerco à empresa, que bem poderíamos classificar de mera tentativa de assassinato, considerando-se o ódio com que vem sendo tratada a Odebrecht pelos nossos jovens juízes e procuradores - já que poderiam ter sido presos eventuais culpados sem praticamente destruir a maior multinacional brasileira de engenharia - coloca-se sob risco direto,  não apenas a construção do futuro submarino nuclear nacional (e de outros, convencionais), mas também a produção dos mísseis A-Darter, destinados aos caças Gripen NG BR, que se encontram em desenvolvimento pela MECTRON, empresa controlada pela Odebrecht, em cooperação com a DENEL sul-africana.

Não tendo conseguido negociar a MECTRON, incluída em sua lista oferecida ao mercado, a Odebrecht pretende, agora, esquartejar a companhia e vender seus projetos um a um - entre eles o desse avançado mísil ar-ar - para quem estiver interessado em ficar, entre outras coisas, com  parte do know-how desenvolvido pelo Brasil nessa área, desde a época do míssil "Piranha".

Enquanto isso, a Presidência e o Congresso fazem cara de paisagem. 

Quando, diante desse absurdo, o mínimo que a Comissão de Defesa Nacional - por meio de CPI para investigar o caso - o Ministério da Defesa e o Ministério da Aeronaútica deveriam fazer seria pressionar e negociar no governo o financiamento da compra da MECTRON por uma empresa da área, como a AVIBRAS, por exemplo, com recursos do BNDES, ou injetar dinheiro do Banco - agora emagrecido em 100 bilhões de reais "pagos" antecipadamente ao Tesouro - para que comprasse provisoriamente a MECTRON, assegurando que seu controle ficasse com o Estado, ao menos até o fim do programa A-Darter, ou que se estabelecesse uma estratégia voltada para impedir sua desnacionalização. 

O problema é que o BNDES, como faz questão de afirmar a nova diretoria, pretende mudar de foco para dar atenção - o que quer que isso signifique - a projetos que beneficiem "a toda a sociedade". 

Será que seria possível que a finalização do desenvolvimento de um míssil avançado  para os novos caças de nossa Força Aérea, destinado a derrubar aviões inimigos em situação de combate, em que já foram investidos milhões de dólares, viesse a ser enquadrado  nessa categoria e na nova doutrina de funcionamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - que já bloqueou 1.5 bilhões que a Odebrecht teria a receber por obras no exterior - ou estaríamos pedindo demais e exagerando na importância do caso?   

15 de fev de 2017

COM OLHOS EM GAZA




Não é segredo para ninguém que há grandes parcelas da população brasileira que estão cada vez mais, irremediavelmente e contagiosamente cegas, cultural e ideologicamente, como os habitantes da cidade imaginária do livro ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, do escritor português José Saramago.

Sem necessariamente sofrerem - por estarem cegas de ódio - no sentido do verso de temática "sansoniana" do poeta britânico, também cego, John Milton, "sem olhos em Gaza", que inspirou até uma ópera rock e foi usado por seu compatriota, Aldous Huxley, para batizar um livro homônimo de 1936.     

Ninguém precisa ter tido uma babá de qualidade, ou ter lido os Irmãos Grimm no original, para saber que quando se exagera na dose, o feitiço acaba virando contra o feiticeiro.

Influenciada pelos uivos da malta fascista que vem governando indiretamente o país e defende na internet que é preciso "respeitar a fila" e "acabar com os petistas primeiro", para depois "cuidar dos outros", a justiça errou feio quando impediu a posse de Lula como Ministro, e não puniu, como deveria, o grampo ilegal - pois que não autorizado pela Suprema Corte - contra a então Presidente da República, nem o rápido e ignominioso vazamento para a imprensa de seu conteúdo.

Antes, como agora, a nomeação de ministros é prerrogativa pessoal e exclusiva do chefe do Poder Executivo e ninguém deveria ser considerado culpado ou impedido de ocupar qualquer cargo público, sem ter sido julgado definitivamente, ou ter tido direito à mais ampla defesa.

Ao não "errar" de novo, no entanto,  no caso do Sr. Moreira Franco, em semelhante circunstância, parece ficar cada vez mais claro, para o homem comum que não padeça ainda de microcefalia, que não se está tratando os gregos como os troianos, e que pau que dá em chico, continuará dando em chico mesmo, de forma seletiva e permanente, sem nenhuma vergonha ou constrangimento. por parte de certos segmentos do Judiciário e do Ministério Público.

Com suas unhas impecavelmente limpas, escovadas e aparadas, suas togas brilhantes, bem cortadas e engomadas, e suas lentes de contato opacas e importadas, cobertas pela fina gaze que cobre os olhos da estátua que existe em frente à sede do STF, a Justiça pode até fingir que é cega. 

Mas tem muita gente, nas mais diferentes camadas sociais, que não o é. 

continua enxergando.

14 de fev de 2017

MOVIMENTO CONTRA VENDA DE ATIVOS DA PETROBRAS (A PREÇO DE BANANA) OBTÊM MAIS UMA VITÓRIA.




O Movimento contra a Venda de Ativos da Petrobras (a preço de banana) que merecia existir com esse nome e ser institucionalizado em todo o país, acaba de obter mais uma vitória.  

Considerando que a Petrobras não comprovou ter havido ampla publicidade da oferta do ativo - o que é a mais pura verdade - o que poderia ter aumentado o número de interessados e elevar o preço do "negócio".

E também que a operação não indica ser economicamente viável, parecendo que "está a haver uma simples transferência de patrimônio público rentável a terceiros sem uma contrapartida justa para a vendedora e, frise-se, para os interesses nacionais", o Juiz  Marcos Antônio Garapa de Carvalho,  em resposta a ação do Sindicato dos Petroleiros Alagoas Sergipe, suspendeu a venda pela Petrobras de 90 por cento da Nova Transportadora Sudeste (NTS) ao consórcio liderado pelo grupo canadense Brookfield, por 5,19 bilhões de dólares.

Não se trata  apenas de saber se o Governo Federal está ou não com a razão nas decisões que vem adotando, a torto e à direita, a canetadas.

Mas o porquê dessas decisões, como o pretendido fim da exigência de conteúdo nacional; o repasse às operadoras de telefonia -  na maioria estrangeiras - de cerca de 100 bilhões de reais em patrimônio público; a transferência "antecipada" de 100 bilhões de reais ao Tesouro pelo BNDES - que deveria ter sido contestada no STF - e outras, no campo da educação e da previdência, por exemplo, que afetam direta e profundamente o destino da Nação e de dezenas de milhões de cidadãos brasileiros, estarem sendo tomadas a toque de caixa - na maioria das vezes por meia dúzia de "iluminados" ou por um Congresso dócil, encurralado pelas atuais circunstâncias pólíticas - sem ampla discussão com a população e a sociedade.

