11 de fev. de 2014

RAMONA E O DEM


(JB) - A médica Ramona Matos Rodriguez, cubana contratada por uma organização ligada a seu governo, para prestar serviços no Brasil no programa Mais Médicos no município paraense de Pacajá, “fugiu” de seu posto e “refugiou-se”  no gabinete da liderança do DEM, na Câmara dos Deputados.

A cubana alegou que tomou a decisão de procurar o DEM, ao sentir-se traída por “descobrir” que no Brasil profissionais de outras nacionalidades estavam recebendo 10 mil reais por mês enquanto, para os cubanos, o salário seria de mil dólares, 400 pagos no Brasil e 600 depositados em Cuba.  

É difícil acreditar que Ramona tenha sido particularmente escolhida  pelo governo de Havana, para ser “enganada”, entre centenas de  médicos cubanos que estão trabalhando no Brasil. Assim como é perfeitamente compreensível que, vinda de um país socialista, no qual teve acesso, durante toda a sua formação, a educação fornecida pelo Estado, do berço à universidade (foto), Ramona seja chamada a devolver ao povo cubano a  parte maior do que recebe para que esse dinheiro seja aplicado na educação, saúde e melhora da condição de vida de outros cubanos, que vivem em uma nação que sofre, há décadas, os efeitos do boicote econômico norte-americano. E na qual, apesar disso - ao contrário do Brasil - não se encontra uma criança sem alimento ou dormindo na rua.      

Se no Brasil houvesse esse tipo de mentalidade, ou uma espécie de serviço social obrigatório, que permitisse que jovens formandos, especialmente aqueles que estudaram em escolas e universidades públicas, devolvessem um pouco do que a sociedade brasileira lhes possibilitou, atendendo pessoas e comunidades carentes, quem sabe não teríamos casos de médicos pedindo para serem acordados no final de seu plantão em hospitais públicos, ou fazendo uso de falsas impressões digitais de silicone, para simular presença em postos de saúde.           

O Conselho Federal de Medicina pode estar dando um tiro no pé ao apoiar o caso Ramona.

Ao dizer que gostaria de fazer o Revalida e ficar no Brasil, e, ao mesmo tempo, pedir um visto para os Estados Unidos, Ramona Sanchez mostra claramente qual é seu objetivo.

A intenção, longe de qualquer altruísmo político, é trocar os desafios e dificuldades da pequena Pacajá, no interior do Pará, pelas praias e a badalação da comunidade anticastrista de Miami, onde será incensada e receberá as benesses daqueles que a maioria de seus compatriotas chamam, pejorativamente, de “gusanos”.     

Longe de inviabilizar ou prejudicar o Programa Mais Médicos, o Conselho Federal de Medicina e outras organizações médicas nacionais podem estar dando um tiro no pé ao apoiar e transformar em uma bandeira o caso   Ramona.

Ao tomar essa atitude, o CFM pode estar incentivando dezenas, centenas de médicos cubanos a copiarem Ramona fazendo com que passem a concorrer, com residência e Revalida, com médicos brasileiros, não apenas no interior mas também nos grandes centros.

Afinal, o DEM já deixou claro — em aberta convocação — que suas portas estão abertas para qualquer médico cubano que queira “desertar”.


9 de fev. de 2014

A AL QAEDA, O FACEBOOK, E OS EUA.


(Hoje em Dia) - Ao longo do tempo, na tentativa de proteger seus interesses – usando o anticomunismo e outros pretextos como a “defesa da democracia” e da “civilização ocidental” - os Estados Unidos nunca hesitaram em abrir, sempre que quiseram, por arrogância ou estupidez, suas pequenas caixas de Pandora.

Na Segunda Guerra Mundial, parte da elite estadunidense, abertamente hitlerista – celebridades como o aviador Charles Lindbergh e o magnata da indústria automobilística Henry Ford nunca esconderam sua simpatia pelo nazismo - só tomou posição contra o Eixo quando foi obrigada a isso com o ataque-surpresa da Marinha Imperial Japonesa a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941.

