31 de mar de 2014

EXCLUSIVO: UM TOMBO DE 6 BI - A VIVO E A RECEITA FEDERAL



(Hoje em Dia) - Enquanto o país continua pagando das mais tarifas do mundo em banda larga e telefonia celular, aumenta o descalabro nas telecomunicações e o atrevimento das multinacionais estrangeiras no Brasil.

Na semana passada – por pressão de investidores e pequenos acionistas que acreditam que os ativos da Portugal Telecom estão sendo sobrevalorizados no acordo - a CVM teve de voltar atrás de sua aprovação para o prosseguimento da fusão entre a empresa de telecomunicações lusitana e a OI, sob, o pretexto de que o Presidente da Oi, o moçambicano Zeinal Bava, tinha infringido leis brasileiras em uma entrevista.

Até a divulgação da decisão da Comissão de Valores Mobiliários na noite de quinta-feira, a fusão da Oi com a Portugal Telecom estava praticamente certa com a aprovação do aumento de capital pelos grandes acionistas, e o sinal verde dado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que aprovara a proposta em janeiro.

Agora, para completar, informações de fora do país dão conta de que a espanhola Telefónica – leia-se Vivo – que já pegou 3 bilhões de reais emprestados com o BNDES, estaria devendo mais 6 bilhões de reais, para a Receita, em impostos – como o ICMS - que ela vem contestando reiteradamente na justiça, sem fazer provisionamento no balanço, caso venha a ter que pagar.   
 
Dinheiro para quitar o que devem ao país  os espanhóis não têm. Mas continuam mandando bilhões de euros em remessas de lucro todos os anos para a matriz. E aumentaram, de 46,7% para 66% o seu capital na Telecom Itália. O que os transformou, para descrédito do sistema de regulação da concorrência no Brasil, nos controladores, de fato, da Vivo e da TIM, as duas maiores empresas de telefonia celular do país.

Como ninguém se manifesta com firmeza com relação ao assunto, os espanhóis vêm  enrolando gostosamente as autoridades brasileiras – entre elas o CADE – com medidas paliativas e cosméticas, para não dizer de aberta subestimação da  inteligência nacional.

Entre elas, destaca-se a recente “saída” de César Alierta e Júlio Linares, Presidente e Vice-Presidente da Telefónica, do Conselho de Administração da Telecom Itália, como “sinal ao Brasil”, enquanto, para seus acionistas, na Espanha, a diretoria diz que, em caso de problemas, recorrerá à justiça para defender a sua posição. 
    
Para mandar, dono não precisa ter cargo. Basta ter telefone, para ligar para seus prepostos - italianos ou espanhóis - e ordenar o que quiser, combinando eventualmente preços e tarifas para arrancar melhor o couro dos usuários da Tim e da Vivo no Brasil.

Afinal, telefone com sinal é o que não falta para os donos da Telefónica, só para os comuns mortais - como nós - que têm apresentado, com quase nenhum resultado, todos os meses, milhares de queixas contra as duas empresas, na ANATEL.

Este texto foi publicado tambpém nos seguintes sites:





























http://www.ww.gloog.com.br/news/pt_br/santayana_telefonica_eo_rombo_de_r_6_bilhoes_na_receita_vermelho/redirect_16958357.html 

28 de mar de 2014

O FANTASMA DO COMUNISMO E O GENERAL DE CHUMBO


(Jornal do Brasil) - Não satisfeitos em mentir descaradamente os golpistas que saíram às ruas, na semana passada - e não conseguiram  reunir  mais do que algumas centenas de pessoas, em suas marchas, em três capitais brasileiras -resolveram agora partir diretamente para o fake, a falsidade ideológica e a mais pura e simples fantasia.


Já há algum tempo circulam, na internet, cartas, textos, e “diretrizes” atribuídas a  um certo General Mário Márcio Von Brenner, com acusações ao governo, movimentos populares e à UNASUL.    


