29 de nov de 2017

NÃO HÁ NADA A COMEMORAR. COM O FIM DA CANDIDATURA HUCK, QUEM GANHA É BOLSONARO.




 

Não há nada a comemorar na renúncia do apresentador Luciano Huck à sua pré-candidatura à Presidência da República. 


Queira ou não, eventualmente um produto neoliberal com a marca da Globo escrita, pelo tempo e estilo, na testa, e com grande potencial de penetração no “mercado” e na faixa sócio econômica que apoia Lula, ele teria muito mais votos a tirar de Bolsonaro do que daqueles que, contra a maré, o senso "comum"  e o discurso único, dizem que votariam no ex-presidente para ocupar a principal cadeira do Palácio do Planalto. 


Caso a justiça brasileira, mais especificamente o TRF-4, insista na temeridade de alterar o curso da história, impedindo que Lula se candidate nas próximas eleições, muita gente vai sentir falta do homem do Caldeirão para dividir os votos da direita e servir de contraponto minimamente "civilizado" ao furioso avanço do fascismo full, duro e puro, sobre o país, nas eleições de 2018.

Afinal, ficar fora do páreo dará a Huck a possibilidade de fazer qualquer coisa.


 

Até mesmo, se quiser - embora não aposte minhas moedas de 100 reis nessa hipótese - apoiar publicamente Bolsonaro.


 

A pergunta que não quer calar é a seguinte: a Globo pressionou Huck a pular fora do barco, apenas para fingir que não tem um lado – o próprio – e que é “imparcial” e por “bom mocismo”, ou existe algo mais denso – sombrio e soturno - por trás dessa atitude?

O STF, O GRANDE GOLPE DO PAÍS DA IMPUNIDADE E O INEXORÁVEL AVANÇO DA ARBITRARIEDADE.






(Revista do Brasil) - Contrariamente ao que determina o texto constitucional - quem for contra que se candidate e altere a legislação no Congresso - a AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros vai questionar no Supremo Tribunal Federal as decisões de assembleias legislativas estaduais que liberaram parlamentares da prisão ou do cumprimento de cautelares.



A Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, enviou mensagem aos ministros do STF, nesse sentido.


E membros  do Ministério Público também  defenderam, reunidos no 34ª Encontro Nacional dos Procuradores da República, na semana passada, por meio de carta aberta, que “a execução da pena após a decisão condenatória de segunda instância e a atual legislação que prevê as colaborações premiadas são medidas essenciais ao combate à impunidade, devendo-se evitar retrocessos".


A desculpa para a pressão política e corporativista é a mesma de sempre.


A velha conversa do “Grande Golpe do País da Impunidade”, alicerce da eleição de  Jânio, do avanço do Lacerdismo, da hipocrisia udenista, agora reforçada pelo conceito demagógico,  hipócrita, mendaz e oportunista de uma intocável e incontestável campanha de combate à corrupção, que justifica indiretamente os discursos do “bandido bom é bandido morto”; da diminuição da idade penal; da defesa da tortura como método de investigação e punição de quem nasce ou ousa se colocar à margem do Sistema; da criminalização da política e do presidencialismo de coalizão; da  desvalorização, desobediência e desprezo pelo Estado de Direito, com a eliminação prática de direitos e garantias inidviduais, começando pelo Habbeas Corpus e a ampla defesa; da prisão sem flagrante indefinidamente estendida, visando à extorsão de confissões e delações sem provas; da delação como método institucionalizado de investigação, livramento de corruptos comprovados, detenção e punição de - políticos ou não - desafetos; da banalização da violência e do genocídio executado nas periferias contra uma população majoritariamente composta de descendentes de escravos por um dos aparatos de “segurança” que mais mata no mundo; da institucionalização da guerra civil por meio do rearmamento da população;  do crescimento e manutenção de privilégios em corporações como a Polícia, a Magistratura e o Ministério Público, no crescimento da estrutura repressiva do Estado, por meio do aumento do salário, do poder e de benefícios injustificáveis da alta plutocracia, criando castas cujos rendimentos passam de 100 vezes o que ganha a base da população, castas essas que pretendem, com base em meros concursos de discutível qualidade, e até eventualmente fraudados, interferir no processo político, e transformar-se em uma armada de supostos ungidos, “Salvadores da Pátria”, destinada a tomar de assalto o Estado e a tutelar a República.


Se muitos definem o Brasil como o país da impunidade, nós poderíamos apresentá-lo, perfeita e paradoxalmente, como, na verdade, o país da arbitrariedade.


Afinal, que raios de impunidade é essa, se, por aqui, com a desculpa de que a polícia prende e a justiça solta, centenas, milhares de pessoas são executadas  pelas forças de segurança, todos os anos, mesmo estando desarmadas ou dominadas e sob a mira de celulares ou câmeras de vigilância?


Que impunidade é essa, se, em alguns estados, mais de 60% dos presos que se encontram atrás das grades, muitas vezes há meses, anos, sequer tiveram direito a julgamento ou a qualquer tipo de assistência jurídica?


E o índice de encarceramento, nos últimos 10 anos, foi um dos que mais aumentaram no mundo?


Como pode o Brasil ser o país da impunidade, se os efeitos da punição de perda de liberdade se multiplicam ao infinito - com o “pagamento” das penas - tendo estas sido fixadas pela justiça, ou, eventualmente, informalmente, pelo delegado ou carcereiro da delegacia da esquina - porque são cumpridas em condições animalescas com a quinta maior superlotação do mundo - o que obriga o preso a ficar de pé noite e dia, ou a se pendurar em gangorras improvisadas nas grades da cela se quiser enganar-se a si mesmo e fingir que está dormindo por alguns minutos?


No qual presos ficam detidos em  gaiolas e conteiners, adolescentes permanecem presas por semanas em celas masculinas e a mesma acumulação sádica de presos em espaços exíguos facilita a disseminação de doenças, com milhares de detentos morrendo todos os anos - em um índice maior do que o das centenas que perecem assassinados nas mesmas celas -  sem assistência médica, por doenças tratáveis como a aids, a tuberculose, a hanseníase e infecções de pele?


No entanto, é essa mesma justiça, incapaz de solucionar mais do que uma fração de 60.000 assassinatos por ano, ou de impedir massacres feitos costumeiramente por membros de forças de segurança, ou de garantir a incolumidade física de detentos sob custódia do Estado, na qual há juízes que tiram dois meses de férias ou que recebem em um único mês mais de meio milhão de reais, que quer posar de exemplo para o mundo, como implacável e impiedosa paladina de um pseudo combate à  corrupção e à impunidade.


Da destruição da engenharia brasileira, de grandes empresas, punidas no lugar de seus eventuais corruptos, que foram levadas a demitir mais de um milhão de trabalhadores nos últimos quatro anos, de multas “morais” aleatórias e absurdas, com justificativas absolutamente subjetivas, da ordem de vários bilhões de reais, da interrupção e sucateamento de dezenas de bilhões de dólares em obras e projetos, muitos deles estratégicos para a nação, nas áreas de energia, infraestrutura e defesa, - no contexto do mesmo Grande Golpe do País da Impunidade - é melhor nem falar.


