23 de jul. de 2015

HAVANA EM WASHINGTON E OS EUA NO BRICS.




(Carta Maior) - Membros das forças armadas da ilha caribenha, hastearam, esta semana, orgulhosamente, sob aplausos e apupos, pela primeira vez em quase 60 anos, a bandeira da República de Cuba, no mastro frontal de sua nova embaixada em Washington, a capital dos Estados Unidos.


Sem ter o que dizer diante da transcendência - histórica - do fato, os hitlernautas que infestam a internet brasileira, com sua deslustrosa ignorância e seu anticomunismo tosco- tão sutil e tresloucado quanto um paquiderme, ensandecido, solto em um salão de chá -  desenvolveram, como fizeram há alguns anos a respeito de Pequim com relação ao capitalismo, a retorcida tese de que Cuba estaria se rendendo aos EUA.


Nem Cuba se rendeu aos EUA, nem a China ao capitalismo.

Tanto é que, hoje, os quatro maiores bancos do mundo, segundo a lista da Forbes deste ano, não são privados, mas sim, estatais, - e chineses - e o milenar "Império do Meio", sem deixar de ser oficialmente um país socialista, se transformou na maior plataforma industrial do mundo e está prestes a arrebatar dos próprios EUA o posto de primeira economia do planeta.

Outra linha de ação da florescente frente antinacional cibernética, é a de dizer que, ao construir o novo Porto de Mariel e sua Zona Especial de Desenvolvimento, em Cuba, o Brasil deixou de investir aqui dentro e fez a cama para que os EUA nela se deitassem.
Em primeiro lugar, em benefício, principalmente, da verdade, é preciso dizer que se o BNDES financia obras no exterior - minoritariamente, lembremos, como é o caso do conjunto de contratos internacionais da Odebrecht - para apoiar a exportação de serviços e produtos nacionais - inclusive para os EUA - ele também o faz no Brasil.

E tanto o faz por aqui, que, por mais que se tente ocultar, já foram ou estão sendo construídos - entre obras de “pequeno” porte, como milhões de casas populares - superportos como o de Açu, gigantescas usinas hidrelétricas, como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte - a terceira maior do mundo - bases de submarinos - grandes - depois de décadas sem fazê-lo - refinarias de petróleo, pontes incríveis, em sua engenharia e arquitetura, como a recentemente inaugurada Anita Garibaldi, em Laguna, Santa Catarina, ou a que se estende, majestosa, sobre o Rio Negro, em Manaus, no Amazonas, a Transposição do São Francisco,  além de milhares de quilômetros de rodovias que estão sendo duplicadas, "novos" aeroportos, como o de Brasília, acessos e entrocamentos ferroviários - ampliados e duplicados - como o que a Vale inaugurou na Grande Belo Horizonte na última semana.

E em segundo lugar, porque quem vai comandar Mariel - por força de  licitação internacional - não é uma empresa brasileira - e nem poderia, já que com certeza qualquer empresa nacional que o fizesse estaria sendo vilipendiada e acusada de todo tipo de crime agora - nem muito menos norte-americana, mas, em um exemplo a mais de que a internacionalização da economia cubana vem de muito antes da reaproximação com os Estados Unidos, do distante arquipélago  de Singapura.

Na verdade - e não há, como vemos, nenhuma contradição econômica ou estratégica nisso,  o Brasil está sendo muito mais relevante para Cuba para a revitalização de sua agricultura, com a introdução da soja - e os cultivares da EMBRAPA - e da mecanização (exportação de implementos) e da sua indústria açucareira e o do tabaco.
E, se formos dar ouvidos aos comentários que enchem as páginas da internet, parece que está fazendo isso por meio de empresas famosas por seu "marxismo-leninismo" como a Souza Cruz, uma companhia controlada - pelos padrões dos fascistas brasileiros de ocasião - pela "bolivarianíssima" e "comunistíssima" British American Tobacco Company, a maior multinacional tabaqueira do mundo, que fabrica um em cada oito cigarros fumados no planeta, dona de 50% da Brascuba, uma empresa binacional, teoricamente cubano-brasileira, que produz a maioria dos cigarros consumidos na ilha e os famosos charutos COHIBA.

Cuba não precisa se aproximar dos EUA para "abrir" sua economia, embora possa, com certeza, expandir suas possibilidades, se vier a ter acesso ao maior mercado do mundo, localizado a escassas milhas de distância.

A ilha já recebe - sem mudar o seu sistema de governo - mais de 3 milhões de turistas estrangeiros por ano. Há dezenas de cadeias hoteleiras de capital espanhol e italiano em Cuba, e a presença parcial - e o interesse - do capital estrangeiro, não necessariamente dos EUA - que deve estabelecer parcerias com o governo para se estabelecer na ilha - é tão importante, que na XXXIII Edição da FIHAV, a Feira Internacional de Havana, do ano passado, compareceram 4.500 expositores de mais de 60 países — aproximadamente 90% deles ocidentais — para a exposição, pelo governo cubano a grandes investidores, de 271 diferentes projetos de infra-estrutura, com investimento previsto de mais de 8 bilhões de dólares.

Isso, poucas semanas depois que 188 países tivessem condenado, em votação na ONU, o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, exigindo pela enésima vez o fim do embargo.

Foi essa pressão diplomática, a crescente presença dos BRICS - especialmente do Brasil, da Rússia e da China - em Cuba, e a evidência de que se não tomassem a mesma atitude da grande maioria das nações, estariam se tornando cada vez mais ridículos aos olhos do mundo, que fez com que os EUA reatassem as relações diplomáticas com a ilha, e que a bandeira cubana tenha sido orgulhosamente hasteada, esta semana, em sua nova embaixada na capital norte-americana.

Da mesma forma que o Brasil não construiu e financiou Mariel para ajudar o regime cubano, e nem mesmo porque acredita - até mesmo porque vem conversando há anos com os EUA sobre isso - que o fim do bloqueio está cada vez mais próximo.

Mas, principalmente, porque esse porto, beneficiado por uma localização geográfica única, e a profundidade de suas águas, será o mais importante e moderno entreposto de containers a funcionar na boca do novo Canal do Panamá e do futuro Canal da Nicarágua, em instalação pela China, funcionando como o principal, quase obrigatório, centro de transbordo e distribuição de produtos embarcados na Europa, no Extremo Oriente e nas costas atlânticas da África e das Américas, ou que estejam sendo transportados para esses destinos.

Uma localização que será, essencial, também, para a instalação de negócios brasileiros na Zona de Desenvolvimento de Mariel. Empresas que estão interessadas em "maquiar", por meio do aproveitamento de um excelente - devido ao câmbio - custo de mão de obra cubana (extremamente bem formada graças ao ensino universal gratuito (do berço à universidade), produtos de consumo fabricados no Brasil. Levando para a ilha insumos e peças feitos majoritariamente em nosso país, por trabalhadores brasileiros, que, depois de terminados e  embalados em Cuba, serão distribuídas, com maior eficiência logística e melhores preços, por meio do porto de Mariel, para o mundo todo, melhorando a competitividade de nossa indústria não apenas frente à China, mas também ao México, também com relação - depois do fim do bloqueio - ao vizinho  mercado dos EUA.

O reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos é mais uma evidência da emergência, possível, de um novo mundo, no qual a hegemonia europeia e norte-americana terá, obrigatoriamente, que dar lugar a um multilateralismo pragmático, com mais respeito pela soberania de grandes países como a Rússia, a China, a Índia, e o próprio Brasil, que se situam, na maioria dos quesitos geoestratégicos, entre as principais nações do mundo.

Neste novo mundo - mesmo mantendo suas rivalidades geopolíticas, econômicas e militares - deverá se perseguir, cada vez mais, o estabelecimento de um equilíbrio, também possível, no qual países com diferentes formas de governo e variadas abordagens ideológicas dos desafios que devem enfrentar, em benefício do desenvolvimento de seus respectivos povos, competirão em paz pela defesa de seus interesses, cooperando no lugar de apenas pressionar e respeitando - como o Brasil já faz há muito tempo, por força da Constituição - o princípio de não ingerência em assuntos internos de outras nações.

OS EUA NO BRICS.


É isso que irrita os radicais antinacionais que pululam nas redes e portais da internet brasileira. Se, mais realistas que o rei, em sua patética subserviência aos Estados Unidos, e seu ridículo, anacrônico e baboso anticomunismo, eles estão indignados com o reatamento das relações diplomáticas entre Washington e Havana, chamando Barrack Obama de comunista sujo e de "burro" em seus comentários, imaginem o que fariam se a Alemanha e os EUA viessem a aderir ao BRICS, a aliança estratégica global dos países emergentes - com 17 trilhões de dólares de PIB - que a direita mais rançosa e certos grupos de comunicação brasileiros não perdem a oportunidade de execrar sempre que possível.

Por mais absurda que pareça, essa hipótese - independentemente das atuais considerações estratégicas de Pequim, Moscou, Brasília, Pretória e Nova Delhi - já está sendo aventada por
muita gente por aí.

O jornalista Greg Hunter, ex-ABC News, Good Morning America e CNN, do site USA Watchdog, diz que a Alemanha - levada, também, entre outros fatores, pela espionagem norte-americana da NSA - já estaria secretamente estudando a hipótese de entrar para o BRICS, o que abriria caminho para uma aliança com a Rússia, país que representa, hoje, paradoxalmente, não apenas a maior ameaça militar contra Berlim - em resposta ao cerco da OTAN contra Moscou patrocinado pelos EUA - mas também, a sua maior alternativa de expansão econômica rumo ao Leste, para além do espaço europeu. Esse é uma atitude que também levaria, segundo alguns comentaristas alemães, a uma maior independência do país mais importante da Europa com relação aos EUA, lembrando, o fato, cristalino, de que as únicas tropas estrangeiras que ainda estão ocupando o pais, desde 1945, já não são mais russas, mas Made in USA.



Há algumas semanas circula, também, nos Estados Unidos, patrocinada pelo controvertido jornalista norte-americano Lyndon LaRouche, uma petição internacional para que a União Europeia e os EUA - em benefício da paz - entrem para o BRICS, com assinaturas que vão de conservadores britânicos a roteiristas premiados e cientistas e professores universitários, cujos principais nomes, a título de curiosidade, coloco logo depois do final deste texto.

LaRouche lançou até mesmo um livro (foto) cujo título não é outro que: PORQUE OS ESTADOS UNIDOS DEVEM ENTRAR NOS BRICS - Uma nova ordem internacional para a Humanidade.



Nada - ao menos por enquanto - mais improvável. Mas com relação à reação - no duplo sentido - dos hitlernautas brasileiros, seria algo - caso viesse a ocorrer - como mostra a sua atitude frente à reabertura da embaixada cubana em Washington - muito  engraçado de se ver.


