11 de out de 2018

BEM-VINDOS AO FASCISMO. O BULLYING ELEVADO À ENÉSIMA POTÊNCIA.


(Da equipe do blog) -  Com uma lâmina, uma mulher tem uma suástica escavada na pele, em Porto Alegre.

Um estudante da Universidade Federal do Paraná é levado para o hospital em Curitiba, após ser espancado por integrantes de uma torcida organizada, em frente à universidade, em meio a gritos de apoio ao candidato que está na frente das pesquisas do segundo turno, por estar usando um boné de um movimento social e uma camiseta vermelha.

Um mestre de capoeira, artista e educador baiano, Moa do Katendê,  é assassinado com 12 facadas em Salvador. por um simpatizante e eleitor do mesmo candidato por ter declarado seu voto a favor do PT. 

Ora, o que diria esse candidato se, em vez de ser um maluco, o sujeito que o esfaqueou se declarasse petista, e o candidato do PT, confrontado com o fato, respondesse: - O cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso. O que eu tenho a ver com isso? Eu lamento. Peço ao pessoal que não pratique isso. Mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam.”

Se não pode controlá-los como “lider” político, será que o candidato da extrema-direita vai conseguir controlá-los quando for Presidente?

Quem vai “segurar” certo tipo de policial que acha que é uma  marca de amor, ou de “budismo”, o desenho a faca de um símbolo que levou à morte de 70 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial há menos de 70 anos na barriga de uma moça de 19 anos, porque ela estava vestida com uma camiseta do #elenão, com um apelo político divergente? 

Quem vai conter o guardinha da esquina, que está careca de saber a opinião do próximo presidente da República sobre tortura, abate de “bandidos”, abuso de autoridade, e isenção de ilicitude para agentes do Estado agindo em suposta “defesa da sociedade”, em um país em que policiais matam até policiais “por engano”, quando ele parar em uma blitz, daqui há alguns meses, alguém que ele achar que, por causa de uma camiseta ou de um boné, pensa diferente dele?

Quem vai segurar a mão de quem decidir meter a faca ou as balas da arma cujo porte acabou de receber do Estado, no vizinho ou no interlocutor de bar, quando não concordar com o voto ou a opinião política dele, como aconteceu em Salvador com o Mestre Moa?  

Será que não teria sido mais conveniente, diante da crescente espiral de radicalização, um apelo do candidato vitorioso no primeiro turno em favor da democracia e de que seus “seguidores” evitassem, no futuro, o uso da violência como arma política, como ele acabou fazendo, em uma pequena nota no twitter, posteriormente?

Ou o país virará um caos quando ele for eleito, e o ódio explodir desatadamente, por parte de seguidores sobre os quais ele diz não ter controle, e o “governo” se comportar como Pilatos, olhando para o outro lado, e lavar, a cada vez que algo assim acontecer, suas mãos na bacia da hipocrisia, não mais cheia de água, mas de sangue?

Na  Alemanha Nazista, na qual, emulando o Deutschland Uber Alles, que inspirou o slogan Brasil acima de tudo, Hitler também não segurou o porrete que quebrou cabeças de famílias judaicas e de suas crianças ou as pedras que destruíram milhares de vitrines de lojas de judeus alemães e centenas de Sinagogas na Kristallnacht, nas ruas das grandes cidades germânicas, em novembro de 1939.

Ou os relhos empunhados por oficiais das SS que expulsavam ao alvorecer judeus e ciganos de suas casas e de suas carroças cobertas nas florestas da Europa Central, para massacrá-los nos bosques e montanhas.

Ou os pedaços de ferro que se abatiam com violência inominável, entre urros de dor das vítimas, e grunhidos de êxtase dos seus algozes, sobre os corpos nus de judeus e de socialistas mortos em brutais pogroms, registrados pelas câmeras de sorridentes cinegrafistas nazistas, como o que ocorreu nas  ruas de Lvov, na Ucrânia, em 1941 - cujas cenas deveriam ser vistas por todos os brasileiros no youtube.

Nem pressionou o gatilho das armas que eram disparadas contra a nuca de crianças e mulheres ajoelhadas na beira das fossas que haviam acabado de abrir com as próprias mãos, por membros dos Einsatzgruppen.

