17 de mar. de 2012

A AMAZONIABRAS E A TERCEIRIZAÇÃO DA AMAZÔNIA


As notícias de que tribos indígenas estão cedendo os direitos sobre suas terras a empresas estrangeiras e de que o Governo Federal pretende entregar, à iniciativa privada, um milhão e quatrocentos mil hectares de território amazônico para a exploração legal de madeira, de forma sustentável e controlada, nos conduzem a algumas reflexões.
Em primeiro lugar, como no caso clássico do marido traído que resolve o problema tirando o sofá da sala, trata-se de uma confissão explícita do governo – e da Nação, diante de outros países - de que não temos competência para cuidar da questão amazônica.
Em segundo lugar, o problema dessa vasta região não se resume à exploração ilegal de madeira, embora essa atividade possa ser vista como a ponta do iceberg da verdadeira casa de mãe joana em que se transformou a maior selva tropical do planeta.
Como vamos resolver o problema do garimpo e da mineração ilegal? Do garimpo e mineração legalizados, que descumprindo normas, atentam contra o meio ambiente? E o do roubo de espécimes animais e vegetais para a pesquisa biotecnológica em terceiros países? Entregando também essas áreas para empresas privadas? Se o Estado, hoje, não consegue controlar o que ocorre nessas imensas áreas, como ele o fará depois que elas forem transferidas oficialmente para particulares pelo prazo de 40 anos ?
Quem vai impedir que a empresa que recebeu uma concessão para retirar madeira não se sinta tentada a exercer outras atividades, se ao abrigo das copas das árvores, um funcionário topar com uma jazida de nióbio, ou de terras raras, com depósitos de petróleo, com um veio de ouro, ou com esmeraldas ou águas marinhas, ou com fósseis pré-históricos?
Como o Estado vai evitar que pesquisadores estrangeiros se associem a essas empresas para explorar, com a proteção de seus donos e seus seguranças, a biodiversidade local?
Como se assegurará a garantia dos direitos de posseiros ou da população ribeirinha dos cursos de água localizados nesse um milhão e quatrocentos mil hectares de solo ?
Muitos podem alegar que o governo não tem recursos para fazer valer a sua presença e exercer a sua responsabilidade na Amazônia. Que esse tipo de coisa, como costuma dizer a velha cantilena privatizante, não é obrigação do Estado, que deve, prioritariamente, se preocupar com a educação, com a saúde, com a segurança.
A verdade, no entanto, é que não podemos aceitar que a Amazônia seja transformada em um problema incômodo do qual o país tenta se livrar – e livrar-se da sua responsabilidade – empurrando-o para as mãos de terceiros.
A Amazônia, assim como o pré-sal, é um imenso patrimônio econômico e estratégico, que precisa ser racionalmente explorado, com participação direta do Estado, em benefício de todo o povo brasileiro.
Como conseguir dinheiro para fazer isso, ou seja, fiscalizar o que se passa nessa imensa região, e, ao mesmo tempo, gerar milhões de empregos, na exploração de seus imensos recursos florestais, minerais, hídricos, biotecnológicos ?
O governo poderia pensar em constituir, por meio do BNDES, uma empresa chamada Amazônia Brasileira S.A, e dentro dela, ao mesmo tempo uma holding e um guarda-chuva institucional, divisões independentes para cuidar das diferentes áreas de interesse, como biotecnologia, mineração, pesca e aquicultura, turismo, etc.
O segundo passo o de lançar uma OPA na Bolsa de Valores de São Paulo, para levantar, como ocorreu com a capitalização da Petrobras, 20 ou 40 bilhões de reais necessários para iniciar o projeto, com base em participação do Estado, de capitais privados nacionais e de participação de capitais estrangeiros, assegurando-se ao governo a palavra final, na direção da empresa, e por meio de uma golden share.
A Amazônia Brasileira S.A, seguindo as experiências da TVA (Tennessee Valley Authority, criada por Roosevelt em 1933) e da nossa Petrobras, poderia abrigar o interesse nacional e o capital de grandes mineradoras, como a Vale, de empresas madeireiras, moveleiras e de celulose, de piscicultura, hotelaria, transporte fluvial, de laboratórios interessados em explorar o potencial ainda quase virgem da biodiversidade amazônica, aproveitando o momento de grande liquidez do mercado internacional e a disponibilidade de capital de nossos parceiros do BRICS, por exemplo.
Em poucos meses, poderiam ser criados, para a população amazônica e para brasileiros de todo o país, milhares de empregos diretos e indiretos, ocupando de simples vigias a cientistas e pesquisadores, na esfera de influência e nos diferentes ramais de atuação da Amazoniabras e implementação da infra-estrutura e da logística necessárias para atendê-la.
A presença de uma empresa desse porte, e com esse poder – o poder do Estado no seu controle – inibiria a atuação de garimpeiros e exploradores ilegais de madeira, o desmatamento seria mais eficazmente combatido, acabando com a cultura de impunidade e desatado “laissez-faire” que impera em imensas porções desse território.
Entregar a Amazônia a terceiros, porque se pensa que a Nação não tem condições de cuidar dela, é um crime e um absurdo. Para combater a exploração ilegal de madeira, basta decisão política, como uma lei proibindo o transporte de madeira por caminhões não monitorados por satélite . A criação de uma recompensa, de quarenta por cento do valor arrecadado com a venda da madeira apreendida, para o agente que fizer a apreensão. Outro recompensa, de dez por cento do valor arrecadado, para quem tiver denunciado o carregamento ilegal. Além disso, com meia dúzia de computadores na sede do Ministério do Meio Ambiente, ou do IBAMA, se faria o controle do tráfego desses veículos dentro de limites previamente estabelecidos para a extração legal de madeira, monitorados via GPS. Fora desse limite, qualquer veículo transportando madeira dentro da região amazônica seria imediatamente e legalmente apreendido e sua carga seria confiscada e doada a cooperativas moveleiras destinadas a agregar valor á madeira. Getúlio fez a Petrobras, Juscelino construiu Brasília. Se Dilma fundar uma grande empresa mista voltada para apoiar o desenvolvimento econômico e social da Amazônia, a marca do seu governo sobreviverá para sempre no futuro.
Ester texto foi publicado também nos seguintes sites:

12 de mar. de 2012

A XENOFOBIA ESPANHOLA E A RECIPROCIDADE BRASILEIRA

Aproveito a repatriação de uma senhora brasileira de 77 anos do aeroporto de Barajas, para voltar ao assunto das medidas de reciprocidade que serão adotadas para a entrada de cidadãos espanhóis no Brasil, a partir do dia 2 de abril próximo, como comprovação de renda para ficar no país, reserva de hotel, passagem de ida e volta, etc.


Muitos dizem que as medidas adotadas contra os brasileiros pela polícia de imigração espanhola em Barajas, se devem ao despreparo e à xenofobia da polícia, e que isso não representa a visão que, em geral, o povo espanhol tem do Brasil e dos brasileiros.


Por essa razão é importante ver como o anúncio dessa medida repercutiu na Espanha, e, mais do que isso, como ela repercutiu em outros países da América Latina, para ver se apenas nós, os brasileiros, somos maltratados ao tentar entrar na Espanha, ou se trata de um padrão de comportamento da polícia de imigração espanhola que atinge, de forma geral, cidadãos oriundos de nossa região.


