20/08/2014

DESTINO, POLÍTICA E DEMOCRACIA.





 
(Hoje em Dia) - A trágica morte de  Eduardo Campos, nos faz refletir, mais uma vez, sobre a implacável influência do destino na história dos povos e das Nações.

Para o homem público ou o eleitor engajado, a política tende a ser construção estratégica, que leva uma liderança ou grupo ao poder, como instrumento de mudança da realidade social e econômica de um país.

Há, também, os que incluem nessa construção, a busca do consenso para o enfrentamento das grandes questões que afetam as sociedades em um determinado momento de sua história.

Esse entendimento, essa negociação, que nem sempre se dá apenas no Parlamento, é especialmente frequente nos meses que precedem a disputa de cargos eletivos, e vai da conversa entre  eleitores no bar da esquina, à disputa pelo município, pelo Estado e pelo País, dependendo do tipo de pleito que estiver em pauta.

Ao raciocinar sobre os fatos, analistas políticos, candidatos, eleitores,  tendemos a observar a realidade à nossa volta, a tecer nossas conjecturas, e a amadurecer nossas opiniões, estabelecendo, com  maior ou menor convicção, nossas conclusões. Mas, também nos esquecemos, muitas vezes, que, além de todos e de tudo, existem outros fatores, entre eles, o imponderável.

Um ator que pode ser definitivo, dependendo da maneira como opera, corta, muda, influencia, o desenvolvimento dos acontecimentos.

A história brasileira está cheia de trágicos exemplos dessa intervenção do destino, alguns, fruto da própria história, como o suicídio de Getúlio Vargas, que a isso foi levado pela odiosa campanha movida contra ele por Lacerda, os militares golpistas, e a imprensa anti-nacional que existia na época.

Desse rol faz parte, também, a renúncia de Jânio, tão premeditada quanto desastrada em suas consequências.

Outro é o caso em que o inesperado surge e se impõe independente de qualquer interferência humana provável, como foi a doença de Tancredo, ou, agora, da morte de Eduardo Campos, que ocorreu, por triste coincidência, no mesmo dia do falecimento de seu avô, Miguel Arraes.

Jovem, inteligente, cativante, Eduardo Campos deixou numerosa família, que nos inspira os melhores sentimentos de respeito e solidaridade.

Seu desaparecimento, no entanto, da forma como se deu, interrompeu  não apenas sua própria vida e a de quem o acompanhava, mas o próprio curso político, e terá profunda influência no processo eleitoral.

Em outras épocas, uma tragédia dessa magnitude poderia trazer trágicas consequências para o país, as liberdades individuais e o estado de direito.


No Brasil de 2014, as reações à sua perda, de todo o espectro político, mostram que estamos, como sociedade, cada vez mais equilibrados, maduros e preparados, para conviver com as diferenças, em um ambiente de solidez das instituições e da própria democracia, pela qual lutaram, tantos brasileiros, incluindo aqueles que, hoje, ocupam as primeiras posições na disputa pela Presidência da República.

AS SANÇÕES RUSSAS, A UNIÃO EUROPÉIA E O ACORDO COM O MERCOSUL



(Do Blog) - Com dificuldades para fechar sua proposta comercial para o MERCOSUL, devido à resistência de seus próprios agricultores, a União Europeia está para  arranjar uma excelente desculpa para suspender as negociações.

 O processo seria suspenso devido à disposição dos países do grupo, principalmente Brasil, Argentina e Uruguai, de substituir a Europa no fornecimento de comida à Rússia, após o embargo de Moscou à importação de alimentos da 

O discurso, para consumo interno, seria o seguinte: mais uma vez, nossa aproximação com o BRICS e o Mercosul, estaria “atrapalhando” nossa inserção no mercado dos EUA e da União Europeia, e fazendo com que estejamos perdendo espaço, no comércio internacional, para a Aliança do Pacífico. 

Enquanto isso, no mundo real, nosso maior parceiro comercial não é nem os EUA nem a União Europeia, é a China, os maiores destinos para nossas manufaturas e bens de consumo são Argentina e Venezuela, nossos maiores superávits são com Pequim e Caracas, o salário mínimo mexicano equivale a 10.99 reais por dia e a “avançadíssima” Aliança do Pacífico só tem uma universidade entre as 200 melhores do mundo, a UNAM, enquanto o Brasil tem seis, e a USP, entre as primeiras 150, está à frente de qualquer universidade espanhola ou mexicana.