Principalmente quando se considera que se trata, com todas as dificuldades que o país vive no momento - boa parte delas de implacável pressão exercida sobre o governo anterior - de um governo-tampão, que por mais que queira convencer que está nos conduzindo por uma ponte para o futuro, está nos guiando, como a uma fieira de cegos, por uma pinguela - cada vez mais frágil e periclitante - que não sabemos se poderá resistir até um zumbídico e aterrador final de 2018.

As vitórias  obtidas na campanha em defesa dos ativos da Petrobras pelo Sindicato dos Petroleiros de Alagoas - em exemplo que precisa ser imediatamente multiplicado por instituições semelhantes de todos os estados do país - mostram que, na ausência de debate pela sociedade, e frente à complacência, cumplicidade e interesses de boa parte da mídia com relação ao que está ocorrendo, o caminho é municiar de informações a Justiça, para que esta possa exigir uma discussão mais ampla dos temas que compõem a agenda subalterna e  entreguista que - apesar de possuirmos 370 bilhões de dólares em reservas internacionais - se assenhoreou do país.

É preciso agradecer aos deuses do invisível e perene panteão da Pátria que, atento, da colina da História, nos contempla, que ainda existam juízes lúcidos, justos e patriotas, com uma visão estratégica dos interesses nacionais e do povo brasileiro, e não apenas com a mentalidade punitiva, imediatista e irresponsável daqueles que professam e praticam a Jurisprudência da Destruição que vem, nos últimos anos, destroçando nossas maiores empresas, projetos e programas, bilhões de reais em patrimônio de investidores, acionistas e fornecedores, e centenas de milhares de empregos, nas pequenas e grandes cidades, em todos os quadrantes do território nacional.

9 de fev de 2017

TRUMP E A FARSA DA GLOBALIZAÇÃO



(RBA- Rede Brasil Atual) - O fato de o IED - Investimento Estrangeiro Direto - ter se mantido históricamente alto na era Lula-Dilma - (na faixa dos 60, 70 bilhões de dólares por ano) e estar conservando o mesmo patamar agora, no atual governo, mostra que o Brasil não precisa rastejar, como um verme, para conseguir capital externo.

E que, por mais que seja conservador, esse capital não pensa, radicalmente, o Brasil, com um viés cegamente ideológico, como certos segmentos mais mesquinhos e burros do capital nacional costumam fazer, de vez em quando, infelizmente, na maior parte das vezes, em detrimento próprio.

Os  estrangeiros investem no Brasil não apenas porque se trata de um país atraente, e eventualmente mais barato, como está agora, para aquisições, por causa do câmbio, mas principalmente porque somos um dos mais importantes mercados do mundo, onde todos precisam estar se quiserem crescer.

Além de termos também a vantagem de poder contar com fundamentos macroeconômicos sólidos, como dívidas bruta, líquida  e externa relativamente baixas, menores do que eram em 2002  e as sextas maiores reservas internacionais do planeta, que continuam nos conferindo, como mostram os dados oficiais do Tesouro dos EUA, a posição de quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Desde que os ingleses impuseram aos chineses, com a vitória nas Guerras do Ópio, a obrigação de consumir essa substância, e a China teve que entregar Hong Kong à Inglaterra e abrir 50 portos ao comércio ocidental, muitos deles, a partir daí, ocupados permanentemente por navios de guerra britânicos, para assegurar o tráfico de drogas por parte da Grã Bretanha, ajudando a diminuir os déficits que os ingleses tinham com os chineses, que o mundo minimamente instruído sabe que o "livre" comércio é um subterfúgio colonial e uma tremenda balela.

Existe uma globalização construtiva, estabelecida pela integração e a cooperação, com a busca do desenvolvimento e da paz, principalmente no sentido sul-sul, como ocorre no caso do  BRICS, da UNASUL e da CELAC, por exemplo.

E existe a globalização dos salões dos convescotes de Davos, da OCDE, do TPP e da malfadada Aliança do Pacífico,  a globalização tout court

Um conto do vigário que favorece as nações mais fortes contra as mais fracas, e, cada vez mais, o interesse das multinacionais e dos grandes grupos econômicos, em detrimento dos países e de seus povos, de forma a explorar seus mercados, insumos e recursos naturais, sua "vocação" e capacidade produtiva, sua mão de obra, seus indivíduos, não para obter um desenvolvimento mais equilibrado e justo da Humanidade, mas para alcançar o mais exagerado, avassalador e egoísta lucro  possível.

O que distingue as nações bem sucedidas daquelas que chafurdam no barro do subdesenvolvimento é a presença do Estado como elemento fiscalizador e indutor do avanço nacional, para conduzir os países em meio aos desafios e oportunidades de um mundo cada vez menor, assegurando uma forte presença do capital estatal na economia, o decidido apoio a empresas locais, e a utilização de uma "livre" iniciativa que na verdade não pode ser absolutamente, totalmente "livre" na medida em que deve servir também  como instrumento para a promoção social e estratégica do progresso nacional, em prol da criação de empregos, da melhora da renda, e da conquista do desenvolvimento, com investimentos induzidos, obrigatórios, se for o caso,  em áreas como a infraestrutura, a tecnologia e a defesa, por exemplo.

É isso que os EUA já faziam, antes de Trump, com a compra, com a utilização de bilhões de dólares do Tesouro, de ações de empresas norte-americanas para que estas não quebrassem, na crise de 2008.

Imaginem se fosse tentado fazer o mesmo com a Petrobras, no Brasil, com o uso de uma parte mínima, que fosse, do 1.5 trilhão de reais que temos em reservas internacionais, para fazer frente à crise que atingiu a companhia, sobretudo, com a queda do preço do petróleo. 

O governo que tomasse essa atitude seria imediatamente taxado de comunista e os fascistas ocupariam as ruas com seus patos, bonecos infláveis e outros utensílios de borracha - para derrubar o Presidente da República.

No entanto, foi esse tipo de estratégia que a China adotou, de forma persistente, nas últimas quatro décadas, para superar séculos de domínio ocidental, e a que a está levando ao topo entre os principais países do mundo. 

Confiantes no tamanho do seu mercado e no seu destino de potência, que existe como estado organizado há cinco mil anos, os chineses - ao contrário do que afirmam os trolls mendazes e desinformados que pululam em nossas redes sociais -  fecharam, primeiro, no lugar de escancarar, suas fronteiras ao capital estrangeiro, depois da vitória da revolução e só as abriram, seletivamente, para parceiros escolhidos a dedo, quando se consideraram seguros o suficiente para isso, exigindo-lhes transferência de tecnologia e aporte de capital, em regime quase sempre de joint-venture minoritária com empresas estatais locais.

Ao mesmo tempo em que criavam, por outro lado, uma nova burguesia,  capaz de competir e de vender ao resto do mundo, desde que ela se mantivesse submetida, políticamente, ao projeto nacional chinês,  tanto do ponto de vista interno quanto do externo, na conquista de novos mercados e na compra, de forma regulada e dirigida, de empresas estrangeiras que pudessem contribuir estrategicamente para a vitoriosa consecução desse projeto.

A mesma burguesia que estamos destruindo no Brasil, neste momento, com a quebra programada, judicializada, de  nossas maiores empresas, justamente as que possuíam uma forte presença internacional. 

