23 de out de 2014

O CABO DO GOOGLE


(Hoje em Dia) - Com a demora da decisão sobre o BRICS CABLE, provocada, entre outras razões, pela crise da Ucrânia, neste ano, os concorrentes passaram à frente e o Google, a estatal uruguaia ANTEL, a Angola Cables e a Algar, brasileira, resolveram fazer um novo cabo de fibra ótica, destinado a aumentar a capacidade de tráfego entre o Brasil e os EUA.Como não dá para controlar o fluxo de informações na internet, uma maior parte dos dados brasileiros dirigidos a outros destinos, como a Europa e a Ásia, passarão por território norte-americano, facilitando ainda mais o trabalho da NSA, e de outras agências de inteligência dos Estados Unidos.

Em novembro de 2013, ou há menos de um ano, o jornal The Washington Post publicou, com o uso de dados e cópias de slides da própria NSA, matérias explicando como a Agência Nacional de Segurança intercepta a comunicação entre servidores do próprio Google e os de outras companhias como o Yahoo, e como essa agência também tem acesso a dados estocados em “nuvem” por companhias privadas de TI dos Estados Unidos.

Para diminuir a preocupação dos usuários, o Google e outras companhias como a Apple, têm aumentado o grau de privacidade de seus novos produtos e serviços, principalmente sistemas operacionais para celular.

A Apple anunciou que no IOS-8 todos os dados pessoais do utilizador, como fotos, mensagens ou e-mails, ficarão protegidos pela senha do usuário, tornando impossível o acesso aos seus dados, mesmo que sejam solicitados judicialmente.

O Google também anunciou que o novo Android Lillipop também vai encriptar automatica e obrigatoriamente os dados do usuário que tenha seu tablet ou smartphone protegido por senha.

Como não chamou a Telebras para entrar no consórcio - parece que é proibido pensar em fortalecer a Telebras no Brasil, embora nada se faça para impedir o monopólio espanhol sobre nosso mercado, com a compra da GVT pela Telefónica, dona da Vivo e da antiga Telesp - o governo precisa cobrar, da Algar, única empresa nacional participante, que medidas de segurança serão adotadas para proteger as informações originadas em nosso território, e fazer o mesmo com o Google.

Naturalmente, o governo norte-americano reagiu contra essas decisões. O diretor do FBI, James Comey, disse que as empresas “estão indo longe demais” na preocupação com a privacidade dos usuários e pediu mais poderes para as autoridades, que, na sua opinião, foram gravemente afetados no que chamou de “era pós-Snowden”.

No caso do cabo ótico do Google, ainda assim é preciso saber quem dominará o negócio, se a empresa norte-americana, ou os uruguaios, angolanos e brasileiros envolvidos.

Não porque isso vá fazer, eventualmente, muita diferença, considerando-se que os dados e informações poderão ser interceptados pela NSA em sua chegada, ou ao passar pelos EUA, mas, pelo menos, para deixar claro que estamos atentos ao assunto.

9 de out de 2014

DE NOVO, O MÉXICO.




(Carta Maior) - No último dia 25 de setembro, há apenas alguns dias, portanto, um grupo de alunos de uma escola rural de segundo grau do Estado de Guerrero, resolveu realizar um protesto contra as más condições de ensino.  
  
Perseguidos, atacados e presos por policiais, e levados para um quartel, por ordem do Chefe de Polícia, Francisco Salgado Valladares, e do Prefeito, Jose Luis Abarca - que se encontra foragido - foram entregues  a um grupo de narcotraficantes conhecido como  “Guerreros Unidos”, comandado por um tal de “El Chucky”, e levados para local desconhecido.  
  
Poucos dias depois, 28 corpos foram encontrados, queimados, em uma fossa coletiva na periferia de Ayala, e 43 estudantes - que estavam se formando como futuros professores para dar aulas na zona rural - continuam desaparecidos. 
  
De que trata essa história? De um novo roteiro cinematográfico, prestes a ser filmado por Hollywood ? De um “thriller", recentemente publicado nos EUA, que, no final, levará aos motivos do crime e à  punição dos culpados? 
  
Ou, simplesmente, de mais uma notícia, envolvendo uma nação cuja renda, segundo a OCDE, é de menos de sete dólares por dia; um país que tem o menor salário mínimo da América Latina, equivalente a 10.99 reais por jornada; no qual apenas 25% das pessoas tem acesso à internet; que acaba de cair seis posições no ranking de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial, ficando por trás do Brasil; e, segundo a OIT, 60% da força de trabalho está na informalidade; mais de 75% da população não tem cobertura previdenciária, e, segundo a CEPAL, 13% dos habitantes são indigentes e 40% da população está abaixo da linha de pobreza? 
  