Basta que se pergunte quem se beneficiou com isso.


Começando por nossos concorrentes externos - que incensam com espelhinhos e missangas nossos heróicos cavaleiros do Judiciário e do Ministério Público, muitos deles “treinados” anteriormente nesses mesmos países.


E por suas grandes companhias, que estão adquirindo hoje, a preço de banana, os ativos colocados à venda, apressadamente e em péssimas condições, pelas empresas que estão sendo destruídas nesse mesmo altar de um suposto combate à impunidade, em que se imolam touros premiados com a desculpa de matar seus carrapatos, enquanto se recupera, efetivamente, migalhas, quando comparadas ao que já foi direta e indiretamente arrebentado juridicamente nos últimos quatro anos na economia brasileira.


Além dos ativos que estão sendo “privatizados” e desnacionalizados por um governo  que usa as mesmas justificativas para entregar a gringos - e até mesmo para empresas estatais estrangeiras -  também  na bacia das almas - quando não com bilionário, trilionário prejuízo para o país -  vide a isenção tributária do último leilão do pré-sal - o nosso patrimônio público.


E como vamos corrigir esses absurdos?


Reforçando princípios universalmente  aceitos, como a necessidade de provas, a presunção de inocência, o imprescindível esgotamento de todas as instâncias de  defesa?


Ou aumentando ainda mais - como se pretende agora - a vulnerabilidade do indivíduo frente a um estado brutal, injusto, primitivo, medieval e assassino, na repressão e punição a investigados e suspeitos de terem cometido crimes?


Ou será que medidas supostamente criadas para atingir nababos não irão igualmente se abater sobre a cabeça de pequenos traficantes de beco de cracolândia e de ladrões de galinha?  


Toda unanimidade é burra.


Quando todos estiverem gritando a mesma coisa, desconfia!


Independente do caráter ou da orientação ideológica de seus adversários, quem defende a democracia não pode entrar nesse jogo de apoiar, ainda por cima seletivamente, o uso da justiça na disputa política.


A hipocrisia e o falso moralismo - como a ascensão de Hitler e de Mussolini mostraram sobejamente na década de  1930 - são as melhores escadas - com consequencias terríveis, criminosas, horrendas - para a vitória da demagogia, da estupidez e do autoritarismo.


O que a nação precisa, agora, é voltar a colocar os pingos nos is, em defesa da preservação possível da liberdade e da dignidade humana.


Equilibrando o discurso denuncista, inquisitorial, punitivista, com a retirada, entre outras coisas, da faculdade do Ministério Público de negociar delações “premiadas”, fixando penas, e acordos de leniencia que depois são contestados por outros órgãos, culminando com a volta da urgente discussão da questão do abuso de autoridade.  


Nesse sentido, representa um tênue brilho de honra, lucidez e esperança a carta enviada por 72 procuradores municipais à organização do congresso nacional da categoria, realizado esta semana  em Curitiba, alertando para a partidarização da classe e pedindo o cancelamento da presença do Juiz Sérgio Moro para discursar na abertura do evento, ou que ao menos fosse feito um contraponto, com o convite a alguém com uma opinião divergente, como o ex-ministro da Justiça e ex-procurador federal Eugênio Aragão.


Em protesto contra a recusa dos organizadores de fazerem uma coisa ou outra, procuradores vaiaram Moro quando ele estava falando, e abandonaram o recinto, marcando posição e mandando uma poderosa e corajosa mensagem não apenas para a República de Curitiba, mas para todo o país.


"Nem todo mundo na classe está idiotizado", disse o ex-presidente da ANPM, Guilherme Rodrigues, sublinhando que “não se combate a corrupção combatendo direitos fundamentais” - uma frase que resume aquele que deveria ser o grande debate do Brasil neste momento e que demonstra, de forma cabal, que não existe, quanto à Operação Lava Jato, a unanimidade que querem fazer crer certa mídia e alguns ministros do STF.


Se cederem às pressões e chantagens - cada vez mais  fortes, frequentes e descaradas - que  estão sendo movidas contra eles, os membros da Suprema Corte, cujo principal papel seria justamente o de resistir, como uma rocha, em defesa do Estado de Direito, usando a própria Constituição como manual e limite para evitar meter-se na seara política, podem renunciar às suas prerrogativas e atribuições, e trancar, à chave, e com correntes e cadeados, as portas do prédio do Supremo Tribunal Federal.


O último a sair que apague as luzes, sem esquecer os holofotes que iluminam a estátua de certa  senhora sentada à frente do prédio.


Uma justiça cega e sem balança, que o escultor Alfredo Ceschiatti, ao que parece, dotou perigosa e profeticamente apenas de uma espada, ao arrancá-la do coração de um bloco de granito, na década de 1960.

26 de nov de 2017

O CORNO DA RUA



(Revista do Brasil) - Se, como dizia Von Clausewitz, a guerra é a continuação da política por outros meios, na encarniçada guerra em que se transformou a política, nos dias de hoje, a missão do jornalismo deveria ser a de escrever a história enquanto ela ocorre e acontece, se a mídia não estivesse, na maioria das vezes, a serviço de seus próprios interesses e de projetos de poder mendazes, hipócritas e manipuladores.


Só os ingênuos acreditam em imprensa isenta em uma sociedade capitalista - na qual ela defende o interesse de seus donos e anunciantes - e mais ainda em um país como o Brasil, em que praticamente inexistem meios de comunicação públicos, quanto mais democráticos e de qualidade, como em outros lugares do mundo.

A “história oficial” que tenta contar, ou corrobora, enquanto discurso quase único, a mídia brasileira hoje, é a de que vivemos em um país subitamente assaltado, em termos históricos, nos últimos 15 anos, por “quadrilhas” e organizações criminosas, infiltradas em governos populistas e incompetentes que, acossado pela corrupção, tenta, por meio de uma justiça corajosa e impoluta, livrar-se desse flagelo “limpando” a ferro e fogo a Nação, enquanto um governo que, coitado, não é perfeito, mas foi alçado ao poder pelas “circunstâncias”, tenta “modernizar” o Brasil, por meio de reformas tão inadiáveis quanto necessárias, para tirá-lo de uma terrível bancarrota em que o governo anterior o enfiou.

Mas a história real que ficará registrada nos livros do futuro - queira ou não quem está a serviço dessa gigantesca mistificação - falará de um Brasil que, no início do Século XXI, chegou a sair da décima-quarta economia do mundo para o sexto posto nos últimos 15 anos - e que ainda ocupa o nono lugar entre as nações mais importantes do mundo.