Ora, a diferença entre grandes e pequenos países, é que os primeiros perseguem continuamente seus interesses, e muitas vezes o fazem - quando não é possível estabelecer uma permanente aliança -  colocando-os acima dos anseios da própria iniciativa privada, que deve se submeter, em última instância, à coletividade, ou, no mínimo, ao projeto de poder de suas nações de origem.

Independentemente de seu rancoroso anti-islamismo, de seu mal disfarçado apoio aos supremacistas brancos, de sua política fascista e higienista, que pretende expulsar e impedir a chegada de imigrantes e matar pobres e negros por falta de assistência médica, com o fim, entre outras coisas, do Obamacare; e de sua intenção de reabrir as prisões clandestinas da CIA; do ponto de vista econômico o que Trump quer fazer, desta vez de forma clara, descaradamente, sem subterfúgios, nos Estados Unidos, é, de certa maneira, a mesma coisa que os governos comunistas estão fazendo na China.

Ele vai aprofundar e organizar, minimamente, a relação siamesa que sempre houve entre a iniciativa privada norte-americana e os governos dos EUA, principalmente os mais conservadores, desde a Guerra de Independência contra a Inglaterra, usando como fator estratégico o seu vasto mercado, para fazer frente à "globalização".

Desse projeto faz parte exigir, em troca de acesso aos consumidores dos EUA, a manutenção de fábricas e a criação de empregos dentro do país, mesmo para as grandes empresas multinacionais originalmente norte-americanas, e obter contrapartidas de qualquer empresa estrangeira que queira exportar para os Estados Unidos, como a cobrança de impostos, por exemplo.

Se a China, segunda maior economia do mundo, faz isso todo o tempo,  se a Europa é uma fortaleza protecionista, que sobretaxa ou regula até a entrada de alimentos, porque os EUA, como maior mercado do mundo, não se utilizariam dessa condição geopolítica em seu próprio benefício? - deve estar pensado, por baixo da peruca ruiva, o mais novo e topetudo ocupante da Casa Branca.

Na década de 1960, ficou famoso um comercial de fusca da Doyle Dane Bernbach, que, apresentando ao público norte-americano o carrinho projetado a pedido de Hitler pelo desenhista  Ferdinand Porsche, dizia, simplesmente: PENSE PEQUENO - no sentido da defesa dos conceitos que se pretendia associar ao produto, de simplicidade, praticidade e economia.

No patético Brasil dos dias de hoje, as elites e a plutocracia estrategicamente medíocre que se assenhora cada vez mais da República, se acostumaram a pensar pequeno, não no sentido da conhecida peça publicitária da DDB, uma das maiores agências de publicidade do século passado, mas porque, infelizmente, pequena é a sua estatura moral e mental, escassos são seu patriotismo e hombridade e grande é a sua abjeção e seu complexo de vira-lata, desde a época em que seus  predecessores se acostumaram, após servir, a comer as migalhas que caíam da mesa de banquete dos estrangeiros de turno no comando do Brasil.

Quando algum governo, empresa ou partido tenta pensar diferente, com visão estratégica, em defesa da criação de empregos, da estruturação de empresas  estatais em busca da consecução dos grandes objetivos nacionais; muitas vezes minima e  empiricamente definidos; ou em benefício de grandes empresas brasileiras, que possam fortalecer a Nação internamente - incluída sua capacidade de defesa - e projetá-la positivamente no exterior, no sentido de um Brasil mais respeitado e mais forte, uma velha e conhecida parcela da mídia que também pensa pequeno e subalternamente, aliada aos canalhas que odeiam e desprezam, bovina e estupidamente, o país, sempre se levanta e interfere, ajudando a montar e a promover o bloco da quinta-coluna que canta, ao som de rufos e tambores, o vergonhoso samba do entreguismo.

E nosso projeto de Nação, com as mais variadas desculpas, subterfúgios e bandeiras - principalmente a do combate à corrupção, costumeiramente usada contra Getúlio, Jango e JK - é mais uma vez interrompido, fazendo com que tenhamos que retroceder como caranguejos, enquanto outras nações de nosso porte ou maiores do que nós - é preciso não esquecer que ainda somos o quinto maior país em extensão e população e a nona economia do mundo - avançam, por não ter pejo em atuar descaradamente em defesa de seus interesses, sem levar em consideração - ou apenas usando-os como biombo, quando eventualmente lhes interessa - conceitos como o dessa pseudo "globalização".         

Com a eventual saída dos Estados Unidos do Acordo Transpacífico e do NAFTA (cujas consequencias para o México foram déficits comerciais cada vez maiores e uma queda na renda da população, que hoje é menor, em dólar, do que era antes do acordo) Trump está abrindo, indubitavelmente - quer se goste ou não disso - uma nova era para os EUA.

Resta saber se de alguma forma isso servirá de lição para as elites, a plutocracia e o governo brasileiros, sempre tão babosos com tudo o que ocorre nos Estados Unidos da América do Norte, abrindo-lhes os olhos para o que está acontecendo no mundo, no sentido da necessidade de um projeto estratégico, nacionalista e desenvolvimentista para este país, ou se isso servirá para que o Brasil vista definitivamente, agora com suas grandes empresas e projetos praticamente destruídos -   sela,  freio, pelego, cabresto e ferraduras, para aprofundar nossa abjeta subalternidade e a entrega de nossas riquezas e mercados ao exterior, por meio entre outras medidas impensadas, de uma acelerada entrada do país no TPP, e em um precipitado ou mal negociado acordo, entre o Mercosul e a União Europeia.

Na contramão do que estão fazendo as nações e regiões mais poderosas e mais fortes (não há ninguém mais protecionista que os EUA, a China e a Europa) que dividem conosco o primeiro pelotão da economia mundial ao fim deste primeiro quarto do século XXI.

5 de fev de 2017

THANK YOU, JET WASH BUDDIES !



Os EUA agradecem, penhoradamente, o fim da influência brasileira na América Latina.

Estão muito enganados aqueles que acreditam que o neo-isolacionismo dos EUA quer dizer que, sob Trump, os Estados Unidos ficarão indiferentes ao que ocorre na América Latina.

O discurso de construção do muro separando fisicamente o Texas, o Novo México, o Arizona e a Califórnia,  do país dos quais foram arrancados, à ponta de fuzis e baionetas, no século XIX, e a pressão para que as fábricas - norte-americanas ou não - que estão no México, abandonem o sul do Rio Grande e levem seus empregos e instalações para os Estados Unidos, caso queiram continuar vendendo para o maior mercado do mundo, mostram que, se pudesse, o Grande Irmão do Norte gostaria de voltar a transformar, pejorativamente,  os latino-americanos e caribenhos em um bando de índios semi-escravos e analfabetos, produtores e exportadores de insumos e matérias-primas que não pudessem ser obtidos nos EUA, como café e  bananas, por exemplo.