Quem responder que país é esse ganha um taco ou uma empanada no primeiro restaurante mexicano da esquina. 
  
Esse é um país que quase nada fabrica, mas que monta muita coisa produzida por terceiros, a ponto de  ter tido, devido à importação de peças e componentes,  um déficit de 51 bilhões de dólares com a China no ano passado. 
  
Um país que importa comida de nações como os EUA e o Brasil, porque não é auto-suficiente sequer em alimentos, e que,  embora tenha feito dezenas de tratados de livre comércio, dirige  90% de “suas” exportações para apenas dois lugares, o Canadá e os EUA, país a cujo ritmo de crescimento econômico está  totalmente atrelado, e que é sede das maiores empresas instaladas em seu território e o principal, quase único, destino, das mercadorias “maquiadas” e dos lucros gerados, graças aos baixíssimos salários, por sua economia - um trabalhador da indústria automobilística mexicana recebe um terço do que ganha, em dólar, um brasileiro pelo mesmo trabalho. 
  
Lembramos, de novo, esse país, porque ele continua a ser citado, agora por lideranças da Rede Sustentabilidade, como exemplo de país bem sucedido na América Latina. 
  
O Brasil de hoje já tem problemas suficientes para serem discutidos no debate em curso, que nos separa da votação do segundo turno.  
  
Citar o México nesse contexto, e ainda por cima como paradigma  de desenvolvimento, só pode ser fruto de má fé ou desinformação. 
  
   
  

   
  

OS EUA E O NOVO “TRÁFICO NEGREIRO” NO NORTE DO BRASIL


(Hoje em Dia) - Agentes da DEA (Agência de Controle de Drogas dos Estados Unidos), trabalhando em conjunto com autoridades peruanas, produziram relatórios recentes comprovando, por meio de escutas, o envolvimento de policiais locais com máfias peruanas, equatorianas e bolivianas, dedicadas ao transporte ilegal de emigrantes africanos e haitianos para o Brasil.

Vinda de diferentes países, e por caminhos também variados, até Epitaciolandia ou Brasileia, no Acre, a imigração haitiana e africana no Brasil é uma questão humanitária, mas também geopolítica, econômica e estratégica.

Ao contrário de refugiados sírios e iraquianos, que, ameaçados de morte, fome e estupro, não tem como pagar um avião, os haitianos ou africanos que chegam por aqui, gastam, somente com “coyotes”, entre 15.000 e 18.000 reais cada um.

Por essa razão, ao não combater e desestimular,  rigorosamente, esse fluxo, o governo brasileiro está incentivando a drenagem de milhões de dólares da economia de nações extremamente pobres, não para o nosso país, mas para as mãos de agentes corruptos e traficantes do Equador e do Perú, da Bolívia e do Brasil.

Justificando a intervenção de agentes norte-americanos em nossas fronteiras, e a própria imigração ilegal de países como a Bolívia e o Perú. Fortalecendo, assim, o faturamento, o funcionamento, não apenas desse moderno tráfico negreiro, mas também a produção, transporte e venda de drogas, já que - como demonstra a investigação da DEA - os mesmos criminosos que atravessam cocaína na fronteira, o fazem com haitianos e imigrantes asiáticos e africanos.

Com os 6.000 dólares obtidos com a escravização de sua família para agiotas, durante meses ou anos, em sua cidade de origem - uma pequena fortuna entregue a ”coyotes”, apenas para chegar ao Brasil - um haitiano, um caboverdiano, um senegalês, poderia montar pequeno negócio artesanal ou agrícola em seu próprio país, e dar ocupação e renda a membros de sua   família.

Aplicado em uma viagem sem volta, esse capital se evapora em poucos dias, sem oferecer nenhum benefício ou segurança no destino.
Cinqüenta mil pessoas já passaram pela rota que, saindo da África ou das Antilhas, passa pela República Dominicana, Espanha, o Panamá, o Equador, o Perú e a Bolívia para chegar ao Brasil.

Centenas se amontoam, como gado,  todos os dias, na fronteira, e muitos já podem ser vistos, deambulando, sem destino, pelas ruas de várias cidades  brasileiras. São tratados como escravos no caminho e no Brasil, devido à sua condição de ilegais, estão sujeitos a todo tipo de exploração.

Quanto tempo vai levar até que, pressionada pelo tráfico,  e recrutada e treinada antes mesmo de entrar em nosso território, parte deles comece a ser usada como “mulas”?

Ou se organize, em redes, para introduzir e vender drogas dentro do Brasil ?