De uma nação que mais que triplicou seu PIB de 504 bilhões em 2002, para quase 2 trilhões de dólares no ano passado - que pagou - sem aumentar a sua dívida pública com relação a 2002 - seus débitos com seus principais credores internacionais - entre eles o FMI - e quadruplicou sua renda per capita em dólares, além de economizar mais de 340 bilhões de dólares em reservas internacionais, nesse período, transformando-se no que ainda é, hoje, em 2017, o quarto maior credor individual externo dos EUA.

Um país que cortou, segundo números do IBGE, o número de pobres pela metade, duplicou o número de escolas técnicas federais, construiu quase 2 milhões de casas populares, com qualidade suficiente para atrair até mesmo o interesse de altos funcionários do Estado, como procuradores da República. .

Um país que tinha voltado a construir refinarias, navios, grandes usinas hidreléctricas, gigantescas plataformas de petróleo e descoberto, com tecnologia própria, abaixo do fundo do mar, a maior província petrolífera, em termos mundiais, dos últimos 50 anos.

Que expandiu o crédito e o consumo, duplicou sua safra agrícola, projetou-se internacionalmente em seu próprio continente e até o continente africano - como fazem outros países de sua dimensão e importância - e forjou uma aliança geopolítica com potências espaciais e atômicas, como Índia, China e Rússia - o BRICS - montando um banco que foi criado com a missão de transformar-se no embrião de uma alternativa ao sistema financeiro internacional.

Que estava construindo submersíveis - entre eles o seu primeiro submarino atômico - tanques, navios de patrulha, cargueiros aéreos, caças-bombardeiros, radares, novos mísseis ar-ar, sistemas de mísseis de saturação, uma nova família de rifles de assalto, para suas forças armadas, por meio de forte apoio governamental a grandes empresas de engenharia de capital majoritariamente nacional, integrando esses esforços com outros países, também do próprio continente, para fortalecer a defesa e a soberania regional contra eventuais agressões externas.

Um Brasil que, por estar fazendo isso, sofreu, nos últimos quatro anos, um ataque coordenado, ideológico e canalha, de inimigos internos e externos.

Primeiro, com a revelação do escândalo de espionagem do país e do governo, e empresas que depois seriam, coincidentemente acusadas de corrupção, como a Petrobras, por parte de governos estrangeiros.,

Depois, por meio de um golpe iniciado com manifestações financiadas de fora do país, desde a época da Copa do Mundo, e de uma ampla campanha de sabotagem midiática e de operações de contra-informação permanentes, financiadas e coordenadas em muitos casos de fora do país, com o deslocamento para cá de embaixadores que estavam presentes quando do desfecho de golpes semelhantes e recentes em outros países sul-americanos, como o Paraguai, por exemplo. 



Um golpe que, iniciado no ano de 2013, foi finalmente desfechado, politicamente, em 2016 - baseado em uma tese juridicamente insustentável - para gáudio do que existe de pior na política brasileira e de nossos concorrentes internacionais.

Concorrentes que, como vimos, pretendiam e desejam não apenas parar o Brasil no caminho que estava seguindo, de seu fortalecimento econômico, social e geopolítico, mas destruir a economia brasileira, para se apossar, por meio de uma segunda onda de destruição e de desnacionalização de nossas empresas, de nosso mercado interno e de nossos mais importantes ativos públicos e privados a preço de banana, colocando no poder “governos” de ocasião, entreguistas e dóceis às suas determinações e desejos.

Para fazer isso, os inimigos do Brasil agiram - e continuam agindo - na frente política e na econômica, sustentados por paradigmas tão falsos quanto mendazes, que muitas vezes podem se apresentar como aparentemente contraditórios aos olhos de certos observadores.

O principal deles, é o que reza que a corrupção é o maior problema brasileiro, e que trata-se, ela, de um fenômeno recente em nossa história, ou que alcançou supostamente “gigantescas” proporções, somente a partir de chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder em janeiro de 2003.


Na economia, por outro lado, era e é preciso vender o peixe de que o país está quebrado, quando no grupo das 10 principais economias do mundo, em que nos incluímos depois de 2002, pelo menos 7 países - EUA, Japão, Reino Unido, França, Itália, Canadá - têm uma dívida pública maior que a nossa, o governo encontrou 200 bilhões de reais no caixa do BNDES , “adiantados” em “devolução” ao tesouro - no lugar de serem investidos em infra-estrutura para a geração de emprego, - e temos mais 380 bilhões de dólares - ou mais de um trilhão de reais - em reservas internacionais, acumulados nos últimos 15 anos - boa parte deles, mais de 260 bilhões, emprestados aos EUA, como se pode ver pela página oficial do tesouro norte-americano: http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt

Ora, como já afirmamos aqui antes, se a situação real da dívida brasileira era e continua sendo essa, com relação às outras nações que conosco dividem - e concorrem - no pelotão das maiores economias do mundo, por qual razão isso nunca foi divulgado de forma clara, ampla, transparente, pelo governo e pela grande mídia, e seus “especialistas” de plantão, desde a saída de Dilma?

Ora, porque isso quebraria a espinha dorsal da “história oficial”, do discurso único e do senso comum que imperam na internet, neste momento, que afirmam e reafirmam, a todo momento:

Que o PT é incompetente e irresponsável e quebrou o Brasil - quando o PIB e a Renda per capita encolheram e a dívida líquida duplicou nos governos de FHC, apesar da venda de quase 100 bilhões de patrimônio público, a preço de banana, quando não com financiamento do BNDES, até mesmo para compradores do exterior.

Que é necessário fazer reformas - injustas, mentirosas, cruéis, inúteis - como a trabalhista e a previdenciária (vamos ver o que nos reserva a tributária) senão o Brasil vai quebrar, inexoravelmente, no futuro próximo.

Que precisamos de um teto para os gastos do governo para os próximos 20 anos, porque o Estado é superdimensionado e perdulário, quando os EUA, por exemplo, apenas na área de defesa, tem mais funcionários públicos que o Brasil; a maioria dos grandes países com que concorremos - ainda que marginalmente - devem, como já viu, mais do que devemos; quando eles se endividaram para se desenvolver e continuarão a se endividar - e a se armar - livremente, no futuro; enquanto nós estaremos sendo governados por imbecis - ou espertalhões a serviço de terceiros - vide os mais de 200 milhões de reais ganhos pelo Ministro da Fazenda no exterior nos últimos 3 anos - como se fôssemos uma mercearia, preocupados não com geopolítica, mas apenas, supostamente, com receitas e despesas, sendo condenados, pelo menos por uma geração, a subir no ringue para disputar, em um mundo cada vez mais complexo e competitivo, com um olho vendado e um braço e uma perna amarrados nas costas, com nações sem limite real de endividamento, que privilegiam a estratégia nacional no lugar dessa estúpida modalidade de suicídio nacional , ou melhor, de austericídio.