Segundo informações, plantadas aqui e ali na rede, o General Von Brenner - assim mesmo, com um certo “quê” de nostalgia nazista -  seria comandante de um pelotão “especial” de fronteira, e, portanto, da ativa. Nessas condições, fazer declarações políticas, seria crime e levaria à  possibilidade de um quadro de grave crise institucional.


Isso fez com que suas mensagens fossem rapidamente multiplicadas, em vários sites, de direita e de esquerda, até que alguém, em um site frequentado por militares da reserva, começou a questionar o fato de um general de exército estar, supostamente, no comando de um simples pelotão de fronteira; de seu uniforme parecer fantasia de guarda de banco, e de ele  negar-se a identificar a unidade sob seu comando.   


Vejamos a mensagem do general Mário Márcio:


“Temos recebido informações diárias sobre a atuação deste governo a respeito de sua malfadada política externa, sobre a formação de grupos guerrilheiros em nossas fronteiras ao norte do país, sobre o planejamento de grupos espúrios para atuarem (sic) contra as nossas manifestações a partir do dia 22 de março,a aplicação de uma cartilha elaborada pela UNASUL a fim de transformar o exército destes países num único exército na América do Sul.

Diante de toda esta situação, informamos que o Pentágono está acompanhando com preocupação o movimento político de toda a UNASUL [União das Nações Sul Americanas] No (sic) qual somos o país líder. Estamos preparados para enfrentar nos próximos meses a atuação deste governo e não mediremos esforços para colocar as nossas vidas a serviço do Brasil.”


Vejamos as diretrizes do “general” Mário Márcio:
- Destituição da presidente da República Federativa do Brasil;


- Instituição do Tribunal Militar para julgamento de todos os políticos, corruptos, subversivos, MST, Liga Campesina, Ongs comunistas , empresários sonegadores e simpatizantes das esquerdas ( inclusive os Black Blocs );
- Fechamento do Congresso Nacional;
- Extinção de todos os partidos políticos;


- Julgamento de todos os militares envolvidos com a esquerda e que aceitaram cargos deste governo comunista;


- Extinção das redes de TV que foram compradas por este governo, bem como suas estações de rádios;


- Transferência da capital federal, aonde Brasilia ( Sodoma e Gomorra brasiliencie) (sic) será caso do passado, para uma cidade estratégica do sul do Brasil ( não construiremos outra cidade );


- Extinção da FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA;


- Extinção de todos os ministérios criados pelo PT;


- Nomeação de Interventores estaduais que substituirão os atuais governadores;


- Toda a segurança pública ficará a cargo de uma pasta do Ministério da Defesa;


- O Ministério da Defesa terá como responsável da pasta somente um militar com todos os critérios exigidos.


Vejamos a fantasia do “General” Mário Márcio:


" A NOSSA HONRA É A LEALDADE."
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS:


Informamos a todos interessados que não coadunamos com a mudança do nome Batalhão Marechal Zenóbio da Costa para Batalhão Carlos Lamarca. Consideramos uma verdadeira afronta, foge aos princípios militares que norteam este batalhão que serviu de exemplos (sic) para as demais gerações que lá serviram.
Se tais ordens vieram da comissão da verdade, comunicamos que não conhecemos e nem aceitamos esta comissão mesmo instituída por lei, por se tratar de um grupo revanchista que tem um único objetivo – DESMORALIZAR O EXÉRCITO BRASILEIRO. Exigimos que se apurem os verdadeiros responsáveis pela mudança de nome e que todos sejam punidos exemplarmente pela justiça militar servindo de exemplo para todas as gerações seguintes. Que tais desidérios jamais serão praticados dentro da nossa instituição militar.
CONSIDERAMOS COMO OFICIAIS DA RESERVA UM DESRESPEITO AOS NOSSOS PRINCÍPIOS MILITARES, UMA DESONRA A QUEM SERVIU ESTA EGREGE UNIDADE MILITAR E UMA TRAIÇÃO AO EXÉRCITO E A PÁTRIA BRASILEIRA A QUEM SERVIMOS UM DIA.


