14 de ago de 2019

VERITAS QUAE SERA TAMEM




(Da equipe do blog) - A História não perdoa aqueles que a conspurcam. 

No dia que a Vaza Jato comemora mais um aniversário, renascendo como um zumbi estropiado que ganha nova vida e se levanta grotesco e horripilante em um jogo de computador, para avançar, capenga, disforme, contra o atirador que o mantêm na mira, não custa nada lembrar que no futuro as crianças irão aprender nas escolas a desgraça que essa farsa representou para o país e o nome de seus perpetradores.

Responsáveis pela desnecessária a estéril implosão de nossas maiores empresas e da espinha dorsal da engenharia nacional. 

Pelo derretimento do valor de suas ações e a quebra de milhares de seus acionistas, investidores e fornecedores. 

Pela paralisação e sucateamento de dezenas de obras bilionárias de energia, defesa e infraestrutura, com um prejuízo de mais de 100% em alguns casos, muitíssimo maior do que os gerados pelos supostos crimes de corrupção alegadamente "combatidos".

Pela imposição forçada e aleatória de multas e bloqueios bilionários e estapafúrdios para simular a "recuperação" de grandes volumes de dinheiro público quando esse dinheiro saiu, em sua maioria, do capital das empresas e não de contas secretas na Suíça.  

Pela parcialidade e ativismo político na descarada intervenção de juízes e procuradores no processo político nacional, no contexto do Golpe de 2016 e nas eleições presidenciais de 2018. 

Pela destruição do emprego, da carreira e do futuro de milhões de técnicos, engenheiros e trabalhadores demitidos na esteira de um longo processo destrutivo, macarthista, irresponsável, austericida.

Pela consequente desnacionalização a preço de banana de setores inteiros da nossa economia, com um prejuízo aos interesses estratégicos nacionais que provavelmente  jamais será reparado no futuro. 

Pela criação e operação combinadas de uma fábrica de processos, acusações e factoides, destinada a pressionar testemunhas e acusados e a alimentar e manipular a seu bel prazer, com a cumplicidade de parte da imprensa, a parte mais irascível, ignara, e pseudo moralista da opinião pública.

Pela egolatria, o cabotinismo  e o carreirismo desenfreados, em um exemplo cabal de uma conspiração sórdida e antinacional, a serviço da hipocrisia e do oportunismo, por interesses pseudo corporativos, quando não descaradamente políticos, de nações estrangeiras, financeiros ou particulares.

Parabéns aos adoradores da Vaza Jato.

A Vaca Sagrada daqueles que exterminaram a boiada da Nação a pontapés, com a desculpa de matar os carrapatos.

Jogando a bacia com o veneno e o bebê pela janela, por cima da cabeça dos transeuntes.


Parabéns.

Nesta república de fakes, o bolo é de papelão.

Mas podem comer as velinhas.

24 de mai de 2019

ADEUS ÀS ASAS


VLS

(Da equipe do blog) - Como se vê pelos sucessivos golpes sofridos pelo Brasil nos últimos anos, Deus não dá asa a cobra, nem muito menos os gringos.


Se uma nação depende delas para elevar seus sonhos, daquelas com que fantasiava Santos Dumont às que decoravam nossos caças na Segunda Guerra Mundial ou os aviões da Panair, às que foram  pintadas na fuselagem de nossos mísseis e foguetes, em tantos projetos gerados no ITA e no INPE e testados em bases como Barreira do Inferno, foi criminosa, para dizer o mínimo, a estúpida aprovação pelo Congresso, neste mês particularmente maldito para a História brasileira, da lei temerista de abertura de 100% do mercado nacional de aviação civil a empresas estrangeiras, à véspera da abertura dos portões da Base Espacial de Alcântara para os EUA.