Que, finalmente, diante da supostamente calamitosa situação que o país vive, não há outra saída a não ser privatizar tudo - quando não entregar de mãos beijadas até mesmo a empresas estatais estrangeiras - nossas próprias estatais e seus ativos, na bacia das almas e a toque de caixa, porque elas trabalham mal, dão prejuízo; e servem como cabides de emprego - como se empresas privadas não fossem useiras e vezeiras em tráfico de influência, funcionários que conduziram a privatização da Telebrás não tivessem depois se transformado, durante anos, em presidentes de multinacionais do setor no Brasil, e o genro do rei da Espanha, por exemplo - um ex-jogador de handebol - não tivesse ganho milhares de euros por reunião, em escândalo conhecido, “pendurado” como membro do conselho de empresas “privatizadas” para capitais espanhóis por estas bandas.

Como seria possível para o governo Temer, entregar o pré-sal por menos de 20 bilhões de reais, o controle da Eletrobras, a empresa líder de nossos sistema elétrico, por 13 bilhões de reais, e até a Casa da Moeda - país que repassa a terceiros o direito de imprimir o seu dinheiro não merece ser chamado de Nação - se ele admitisse que tem, deixados pelo PT - que acusa de ter quebrado o país - mais de um trilhão de reais em caixa, à disposição do Banco Central, além de uma quantia superior ao que está querendo arrecadar com privatizações apenas nos cofres do BNDES?

Da mesma forma que é preciso, na política - e na economia - vender o peixe - tão falso como o primeiro - de que a corrupção é o maior flagelo do país, para justificar a morte da engenharia brasileira, a destruição de nossas principais empresas nas áreas de energia, defesa, indústria naval e infra-estrutura, e a interrupção judicial de centenas de bilhões de dólares em projetos, obras e programas - vide o sucateamento e venda para a Gerdau, para derreter, de 80 mil toneladas de aço em peças de duas mega plataformas da Petrobra, que estavam prontas para serem montadas - com a eliminação de milhões de empregos e a quebra de milhares de investidores, acionistas e fornecedores, quando os juros pagos aos bancos privados e a sonegação - que atinge dois trilhões de reais - além de uma estrutura tributária perversa e injusta, que faz com que os ricos paguem muito menos impostos que os mais pobres, desviam do orçamento nacional milhares de vezes mais recursos do que, supostamente - sem provas e com base no disse me disse de “delatores” interessados em sair da cadeia a qualquer custo - se alega que foi genericamente desviado pela corrupção nos últimos anos.

Tanto é assim que a Operação Lava Jato, cantada e decantada como a “maior operação anticorrupção do mundo”, só conseguiu comprovar até agora, em setembro de 2017, 520 milhões de reais em “propina” comprovadamente paga - em financiamento de campanha, caixa 2, etc - a agentes públicos e partidos pelas construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Correa-UTC, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, e OAS, além dos casos que envolvem Palloc, Eduardo Cunha, e o suposto episódio do tríplex atribuído a Lula, dinheiro autorizado, pelo Juiz Sérgio Moro, a ser cobrado dessas empresas, pelo Ministério Público.

As outras punições envolvendo dinheiro, de dezenas de bilhões de reais, que levaram as maiores empresas de engenharia do Brasil para uma situação de quebra real e para a beira do precipício, foram absurdamente determinadas pelo Ministério Público de forma absolutamente aleatória e punitivista como condição para que as empresas pudessem participar de acordos de leniência, que, comprovou-se depois, não tem nenhuma validade jurídica, já que precisam ser corroborados, ou avalizados por outros órgãos como o TCU, a CGU, a própria Polícia Federal, que disputam com o próprio MP e a turminha da “Força Tarefa” da Operação Lava Jato um lugar ao Sol ou nas brasas da verdadeira Fogueira da Vaidade, ou casa da Mãe Joana, em que se transformaram a pluto-burocracia e o Estado brasileiros.

Com tudo isso, o Brasil não apenas perdeu centenas de bilhões de dólares em obras, empresas, desvalorização de ações, como também entregou - e continua entregando - de mão beijada, suas prerrogativas e instrumentos de desenvolvimento ao exterior, apesar de estarmos vivendo, nesta primeira quadra do século XXI, em um mundo cada vez mais nacionalista, complexo e competitivo.

A doutrina da viralatice, do mais abjeto e abnegado entreguismo, tomou conta das redes sociais e de sujeitos que desgraçadamente - para a nação - nasceram em solo brasileiro, e não tem pejo de pedir na internet ao governo Temer que entregue tudo, nosso petróleo, nossos minerais, nossas terras, nosso mercado, nossas empresas estatais aos gringos.

Já não basta o desprezo pelo PT e o Nordeste, ou - como se viu nas reações à morte da turista espanhola morta por um bloqueio da PM no Rio de Janeiro - a tudo que esteja ligado à periferia das grandes cidades. É preciso bradar, cinicamente, vestido de verde e amarelo, o ódio que ficou por tanto tempo represado, dentro dos pulmões de uma gente tão calhorda quanto desprezível, contra o próprio país e tudo que lembre nacionalismo, brasilidade, soberania, nestes tempos imbecis e vergonhosos que estamos vivendo.

A desculpa é sempre a mesma. As empresas estatais seriam - contradizendo o próprio discurso anticorrupção que está acabando com dezenas de empresas e grupos econômicos privados nacionais - mais “corruptas” e propícias à criação de “cabides de empregos” que as empresas privadas ou privatizadas, embora sujeitos que participaram diretamente da privatização da Telebrás tenham pendurado depois durante anos seu paletó na cadeira de presidente de grandes grupos estrangeiros que retalharam entre si o mercado brasileiro de telefonia móvel e até mesmo o genro do Rei da Espanha, especialista em handebol, tenha participado da farra, ganhando milhares de euros para participar de reuniões do Conselho dessa mesma empresa na América Latina.

Com a aprovação da PEC do teto dos gastos - que nos obriga a limitar nossos investimentos estratégicos quando nenhuma das maiores economias do mundo utiliza um gesso semelhante - a entrega do pré-sal a gigantes internacionais como a Shell e a Exxon, a “venda” de refinarias e outros ativos da Petrobras a mexicanos a preço de banana; a propalada “privatização” da Eletrobras, do Banco do Brasil, e da própria Petrobras, apesar dessas empresas já serem, na verdade, “privatizadas” por terem ações em bolsa; a defesa da isenção de vistos para países que não nos oferecem reciprocidade, a crescente, e desigual, “cooperação” militar entre o Brasil e os EUA; a discussão da entrega da Base Espacial de Alcântara aos Estados Unidos, e a vitória da mentalidade privatista que afirma que somos incompetentes, como país ou estado, para cuidar do que é nosso, estamos nos transformando cada vez mais, de fato e doutrinariamente, naquele sujeito que, incapaz de administrar sua casa, seus negócios e sua família, decide resolver o problema chamando o vizinho para colocar, no cinto, moral nos seus filhos, e dormir na mesma cama que a sua esposa, e, achando que está fazendo um grande negócio, coloca uma coleira e se muda, de mala e cuia, para a casa do cachorro.