Rio de Janeiro, 29 de setembro de 2.013


Mário Márcio Von Brenner - Integrante da Organização ORDEM NEGRA NO BRASIL.


Quais são as mensagens do “General” Márcio Mário ?


Que a UNASUL está organizando um exército único, e comunista,  na América do Sul.


Que grupos de guerrilheiros tinham sido treinados para atacar as “marchas” convocadas pelos golpistas para o sábado passado.


Que há campos de treinamento das FARCS em território brasileiro.


Que é preciso julgar todos os militares que aceitaram cargos neste governo “comunista”, ou seja, todos os oficiais das Forças Armadas, e a tropa a eles subordinada.


Que estão querendo trocar o nome do Batalhão Zenóbio da Costa por Batalhão Carlos Lamarca, o que é pura fantasia.


Que é que se pode perceber sobre do “General” Márcio Mário?


Que ele não é general e nem sequer serviu nas Forças Armadas, porque saberia que general não comanda pelotão de fronteira.


Que ele é mal informado, caso contrário saberia que não se cogita, nem nunca se cogitou, trocar o nome do Batalhão Zenóbio da Costa.


Que ele está muito enganado, quando acha que vive em um país comunista.


O Brasil não é um país comunista, mas, na verdade, poderíamos dizer, um dos mais fortes sustentáculos do capitalismo no mundo de hoje.


Mandamos mais de 25 bilhões de dólares, no último ano, em remessa de lucro para a  Europa e os Estados Unidos, ajudando esses países a sair de suas sucessivas crises. Demos, para a Europa e os EUA, um lucro de mais de 10 bilhões de dólares, na balança comercial, em 2013. 


Brasileiros gastaram, no ano passado, 19 bilhões de dólares no exterior e mais de 3 bilhões de dólares somente nos dois primeiros meses deste ano.


O governo do PT emprestou, na última década, quase 250 bilhões de dólares para o tesouro norte-americano, transformando o Brasil no quarto maior credor individual externo dos EUA, o que contribui para financiar o déficit e a gigantesca dívida pública de seu teórico “arqui-inimigo” - o país mais capitalista do mundo.


A não ser que o “general” Mário Márcio acredite que o governo que aí está seja comunista por ter adiado uma visita de Estado ao EUA, porque, como ficou comprovado, nossas mais altas autoridades estavam sendo espionadas pelos norte-americanos, assim como milhares de empresas e cidadãos brasileiros.


Ou porque fez acordos com a França – um país ocidental, democrático, capitalista – para comprar e construir, no Brasil, submarinos convencionais e de propulsão atômica. Ou porque comprou fragatas na Inglaterra. Ou, talvez, porque tenha desenvolvido novos radares para o exército, ou, quem sabe, porque encomendou 2.000 blindados leves desenvolvidos pela Força Terrestre, para serem construídos no Brasil.


Ou porque tenha autorizado o  desenvolvimento da nova família de fuzis IA-2, 100% nacional, fabricada, pela IMBEL, em Itajubá, ou, porque, finalmente, comprovando seu esquerdismo, tenha comprado da Suécia, um país reconhecidamente “radical” e “marxista”, a tecnologia para desenvolver, em parceria, os 36 caças Grippen NG-BR que equiparão a FAB.


O que ocorre, hoje, no Brasil, é que se está confundindo, mais uma vez, pregar a quebra do Estado de Direito com fazer política. Todos temos – e tem havido momentos que beiram a agressão por parte tanto do governo como da oposição – o direito de abusar, eventualmente, da emoção, no calor do embate político - desde que respeitadas as regras, começando pelo Artigo Primeiro, que reza:  “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”


Não se pode, portanto, flertar, nem compactuar, com aqueles que defendem, sem qualquer pudor, como ocorre hoje, na internet, a volta da tortura, dos assassinatos, o fim da prerrogativa dos cidadãos brasileiros de escolher seu futuro pelo voto e dos direitos e liberdades individuais.