Com esse intuito, pedi à equipe do blog para fazer uma pequena pesquisa. Para quem sabe espanhol, ou quem entende espanhol, ou ainda quiser traduzir, deixo aqui, comentários que mostram que, infelizmente, a xenofobia e o racismo contra brasileiros – inclusive por parte de espanhóis que costumam vir regularmente ao nosso país – estão muito mais enfronhados do que se imagina na opinião pública daqiele país, hoje.


Quem não souber castelhano, que use o tradutor do Google, se precisar. É curioso ver como – apesar das conquistas dos últimos anos - ainda somos vistos lá fora por parte dos internautas de um país com quase 25% de desemprego (o nosso está em 4,7%), uma dívida externa de 165% do PIB (a nossa é de cerca de 12,7% do PIB) e cerca de 30 bilhões de dólares de reservas internacionais (as nossas são de quase 360 bilhões).


Um país que, durante uma ou duas gerações, chegou a alcançar um padrão de vida artificialmente elevado não apenas pelo hábito de exportar como problemas parte de sua gente a cada a duas ou três gerações para outros países, entre eles o nosso, mas também por causa dos bilhões de euros recebidos, durante anos a fio, da França e da Alemanha para se modernizar, e de mais centenas de bilhões de euros contraídos em dívidas – só os bancos espanhóis devem mais de 800 bi de euros ao BCE - que terão que ser pagas agora.


Foi para a elite desse país – tão preconceituosa e racista como ainda são infelizmente muitos espanhóis que chegam a defender “suas” multinacionais nos comentários - que entregamos, irresponsavelmente e de mãos beijadas - o filé da telefonia celular e um bom pedaço do mercado financeiro nacional nos anos 1990.


Nos comentários a seguir o leitor do blog poderá ver algumas das sugestões dos internautas espanhóis para o contencioso com o Brasil, que vão de fazer blitzes “redadas” contra a população brasileira na Espanha (imaginem quantos espanhóis não seriam presos se fizéssemos isso no litoral nordestino atrás de traficantes de drogas e de exploradores de boates e pontos de prostituição), até a expulsão pura e simples de todos os brasileiros que vivem no país e o confisco de suas propriedades.


Como contraponto, no entanto, no final do post, pode-se ver que nem todos os espanhóis tem essa opinião, e ler também um apanhado de comentários retirados de diversos jornais e sites da América Latina, por meio dos quais o internauta poderá ver como a maioria da opinião pública do continente está não apenas apoiando com entusiasmo a posição adotada pelo governo brasileiro, mas também exigindo – e expondo suas razões - que seus respectivos governos adotem as mesmas medidas de reciprocidade com relação à Espanha que está adotando o Brasil:


OPINIÃO DE ESPANHÓIS SOBRE AS MEDIDAS DE RECIPROCIDADE:


128.-Solución sencilla y que aplicaría cualquier país que se preciara un poco y que tuviera un líder con lo que hay que tener: expulsión masiva de los inmigrantes brasileños en España, unos 150 mil legales y probablemente unos 50 a 100 mil más ilegales.En su inmensa mayoría población de baja estofa, que se mueve en círculos de economía sumergida o ya claramente delictiva, es decir putas y maricones [chaperos y travelos]. A la calle con ellos.Si es que nos están ofreciendo la ocasión en bandeja de echar a esta chusma parásita.Y a ver si también la UE hace algo por una vez.


#138 Si, majosalao, si. Los españoles hemos creado mucha riqueza en Brasil. En cambio, de ellos, tenemos sus "doctoradas" que ejercen en la universidades a pie de carretera. Ellos, son los mayores delincuentes, de todos los que conozco, no hay ninguno decente, que trabaje honradamente, el que no trapichea, roba. Mi esposa es de allí, y al llegar aquí, lo primero que dijo fue; Dios mío, entre unas y otros, nos llenan de vergüenza. No tenemos trato con nadie de sus compatriotas, por motivos obvios.


120.-Este truño del gobierno brasileño es totalmente absurdo.En todos los países sudamericanos, hay un 80% de la población que vive con sueldos de 200 € al mes o menos. ¿Qué ocurre? Pues si esa gente viene a Europa, limpiando casas o haciendo trabajos no deseados por nuestros aborígenes, ganan entre 1000 y 1500 € mensuales. Por ello, es muy común que muchos quieran venir de vacaciones y quedarse ilegalmente aquí. Y por ello, se imponen políticas muy restrictivas con esa gente.Como yo no creo que el que vive aquí y gana 1500 € quiere ir a brasil a ganar 200 €, no se entiende que ese y otros países decidan calcar las políticas nuestras cuando las situaciones son diferentes. Ellos necesitan capitales y turismo para desarrollarse. Si ponen trabas, mejor para nosotros, más españoles invertirán en españa y más trabajo para los españoles.Por envidia, orgullo y por estupidez, ellos están actuando en contra de sus intereses. Allá ellos, más tiempo les durará la pobreza. Y hablo de países sudamericanos, como Brasil, Bolivia, ..., que quieren aplicar las mismas políticas restrictivas que nosotros con circunstancias diferentes.


97.-Esto es producto de ataque de grandeza "brasuca" y del complejo que tienen como la mayoría de los otros sudamericanos, bañados en una gran epidemia de envidia. Quieren jugar a ser una potencia mundial. En los medios oficiales, se les llena la boca de propagar ser "o sesto pais mais rico do mundo" [ que Dios nos coja confesado por su estúpido nacionalismo cutre Y eso ya desde mi última visita, hace casi cuatro años.Viví allí mucho tiempo, cree trabajo [ estaba mal visto; esa cosa no les gusta mucho, ellos al "forró" y caipirinhas ]. Pobrecitos, me dan pena, quieren comparar nuestros técnicos que están allí la gran mayoría en empresas españolas, con sus "técnicas" que están aquí dando "docencia" en las "universidades" que hay al pié de carretera.De su repugnante sistema sanitario, prefiero no hablar. De la corrupción de sus autoridades, ya ni comento. La corrupción es el sistema. Las bolsas de pobreza son dignas de ejemplo.Les podría decír miles de cosas.¿ Que siguen así ?.- Visado para ellos y punto.¿ Que les causan problemas a nuestras Multis ?.- No pasa nada: Indemnización, se les deja solos y a los 5 años, están otra vez, pidiendo que volvamos.Serían otras condiciones.


7.-El problema no es tan simple como eso... Muchos españoles han invertido dinero en Brasil sobre todo durante la burbuja inmobiliaria y se ven abocados a seguir manteniendo relaciones con ellos. Una de los grandes problemas que han sido engañados y después de invertir no pueden abrir cuenta corriente, por ser extranjeros con lo que se les complica muchísimo la administración y venta de esos inmuebles. Como primera medida habría ya que aplicarles la ley de la reciprocidad [como dicen que hacen ellos] y suprimir todas las cuentas corrientes que tienen los no residentes brasileños en España. Y tantas otras cosas. Luego en lo que respecta al tráfico de personas la mayoría de los brasileños que vienen a España es para ejercer la prostitución mientras que la mayoría de los españoles que van a Brasil es para generar riqueza, ya sea de turismo gastando o invirtiendo. No se lo que harán en las aduanas pero en mi último viaje a Natal volví con una fulana a mi lado que incluso se atrevió a ofrecerme sus servicios en vuelo. ¡De coña!. ¡Pero si Brasil es un país tercermundista donde la mayoría de la población mal vive y unos cuantos tienen toda la riqueza!. ¡Dejemos de chorradas!.