Se nos países mais desenvolvidos fosse praticado esse tipo de ignomínia, travestida de pseudo liberalismo,   os Estados Unidos, como já dissemos aqui, não teriam limitado por lei a no máximo 49% a participação estrangeira nesse mercado, e a União Europeia não exigiria, também por lei, a presença de capital europeu majoritário - estatal ou privado - para explorar esse tipo de  atividade.
Considerando-se outro crime de lesa-pátria, a permissão para a venda da Embraer para a Boeing, uma empresa agora profundamente desacreditada - e  ameaçada de processos bilionários por parte de clientes de todo o mundo - devido ao retumbante fracasso do projeto 737 Max, com o veto da decolagem de centenas de aviões já vendidos e entregues  em razão da alta possibilidade de despencaram do céu como jacas, completa-se a acelerada e abjeta rendição, em poucos meses, da indústria aeronáutica brasileira, do mercado nacional de aviação de passageiros e do programa espacial brasileiro aos estrangeiros, transformando-nos cada vez mais naquilo que para os EUA e os europeus, jamais deveríamos deixar de ter sido: uma colônia atrasada, submissa e acanalhada, controlada por um bando de babaquaras apátridas, entreguistas e irresponsáveis.

E que não nos venham com discursos mentirosos e austericidas.

Com todos os seus problemas, graças a governos anteriores, o Brasil continua tendo as décimas maiores reservas internacionais do mundo, no valor de 380 bilhões de dólares, e continua sendo, apesar de tudo, o quarto maior credor individual externo, depois da China e do Japão e coladinho na Inglaterra, dos Estados Unidos.

 

19 de abr de 2019

O CAOS INSTITUCIONAL E A DERROCADA DA DEMOCRACIA



(Da equipe do blog) - Se há algo característico da quebra do frágil equilíbrio que existia antes do golpe de 2016 contra Dilma, essa é  a verdadeira  Casa da Mãe Joana institucional em que se transformou o país com os sucessivos e permanentes embates entre evangélicos, olavistas e militares , caminhoneiros, ruralistas, entreguistas a serviço dos EUA, do "mercado" e de  banqueiros, astrólogos, terraplanistas,  oportunistas, pseudo  anticomunistas que acham que Hitler era socialista, milicianos, bolsominions, coxinhas e petistas.


Tudo isso  com o plano de fundo tradicional da delicada relação entre um legislativo contraditoriamente oriundo da bandeira anti-republicana que levou o novo presidente ao poder, caracterizada pelo golpe do vigário da "nova política", que coroou uma campanha presidencial antecipada que durou dez anos apoiada na mentira e no indiscriminado uso de fake news, sem nenhum controle ou oposição por parte da Justiça Eleitoral, com o apoio indireto da parte da mídia mais conservadora, hipócrita, cínica e manipuladora, que foi imprescindível tanto para as derrotas do PT junto à opinião pública quanto  para a construção do Brasil que existe hoje.


Mas nada supera, no contexto da verdadeira zona em que se transformou o país, com a destruição do sistema de governabilidade anterior, duramente erguido,  para o bem e para o mal e com todos os seus defeitos, ao longo de dezenas de anos de história e experiência política, à extraordinária  sanha de poder do Ministério Público - e dentro dele, do partido lavajatista - na permanente tentativa de tutelar a República, solapando a reputação de quaisquer outras instituições que não a própria, e posando de único, derradeiro, baluarte da moralidade, em um país em que todo político deputado ou senador transformou-se, a priori, em bandido,  e em que qualquer tentativa de fazer valer a Constituição por parte do Supremo Tribunal Federal - principalmente no campo dos direitos individuais e da ampla defesa - é automática e imediatamente acusada de estar a serviço da impunidade  por uma malta fascista que insulta,  desrespeita, e abarca com seus largos braços procuradores partidários e seletivos que se transformaram em pseudo celebridades nos últimos anos, agindo impunemente, sem nenhum tipo de controle, assim como fizeram no mesmo período não poucos juízes e desembargadores, de modo descaradamente político.


Mesmo considerando-se a heterogeneidade da corte, e concordando ou não com algumas de suas decisões,  quem ataca hoje o STF - ou diretamente seus membros - são os mesmos que destruíram os já frágeis partidos políticos brasileiros,  a infraestrutura e a engenharia nacionais, e pavimentaram o caminho para a abertura da Caixa de Pandora nos últimos anos. 

Não sabemos se, no futuro próximo, teremos um país mais honesto. 

Provavelmente não, como ocorreu no caso da Itália, onde, anos depois  da operação Mãos Limpas, a corrupção continua grassando.  