Até porque, como vimos antes, há 50 anos, muita gente – civis e militares – que apoiaram no início a ditadura, acabou sendo devorada por ela como fez Cronos com seus filhos.


Não existe alternativa à democracia a não ser a barbárie, o caos, o pega pra capar, a guerra civil, o caos social e econômico, com a paralisia do Estado e da economia e o isolamento do Brasil do resto do mundo.


Como fake, o General Mário Márcio, no comando de um inexistente pelotão de fronteira, é tão inofensivo quanto um soldadinho de chumbo.


Como manobra de contrainformação, trata-se de desrespeito - para não dizer deboche - aos oficiais de verdade, que estão no comando da instituição; e de uma tentativa, infeliz, diga-se de passagem, de denegrir as nossas Forças Armadas – com o intuito de subverter a ordem e de promover o ódio e a desunião no seio da sociedade brasileira.


Cabe agora, ao Ministério Público, com a ajuda da Polícia Federal, identificar e punir o autor da “brincadeira”. 

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27 de mar de 2014

A ESCOLHA DE KIEV


(Hoje em Dia) - O Presidente Obama afirmou, em entrevista, para a imprensa holandesa, que Kiev “não precisa escolher entre leste e oeste”, e que é importante que o povo ucraniano tenha boas relações com a Rússia, os EUA, e a Europa.

Os ucranianos deveriam agradecer penhoradamente esse conselho, e lembrar que era exatamente isso que estavam fazendo antes que o Ocidente se metesse no país.

Kiev poderia ter sobrevivido, por muito tempo, com seu território intacto, se tivesse continuado seu movimento pendular tradicional, inclinando-se ora para o Ocidente, ora para a Rússia, buscando obter vantagens dos dois lados.

Ao dar ouvidos à OTAN, esticando a corda ao máximo, a ponto derrubar o governo, os neonazistas que assumiram o poder obrigaram a Ucrânia a queimar seus navios, sem olhar para trás.

Com isso, Kiev perdeu a Criméia, o mercado russo para seus produtos, o dinheiro prometido por Putin, e muito mais.

Depois de botar fogo na fogueira, o Ocidente - como se pode ver pelas declarações de Mr. Obama, está, apesar da retórica agressiva somada a “sanções” praticamente inócuas, tentando salvar a cara enquanto pensa em um jeito de se afastar do atoleiro  ucraniano.

Kiev deve 170 bilhões de euros, e precisa de 50 milhões de metros cúbicos de gás, todos os dias, para tocar a economia e não congelar.

Mesmo que fosse possível convencer a população europeia a pagar a conta, quando ainda sofre com as graves consequências da crise econômica, ainda haveria a questão do gás.

O engenheiro enviado pelos EUA para estudar a situação, disse que seria possível assegurar sete milhões de metros cúbicos de gás, até o fim do ano, desviando parte do gás russo fornecido à Europa, o que representaria apenas 14% da demanda ucraniana, para enfrentar um inexorável inverno, que, neste ano, como em todos os outros, vai chegar.

E isso, se a UE pudesse prescindir desse gás, que teria de ser pago pelos ucranianos, ao mesmo preço de mercado cobrado por Moscou dos próprios europeus.  

Ao dizer que Kiev não precisa escolher, necessariamente, entre Leste e Oeste, depois de tê-la empurrado contra Putin, os EUA estão lavando, olimpicamente, as suas mãos, como se nada tivessem a ver com a situação.

O seu recado, e o da OTAN, para os ucranianos, é o mesmo que o Coronel Pedro Tamarindo deu aos seus soldados, ao abandonar a Coluna de Moreira César, na Guerra de Canudos: em tempo de Murici, cada um cuide de si.

O que pode servir de advertência, para aqueles que, a exemplo de parte do exército de famintos, órfãos e refugiados da Primavera Árabe, se deixam seduzir pelas sinuosas sereias do Ocidente.