Com o perdão da imagem e da carapuça - no caso, bem fornida na parte de cima - estamos correndo o risco de que nos transformem definitivamente, por abjeção explícita, no corno da rua entre os maiores países em PIB, território e população do mundo.

A criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional, neste ano, com centenas de deputados e senadores, e sua interação com organizações dignas e centenárias como o Clube de Engenharia, mostra, no entanto, que a nação não está entregue, apenas, a uma patética e miserável estirpe de entreguistas oportunistas e invertebrados.

O recuo do governo em questões como a da RENCA e do trabalho escravo nos diz que não há luta que seja em vão, quando estão em jogo os direitos do povo brasileiro e os perenes interesses da Pátria.

É necessário, no entanto, que se amplie urgentemente a resistência e a mobilização em torno dessa e de outras bandeiras.

O país precisa, mais do que nunca, negociar a estruturação de uma frente ampla, nacionalista e antifascista, de Defesa da Soberania e da Democracia, neste momento.    

17 de nov de 2017

FIAT LUX, IUDEX FUX, FIAT LUX.





Destinado a ocupar a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral de fevereiro a agosto do ano que vem, o Ministro Luiz Fux, do STF, se indagou, a respeito da eventual candidatura de Lula, em recente entrevista à jornalista Monica Bergamo:   


"Pode um candidato denunciado concorrer, ser eleito, à luz dos valores republicanos, do princípio da moralidade das eleições, previstos na Constituição? Eu não estou concluindo. Mas são perguntas que vão se colocar"...


A resposta seria sim, claro que pode, como já ocorreu com centenas de candidatos no passado. 


Caso contrário, a justiça estaria admitindo que bastaria que uma mera denúncia - eventualmente anônima - de um desafeto, viesse a ser acatada,  para que se interrompesse, se inviabilizasse, em pleno pleito, ou antes dele, a carreira política de qualquer pessoa.  

 

Mesmo se provocadas pela pergunta, as divagações do Ministro Fux parecem sinalizar que a Justiça brasileira, ou ao menos parte dela, está disposta a correr o risco de atravessar um perigoso, temerário, Rubicão, e interferir não apenas no processo político mas no próprio rumo da História, mesmo que venha, com isso, a entregar o país ao fascismo nas eleições de 2018.


Se condenar Lula em segunda instância, por um crime que não cometeu - e, no limite do entendimento surreal do Juiz Sérgio Moro e do Ministério Público da Operação Lava Jato, ao menos não chegou a concluir - seguindo o mesmo raciocínio frouxo e esdrúxulo - que será visto aos olhos do mundo como um golpe branco, tão injusto e absurdo como o que derrubou Dilma em 2016 - a Justiça teria de, no mínimo, investigar e eventualmente condenar e igualmente impedir a candidatura do pré-candidato que se encontra em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, por ter recebido e depois estornado às contas bancárias do partido, substituindo-o por recursos do fundo partidário, dinheiro da JBS.           


Mas não parece ser esse o caminho que está disposta a percorrer, por estas plagas, a velha dama da espada e da balança. 


Para não deixar dúvidas sobre que ovelha estava tosquiando, na mesma entrevista, depois de afirmar que o STF não deve fazer pesquisa de opinião pública para tomar suas decisões e que ele mesmo não pode julgar uma pessoa apenas ouvindo a sociedade, contraditoriamente o Ministro Luiz Fux fez questão de frisar - quem avisa amigo é - que o descrédito no Judiciário, derivado de uma eventual mudança de posição da Suprema Corte neste momento, a respeito da possibilidade de prisão a partir de condenação em segunda instância - tema também diretamente ligado ao futuro do próprio Lula - poderia levar o “povo” a “fazer justiça pelas próprias mãos”. 


Pegando o fio da meada, ou melhor, da bola que o Ministro Fux inocentemente colocou em campo, como se não quisesse antecipar, embora já antecipando, o resultado da jogada, não seria o caso de se lembrar outras perguntas, começando pela mais óbvia, sobre o que ele tem a dizer sobre a diferença entre denunciados e condenados com trânsito em julgado?  


Ou de perguntar a que “povo” Sua Excelência se referiu na entrevista?


Afinal, não se pode confundir os ataques obscenos de grupelhos inspirados por um senso aparentemente comum e distorcido, que nada tem a ver com o bom senso, com a opinião dominante em nosso país.


Até porque 70 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet, e a maioria dos cidadãos não dispõe de tempo para ficar destilando ódio na “rede”. Há quem precise levantar-se cedo e trabalhar para cuidar dos filhos e pagar tributos, sim, no mínimo os que estão embutidos na eletricidade, na água, no arroz, no feijão e na farinha do pão que ganha com o suor do rosto.


Como qualquer  energúmeno que se assume de  certa “classe média” conservadora, entreguista,  viralatista, gosta de propalar, em maiúsculas, nas seções de comentários da internet, afirmando que só eles pagam impostos e obedecem à legislação, se auto-intitulando, enquanto isso, ainda por cima, cinicamente, “homens de bem”.


Ou será que o Ministro Fux estaria se referindo ao "povo" - de seletiva indignação - que o ódio a determinado partido político levou às ruas, vestido de verde e amarelo, com patos de borracha e babás de uniforme,  para derrubar Dilma, e que, apesar da sucessão de escândalos que se seguiram, nunca mais voltou? 


Por outro lado, também se poderia perguntar a Sua Excelência se ele já percebeu que, no Brasil, de juristas à população de baixa renda, passando por empresários, policiais, procuradores, nem todo mundo apóia ou professa o rasteiro punitivismo savanarolista lavajatiano e o denuncismo deletério e destrutivo que se impôs e transformou em regra no país, em detrimento do Estado de Direito, da engenharia, da economia, dos empregos, da estratégia de longo prazo e dos perenes interesses nacionais, ou ao menos um terço da população não estaria disposta, segundo a maioria das pesquisas de opinião, a  expressar o seu inconformismo com o que está ocorrendo votando em Lula, apesar do permanente e implacável  massacre movido contra o ex-presidente nos tribunais, na mídia e  nas redes sociais.


Não se trata, aqui, caro Ministro, de atacar ou defender o PT.


Mas de evitar, pelo bem desta maltratada República que aniversaria hoje, que a justiça, caso impeça a  candidatura Lula por um crime difuso, inconcluso, condicional e polêmico, venha a interferir no processo político e eleitoral brasileiro e a apunhalar a Democracia, mudando, na caneta,  o rumo da história, entregando o país ao fascismo no final do ano que vem.


Até porque caso desistir da compra de um apartamento fosse crime, devolver dinheiro de doação de campanha oriundo de empresa investigada pela justiça, como já dissemos, depois que ele já estava na conta, também o seria.


Afinal, o que cabe, o que vem ao caso, segundo a absurda e consagrada jurisprudência da República de Curitiba, não é a prova, o cometimento, o crime, mas a suposta - na mente de quem  acusa - intenção do investigado.


É claro que, rezam antigas máximas latinas, ne procedat iudex ex officio; nemo debet - mesmo que indiretamente - esse iudex in própria causa. 