Mas, do ponto de vista estratégico, da democracia, da soberania, do poder do Estado, logo, da Nação, da administração e da governabilidade, da economia, da geopolítica e das instituições, teremos um Brasil muito, mas muitíssimo pior do que o que havia antes.

É preciso no entanto lembrar que a responsabilidade pelo que está acontecendo hoje com a Suprema Corte pertence, em primeiro lugar, ao próprio Supremo Tribunal Federal, que, por considerações políticas de índole conservadora, ou por se sentir acossado pela maré fascista que transbordou como um esgoto putrefacto sobre o país em certas ocasiões nos últimos tempos, adotou, no passado recente, uma postura de indisfarçável pusilanimidade, da aceitação passiva de manifestações políticas por parte do Ministério Público, começando pela mobilização direta na campanha das Dez Medidas Contra a Corrupção, a ataques públicos de procuradores tão ególatras como imberbes contra membros do Supremo Tribunal Federal, em clara tentativa de mobilizar e jogar a opinião pública, ou a sua parte mais estúpida e manipulada, contra a mais alta corte da República.


Tanta corda deram os membros do Supremo Tribunal Federal ao monstro da antipolítica, aos sucessivos desmandos do "partido" lavajatista e à malta estúpida e ignara que tomou conta das redes sociais, e que partiu para ataques diretos e agressões pessoais a ministros do Supremo e  a ameaças a suas famílias, que agora chegou-se a um impasse entre o poste e o cachorro, com a clara tentativa do Ministério Público de enquadrar o STF, invertendo totalmente a lógica institucional republicana  e a ordem de valores, como se o Supremo Tribunal Federal não estivesse agindo em defesa de suas prerrogativas institucionais e da incolumidade de seus membros, e por meio delas da própria República, justamente pela negativa ou absoluto descaso do Ministério Público em investigar os ataques recebidos pelo Supremo nos últimos anos - muitos deles indiretamente incentivados pelo comportamento e declarações de alguns de seus próprios membros - com a estapafúrdia desculpa de que até mesmo ameaças diretas de morte ou de agressão seriam apenas mais uma modalidade de uma liberdade de expressão que é preciso defender a qualquer preço. 


A calúnia e a defesa da eliminação física de adversários políticos são crimes passíveis de investigação e punição em qualquer lugar do mundo.


E mais ainda no país que mais mata no planeta, ao ritmo de pelo menos um agente público vitimado por semana nos mais recônditos e variados recantos da nação - em uma longa lista que inclui, em casos emblemáticos, personalidades políticas - e jurídicas - como a vereadora Marielle Franco e a juíza Patrícia Acioli, por exemplo.


Ora, no lugar de ficar brigando com o STF, o que o Ministério Público deveria fazer é encaminhar à justiça pedido para uma ampla investigação do que está acontecendo hoje na internet brasileira, onde são produzidas e veiculadas centenas, milhares de ameaças, incluindo de morte, todos os dias, contra cidadãos brasileiros que fazem exatamente o que o MP diz defender neste momento, tentando  exercer seu direito de opinião em um  país tomado pela barbárie, a hipocrisia, o cinismo, o espírito de manada e a violência.


Há anos, já, em que essa situação perdura, impunemente, e as ameaças crescem a cada dia novo dia, sem nenhuma ou quase nenhuma manifestação ou atitude, por parte da justiça brasileira.


A começar pelo MP, que deveria tomar cuidado, como instituição, com quem está escolhendo para dançar no universo da opinião pública. 


Alianças de conveniência na luta de grupelhos pelo poder - mesmo quando pertencentes a certas instituições - podem não durar para sempre, principalmente quando se aposta na derrubada dos inconcretos - e frágeis - pilares que ainda sustentam a nossa  - já em franca derrocada - democracia, com claras e previsíveis consequências para todos. 

14 de mar de 2019

ENTREGUISMO: ATENÇÃO INVESTIDORES, ACOMPANHANDO OS AVIÕES DA BOEING, AÇÕES DA EMBRAER PODEM DESABAR.



Da equipe do blog - Atenção navegantes, principalmente os investidores do mercado de produção aeronáutica: o entreguismo é mau conselheiro  e pode colocar em risco o bolso e a saúde empresarial.