Dentro dessa visão trumponiana, condizente com a aversão do topetudo líder ruivo pela globalização, e com o espírito de fazer "a América grande  novamente" (que não será alcançado sem o acirrramento da competição geopolítica e o apequenamento de atuais e potenciais concorrentes), o enfraquecimento de seu quintal histórico, com a sabotagem das tentativas de integração continental, principalmente na América do Sul; e o do prório Brasil, de longe o país mais poderoso da região, devem ser vistos como uma meta estratégica que, mesmo que seja eventualmente tratada com certa discrição - o que parece não ser o caso, por arrogância e descaro  - será da maior importância, para a "Nova América", nos próximos anos.

Com o fracasso do mal acabado factoide da Aliança do Pacífico, e o contínuo empobrecimento do México após a entrada em funcionamento do NAFTA, vide O MÉXICO E A AMÉRICA DO SUL, a diplomacia brasileira criou,  depois da eleição de Lula,  para além do BRICS (e do Mercosul, que já existia) - alternativas aos ditames e à influência norte-americana na região, com a implementação  da CELAC, a Comunidade dos Estados da América Latina e do  Caribe, que quebrou o isolamento de Cuba; da UNASUL, União das Nações da América do Sul, cuja belíssima sede fica em Quito, no Equador; e, principalmente, do ponto de vista estratégico, do Conselho de Defesa da América do Sul, embrião de programas de cooperação, na área bélica, entre os países do nosso continente e de uma futura força de defesa sul-americana.

Hoje, vários de nossos programas bélicos se encontram interrompidos e sob ameaça de sucateamento, assim como vários dos projetos de infraestrutura e energia iniciados nos últimos anos, dentro e fora do país, graças à vigência  de uma Jurisprudência da Destruição que poderia, em seus efeitos,  equiparar-se perfeitamente a uma eventual operação, teleguiada do exterior, dirigida para a sabotagem  da nossa segurança externa e  da engenharia e defesa nacionais.

E nossas empreiteiras, antes vistas como um exemplo da capacidade de cooperação e realização da gente latino-americana, são comparadas a covis de ladrões, originários de um país não confiável, cujo Governo e Poder Judiciário, com a suspensão dos financiamentos do BNDES para a exportação de serviços por empresas brasileiras, quebram, e não respeitam ou garantem, contratos internacionais anteriormente firmados.

Com isso, mulltiplicam-se as deletérias e nefastas consequências de uma operação que, em busca de recuperar 3% de dinheiro supostamente desviado de gigantescos programas e projetos de desenvolvimento, destrói e joga no lixo os outros 97% das obras, e praticamente 100% das empresas responsáveis por elas, com a imposição de multas "civis" de cunho subjetivo, paralisantes, inviabilizantes, da ordem de bilhões de dólares,   não apenas no Brasil, mas, por meio de uma maré de ataques, desmanche, desemprego, crise, também em outros países, espalhados por todo o continente.
Ora, a corrupção existe, e, infelizmente, continuará existindo, em todos os países do mundo, enquanto não se investir forte e permanentemente, desde a mais tenra infância - o que é praticamente impossível,   quase contraditório, nos países capitalistas - na  formação ética da população.

A diferença é que há países em que existe corrupção que são bem sucedidos, em que existe planejamento e projeto de nação, tanto para o desenvolvimento e a melhora constante das condições de vida da população, quanto para o seu fortalecimento com relação a outras nações.

E há outros, em que existe corrupção, em  não há um projeto nacional, e a necessidade desse projeto ou as eventuais tentativas de implantá-lo são ofuscadas e combatidas por "bandeiras" e factoides demagógicos e hipócritas - entre eles o da própria luta contra a corrupção - levantados  por setores  a quem falta uma visão nacional e histórica - voltados tanto para a implementação da defesa e manutenção de seus interesses e privilégios - como é o caso do Judiciário e do Ministério Público, no Brasil, neste momento - quanto para interferir na questão política, na eventual derrocada de um determinado governo, que não se consegue derrubar pelo voto, ou no sentido da ascensão ao poder de movimentos nascidos no bojo da quebra da normalidade institucional, que - como ocorreu na Alemanha e na Itália, entre as duas grandes guerras - costumam ser de tendência  conservadora, autoritária e fascista. 

O que distingue grandes nações das pequenas, é a existência de uma aliança entre o setor público e o privado - até mesmo em países comunistas, como a China - não apenas para assegurar o desenvolvimento interno, mas o sucesso na competição externa, na disputa de influência no mundo, por meio da implementação, em terceiros países, de projetos de cooperação e desenvolvimento.

Para isso, no plano da microeconomia, existem agências como a ABC, Agência Brasileira de Cooperação, e a famigerada USAID, norte-americana, que tão útil foi para os EUA, durante a Guerra Fria, e uma infinidade de outras organizações, de países  como o Japão, a França e a Alemanha, e de instituições como a União Européia, dedicadas à cooperação técnica e à ajuda humanitária.

E, do ponto de vista macroeconômico,  poderosos bancos de fomento e  empresas de engenharia, capazes de viabilizar a construção de grandes projetos de infraestrutura e de desenvolvimento, que podem mudar, decisivamente, o destino de pequenos países, assegurando, se não sua amizade eterna, ao menos laços concretos, baseados no interesse mútuo, que os impeçam de se transformar em inimigos do país que está promovendo a iniciativa.

Foi isso que os EUA fizeram, com o Brasil, como forma de assegurar nosso apoio na Segunda Guerra Mundial, com a construção da Companhia Siderurgica Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

Ou a Alemanha fez, também conosco, no segundo governo Vargas, com a construção em Minas Gerais, da Manesmann, ou, no governo Geisel - contraa a vontaade dos EUA - por meio da assinatura do projeto nuclear Brasil-Alemanha. 

Assim como foi isso que o governo militar fez, no contexto da competição com a Argentina, na Bacia do Prata, com a construção de Itaipu, cujas primeiras negociações começaram no governo Jango, e das quais participei, trabalhando com o embaixador Mário Palmério, na embaixada do Brasil em Assunção, na década de 1960.

O Brasil precisava da energia de Itaipu?

Sim, ninguém contesta isso. 

Mas poderia ter feito uma série de barragens com igual capacidade em território nacional. 

Terra e água não nos faltavam, como não nos faltam, para isso - vide aí a recente conclusão em território nacional, de Belo Monte, a terceira maior usina hidrelétrica do mundo.

Itaipu foi feita para ligar o futuro do Paraguai ao do Brasil, embora a Argentina não demorasse a adotar estratégia semelhante, com a construção de Yaciretá, sua própria usina binacional com a nação guarani.

Foi a construção de Brasília, de usinas como a de Três Marias, de rodovias como a Belém-Brasília, no Governo Juscelino Kubitscheck, seguida de um vasto programa de obras, pelo governo militar, algumas delas, em suas consequências, polêmicas e desastrosas, como a Transamazônica, que deram origem à moderna engenharia nacional.