Nem “organizaram” com pancadas de cilindros de oxigênio e chicotes de fio elétrico trançado,  fazendo com que  se enfiassem, uns atropelando os outros, como sardinhas, no último corredor que levava à sala escura da câmara de gás de campos de extermínio, como Maidanek, na Polônia, a "fila" de idosos e de seus netos recém desembarcados de vagões de trens para transporte de gado, depois de dias de viagem sem água ou alimentos através da Europa.  

Mas as mãos de Hitler armaram todas as mãos que fizeram isso quando ele chegou ao poder.

Elas avisaram, incentivaram, profetizaram, escreveram, claramente, em um livro, o Mein Kampf, o que iria acontecer caso ele viesse a ocupar o mais alto cargo político da Alemanha.

Sustentando seu dono durante seus discursos, proferidos caninamente, em meio a nuvens de perdigotos de ódio, contra  os socialistas, os comunistas e os judeus, nas manifestações do Partido Nazista  e, pelo rádio, para milhões de residências  alemãs, onde eram ouvidos, contritos, por milhões de imbecis enfeitiçados pelo ódio e o preconceito, enquanto o coro monocórdico da multidão enfurecida gritava, por trás do som gutural de seus insultos, Heil! Heil! Heil! Heil!

Mobilizando milhares de “seguidores” que, como fazem hoje outros milhares de “seguidores” em nosso país, começaram a sua carreira de “militantes” jurando matar comunistas e socialistas depois que seu líder chegasse ao poder e terminaram fazendo experiências genéticas, sabão de sebo humano e móveis de pele de homens e de mulheres  em campos de extermínio como Treblinka, Auschwitz, Sobibor, Dachau, Flossenburg, Buchenwald.

E olha que naquele tempo não havia internet nem redes sociais, nas quais,  sem nenhuma interferência das autoridades, se espalha já, há mais de dez anos, uma maré montante de esgoto de ódio, calúnias, ameaças e mentiras no Brasil, que, como a irresistível marcha de um infernal Flautista de Hamelin, penetrou de forma profunda e doentia na mente de boa parte da população, depois que suas comportas foram abertas  pelas bandeiras calhordas da antipolítica, de um pseudo morolismo hipócrita e de uma suposta doutrina anticorrupção corrompida, ela mesmo, pelos demônios do corporativismo, da egolatria, da parcialidade, da seletividade, do partidarismo, e da  abjeta sujeição aos interesses estrangeiros.

Ah! se cada cidadão brasileiro pudesse perceber o que está ocorrendo à nossa volta.

Mais  do que saber se o seu candidato poderá controlá-los, importa entender como esses “seguidores” veem a si mesmos.

Como mostram os modelos musculosos que servem para  a venda das suas camisetas, metidos,  “malhados”, com uma expressão de grosseria contida e de vaga estupidez sobressalente.

Qual é a mensagem subjacente?

Que o fascismo é a primazia dos mais fortes sobre os mais fracos?

Dos covardes contra os indefesos?

Das armas sobre a inteligência?

Da pseudo maioria sobre aquele que é ou que pensa diferente?

Ora, o leitor já deve ter cruzado por aí,  no seu antigo colégio, na rua, no bar, ao longo de sua vida, com esse tipo de gente.

O fascismo é o bullying institucionalizado.

O  bullying elevado à enésima potência, à categoria de uma pseudo ideologia do egoísmo, do preconceito, da violência e da brutalidade.

10 de out de 2018

OU A CAMPANHA DE HADDAD DESCONSTRÓI O DISCURSO ANTIPETISTA OU O ANTIPETISMO ACABA DE DESTRUIR A DEMOCRACIA NO BRASIL

 


(Da equipe do blog) - Sem ser agressiva ou panfletária, a campanha do candidato Fernando Haddad no segundo turno das eleições presidenciais pode ser a última grande oportunidade histórica para que o PT explique sucintamente à nação a verdadeira história do país nestes últimos 15 anos e desconstrua os mitos e mentiras do discurso antipetista que levou quase a metade dos eleitores brasileiros a aderirem entusiasticamente ao fascismo no primeiro turno e arrisca a levar outro mito, tão falso quanto esses, ao cargo máximo da nação a partir do primeiro dia do próximo ano.