Potencialmente acopladas ao futuro - e aos problemas - da Boeing, que estão se multiplicando com os últimos acontecimentos, as ações da Embraer caíram de 26 para menos de 20 dólares com relação a um ano atrás e voltaram a fechar em queda ontem no Bovespa e na Bolsa de Nova Iorque, acompanhando as ações da Boeing, que baixaram de 423 para 377 dólares nos últimos 5 dias.


Diz-me com quem andas e te direi quem és.


Com a queda de aparelhos do modelo 737 Max e sua proibição de vôo em mais de 40 países, no continente europeu e nos próprios EUA, os problemas da Boeing com relação à eventual perda de valor da companhia parecem estar apenas começando .


Uma lição para os acionistas que aprovaram a entrega da Embraer para a Boeing a preço de banana achando que estavam fazendo um excelente negócio e para os entreguistas tupiniquins que, de modo geral, acreditam estúpida e basicamente que basta repassar nossas empresas para os Estados Unidos para que, da noite para o dia, elas se transformem em ouro em pó.


Ao contrário da Boeing, a Embraer acaba de concluir o lançamento da nova versão de sua família de jatos de passageiros E-2, um produto campeão, vitorioso, com mais de 1500 aviões vendidos que nunca caíram como está ocorrendo agora com o novo avião da Boeing, cujas alterações tecnológicas parecem ter dado com os burros n'água (ou no ar, se preferirem).


Será que a situação da Boeing e os prejuízos bilionários que a esperam em caso de fracasso do 737 Max, com pedidos de indenização por parte de vítimas e de companhias aéreas que se sentirem prejudicadas pela proibição de uso do modelo,  não seriam um aviso - um a mais - de que nem tudo que é bom para os EUA também é bom para o Brasil, quando não por acaso somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos com mais de 250 bilhões de dólares herdados do PT emprestados ao Tio Sam?  

Com a palavra os acionistas da Embraer que aprovaram a venda da empresa por miseráveis 5 bilhões de dólares para os gringos - entregando-lhes 80% da companhia quando o acordo da Bombardier com a Airbus foi praticamente na base de 50-50 -  e que poderiam pensar em desembarcar desse negócio antes que ele empurre também a Embraer para o chão.

6 de mar de 2019

BYE BYE, EMBRAER. BYE BYE !








(Da equipe do blog) - A entrega da EMBRAER à BOEING por apenas 5 bilhões de dólares é o maior absurdo já cometido contra a soberania e os interesses brasileiros.

Principalmente quando se considera que, desde o fim do governo do PT e ainda antes, temos 380 bilhões de dólares em reservas internacionais em caixa e ainda somos, depois da China e do Japão, em 2019, o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos. http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt

Em uma operação feita contra a vontade de uma minoria de acionistas nacionalistas, "vendemos" o controle de nossa única fábrica de aviões e maior empresa de tecnologia por uma fração do que temos no bolso, em um negócio, do ponto de vista estratégico, absolutamente imbecil e totalmente desnecessário quando a tão propalada parceria da Bombardier com a Airbus foi feita em bases muito diferentes e equilibradas preservando até mesmo presença estatal canadense no negócio feito com os três países europeus que também detêm presença estatal na Airbus.

Tudo em nome de um austericídio estéril e idiotam como ocorreu, por exemplo, no caso da queima dos 300 bilhões de reais que o PT deixou nos cofres do BNDES com sua entrega "adiantada" ao tesouro, que poderia ter sido feita em 30 anos sem problemas como estava programado.

Com a aplicação desses recursos em infraestrutura contribuindo para a retomada de dezenas de obras e programas direta ou indiretamente paralisados pela justiça nos últimos anos.

Tudo para continuar a alimentar o mito de que o PT quebrou o Brasil, quando a economia brasileira avançou da decima-quarta economia do mundo em 2002 para a sexta maior do mundo em 2011 e a nona maior ainda hoje e desde 2005, no governo Lula, não devemos mais um tostão ao FMI.

Os funcionários do BNDES estão devendo à sociedade brasileira uma campanha, ou ao menos um documentário, que desminta as grandes mentiras lançadas contra o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social nos últimos anos, entre elas a entrega de recursos brasileiros a governos estrangeiros sem a contrapartida de exportação de serviços e equipamentos e a existência de dívidas bilionárias nesse sentido.