LIST OF PROMINENT SIGNERS AS OF May 27, 2015:*


United States


Rep. Rodney Alexander, former U.S. Congressman (Monroe, Louisiana)
George Albantov, Co-Founder, Vice President of the Russian-American Youth Association (Seattle, WA)
John Rich Anderson, Former Director, Texas and Southwest Cattle Ranchers Association (Gale, TX)
Konstantinos Angelis, Federationa of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Philadelphia, PA)
Litga Angelis, Federationa of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Philadelphia, PA)
Dr. Raymond Armstrong, Monroe City Council, District 1 (Monroe, LA)
Edward Asner, Actor (Valley Village, California)
Morad Abou-Sabe, Arab American League of Voters of NJ (Monroe, NJ)
Amer Aboud, Syrian American Forum (Chicago, Illinois)
Fidel Acevedo, Co-Chair, Progressive Hispanic Caucus, Texas Democratic Party (Texas)
Ramatu Ahmed, Founder, Federation of African Muslim Women in America (Bronx, NY)
Rev. Hector Arriaga, Pastor, Jesus es el Kryios Church (Alexandria, VA)
Syed Hossain Babu, Actor, Director, Screen Writer (Los Angeles, CA)
John D. Baker, MSG, United States Army (ret.), President, CEO, Tubamiurm Productions (Maryland)
Dr. Panayiotis Baltatzis, Hellenic Society Paedeia (Parkville, MD)
Roseanne Barr, Comedienne and former Presidential candidate, Peace and Freedom Party (Hawaii)
Nathaniel Batchelder, Director, Oklahoma City Peace House (Oklahoma City, OK)
Roland L. Beanum, Economic Adviser to Papua New Guinea (Valley Center, California)
Rev. Alonzo Bell, Pastor, Martin Evans Missionary Baptist Church (Detroit, MI)
Edith Bell, Coordinator, Pittsburgh, Pa. Branch, Women's International League for Peace and Freedom (Pittsburgh, PA)
Robert Beltran, Actor, Director (Los Angeles, CA)
James Benham, State President, Indiana National Farmers Union (Versailles, IN)
Prof. Cyrus Bina, Distinguished Professor of Economics, University of Minnesota (Morris, MN)
George Bioletto, International Association of Machinist Trustee (Long Beach, CA)
Lili Bita, Writer, Hellenic News of America, Poet, Actress, Dramatist (Bala Cynwyd, PA)
Kofi A. Boateng, PhD, African Federation Inc. (Ossing, NY)
Charles H. Borowsky, M.D., President and Founder, Intermuse (Baltimore, MD)
Roger Boyer, Stanford Linear Accelerator (retired) (Menlo Park, CA)
Amelia Boynton-Robinson, Civil Rights Movement leader (Tuskegee, Alabama)
Elena Branson, President, Russian Center NY (New York, NY)
Mark Bush, CEO SouthOil (Houston, TX)
Douglas Caddy, attorney (Houston, TX)
Monica Calzolari, Director, Enrollment Communications, University of Massachusetts Boston (Boston, MA)
Charles E. Campbell, founder and CEO, Allen Hydro Energy Corporation (Columbus, OH)
Gerald Caprio, Director, Ahimsa Berkeley (Mill Valley, CA)
Dimitri Carapanos, (Emeryville, CA)
Bernard Casey, Former President of American Chamber of Commerce in Ukraine (2014) (San Jose, CA)
Frank Cattone, Secretary, Monmouth County, N.J. Constitution Party (New Jersey, USA)
Howard Chang, Professor of Hydraulic Engineering (ret) San Diego State University (CA)
Victor Chang, Retired Professor University of Southern California, Director, Institute of Sino Strategic Studies (Los Angeles, CA)
Bishop Juan Carlos, Pastor, President, CEO, Centro Cristiano Bet-El (South Gate, CA)
Nicholas Chingas, Greek-American Student Association, Saint Joseph University (Philadelphia, PA)
Rep. Donna Christensen, former Delegate of the U.S. Virgin Islands to Congress 1997-2014 (U.S. Virgin Islands)
Andreas Christou, Supreme Vice-President, Sons of Periclese (Schenectady, NY)
Dr. Luis G. Collazo, Minister, former head of the Puerto Rico chapter of the Jubilee Network USA (Puerto Rico)
Wang Chung Ping, President, Institute Sino Strategic Studies (Los Angeles, CA)
Mario J. Civera, Jr., Chairman, Delaware County Council (Media, PA)
Albert Clark, San Diego County Hispanic Chamber of Commerce (New York, NY)
Ramsey Clark, United States Attorney General 1967-69 (San Diego, CA)
Jaime Contreras, Las Vegas Chapter Coordinator, Labor Council For Latin American Advancement
Hal Cooper, Engineer, Seattle Freight Transportation Division Advisory Board (Seattle, WA)
Raymond Cordova, Chair, Central Labor Council (Garden Grove, California)
Professor Mark Crispin, Author, Professor of Media Studies, New York University (New York, NY)
Brian Crowell, Shop Steward (fmr) American Federation of Teachers Local 1078 (Berkley, CA)
Dr. Fred Dallmayr, Co-Chair, World Public Forum—Dialogue of Civilizations (South Bend, IN)
Fr. Richard F. Davidson, FSGG (Franciscan Servants of God's Grace) (New Jersey, USA)
Dr. Bill Deagle, Genesis Communication Network, Host, Nutri-Medical Report (California)
Stephen P. DeGot, Ecoban Securities Corp. (New York, NY)
Atul Deshmane, CEO/President, Whole Energy Corporation (Seattle, Washington)
T. Herbert Dimmock, Founder and Music Director of the Bach Concert Series (Baltimore, MD)
Judge Jim Dimos, Former Speaker of the Louisiana State House of Representatives, Retired (Monroe, LA)
Dorceal Duckens, Ebony Opera Guild (Houston, TX)
Charlton Dunn, Senior Engineer (retired) Rocketdyne and Atomics International (Paso Robles, CA)
Lt. Col. Stanley Dzierzeski, USAR, ret., Director, Polish American Congress, Eastern Massachusetts (Belmont, MA)
Edwin Edwards, former Governor of Louisiana (Louisiana)
E. Leopold Edwards, retired faculty Howard University (Washington, DC)
Dr. T.M. Fasy, Muslim Peacemaker Teams (New York, NY)
James H. Fetzer, PhD, McKnight Professor Emeritus, University of Minnesota (Duluth, Minn.)
Chris Fogarty, Columnist. Chair of Chicago Friends of Irish Freedom, Author of www.irishholocaust.org and "Ireland 1845-1850; the Perfect Holocaust, and Who Kept it 'Perfect'" (Chicago, IL)
James Fox, President, American Fertilizer Trade, LLC (Great Neck, NY)
Fran Foulkrod, Vice-Chair, Philadelphia Chapter, Women's International League for Peace and Freedom (Philadelphia, PA)
Jimmie Franklin, V.P. Summerdale Community Organization (Memphis, TN)
Congressman Cornelius Gallagher, U.S. Congressman 1959-1973 (New Jersey)
Habib Ghanim, Sr., President, D.C. Halal Chamber of Commerce. (Silver Spring, MD)
Donald Gibson, Professor Emeritus, University of Pittsburgh, author (Greensburg, PA)
Henry C. Gonzalez, Mayor of South Gate, California, Founder and Former President of the Labor Council for Latin American Advancement (South Gate, CA)
Senator Mike Gravel, Former U.S. Senator from Alaska 1969-1981 (Burlingame, CA)
Lisa Gray, Chair, North American Chinese Coalition (NACC) (Michigan, USA)
Melvin Grimes, President and Founder, A Fresh Drink of Water (Los Angeles, CA)
Dennis W. Grubb, Director, Investia, Ltd. Development, Finance Expert (Washington, DC)
Nitin Gujaran, President, Association for India's Development, Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, MA)
Sami Hadgis, Dean, School of Hospitality Management, Widener University (Chester, PA)
Don Hank, Editor-in-Chief, Laigle's Forum (USA)
David Hartsough, Peaceworkers (San Francisco, CA)
Cathy M. Helgason, MD, Professor of Neurology (retired) University of Illinois College of Medicine (Chicago, Illinois)
George C. Hillman, MBA, american entrepreneur (Boston, Massachusetts)
Samuel Hoff, Liberian Community Activist (Torrance, CA)
Art Hoffman, Member, Orange County Democratic Committee (Santa Ana, California)
Jim Hogue, host, WGDR radio (Plainfield, Vermont)
Lok Home, president, Robbins Co. (Solon, Ohio)
Eliane Van Horn, Corona Hispanic Chamber of Commerce (Yucaipa, California)
Thomas Hoverston, Former Columbia County Republican Party Chairman (Lodi, Wisconsin)
Prof. James C. Hsiung, Professor of Politics and International Law, New York University (New York, NY)
Hunter Huang, president, National Association for China's Peaceful Unification (Washington, DC)
Fred Huenefeld, member, Louisiana State Democratic Party Central Committee (Monroe, LA)
Anna Ikeda, Board member, Metta Center for Non Violence (Harrison, NJ)
Rep. Thomas Jackson, State Representative, Alabama (Alabama)
Ralph Johnson, nuclear engineer (Seattle, WA)
Rep. Constance Johnson, Oklahoma State Senator (ret.) District 48 (Oklahoma)
Cynthia Johnson, Co-founder, Brownie Mary Democrats (Bakersfield, California)
Sam Kahl, District Leader, Democratic Party of Multnomah County Oregon (Portland, OR)
Pauline Kathopoulis, Vice-President, Hellenic Student Association, Drexel University (Philadelphia, PA)
Eleni Kalstidou, Hellenic Student Association, Saint Joseph University (Philadelphia, PA)
Tarak Kauff, Veterans for Peace National Board of Directors (St. Louis, Missouri)
Lateef Kareem-Bey, God's Army for the Advancement of All People (Americus, GA)
Fred Kaviani, surface transportation systems sales manager, Monogram Systems (Los Angeles, CA)
Petros Karamanidis, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Philadelphia, PA)
Konstantinos Kavaris, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Drexel Hill, PA)
Paul Kotrotsios, President, Hellenic American National Council, Publisher, Hellenic News of America (Broomall, PA)
Vasilios Keisoglou, Epirotes Society of Philadelphia (Philadelphia, PA)
Sang Joo Kim, Founder and Director, Institute for Korean-American Studies (Washington, D.C.)
Frank Kloucek, Former State Senator (South Dakota, USA)
Keerthana Krishnan, Executive Director, Association for India's Development, Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, MA)
Father Labib Korbi, Former Priest of St. Thomas More Church, Founder of Al-Bushra website (San Francisco, California)
George Krasnow, President, Russian-American Goodwill Association
John J. Lampl, North Dakota AFL-CIO Region 8 Vice President (former) (Dickenson, ND)
Kevin Lynn, Director, Center for Progressive Urban Politics (Los Angeles, CA)
Dr. Ernest L. Johnson, President, NAACP Louisiana State Conference (Baton Rouge, LA)
Peter Lago, Chief Operating Officer, LionsGate Corporation (San Francisco, CA)
Bernard Lafayette, Jr. Chairman of Board Southern Christian Leadership Conference (SCLC) (Tuskegee, AL)[/tiem]
Beth K. Lamont, NGO Representative to the United Nations for the American Humanist Association (New York, NY)
Lyndon H. LaRouche, Economist, Statesman, former Presidential candidate (Round Hill, VA)
Eric Larsen, author, The Skull of Yorick: The Emptiness of American Thinking (New York, NY)
Stephen Lendman, Author and Radio Host (Chicago, Illinois)
LaMar Lemmons III, Detroit Board of Education; former member Michigan House of Reps. (Detroit, MI)
Anges Lin, Senior Research Scientist in Education and Information Studies (Los Angeles, California)
Dr. Edward Lozansky, PhD, President & Founder, American University in Moscow; Founder, World Russia Forum (Washington, DC)
Harold L. Madison, Community Organizer and Community Diplomat (Baltimore, MD)
Wayne Madsen, investigative journalist; Publisher and Editor, The Wayne Madsen Report
Clyde Magarelli, Former Director of War Studies, William Paterson College, Author, Professor of Sociology (USA)
Vance McAllister, Former U.S. Representative 2013-14 (Monroe, LA)
Heliatrice Marques, Founder and President of BRICS Working Group, School of International and Public Affairs, Columbia University (New York, NY)
Eli Mellor, Writer, Activist, Founder, The Time is Now Institute, "anti-corporate activist, provocateur and self-styled seer of 30 years of public and foreign policy disasters" (Claremont, CA)
Joaquin Meneses, Labor Council for Latin American Advancement (Los Angeles, CA)
Kyriakoula Micha, International Speaker, University of Pennsylvania Museum of Archaeology and Anthropology (Philadelphia, PA)
Theo Mitchell, Esq., Former State Senator (Greenville, SC)