11.- #5 Te recuerdo que estamos hablando de Brasil, no de Chile o de USA o estas muy mal informado o que te pagan por escribir estas bobadas...Yo llevo 10 años con negocios y viajando a Brasil y se de lo que estoy hablando. Brasil, aunque se le llame país emergente, es un país tercermundista en la mayoría de los aspectos y la mayor parte venían a España es para buscarse la vida, sobre todo ejerciendo la prostitución [putas y travestis]. Como ahora las cosas han cambiado y nuestro país no está para eso y ven que algún español está intentando ganarse la vida ahí, nos salen con estas normas. Cuando nosotros hemos admitido a miles de indocumentados aquí. Los que van a esas universidades que los españoles no podemos pagar?, serán los hijos de los terratenientes y la oligarquía brasileña que, eso si, viven como enanos mientras la mayoría de sus ciudadanos están en la miseria. Los brasileños han engañado y siguen engañando a muchos españoles [y a España] que han invertido allí, porque es un país donde el engaño está a la orden del día [mucho más que aquí]. Para conocer un país hay que vivir, hacer negocios y viajar en el, no tener un par de amigos ricos que te cuenten una milonga.


18.- #6 ¿Reunificación familiar? Mira, si yo necesito a alguien que me haga un trabajo -pongamos un fontanero- lo contrato, hace el trabajo, le pago y se va. No necesito que se traiga a su madre, ni a los cincuenta hermanos y a los ochocientos medio hermanos. Mucho menos a su padre [divorciado de su madre] que está encamado con otra y esa otra ya tiene dos churumbeles y otro cociéndose en el bombo. Si es muy simple: vienen, curran, cobran y se vuelven al lugar de donde han venido. Todo limpio y ordenado.


24.- #15 He invertido ahí porque me ha dado la gana y porque, desde luego, desconocía los entresijos del país. He sido un pardillo, lo reconozco, y por eso lo cuento para que a los demás no les ocurra lo mismo que a mi. A Brasil hay que ir de turismo y a lugares donde la seguridad este controlada y disfrutar de su naturaleza. No hay que invertir en nada hasta que los extranjeros no podamos tener cuentas corrientes y se hagan otras reformas. Que se queden ellos con lo suyo y hasta que abrán las fronteras no se les compra nada, ni se deja entrar a nadie en la CEE. Y si se echa algún polvo a alguna lugareña mucho cuidado que luego llega toda la parentela...


31.- #25 Pues a ver si das tu alguna muestra tu de intectualidad... o por lo menos aporta algo nuevo al debate. Yo por lo menos aporto la experiencia que tengo haciendo negocios y viajando en ese país durante 10 años. Ya sabemos que los extremos nunca existen al 100% pero la generalidad de lo que sucede esta claro. Ahora que nosotros no estamos bien, esos cabrones nos suben los requisitos de entrada y para hacer negocios de una manera brutal y cuando era al revés nosotros les hemos dejado pasar como perico por su casa. ¡¡Esa es la correspondencia brasileña y la puta verdad!!. Y ahora frente a su pueblo, en general ignorantes, sacan pecho diciendo lo del orgullo patrio, la ley de la reciprocidad y otras zarandajas mientras sus políticos se lo llevan crudo [casi como los nuestros en eso nos parecemos].


34.- #30 Pero, ¿de que estás hablando?. Los que pedimos reciprocidad somos nosotros, ¡a ver si te enteras!. Mientras nosotros hemos hecho muchísimas inversiones importantes allí, ellos nos han llenado el territorio nacional de putas y travestis, con sus respectivas familias y España les ha acogido porque esta gente no tenía donde caerse muerta en sus país. ¡ A ver si os enteráis!. Y ahora que aquí las cosas no andan bien nos ponen todo tipo de problemas, no para ir a poner culo, como han hecho ellos, sino para ir a generar riqueza.


49.-Por mi, que les den por ahí...¿Quién tiene interés en ir a uno de los países más corruptos e inseguros de América?50.-


#30 lo de Brasil potencia Mundial, lo estoy oyendo desde los 60. Se decía que a fin de siglo superaba a Rusia que entonces se la tenía por segunda. Pasó el Fin y el Siglo. Un pueblo para progresar lo primero es su educacdión, y si tiene educación es posible que encuentre buenos dirigentes. Y a partir de ahí podemos hablar.Comparar Brasil, a como estábamos en España hace 20 años es ser un advenedizo.Cuando murió Franco en el 1975. España era la 9ª Poténcia Industrial del Planeta.


COMENTARIOS SAÍDOS EM SITES DA AMÉRICA LATINA SOBRE A MEDIDA DE RECIPROCIDADE ADOTADA PELO GOVERNO BRASILEIRO:


NOTICIAS24HS (CARACAS, VENEZUELA). RUBEN ME PARECE QUE TODOS LOS PUEBLOS DE LATINOAMERICA DEBERÍAN DE TOMAR ESTA MISMA MEDIDA COMO EJEMPLO, PARA CONTRARRESTAR LAS HUMILLACIONES QUE MUCHOS LATINOS DEBEN PASAR AL INGRESAR A PAÍSES EUROPEOS COMO ESPAÑA, ITALIA ENTRE OTROS, Y TANTA HUMILLACIÓN EN CUANTO A RAZAS.TRESPATAS EXCELENTE POR BRASIL, asi es que se hace diplomacia., pa que les duela a los españoles ahora que tienen un desempleo desbordado y Brasil esta creciendo economicamente y generando puestos de trabajo.,BIEN HECHOclaudia Bien!! Así deberían hacer todos los países para evitar la discriminación de muchas naciones europeas y de EEUU.


INFOBAE (Buenos Aires, Argentina)10.02.2012Muy bien. Tengo entendido que tambien ya esta vigente para USA a aquellos que desde alli quieren ir a Brasil. Aqui deberia suceder igual. Muchos argentinos cuando llegan a Barajas, son encadenados, esposados, sin agua, sin derecho a una llamada de telefono, les retienen el documento, y con custodia policial lo llevan al avion de regreso y solo cuando llegan a ezeiza recien les dan el documento. Que sea una manera de exigir respeto. No de odio o venganza. Pero si buscar igualdad de trato.


11.02.2012Perfecto! Toda Latinoamérica debería aplicar la misma medida, ya que sería recíproco. Encima que nosotros los salvamos tanto tiempo de la miseria y el hambre que hubo allá hace unos cuantos años atras ahora nos exigen 50 mil papeles para poder ingresar, como pasa con EE UU.


11.02.2012Bien Brasil, felicitaciones Dilma, asi se manejan las grandes potencias, a los soberbios no se loseduca con la sencillez,hospitalidad y solidaridad; a esta gente se los educa devolviendo su mismo ejemplo,que aprendan, entiendan y les duela en la carne, que escarmienten en sus propio jugo; en estos momentos son ellos y toda Europa la que necesita de america latina, cuanto tenemos que aprender los argentinos de brasil...no? por algo Brasil se convirtio en una potencia mundial reconocida.


ABC Color (Assunção, Paraguai)tuvecinoSI ME PARECE GENIAL BRASIL ALFIN QUE ALGUIEN LE CORIIJA A ESTOS ESPAÑOLES DEBERIA HACER LO MISMO TODA LA REGION!! VIENEN ACA A HACER SUS NEGOCIOS COMO SI NADA Y PARA SIMPLEMENTE ENTRAR A SU PAIS ES UN KILOMBO!