 

14/08/2014

A MORTE DE EDUARDO E A MEMÓRIA DE ARRAES


        
(Jornal do Brasil) - A morte de Eduardo Campos é uma dura perda para a democracia, e ocorre na mesma data de agosto em que seu avô, Miguel Arraes, faleceu, há nove anos.

        A notícia estarreceu o país. Eduardo era uma das mais marcantes lideranças da nova geração de brasileiros, e entrou para a vida pública logo após a formação universitária, como secretário particular do governador Arraes, cargo em que se destacou, e teve suas lições de política. Essa circunstância o aproximou de Aécio Neves, que também foi secretário do avô, Tancredo, e com ele aprendeu as regras básicas da vida pública.

        A sua morte complica o quadro sucessório. Quando se passarem os três dias de luto, começará, como é natural, a busca de seus votos. A singularidade das duas biografias tende a favorecer Aécio, mas não assegura,  por si só, os sufrágios. Eduardo, como é do jogo político, contava com o segundo turno – como parece certo - a fim de bem negociar seu futuro. Sua ambição era a presidência, e quem ambiciona esse cargo não conta com obstáculos, mas tampouco dispensa os acordos, quando necessário. Na política, mais do que tudo na vida, a esperança é a última que morre.

Mais do que do futuro vale lembrar os méritos de Eduardo e a importância da família na vida brasileira.  Quando Eduardo ainda não havia nascido, seu avô foi arrancado com violência de seu gabinete no Palácio das Princesas, e metido na prisão em Fernando Noronha, onde passou onze meses. Seu advogado, Sobral Pinto, impetrou pedido de habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal, que o concedeu por unanimidade. Sobral aconselhou-o a aproveitar a liberdade e partir imediatamente para o exílio. Seu destino era a França, que lhe negou asilo. Partiu então para a Argélia, onde conseguiu trabalho e viveu até a anistia. Eu o conheci quando era prefeito de Recife e o entrevistei para o Binômio, semanário de Belo Horizonte. O melhor depoimento sobre Arraes governador é uma série de reportagens publicadas neste Jornal do Brasil por Antonio Callado. A brutalidade dos senhores de engenho e a miséria dos trabalhadores rurais era tal, que Callado a resumiu em uma frase: ali, a honra, como o banheiro só existia na casa grande. As filhas dos trabalhadores da cana, como seus pais, a ela não tinham direito. Arraes incentivou Francisco Julião e suas ligas camponesas, para descobrir, mais tarde, que elas só existiam no verbo inflamado de seu pretenso líder.

          Mas conseguiu, durante seu governo, aumentar o salário dos trabalhadores dos canaviais e dos engenhos, e promover a formação dos sindicatos rurais como braço político das ligas camponesas.

           É essa tradição de vida pública, que ele soube seguir, que se interrompe com a morte de Eduardo Campos.

 

13/08/2014

AS DESCULPAS ISRAELENSES


 
(Jornal do Brasil) - O Palácio do Planalto informou, ontem, em nota, que o Presidente eleito de Israel, Reuven Rivlin, telefonou para a Presidente Dilma Roussef, e pediu desculpas pelas declarações de Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel. Esse funcionário classificou, em entrevista ao Jornal “The Jersusalem Post”, nosso país como um “anão diplomático”, após a retirada do embaixador brasileiro em Israel, para consultas, em consequencia da “desproporcionalidade” da resposta militar israelense, em seus ataques contra  a população palestina da Faixa de Gaza.

Em sua entrevista, Yigal Palmor respomdeu também à posição brasileira, com ironia,  afirmando que  “desproporcional é perder de 7 x 1”, lembrando o placar da derrota do Brasil para a Alemanha, na Copa do Mundo.

Depois do incidente diplomático com o Brasil, Israel perdeu, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, por 29 votos a um – só os EUA ficaram ao lado do governo sionista – em votação que aprovou resolução recomendando a investigação de sua atuação em Gaza.   

Além  disso, o Brasil conseguiu, na Cúpula do Mercosul de Caracas, o mais amplo apoio à sua posição com relação a Gaza, e mais três países, Chile, Peru e Equador, tomaram decisão semelhante à sua, chamando também seus embaixadores nomeados para Telaviv para consulta.    

No contato com o presidente israelense, o governo brasileiro reafirmou os laços que unem brasileiros e israelenses, há muitos anos, mas Dilma Roussef reafirmou, também, que o Brasil continua achando desproporcional a força utilizada por Israel, no contexto da intervenção em Gaza, e que continuará lutando pelo direito de palestinos e israelenses à paz, à vida e à dignidade.