Constantinos Mitoulis, Pan Macedonian Society of Philadelphia (West Chester, PA)
Jeff Monroe, State Senator (South Dakota, USA)
Pastor Joseph Moussa, Pastor for Arabic Christian Churches in Maryland and Pennsylvania (York, PA)
Somnath Mukherji, Volunteer, Association for India's Development, Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, MA)
Rep. Mike Manypenny, Member, West Virginia House of Delegates (West Virginia)
Marie Martin, Stop Mass Incarceration (Inglewood, CA)
Thomas Grolund Miner, Chairman and CEO of Thomas H. Miner Associates, Inc. (Chicago, Illinois)
Saket Mishra, Volunteer, Association for India's Development, MIT (Boston, Massachusetts)
Anthony Morss, Music Director & Principal Conductor of the New Jersey Association of Verismo Opera, Inc. (New York, NY)
Joseph Moussa, Pastor for Arabic Christian Churches in Rockville, Md., York, Pa., Harrisburg, Pa. (York, PA)
Dr. Michael Nagler, Professor Emeritus of Classics and Comparative Literature, University of California Berkeley; Founder, Peace and Conflict Studies Program, U.C. Berkeley; Founder and President, Metta Center for Nonviolence (Tomales, CA)
Robert Newton, former Vice President Communications Workers of America Local 2252 (Oakton, VA)
Georgios Nitsolas, Corthion Andros Society (Mount Laurel, NJ)
Victor H. Ortiz, Justicia Social Para Los Immigrantes (Los Angeles, CA)
Konstantine Ouranitsas, President, National Hellenic Student Association of North America (Philadelphia, PA)
Perry Owens, National Beef Board (Minneapolis, Kansas)
Bob Pantelous, Corthion Andros Society (Cherry Hill, NJ)
Rev. Michael L. Pastrikos, St. Nicholas Greek Orthodox Church (Baltimore, MD)
Alexandre Perrinelle, Russian Community Activist (West Hollywood, CA)
Larry Pinkney, Black Activist Writers Guild (Minneapolis, Minnesota)
Don Pondysh, North County N.Y. Veterans for Peace (Nichoville, NY)
Nomi Prins, Author All the Presidents' Bankers: The Hidden Alliances that Drive American Power (Los Angeles, CA)
Elisha B. Pulivarti, Vice-President, Maryland India Business Roundtable, Inc. (College Park, MD)
Ganga P. Ramdas, PhD, MA, MS, Professor of Economics, Lincoln University (Philadelphia, PA)
Earl D. Rasmussen, P.E., Executive Vice President Eurasia Center, Lt. Colonel (ret) U.S.Army (Falls Church, VA)
Alya Rea, Freelance Writer, Contributing Author, Cyrano’s Journal Today, Uncommon Thought Journal (Olympia, WA)
James Reed, National Action Network Michigan State Representative (Inkster, Michigan)
Phillip Restino, VFP 136, chapter co-chair, Central Florida, Vets for Peace (Daytona, Florida)
Geroge E. Riser, Justice of the Peace, Harris County, TX Precinct 2 (Pasadena, TX)
Priscilla Roche, Nevada State Director, League of United Latin American Citizens (LULAC) (Las Vegas, NV)
Kesha Rogers, Democratic Nominee for Congress TX-22 (2010, 2012), former candidate for US Senate (Texas)
Natalie Sabelnik, Russian-American community leader (San Francisco, California)
Prof. Christine Salboudis, Philo4Thought Inc. Hellenic Mentoring (New York, NY)
Ranjani Saigal, Executive Director, Ekal Vidyalaya Foundation of the USA (Burlington, MA)
Dr. Jose I. Sangerman, PhD, Biologics Researcher (Boston, Massachusetts)
Henry J. Santos, Professor Emeritus, Bridgewater State University (Bridgewater, Massachusetts)
Keith L. Shaffer, former President IAM local 1784 (Baltimore, Maryland)
Prashant Shah, Publisher, India Tribune (Chicago, Illinois)
Vaithilingam Shanmuganathan, National Committee Member, Liberal Party of Sri Lanka; Secretary General, Liberal Democratic Workers Union of Sri Lanka; Former Advisor to the Governor of the Central Bank of Sri Lanka (Azusa, California)
Trilochan Singh, Professor, Mechanical Engineering, Wayne State University (Detroit, Michigan)
Dr. Kenneth Smith, Delegate to the California State Republican Convention, 2013, 2014 (Sunnyvale, CA)
Nick Spiliotis, Vice-President, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Feasterville Trevose, PA)
Rick Staggenborg, Founder, Soldiers for Peace International, Host of Take Back America (Coos Bay, OR)
Randy Sowers, owner, South Mountain Creamery (Middletown, Maryland)
Sean Stone, Filmmaker (New York, NY)
Johannes Strohschank, Author, Member Board of Directors, Friends of Max Kade Society, Professor of German Studies, University of Wisconsin (Madison, WI)
Baifeng Sun, Director, The Confucius Institute, UMASS Boston (Massachusetts)
Rep. Rosemarie Swanger, retired Pennsylvania State Representative. (Pennsylvania)
Harold Taylor, Former Black Panther Party member, ex-Defendant in the San Francisco Eight Trial (Panama City, FL)
Dr. John Telford, Superintendent (retired) Detroit Public Schools (Detroit, Michigan)
Michele Thomas, Photographer and Constitutional Activist (Los Angeles, CA)
Fr. Peter J. Thornburg,St. Sophia Greek Orthodox Church (Jeffersonville, PA)
Jimal Thrower, Special Representative AFSCME Local 865 (Los Angeles, CA)
Igor Trofimov, Vice-President, Russian-American Chamber of Commers (New York, NY)
Magalis Troncoso, Director and Founder of the Dominican Development Center (Boston, MA)
Rev. Benny L. Tucker, City Council (Selma, AL)
Sean Turnbull, SGT Report (Minneapolis, Minnesota)
Eric Tymoigne, Assistant Professor of Economics, Lewis and Clark College (Portland, Oregon)
Judith Van Dyke, United Association of Entrepreneurs (New York)
Bob Van Hee, Alderman, Former City Council President (Redwood Falls, Minn.)
Anil Verma, President, Anil Verma Associates, Inc. (Los Angeles, California)
Phil Vogis, Supreme Commander Region 3, American Hellenic Educational Progressive Association (Wyckoff, NJ)
Pat Wadsworth, former Chair and current Secretary, Grays Harbor Democrats (Grays Harbor, WA)
Vince Weldon, retired aerospace engineer, designer of components for Apollo and Space Shuttle missions (Seattle, WA)
Dr. Cornel West, Author, Activist, Professor of Philosophy and Christian Practice: Union Theological Seminary; Professor Emeritus: Princeton University (Princeton, NJ)
Fred Wimberley, Member of the Bargaining Committee, Service Employees International Union Local 721 (Los Angeles, CA)
Captain James H. Whitley, Jr., Battalion Fire Chief, Washington, D.C. Fire Department (Mitchellville, MD)
Lynn Yen, Executive Director of the Foundation for the Revival of Classical Culture (New York, NY)
Lowell Young, Treasurer, Mariposa County Democratic Central Committee (Mariposa, CA)
Prof. Robert Zaller, Distinguished Professor of History, Drexel University (Bala Cynwyd, PA)
Weijun Zhao, Director, Office of China Programs, Michigan State University (Detroit, Michigan)
Apostolos C. Ziogas, Hellenic Federation of Philadelphia (Bala Cynwyd, PA)
Maria Ziogas, Federation of Hellenic-American Societies of Greater Philadelphia (Bala Cynwyd, PA)
International
Julio C. González, former Secretary of State of the Argentine Republic; University Professor (Buenos Aires, Argentina)
Carlos Alberto Baltazar Perez Galindo, Attorney (Buenos Aires, Argentina)
Wilhelm Augustat, President, International Society “Peace Through Culture” (Linz, Austria)
Prof. Dr. H.C. Peter Bachmeier, Austria-Belarus Society (Vienna, Austria)
Prof. Reinhard Kleinknecht, Department of Philosophy, University of Salzburg (Salzburg, Austria)
Prof. Dr. Hans Koechler, President, International Progress Organization (Vienna, Austria)
Eva Pfisterer, Magazine Journalist, Formerly with the Osterriech Rundfunk ORF (Vienna, Austria)
Michael Machura, Counsellor and Engineer, Österreichischer Wirtschaftsrat (Austria)
Dr. Harold Raffay, (Vienna, Austria)
Professor Karl Socher, Professor Emeritus University of Innsbruck, Institute for Economic Theory, Political Economy (Innsbruck, Austria)
David Comissiong, President, Clement Payne Movement; Former Senator, Government of Barbados; Former Director, Commission for Pan-African Affairs, Government of Barbados (Barbados)
Koen Van Dessel, Editor, SouthFront Dutch (Antwerp, Belgium)
Lode Vanoost, Former Deputy Speaker of the Belgian Parliament, 1999-2003 (Sint-Genesius-Rode, Brussels, Belgium)
Jean Verstappen Veteran of the Belgian Resistance, former Belgian Senator. 1965-68 (Nivelles, Belgium)
Valko Petrov Bulgarian Academy of Sciences (Sofia, Bulgaria)
Yuri Avdiev Russian Multicultural Society of British Columbia (Vancouver, B.C., Canada)
Rodrigo Menezes, Technical Manager and Regulatory Affairs, Eutelsat (Rio de Janerio, Brazil)
María Luz Navarrete Alarcón, Vice President for Social Security of Aquí la Gente Citizens Movement (Santiago, Chile)
David Gontar, Adjunct Professor of English and Philosophy, Inner Mongolia University (China)
Jhon Jairo Jaramillo, Liberal Arts Professor, University of el Valle (Colombia)
Carlos Julio Diaz Lotero, General Director, National Trade Union School, Unified Workers Federation (CUT) (Medellin, Colombia)
Pedro Pablo Escobar Morales, President, Unified Education Workers Trade Union (SUTEV), (Buga, Colombia)
Hugo Andersen, Director, Taarnby Karroserifabrik (Taamby, Denmark)
John Scales Avery, Associate Professor Emeritus, University of Copenhagen; Chairman of The Danish Peace Academy; Pugwash Conferences on Science and World Affairs (Denmark)
Anika Telmányi Lylloff, Classical Violinist (Denmark)
Mohammed Mafoud, Head of Danish-Syrian Union (Denmark)
Thomas Grønlund Nielsen, Physics Lecturer, Herlufsholm Skole (Denmark)
Jens Jorgen Nielsen, Lecturer, Niels Brock Business School (Denmark)
Ole Skjold, former director, Ole Skjold ApS (Frederikssund, Denmark)
Erling Svendsen, Former President, Danish Wheat Growers Association (Hvalso, Denmark)
Ole Valentin-Hjorth, Economist (Denmark)
Ramon Emilio Concepcion, Attorney (Santo Domingo, Dominican Republic)
Alexis Ponce, Defender of Human Rights (Ecuador)
Jorge Washington Núñez Sánchez, Former President of the Association of Latin American Historians (Quito, Ecuador)
Peter Liskola, Former Diplomat and Member of the Council of Europe, International Law Expert (Finland)
Georges Beriachvili, Classical Pianist (Paris, France)
Jean-Paul Brignoli, Mayor of Ormey (Ormey, France)
Jacques Cheminade, President, Solidarité et Progrès (Paris, France)
Gérard Coinchelin, Deputy Mayor (Denipaire, France)
Col. (ret) Alain Corvez, Counsellor for International Strategy, former advisor to the General-in-Command of UNIFIL (France)
Claude Champaud, Honorary President of the Rennes University, President of the Scientific Council of the foundation for Research on the Corporate Doctrine (Rennes, France)
Marc Chautemps, Mayor of Gemeaux (Gemeaux, France)
Pierre Eboundit, President of the Panafrican Leauge—Umoja (Reims, France)
Evard Garnier, Mayor (Mijoux, France)
Alain Giletti, Former Champion Figure Skater (Tours, France)
Michele Guerin, Economist, Consultant (Paris, France)
Deva Koumarane, poet, teacher Indian Studies (Rambouillet, France)
Jean-Yves Lapeyrere, Mayor (Lorignac, France)
Jean-Pierre Luminet, Author, Astrophysicist Laboratory of Physical Sciences of Marseille (France)
Eugene Perez, Mayor of Chamouilley (Chamouilley, France)
Catherine Plantevin, Archeologue, INRAP (Lyon, France)
Ali Rastbeen, President Geopolitical Academy Of Paris (Paris, France)
Dr. Louis Reymondon, Honorary Surgeon of French Hospitals; President of VietAmitié (France)
Jean-Jacques Seymour, Radio Journalist (Paris, France)
Bernard Sutter, Mayor of Sternenberg (Sternenberg, France)
Bassam Tahhan, Franco-Syrian Professor of Geostrategy, Ecole Nationale supérieure des Techniques Avancées (Paris, France)
Frithjof Banisch, Career Military Officer (retired) (Baruth/Mark, Germany)
Dr. Johannes Maria Becker, Privatdozent Phillips University, Center for Conflict Studies (Marburg, Germany)