Antes, durante a Guerra Civil Espanhola, o “establishment” anglo-saxão, incluindo a Grã Bretanha, já havia percebido, extasiado, que não havia nada melhor que o fascismo para massacrar comunistas e esquerdistas. E fechara os olhos, complacentemente, para os ataques das tropas italianas mandadas por Mussolini e da aviação nazista contra milhares de mulheres, idosos e crianças desarmadas, em cidades como Guernica, Madrid e Barcelona.

Agora, depois da Coréia, do Vietnam, de dezenas de intervenções e golpes na África, Ásia e América Latina, das invasões do Iraque e do Afeganistão - guerras inúteis em que perderam trilhões de dólares e milhares de soldados, e das quais saíram sem atingir seu objetivo de estabilizar no poder regimes fantoches - os EUA abriram, mais uma vez, com a “Primavera Árabe”, sua Caixa de Pandora.

Ao insuflar pela internet, e com agentes infiltrados, a derrubada de governos seculares, em países com diferentes etnias e culturas, os norte-americanos e os países que se colocaram a seu serviço, como a Espanha, não destroçaram, apenas, estas nações, com guerras civis, doenças, destruição, centenas de milhares de refugiados, assassinatos, estupros, abusos e tortura.

Eles também abriram caminho, na Tunísia, na Líbia, no Egito, no Sudão e na Síria, para o ressurgimento e a ascensão de um novo fundamentalismo islâmico,  que almeja não só tomar o controle nesses países, mas também atingir, com eficácia, o coração do Ocidente.

Dessa vez, no lugar de usar bombas, os radicais muçulmanos estão preferindo usar o feitiço contra o feiticeiro. A mesma internet – e o mesmo Facebook – utilizada para ajudar a parir uma “primavera” cujo retrato mais cruel é o de crianças sírias comendo cães para não sucumbir à fome, está sendo usada, agora, pela Al Qaeda, para converter e recrutar centenas de jovens ocidentais para lutar, em nome de Alá, nos escombros do Oriente Médio, contra o governo sírio.
Alguns já morreram, como a norte-americana Nicole Mansfield, de 33 anos (foto), atingida em um tiroteio com dois outros ocidentais. Outros estão sendo rastreados e presos, em sua volta aos EUA, como afirmou, há poucos dias, em um depoimento em Washington, o diretor do FBI James Comey.

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OS DÓLARES VELOZES E OS BITS-TARTARUGA


(JB) - A ANATEL acaba de colocar no ar um “portal” especialmente voltado para os consumidores. Na verdade, uma página com alguns links e uma pesquisa.

Como o consumidor terá, ao que parece,  acesso à legislação, quem sabe ele venha a perceber que sem uma mudança na Lei Geral de Telecomunicações, promulgada quando da privatização do setor, nos anos 1990, não haverá melhora nem nos serviços que recebe, nem nos preços que está pagando por eles.

A Fundação Procon, de São Paulo, divulgou ontem, que o setor de telecomunicações ultrapassou o sistema financeiro no ranking de reclamações, no ano passado, com mais de 75.000 demandas, apenas na maior cidade do país.

A campeã geral de insatisfação dos consumidores foi a Telefônica/Vivo, espanhola, para quem o governo emprestou bilhões de reais, via BNDES, nos últimos anos, para “expansão de infra-estrutura”.  

E, mais grave - na última semana, a empresa norte-americana de telecomunicações Akamai, informou, também, que o Brasil caiu pela terceira vez consecutiva no ranking mundial de velocidade média de conexões de internet.

Ficamos com o posto 84 entre 140 países, apesar de, segundo a União Geral de Telecomunicações, estarmos pagando das tarifas mais altas do mundo.

Com uma velocidade de 2,7 megabits por segundo, estamos atrás de nações como a Turquia, o Cazaquistão, o Iraque, e, na América do Sul, Argentina, Chile, Colômbia e Equador.