Como brasleiros, recebemos e agradecemos as desculpas do novo Presidente israelense, Reuven Rivlin.

Ficaríamos, alguns de nós, no entanto, mais satisfeitos, se seu país dirigisse também seu arrependimento – ao menos in memoriam - às centenas de palestinos, inclusive mais de 400 crianças, que já não se encontram entre nós, e que morreram pelas suas armas, entre  os escombros de Gaza nas últimas semanas.

Para nós, a morte de um cidadão israelense, atingido por um foguete do Hamas, é tão grave como a morte de um  cidadão palestino, atingido por uma bomba da aviação israelita, ou pelas balas de um soldado de Israel.

Só não nos peçam para acreditar, ou aceitar, que a morte de 3 civis israelenses é tão grave como a de quase 2.000 cidadãos palestinos e a destruição de milhares de casas, escolas, ruas, hospitais, que deixou dezenas de milhares de feridos e de refugiados sem um lugar para se abrigar.

A CONTA DE GAZA



(Hoje em Dia) - Confrontado com a tragédia humanitária em Gaza, o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou que o conflito entre Israel e o Hamas precisa ter fim, e que a ONU está disposta, “pela última vez”, a ajudar na reconstrução da área.
Na região, as coisas funcionam assim: Israel  destrói o que quer, quando quer, e depois o mundo paga a conta, até o próximo ciclo de destruição - reconstrução - destruição.
A conta em sangue de Gaza, que chegava, anteontem, a mais de 1.900 palestinos mortos, sendo 1.380 não combatentes, entre eles 423 crianças, e a milhares de feridos, é incalculavelmente cara, e, como outros massacres históricos contra a população civil,  jamais poderá ser resgatada.
Além do preço em vidas, dor, assistência médica de emergência, cuidados com pessoas que ficarão paraplégicas, tetraplégicas, e que precisarão de atenção pelo resto de suas vidas, há, ainda, o custo da reconstrução física do que está sendo arrasado pelas armas e bombas israelenses.
Há uma semana, a ONU calculava que cerca de 12.000 casas e apartamentos já tinham sido destruídos, com um prejuízo de 4.5 bilhões de dólares, mas avaliações palestinas, que incluem estradas, escolas, hospitais e  outras instalações, chegam a 6 bilhões de dólares.
Segundo Mahir Al-Tabaa, Presidente da Câmara Comercial e Industrial de Gaza, 350 indústrias teriam sido bombardeadas, incluindo 50 fábricas essenciais para a sobrevivência da população.
Israel recebe todos os anos, bilhões de dólares em ajuda norte-americana. Se fossem condenados a devolver à Organização das Nações Unidas – e o Brasil, como país membro, e contribuinte, poderia trabalhar nesse sentido – o dinheiro que a ONU irá gastar para reerguer o que destruíram, talvez, embora seja improvável, os dirigentes israelenses viessem a pensar duas vezes antes realizar novos ataques.
Mesmo contando com o apoio dos EUA, Israel sentiria, digamos, ao menos, no bolso,  a dimensão da destruição que está promovendo em Gaza.
E caso se recusasse a devolver esses recursos – como têm feito, desrespeitando, historicamente, as resoluções da ONU, organização que possibilitou-lhe a existência – a conta poderia ser apresentada aos EUA, que está armando Tel Aviv permanentemente, mesmo depois de iniciado o conflito.
Caso isso ainda não fosse possível, poderiam ser adotadas sanções e retaliações comerciais. Em último caso, o Israel seria, ao menos, moralmente, mais uma vez, condenado, por seus atos, pela maioria da humanidade.
Enquanto nos indagamos quem pagará a conta de Gaza, o que muitos palestinos se perguntam, nas tréguas intermitentes, seguidas da retomada da violência -  e depois de três agressões sionistas nos últimos seis anos - não é se poderão reconstruir suas casas, mas se seus filhos conseguirão, agora ou nos próximos anos, sobreviver à próxima bomba, ou a uma nova invasão  israelense.

DANÇANDO COM O FINANCIAL TIMES


 
(Do Blog) - Parece que Ygal Palmor, aquele do “desproporcional é 7 x 1” anda fazendo escola lá pelos lados da terra da Rainha, na hora de criar “divertidas” comparações sobre o Brasil.

Talvez inspirados pelo fato de termos sido chamados de “anões diplomáticos” pelo porta-voz israelense – cujo governo acaba, por isso mesmo, de pedir desculpas ao nosso – o ingleses do Financial Times compararam o crescimento econômico do Brasil à “dança da cordinha”, na qual, a cada volta, o participante tem que descer cada vez mais baixo.