Ruhild Boehm, Author (Tuebingen, Germany)
Niccolai Dolmetsch, District Chapter Chairman Left Party (Stuttgart, Germany)
Wolfgang Effenberger, Publicist (Rosenheim, Germany)
Hans-Juergen Ehlers, Retired State's Attorney (Bavaria, Germany)
Anatol Graf, Federal Council for the Integration of Germans from Russia (Berlin, Germany)
Dr. Josef Gruber, Professor Emeritus (Hagen, Germany)
Brunhilde Hanke, Former Mayor of Potsdam Germany 1961-1984 (Potsdam, Germany)
Uwe Heimrich, Mayor (Thueringen, Germany)
Prof. Dr. Klaus Hennig, Physicist (Prina, Germany)
Martin Hoffman, Lawyer, German India Round Table (Leipzig, Germany)
Prof. Helmut Keutner, Beuth Hochschule fuer Technik (Berlin, Germany)
Erika Herbrig, Former Director of the Historical Memorial Site of the Potsdam Agreements (Cecilienhof, Germany)
Dipl.-Ing. Enayetullah Ishaqzay, Economist (Goettingen, Germany)
Dr. Ing. Eberhard Langer, Former Mayor of Chemnitz (Chemnitz , Germany)
Gerhard Matthes, Naval Officer (retired) (Strausberg , Germany)
Gerd Medger, Board Member, Brazilian-German Association for Business and Science (Dresden, Germany)
Ekaterina Medvedeva-Schwerbock, Actress (Berlin, Germany)
Alena Petrova, General Director, Art Assemblee Agency, GmbH (Baden-Wurtemberg, Germany)
Dr. Albrecht Poth, Scientific Director (Rossdorf, Germany)
Ronald Regolien, Journalist (Ravensberg, Germany)
Dorothea Schleifenbaum, County Councilwoman Siegen-Wittgenstein (Siegen, Germany)
Dr. Kurt Schumann, Embassy Counselor, a.D. (ret.) (Germany)
H. C. von Sponeck, Former U.N. Assistant Secretary General (Germany)
Dr. Hermann Schwiesau, Ambassador a.D. (ret.) (Germany)
Dr. Gallus Strobel, Mayor, Triberg Germany (Baden-Wurtemberg, Germany)
Dmitris Tzamouranis, Greek visual artist (Berlin, Germany)
Prof. Dr. Carl-Otto Weiss, Research Director at the Physikalisch-Technische Bundesanstalt (Braunschweig, Germany)
Helga Zepp-LaRouche, Founder, Schiller Institute (Wiesbaden, Germany)
Michael Plum, Project Manager and Former Chairman of the Left Party Landau (Landau, Germany)
Philipp Windemuth, J.D. Company Dentons Europe LLP (Berlin, Germany)
Leonidas Chrysanthopoulos Ambassador (ret), Member of the Political Secretariat of United People's Front (Greece)
Panos Kammenos, President of the Independent Greeks, Member of the Hellenic Parliament (Athens, Greece)
Lefteris Karayannis, Ret. Ambassador, Diplomatic advisor to Panos Kammenos (Athens, Greece)
Theodore Katsanevas, Chairman of the Drachma 5 Party​ (Athens, Greece)
General (ret) Konstantinos Konstantinides, one of the founders of Generals Against Nuclear War (Greece)
Dr. George Pararas-Carayannis, Chairman, 6th International Tsunami Symposium; President Tsunami Society International (Greece)
Philippos Tsalides, Professor of Electronics, Democritus University of Thrace, President of the Institute of Geopolitical Studies “National Regeneration” (Xanthi, Greece)
Dr. George Tsobanoglou, Vice President, International Sociological Association, Research Committee on Sociotechnics & Sociological Practice (Greece)
Raúl Aníbal Marroquín Casasola, former Secretario General del Sindicato de Trabajadores del INDE-STINDE (Guatemala)
Jacques Bacamurwanko, Former Ambassador of Burundi to the United States, (Conakry, Guinea)
Yufang Guo, Chairman, Jomec International (Rotterdam, Holland)
Shalini Pradhan, DDS, A/8 Model Town Housing Scheme (Mumbai, India)
Dr. Vinod Saighal, Executive Director, Eco Monitors Society (New Delhi, India)
Arun Shrivastava, author (New Dehli, India)
Seyed Hossein Mousavian, Research Scholar, Program Science and Global Security Princeton University, Former Iranian Ambassador to Germany, Former Head of the Foreign Relations Committee of Iran's National Security Council (Iran)
Sami Rasouli, Founder, Muslim Peacemakers Team (Naajaf, Iraq)
Eugene Douglas, Editor, LaRouche Irish Brigade (Armagh, Ireland)
Antonella Banaudi, Opera Singer (Sanremo, Italy)
Luca Bertoni, Secretary, Lomardi-Russia Cultural Association (Milan, Italy)
Senator Stefano Candiani, Member of the Italian Senate (Rome, Italy)
Gabriele Chiurli, Member, Tuscany Regional Council (Arezzo, Italy)
Prof. Guglielmo Forges Davanzati, University of Salento (Lecce, Italy)
Gianmatteo Ferrari, Vice-President, Lombardy-Russia Cultural Association (Milan, Italy)
Pietro Foroni, Member of the Regional Council in the Lombardy Region (Milan, Italy)
Nino Galloni, Economist (Rome, Italy)
Alfonso Gianni, Director of the Cercare Ancora Foundation (Rome, Italy)
Pietro Giubilo, Former Mayor, Rome (Rome, Italy)
Tiberio Graziani, President, Institute of Advanced Studies in Geopolitics (Rome, Italy)
Paolo Grimoldi, Member of the Italian Parliament, Founder of the Parliamentary group, “Friends of Putin” (Carugate, Italy)
Giacomo Guarini, Administrative Director, Institute for High Studies of Geopolitics (Rome, Italy)
Armando Manocchia, Journalist, Editor in Chief Imola Oggi.it (Imola, Italy)
Prof. Giulio Sapelli, Economist, University of Milan (Milan, Italy)
Gianluca Savoini, President, Lombardy-Russia Cultural Association (Milan, Italy)
Enzo Siviero, Member of the Italian National Council of Universities (Padua, Italy)
Valentina Iorio Tomasetti, City Councilwoman (Galliate Lombardo, Italy)
Marcello Vichi, Author, Transaqua, an Idea for the Sahel, Former Director Foreign Department, Bonifica Engineering Company, IRI Group (Rome, Italy)
Daisuke Kotegawa, Former Japanese Executive Director of the International Monetary Fund (Tokyo, Japan)
Yim Sungbin, Former Secretary to the President of the Republic of Korea for Climate and Environment (Republic of Korea)
Chandra Muzaffar, President of the International Movement for a Just World (Kuala Lampur, Malaysia)
Manuel Ignacio Espinoza Gonzalez, Primary School Teacher, former Municipal President, PRD (Ures, Sonora, Mexico)
Luis Benito Acosta Jiménez, Agronomist, Director General, Agronomy Federation of Mexico City (Mexico City DF, Mexico)
Carlos Arellano Palma, Architectural engineer, Mexican Association of Engineers (Mexico City DF, Mexico)
Esteban Palma Bautista, Civil engineer, Mexican Association of Engineers (Mexico City DF, Mexico)
Gaston Pardo-Pérez, journalist, Reseau Voltaire (Veracruz, Mexico)
Jesus E. Ramirez Diaz, Secretary General, Mexican National Federation of Organized Trade Unions FENASO (Mexico)
Martínez Rojas, Andrés Eloy, Federal Congressman, Mexico, MORENA party, Secretary of the Science and Technology Committee in the Chamber of Deputies (Mexico)
Rosa Elia Romero Guzmán, Mexican Federal Congresswoman (Oaxaca, Mexico)
Casimiro Navarro Valenzuela, Industrial Engineer, Former Municipal President, PAN (Hermosillo, Sonora, Mexico)
Jose Modesto Torres Valerio, Secretary General of the University of Sonora Workers and Employees Union (SETUS) (Hermosillo, Sonora, Mexico)
José Francisco Rosales Argüello, Vice President of Permanent Conference of Political Parties of Latin America and the Caribbean, Justice Nicaragua Supreme Court (Nicaragua)
lloegbunam Ngoesina, General Organizer of the All Progressive Grand Alliance (APGA) (State of Anambra, Nigeria)
Mario Rognoni, Journalist, Businessman, Engineer (Panama City, Panama)
Julio A. Mendoza, architect, President of the Chamber of Housing and Infrastructure of Paraguay (Paraguay)
Teresa Nowak, Chairman of the Board at The Institute for Intercultural Communication and Interdisciplinary Studies SILK ROAD (Poland)
Dr. Jacek Nowak, Executive Director at The Institute for Intercultural Communication and Interdisciplinary Studies SILK ROAD (Poland)
Sergei Cherkasov, Deputy Director for Research, State Geological Museum, Russian Academy of Sciences (Moscow, Russia)
Markiyan S. Chubey, Senior Scientist, Pulkovo Main Astronomical Observatory of the Russian Academy of Sciences (St. Petersburg, Russia)
Guzel A. Danukalova, Institute of Geology, Ufa Scientific Center, Russian Academy of Sciences (Ufa, Russia)
Roman Krivonos, Space Research Institute, Russian Academy of Sciences (Moscow, Russia)
Victor Kuzin, Head of Moscow Bureau for the Defense of Human Rights without Borders (Moscow, Russia)
Olga Mekhtieva, Teacher of English Literature (Moscow, Russia)
Stanislav N. Nekrasov, professor; Chairman, International Legal and Futurological Information Agency (Yekaterinburg, Russia)
Alexander D. Petrushin, Institute for Demography, Migration, and Regional Development (Moscow, Russia)
Sergey Pulinets, Space Research Institute, Russian Academy of Sciences (Moscow, Russia)
Felix M. Royzenman, Russian Academy of Natural Sciences (Moscow, Russia)
Prof. Marietta Stepanyants, UNESCO Chair for Philosophy in the Dialogue of Cultures, Institute of Philosophy (Moscow, Russia)
Sergei V. Zaitsev, Institute of Solid State Physics, Russian Academy of Sciences (Chernogolovka, Russia)
Naeem Shakir, Supreme Court Attorney of Pakistan (Lahore, Pakistan)
Olga Zinovieva, Co-Chairman Rossiya Segodnya Ziniviev Club (Moscow, Russia)
John Bosnitch, International Journalist, Political Activist (Belgrade, Serbia)
Prof. Dr. Ana Langovic Milicevic, Faculty of Art and Design, Megatrends University (Belgrade, Serbia)
Father Themi Adamopoulous, Greek Orthodox Priest (Sierra Leone)
Jan Cernogursky, former dissident of Czechoslovakia, former Justice Minister, Slovak Republic (Slovakia)
Javier Otazu Ojer, Economics Professor, UNED in Pamplona (Pamplona, Spain)
Fructuoso Rodríguez Morales, retired transport union leader (Las Cannarias, Spain)
Sebastian Martin, Director, Noticanarias.com (Puerto del Rosario, Islas Canarias, Spain)
Fahrie Hassan, The Film Club (Cape Town, South Africa)
Greger Ahlberg, architect (Stockholm, Sweden)
Leena Malkki-Guignard, producer and opera singer, Operafabriken (Malmo, Sweden)
Daniel Mena, Member, City Council (Helsingborg, Sweden)
Professor Heinrich Bortis, Professor of Political Economy, University of Freiberg (Freiberg, Switzerland)
Tomader Gohar, Citizens for Peace Building (Geneva, Switzerland)
Alfonso Tuor, Journalist, Economist, (Lugano, Switzerland)
Dr, Gerd Joseph Weisensee, Delegate of the Board of Directors Pro-Life Association (Bern, Switzerland)
Dominique von Burg, Art Historian and Art Critic (Zurich, Switzerland)
Mustafa Acar, Professor, Dr. Rector, Aksaray University (Aksaray, Turkey)
Mother Agnes Mariam of the Cross, Mother Superior at the Monastery and Convent of St. James the Mutilated (Qara, Syria)
Vladimir R. Marchenko, Confederation of Labor of Ukraine (Kiev, Ukraine)
Natalia M. Vitrenko, Doctor of Economics; Chairman, Progressive Socialist Party of Ukraine (Kiev, Ukraine)
Dr. Jonathan Cartmel, Professor, Glyndwr University (Wrexham, United Kingdom)
Nicholas Cobb, Managing Director and Founder Cobb Energy Communications, Chairman of the Westminster Russia Forum (London, United Kingdom)
Rt. Hon. Michael Meacher, Labour Member of the House of Commons, Former Cabinet Minister and National Executive Member of the Labour Party (Oldham, United Kingdom)
Robert Oulds, Director of the Bruges Group (Conservative Party), Local government councilor for the London borough of Hounslow Author and Military Historian (London, United Kingdom)
Mike Robinson, Editor, UK Column (Plymouth, United Kingdom)
Professor Prem Sikka, Essex Business School at University of Essex Professor of Accounting and Economist (Colchester, United Kingdom)
Paul Webb, Screenwriter, Academy Award-nominated films Selma and Lincoln (London, United Kingdom)
Dr. Daya Thussu, Co-Director, India Media Center, University of Westminster (United Kingdom)
Roman Rojas Cabot, Former Venezuelan Ambassador to the European Union and to Guyana (Caracas, Venezuela)