É preciso desmentir a também a existência de balanços com prejuízo para o banco de 2002 para cá, a calúnia relativa a supostas caixa-pretas do BNDES que nunca existiram, o papel do banco no crescimento econômico em anos como 2011 quando a economia avançou 7,5% e a função de instituições semelhantes nas maiores economias do mundo, como a China, o Japão, os EUA e a Alemanha, Coréia do Sul, etc, que não abrem mão de possuir poderosos bancos públicos de fomento.

A intenção de avançar no esmilinguamento do BNDES ocorrido nos últimos três anos é clara.

Deixar as grandes empresas nacionais dependentes apenas de bancos privados, cujo único objetivo é o lucro, entre eles bancos estrangeiros que não tem nenhum compromisso, a médio e longo prazos, com o desenvolvimento brasileiro.


14 de fev de 2019

O PAÍS DAS GAMBIARRAS E AS VÍTIMAS DE 2019 - ATÉ AGORA.





(Da equipe do blog) - Este é o país das gambiarras.


Das gambiarras técnicas.

Das gambiarras jurídicas.

Das gambiarras políticas e de marketing.

Mas, sobretudo, das gambiarras morais, já que, em suas motivações e justificativas, elas se sustentam, na maioria dos casos, pela cobiça, a hipocrisia, a manipulação e a mentira.

Este é o país em que helicópteros, alguns do tempo da guerra do Vietnã, com autorização apenas para filmagens e aerofotogrametria transportam regularmente passageiros.

No qual barragens de rejeitos minerais são construídas a montante, com o agravante da edificação de instalações e até mesmo de refeitórios para dezenas de pessoas a jusante, bem no caminho da lama.

Em que o colapso das barragens da Vale em Mariana e Brumadinho foi fruto de gambiarras técnicas, da mesma forma como as punições à empresa pelo primeiro acidente foram gambiarras jurídicas espetaculosas e inúteis, para não dizer contraproducentes, a julgar pelo seu resultado prático do ponto de vista da fiscalização de outras barragens semelhantes.

Afinal, depois da porta arrombada, nos dias e semanas que se seguem a esses “acidentes”, não falta quem queira  aparecer e tirar sua casquinha, seus cinco minutos de fama, posando de implacável defensor do bem comum, com a imposição de multas e bloqueios gigantescos, imediatos, aleatórios, quando a intenção deveria ser punir a empresa e indenizar exemplarmente as vítimas, sim, mas, principalmente, estabelecer e fazer cumprir novos e concretos paradigmas de segurança, sem colocar em risco sua existência a médio e longo prazos, seus empregos e a geração de impostos e de riqueza que produz, dos quais dependem o próprio país e centenas de milhares de trabalhadores e investidores e suas famílias.

Para não repetir no setor de mineração o furor devastador da Lavajato, por exemplo, que simplesmente acabou com a grande engenharia nacional e interrompeu, destruiu e sucateou centenas de obras e negócios em todo o país, tornando setores inteiros da economia brasileira presas atraentes  para sua aquisição ou eliminação, em negociatas, a preço de banana, por concorrentes estrangeiros.

Da mesma forma que a segunda condenação de Lula, ocorrida alguns dias antes, foi uma gambiarra jurídica, que não se sustentaria em nenhum lugar do mundo na descarada tentativa de ligar as reformas do sítio mambembe de Atibaia  às bilionárias obras da Petrobras, e as barragens da Vale em Mariana e Brumadinho, como já dissemos, foram gigantescas gambiarras executadas a montante de forma que não se faz mais em nenhum lugar do planeta, o improvisado, para não dizer quase clandestino dormitório do Flamengo, feito de contêineres escondidos, sob telhas de lata, em um local em que constava haver um estacionamento - como ocorria até 2010 com certas prisões do Estado do Espírito Santo - abrigando seis pessoas em cada cubículo - já que não há outro nome para o lugar em que os meninos mortos dormiam - também não passou de uma gambiarra que não foi submetida a nenhum projeto ou teste de engenharia e a nenhuma fiscalização ou interdição direta por parte da prefeitura ou do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