Tendo, segundo ele mesmo, praticamente implorado apoio ao ex-ministro José Dirceu, ao deputado petista Cândido Vacarezza, e até, por carta, ao Presidente do MST, João Pedro Stédile - entre outros luminares da legenda - para ser indicado para o cargo que ocupa, ninguém esperava que o Ministro Luiz Fux fosse pagar ao PT pelo favor recebido.


Mas que ao menos se declarasse impedido, moralmente e por uma questão de princípios, de julgar - e evitasse, por pudor, opinar, ainda mais antecipadamente, a respeito de - processos que envolvessem tal partido e seu principal líder. 


Ao menos pela razão de que a necessidade de provar o tempo todo que não está beneficiando seus benfeitores - tendo quase sempre obrigatoriamente que puni-los - poderia eventualmente afetar-lhe a isenção ou embotar-lhe o julgamento. 


A justiça brasileira, com o STF à frente, precisa afastar-se da ambigüidade, das meias verdades, das meias palavras e das pressões circunstanciais, apesar das chantagens, parar de decidir  “contra legem” e voltar a adotar a luz da Constituição e a percorrer os estreitos, e muitas vezes penosos, caminhos da Lei, usando-a como bússola e farol para guiá-la na noite tenebrosa de uma nação enlouquecida, nos últimos quatro anos, pela hipocrisia, a ignorância, o preconceito e s ira, sob pena de abrir para o país, Senhor Ministro,  os portais do caos, da violência, do obscurantismo, do autoritarismo. 


Fiat Lux na justiça brasileira e que Deus ilumine também a mente e o espírito de Vossa Excelência e de seus pares, porque o país está mergulhado em trevas e anseia por  um mínimo de decência, de responsabilidade, de equilíbrio e de razão. 


Fiat lux, Iudex Fux, Fiat lux.


BATTISTI E O SAMBA DA SUBALTERNIDADE



Este país está uma vergonha. 


Não bastasse candidatos à presidência baterem, em gesto de incontinência moral, continência para a bandeira de outro país, e gritarem, em altos brados, USA, USA, USA!, em reuniões públicas na Flórida e ministros de Estado defenderem o fim da exigência de vistos para nações que os cobram de cidadãos brasileiros; em ato de subalternidade explícita, outro ministro vem agora defender, de público, a posição de um terceiro país, em pedido de extradição, no caso Battisti, dizendo que “os italianos não perdoam o Brasil por não mandar Batttisti de volta” , que para eles “é uma questão de sangue”, que representa “um entrave nas relações Brasil-Itália e na relação com a União Europeia com o um todo."


Ora, em primeiro lugar, é preciso saber a que “italianos” o ministro brasileiro estava se referindo.


Na Itália, se há quem considere Battisti um assassino, há também quem o considera inocente.


A título de informação, sugiro a leitura de artigo publicado em um site italiano - entre muitos - que defende Battisti https://www.infoaut.org/segnalazioni/ricordare-per-giudicare-il-caso-battisti-la-disinformazione-brasiliana-e-la-menzogna-italiana


e um livro do escritor argentino Carlos Lungarzo, que pode ser encontrado, entre outros sites, na livraria da Folha.


Em segundo lugar é preciso saber quais são os “entraves” a que se refere o Ministro, se sequer o comércio com os italianos diminuiu nos últimos anos e suas multinacionais continuam lucrando horrores por estas plagas, sendo portanto eles que teriam mais a perder em caso de guerra comercial ou boicote entre os dois países;


E mais: por que os “italianos” a que se refere o ministro não tentaram falar grosso com outros países - europeus - que acolheram antes o mesmo Cesare Battisti?


Será que é porque acham que somos uma republicazinha de banana como faz questão de ressaltar, a todo momento, com suas decisões e atitudes, o atual governo?


Ora, sr, Ministro, manter ou não Cesare Battisti em nosso país é assunto interno brasileiro e é preciso um mínimo de pudor para não discutir decisões soberanas, - que aliás já foram tomadas anteriormente - em público, antes mesmo de aguardar a eventual decisão do STF, e de já ir se abaixando para os estrangeiros, fazendo questão de mostrar a costura da calça de veludo.


Se a Itália não gostou da decisão de não extraditar Battisti, que vá se ralar nas ostras, junto com a União Europeia, organização alias na qual existem países muito mais importantes que a Itália que compartilharam com o Brasil de alguns anos atrás a decisão de não extraditá-lo por dúvidas e falhas no processo que o condenou, como a França, por exemplo, que o abrigou durante muitos anos, oficialmente, sem ceder à vontade de Roma.


Finalmente, se Battisti fosse de outra orientação política, talvez nada ocorresse com ele. Há terroristas de direita, responsáveis por mais de 80 mortes e 200 feridos em um único atentado como o ocorrido na estação de trem de Bolonha, na década de 1980, que vivem soltos na Itália, a ponto de terem se envolvido com outros crimes como o escândalo da Máfia Capitale, que ocorreu há pouco tempo na velha bota, apesar de imbecis acreditarem por estas latitudes que a corrupção acabou naquele país depois da Operação Mãos Limpas.

8 de nov de 2017

AO CONDENAR LULA EM 2ª INSTÂNCIA, JUSTIÇA INTERFERIRÁ NO CURSO DA HISTÓRIA E SERÁ IMPLACAVELMENTE JULGADA POR ELA NO FUTURO.




(Jornal do Brasil) - Não se sabe se, sendo candidato em 2018, Lula seria eleito pela população. 


Assim como não se sabe se, assumindo mais uma vez a Presidência da República, ele teria forças para resisitir a um novo golpe - inspirado de fora - semelhante ao que derrubou Dilma Roussef.    


As intenções de voto que o colocam em primeiro lugar na preferência do eleitorado, da ordem de 35%, correspondem ao percentual histórico de votos da esquerda no Brasil, e anormal seria, considerando-se as circunstâncias políticas e o descarado lawfare movido contra ele pelo Ministério Público e a Operação Lava Jato, que o ex-presidente tivesse menos que um terco da preferência da população.  


Considerando-se isso - que a esquerda está onde sempre esteve, do ponto de vista eleitoral, e que estrategicamente está sendo sustentada pela lei da inércia, que também funciona no universo político - o ex-presidente da República, para voltar ao Palácio do Planalto, precisaria enfrentar inúmeros desafios.


O primeiro deles o de romper a inação da esquerda, que parece determinada a existir apenas dentro de seus guetos e a deixar a iniciativa estratégica nas mãos dos adversários.