Os segmentos que hoje comemoram as dificuldades do governo - e do país - decorrentes, no plano econômico e institucional, da Operação Lava-Jato, que não se iludam. O alto empresariado brasileiro tem memória de elefante e da forma como estão sendo tratadas suas empresas e seus dirigentes - na maioria das vezes sem nenhuma prova real - dificilmente companhias de qualquer área de atividade, principalmente  as de construção, engenharia e infraestrutura, voltarão a reservar um centavo de seu dinheiro para apoiar candidatos ou partidos políticos no Brasil, por mais que a cínica "reforma" política em andamento o permita, com a previsão de elástico patamar de gastos, para o qual, na verdade, não há mais do que o céu como limite. 

 

Já se provou, na prática, que não existe mais doação legal de campanha em nosso país. Os critérios de legalidade ou ilegalidade desse mecanismo podem ser mutantes, subjetivos ou seletivos e dependem, basicamente, da eventual interpretação de quem estiver investigando algo em um determinado momento.

  

Ao ver alguns de seus principais colegas sendo algemados, e confinados indefinidamente na cadeia, independentemente do pretexto ou da legislação, grandes empresários já admitem que fugirão, doravante, do envolvimento com campanhas políticas como o diabo da cruz, mantendo delas a mesma distância de  uma multidão se afastando, apavorada, em polvorosa, de um bando de leprosos nos tempos de Jesus. 


O fechamento, que, pelo menos nos próximos anos, tende a ser praticamente definitivo, das torneiras do financiamento empresarial, deverá privilegiar, individualmente, os candidatos mais ricos, mas também levará, paradoxalmente, mais água para o moinho - e mais votos - para os partidos que tiverem maior penetração junto às chamadas organizações populares, e por meio delas, junto às camadas menos favorecidas da população.  

20 de jul. de 2015

A MEMÓRIA, OS ELEFANTES E O FINANCIAMENTO EMPRESARIAL DE CAMPANHA.




(Do blog) - Os segmentos que hoje comemoram as dificuldades do governo - e do país - decorrentes, no plano econômico e institucional, da Operação Lava-Jato, que não se iludam. O alto empresariado brasileiro tem memória de elefante e da forma como estão sendo tratadas suas empresas e seus dirigentes - na maioria das vezes sem nenhuma prova real - dificilmente companhias de qualquer área de atividade, principalmente  as de construção, engenharia e infraestrutura, voltarão a reservar um centavo de seu dinheiro para apoiar candidatos ou partidos políticos no Brasil, por mais que a cínica "reforma" política em andamento o permita, com a previsão de elástico patamar de gastos, para o qual, na verdade, não há mais do que o céu como limite. 

 

Já se provou, na prática, que não existe mais doação legal de campanha em nosso país. Os critérios de legalidade ou ilegalidade desse mecanismo podem ser mutantes, subjetivos ou seletivos e dependem, basicamente, da eventual interpretação de quem estiver investigando algo em um determinado momento.

  

Ao ver alguns de seus principais colegas sendo algemados, e confinados indefinidamente na cadeia, independentemente do pretexto ou da legislação, grandes empresários já admitem que fugirão, doravante, do envolvimento com campanhas políticas como o diabo da cruz, mantendo delas a mesma distância de  uma multidão se afastando, apavorada, em polvorosa, de um bando de leprosos nos tempos de Jesus. 


O fechamento, que, pelo menos nos próximos anos, tende a ser praticamente definitivo, das torneiras do financiamento empresarial, deverá privilegiar, individualmente, os candidatos mais ricos, mas também levará, paradoxalmente, mais água para o moinho - e mais votos - para os partidos que tiverem maior penetração junto às chamadas organizações populares, e por meio delas, junto às camadas menos favorecidas da população.  

14 de jul. de 2015

A GUERRA DAS DROGAS, O ESTADO-COVEIRO E O ESTADO-PRISÃO.




(Rede Brasil Atual) - Relatório divulgado há alguns dias pelo Ministério da Justiça mostra que a população prisional brasileira no primeiro semestre de 2015 chegou a 607.731 indivíduos, o que representa um aumento de 575% com relação a 1990, ou seja, 6,7 vezes maior, o que transforma o Brasil no quarto país do mundo em número de prisioneiros, depois dos EUA, da China e da Rússia.