Elsa González • Comentarista destacado • Universidad Catolica de VillarricaEl que a hierro mata..a hierro muere!, ojo x ojo..diente x diente!!etc!!se les está dando de su propia medicina!!APRENDAMOSSSS!!!


tuvecinoSI ASI MISMO ES EDWARD IBARAR, ACA EN PARAGUAY LE ABRIMOS LAS PIERNAS.. NUESTRAS AUTORIDADES ESTAN PELOTUDEANDO YA EN LAS CAMPAÑAS EN VEZ DE TOMAR DESICIONES COMO ESTA!!


ELCOMERCIAL (Argentina):Tenemos mucho que aprender de BrasilEscrito por jlx , 12 de febrero de 2012, 09:14 hs.A pesar de los problemas que tiene Brasil, creo que tenemos mucho que aprender de ellos, en especial en materia de relaciones exteriores. Cuanto más tiempo pasa, más los admiro.


Rusia Today (edição em espanhol):Alexander Heredia • Mejor comentador con el tiempo abra gente haciendo colas en las embajadas de los países latinoamericanos en el viejo continente.


Giuseppe Cetraro • Mejor comentadorPor fin!!! Brasil es el primero en poner un alto a la ley del embudo. Eso se llama reciprocidad y el resto de países del continente americano y del caribe deberían seguir su ejemplo.Responder


• 6 • Miguel Angel Bustoshay que hacer lo mismo que brasil con los españoles, para que prueben como se siente ser rechazado o estrictamente controlados como lo hacen ellos con todos nosotros los latinos. nos echan despues que se robaron todas las riquezas de estas tierras y destruyeron toda la cultura precolombina, deben tener un castigo historico despues de todo lo que hicieron, deberian sentirse culpables y no rechazarnos.Nicole Krshna • Mejor comentadorClaro, ahora tdos se quieren venir a America Latina...Angel Agapito Galancoño quien no le gustaria entrar a brasil es una potencia en ascenso como los demas integrantes del BRIC


Ceasar Mendoza • Newburgh Free AcademyMe parece muy bien que brasil no deje entra espanoles a su territorio nacional ya que espana estan pasando por un alto nivel de desempleo ahora quieren inmigrar a la america latina para mayores oportunidades. America para los americanos y europa para los europeos ya que se acabaron todas las riquesas quieren volver por mas hay que tener mas control en nuestras fronteras.


Tucuman a lãs 7 (Argentina):1manuel henriquez10-02-2012 15:32Es asi que Brasil impone la dignidad de latinoamerica. Viva UNASUR y el Mercosul. Que todos los paises de nuestra region sigan el ejemplo brasileño.


Vanguardia. Com (Colombia):46675 | hgomez77 |Viernes 10 de Febrero de 2012 - 03:26 PMMe imagino que empezará a protestar Nachito Vidal y sus secuaces que se la pasan viniendo a latinoamérica a filmar películas pornográficas a mitad de precio. Definitivamente de allá no se viene sino la escoria, bien por los brasileros que no se ponen con genuflexiones q-las como los colombianos que a cuanto gringo y europeo apenas lo ven se le van abriendo de piernas.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:

8 de mar. de 2012

VOZES DO PASSADO, DESAFIOS DO PRESENTE


Os militares queassinaram manifesto de insubmissão ao governo parecem perdidos no passado, mastambém presos ao passado se encontram algumas personalidades políticas civis.Os oficiais da reserva, que acompanham os presidentes dos clubes das trêsarmas, não podem contestar a autoridade do Ministro Celso Amorim. Ele tem todaa legitimidade constitucional para exercer o cargo em sua plenitude. Foinomeado por uma presidente, eleita pelos cidadãos brasileiros, não só para a chefia de governo, mas, principalmente, comoChefe de Estado. Mesmo que não pertençam mais aos quadros da ativa, osmilitares estão sujeitos ao dever de obediência ao comandante supremo dasForças Armadas, e esse comandante é Dilma Roussef. Sua autoridade é a de todo opovo brasileiro, conforme o sistema republicano que a Constituição Federalconsagra.
É hora de entender-se uma coisasingela: os militares não são os tutores políticos e ideológicos da nação. Elessão servidores do povo, e servidores com uma responsabilidade ainda maior,decorrente, mesmo, da grandeza de sua missão. Ao ingressar nas academiasmilitares e alistar-se nos exércitos de terra, mar e ar, os jovens secomprometem a defender o país e suas instituições. Infelizmente essecompromisso foi violado em tempos passados.
A nação reagiu contra o regime militar de 1964. A partir de pacientetrabalho em favor da democracia, que envolveu civis e militares, foi possível a transição de 1985 ea nova Carta Política de 1988.
Tratou-se, sim – e não nosenvergonhemos, de um lado e de outro – de exaustivas e pacientes conversações,discretas ou públicas, que levaram à anistia recíproca, em 1979, como oprimeiro passo para o retorno ao estado de direito. O ato de 1979 levou àrestauração das eleições diretas para os governos dos Estados, em 1982, com avitória da oposição nos mais importantes deles. A partir de então – e isso éHistória – Tancredo Neves pôde conduzir o processo, tecendo, com habilidade, aaliança política que atraía para o centro os setores mais lúcidos da esquerda edas forças conservadoras. Ele mesmo, em mais de um discurso, deixara claro quenão se pretendia a construção de um movimento que fosse governar para sempre.Tratava-se de construir um governo de conciliação e de transição: quando o paísse estabilizasse politicamente, com novaconstituição, cada um dos grupos políticos da aliança, com suas idéias econvicções, buscaria seu próprio curso.
A oposição, embora tivesse a plenaconsciência de que não cometera qualquer crime, mas, apenas, exercera o sagradodireito da resistência, anuiu na solução política de que a anistia consistiriano esquecimento dos atos de violência cometidos dos dois lados. As negociaçõespolíticas se exercem no campo da possibilidade. O propósito era o de fechar umcapítulo penoso da História e dar oportunidade para a conciliação, como, deresto, outros capítulos difíceis haviam sido fechados com o mesmo tirocínio, nopassado, desde as insurreições do século 19, com as anistias concedidas por sugestãodo maior chefe militar do Império, o Duque de Caxias.
Vale a pena, para entender as razões políticas do pactoque se estabeleceu, ler o item 17, do parecer que o futuro Ministro do STF,José Paulo Sepúlveda Pertence redigiu, em nome da Ordem dos Advogados doBrasil, sobre a lei de anistia proposta pelo Governo:
“Nem a repulsa que nos merece atortura impede reconhecer que toda amplitude que for emprestada ao esquecimentodesse período negro de nossa História poderá contribuir para o desarmamentogeral, desejável como passo adiante no caminho da democracia”. O Brasil não se podia dar o luxo de viver emsobressaltos institucionais em cada geração, como vinha ocorrendo em nossahistória republicana.
A lei da anistia, examinada eaprovada pelo Congresso Nacional, pode não ter sido a melhor para nenhumadas partes, no momento em que foipromulgada. Tratou-se de um pacto, e nos pactos, cada um dos pactuantes perde,para que todos ganhem. Nós estávamos construindo a paz, e a paz tem os seuscustos. É melhor que esses custos tenham sido e continuem sendo políticos. OSupremo Tribunal Federal, como o guardião da nossa Carta Política, confirmou,pçor 7 votos a 2, a constitucionalidadeda anistia, ao aprovar o voto do relator da Adin proposta pela OAB, o MinistroEros Grau. Grau se lembrou que a anistia de 1979 fora aprovada pela mesma OAB,que vinha refutá-la em abril de 2010.
Há, e respeitemos as suas razões, quempretenda revogar uma lei, resultado de compromisso político nacional, negociadopor quem tinha o poder de fato, por um lado, e o poder político, do outro. Aspessoas, atingidas pela repressão, diretamente, ou em seus familiares e amigos,têm, em seu sofrimento, o direito sagrado de exigir a punição dos culpados,diretos ou indiretos, pela tortura e a morte das vítimas. Mas o Estado, em suaperenidade como organização política das sociedades nacionais, não tem, nempode ter, emoções. As ideologias e doutrinas se alternam nos sistemasrepublicanos, mas a república deve ser, em si mesma, uma realidade blindadacontra as paixões.
Sendo assim, embora as organizações sociais epartidos políticos possam, dentro das liberdades civis de um país democrático, pedira revogação de uma ou outra lei, os servidores do Estado, que participem damesma opinião, estão obrigados ao obsequioso silêncio. Eles acompanham, em seusdeveres, o juramento prestado pelo Chefe de Estado, que é o de cumprir e fazercumprir a Constituição e as leis.
Alega-se que outros países – e, nocaso, o exemplo maior é o da Argentina – já revogaram leis semelhantes, mastemos que examinar as nossas próprias razões e interesses. Desde aIndependência, mesmo com os embates sangrentos internos, nós sempre nosorientamos pela idéia de que o papel da política é o de construir a paz, e que– para lembrar uma frase de Tancredo – a lei deve ser a organização social da liberdade.Foi com o propósito de assegurar a liberdade permanente do povo brasileiro quese negociou a anistia. Tampouco podemos admitir a interferência da OEA – amesma OEA que bem conhecemos – e de órgãos secundários da ONU, em nossosassuntos internos. A OEA, como todos sabemos, autorizou a invasão de paíseslatino-americanos soberanos, a serviço de Washington, e a ONU autorizou ainvasão do Iraque pelos Estados Unidos. Assim como repudiamos a intervençãodesses organismos internacionais em outros países, com razões muito maisfortes, não admitimos que venham impor suas decisões contra a soberanianacional. E mesmo que houvesse todas as razões para essa interferência – o quenão é o caso – não podemos admitir a violação do princípio da auto-determinaçãodos povos. Quando admitimos essa violação por um bom motivo – e repetimos, nãoé o caso – temos que admiti-la sob qualquer pretexto.
Reabrir um confronto entre militarese civis, que se fechou com os entendimentos de há 33 anos, é um erro que, nestafase de turbulência histórica no mundo, não nos podemos permitir. Permiti-loserá enfraquecer-nos no momento em que devemos reunir todos os esforços a fimde garantir a soberania nacional, diante da escancarada cobiça externa sobre osnossos imensos recursos, naturais e humanos. Mordendo os próprios dentes dentrodos lábios fechados, temos que pensar nisso, e ver o Brasil para além de nosso efêmero tempo de vida.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