O segundo e mais importante, o de convocar a militância e seus simpatizanttes para a imprescindível quebra do discurso único,  mentiroso e hipócrita que foi montado pela direita e a extrema direita nos últimos 3 anos, que vai não apenas da seletividade e exagero do Ministério Público e da República de Curitiba na  campanha que movem contra Lula, a outros falsos paradigmas que não se sustentam moralmente, nem na realidade, como o do anticomunismo tosco, anacrônico, absurdo, abjeto e entreguista, viralatista, que tomou conta de parte da opinião pública, e outras calúnias e meias-verdades como a que dá conta de que o PT teria quebrado o país nos últimos anos quando ele deixou - sem aumentar a dívida pública-PIB com relação a 2002 - 340 bilhões de dólares - ou mais de um trilhão de reais - em reservas internacionais, nos cofres do Banco Central e quase 400 bilhões de reais no caixa do BNDES, sem falar na quadruplicação do Produto Interno Bruto e da Renda per Capita, ou na consolidação do Brasil entre as 10 maiores economias do mundo, por exemplo, nos anos em que esteve no poder.


No plano jurídico, a justiça alega - entre outras inúmeras tentativas lafontanianas de o lobo comer o cordeiro - que Lula ia comprar um apartamento em condições privilegiadas e que depois, para não ser apanhado -  teria desistido no meio do caminho. 


O seu principal concorrente nas eleições presidenciais do ano que vem recebeu 200.000 reais para sua campanha, recursos que teriam saído da JBS - mas também teria desisitido no meio do caminho e mandado “estornar” a quantia, e depois trocá-la por outro depósito do mesmo valor, dessa vez supostamente oriundo do fundo partidário da agremiação a que estava filiado à época.


Isso quer dizer, seguindo o raciocínio - com o qual não concordamos - esdrúxulo e retorcido do Juiz Moro e do Ministério Público -  que tanto um como o outro iam cometer, como no filme “Minority Report” - um “crime futuro”, mas desisitiram, mudando de rumo,  para não ser apanhados com a boca na botija.    


Com a diferença de que um deles, Lula, foi condenado a quase 10 anos de prisão - que o MP quer converter agora em mais de 20 - e o seu principal concorrente sequer foi investigado por ter recebido, e depois “estornado”, por meio de seu partido, dinheiro originado de uma empresa que financiou campanhas políticas e candidatos de todas as tendências e que depois se transformou em símbolo e sinônimo de corrupção aos olhos da opinião pública, no contexto da geléia geral macartista da hipócrita e desestabilizadora caça às bruxas instaurada no Brasil nos últimos 3 anos.


Dito isso, quem de direito pode colocar ordem na casa e diminuir o grau de interferência da justiça sobre o processo político, que foi fundamental, também do ponto de vista doutrinário, para o êxito do golpe jurídico-midiático-parlamentar de 2016, e permitir um mínimo de condições para que se façam eleições presidenciais limpas, com a presença de todos os candidatos que disputam o cargo, garantindo que o mais votado, qualquer que seja ele, chegue ao Palácio do Planalto.


Ou pode permitir , em uma decisão já praticamente antecipada aos quatro ventos, que se condene Lula em segunda instância por esse e por outros  supostos “crimes” absolutamente surreais - como se um sujeito que ocupou por oito anos o cargo de Presidente da República fosse se vender por um apartamento que não recebeu ou em troca de um imóvel emprestado, durante alguns anos, principalmente quando se quer relacionar essas tremendas “propinas” a vantagens supostamente obtidas em negócios com a Petrobras, cujo faturamento passa de 300 bilhões de reais por ano - o que equivaleria a uma intervenção direta da justiça no processo político-eleitoral brasileiro, e no próprio resultado do pleito de 2018.


Ao fazer, ou permitir que isso ocorra, o Judiciário - considerando-se o que indicam as pesquisas de opinião - a reboque de uma parcela do Ministério Público parcial, partidária e irresponsável - não apenas entregará o país ao fascismo em 2019, aceitando alterar conscientemente o curso da História, impedindo a sagrada, livre, democrática, manifestação da soberania popular por meio do voto, como será, por isso, implacavelmente julgado, e, com certeza, condenado pela própria História no futuro.

O FIM DO BNDES E O GRANDE GOLPE DO BRASIL QUEBRADO



(Revista do Brasil) - Nos últimos anos, e mais especialmente a partir de 2013, o Brasil tem se transformado, cada vez mais, no país de pequenos e grandes golpes, canalhas, sucessivos e mendazes.


Golpes na economia, golpes na soberania e na estratégia nacional, golpes contra a Democracia, que culminaram no grande golpe jurídico-midiático-parlamentar de 2016.


Mas, sobretudo, golpes contra verdade, a consciência popular, a própria realidade e a opinião pública, com a criação e disseminação de uma série de mentiras, fakes e falsos paradigmas, que se apoiaram mutuamente na fabricação do consentimento para a desconstrução destrutiva de um sistema político que, com todos os seus defeitos - aliás, como toda democracia - funcionava com um mínimo de governabilidade, de estabilidade institucional e de equilíbrio entre os poderes da República.


Golpes voltados para a sabotagem e destruição de um programa nacionalista e desenvolvimentista que levou o Brasil da décima-quarta para a sexta economia do mundo, em termos nominais, em 9 anos, apoiado no retorno, do país, à construção de plataformas de petróleo, hidrelétricas de grande porte, ferrovias, refinarias, tanques, submarinos, navios, rifles de assalto, caças, cargueiros aéreos militares, multiplicando o crédito, dobrando a produção agrícola, triplicando a produção de automóveis, com relação a 2002.           


Da imensa usina de contra-informação fascista montada, principalmente, a partir de 2013, saíram - e continuam a sair - milhares de calúnias, seguindo uma estratégia não escrita, em que pequenas “notícias” cotidianas, a maior parte delas surreais, disseminadas pela má fé, o ódio e a hipocrisia, realimentam, permanentemente, principalmente nas redes sociais, grandes correntes e paradigmas midiáticos que adquiriram o ar de certeza para a parcela mais ideologicamente imbecil, quanto mais apaixonadamente ignorante, da população brasileira.        


Uma das principais pós verdades vendidas para esse  público, hoje já transformada em discurso e adotado como bandeira e muleta pelo atual governo e boa parte da mídia, é de que o Brasil estaria totalmente inviabilizado economicamente, e, logo,  necessitado de passar por um urgente programa de “reformas” e de venda de ativos - públicos e privados - para sair do buraco em que deixaram o país os dois últimos presidentes da República.


Ora, quebrados, ou quase isso, estávamos no último ano de governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso - quando o PIB nacional, depois de um nefasto programa  de “reformas” e do maior programa de “privatizações” - na verdade, de desnacionalização - da economia brasileira em 500 anos encerrou o ano com um PIB nominal e uma renda per capita em dólares - segundo Banco Mundial - menor do que tinha oito anos antes, no final do governo Itamar Franco, e com além de uma dívida com o FMI de 40 bilhões de dólares.  


Hoje, o Brasil tem 380 bilhões de dólares  - mais de um trilhão de reais - em reservas internacionais e é ainda, com toda a crise, a nona economia do mundo. 

Entre as 10 principais economias do planeta, grupo em que nos incluímos depois de 2002, pelos menos 7 países - EUA, Japão, Reino Unido, França, Itália, Canadá - têm uma dívida pública maior que a nossa.  