Para essa população, o país tem 376.669 vagas. Um déficit de mais de 231 mil vagas. Há prisões em que há 1.6 presos por vaga, e em 25% delas, há mais de 2 presos por vaga - considerando-se que há lugares em que o preso dispõe, para passar anos, de apenas 70 centímetros quadrados -  em um sistema massacrante de compactação, comparável apenas às masmorras medievais e às câmaras de gás dos campos de concentração nazistas.

Destes presos, entre 60 e 40%, dependendo da estado, estão na prisão ilegalmente, sem julgamento, ou sem culpa formada, por mais de 90 dias. Muitos são réus primários, foram presos sem flagrante ou por contravenções como a posse de substâncias como anfetamina misturada a pó de mármore automaticamente classificada, no momento da prisão, como cocaína, ou de pequena quantidade de maconha ou crack, sendo, por isso, quase que imediatamente transformados em traficantes.

A imensa maioria deles não tem assistência jurídica e alguns podem passar anos presos, nessa situação, arriscando-se a morrer sem culpa oficialmente formada, já que a assistência médica é péssima ou inexistente nas instalações para presos teoricamente provisórios, as condições são insalubres (detentos com doenças contagiosas, como aids ou tuberculose dividem as mesmas celas superlotadas com outros presos saudáveis) e a violência grassa, com estados, como o Maranhão, em que o número de mortes na prisão chega a quase 200 por 10.000 prisioneiros, um dos mais altos do mundo.

Com relação à população prisional por unidade da Federação, São Paulo é o estado com maior número de presos: são 219.053 pessoas privadas de liberdade, ou seja, 36% da população carcerária do país. O estado é seguido de Minas Gerais, com mais de 61 mil presos, e do Rio de janeiro com mais de 39 mil.

Prende-se muito, no Brasil, prende-se mal, no Brasil, julga-se mal - no lugar da recuperação do detento há uma cultura punitiva e vingativa em amplos setores da magistratura, e o uso de penas alternativas é quase inexistente, o que evita que se encontrem outros caminhos, para a solução do problema, que não a aplicação disseminada e arbitrária do encarceramento.

E o pior de tudo é que isso não resolve nada.

O número de crimes aumentou, nos últimos anos, na mesma proporção em que aumenta o número de prisões, que cresce a uma das maiores taxas do mundo.

Levados pelo sentimento de injustiça e de total ausência de dignidade, decorrente do abandono pelo sistema judicial e em última instância pelo próprio Estado que os colocou atrás das grades, presos que entram por crimes que poderiam ser punidos sem a privação de liberdade, se transformam em feras.

Feras alimentadas pelo ódio multiplicado durante meses, anos, por detenções equivocadas que se transformam com o decorrer do tempo em prisões ilegais. Um sentimento agravado, cristalizado,  pela cultura da retaliação, da marginalidade e da violência aprendida com presos mais experientes, ou comprovadamente condenados por crimes mais graves.

Este é o Estado-Prisão.

Mas em nosso país existe, também, o Estado-Coveiro.

O Brasil não é apenas o quarto maior país do mundo em número de presos, boa parte deles em  situação irregular, mas também um dos que mais matam.

Entre 2005 e 2009, por exemplo, apenas a Polícia Militar do Estado de São Paulo, com uma população oito vezes menor que a dos Estados Unidos, matou quase 7% pessoas a mais do que todos os agentes de segurança federais, estaduais e municipais norte-americanos somados, em casos classificados como de resistência seguida de morte.

Isso, embora a proporção de policiais mortos por bandidos em situação de confronto seja,  no Brasil, historicamente bem menor que a dos EUA, diante do número de cidadãos mortos pela polícia, muitos deles sem terem alguma vez na vida passado por uma delegacia.

Ainda tomando como parâmetro o Estado de São Paulo, o mais populoso do país e o que dispõe, devido a uma lei de 1995, de estatísticas mais confiáveis, o número de civis mortos em decorrência de ação policial só não foi maior do que a de civis feridos, entre o ano 2.000 e 2010, no ano de 2005, o que quer dizer que ao contrário de outras polícias do mundo, o policial brasileiro não atira para parar, imobilizar ou ferir quem deveria prender, mas quase sempre para matar, mesmo que, em muitos casos, o suspeito não esteja armado, e apenas em fuga - não porque tenha cometido algum crime - mas porque teme a possibilidade de ser espancado ou morto pela polícia, principalmente quando mora na periferia (vídeo).

No mesmo período pôde ser observada, como já dissemos, uma enorme desproporção entre o número de policiais mortos e de supostos "bandidos" mortos em eventual situação de confronto.

Mesmo considerando-se o uso de equipamento como coletes à prova de balas, e o treinamento profissional recebido, agride a lógica e o senso comum que, ao enfrentar, supostamente, bandidos armados, policiais matem mais de 15 cidadãos para cada policial caído.
Em qualquer força policial do mundo, quando esse número passa de dez, ou os policiais são super-homens, desses de cinema, que abatem 15 "inimigos" cada um por filme, ou estão,  certamente, executando civis desarmados, e simulando, para justificar essas mortes, situações de enfrentamento.

Além disso, há que considerar-se que boa parte dos policiais mortos não o são durante o serviço, mas quando estão de folga, e se envolvem em situações de conflito em bares, churrascos, acidentes de trânsito, incidentes com vizinhos, valendo-se de sua condição de policiais, e de estarem armados, e o fazem muitas vezes em confronto com outros policiais em situação parecida, que podem ou não pertencer à sua mesma corporação ou organização, principalmente quando um e outro não se identificam.

Em caso recente, ocorrido em Minas Gerais, em novembro do ano passado, um policial corrupto que dava escolta a traficantes e estava, no ato,  recebendo 20.000 reais em propina, matou um colega da polícia civil que estava seguindo os traficantes. Em outra situação, em abril deste ano, também na Grande Belo Horizonte, uma policial civil, escrivã, foi com o marido verificar a origem de tiros ouvidos perto de sua casa, e se deparou com um grupo de policiais militares à paisana fazendo tiro ao alvo em uma mata. Segundo ela, eles teriam "mexido" com a escrivã, que pediu que se identificassem ao ver que estavam armados. No tiroteio que se seguiu, a policial foi baleada na barriga e o marido morreu, atingido por oito tiros.

Em São Paulo, em Ibiúna, um policial militar foi morto pelo irmão de uma adolescente vizinha, depois de convidá-la para um churrasco em sua casa e  levá-la para a sua cama.

E ficou famosa a cena de um policial goiano, que, em pleno trânsito, filmado por câmeras de segurança, desceu do carro, espancou e algemou a namorada, matando-a a tiros, e depois atirou em si mesmo, tentando o suicídio.

Como vimos, as consequências da violência policial vão muito além da lógica maniqueísta dos filmes de "mocinho" e "bandido".

O policial que é violento com um suspeito desarmado, tem uma chance maior de ser violento também com a mulher ou a namorada, com os filhos, com a família,  com os vizinhos, com outros colegas policiais que ele não sabe, circunstancialmente, que são policiais, e, de modo geral, com a própria comunidade em que vive.

Finalmente, há outro parâmetro que diz respeito ao grau de letalidade da polícia brasileira, segundo estudo de Luiz Flávio Gomes e Adriana Loche: o número de mortos por policiais, com relação ao total de homicídios dolosos. No ano de 2010, esse número foi de 11,48% no estado de São Paulo, ou seja, de cada 100 pessoas que morreram assassinadas, praticamente 12 foram mandadas para o cemitério por ação da polícia.        

Mesmo com esse número brutal, boa parte da população ainda acha normal, no Brasil, que a polícia mate. Como se de cada 100 pessoas assassinadas, 12 fossem marginais que pudessem automaticamente morrer sem sequer ser julgados.

E que mate principalmente jovens.

No país em que se discute a redução da maioridade penal, dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF - revelam que, desde a 1990, quando foi aprovado o ECA -p Estatuto da Criança  e do Adolescente, o número de assassinatos de brasileiros com menos de 18 anos passou de 6 mil para 10.5 mil por ano, ou 28 por dia.

Desses pouco mais de 10.000 jovens - revelou esta semana a Comissão Parlamentar de Inquérito da Violência contra Jovens Negros e Pobres - 2.200, ou mais de 20%, morreram suposta situação de confronto com a polícia.

Dos adolescentes que não morrem por causas naturais, 36% são assassinados, sete vezes mais que a população em geral, em um índice que só é superado pela Nigéria.

Ser homem aumenta em 12 vezes a possibilidade de morrer dessa forma nessa faixa etária, e os negros morrem mais três - quase quatro - vezes mais que do que os brancos.

A televisão contribui diretamente para isso, com a disputa cotidiana, de programas ditos "policiais", por audiência, em que jornalistas competem também em seu empenho de justificar e defender a violência da polícia.

Nesses programas não existem suspeitos, nem a presunção de inocência, mas, a priori "bandidos".

Neles, também, os policiais quase nunca "erram" ou se equivocam. A maior parte de suas ações é elogiada, enaltecida, mesmo quando o policial agiu de forma flagrantemente irregular, como no caso recente em que um policial militar atirou, diante das câmeras, em dois adolescentes já deitados no chão e dominados, que, antes, em fuga em uma moto, haviam jogado em sua direção um capacete.

A apologia da violência do Estado, no Brasil, está profundamente arraigada em nossa sociedade, e leva, a cada nova eleição, mais representantes da corporação para as câmaras municipais, para os legislativos estaduais e o Congresso Nacional, já que os governos, apesar do aumento permanente da criminalidade, parecem não ter outra resposta do que a contratação constante de mais policiais e equipamentos, em um processo perene e ininterrupto que já ameaça o orçamento de muitas unidades da federação.  

A sociedade - e o próprio governo - parecem não entender que para cada dois presos sem julgamento, um deles sairá da cadeia transformado em bandido, e que para cada "bandido" morto em duvidosa situação de conflito, muitos de seus filhos se levantarão, quando crescerem, para combater o Sistema e a polícia, em um círculo vicioso que só pode levar à morte de cada vez mais civis, e de cada vez mais policiais.

É preciso entender que a saída dessa pandemia de violência só pode estar na reformulação de uma legislação penal, infelizmente, cada vez mais conservadora e anacrônica, com a aplicação real de leis como a que impede a prisão de usuários de drogas "ilícitas", e, no limite, a legalização de certas algumas delas, passando seu controle para o estado, no lugar de deixar o dinheiro nas mãos do tráfico e de corruptos de todos os tipos que por ele são alimentados.

“O proibicionismo é um modelo macabro, que produz mortes principalmente de pessoas pobres, que não têm voz e morrem como baratas no Brasil inteiro”, afirmou, em novembro do ano passado, em um seminário denominado “Drogas: Legalização + Controle”, o coronel reformado - ex-comandante de Batalhão e ex-chefe do Estado Maior Geral da PM do Rio de Janeiro - Jorge da Silva, informa o Portal da Organização Ponte - Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos.