Nos expressamos em megabits e não megabytes, porque as operadoras falam em dez megas em sua propaganda, mas não dizem que se trata de megabits, e não megabytes, o que confunde o consumidor.

Um bit é a menor medida de informação, zero ou um. Um byte equivale a oito bits, logo, seria muito mais.   

A título de curiosidade, os mercados mais rápidos do mundo em velocidade de conexão de internet são Coréia do Sul, Japão, Hong Kong e Holanda.

Não deve ser por acaso que na Coréia do Sul as maiores empresas de telefonia celular e internet, South Korea, Korea Telecom e LG (que aqui conhecemos pela marca de eletrônicos), são todas coreanas.

O mesmo acontece no Japão, com a NHK, originada de companhias telegráficas  fundadas pelo governo japonês ainda no seculo XIX, e em Hong Kong, com a PCCW.     

Nenhuma surpresa.

Os países mais avançados do mundo sabem que as telecomunicações – como ficou provado com a espionagem dos EUA e do Canadá contra o Brasil – são um fator estratégico para a segurança e o desenvolvimento nacional. E que seu controle não pode ser entregue exclusivamente à iniciativa privada, e, em hipótese alguma, ao capital estrangeiro.

Por aqui, fez-se exatamente o contrário.

Nos anos 90, entregou-se o filé das telecomunicações – telefonia celular e banda larga - a empresas estrangeiras de nações especializadas – do ponto de vista de telecomunicações - em tacos, spaghetti, e azeitonas, e essas empresas enviam, hoje, bilhões de dólares, todos os anos, em remessa de lucro, para fora do país.    

Falar em Telebrás virou palavrão e pensar em usar uma estatal de telecomunicações para concorrer com empresas estrangeiras para melhorar a vida do consumidor é tabu.
A Angola Telecom queria fazer uma parceria com a Telebras para instalar e operar um cabo submarino entre a Àfrica e a América do Sul e teve que procurar outro parceiro.

O eufemismo usado para inviabilizar o acordo foram “entraves burocráticos”, um eufemismo para a permanente sabotagem sofrida por aquela que foi, durante anos, a maior empresa de telecomunicações do Brasil.
  
Enquanto isso, nossa internet continua rápida como uma tartaruga, e o dinheiro do cidadão brasileiro voa, para o exterior, na velocidade da luz. 

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5 de fev. de 2014

OS PORTA-AVIÕES E O FUTURO DO BRASIL


(Hoje em Dia) - Em nota oficial, a Marinha do Brasil reconheceu, na quinta-feira passada, a ocorrência de incidentes durante a realização de testes de propulsão do Porta-Aviões São Paulo, na costa do Rio de Janeiro.

Teria havido um pequeno derramamento de óleo a partir de uma tubulação, estancado com barreiras de contenção colocadas em volta do navio, no dia 30 de janeiro, e um vazamento de vapor, no dia 29, que não chegou a ferir os três tripulantes que se encontravam no local, e, que, mesmo assim, por precaução, foram encaminhados para tratamento médico.

Nos últimos anos, a utilização de grandes navios aeródromos tem sido rediscutida mesmo em países que necessitam de projeção global de seu  poderio bélico.

No caso do Brasil, uma ou mais belonaves desse tipo só se justificam, em princípio, no caso de deslocamento de contingentes e equipamentos para operação de paz, como ocorre com nossas tropas no Líbano e no Haiti; na defesa da Amazônia Azul e do Atlântico Sul de potências extra-zona; ou, teoricamente, em conjunto com os BRICS, em um futuro conflito convencional em escala global, que opusesse Brasil, Rússia, Índia, China e  África do Sul, aos Estados Unidos ou à OTAN, por exemplo.  

Comprado no ano 2.000, no governo Fernando Henrique Cardoso, o São Paulo, quando se chamava Foch, participou de várias missões a serviço da França.