Uma gambiarra que contrastava, antes de se transformar em cinzas, vergonhosamente, com as condições das 42 luxuosas suítes que fazem parte do complexo do centro de treinamento, que se encontravam, com certeza, todas elas, seguras, confortáveis e provavelmente desocupadas, enquanto meninos ardiam em chamas a poucos metros de distância, por ainda não serem atletas famosos mas apenas garotos pobres cheios de sonhos - vistos como uma espécie de "investimento" para o clube - que, como gerações de aprendizes de gladiadores nos subterrâneos do Coliseu em Roma, perseguiam, em seus corpos cansados, todas as noites, o anseio de dar um destino melhor a suas famílias, mergulhados em devaneios plenos de ilusões, de desafios e desejos de conquista.

Daqui a alguns meses, o que restará da memória das vítimas de 2019 do mau caratismo, da interessada e repentina hipocrisia holofótica, do "jeitinho brasileiro", do gambiarrismo generalizado e universal brasileiro?

O que sobrará dessas perdas irreparáveis e injustas que atingiram para sempre - como se fossem fruto de cataclismas naturais ou da suposta vontade de um deus dos humildes e dos incautos que tudo justifica - a existência de tantas famílias, e de quem conheceu e amou os trabalhadores de Brumadinho e os meninos do Ninho do Urubú?

É preciso que se separe algum dinheiro, das dezenas de bilhões de reais em multas e bloqueios, para cimentar com concreto o chão por onde passou o barro amassado pelo diabo com o rabo nas profundezas da piscina de dejetos da Vale, em Brumadinho, para que nada mais cresça em uma parcela simbólica daquele solo, a não ser as silhuetas evocativas, feitas de aço forjado com ferro arrancado do local, de cada um dos 313 mortos e desaparecidos no rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

Assim como deveriam ser cobertos de concreto, como que para imobilizá-los no tempo, os escombros de casas e dos carros que, três anos depois, ainda afloram da paisagem lunar e vulcânica da pequena  vila de Bento Rodrigues, sepultados pelos 55 milhões de toneladas de rejeitos da Barragem do Fundão, em Mariana, na mesma região

Se a Vale não o fizer, quem sabe o Inhotim não possa tomar a iniciativa, abrigando a memória das vítimas da insensatez e do cinismo nacional em Brumadinho em seu vasto patrimônio artístico, para que neste país de hipocrisia e de jeitinho as futuras gerações se envergonhem e deixem de repetir a mesma história, o mesmo sofrimento e, com pequenas variações - vide o incêndio da Boate  Kiss e o agora já antigo naufrágio do Bateau Mouche - as mesmas tragédias de sempre, tecidas na trama de fatos encadeados e sucessivos, absurdos e inenarráveis.

Da mesma forma que, no Ninho do Urubú, o Flamengo deveria, se tivesse vergonha, substituir o monumento à desigualdade, à ganância, ao descaso, à criminosa irresponsabilidade, representado pelos restos calcinados dos contêineres que se abrigavam no estacionamento por trás das luxuosas instalações de seu CT de dezenas de milhões de reais, imortalizar o sonho dos futuros jogadores que perdeu, colocando aqueles 10 meninos, quase anônimos, que em alguns anos terão seus nomes esquecidos a não ser por suas famílias e amigos, para se exercitar para sempre, com a graça e a leveza de sua juventude e talento, em uma roda de bola forjada em bronze, em tamanho natural ou ainda maior, a ser montada sobre uma plataforma circular, como um marco à glória dos humildes.

À força e à determinação de milhares de garotos que, nos mais recônditos cantos deste país padrasto, sonham com um futuro melhor para si, seus país, mães e irmãos, em uma nação  hipócrita, desigual e desumana, gravando seus nomes para sempre ao pé de suas estátuas, sob um arco de concreto encimando o conjunto, com a expressão OS 10 DE 2019.


Se o Flamengo não o fizer, já que até agora seus dirigentes se dedicam apenas a tirar o do clube da reta, quem sabe sua torcida apaixonada e anônima não se cotize, dividindo o amor ao esporte - e ao seu clube - com os heróis que não o foram e coloque esse monumento em  área pública, do lado de fora do "ninho" que para as vítimas se transformou em túmulo, se lhes for negado o espaço que os viu queimar até a morte, no solo do pseudo estacionamento em que dormiam.