E nos permitiram, depois, na África, em países árabes como a Mauritânia e o Iraque, no sul dos Estados Unidos, notadamente a Flórida, no Caribe - vide o Porto de Mariel, em Cuba - na África subsaariana, em países como Angola e Moçambique, e em várias partes da América Latina, do México à Argentina, projetar nossa influência e participar de projetos e programas determinantes, não apenas no interesse de cada país, como a hidrelétrica de Guri, na Venezuela, mas também em iniciativas binacionais ou multilaterais.

Estabelecendo, como o maior país da região, o papel de líder, financiador e executor da integração e cooperação continental na América Latina e, principalmente,  na América do Sul.

Ora, até mesmo para não alertar nossos competidores de fora do continente, e nossos inimigos aqui dentro, não era preciso estabelecer nem divulgar aos quatro ventos essa doutrina, de evidente importância geopolítica, por meio de um manual oficial ou de guias diplomáticos.

Durante décadas, como ocorre no caso dos EUA, do Japão e da Europa em sua relação com países em desenvolvimento, trabalhamos, de facto e taticamente, da seguinte forma:

Nossas embaixadas no exterior, o Itamaraty, o Governo Federal - muitas vezes com base na diplomacia presidencial, como sempre agiram os EUA e países como a França - lembremos Sarkozy fazendo tudo para vender ao Brasil caças e submarinos durante sua última visita ao Brasil, por exemplo - negociavam os programas, o BNDES os financiava, e as grandes construtoras brasileiras, da pioneira Mendes Júnior à Andrade Gutierrez e à Odebrecht, os construíam, exportando para isso a competência nacional na execução de projetos, trabalhadores - houve época em que a Mendes Júnior International empregava vários milhares de brasileiros no Iraque - insumos,  material de construção, automóveis, caminhões, máquinas e equipamentos, trazendo, à medida que eles eram pagos ao BNDES, bilhões de dólares para o Brasil em divisas.

Beneficiando não apenas seus investidores e acionistas mas toda a economia nacional, comprando e pagando uma vasta cadeia de centenas de fornecedores, e gerando dezenas de milhares de empregos para cidadãos brasileiros aqui e no exterior.

Por isso, se há uma campanha canalha, mendaz, imbecil e perversa, profundamente prejudicial ao futuro  do país, realizada nos últimos quatro anos, na imprensa e nas redes sociais, pelo exército de antibrasileiros e fascistas que nelas pululam, para ajudar na derrubada do governo Dilma, essa campanha foi a do ataque à atuação das empreiterias brasileiras no exterior, com a disseminação tácita, em uma solerte e permanente estratégia da qual não se isentaram de participar,  indiretamente, nossos competidores externos, de mentiras como a de que o BNDES financiava diretamente governos estrangeiros - quando o financiamento se dava, na maioria, diretamente a empresas brasileiras para a exportação de serviços e produtos nacionais - de que esses recursos estavam indo graciosamente, ou de forma ilegalmente facilitada, para o exterior - quando eles não diferiam, em suas condições, das oferecidas por outros países e bancos de fomento semelhantes - e de que esses projetos retiravam dinheiro do Brasil, quando ele poderia estar sendo utilizado aqui dentro, como se esses investimentos não voltassem com lucro para o país, e como se os governos Lula-Dilma não tivessem poupado 410 bilhões de dólares em reservas  internacionais (40 bilhões pagos ao FMI, mais 370 bilhões economizados, parte deles empregados em títulos dos EUA), sem aumentar a dívida líquida ou a bruta, que era de 80% do PIB em 2002.
Deixando, no final do governo Dilma, 100 bilhões de reais sobrando no caixa do BNDES, criminosamente “pagos” antecipadamente ao Tesouro, há poucos dias, quando poderiam estar sendo investidos - para gerar  milhares de empregos em um país que está em recessão - em projetos de infraestrutura.  

Com esse tipo de atitide surreal e estapafúrdia, não é de estranhar que os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tenham caído em 35% no ano passado, com relação a 2015, para apenas 1,4% do PIB, o menor nível dos últimos 20 anos, e três vezes com relação a 2010, quando somaram 4.3% do Produto Interno Bruto.

A situação chegou a um ponto tão absurdo, que se busca criminalizar a participação de ex-presidentes da República, como Lula, na obtenção de obras no exterior, depois de sair da Presidência, como não se tratasse, essa atividade, do trabalho normal de ex-presidentes em qualquer país do mundo.

Como Clinton, nos EUA, Sarkozy, que citamos  mais uma vez, Gorbachev e outros, menos votados, fizeram em benefício de seus respectivos países, durante anos.

E como se essas obras não beneficiassem, como vimos aqui, milhões de compatriotas, na geração de empregos para brasileiros, dentro e fora do Brasil, e na exportação de produtos, máquinas e insumos.    

A verdade é que, em um momento em que,  devido à ascensão de Trump nos EUA, o nacionalismo  recrudesce cada vez mais, acirrando a competição das grandes nações por influência política e institucional, mercados e consumidores para seus produtos; a projeção do Brasil na América Latina e no mundo, com base na vitoriosa exportação de grandes programas de infraestrutura e de equipamentos; e na implementação de projetos de grande porte como o da Braskem, no México, se esvanesce e está prestes a desaparecer, enterrada por um governo estrategicamente inepto, se não abertamente subserviente a interesses estrangeiros, no mesmo caixão em que descansa, destruído pelas mesmas mentiras, ignorância e hipocrisia, o cadáver  vilipendiado e em acelerado processo de decomposição da engenharia brasileira.

A Jurisprudência da Destruição vigente no país, dedicada não à caça de corruptos, mas à destruição de nossas maiores empresas, conseguiu não apenas inviabilizar a engenharia nacional dentro de nossas fronteiras, mas também fora delas, em associação e cooperação com a justiça de países que, como os EUA, competem diretamente com o Brasil na própria América Latina, e possuem grandes empresas nessa área, que estão de olho no Brasil e no continente latino-americano, empresas que não são e nunca foram - pelo contrário - nenhum exemplo de fairplay e de honestidade no mundo dos negócios.    
A Odebrecht já teve que paralisar as obras do maior gasoduto do Peru, o governo equatoriano suspendeu a participação da empresa em obras públicas, a Colômbia e o México abriram investigações e o Panamá cancelou contratos com a empresa.

E, como e não bastasse, por pressão da AGU, a nova diretoria do BNDES acaba de suspender o financiamento de 25 contratos para a exportação de serviços de engenharia para 9 países diferentes, no valor de 7 bilhões de dólares - alguns devem ser simplesmente cancelados - embora 2.7 bilhões de dólares já tenham sido aplicados neles.

São cinco obras em Angola, incluindo o Pólo Agroindustrial de Capanda, usina também construída por empresas brasileiras; duas na Argentina, incluído o Aqueduto del Chaco;  o Aeroporto de Havana em Cuba (imaginem se essa obra ia ficar, com a atual onda de fascistização no Brasil o mais provável é que acabe sendo executada, com lucro, por alguma construtora espanhola ou italiana); uma grande rodovia em Gana; um complexo rodoviário na Guatemala; uma hidrelétrica em Moçambique; várias obras rodoviárias na República Dominicana; linhas de metrô, uma siderurgica e um estaleiro na Venezuela (um dos  maiores compradores de produtos brasileiros nos últimos anos) que, embora em crise, poderia nos pagar em petróleo ou combustíveis, por exemplo).     