Compreende-se a preocupação inglesa.

Em termos históricos, de 2002 a 2014, enquanto a Inglaterra passava por baixo da corda, o Brasil pulava por cima, avançando, em apenas 12 anos, da décima quarta posição, para lutar, justamente com a Grã Bretanha, pela posto de sexta maior economia do mundo por PIB nominal.

Mesmo no ano passado, se quisessem dançar com o Brasil a “dança da cordinha”, os ingleses teriam, praticamente, que se contorcer bem mais perto do chão, já que o seu PIB foi de 1.8% e o nosso, de 2.5%.

No mundo das previsões, desde a época do Oráculo de Delfos, cada um acredita no que quer.

Os ingleses escreveram sua matéria com base nas informações dos “analistas” do Boletim Focus, que raramente acertaram suas previsões nos últimos anos.

Já na opinião do FMI – em quem, nem por causa disso, se deve confiar - em 2020 o Brasil será a quinta economia do mundo, e a Inglaterra, a oitava. E em 2030, a Inglaterra, será a décima, e o Brasil ocupará o quinto lugar, entre as maiores economias do planeta.

 

11/08/2014

ALIANÇA DO PACÍFICO: SALÁRIO MÍNIMO NO MÉXICO ESTÁ ABAIXO DA LINHA DE POBREZA - Trabalhadores ganham menos de 11 reais por dia.


(Do Blog) - Para os que adoram citar as “maravilhas” da Aliança do Pacífico, o México, que, nunca é demais lembrar, cresceu a metade do Brasil no ano passado, é o único país da América Latina em que o salário mínimo está situado abaixo da linha de pobreza. A informação é da CEPAL, que fez um estudo sobre a base de remuneração vigente nos países da região e sua influência no combate à desigualdade.  

As principais conclusões do estudo são que, em países como a Argentina, o Brasil, o Chile e o Uruguai, salários mínimos mais fortes, aumentados progressivamente, além de não prejudicar a criação de empregos, melhoram a distribuição de renda, fortalecem o consumo e o mercado interno, combatem a desigualdade e aumentam a formalização dos trabalhadores.

O levantamento também mostra que a Costa Rica é o país que está melhor nesse aspecto, com um salário mínimo de 3,18 vezes a renda que equivale à linha de pobreza, e o México, o que está pior, com um salário mínimo um pouco abaixo da linha de pobreza.

Comentando as conclusões da CEPAL, Miguel Angel Mancera, que chefia o executivo da Cidade do México, afirmou que o país,  no qual a maior parte dos trabalhadores se encontra na informalidade,  está vivendo “um novo processo de precarização do emprego”, e José Narro, reitor da UNAM, Universidade Nacional Autônoma do México,  lembrou que “é preciso aprofundar a distribuição da riqueza e equilibrar a macro e a micro economia, com a participação de todos os setores sociais, para combater a desigualdade e a pobreza”.

Para quem acha que a situação está muito ruim no Brasil, um deputado federal ganha, por mês, 148.446 pesos no México, e um trabalhador que recebe salário mínimo  - o meme que ilustra o post é do ano passado - leva para casa, atualizados, na área geográfica "A", 67.29 pesos, e, na área geográfica "B", 63.77, ou, no câmbio de ontem, 10.99 reais por dia. E depois dizem que os escravos estão na China.
Ainda sobre os salários a desigualdade no México, aqui no blog:

http://www.maurosantayana.com/2014/03/o-gato-e-lebre-o-mexico-e-um-pais-pobre.html

 
Para outras informações, escrever México em nosso campo de busca.
 
 

10/08/2014

DEU A LOUCA NOS GRINGOS


 
(Do Blog) - O BRICS, com sua recente cúpula no Brasil, deve estar realmente deixando os Estados Unidos loucos. A CNN, em matéria recente sobre uma ataque de vespas gigantes na China, que matou 42 pessoas, não teve dúvidas, e, na hora de mostrar a localização do país de Mao Tsé Tung e de Hong Kong, situou a ex-colônia britânica, e atual província chinesa, mais ou menos na altura do Rio de Janeiro.

É certo que China e Brasil estão no mesmo grupo, e são o maior e o quarto maior credores individuais externos dos EUA, mas a cadeia de televisão, tão pródiga em abrigar a nata, ou a espuma, se quiserem, do jornalismo conservador e anticomunista latino-americano, errou pela “pequena” distância, em linha reta, de apenas 16.633 quilômetros.