Os tempos de Lulinha Paz e Amor já se foram e correspondem a um momento em que o PT não tinha nada a mostrar a não ser a esperança.

Não há promessa de felicidade, plataforma de governo, ou apelos eivados de saudade e de sentimentalismo, que possam calar na mente dos eleitores brasileiros, principalmente dos 20 milhões de cidadãos que não escolheram nenhum candidato no primeiro turno, ou gerar qualquer efeito na alma amarga de eleitores céticos, varridos diuturnamente pelo discurso corrosivo e manipulador da antipolítica e da “anticorrupção” seletiva, corporativa e partidária, se antes não forem desmentidas, com fatos e dados inequívocos, as grandes calúnias que se acumularam, durante tanto tempo, sem quase nenhuma resposta, nos corações e mentes da opinião pública.

Agindo como o patinho feio do pleito, como se estivesse disposto a fazer o “mea-culpa” de crimes que não cometeu, como lhe cobra descaradamente parte da mídia, também parcial e, nesta altura do campeonato, profundamente hipócrita em seu morde e assopra de sorrisinho amarelo, ou escolhendo apenas propostas supostamente proativas, como se estivesse começando, sem passado, sua vida agora, o PT não fará frente ao programa claro de violência, neoliberalismo e entreguismo do adversário, nem às acusações e injustiças que recebeu ao longo de anos de inação, grandes e pequenas capitulações e hesitações, a ponto de promulgar “autonomias” e leis fascistas que se voltaram como mortais bumerangues contra ele mesmo.

A campanha de Haddad precisa responder com clareza e serenidade, sem abrir mão do equilíbrio, serenidade e lucidez que o candidato pretende passar aos eleitores, às acusações de quebra do país, incompetência administrativa e comunismo que foram impingidas ao PT impunemente, do “mensalão” ao impeachment de Dilma,  usando para isso dados claros que foram, aí sim, incompetentemente deixados em segundo plano pela comunicação do partido dos trabalhadores ao longo de mais de uma década.

Há tempo mais que suficiente, na propaganda política e na internet, para abordar, na economia:

O pagamento da divida com o FMI no valor de 40 bilhões de dólares, respondendo à falsa afirmação de que esse pagamento e o acúmulo subsequente de 380 bilhões de dólares em reservas internacionais aumentaram a divida pública interna, já que a relação dívida-pública PIB era de quase 80% no último ano do governo FHC e estava em 64% na saída de Dilma, sem falar no corte pela metade da divida líquida.

A duplicação da safra de grãos, as dezenas de bilhões de reais deixados nos cofres do BNDES - canalhamente acusado de ter aplicado dinheiro apenas no exterior -  a quadruplicação do salário mínimo, da renda per capita e do PIB em dólares, tirando o país do posto de décima-terceira economia do mundo em 2002 para a sexta maior do mundo em 2011, e mantendo-o ainda hoje, apesar de toda a crise, em oitavo lugar entre as entre as 10 maiores economias do mundo, e como se pode ver na página do tesouro norte-americano, como o quarto maior credor individual externo dos EUA.

Para responder à crença geral de que o PT é comunista, nem é preciso lembrar quanto os grandes capitalistas e bancos cresceram em seus governos, no rastro do crescimento do consumo e da economia.

Mais emblemático seria o apoio que foi dado pelos governos petistas - desmentindo que o partido seja “anti-brasileiro” apenas porque usa a cor vermelha em seus símbolos e manifestações -  às forças armadas, por meio da promulgação da Estratégia Nacional de Defesa e do desenvolvimento e produção de material bélico como o Sistema de mísseis Astros 2020, o avião cargueiro militar KC-390, os caças Grippen NG-BR, a família de radares SABER, os tanques Guarani, o programa de submarinos da marinha, com a construção de uma nova fábrica e uma nova base de submarinos, incluído um a propulsão atômica, o míssil ar-ar A-Darter desenvolvido em parceria com a DENEL sul-africana, a nova família de rifles de assalto IA-2, da IMBEL, capazes de disparar 60 tiros por minuto.