Seguindo essa absurda lógica da fantástica Jurisprudência da Destruição vigente no Brasil, para se economizar 7 bilhões de reais supostamente ameaçados de envolverem irregularidades, interrompem-se e cancelam-se obras no valor de quase a metade desse total, ou cerca de 2.7 bilhões de dólares - quase 10 bilhões de reais - jogando esse dinheiro no lixo, e quebrando, no processo, centenas de empresas, mandando milhares de trabalhadores para o olho da rua, não apenas no Brasil, mas em vários outros países,  gerando um tremendo prejuízo financeiro e social, e um incalculável, irrecuperável, dano para a imagem do Brasil  no exterior, que fica com fama de nação instável e írresponsável, à deriva, com instituições não confiáveis que não honram sua palavra e seus compromissos.

Thank you, Jet Wash, thank you, mister Moro! Poderiam dizer as empresas norte-americanas, agora, agradecendo, penhoradamente, o fim da influência brasileira na América Latina.    

Nos EUA, elas continuarão trabalhando, sem ser incomodadas, devido, entre  outros fatores, à regulamentação do lobby,  na concepção e construção de porta-aviões, caças-bombardeios,  blindados e de novas armas, como canhões de munição cinética,  a serviço da modernização da doutrina militar norte-americana – há poucos dias os Estados Unidos testaram uma nova espécie de ataque, tipo Guerra nas Estrelas, com a uso de nuvens maciças de drones.

E a eleger, também sem ser incomodadas,   deputados e senadores, ligados a “grupos de apoio” financiados por elas, no Congresso, para proteger livremente seus interesses, em benefício de setores como os de infraestrutura e defesa, enquanto, no Brasil, suas congêneres, que para correr o risco de ver seus dirigentes ser detidos basta que seu nome seja encontrado na agenda de alguma autoridade governamental - estão vendo suas obras serem interrompidas e sabotadas e inviabilizadas não apenas aqui, mas também no estrangeiro.

Tudo isso, infelizmente, devido à desinformação "estratégica" de praticamente toda uma geração de juízes e procuradores do Ministério Público, que parece não ter a menor ideia do que, a médio e longo prazos, representam coisas como interesse nacional, influência e liderança continental, espaço de projeção regional, programas de "softpower", cooperação para o desenvolvimento, integração construtiva, formação de mercados,  exportação de "know-how",  técnicos, serviços, insumos, matérias-primas, equipamentos; financiamento e  fomento, nos moldes do que fazem os bancos públicos europeus, japoneses e norte-americanos como o Eximbank,  o KFW Bankengrouppe, da Alemanha, o JBIC, do Japão, por exemplo.

Tudo isso, para viabilizarem, com sucesso, esses países, projetos que, em última instância, tem o objetivo de  cooptação e propaganda, no sentido da conquista dos corações e mentes de aliados e até mesmo de ex-adversários ou de potenciais inimigos, como fez os EUA com o Plano Marshall, na Europa, logo  após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Mas é claro que um projeto nacional dessa natureza, um trabalho de décadas de investimento estratégico e diplomático, para não falar do desenvolvimento e construção de uma imagem de excelência em engenharia de infraestrutura, energia e defesa, no valor de dezenas de bilhões de dólares em projetos, dentro e fora do país, não pode ser mais importante que uma campanha corporativa, mendaz e hipócrita, voltada para inflar, junto a uma opinião pública majoritariamente formada por idiotas, o gigantesco ego de quem a conduz; incapaz de comprovar os supostos (e a nosso ver, irrisórios, irrelevantes, marginais) 3% de desvios que, afirma-se,  teriam ocorrido no caso da Petrobras e que por isso funciona na base de multas punitivas gigantescas de justificativa fantasiosa e subjetiva como “danos morais coletivos”.

Campanha essa que se baseia em uma operação tão ignorante, do ponto de vista estratégico,  quanto inútil e destrutiva, que arrebentou com a governabilidade do país e já acarretou mais de 140 bilhões de reais em prejuízo para a economia.

Uma máquina ininterrupta de moer empresas, riqueza, projetos, investimentos, acionistas, investidores, trabalhadores, reputações, que no final, não dará em quase nada,  do ponto de vista histórico, como ocorreu com a Operação Mãos Limpas, na Itália.
A não ser promover a morte e desnacionalização de nossas maiores empresas de engenharia e ajudar na interrupção, implosão, atraso e quebra de projetos fundamentais para a segurança nacional, como a construção do submarino atômico da Marinha, dos caças bombardeios da Aeronaútica, de nosso projeto de enriquecimento de urânio, da construção dos novos mísseis ar-ar da Força Aérea, entre outros.

Levando ao surgimento de uma massa e de um partido fascista no Brasil, que poderá resultar na eventual eleição, baseada na “anti-política” estupidamente fomentada no país nos últimos três anos, de um energúmeno qualquer também fascista (ou assemelhado, como ocorreu com Berlusconi, na Itália)  para a Presidência da República em 2018.

A corrupção, ao contrário do que defendem os teóricos das “10 Medidas...” e da Operação Lava-Jato, superestimando ao infinito a importância do que estão fazendo, ou melhor, desfazendo, não acabará no Brasil, como, aliás, em nenhum país do mundo, por obra e graça de uma operação jurídico-policial que pode se esticar ad aeternum, artificialmente, até que caía na banalização e no esquecimento, por obra e graça de sua própria, evidente e original, insignificância. do ponto de vista histórico, e do que realmente interessa, no longo prazo, para o país.

Se repressão à corrupção resolvesse alguma coisa, não haveria, como já dissemos aqui, corrupção na China, onde corruptos são condenados à morte e executados com uma bala na nuca.

Nem nos EUA, onde o lobby - uma maneira "elegante" de designar a adequação de interesses de empresas, partidos e "políticos" - é  regulamentado e todo mundo sabe que negócios não se fazem sem contatos, a ponto de o genro do presidente eleito Donald Trump, estar sendo investigado por suas relações com um “executivo” chinês que é casado com a neta do Presidente Xi Jinping.

Ou na Espanha, onde a família real foi acusada, e o genro do Rei ganhava salários milionários de empresas espanholas que vieram para o Brasil - teoricamente para acabar com os “cabides de emprego” de nossas empresas estratégicas, criminosamente privatizadas e desnacionalizadas, na década de 1990, como ocorreu com a Telebras.

Até porque o que se está considerando aqui corrupção, em alguns casos, como resultado de descarada interferência do Judiciário e do Ministério Público na Política, em outros lugares, como os EUA - tão incensado e babado por certos juízes e procuradores - não é considerado mais do que relações normais entre o setor público e o privado, sem as quais um país normal não consegue funcionar.