Esteve presente nos testes nucleares franceses, no Pacífico, em 1966; no Mar Vermelho, na campanha para apoiar a independência do Djibouti, em 1978; com o contingente de intervenção francês no Líbano, em 1983, e na Guerra dos Balcãs, entre 1983 e 1999.

Fabricado no final da década de 1950,  ele tem que ser encarado mais como um instrumento de treinamento de pessoal brasileiro nessa área, do que como uma arma ofensiva de fato.

Se o Brasil quiser, um dia, possuir uma esquadra que possa navegar no Atlântico, contribuindo para proteger a Amazônia Azul e o petróleo de nosso mar territorial, precisa começar a pensar em se aliar a países como a Rússia, a Índia e a China para construir navios-aeródromos modernos. 

Eles poderiam transportar, em primeiro lugar, além de mísseis de cruzeiro, uma versão naval do Grippen NG, e, depois, caças de quinta geração como os que estão sendo desenvolvidos pelos países do BRICS neste momento.

Em julho do ano passado, o Instituto Krylov de Pesquisa Naval – para o qual deveriam ser enviados pelo menos uns 120 alunos brasileiros no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras – apresentou, na Feira Internacional de Defesa Marítima de São Petersburgo, na Rússia, a maquete de um futuro porta-aviões de 80.000 toneladas. 

Estacionados em sua coberta, se viam aviões semelhantes ao caça russo-indiano T-50. Ele está em etapa final de desenvolvimento no âmbito do programa PAK-FA. E o Brasil já foi convidado oficialmente, pelo governo russo, a participar  desse projeto. 

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3 de fev. de 2014

A PROPOSTA URUGUAIA


(JB) - Desde sua fundação, com o tratado de Assunção, em 1991, o Mercosul- Mercado Comum do Sul, tem sido vilipendiado e atacado pelos inimigos da integração sul-americana.
Primeiro, por ter sido um dos fatores que mais contribuíram para a derrocada da ALCA – Área de Livre Comércio das Américas - que pretendia que os países latino-americanos abrissem totalmente seu mercado aos Estados Unidos.
Se isso tivesse ocorrido, o Brasil estaria, hoje, na situação em que está o México, que cresceu no ano passado menos da metade do que o fizemos; que se considera um “player” global quando 90% de suas exportações vão para o Canadá e os EUA; que apenas maquia peças de terceiros com destino ao outro lado da fronteira e que, apesar de “exportar” mais que o Brasil, tem históricos déficits em seu comércio exterior, porque o salário de seus trabalhadores custa tão pouco que não basta para agregar valor às mercadorias que envia para outros países.
A baixa proporção do comércio exterior no PIB brasileiro, e no PIB do Mercosul, como um todo, deriva da aposta que por aqui foi feita, de se investir, prioritariamente, em nossa própria gente.
Os carros que fabricamos no Brasil não são feitos para serem vendidos aos norte-americanos, embora tenhamos exportado mais de 500.000 automóveis no ano passado. Um trabalhador brasileiro de linha de montagem pode comprar carros fabricados no Brasil. Os trabalhadores mexicanos de “maquiladoras” não compram os carros que fabricam. Compram carros usados dos EUA e Canadá, até porque no México – ao contrário do Brasil - não há lei alguma que proíba isso.
É importante pensar na diferença entre a situação mexicana e a brasileira, hoje, porque uma das principais linhas de ataque contra o Mercosul se baseia na sua comparação com a Aliança do Pacífico,  uma pseudo-organização criada com o beneplácito e o interesse norte-americano e espanhol, para incentivar a divisão dos países sul-americanos, e sabotar a expansão e consolidação do Mercosul em nossa região.     
No Brasil, costuma-se comparar os índices de crescimento da economia com os de países como o Peru e Chile, esquecendo-se que sua economia é infinitamente menor e menos complexa, e que fatores como a variação do preço do cobre bastam para alterar o PIB para cima ou para baixo, como é o caso do Chile, por exemplo.       
Além disso, os defensores da Aliança do Pacífico como grupo capaz de “enterrar” econômica e politicamente o Mercosul, se esquecem que a maioria dos membros da AP, Colômbia, Peru e Chile, já são estados associados ao Mercado Comum do Sul, pertencendo,  portanto,  mesmo que não ainda na qualidade de membros plenos, à organização.
O Mercosul,  assim como a UNASUL,  com o Conselho de Defesa da América do Sul, se insere no projeto maior de aumentar, pela integração, o poder econômico, político e militar da América do Sul, com relação a outros países, blocos, e regiões do mundo.
É nesse contexto, de integrarmos nossos mercados internos, capacidade produtiva, e inserção geopolítica no Século XXI, que se coloca a decisão, anunciada ontem pelo governo uruguaio, de enviar, para aprovação pelo parlamento, projeto assegurando residência automática a cidadãos nascidos em outros países do Mercosul.
Talvez, hoje, o país mais civilizado da América Latina, o Uruguai, para além da qualidade de vida da sua população - que se reflete em seus índices de saúde, expectativa de vida e educação - tem tomado corajosas decisões nos últimos tempos,  dando exemplo e abrindo caminho para a quebra de paradigmas que mantêm muitos de nossos países atados a um conservadorismo obscurantista e limitador.
Embora o Governo Mujica esteja sendo ousado – o projeto oferece residência automática não apenas aos membros plenos, mas também aos estados associados do Mercosul – o que talvez venha a dificultar a aprovação da proposta, a ideia é interessante e revolucionária.
Com 200 dos 275 milhões de habitantes e 2.6 dos 3.6 trilhões de dólares do PIB do bloco, o Brasil não deve temer a abertura das fronteiras internas do Mercosul. Na semana passada, Bill Gates previu que por volta de 2035 todos os países do mundo serão relativamente ricos. Isso também irá ocorrer na América do Sul, principalmente se os recursos de seus países mais pobres - como os minérios do Peru, o gás da Bolívia, a eletricidade do Paraguai, o petróleo, do Equador – forem utilizados para a redução da desigualdade e a melhora da qualidade de vida de seus habitantes.
Poderíamos, de qualquer forma, começar oferecendo reciprocidade ao Uruguai, dando residência automática a seus cidadãos, caso as mesmas condições forem aprovadas para cidadãos brasileiros se instalarem naquele país.


