1 de jun de 2011

URGÊNCIA NA AMAZÔNIA

Se os estados amazônicos são incapazes de impor a lei nos territórios de sua jurisdição, cabe ao governo federal neles intervir, como prevê a Constituição e aconselha a necessidade de que se salve a República.

O que está ocorrendo no Pará e em Rondônia é um desafio aberto à sociedade brasileira. Jagunços, a serviço dos grandes proprietários (o chamado agronegócio) e dos devastadores das matas para a exploração das madeiras nobres e o fabrico de carvão, estão matando, impunemente, pequenos lavradores e líderes extrativistas, que se opõem aos crimes cometidos contra a natureza e defendem suas pequenas posses contra os grileiros. Não cabem eufemismos nem subterfúgios. A realidade demonstra que os mandantes contam com a cumplicidade explícita de algumas autoridades locais, não só do poder executivo como, também, do sistema judiciário. E, ao lado dos pistoleiros, atuam parcelas da polícia militar e civil da região.

Se houvesse dúvida dessa teia de interesses que protegem os criminosos, bastaria a manifestação de regozijo de parte dos parlamentares da bancada ruralista e de sua claque, quando, no plenário da Câmara, se ouviu a denúncia dos assassinatos mais recentes, feita pelo deputado Zequinha Sarney.

A repetição dos assassinatos no campo é, em si mesma, intolerável afronta à sociedade brasileira, em qualquer lugar que se dê. Mas, no caso da Amazônia, é muito mais grave, porque ali se acrescenta a questão da soberania nacional. A inação do Estado alimenta a campanha que, nos países europeus e nos Estados Unidos, se faz contra a nossa jurisdição histórica sobre a maior parcela da Hiléia, sob o argumento de que não temos condições de exercê-la e mantê-la. Se não somos capazes de impedir o assassinato da floresta e de seus defensores, os que cobiçam as nossas riquezas se sentirão estimulados a intrometer- se em nossos assuntos internos, sob o estribilho que precedeu a invasão de muitos países, o da defesa dos direitos humanos.

Há décadas que vozes sensatas têm clamado para que a questão amazônica seja vista como a mais exigente prioridade nacional.

O Brasil é convocado a ocupar a Amazônia – ocupar, mesmo, embora sem destruí-la – criar sistema eficiente de defesa das fronteiras, proteger sua população civil e promover o desenvolvimento sustentado da área.

Trata-se de uma guerra que estamos perdendo, porque não a enfrentamos como é necessário. As nossas Forças Armadas, destacadas na região, lutam com todas as dificuldades. Faltam- lhes equipamentos adequados às operações na selva e nos rios; os contingentes não conseguem ocupar todos os pontos táticos e estratégicos da região e, em alguns casos, não há suprimentos para a manutenção das tropas.

Nos últimos vinte e cinco anos, de acordo com relatório da Comissão Pastoral da Terra, 1.581 ativistas foram assassinados na luta contra grileiros, agronegocistas e madeireiras – a imensa maioria na nova fronteira agrícola do Norte.

Não bastam as declarações do governo, nem a convocação de grupos de estudos. O bom-senso indica que o governo federal terá que convocar as três forças nacionais a fim de ocupar a Amazônia, identificar e prender os criminosos e mandantes.

É crucial criar sistema de controle da exploração madeireira e de outras riquezas, o que hoje é fácil, graças ao GPS, ao monitoramento de caminhões por satélite e outros instrumentos eletrônicos.

Há centenas de brasileiros, ameaçados de morte, porque estão fazendo o que não fazem as autoridades locais: defendem a natureza e a soberania do Brasil sobre os seus bens naturais e a vida dos indígenas e dos caboclos, reais desbravadores da região.

Para que não sejamos obrigados a uma guerra externa, contra prováveis invasores estrangeiros – que aqui virão em busca dos recursos naturais que lhes faltam – temos que travar e vencer a guerra interna contra os bandidos, pistoleiros e os que lhes pagam.