No Brasil, será possível melhorar o combate à corrupção – nunca vencê-la, porque isso, infelizmente, é um objetivo de difícil consecução na maioria dos países do mundo – quando o ensino da ética, da cidadania e da honestidade, com base na Constituição, tornar-se obrigatório durante todo o período escolar, do ensino infantil à universidade, em todo o território nacional.

E o STF determinar finalmente, sem margem de dúvida, e sem acovardar-se diante da malta fascista que costuma tomar as ruas, o que é e o que não é corrupção, aos olhos da lei, se considerando o Caixa 2, as doações oficiais de campanha, os financiamentos a partidos e fundações, o pagamento de palestras e de consultoria, hoje tudo automaticamente transformado em propina, para justificar a permanência e ubiquidade do processo kafquiano que tomou conta do país. 
Sem esquecer a Suprema Corte que, ao fazê-lo, é preciso atuar com a lucidez necessária para não inviabilizar o funcionamento normal das empresas, das instituições e da economia, a cada novo escândalo, "fabricado" ao não.

E de não paralisar o país nas próximas décadas, impedindo a implementação dos programas e projetos necessários à construção do desenvolvimento e da soberania, e à reconquista de uma positiva e construtiva liderança na América Latina, já prejudicados de per si, pela estúpida aprovação da PEC 55, que nos engessará, do ponto de vista da competição, com relação a outras nações, nos próximos 20 anos.

Em, inglês, o termo Jet Wash designa o que costumamos chamar aqui de lavadora de alta pressão, enquanto Wash-Craft se refere ao que poderíamos chamar de lava-jato tradicional, aqueles "túneis" de posto de gasolina, que vemos nos filmes de Hollywood.

De comum,  a ideia de rapídez, associada, primeiramente, no caso brasileiro, à lavagem de dinheiro, com o ganho institucional de lembrar também, em duplo e subjacente sentido,  a intenção de se limpar, manifestada, a todo momento,  pelos novos hércules de nossa novíssima mitologia, os currais de Aúgias da "corrupção" nacional.

Ora, qualquer um que tenha usado uma lavadora desse tipo, sabe que o segredo está na pressão que se coloca nela.

Pouca força pode atrasar o trabalho, que, no entanto, sairá mais prudente e meticuloso no final, e muita pressão, descontrolada, pode simplesmente arrebentar com a pintura do carro, ou abrir buracos, arrancando lascas, no piso de ardósia da garagem que se está lavando.

Considerando-se os resultados obtidos, em termos de eliminação de postos de trabalho, paralisação, interrupção, sucateamento, de projetos de bilhões de dólares - agora também fora das fronteiras brasileiras, mas em obras que envolvem empresas nacionais - e o prejuízo, de dezenas de bilhões de reais para acionistas, investidores e fornecedores, incluídas multas punitivas de dimensões estratosféricas, a Lava-Jato lembra, estrategicamente, um bando de malucos que tomaram de assalto um brucutu - veículo blindado de dispersão de multidões com o uso de jatos de água - daqueles que mandam o manifestante a vários metros de distância e entortam  sinais de trânsito  - que estão se divertindo quebrando  ossos e vitrines e parabrisas de carro.

Mas é claro que não se pode computar todo esse desastre apenas à ignorância e desinformação dos membros da Operação.

A Lava-Jato tem evidentes objetivos políticos, mal-disfarçados pelas desastradas declarações de alguns de seus membros (“timing”, "convicções", ativismo político na internet e fora dela, etc), que podem ter ido da facilitação da derrubada do governo Dilma ao fortalecimento da plutocracia com relação ao poder político eleito diretamente pelo povo, passando pelo impedimento da  candidatura de Lula em 2018, ou pela eventual candidatura de uma de suas "celebridades" nas próximas eleições presidenciais.  

É preciso, portanto, ser justos. 

É claro que o Juiz Sérgio Moro não alcançou, ou está prestes alcançar, esse objetivo, entre outras coisas, tão interessante para os Estados Unidos, sózinho.

É preciso colocar, igualmente, no pedestal  dos responsáveis pela destruição da engenharia brasileira, de nossas maiores empresas e construtoras, da sua utilização estratégica do ponto de vista geopolítico, no esforço de integração e de desenvolvimento da América do Sul e do Caribe -  as únicas áreas em que o Brasil poderia projetar, históricamente, sua influência, além da África - os jovens (alguns já nem tanto) procuradores do Ministério Público, tão ególatras quanto desinformados, do ponto de vista estratégico, que com ele dividem, de vez em quando,  holofotes e incensos na terra do Tio Sam.

E, mais uma vez, não podemos também ser injustos, é preciso não esquecer a decisiva contribuição e hipocrisia  da parcela mais  cínica, mendaz, abjeta e entreguista da mídia, aquela que não tem a menor visão de país, e nenhuma responsabilidade para com o futuro e os interesses do Brasil, ou para com o fortalecimento pátrio. 

3 de fev de 2017

O MORO, O MORES.




Atendendo a "pedidos da imprensa" e "diante do contexto, com humildade", o Juiz Sérgio Moro não perde a oportunidade de exercer o papel com que vem se acostumando, habitualmente, no âmbito da Operação Lava Jato, devido a um STF constantemente pressionado por uma opinião pública manipulada e fascista - o de rabo abanando o cachorro.

Em gesto que ilustra o surrealismo e a total inversão da lógica, posturas e costumes que assola o Judiciário nacional,  nosso mais célebre juiz de primeira instância fez questão de emitir "nota" a propósito da indicação do Ministro Edson Fachin como relator, na Suprema Corte, da Operação Lava-Jato, avalizando assim, claramente, a escolha da autoridade a quem ele, como magistrado, terá que se subordinar e reportar daqui para frente.

Cara de pau para ninguém botar defeito, que passaria em brancas nuvens, diante da expressão de paisagem e da abjeta cumplicidade da maior parte da imprensa, se não fosse tão escandalosa que até mesmo certos expoentes da direita midiática mais empedernida e conservadora resolveram tocar no assunto.


28 de jan de 2017

PARA QUEM ACREDITA NA FADA DOS DENTES






Em nova mancada, do ponto de vista estratégico e de comunicação com o público, a diretoria da Petrobras acaba de anunciar outra "baixa" - ridícula - do preço dos combustíveis nas refinarias, da ordem de alguns centavos por litro, quando poderia estar guardando esse dinheiro para ajudar na recuperação do faturamento da empresa. 

"Queda" esta - eis aí um segredo de Polichinelo que todo mundo conhece - que deverá resultar, paradoxalmente, ao que tudo indica, se formos levar em consideração o que ocorreu ultimamente, quando medidas como esta foram anunciadas, em novos aumentos da gasolina e do diesel nas bombas de combustíveis.

Só acreditam que vão cair os preços, os consumidores - adultos - que acreditam em Papai Noel ou na Fada dos Dentes. 

E os "trouxinhas" que, nas redes sociais - apesar dessas e de outras - ainda estão rindo, comemorando a derrubada do  último governo

27 de jan de 2017

O CERCO AOS BANCOS PÚBLICOS E O FUTURO DO BRASIL



(Revista do Brasil) - Nos últimos meses, o governo brasileiro não apenas está tomando medidas temerárias do ponto de vista estratégico como também o está fazendo na contramão do mundo, em um momento em que o nacionalismo e o Estado se fortalecem, como reação à globalização, até mesmo pelas mãos da extrema direita, nos países mais desenvolvidos. 