Elas não trazem Liberdade ou Prosperidade. Seu objetivo é destruir e fragmentar, com o seu canto – como fizeram nos Balcãs, no Iraque, no Afeganistão, no Egito e na Líbia, a unidade e a estabilidade – desde que não tenha armas atômicas - de qualquer nação que possa vir a ameaçar seus interesses no futuro. 

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24 de mar de 2014

O GATO E A LEBRE – O MÉXICO É UM PAÍS POBRE E DESIGUAL.



(JB) - A OCDE – Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Econômico, divulgou um relatório, na última terça-feira, classificando o México e o Chile, ambos formalmente sócios da “Aliança do Pacífico”, como os dois países com maior desigualdade do grupo.

Até aí, nada a estranhar, a OCDE reúne países teoricamente desenvolvidos, que exibem dados sociais - remanescentes do período anterior à crise economia – melhores do que a da maioria dos países latino-americanos, mas eles tem se deteriorado rapidamente nos últimos anos.

A dívida explodiu entre os 34 membros da OCDE, principalmente os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda e Espanha). E o desemprego aumentou para um total de 48 milhões de pessoas, 15 milhões a mais do que em 2007, alcançando em alguns lugares, como a própria Espanha, taxas próximas a 30%.

O Chile – costumeiramente apresentado como um “milagre” latino-americano, que muitos atribuem a Pinochet – consegue ser ainda mais desigual que o México.

Mas o México perde para o Chile em renda. A sua é a menor da OCDE, e uma das mais baixas entre os países latino-americanos.

O país de Zapata, também cantado pela mídia como “exemplo” para o continente, tem, segundo estatística do FMI de 2012,  renda menor que a do Chile, Uruguai, Brasil, Argentina e Venezuela.

E o pior, no lugar de crescer, ela tem diminuído nos últimos três anos. Isso, considerando-se que o México não conta com uma legislação trabalhista ou uma rede de proteção social, ou programas de renda mínima, que possam garantir um mínimo de dignidade para a população.

Na nação dos tacos e da tequila – o que explica parte de seu “sucesso” manufatureiro na montagem e maquiagem, com peças de terceiros, de produtos destinados aos Estados Unidos - sequer existe seguro-desemprego.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, quase 60% dos empregos no México são informais, contra 28% na Argentina, 34% no Brasil, 45% na Colômbia, e 45% no Peru. E quatro em cada dez cidadãos mexicanos não conseguem dinheiro para pagar uma cesta básica a cada 30 dias.

Como faziam os meios de comunicação espanhóis, que achavam que a Espanha estava uma maravilha, quando na verdade, já estava sendo engolida pela crise, os jornais mexicanos se gabam do país ter entrado para o NAFTA, o acordo que os uniu, economicamente, ao Canadá e aos Estados Unidos, e de terem assinado, com outros países,  dezenas de acordos bilaterais de livre comércio.

Mas não falam dos déficits históricos em sua balança comercial, que sua renda per capita está praticamente estagnada há mais de duas décadas, e que seu poder de compra tem caído, no lugar de aumentar,   nos últimos anos.

O problema da fome, do abastecimento e da inflação de alimentos também é muito grave no membro mais pobre do NAFTA.

Muita gente acha que o Brasil tem que parar de mandar alimentos para a Venezuela, mas não sabe que o governo mexicano está ultimando a compra, em nosso país, em caráter emergencial, de 300.000 toneladas de frango, para impedir que o preço das proteínas exploda, e que falte comida nos supermercados.

Muitos mexicanos também acreditam na balela de que o México é grande exportador de manufaturas, enquanto o  Brasil só exporta commodities - esquecendo-se que somos o terceiro maior fabricante e vendedor global de aviões.