Este texto foi publicado também nos seguintes blogs:

http://www.jb.com.br/jb-premium/noticias/2011/06/01/mauro-santayana-coisas-da-politica-38/

http://www.exercito.gov.br/web/imprensa/resenha;jsessionid=97B21F60F5FFFAB343F675FD6F20B893.lr1?p_p_id=arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mo

https://www.defesa.gov.br/phocadownload/arquivos_resenha/2011-06-01/2.jb%20-%2001%20jun%2011.pdf

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/06/01/santayana-e-a-matanca-de-ativistas-na-amazonia/

http://www.portalcwb.com/santayana-e-a-matanca-de-ativistas-na-amazonia.html

http://grupobeatrice.blogspot.com/2011/06/urgencia-na-amazonia.html

http://opensanti.blogspot.com/2011/06/urgencia-na-amazonia.html

http://jaderresende.blogspot.com/2011/06/urgencia-na-amazonia.html

http://gilsonsampaio.blogspot.com/2011/06/urgencia-na-amazonia.html

http://www.pedroeugeniopt.com.br/blog/?p=1251

http://irineumessias.blogspot.com/2011/06/santayana-e-matanca-de-ativistas-na.html

http://contrapontopig.blogspot.com/2011/06/contraponto-5467-urgencia-na-amazonia.html

http://chebolas.blogspot.com/2011/06/supremo-tribunal-da-direita-suprema.html

http://analisedeconjuntura.blogspot.com/2011/06/urgencia-amazonica.html

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/06/guerra-no-campo-e-urgencia-na-amazonia.html

7 comentários:

Maurício Porto disse...

Prezado Mauro, como sempre,você escreveu um importante artigo. Permita-me apenas uma única e importante crítica: você deixou de citar, a meu ver, os verdadeiros e maiores inimigos da nossa Amazônia e do Brasil. São eles, na minha opinião, as ONGs transnacionais, Greenpeace e as WWFs da vida!

Transcrevo abaixo, um trecho da matéria publicada pelo site Alerta Científico e Ambiental:

No próprio dia da votação, o indefectível Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace, fez a ligação direta dos assassinatos com a aprovação do projeto de lei: "O Brasil acordou hoje com a notícia do assassinato de um defensor da Floresta Amazônica. foi dormir com a notícia de que a maioria dos nossos deputados aprova o assassinato de nossas florestas (Greenpeace, 24/05/2011)."
Adario voltou a repetir a acusação em um artigo publicado no jornal inglês The Guardian, em 27 de maio, com o capccioso título "Brasil coloca em risco recorde de proteção com propostas de mudança no Código Florestal", e um subtítulo que contém uma chantagem explícita à presidente Dilma Rousseff: "Se a presidente falhar em deixar intacta a presente lei florestal, ela quebrará as próprias promessas que a elegeram." No texto, o diretor da transnacional ambientalista afirma:

Os agricultores estão correndo para derrubar as florestas, esperando que a nova lei os proteja de serem punidos pelos seus crimes passados. Eles estão apostando em que as novas regras lhes permitirão cortar mais florestas no futuro, e estão começando antes que tinta seque. As mortes, no início desta semana, dos importantes defensores da floresta, José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa, Maria do Espírito Santo, foram uma trágica recordação do que poderá acontecer se a impunidade for legitimada.
Uma breve amostra de manchetes de ONGs ambientalistas e da mídia internacional dá uma ideia de como a aprovação do Código está sendo apresentada à opinião pública mundial:

- Greenpeace International (25/05/2011): "Milhões de hectares da floresta equatorial da Amazônia ameaçados pelo grande massacre da serra elétrica."

- BBC Brasil (25/05/2011): "Brasil aprova código florestal 'retrógrado'."

- AFP (25/05/2011): "Interesses agrícolas do Brasil fazem um a zero contra proteção florestal."

- UPI (27/05/2011): "Nova lei facilitaria regras de desmatamento."

- Reuters (24/05/2011): "Agricultores ganham, florestas em risco com lei de terras do Brasil."