A ARAPUCA DA COPA


(Hoje em Dia) - Pudesse voltar atrás, e talvez o Presidente Lula não tivesse apresentado a candidatura do país à Copa do Mundo de 2014.

Os problemas que o Brasil tem enfrentado são tantos – e a resistência a tudo que cheire a Panem et Circenses tão grande, nos dias de hoje,  que até  a capital da Suécia, uma das nações mais ricas do mundo, acaba de recusar - com certeza alertada pelo que está ocorrendo em nosso país - o polêmico privilégio de sediar as Olimpíadas de Inverno de 2022, com a justificativa de  economizar recursos públicos.

Com sua ingenuidade, lassidão e, as vezes, “salto alto” – pura arrogância e soberba, segundo seus inimigos – o PT não percebeu, em 2007, que, em política, toda vitória aparente pode ser usada  contra o vitorioso, até prova em contrário. Que o mel que se oferece hoje ao povo, pode se transmutar rapidamente em fel quando não se presta atenção aos detalhes. E que – como no caminho da Chapeuzinho para a casa de sua avó - existem mais percalços que se possa imaginar entre o sonho e a realidade.

Considerando-se os recursos que envolvia, e sua importância estratégica para o governo e a Nação, a Copa deveria ter sido tratada - sem licitação ou terceirização - do planejamento à execução, como uma operação de Estado.

Se o governo tivesse constituído uma estatal binacional com a China, aproveitando a experiência de Pequim na organização das Olimpíadas, os estádios, por exemplo, estariam prontos em poucos meses e seu custo não seria de um centavo a mais que o previsto.