O fato de que sejamos o maior exportador mundial de suco de laranja, café, açúcar, carnes, - além de primeiro em minério de ferro e o segundo em etanol - e de que tenhamos triplicado nossa safra de grãos nos últimos 12 anos e estejamos a ponto de ultrapassar os EUA como o maior exportador de soja do mundo, só quer dizer uma coisa: soubemos dar mais valor à segurança alimentar do que outros países latino-americanos, e hoje temos comida para abastecer nossa mesa, e para vender para o resto do mundo.
  
Na hora de ler os jornais, ouvir o rádio, ou ver os noticiários de televisão, ao ouvir falar das ”reformas” e de supostos avanços mexicanos com relação ao Brasil - quando eles cresceram a metade do nosso PIB no último ano – é bom ficar com o pé atrás e colocar as barbas de molho.

Não podemos comer gato por lebre, e seguir os passos dos mexicanos, que venderam a alma ao diabo, ao se agregar – como pouco mais que escravos e camareiros – ao sistema econômico norte-americano.

Ao nos oferecer acordos semelhantes, como a UE está fazendo agora - e os EUA tentarão fazer logo em seguida – os países “ocidentais” não vão abrir seus mercados para nossas manufaturas – pelo contrário, eles têm reduzido suas compras e aumentado as vendas para cá nos últimos anos. Irão apenas tomar, implacavelmente, das nossas indústrias, o mercado sul-americano. 

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23 de mar de 2014

O BRASIL E OS BLOCOS DA MORTE


(Hoje em Dia) - O Carnaval acabou há alguns dias, mas tem gente convocando novos blocos para sair às ruas.

Esses últimos blocos tardios, tem o nome de MARCHA DAS FAMÍLIAS COM DEUS PELA LIBERDADE.  

Os seus raivosos passistas dizem que estão com as famílias.

Mas se esquecem de outras famílias, que há cinquenta anos desfilaram em marchas semelhantes, e que – apesar disso - tiveram irmãos e filhos torturados e “desaparecidos” pelos agentes do mesmo regime que  ajudaram a colocar no poder, no dia primeiro de abril de 1964.

Os raivosos passistas desses blocos  dizem que estão com Deus.

Mas se olvidam que Deus não está com aqueles que defendem os que usaram porretes, choques elétricos e pau-de-arara. Que espancaram e assassinaram homens e mulheres indefesas, nos porões, como fizeram com seu único filho, um dia, chicoteando-o, rindo e cuspindo em seu rosto antes de cravar em sua cabeça uma coroa de espinhos, para que a usasse, sob a sombra da Cruz, a caminho do Calvário.

Eles pedem a prisão e o massacre de comunistas, como antes o faziam os nazistas, com os judeus, os ciganos, e os homossexuais.
Mas se esquecem do Papa Francisco – que defende o direito à opinião e à diversidade - que disse que não era comunista, mas que nada tinha contra os marxistas, porque ao longo da vida havia conhecido vários, que eram homens honestos e boas pessoas.

Eles dizem que estão com a Liberdade, mas defendem o assassinato e a tortura; a cassação de todos os partidos; o fechamento do Congresso e do Judiciário; o fim do direito de expressão, opinião e reunião; o desrespeito à vontade do eleitor, expressa diretamente na urna, e a derrubada de um governo eleito, em segundo turno, pela maioria dos votos de dezenas de milhões de brasileiros.

Eles dizem que estão com os militares. Mas os militares brasileiros não estão com eles.

Os militares brasileiros estão em nossas fronteiras, na Selva!, nos rios amazônicos, no horizonte amplo da caatinga, testando os novos rifles da INBEL, os Radares Saber, os blindados  Guarani, o novo Sistema ASTROS 2020. Estão na proa das novas fragatas da Marinha; na torre de nossos submarinos; na Suécia, aprendendo a conhecer os caças que darão origem aos Grippen NG BR, que serão fabricados e montados em território brasileiro. 

Os Blocos da Morte são blocos tristes, que não cantam o amor nem a alegria, que marca e contagia o coração brasileiro.