“Estou muito cansado de ver policiais morrendo”, disse também, na mesma ocasião, o detetive-inspetor Francisco Chao, que atua há 19 anos na Polícia do Rio, com passagem por unidades como a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). “Eu gostaria muito, antes de me aposentar na polícia, e faltam dez anos, de ver o fim da insanidade dessa guerra, que não interessa à polícia e nem à sociedade.”

É preciso “falar claramente sobre a necessidade da legalização e consequente regulamentação da produção, do comércio e consumo de todas as drogas”, explicou o delegado Orlando Zaccone, na abertura do mesmo evento, organizado pela LEAP - Associação dos Agentes da lei Contra a Proibição - Brasil e o Fórum Permanente de Direitos Humanos da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro.

A LEAP - também segundo a matéria - soma 236 membros, dos quais 167 são policiais, a maioria deles da ativa, do Distrito Federal e mais 21 estados brasileiros, e conta com mais 1250 apoiadores. “Nós defendemos a legalização de todas as drogas. E sabem por quê? Porque nós somos ‘maus’”, ironizou Zaccone. “E somos ‘maus’ porque os ‘bons’ estão produzido um dos maiores genocídios da História”.

Não há crime que possa ser executado por alguém que cheirou cocaína, fumou um baseado ou uma pedra de crack, que não possa ser cometido por alguém sob o efeito de uma garrafa de uísque ou de cachaça, e a publicidade de bebida continua presente nos mesmos meios de comunicação que vociferam, todos os dias, contra a violência, enquanto nossos jovens, de todas as classes, começam - inspirados pelos comerciais de cerveja na tv - a beber cada vez mais cedo, como primeiro passo e porta de entrada para o consumo de todo o tipo de droga, a começar pelo cigarro, a que mais mata legalmente.

A polícia brasileira não é melhor nem pior do que qualquer outra polícia do mundo, mas precisa investir mais em inteligência e menos na força bruta e na violência desatada no combate ao crime. Mais no policiamento preventivo que no ostensivo, que acaba,  infelizmente, transformando uma minoria de policiais em desequilibrados impunes, que, no lugar de servir a população, ameaçam, intimidam,  matam e torturam.

Enquanto isso, soluções estapafúrdias procuram aumentar, no lugar de diminuir, o fosso que separa a polícia dos outros cidadãos, transformando o agente de segurança em uma espécie de casta superior, diferente e intocável.

Acaba de ser sancionada a lei que transforma em crime hediondo a lesão corporal e o assassinato de policiais, ou de seus parentes até o terceiro grau.
Essa é uma lei equivocada, que dificilmente diminuirá a morte de policiais.

Primeiro, porque ela quebra o princípio da isonomia.

É preciso que se entenda, que quando morre um policial, morre um pedaço de toda a Humanidade, e o mesmo ocorre quando morre, em qualquer lugar do mundo, qualquer outro ser humano.

Em segundo lugar, porque se queremos que um policial, um soldado, um bombeiro, até mesmo com seu próprio risco, salve uma vida,  precisamos que ele aprenda que a vida de qualquer ser humano que ele jurou defender vale, no mínimo - em face do heroico sentido do dever - o mesmo que a sua.

E finalmente porque, infelizmente, hoje, em muito lugares, a morte de policiais é um troféu altamente cobiçado. E essa lei pode ter um efeito contrário. O de aumentar o valor do prêmio por suas cabeças.

9 de jul. de 2015

A ODEBRECHT E O BNDES





(Jornal do Brasil) - Nos últimos dias, jornais e portais deram destaque para a informação de que os financiamentos à Odebrecht pelo BNDES teriam “disparado” de 2007 para cá, e de que diplomatas brasileiros servindo em outros países e na Venezuela, teriam apoiado a empresa e comemorado, em comunicados e correspondência interna,  o fato dela ter aumentado nos últimos anos seus negócios no exterior. 

Chama-se  a atenção para isso, como se houvesse algo de irregular nesses dois fatos. 

Primeiro, o de o nosso maior banco de fomento, que carrega os adjetivos “econômico” e “social” no nome, financiar,  para clientes internacionais da maior empresa de engenharia e construção da América Latina, a aquisição de produtos e serviços brasileiros. 

E, em segundo lugar, o  de diplomatas brasileiros darem suporte à expansão de empresas nacionais no exterior, como fazem, por milhares de vezes, embaixadores e encarregados de negócios  norte-americanos em todo o mundo, como pode ser visto  em centenas de telegramas publicados no Wikileaks.  

Segundo esse dados, os financiamentos do BNDES para clientes da Odebrecht no exterior, teriam passado de uma média de 166 milhões de dólares por ano, de 1998 a 2005, para um bilhão de dólares, em média, depois, até 2014. 

Uma quantia que equivale a um percentual - como a mesma matéria acaba informando mais adiante -  de apenas 8,4% dos contratos totais da Odebrecht fora do Brasil no período, que foram de 119 bilhões de dólares, em sua maioria emprestados por bancos internacionais - o que mostra que o BNDES não está sozinho em sua confiança na empresa - para o financiamento da execução de projetos de seus clientes em outros países. 

Para se ter uma ideia, os recursos do BNDES para financiar pagamentos à Odebrecht alcançaram em 2014 apenas 7% dos 14 bilhões de dólares que a empresa faturou no ano passado. 

No entanto, ao ler a matéria, muitos leitores podem ser levados a pensar que esse aumento foi apenas para a Odebrecht, ou, como dizem muitos, que o BNDES tem investido preciosos recursos fora daqui, no lugar de aplicá-los em projetos dentro do Brasil.

Isso seria verdade, se, nos últimos anos, o BNDES tivesse subtraído de seu orçamento histórico, sem aumentá-lo, dinheiro para obras no exterior e se essas obras não tivessem criado milhares de empregos para brasileiros, dentro e fora do país.    

Mas o que ocorreu foi exatamente o contrário. 

Os desembolsos do BNDES, para financiamento de todos os setores da economia,  passaram de menos de 35 bilhões de reais, em 2002, para 187 bilhões de reais em 2014.   

E mais, se de 1990 a 2006, em 16 anos, o dinheiro emprestado pelo BNDES EXIM, o seu braço de apoio a exportação, foi de aproximadamente 23 bilhões de dólares, ele subiu, em apenas sete anos, de 2007 a 2014, para mais de 40  bilhões de dólares - para sermos exatos, 128 bilhões de reais, beneficiando não apenas a Odebrecht e outras grandes empresas, mas, por meio delas, milhares de pequenas e médias empresas brasileiras.

Outra impressão que fica, para certo tipo de público, ao ler o texto, é que a Odebrecht parece ser uma organização “terceiro-mundista”, “comunista” e “bolivariana”, que apenas graças ao apoio do PT se expandiu no mundo.

Como projetos da Odebrecht no exterior, são citados o metrô de Caracas e de Los Teques, na Venezuela - o primeiro financiamento para essa obra foi do governo Fernando Henrique Cardoso - centrais hidroelétricas e termelétricas no Equador, Angola, Peru, República Dominicana, um gasoduto na Argentina, aeroportos “como o de Nacala, em Moçambique”, e o onipresente, na imprensa brasileira, de uns tempos para cá, Porto de Mariel, em Cuba.

Mas não se diz, para maior informação dos leitores, e de toda a sociedade brasileira, que, se a Odebrecht fez obras no porto de Mariel, em Cuba, também as fez no Porto de Miami, como a infra-estrutura que permitirá  receber os super-cargueiros  que atravessarão o novo  Canal do Panamá, ampliado; que se faz obras no aeroporto de Nacala, em Moçambique, também as faz no aeroporto de Miami - o novo Terminal Norte do Miami Airport, construído pela Odebrecht, recebeu o prêmio Global Best Projects, da conceituada revista ENR, Engineering News-Record  - ou nos aeroportos de Orlando e de Fort Lauderdale; que se faz metrô subterrâneo na Venezuela,  também já fez um tipo de metrô (suspenso - foto) em Miami;  rodovias como a Route 56, na Califórnia, a SR 836/I-395 na Flórida, ou a Sam Houston e a Grand Parkway, no Texas, viadutos como o Golden Glades e estádios como a American Airlines Arena, em Miami, centros culturais como o Adrienne Arsht Center for Performing Arts, na mesma cidade, sistemas de proteção hidraúlica e ordenamento hídrico contra enchentes, como a Barragem de Seven Oaks, na Califórnia, ou o LPV-9.2, que protege as estações de bombeamento do Lago Pontchartrain, na Louisiana, contra furacões. 

Tudo isso nos Estados Unidos, país em que está presente desde 1990, e no qual emprega - entre eles muitos brasileiros - milhares de trabalhadores de 33 diferentes nacionalidades.

Como vemos, a situação está tão surreal e absurda, que, mesmo que a capital da Odebrecht, fora do Brasil, seja Miami - a cidade mais conservadora dos EUA - e  não Havana, o seu presidente está preso e é execrado, diariamente, nas redes sociais brasileiras, pelo suposto  “bolivarianismo” de sua empresa e eventuais “ligações” com o PT.  

Já faz algum tempo que o BNDES tem sido atacado violentamente  nas redes sociais. 

Pretende-se, no “liberou geral” da prorrogada, persistente, duradoura, temporada de Caça ao Chifre na Cabeça de Cavalo, ou de cabelo, em casca de ovo, envolver, “de boca”, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social com alguma irregularidade. 

Tornou-se corriqueiro dizer que há uma “caixa preta” do BNDES, que, quando aberta, abalaria a República - nos círculos mais ignorantes segue viva a lenda urbana de que a família Lula é dona da FRIBOI, também beneficiada por financiamentos do banco - quando se trata de uma das mais sérias e competentes instituições brasileiras, e de um esteio de grande importância para o desenvolvimento econômico e social do país.   

Outro mito recorrente, nos últimos tempos, é que as operações do BNDES no exterior teriam causado rombo no tesouro e dado bilhões de dólares em prejuízo ao país.

Ao contrário do que muitos pensam,  o BNDES não tem costume de salgar carne podre e é uma das instituições mais sólidas do mundo.  

O índice de Basileia exige mais que 11%, quando o do BNDES é de 15,9%. O Capital Principal tem que ser de mais de 4,5%, quando o do BNDES é de 10,6%. A Exposição Cambial tem que ser de menos 30%, quando no BNDES ela é de apenas 4,8%. A exposição ao Setor Público deve ser de menos de 45%, quando no BNDES é de 26,2%. A imobilização deve ser de menos de 50%, quando no BNDES, ela é de apenas 11,4%. Os dados são de dezembro de 2014. 