O salário mínimo e a renda per capita são maiores, em dólares, agora, do que no final de 2002 e as dívidas bruta, externa e líquida são menores do que eram quando Fernando Henrique deixou o poder.


Mas a mídia, os ministros, os “especialistas” e “analistas” do “mercado”, insistem em afirmar, a todo o momento, exatamente o contrário, que estamos redondamente quebrados, e que a dívida nacional explodiu, por terem, talvez, na verdade, a mais descarada certeza de que conseguiram realmente nos transformar impunemente, nos últimos quatro anos, a todos os brasileiros, em uma populosa nação de 220 milhões de idiotas.      


Afinal, há muita diferença entre dificuldades fiscais momentâneas, em termos históricos, causadas, entre outras coisas, por um programa de desonerações fiscais equivocado, que deixou um déficit muito menor do que está hoje - entre outras razões por volumosos aumentos de salários para o Judiciário e o Ministério Público aprovados depois que Temer chegou ao poder - e os dados macroeconômicos de um Brasil que já emprestou dinheiro ao FMI e ocupa o posto de quarto maior credor individual dos EUA, como se pode ver pesquisando a página oficial do tesouro dos Estados Unidos, procurando pela expressão mayor treasuries holders no Google.     


A razão pela qual o governo - e o sistema de contra-informação fascista, na internet principalmente - não alardeiam, para a maioria, a base, da população, o excelente nível de reservas internacionais é óbvia.     


Essa informação contradiz frontalmente o mito de que Lula, Dilma e os governos do PT quebraram o Brasil, a ponto de deixar o país de chapéu na mão.


E anula, praticamente, a justificativa que está por trás de um programa apressado, antidemocrático - porque a sociedade não está sendo ouvida - e antipatriótico de  privatizações que está entregando o Brasil a toque de caixa e  preço de banana podre para os estrangeiros, como ocorreu, por exemplo com a venda da maior refinaria de resina PET da América Latina, recém inaugurada pela Petrobras, na qual se gastou 9 bilhões de reais, por apenas 1.3 bilhão de reais para capitais mexicanos, no final do ano passado, provocando um prejuízo, apenas nesse caso, 3 vezes superior àquele que teoricamente teria sido gerado por Dilma no caso Pasadena, se ela já não tivesse, a bem da verdade, sido isentada pelo TCU dessas acusações.


Ou da entrega - por meio de um discurso entreguista tão hipócrita quanto calhorda - de reservas de petróleo do pré-sal para empresas 100% estatais de outros países como a Noruega e a China, enquanto, para consumo interno, defende-se a “desestatização” da Eletrobras e a própria Petrobras, com a alegação de que o capital privado seria mais honesto e competente.


Tudo isso, em um país em que, paradoxalmente, com base em uma campanha jurídica eivada de primeiras, segundas e terceiras  intenções políticas, se acaba de destruir cinicamente - e em alguns casos, desnacionalizar - a base do capital privado nacional e da mega                                 engenharia brasileiras, justamente por serem consideradas, as duas, fontes de corrupção e de ser excessivamente dependentes do governo.


São essas mesmas razões - a mentira e a manipulação e a necessidade de sustentar o mito de que o PT quebrou o país  -  - que fazem com que o governo e a mídia deixem de mencionar, ou tentem esconder da maior parte da população, que Temer e Meirelles herdaram dos governos Dilma e Lula - quando assumiram o poder depois do golpe de 2016 - um BNDES extremamente poderoso e eficiente, com centenas de bilhões de reais em caixa.


Recursos que eles estão raspando dos cofres do nosso maior banco de fomento, enviando-os  “antecipadamente” para o Tesouro, com a desculpa de estar diminuindo a  dívida pública, quando ela é menor hoje do que em 2002 e esse dinheiro fará quase ou nenhuma diferença em  percentual de dívida com relação ao PIB, ao fim desse estúpido, gigantesco, austericídio.


Não é preciso lembrar ao Ministro da Fazenda - que recebeu mais de 200 milhões de reais em “consultoria” no exterior nos últimos três anos - que o BNDES foi criado, em 1952,  no segundo governo Vargas, para promover o desenvolvimento econômico e social do país, e não para gerar recursos para o pagamento de uma dívida pública que ainda se encontra,  como é o caso da nossa, em uma classificação mediana do ponto de vista internacional - se a dívida pública federal chegou a 3.4 trilhões em julho, e o PIB do segundo trimestre foi de 1.6 trilhões (ou pouco menos de 7 trilhões) o que o país deve equivale a pouco mais de 50% do Produto Nacional Bruto.


Como não é preciso recordar que bancos precisam de dinheiro para funcionar e que, retirar deles esses recursos, nesse caso, capitais públicos, equivale a fechar as suas portas.     


Nem que, assim como no caso da justificativa imbecil da queda de Dilma por “pedaladas” fiscais, o dinheiro que está no BNDES, ou no Tesouro, pertencem ao mesmo dono - o povo brasileiro - e que o que importa não é ficar fingindo que se tratam de  coisas diferentes, mas, no frigir dos ovos, gerir esses recursos, economizados nos últimos anos, em benefício de todos os cidadãos e não de firulas contábeis para se posar de bons moços para o “mercado”. 


Em um momento em que o país, com mais de 14 milhões de desempregados, padece com centenas de bilhões de dólares em projetos importantíssimos - muitos deles estratégicos -  paralisados irresponsavelmente por decisão da justiça nos últimos três anos, e precisa desesperadamente de recuperar suas maiores empresas e de mais infraestrutura e vagas de trabalho.       


A intenção de acabar, na prática, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, estrangulando-o enquanto principal instrumento estratégico para a competitividade brasileira,   não atende apenas aos interesses de nossos concorrentes externos.


Ela acompanha a  estratégia - seguida pelo atual governo desde que assumiu, de enfraquecer também o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, para justificar a sua privatização, ou, no mínimo,  “equilibrar” o “mercado”,  aumentando  a fatia dos bancos privados - nacionais e estrangeiros - no sistema financeiro nacional.


Não por acaso Gustavo Franco acaba de declarar, em seminário em Belo Horizonte, que o BB está pronto para privatização e não é também por coincidência que contratos do Minha Casa Minha Vida tem sido sistematicamente atrasados pela Caixa e anunciou-se nesta semana que o financiamento de imóveis usados na Caixa agora só chegará, no máximo, a 50% do valor do bem a ser adquirido.


A classe “média”, principalmente, aquela parcela que se assume como vanguarda do fascismo nas redes sociais, ou está engolindo a seco, ou deve mesmo estar satisfeita com essas notícias, e também com outras novidades desse “novo” Brasil, ordeiro e progressista, como a volta dos frequentes, quase semanais, aumentos do preço dos combustíveis da Petrobras para as distribuidoras, rapidamente repassados pelos postos para as distribuidoras, tão comuns na última década do século passado.