O que vem sendo apresentado, com a cumplicidade de uma mídia imediatista, irresponsável e descomprometida com os objetivos nacionais, não passa de uma sucessão de “negócios” apressados e empíricos que têm como único norte o acelerado desmonte, esquartejamento e inviabilização em poucos anos, do Estado, com deletérias, estratégicas, e talvez irreversíveis consequências para o futuro.

Estamos entregando o país aos negócios privados, principalmente estrangeiros, em transações gigantescas, feitas a toque de caixa, que envolvem bilhões de dólares. Na maioria das vezes, à revelia da sociedade brasileira, a ponto de muitas estarem sendo realizadas até mesmo sem licitação, como está ocorrendo com a “venda” e desnacionalização de poços do pré-sal e de outros ativos.

Tudo isso com uma fúria privatista que só encontra paralelo nos nefastos mandatos de Fernando Henrique Cardoso, que tiveram como principais consequências econômicas a duplicação da dívida líquida pública e a queda do crédito, do PIB, da renda assalariada e do trabalho formal ao fim de seus oito anos de governo.


Se o recuo estratégico é grave em setores primordiais, como energia, infraestrutura e defesa, ele atinge também, drasticamente, os bancos públicos. 

Assim como não existem grandes países sem grandes empresas nacionais, também não existem grandes nações que possam prescindir de um forte sistema financeiro público para que se desenvolvam estratégica e soberanamente. 

Não se trata apenas, como ocorria no passado, do direito de cunhar moeda, mas de ter instrumentos que possam garantir que a roda da economia continue girando.

Nos últimos anos, o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram cruciais para manter o país crescendo, investindo na “bancarização” da população e na expansão do crédito. 

O volume de crédito em circulação, que caiu de 36% para 23,8% do PIB nos governos de FHC, mais do que duplicou nos governos do PT, até atingir 54,2% em dezembro de 2015. 

Sem o financiamento à indústria e à agricultura teria sido impossível, para o país, enfrentar a longa sucessão de graves crises que vêm atingindo o mundo ocidental e o capitalismo desde 2008, quando a banca privada se retraiu, deixando de emprestar dinheiro e passou a investir, como sempre fez historicamente, basicamente em títulos do governo.

Com isso, embora o lucro dos bancos tenha aumentado mais de 400% na era Lula com relação ao governo anterior, as instituições públicas se expandiram mais do que as particulares, aumentando a variedade e quantidade dos serviços prestados a seus clientes, sua oferta de crédito, seus lucros e sua presença na economia nacional.

E como o atual governo responde a esse imprescindível papel estratégico? 

Pega carona e incentiva a campanha, com forte componente ideológico, que se está desenvolvendo na mídia e nas redes sociais, contra o BNDES. 

Promove a estúpida, suicida e inexplicável eliminação de R$ 100 bilhões dos ativos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que estão sendo repassados ao Tesouro, para suposto “abatimento” cosmético e irrelevante da dívida pública, em um momento em que o país é apenas a 40ª nação do mundo em endividamento, e se encontra mergulhado em grave recessão.

Reforça essa política de terra arrasada com a interrupção e eliminação, pela atual diretoria do BNDES, de projetos de exportação de serviços de engenharia de empresas já atingidas em bilhões de dólares, pelo tsunami punitivo da Operação Lava Jato. 

Com isso, morrem no nascedouro milhares de empregos que poderiam surgir por meio de alguns dos maiores expoentes da engenharia nacional e de centenas de médias e pequenas empresas de sua cadeia de fornecedores.

O governo estende os nefastos efeitos dessa abordagem destrutiva do Banco do Brasil e da Caixa – apelando para a velha desculpa da busca de “eficiência” – promovendo seu desmanche e “enxugamento”, com o já anunciado fechamento de centenas de agências e a demissão “incentivada” de milhares de funcionários, em um momento em que dezenas de municípios, para o enfrentamento da crise, não poderiam prescindir da presença e do apoio dessas instituições.

Quais são as razões que se escondem por trás disso? Por que e para que torcer o pescoço das galinhas dos ovos de ouro da economia nacional que, além de manter o país funcionando, deram altíssimos retornos para seus acionistas e para a União e estão ligadas a conquistas de enorme importância social, como a construção de 3,5 milhões de casas populares nos últimos anos?

De 2010, para cá, o BNDES, além de emprestar centenas de bilhões de reais para grandes, médias e pequenas empresas, teve mais de R$ 40 bilhões de lucro. O Banco do Brasil alcançou, em 2011, um lucro líquido de mais de R$ 12 bilhões e chegou a mais de R$ 14 bilhões em 2015. Os seus ativos, que eram de quase R$ 1 trilhão em 2011, chegam a quase R$ 1,5 trilhão este ano. A Caixa Econômica Federal lucrou quase R$ 4 bilhões em 2011 e expandiu seus resultados para 7,2 bilhões em 2015.

De que tipo de “reestruturação” esses bancos precisam? De mandar gente embora para fazer com que os que vão ficar trabalhem o triplo – cada funcionário de agência do Banco do Brasil já é responsável, em média, pelo atendimento a quase 450 contas da instituição – e comecem a cometer falhas, e fazer os clientes pensarem em migrar para os bancos privados?

Não se pode compreender esse cerco à banca pública a não ser como um desejo subjacente de abrir mercado para a banca privada, embora esta não tenha deixado de multiplicar também seus ganhos. 

Deve assustar, sobretudo, a possibilidade que os bancos públicos têm, a qualquer momento, de regular indiretamente o mercado, sempre que necessário, baixando as suas taxas de juros e as tarifas que cobram da população.

Mas essa deliberada e injustificável estratégia de sabotagem e sufocamento dos bancos públicos pode ter, também, outras intenções. 

Como sempre ocorre, ela abre caminho para que se possa dizer que eles estão operando mal ou perdendo dinheiro, e que devem ser privatizados a médio prazo, eliminando-os totalmente, da economia nacional.

Assim como ocorre no caso da Petrobras, a sociedade brasileira precisa responder ao desmanche e à campanha contra a banca pública decisivamente. 

Os bancários e os municípios prejudicados devem entrar na Justiça contra o fechamento de agências, levando ao Judiciário e ao Ministério Público informações relativas à verdadeira situação financeira dos bancos estatais e sua importância econômica e social no contexto do processo de desenvolvimento brasileiro.

É preciso que aqueles que dizem que é necessário aumentar a “eficiência”, expliquem onde está a ineficiência de instituições que praticamente salvaram o país durante a crise de 2008, que contribuíram para a expansão do crédito, da produção e da infraestrutura e que, na última década, deram dezenas de bilhões de reais em lucro. 

Enquanto o sistema financeiro privado internacional, por ineficiência, desonestidade e fiscalização, levava a economia global ao colapso.