O que não falta na rede são vídeos e imagens sobre tudo isso.

Na infraestrutura, as novas hidrelétricas, a recuperação da indústria naval, a multiplicação da produção nacional de petróleo, a extensão de ferrovias, as usinas, etc, etc, etc.

No social, a transposição do São Francisco,  os três milhões de casas populares, o Luz para Todos, as cisternas do  semiárido, etc, etc, etc.

     

Na campanha e fora dela, nos grandes portais, na internet, nas redes sociais, ou o PT desconstrói, com dados, as bases pseudo teóricas do antipetismo, ou carrega a responsabilidade de o antipetismo - agora fascismo -  que deixou crescer, durante anos, sem resistência digna desse nome, bater o martelo em seu projeto de poder, arrasando por completo, no Brasil, com a liberdade e a democracia, nos próximos anos.

3 de out de 2018

AS DUAS CARAS DA JUSTIÇA




(Da equipe do blog) - Mesmo não sendo candidatos, dois magistrais e emblemáticos personagens marcarão, do ponto de vista histórico, as eleições deste ano.

O primeiro é um Ministro da Suprema Corte que afirma que a justiça tem que interpretar - como se devêssemos passar a publicar constituições sazonais - o que ele divinamente considera serem os “anseios” - de momento - da sociedade.

E, que sob a alegação de que qualquer manifestação ou declaração oriunda dele poderia influenciar o resultado do pleito, proibiu, como se estivéssemos sob regime de exceção, a realização de entrevistas com um ex-presidente da República.

O segundo é um certo juiz de primeira instância que faz o que quer neste país, ao arrepio da Lei e de uma Suprema Corte com raras exceções covarde e pusilânime, que fez exatamente o contrário.

Ao liberar trechos de uma pestilenta delação de conveniência, absolutamente fantasiosa e sem nenhuma prova concreta que a sustente, que estava guardada há meses em uma das muitas gavetas da verdadeira morgue em que se transformou a justiça  brasileira - sempre disposta a experimentações dignas de um Dr. Frankenstein jurídico - a cinco dias da votação em primeiro turno para a escolha do Presidente da República, exatamente para influenciar, descaradamente, as mesmas eleições.

Como aliás tem sido feito, na undécima hora, sempre contra o PT, nos últimos anos, da produção de  bombásticas capas de revista com farta utilização de photoshops mefistofélicos a outros recursos moralmente tão baixos,  rastejantes, quanto o ventre de lesmas no concreto ou o umbigo de certos lagartos reptilianos.

Ora, quem pode mais - vide o processo espúrio de condenação de Lula em primeira e segunda instâncias e o seu impedimento de concorrer à Presidência da República, que com certeza mudaram o rumo das eleições deste ano - pode o que alguns poderão considerar menos, como cassar a palavra de alguém que foi condenado sem provas (mas não ao silêncio) e levantar “parcialmente” o sigilo de declarações de um acusado que - o mundo inteiro sabe - está pronto para fazer o que quer certa “justiça” e acusar também sem provas esse mesmo ex-presidente que já está preso e outras lideranças políticas, para tirar o seu da reta da seringa.   

Com ou sem topete, a conclusão é que essas duas caras da justiça são só uma.

A mesma abominável face da parcialidade, de um partidarismo justiçalista - de justiçamento mesmo - seletivo, metediço e indecente.

Que distorce e retorce a lei como  chiclete usado na boca de cachorro velho.

Sonegando ou oferecendo, a seu bel prazer, “informações”, da forma que lhe for mais conveniente, com o claro objetivo de manipular a opinião pública e interferir com os acontecimentos políticos,  sem nenhuma coerência ou respeito pela legislação e a constituição - teoricamente - vigentes.

É essa justiça, moral e paradoxalmente cega pela animosidade e a hipocrisia - que sabe muito bem o que está fazendo - que está conduzindo pelo braço uma nação igualmente cega pelo ódio, o preconceito e a ignorância para o sombrio imponderável que se aproxima.

Para o escuro, profundo e inconsequente abismo fascista que se abre à nossa frente.