17 de jan de 2019

O BRASIL, O EFEITO ORLOFF, MACRI E A SUBORDINAÇÃO À EUROPA E AOS EUA.


(Da equipe do blog) - A imposição de barreiras e taxas, pela União Europeia, à importação de sete tipos de aço brasileiro, atitude que, de tanto se repetir, já se transformou, do ponto de vista histórico,  em um fator recorrente na desigual relação comercial entre o Brasil e a UE, chega em um momento particularmente interessante das relações internacionais brasileiras.


Ela coincide com a visita de Mauricio Macri - a primeira de um dignatário estrangeiro a Brasília - e com a defesa, pelos presidentes argentino e brasileiro, da “flexibiização” do Mercosul e da diminuição da tarifa externa comum do bloco, cedendo unilateralmente aos gringos, sem exigir contrapartida nenhuma dos países ocidentais, justamente quando as grandes potências mundiais, como os EUA, a China e a União Européia, reforçam intransigentemente a defesa de seus interesses estratégicos e comerciais nos mercados internacionais.

Se não fossem as exportações para a China, e, em certa medida, para a União Europeia, de commodities agrícolas e minerais, em uma situação, de fato, colonial, que se repete desde a fundação do Brasil, com o pau brasil cobiçado pelos franceses e lusitanos e o açucar explorado pelos portugueses e os holandeses com sua Companhia das ìndias Ocidentais, o Brasil não teria a quem exportar, já que os EUA não nos compram manufaturados, além de aviões que agora irão adquirir de uma companhia própria, que acabam de colocar sob o seu domínio e controle - a “internacionalização” das melhores empresas brasileiras, como a  Petrobras e a Embraer, mesmo com eventual “golden share”, tem nos ensinado que a última palavra fica sempre com os tribunais norte-americanos, que, com a desculpa de defender acionistas daquela nacionalidade, asseguram na verdade a prevalêcia dos interesses geopolíticos de seu país - e não nos adquirem commodities, já que neste aspecto concorrem diretamente conosco vendendo ao mundo, com exceção do café e do minério de ferro, os mesmos produtos que exportamos, como soja, algodão, carne de frango, de porco e de boi, por exemplo.

Isso e o tradicional protecionismo dos EUA, explicam porque os estadunidenses - tão decantados como potenciais parceiros do Brasil nos dias de hoje - acumularam, nos últimos anos, sucessivos superavits no comércio com o nosso país, que por sua vez só obteve lucro em suas exportações de produtos industriais justamente com países e regiões dos quais a atual diplomacia  pretende se afastar como o diabo da cruz, como a África subsaariana, as nações árabes e a América Latina, entre eles a Venezuela, com quem chegamos a lucrar mais de dois bilhões de dólares em alguns anos, quando a situação daquele país, antes da queda dos preços internacionais do petróleo, estava melhor do ponto de vista econômico.

Quanto ao tango com Macri e aos perigos do “efeito orloff”, tão famoso na década de oitenta, é preciso tomar cuidado com o abraço dos afogados.

A orientação neoliberal do atual governo argentino acaba de levar Buenos Aires a voltar a passar o penico para o FMI, pouco tempo depois, em termos históricos, de  governos anteriores terem pago as dívidas com o país portenho com essa instituição, em 2006.

Situação muito diferente da brasileira, já que o Brasil continua com as sextas maiores reservas internacionais do mundo, 380 bilhões de dólares - mais de 300 deles emprestados aos Estados Unidos - acumuladas entre 2002 e 2015, período em que a dívida bruta caiu de 80% do PIB, no final do governo FHC, para 66% também no final de 2015, o último completo de Dilma Roussef na Presidência da República.

Dinheiro que não impede o avanço da abjeta subordinação aos EUA,  como a defesa da liberação de vistos para norte-americanos em troca, eventualmente, de alguns dólares a mais no turismo, sem a existência também de qualquer contrapartida que preserve minimamente a dignidade de milhares de cidadãos brasileiros que visitam, todos os anos, os Estados Unidos.