Eles usam nossas cores como fantasia, mas a mágoa é seu adereço, a frustração, sua alegoria, o ódio, seu imutável enredo. Seus passos e seus gritos são duros e o coração tão pesado quanto sua mente. Uma mente que mente, mente, mente, até para eles mesmos, e se esconde nas sombras do passado, porque teme as luzes do futuro. 

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21 de mar de 2014

O BRASIL E A AMAZONBRAS


(Hoje em Dia) - A notícia da retomada do garimpo ilegal de diamantes, na Terra Indígena Roosevelt, situada nos estados de Rondônia e de Mato Grosso, com o envio dessas pedras, por meio de contrabando, para outros países, nos leva a refletir, pela enésima vez, sobre a transformação da Amazônia em uma gigantesca Casa da Mãe Joana onde qualquer um faz o quer, burlando-se, impune e descaradamente, do Estado Brasileiro.


É incalculável o valor do verdadeiro assalto a que, nós, cidadãos brasileiros, teoricamente proprietários do patrimônio da União, somos submetidos naquela região.


São milhões de dólares em ouro, diamantes, bauxita, madeira, sementes, plantas, espécies animais, roubados, todos os dias, nos milhões de quilômetros de território amazônico, e desviados, majoritariamente, para o exterior.


Se o governo contasse com uma empresa para proteger e explorar, organizadamente, em benefício da Nação, essas riquezas, elas estariam dando lucro para o país, e não para os marginais que as estão explorando agora.


Não se pode dizer que não há dinheiro para isso, porque uma empresa como essa se autofinanciaria, gerando milhares de empregos, por meio da exploração e lapidação desses diamantes; da extração e beneficiamento; para exportação, de madeira das terras da União; do desenvolvimento de novos remédios e patentes; da exploração e fundição do ouro arrancado de rios que estão sendo destruídos, assoreados e envenenados por mercúrio nas centenas de garimpos ilegais existentes no Norte do país.


O Governo poderia enviar, imediatamente, ao Congresso, projeto criando - mais uma vez vamos tocar nesse assunto - uma Amazônia Brasileira S.A, com capital majoritariamente estatal, e participação de investidores nacionais e estrangeiros, para tocar, inicialmente, subsidiárias voltadas para as áreas de mineração, madeira, turismo e biotecnologia.


A Amazonbras poderia captar bilhões de dólares na bolsa e no exterior, e colocar, paulatinamente, um limite ao laisse-faire  e ao descalabro que impera no norte do país, onde nem a União, nem os Estados, nem os municípios, têm condições de fiscalizar e controlar o que ocorre em áreas que são, em alguns casos, maiores, que a extensão territorial de muitos países.


Estamos construindo submarinos – um deles a propulsão nucelar - comprando fragatas e navios de patrulha, e investindo bilhões de dólares para proteger nossas águas territoriais.


É um contra senso fazer isso com relação à Amazônia Azul, e permitir que nossas imensas riquezas amazônicas, em terra firme, continuem sendo descaradamente espoliadas, à vista de todos – e de outras nações – por um exército de contrabandistas e de corruptos.

Ou esses recursos naturais beneficiam a todos os brasileiros, organizadamente, ou só nos restará assistir a Amazônia continuar sendo impiedosamente explorada e destruída, até que ela se transforme em um angustiante e melancólico retrato na parede.

20 de mar de 2014

O PRÓXIMO GOLPE


(JB) - Acionado o botão de “start” da balcanização e do esfacelamento da Ucrânia - criando um novo problema para a Rússia em suas fronteiras que Putin está enfrentando resolutamente – as atenções da direita fundamentalista e do “establishment” militar e de “inteligência” dos Estados Unidos voltam-se agora para a Venezuela.


Na semana passada, o general John Kelly - não confundir com o Secretário de Estado, John Kerry - a maior autoridade do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, que abarca a América do Sul, Central e do Caribe  - compareceu ao Comitê de Assuntos Bélicos do Senado, em Washington, para falar da crise na Venezuela.