Na comunicação, a Copa continua sendo tratada como festa e não como um projeto nacional com investimento, retorno, criação de empregos e renda definida, e os altos e baixos na relação com a FIFA beiram o improviso.

Enquanto isso, cidadãos voltam às ruas, e com eles, episódios absurdos e constrangedores, como o protagonizado por soldados da PM contra um manifestante em São Paulo.

Os soldados envolvidos poderiam alegar que estavam sendo ameaçados, se estivessem correndo do rapaz – como foi o caso do coronel agredido por manifestantes em junho - e não o contrário.

Cercado por homens fardados, armados e perigosos, que o perseguiam, com a evidente intenção de agredi-lo, e – como se viu pelo vídeo – provavelmente, matá-lo, era o rapaz – mesmo que estivesse portando um estilete – que estava em situação de legítima defesa, e não os soldados.    

Nunca é demais repetir, enganam-se aqueles que pensam que os protestos contra a Copa irão beneficiar, de alguma forma, a oposição.

Primeiro, porque nos estados que comanda e que sediarão jogos, a oposição – a exemplo do próprio governo - virou vidraça para as pedras - que não possuem rumo certo ou filiação partidária - da ala mais radical dos manifestantes,


E, também, porque a oposição não pode fingir apoiar os “anti-copa”, enquanto sua polícia persegue e acua, agride, ataca e atira em quem protesta contra o evento, como vimos em São Paulo.   

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1 de fev. de 2014

INSULZA EM HAVANA


(JB) - O Senhor José Miguel Insulza, Secretário-Geral da OEA, esteve em Havana para participar, como convidado, da segunda reunião da CELAC – Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe, transformando-se no primeiro dirigente da Organização dos Estados Americanos a pisar o solo cubano em 52 anos, desde a expulsão de Cuba da entidade, em janeiro  de 1962.
A CELAC, fundada há dois anos por iniciativa venezuelana, reúne 33 nações da região, com exceção dos Estados Unidos e Canadá, e de ex “potências” coloniais, como Portugal e Espanha,  que têm visto suas sucessivas cúpulas “ibero-americanas”, fracassarem e serem simplesmente ignoradas, por nossos países, cada vez mais.
Por que os norte-americanos e canadenses ficaram de fora da CELAC? Porque, embora teoricamente “americanos”, eles fazem, geopoliticamente, parte de outro bloco - a que pertencem também Grã Bretanha e Austrália - que não é confiável para “nosotros”, como ficou comprovado pelas atividades de espionagem denunciadas por Edward Snowden, praticadas de forma contumaz por esses países contra o resto do mundo, e particularmente contra o Brasil, pelos EUA e o Canadá.
A reunião da CELAC de Havana serviu como uma espécie de desagravo latino-americano, do Rio Grande à Terra do Fogo, a Cuba, e também como reconhecimento geral do fracasso do embargo norte-americano ao regime cubano, tanto do ponto de vista diplomático como do econômico, evidenciado pela inauguração, por Dilma e Raul Castro, do Megaporto de Mariel, e de sua Zona Especial de Desenvolvimento, que tem sido vista pela imprensa internacional como o marco maior da abertura cubana à modernização e ao capital estrangeiro.    
Construído por empresas brasileiras, com a exportação de bens e serviços nacionais no valor de quase 900 milhões de dólares, o Megaporto de Mariel receberá, a partir do próximo ano, fábricas do mundo inteiro, para a montagem - em sua Zona de Desenvolvimento de 255 km2 - de produtos a serem transportados pelo vizinho Canal do Panamá, que está em fase de ampliação.
A importância da reunião da CELAC para Cuba pode ser medida pela presença do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, e de 32 dos 33 líderes convidados. Além disso – para maior incômodo dos Estados Unidos - foi aprovada, também, a criação de um foro permanente de cooperação dos países membros com a China, que acaba de ultrapassar o Japão como a segunda maior economia do planeta.
A reunião também analisou   projetos de combate à pobreza e à desigualdade na América Latina e Caribe; a transformação desse espaço geográfico em uma “zona de paz” – em velada alusão às bases militares norte-americanas na Colômbia - e o reconhecimento do princípio de não intervenção em assuntos internos de outros países e de cada  país  membro escolher seu próprio “modelo” político”. 
A presença do Secretário-Geral da OEA em Havana, depois de reaberta em 2009 a possibilidade – terminantemente recusada pelas autoridades cubanas - de Cuba voltar a pertencer à organização, se deu mais no contexto de uma clara vitória diplomática e da  superação ao bloqueio imposto pelos EUA, do que de um afago cubano à OEA.
Ao convidar Insulza, Cuba foi generosa. Mas é preciso evitar que isso se torne um hábito. A CELAC foi criada como um foro exclusivo dos povos latino-americanos e do Caribe.
Se a OEA começar a ser convidada oficialmente - mesmo que como observadora - a cada novo encontro da CELAC, será o mesmo que colocar os EUA e o Canadá dentro do plenário.            

