13 de fev de 2014

O DÉFICIT E O BNDES



(Hoje em Dia) - Fechadas as contas de janeiro, o Brasil teve, no primeiro mês do ano, um déficit de 4 bilhões de dólares – o maior da história - na balança comercial.


Boa parte dele veio do aumento das importações de máquinas de uso doméstico (eletrônicos e eletrodomésticos), móveis, vestuário, objetos de decoração, produtos alimentícios, automóveis de passageiros, bebidas e tabaco.

O brasileiro continua consumindo cada vez mais, mas o dinheiro gasto pela população, no lugar de ficar por aqui, está viajando para outros países, no bolso de importadores nacionais e estrangeiros, e na mala dos turistas brasileiros que gastaram, no ano passado, com viagens e quinquilharias, mais de 25 bilhões de dólares no exterior.

Esses produtos poderiam estar sendo fabricados aqui - gerando mais empregos, renda e poupança - se houvesse um pouco de consciência do consumidor, na hora de escolher a origem do que adquire. Ou uma política industrial digna desse nome, voltada para a criação de marcas nacionais fortes, e não apenas para estimular o consumo de produtos importados ou produzidos aqui por empresas de fora, que acabam prejudicando também as contas nacionais, remetendo dezenas de bilhões de dólares em remessas de lucro para o exterior.


Como não dá para reinventar a roda, e desenvolver, do zero, grandes empresas brasileiras de bens de consumo - já desistimos de ver nascer e crescer uma marca nacional de automóveis e as que tínhamos de eletrônicos e linha branca se desnacionalizaram nos anos 1990 - talvez fosse conveniente que o BNDES parasse de emprestar dinheiro a multinacionais - até mesmo do setor de serviços – e aplicássemos recursos em um programa voltado para diminuir essa sangria.

Como quase a totalidade de peças e bens de consumo que importamos vem da China - que, embora não nos compre manufaturados, foi a única que nos brindou, entre as nações industrializadas, com um superávit de quase 10 bilhões de dólares no ano passado – é à fábrica do mundo, por excelência, que deveríamos nos associar se quisermos queimar etapas na substituição de importações.

A queda da produção industrial verificada em dezembro e o avanço da desindustrialização exigem a criação de fábricas brasileiras que possam atender à demanda surgida nos últimos anos.

O país precisa, na área de consumo, de solução semelhante à que deu origem à figura da Empresa Estratégica de Defesa em 2012. Poderiam ter acesso a financiamento público e impostos diferenciados empresas com, no mínimo, 60% de controle acionário nacional, que fabricassem aqui, com, no mínimo, 60% de conteúdo local.


E, no contexto desse programa de substituição de importações, joint ventures poderiam ser estabelecidas a partir da realização de rodadas de negócios reunindo  empresas brasileiras e chinesas, sob os auspícios e a iniciativa do próprio BNDES e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

2 comentários:

romor disse...

Caro Mauro,

Em primeiro lugar quero registrar minha admiração pelo senhor. Costumo ler seus artigos com frequência e de modo geral me sinto representado em suas ideias e argumentos.

Gostaria, porém, de fazer uma observação em relação a esse texto. Em muitos casos, o consumidor brasileiro faz compras no exterior não por falta de consciência, mas devido aos preços abusivos praticados no mercado doméstico, fator ao qual podemos agregar a baixa qualidade dos produtos oferecidos.

Forte abraço,
Rodrigo Morais

Mauro Santayana disse...

Um abraço, Rodrigo.