6 de mar. de 2012

OS CRIMINOSOS E A POLÍTICA



              A Operação Montecarlo da Polícia Federal, de acordo com as informações divulgadas, está revelando constrangedoras ligações entre o crime organizado em Goiás, no Distrito Federal e personalidades políticas importantes daquele estado.
            Um senador da República, das figuras mais respeitáveis na defesa de suas posições conservadoras e no exercício da oposição, revela ter recebido, do explorador de jogos proibidos, Carlos Cachoeira uma cozinha completa como presente de casamento. Com toda a tranqüilidade, segundo os jornais, o senador Demóstenes Torres explica que é amigo há muito tempo do contraventor, e que estava convencido de que ele se havia regenerado. Sabendo-se, como se sabe, que o mesmo explorador de jogos proibidos fora envolvido em rumoroso caso de suborno - a fim de obter vantagens na exploração da Loteria do Estado do Rio de Janeiro- é estranha essa declaração aparentemente ingênua do senador goiano.
            A prisão de Carlos Cachoeira e dos demais envolvidos na exploração de caça-níqueis e do jogo do bicho em Goiás e no Distrito Federal (muitos deles policiais) coincidiu com a sua condenação e a de Waldomiro  Diniz, pela justiça do Rio de Janeiro, a 12 anos de prisão. Assim, pouca dúvida pode restar de que o “empresário” goiano não é um empresário que atua dentro das normas da lei. O jogo de azar é uma atividade proibida no Brasil, desde o governo Dutra. Se ele é tolerado por alguns governos estaduais, essa tolerância é também passível de punição, porque se trata de uma cumplicidade criminosa.  
            As ligações entre a política e o crime organizado não são uma exclusividade de nosso tempo e de nossa geografia. Isso não significa que devamos aceita-las como uma contingência da vida social. Provavelmente nunca conseguiremos ter uma sociedade sem criminalidade, mas devemos combater o crime, assim como combatemos as endemias e as pestes epidêmicas, ainda que provavelmente jamais consigamos extinguir todas elas.
           A prisão dos implicados, a pedido do Ministério Público, pela Polícia Federal, é mais uma operação que nos traz esperanças. A faculdade de investigar os crimes pelo Ministério Público não pode, nem deve, ser limitada, como desejam os delegados de polícia. Nenhuma corporação pode atuar com exclusividade, sem que se submeta ao controle de outras. É assim que a cidadania apoiou a decisão do STF que assegura os poderes do Conselho Nacional de Justiça, bem como a decisão de há quase 3 anos, do mesmo STF, de que o Ministério Público, pode, sim, se considerar necessário, investigar, sobretudo quando os suspeitos são policiais – conforme o relatório e voto da Ministra Ellen Gracie, aprovado por unanimidade pela Segunda Turma do mais alto tribunal.
          Por outro lado, cabe registrar que, não obstante incidentes envolvendo alguns de seus membros, a Polícia Federal já se consolidou como uma instituição republicana, a serviço da Justiça. Foi assim que o delegado Protógenes Queiroz, nisso autorizado pelo juiz Fausto de Sanctis, reuniu provas suficientes para levar à Justiça o banqueiro Daniel Dantas e seus cúmplices. Infelizmente, o poder do banqueiro baiano é de tal natureza, que  virou a justiça pelo avesso, conseguindo safar-se do juiz de Sanctis e do delegado Protógenes Queiroz - hoje deputado federal.
          Não há, como sabemos, e infelizmente, partido político brasileiro que esteja imune à presença de corruptos e concussionários em seus quadros. Isso leva a cidadania a exigir, e a ter a esperança, de que  órgãos como o Ministério Público, e a Polícia Federal,  possam trabalhar com tranqüilidade e rigor, dentro da liberdade que lhes assegurou a justiça, dentro das leis -  no caso Satyagraha - a fim de que as investigações  reúnam as provas necessárias à punição dos culpados. E que a Justiça venha a fazer realmente justiça.
               