O DESPERTAR DE ROSETTA

       
     

(Hoje em Dia) -  A Agência Espacial Européia informa que a sonda Rosetta, foi “despertada” remotamente, de seu estado de hibernação, em um ponto a 807 milhões de quilômetros da Terra. Sua missão: pousar, pela primeira vez, em um cometa, depois de uma longa viagem de 10 anos.

O despertar de Rosetta deve estar inspirando, como ocorreu antes com o lançamento do Sputnyk, por exemplo, ou a chegada do homem à Lua, milhões de seres humanos a refletir sobre o milagre da vida e a  caminhada de certo primata, dos ramos das árvores, nas savanas africanas, até o ponto onde está a sonda, ou, também, a Voyager, que está deixando a última fronteira do nosso sistema para mergulhar no universo profundo.

Para nós, o computador da sonda voltar a zumbir, localizando sua posição atual, com relação às estrelas, diminuir a rotação do objeto, e apontar suas antenas para casa, para conectar-se novamente  ao planeta, não deixa de ter, também, uma conotação política.

As dificuldades enfrentadas pelo Programa Espacial Brasileiro, ao longo de sua história, que nos colocam em situação de grande atraso com relação a outras nações BRICS - a China acaba de mandar uma nave à Lua, e a Índia fez o mesmo com Marte - não derivam apenas da oposição de países ocidentais, como os EUA, à transferência, para o Brasil, de tecnologia sensível. Ou de percalços - ainda não de todo explicados - como a explosão de um protótipo do VLS - Veículo Lançador de Satélite, na Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, em 22 de agosto de 2003.

Nos últimos anos, tem nos faltado, mais que recursos, visão estratégica da questão espacial, e de sua importância para a evolução da ciência nacional, e para o fortalecimento da dimensão geopolítica do Brasil em um mundo cada vez mais moderno e competitivo.  


Não é possível que não possamos estabelecer um programa de cooptação e captação de técnicos e cientistas estrangeiros, para fazer com que o VLS saía do estágio em que se encontra, há anos,  praticamente estacionado. Os EUA e a URSS fizeram isso no final da Segunda Guerra, há mais de seis décadas, e nós não conseguimos até hoje estabelecer e aplicar estratégia semelhante, mesmo contando, agora, com muito mais recursos que no passado.

O acordo espacial com a Ucrânia, assinado em 2003, mesmo ano da explosão do VLS, para o lançamento de foguetes Cyclone, ainda não decolou, dez anos depois de assinado, e do gasto de centenas de milhões de dólares.

Enquanto isso, até mesmo empresas particulares, nos EUA, já alcançam, com baixos investimentos, a órbita terrestre, vôos espaciais turísticos particulares começam a ser realizados, e tecnologias muito mais baratas, como a de lançadeiras espaciais, foguetes verticais reutilizáveis e até mesmo de um elevador orbital a laser faz com que corramos o risco de terminar estreando uma carroça quando cidadãos comuns já estiverem voando para o espaço.

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