Os seus ativos aumentaram de 782 para 977 bilhões de reais (eram de menos de 43 bilhões em 2002) entre dezembro de 2013 e um ano depois. O Patrimônio Líquido subiu de 60 para 66 bilhões de reais, a inadimplência manteve-se em modestíssimos 0.01% e os lucros, o Resultado Líquido, subiu de 8.150 para 8.594 bilhões de reais no final de 2014.

O que atrapalha a expansão da infra-estrutura no Brasil não é a falta de dinheiro. É a ortodoxia monetária que impede que o governo se endivide, eventualmente,  para desenvolver - e até mesmo defender - o país, como costumeiramente fazem nações como os Estados Unidos, que estão entre os maiores devedores do mundo, e todo tipo de empecilho e de sabotagem que fazem com que obras como a Hidrelétrica de Belo Monte - e a própria refinaria Abreu e Lima - já tenham enfrentado dezenas de interrupções.    

O Congresso aprovou o fim do sigilo das operações de financiamento exterior do BNDES - vetado pela Senhora Dilma Roussef - como se essa norma fosse praticada em bancos de apoio à exportação de países como a Coréia do Norte, quando ela faz parte do comportamento normal - para não entregar de graça informações para a concorrência - de bancos e instituições semelhantes em nações como a Alemanha (KFW), Canadá (Banco de Desenvolvimento do Canadá), Espanha (ICO), e a JFC- Japan Finance Corporation e o JBIC - Japan Bank for International Cooperation, do Japão.          

Não temos maiores simpatias pela Odebrecht do que teríamos com relação a qualquer empresa que gerasse o número de empregos que gera e que fosse da importância estratégica que tem para o Brasil, já que ela está à frente, entre outros importantes projetos - condição também ameaçada pelos problemas que está vivendo agora - da construção de nossa nova base de submergíveis, de vários submarinos convencionais e do novo submarino atômico nacional. 

Também acreditamos que já passou da hora de empresas que são financiadas pelo BNDES no exterior promoverem uma ação institucional coletiva para explicar ao público como funcionam os financiamentos dessa instituição nessa área e a importância da exportação de serviços de engenharia para o Brasil e a economia nacional, e do BNDES fazer o mesmo, já que tem o dever de prestar contas à população.

Mas o primeiro compromisso de um jornalista é com a verdade.

E a verdade, para além dos fatos já citados, é que grandes nações não se fazem sem grandes bancos públicos, como o BNDES, para financiar seu desenvolvimento e suas exportações, sem uma diplomacia ativa em defesa dos interesses nacionais e sem grandes grupos empresariais, especialmente das áreas de engenharia e infra-estrutura, que possam apoiar a venda de seus produtos e serviços e projetar - para lugares menos e mais desenvolvidos que o nosso - a imagem de um  país atuante e competente lá fora.

Os financiamentos do BNDES no exterior garantem um milhão e quinhentos mil empregos no Brasil, e a sobrevivência de milhares de empresas brasileiras, como as que fornecem serviços e produtos para clientes da Odebrecht no exterior, cuja lista, (apenas das maiores) retirada do site da empresa, fazemos questão de publicar depois deste texto.     

São instrumentos de financiamento, apoio governamental, know-how avançado, entre outros - que distinguem os países fortes e bem sucedidos dos mais dependentes e fracos, e que abrem caminho para o avanço de certas nações em detrimento de outras, em um planeta cada vez mais complexo e competitivo.

E há nações que a isso se arriscam, ou estão impedidas - infelizmente, até mesmo de dentro - de alcançar o desenvolvimento e o progresso, pela emersão, insidiosa, de uma quinta-coluna em que desfilam, ombro a ombro, o arbítrio, a intriga, a hipocrisia, a subserviência com os de fora, a intolerância com os mais fracos, a manipulação, o auto-preconceito e a ignorância.



































3 de jul. de 2015

A RESPOSTA DE OBAMA





(Jornal do Brasil) - Se há uma cena emblemática, que passará à história, marcando a visita da Presidente Dilma Roussef aos Estados Unidos, neste ano, esta será a resposta dada pelo Presidente Barrack Obama, na coletiva de imprensa dos dois líderes, na Casa Branca,  à pergunta de uma jornalista “brasileira”, dirigida à Presidente da República.

A entrevistadora tinha acabado de voltar a se sentar e olhava para seu alvo, depois de fazer a pergunta (quem quiser saber porque Dilma às vezes tem dificuldades de falar de improviso, que se habilite a ser interrogado, espancado e torturado ao longo de alguns meses, “travando”  desesperadamente a fala e a mente para evitar passar informações das quais depende sua vida e a de terceiros), sem conseguir ocultar das câmeras a incontida e malévola expressão de quem estava pre-libando a situação em que achava que ia colocar a Presidente da República. 

Quando Obama, que também foi  indagado - em outro explícito exercício de viralatice - sobre assuntos internos brasileiros, dizendo - o que deveria ser óbvio para qualquer um que respeite a presunção de inocência, o apreço à verdade e a  responsabilidade da imprensa - que não se deve fazer manifestações sobre casos que ainda estão em julgamento, respondeu que o Brasil é, hoje, uma potência mundial, e não de ordem regional, como pretendia sugerir, antecipando descaradamente a posição dos EUA, a entrevistadora.   

Ao contrário do que muitos pensam, o Presidente Barrack Obama não interveio apenas para ser gentil, embora ele tenha  problemas com a sua própria oposição de direita, e até mesmo de extrema-direita, que vai dos representantes dos W.A.S.P. - os conservadores brancos na Câmara e no Senado, aos latinos anticastristas e aos malucos religiosos, anacrônicos e fundamentalistas do Tea Party, sem falar nos “falcões” republicanos no Congresso, que acham que é preciso lutar contra países como o Brasil, para tentar manter-nos “sob controle”. Contra ele, assim como ocorre com Dilma, também há charges anticomunistas de inspiração fascista na internet, embora o Presidente dos EUA possa ser, eventualmente, graficamente, até mesmo  associado ao nazismo,  por grupos externos que combatem a política exterior norte-americana.

Ele o fez porque se relacionava, a pergunta, a uma nação que é a quinta maior do mundo em tamanho e população, com um território maior do que a extensão continental dos EUA sem o Alaska.

Com um PIB que cresceu, segundo o Banco Mundial, de 508 bilhões de dólares em 2002 - (WB1 link) para 2.346 trilhões de dólares em 2014 (WB2 link).

Cujos nacionais dirigem organizações como a FAO ou a Organização Mundial do Comércio.

Que comanda as tropas da ONU no Haiti e no Líbano.

Que tem a mais avançada tecnologia de exploração de petróleo em alto-mar, é o segundo maior vendedor de alimentos do planeta, depois dos Estados Unidos, e o terceiro maior exportador de aviões.

Que pertence ao G-20 e ao BRICS - a única aliança capaz de fazer frente à  aliança “ocidental” e anglo-saxônica estabelecida nos últimos 200 anos, que é encabeçada, justamente, pelos Estados Unidos.

Que organiza a integração continental ao sul do Rio Grande, como principal nação da CELAC, da UNASUL, do Conselho de Defesa da América do Sul.

Que é a sétima maior economia do mundo, o oitavo país em reservas internacionais, a pouco menos de quinze bilhões de dólares da sexta posição (monetary reserves link) e, segundo informações oficiais do tesouro norte-americano, o terceiro maior credor individual externo dos EUA, (US TREASURY link).

E, finalmente, porque se ficasse calado, diante da enorme  obviedade da resposta, teria sido ele, Obama, a passar  ridículo - como um anfitrião que permite, entre horrorizado e constrangido, que ocorra uma monstruosa “gaffe” em sua sala - e não a autora da pergunta.  



UM POUCO DO QUE ESTÁ EM RISCO COM A DESTRUIÇÃO PROGRAMADA DAS NOSSAS EMPRESAS DE DEFESA






O estaleiro MAUÁ (EISA), do Rio de Janeiro, acaba de suspender suas atividades. Mais uma vez, é necessário lembrar, é preciso punir os corruptos. Todos. Mas não acabar com as nossas maiores empresas de engenharia, da indústria naval, e de defesa.

1 de jul. de 2015

O SENADO E O "TERROR".


(Hoje em Dia) - Com a discussão no Senado da criação de uma lei “antiterrorista”, tem gente que anda dizendo por aí que o Brasil precisa “acordar” para o “terror”. O que não devemos é despertá-lo, cutucando a onça com vara curta, quando o felino não nos diz respeito e nunca nos ameaçou.

Na verdade, o que está por trás do discurso do “antiterrorismo”, com a desculpa da aproximação das Olimpíadas de 2016, é a mal disfarçada intenção de acelerar o alinhamento ideológico do Brasil com Washington e com países que atuam como auxiliares dos EUA em sua veleidade de agir como xerife do mundo, e que, como eles, invadem e bombardeiam outros países, e pagam caro por suas políticas de intervenção.


O Brasil, além de não seguir essa linha, nem mesmo durante o regime militar, tem, graças aos constituintes de 1988, o princípio de não intervenção em assuntos internos de outros países – cujo alcance e lucidez não é compreendido por quem quer se meter na vida alheia e dar lições aos outros, no campo dos direitos humanos, quando temos 50 mil assassinatos por ano e 40% da população carcerária detida em condições animalescas, sem ter sido ainda julgada – consubstanciado na sua Constituição.


Macaco velho não mete a mão em cumbuca.


Quem brada por uma lei antiterrorismo no Brasil – entre eles sionistas e norte-americanófilos infiltrados em nossas redações – tem que entender que a sua criação e implementação não será outra coisa mais do que o primeiro passo para que os principais grupos terroristas do mundo – incluindo os árabes e muçulmanos, com quem não temos problemas até agora – passem imediatamente a nos ver como inimigos potenciais, atrelados ao discurso anti-islâmico “ocidental”, quando, até este momento, para eles somos indiferentes, e para que atentados como os que afetam países que abjetamente seguem a política norte-americana – como a Espanha – passem a acontecer por aqui.


Isso, para não dizer que, além de absolutamente inapropriadas e contraproducentes, estratégica e diplomaticamente, leis antiterroristas são absolutamente inócuas, inúteis, do ponto de vista prático, a não ser para justificar mais abuso de poder e arbitrariedade contra os cidadãos, já que os países que as possuem são feitos de gato e sapato pelos grupos “terroristas” que os atacam, como ocorreu nos EUA, no controvertido atentado do dia 11 de setembro de 2001, e como ocorre frequentemente nos países vassalos que lhe prestam auxílio militar, em países como o Iraque ou o Afeganistão.


Não existe lei antiterrorista que segure alguém que esteja disposto a explodir a si mesmo em defesa de uma causa ou de uma religião.


A melhor lei antiterrorista que existe é lembrar, senhores legisladores, as sábias palavras de Tancredo Neves, que dizia que "cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém", não se meter na vida alheia, e, no afã de mostrar subserviência a interesses externos, não querer ser mais realista que o rei.