28 de fev. de 2012

O CRIME ORGANIZADO, CARNAVAL E FUTEBOL

(Carta Maior) - Conhecidos jogadores de futebol, ídolos do público,como Ronaldo e Neymar, defendem o Sr. Ricardo Teixeira das acusações que lheestão sendo feitas. Para os dois profissionais, o presidente da CBF é um homemexcepcional, que prestou grandes serviços ao esporte, e não deve ser afastadode seu cargo. Ao mesmo tempo, diretores de escolas de samba investem contra ogovernador Sérgio Cabral, que fez declarações contra a participação dosbicheiros no carnaval carioca. Ora, se se confirmarem as denúncias contraTeixeira e seu sogro, João Havelange, eles poderão ser qualificados comoparticipantes de uma forma de crime organizado. E o jogo do bicho, até que hajaleis em contrário, é uma atividade criminosa.
Por mais importante seja a alegriado povo, nas arquibancadas dos estádios e das passarelas do carnaval, uma coisanão pode ser confundida com a outra. A corrupção e o jogo do bicho sãoatividades criminosas, e devem ser investigadas e punidas. O episódio nosconduz a pensar um pouco sobre a tolerância nacional para com os que violam asleis. Homens públicos de biografia conhecida se tornam facilitadores denegócios, sob o rótulo genérico de consultores.A atividade de consultores está ligada à especialidade de cada um deles. Umjornalista pode dar consultoria em divulgação de empresas: é sua especialidade.Um engenheiro calculista faz o mesmo, e o mesmo pode fazer um geólogo. Osmédicos e advogados são consultores de tempo integral. Mas os lobistas não sãoconsultores: são corretores de negócios – geralmente negócios com o poderpúblico.
Os ídolos do público, jogadores defutebol ou sambistas, vivem em outra dimensão da realidade. Os craques defutebol, principalmente os de hoje, estão afastados da maioria da sociedade.Ganham fortunas, porque, com seu talento, geram fortunas ainda maiores. Foraalguns casos – e Romário é um deles -, distanciam-se das coisas cotidianas evivem, como é natural, navegando nas nuvens da própria glória. Não deviam,sendo assim, imiscuir-se nas coisas políticas.
É de se recordar a desastradadeclaração de Pelé, a de que o povo não sabe votar, feita ainda durante oregime militar. Recorde-se que grande parte de sua carreira coincidiu com oauge da Ditadura, quando um dos presidentes, Garrastazu Médici, se jactava deser o maior torcedor brasileiro, a ponto de dar palpites sobre o elenco daseleção e receber a corajosa resposta deJoão Saldanha: “ao presidente cabe escalar o Ministério, e, a mim, escalar otime”.
É velha a tolerância nacional paracom os bandidos simpáticos. Durante muitos anos reinou, absoluto, como o maiorcontrabandista do Rio, o célebre Zico, proprietário do famoso Bar Flórida, daPraça Mauá. O bar era o ponto mais conhecido da boemia carioca, freqüentado porprostitutas, marinheiros e malandros. Milionário, Zico era, como todos ossujeitos de sua estirpe, generoso por esperteza, a fim de angariar o apoio deparcelas da população, e financiador de vereadores cariocas. Conta-se que atémesmo Dutra, presidente de sua época, o recebia no Catete. Ao que se sabe, elenunca foi incomodado pela polícia.
Estamos em uma fase de saneamentomoral na atividade política, com a aprovação definitiva da exigência de fichalimpa aos candidatos aos cargos eletivos. Alguns governos estaduais – e oprimeiro deles foi o de Minas – já adotaram a exigência e se comprometem a nãonomear quem não possa cumpri-la. Seria bom que as escolas de samba não sedeixassem governar por notórios bicheiros, e que o futebol voltasse a ser o quefoi no passado. Tudo isso é difícil, mas não podemos esmorecer.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaImprimir.cfm?coluna_id=5486
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=176468
http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2012/02/o-crime-organizado-carnaval-e-futebol.html
http://envolverde.com.br/sociedade/comportamento-sociedade/o-crime-organizado-carnaval-e-futebol/
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/clipping-do-dia-546
http://www.torres-rs.tv/site/pags/nac_int2.php?id=2055
http://bloganacletoboaventura.blogspot.com.br/2012/02/primeira-pagina_24.html
http://boilerdo.blogspot.com.br/2012/03/ricardo-teixeiracrime-organizado.html





A QUEIMA DO ALCORÃO E OS MANDAMENTOS DA PAZ


(JB) - A queima, ainda que tenha sido acidental, de exemplaresdo Corão por soldados norte-americanos no Afeganistão, talvez tenha sido o mais grave problema paraos Estados Unidos, desde a invasão do país. Os homens não podem viver semalguma fé e, nesse raciocínio, a negação de Deus é, em si mesma, manifestação de crença. A fé é inerente aoespírito do homem, como o sangue ao corpo. O Ocidente pode, com seuracionalismo, negar a sabedoria do Livro Sagrado dos muçulmanos, da mesma formaque há os que negam importância transcendental à Bíblia e aos livros dasreligiões asiáticas – mas não convém desprezar a fé alheia.
Se há uma religião que, ao longo daHistória, teve conhecida tolerância para com as crenças alheias, foi amuçulmana. A Espanha medieval é disso uma prova. Judeus, cristãos e muçulmanospuderam viver em paz na Andaluzia islâmica, apesar da hostilidade entre osestados católicos e o Crescente. Tal como ocorre em nossos tempos, o quedeterminava a paz e a guerra eram os interesses do poder.
Os muçulmanos têm um grande respeito pelos povos do Livro, ou seja, da Bíblia, mesmo porque se consideram provindos da mesmaraiz hebraica. É inimaginável que venham a queimar as Escrituras Sagradas. Nãoé a primeira vez que essa afronta é cometida pelos norte-americanos. Se ossoldados agiram sem a intenção da ofensa (o que parece improvável), outro foi opropósito de episódios anteriores. Em setembro de 2010, o pastor protestanteTerry Jones anunciou o seu projeto de promover a queima de exemplares do livroem todo o território americano. Houve protestos, e ele prometeu que não ofaria. Mas, em março do ano passado, em sua igreja de Gainesville, na Flórida,promoveu o julgamento do livro e -considerando-o culpado pela queda dasTorres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 - queimou um exemplar, durante dezminutos, sob o aplauso frenético de seus fiéis.
O momento é difícil para os Estados Unidos (epara Obama, que disputa a reeleição este ano) e seus aliados no mundo inteiro.A desastrada intervenção na Líbia, no ano passado, está sendo avaliada peloscomentaristas internacionais como um grande erro. Sob a mentira de quedefendiam os direitos humanos naquele país, os europeus, sob as ordens deWashington, e o apoio de mísseis norte-americanos, arrasaram a nação árabe, e cometeram crimesmuito mais estúpidos dos que se atribuíam a Kadafi. Os que caçaram e mataram olíder líbio, da forma que o fizeram, sob os aplausos histéricos da Sra. HillaryClinton, continuam a matar todos os que podem. Os negros, que viviam etrabalhavam na Líbia, sob a proteção do Estado, estão sendo escorraçados emortos como bichos pelas tropas do frágil governo de transição. Há cidades quese organizam para defender-se dos novos donos do país.
E temos a situação da Síria, em queislamitas e cristãos convivem, sem atropelos, da mesma forma que no Líbano. OsEstados Unidos estimulam uma intervenção militar no país, com a mesma desculpada defesa dos direitos humanos. Relatório recente de observadores da ONUdenuncia que os opositores ao regime cometem as mesmas atrocidades atribuídasàs tropas de Assad. E, na mesma região, encontra-se o Irã. Uma pergunta se faznecessária: devemos e podemos invadir um outro país, a fim de impor, ali, aordem que nos parece melhor? A paz entre as nações repousa nesse princípioelementar, o da autodeterminação de seus povos e, em conseqüência, da nãointervenção, seja a que pretexto for.
Essa doutrina foi admiravelmente resumida porBenito Juarez, o grande líder mexicano, como resposta aos que lhe pediramperdoar Maximiliano, que invadira seu país e se proclamara imperador: el derecho ajeno es la paz.
Como se sabe,Maximiliano comandou tropas expedicionárias européias, apoiadas por traidoresinternos, que pretenderam assenhorear-sedo México, a fim de cobrar dívidas, e foram vencidas pela resistência comandadapelo índio Juarez, que prendeu,julgou e mandou fuzilar o invasor em Querétaro, em 1867. Se cada povo pudessedecidir, ele mesmo, seus problemas internos, as guerras seriam mais difíceis.
Há várias formas de ingerência, e a América Latinaconhece algumas delas, incluídos os golpes sistemáticos, ao longo da História,insuflados, financiados e comandados pelos Estados Unidos – além da intervençãodireta dos marines. Os tempos mudam,e não parece que Washington se disponha a correr riscos maiores nessa fase dahistória do mundo. De qualquer forma, se queremos manter inviolável nosso território e nossa soberania política, devemos rechaçar aintervenção estrangeira em qualquer país do mundo, a que pretexto for. Como sesabe, há congressistas norte-americanos que recomendam uma ação militar naTríplice Fronteira, entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai, a pretexto decombate ao “terrorismo muçulmano”.
O presidente Obama pediu desculpasaos afegãos pelo incidente, segundo ele, involuntário. O que já era difíciltorna-se ainda mais difícil agora: a retirada dos norte-americanos daquele paíscom um mínimo de ordem e de dignidade.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:

25 de fev. de 2012

A RÚSSIA SAI DA LETARGIA


(JB) - Enganam-se os que viram, na guerra fria, o conflito ideológico entre o sistema socialista e o sistema capitalista. Na verdade, todos os que examinam a história com cautela, sabem que as ideologias podem ser, em certas ocasiões, doutrinas de escolha para conduzir os projetos nacionais estratégicos, mas o sentimento de nação sempre prevalece sobre as idéias de caráter universal. Essa é uma das dificuldades do marxismo aplicado: não é fácil a união internacional dos trabalhadores contra o capital. Quando traduzida, a Internacional, mesmo mantendo a força de seus acordes, não tem o mesmo efeito da versão original de Eugéne Pottier, um participante da Comuna de Paris – nem mesmo em russo, ainda que tenha sido o hino oficial da URSS.
O homem, qualquer homem, é o centro de um universo que se amplia, mas que se distancia, ao ampliar-se. Assim, a percepção do mundo e de nossa existência nele encontra o limite ideal na comunidade cultural e em seu espaço geográfico – enfim, na pátria. A sobrevivência da comunidade nacional prevalece sobre os sistemas sociais que adotemos. Em razão disso, podemos considerar que as revoluções políticas atendem, em primeira urgência, à salvação do povo – a sua liberdade e soberania dentro dos limites nacionais. Sendo assim, podemos dizer que o marxismo foi uma doutrina de ocasião para que o Império Russo fizesse a sua revolução nacional, derrubando uma monarquia enfermiça e alienada e instituindo novo sistema político. A etapa kerensquiana da revolução nada prometia senão uma república tão conservadora quanto o regime dos Romanov – daí a ousadia de Lenine e seus companheiros.
A revolução se estagnou e retrocedeu com Stalin, para se perder com Gobartchev. Ela vinha se esvaziando, por não avançar rumo à utopia de uma sociedade sem classes, que fora a promessa de 1917. A tecnocracia substituíra a nobreza do Império e parcelas da sociedade se cansaram das restrições. Isso possibilitou a Gobartchev capitular, como capitulou, sem a habilidade para promover uma transição mais inteligente para a economia de mercado.
A queda do muro de Berlim foi um desastre para o mundo socialista e, especialmente, para a União Soviética, esquartejada e com sua economia dilacerada, com as empresas do Estado entregues aos favoritos de Ieltsin. As nações, no entanto, são capazes de soerguer-se em pouco tempo, desde que encontrem motivos para isso. Nos últimos 24 anos, com as dificuldades conhecidas, a Rússia vem recuperando a consciência de nação e sua força histórica. O complexo de derrota, que se seguiu à fragmentação do antigo Império e à arrogância dos Estados Unidos como a única potência hegemônica, foi vencida. A aliança entre os países emergentes, que une o Brasil à Rússia, à Índia, à China e à África do Sul, é um novo espaço de influência na geopolítica, compartilhado por essas potências – e anima os russos.
Eles têm reconstruído seus exércitos, e, a duras penas na fase confusa da reorganização do núcleo mais poderoso do antigo Império, restaurado sua indústria pesada. Setores em que eles haviam sido, e durante muito tempo, superiores, como os da aviação militar e dos mísseis, foram recuperados. Seus aviões de caça, bem como seus foguetes intercontinentais, continuam a ser considerados do mesmo nível (e, em alguns casos, superiores) aos de seus rivais.
Putin pode ter, e tem, grandes defeitos, a par de sua vocação ditatorial, segundo seus desafetos, mas vem devolvendo aos russos o seu orgulho antigo. O nacionalismo russo apelou para a Revolução de Outubro, mesmo contra a opinião de Marx, que via pouca possibilidade de um movimento socialista em uma região geo-econômica que não se libertara de todo da visão medieval da economia e do poder. O nacionalismo russo de nossos dias, não só aceita como prestigia (conforme as pesquisas pré-eleitorais destas horas) o líder político que encarna a recuperação do orgulho do velho país.
A URSS – que ocupava a mais extensa região do globo, com seus quase 25 milhões de quilômetros quadrados – não mais existe, mas a Rússia continua sendo o maior território nacional do mundo (duas vezes o tamanho do Brasil), com seus 17 milhões de quilômetros quadrados.
Com essa presença poderosa, e mais de 1.200.000 homens em armas, a Federação Russa quer ser ouvida e acatada no mundo de hoje. E não há dúvida de que o seu projeto nacional é o de recuperar o espaço político que conquistara na Segunda Guerra Mundial, e que perdeu em 1991. A indústria militar, conforme explicou Putin, irá provocar a aceleração de toda a economia nacional.

Para isso, Putin anunciou que a indústria bélica irá produzir, nos próximos dez anos, mais 400 mísseis balísticos modernos, 8 submarinos estratégicos, 20 submarinos polivalentes, mais de 50 navios de superfície, cerca de cem veículos espaciais com função militar, mais de 600 aviões modernos, mais de 1.000 helicópteros e 28 baterias antiaéreas dotadas de mísseis terra-ar S-400.