- Inter Press Service (26/05/2011): "Um dia negro para a Floresta Amazônica do Brasil."

- Financial Times (26/05/2011): "Lei florestal do Brasil, ameaça à Amazônia."

- Daily Telegraph (26/05/2011): "Brasil elimina leis que protegem grandes trechos da floresta equatorial."

A presteza e a escala dessa mobilização denotam um exemplo clássico do que alguns estrategistas denominam "guerra de quarta geração" contra os Estados nacionais, conflitos "irregulares" travados em que um dos lados é integrado por agentes não estatais. Por sua grande capacidade de influência na política interna do País, o aparato ambientalista internacional é um legítimo praticante dessa modalidade de guerra irregular, que, na verdade, se mostra muito mais eficaz do que uma intervenção militar clássica.

Não estou aqui para defender Aldo Rebelo, muito pelo contrário!
Estou aqui, neste comentário, apenas para dar minha opinião e repudiar veementemente estes Quinta-Colunas, Vendilhões da Pátria, que estão nítidamente, através destas sinistras ONGs a serviço do Imperialismo!
Concordo com tudo o que você escreveu, apenas no meu modo de ver, faltou o principal!
Precisamos urgentemente expulsar do Brasil todas as ONGs Internacionais e as Falsas Ongs Nacionais, de uma vez por todas!
Eles defendem a Amazônia para eles e não para nós brasileiros!
Um abraço, Maurício Porto do blog:
http://blogdomauricioporto.blogspot.com

Maurício Porto disse...

Caro Mauro Santayana, Eu estou esperando até agora a publicação do meu comentário, o primeiro a ser feito para este seu artigo. Até agora e nada ! Sem problemas eu o copiei e o postarei no meu blog integralmenete. Ele se refere a uma lamentável falha do seu artigo! Os maiores inimigos do Brasil, não são os madereiros e nem o agro negócio,como você infantilmente aponta. Nossos maiores inimigos são e sempre foram as ONGs transnacionais, Greenpeaces e WWFs da vida!Esta crítica eu postei no seu blog e não sei porque não foi aceita. Amanhã com certeza vou publica-lá,juntamente ao seu "ingênuo" artigo no meu blog: http://blogdomauricioporto.blogspot.com. Passar bem, senhor Mauro Snatayana.

Mauro Santayana disse...

Caro Mauricio, desculpe a demora pela publicação do seu comentário. Como sempre, obrigado pela atenção e consideração. Concordo que é preciso monitorar de perto o papel dessas ONGs, principalmente as estrangeiras, na Amazônia. Espero voltar em breve a esse tema.

Maurício Porto disse...

Meu caro Mauro Santayana, Peço-lhe um milhão de desculpas pela grosseria do meu segundo comentário. Estou realmente envergonhado, principalmente por conhecê-lo e admirá-lo profundamente, através de suas belíssimas crônicas no JB, que me fizeram manter a assinatura, por sua causa e de Fausto Wolff. Sinto-me um lixo! Mais uma vez vez, você demonstrou a sua extrema elegância fineza e sabedoria na sua resposta. Nada mais a declarar, apenas pedir-lhe o seu perdão !!! Maurício porto.

Anônimo disse...

Ao contrario das opiniões acima que as ongs são os grandes inimigos,discordo.Se são elas que relatam as nossas traições internas,deveríamos apontar os verdadeiros inimigos que são brasileiros por coincidencia, mas não dão a minima para esta país.Se green peace e ongs fazem papel de agente duplo,isso é menos mal que o nosso proprio congresso faça um retrocesso tão claro e triste e tras a tona toda a nossa cultura de coroneis que nos faz retroceder anos quando começamos a recuperar a nossa auto-estima

Mauro Santayana disse...

Prezado Mauricio, voicê não tem do que se desculpar. Ás vezes, este velho blogueiro demora para responder e moderar os comentários. Obrigado a você, mais uma vez, por nos acompanhar.

Mauro Santayana disse...

É por isso , anônimo, que estamos falando também desses maus brasileiros.