21 de fev. de 2012

A ESPANHA E O PRINCÍPIO DA RECIPROCIDADE


Se, conforme o personagem de Guimarães Rosa, cada um de nós tem os seus seis meses, com as sociedades nacionais ocorre a mesma coisa. Em tempos recentes, e as causas são conhecidas, o Brasil passou por momentos amargos, e centenas de milhares de brasileiros se dispersaram pelo mundo – do Japão à Irlanda, de Portugal ao Canadá. Era a diáspora econômica, depois da diáspora política dos anos de chumbo.
Uma onda de xenofobia nos atingiu, principalmente na Península Ibérica. Em Portugal, país de que jamais poderíamos esperar uma atitude dessas, fomos rechaçados como leprosos morais. Foi necessária uma combinação diplomática hábil, entre firmeza e paciência, conduzida, nos momentos mais agudos, pelo Embaixador José Aparecido de Oliveira, que contou com as personalidades políticas mais responsáveis daquele país – entre elas e, em primeiro lugar, Mário Soares – a fim de que o repúdio aos brasileiros se amenizasse.
Dos espanhóis, a quem não nos ligavam os mesmos sentimentos afetivos, recebemos tratamento igual, mas que não nos doeu, naquele momento, tanto quanto o daqueles de quem herdamos a língua e a nossa forma de sentir o mundo.
Na época, muitos brasileiros lembraram, menos como cobrança histórica, mas com perplexidade, da acolhida que o nosso país sempre deu aos europeus, nas épocas de crise, principalmente aos portugueses, mesmo tendo sofrido, como havíamos sofrido, a brutalidade do colonialismo. Em toda a Europa, a situação foi semelhante. Registremos, com justiça, que - mesmo com o rigor de suas leis a respeito do assunto - nos Estados Unidos, no Japão, e no Canadá, os brasileiros não foram vistos com o mesmo desprezo que sofríamos na Europa.
Os ventos históricos movem as nossas velas, neste momento. As circunstâncias internas e externas, aproveitadas com inteligência pelo governo e pela sociedade brasileira, nos permitiram, até agora, fazer frente à crise internacional, e assegurar relativo crescimento ao país. Os que têm bom senso se esquivam de considerar essa situação como adquirida para sempre. Também contraria a nossa índole transformar os êxitos atuais em manifestações grosseiras de desforra. As lições da História não podem ser desprezadas.
Todos os povos são iguais. O sentimento de patriotismo é positivo, mas não pode ser exercido na xenofobia, no chauvinismo, no preconceito étnico. A nossa diplomacia sempre tratou com cautela o problema dos brasileiros no Exterior. Por um lado, em alguns governos, como os de Fernando Collor e Fernando Henrique, fomos conduzidos pelo complexo de inferioridade, e tentávamos entrar no convívio dos países maiores - como fazem os servidores contratados para as festas – pelas portas dos fundos.
Pelo outro, temíamos, ao tratar de tema tão delicado, que o nosso endurecimento pudesse provocar situações ainda mais difíceis aos nossos compatriotas no exterior. Depois que o Tratado de Schengen foi alterado pelos acordos de Lisboa, de 2007, a situação dos chamados extracomunitários na Europa se tornou ainda mais dramática. A Espanha, Portugal e a Itália exacerbaram o controle da entrada, em suas fronteiras, dos visitantes latino-americanos em geral - e dos brasileiros, em particular. E, convém registrar: o Aeroporto de Barajas, em Madri, destacou-se na brutalidade em reter os turistas brasileiros em suas instalações, principalmente os mais jovens, antes de devolvê-los, sob o látego da humilhação. Muitos eram algemados, e assim mantidos nas dependências policiais, sem comer, nem beber. Ao mesmo jejum eram submetidas as crianças retidas.
Em 2007, mais de 3.000 brasileiros já haviam sido repatriados dos aeroportos espanhóis, com um prejuízo, só em passagens, de mais de 6 milhões de dólares. Em 2008, foram 2.196. Em 2009, 1.714. Em setembro de 2010, ocorreu a segunda Reunião Consular de Alto Nível entre os dois países, mas nada mudou. Naquele ano foram expulsos mais 1.695 brasileiros.
O governo atual, que procura solucionar problemas antigos, entre eles, os da corrupção no Estado, decidiu reexaminar a questão. O Itamaraty vinha tentando, com a paciência tradicional da Casa, resolver o problema com as autoridades espanholas, sem qualquer êxito. Reuniões se fizeram em Madri e foram feitas promessas, nunca cumpridas.
Diante de tudo isso, a Chancelaria decidiu exercer, na defesa de nossos compatriotas, o direito e o dever da reciprocidade. A partir de dois de abril, os espanhóis que vierem ao Brasil deverão cumprir as mesmas exigências que as autoridades espanholas exigem dos visitantes brasileiros. Nenhuma a mais, nenhuma a menos.
Em conseqüência, um movimento de ódio, insuflado pela extrema-direita espanhola, ocupou a internet, com insultos chulos contra o povo brasileiro. Voltaram aos estereótipos: todo jovem brasileiro que chega a Madri é um travesti; toda jovem, uma prostituta. Travestis e prostitutas existem em todas as sociedades, e se essas pessoas mudam de país é porque encontram em seu destino mercado para as suas atividades. E há mais: as organizações internacionais humanitárias denunciam essa mobilização como tráfico internacional da escravidão branca. Moças e rapazes são seduzidos com falsos contratos de trabalho, ou sob enganosas promessas de casamento, para serem submetidos ao cárcere privado, em prostíbulos.
Em princípio, qualquer estado soberano tem o direito de fechar suas fronteiras a qualquer estrangeiro, negando-lhe a entrada, sem explicar sua atitude. Mas é da boa norma, nas relações internacionais, que trate com dignidade o recusado, favorecendo seu contato com as autoridades consulares de seu país, se as houver, e de prestar-lhe a assistência recomendada nas circunstâncias, como alimentá-lo e dar-lhe alojamento decente, enquanto durar a custódia. Não era o que ocorria aos brasileiros em Madri.
Temos sido muito complacentes – em nome dos interesses dos negócios do turismo – com os estrangeiros. Em certo momento, e já no governo Lula, o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, propôs que revogássemos, unilateralmente, a exigência de vistos de turismo para os cidadãos norte-americanos. Felizmente, prevaleceu, na ocasião, o bom senso e a ponderação do Itamaraty de que não devíamos fazê-lo. Agora, o mesmo complexo de inferioridade se manifesta. Em programa de televisão, certa senhora de São Paulo, apresentada como analista de não sabemos bem o quê, criticou a posição brasileira. Somos humilhados e ofendidos pelos espanhóis e devemos, conforme essa senhora, tratá-los com o pão, o sal e as flores da velha hospitalidade. Não só devemos oferecer a outra face aos que nos estapeiam, mas, também, beijar as mãos agressoras.
Vamos receber, com o devido respeito, a partir do segundo dia de abril, todos os espanhóis que chegarem às nossas fronteiras, marítimas, aéreas e terrestres, munidos da mesma documentação que nos exigem em seu país, e submetê-los aos mesmos trâmites imigratórios, mas sem nenhum arranhão aos direitos humanos.
O povo de Cervantes e de Picasso, de Goya e de Lorca, é muito maior do que a facção dos Torquemadas e Francos, e merece o nosso respeito. Mas, até mesmo para que dêem valor à nossa acolhida, os espanhóis honrados sabem que devem cumprir as mesmas normas que cumprimos quando visitamos o seu país. Não merece respeito o povo que não respeita os outros povos, nem lhes exige, em troca, o mesmo comportamento.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/02/17/a-espanha-e-o-principio-da-reciprocidade/

http://www.viomundo.com.br/politica/santayana-dar-aos-espanhois-o-tratamento-dado-por-eles-aos-brasileiros.html