Kelly reconheceu que “não tem contato” com as Forças Armadas venezuelanas, assegurou que “por hora” elas seguem fiéis ao governo Nicolás Maduro, e sugeriu que, “provavelmente haja pressões, discussões e divergências dentro das forças armadas da Venezuela sobre a situação do país”.


Além disso, lembrou que até agora Maduro usou a polícia e não o exército para controlar as manifestações, querendo dar a entender que o Presidente da Venezuela não teria confiança em seus soldados - o que não quer dizer absolutamente nada, já que, na Venezuela, como no Brasil, a atribuição precípua das Forças Armadas é dedicar-se à defesa do país contra seus inimigos externos.                 


O fato de um general, e não um especialista civil, ou um diplomata, comparecer ao Congresso, para opinar – como um vice-rei - a propósito da situação na Venezuela, é indicativo de que a reativação da Quarta Frota norte-americana corresponde, de fato, à retomada do comportamento neocolonial dos EUA na América Latina.


Até mesmo um site, em espanhol e em português – instrumento que o Ministério da Defesa brasileiro ou o Conselho de Defesa da UNASUL já deveriam ter implementado há tempos, voltados para o público militar - já foi colocado no ar pelo Comando Sul, veiculando notícias elogiosas sobre operações de polícias, exércitos e forças de segurança da América Latina, como tentativa de aproximação e cooptação.


Ao colocar um general para falar no Congresso, os golpistas da direita norte-americana estão jogando verde para colher – e derrubar – Maduro, dirigindo-se mais à Venezuela do que ao Legislativo dos EUA.



Ao colocar em dúvida a confiança do presidente venezuelano nas suas forças armadas, sua intenção é forçar Maduro a envolvê-las com o controle das manifestações, para eventualmente provar sua lealdade – coisa que ele só fará se for néscio ou em caso derradeiro.


Ao informar que “até agora” as forças armadas venezuelanas são leais ao presidente eleito, ele quer, telegraficamente, sugerir que, se houver golpistas tentados a sublevar uma unidade, ou região, eles poderão contar com a simpatia e o apoio dos EUA.


Os Estados Unidos apostam, e torcem, há semanas - investindo firme em mídia - por rápida “maidanização” de Caracas, que possa derrubar o governo eleito e promover o caos e fragmentação do país, exatamente como ocorreu na Ucrânia.


Uma virtual guerra civil na Venezuela, com a mobilização dos mais pobres na defesa das conquistas sociais alcançadas por Chavez nos últimos anos, atrairia o envolvimento das vizinhas FARC, e indiretamente, até mesmo de  Cuba, no conflito.


O governo colombiano mobilizaria suas forças armadas para lutar contra as FARC em território da Venezuela, com o apoio dos soldados e “instrutores” que se encontram instalados, hoje, nas bases dos EUA na Colômbia.


Isso abriria caminho para uma intervenção direta – e eventualmente temporária - dos EUA na região,  por meio da Quarta Frota, recentemente reativada, e do próprio Comando Sul, comandado pelo  próprio John Kelli.


Alguns podem achar que Washington não estaria preparado política e economicamente para entrar em um novo conflito. Para a direita fundamentalista dos EUA isso é o que menos importa.

Depois de afastar a ameaça chavista, destruindo e  balcanizando - como fez com o Iraque - a Venezuela, os EUA  poderiam se “retirar” do teatro de operações, tendo atingido três grandes objetivos geopolíticos:

Enfraquecer ainda mais a economia de Cuba, que dependeria do apoio russo caso quisesse apoiar Maduro; evitar que o petróleo venezuelano continue a ser usado, no futuro, no apoio a países que não rezam pela cartilha dos EUA; e inviabilizar ou atrasar, por décadas, o processo de união e de integração do continente sul-americano, que tem sido - como se viu na votação dos países da CELAC na última reunião da OEA - firme e competentemente conduzido.  


Os EUA, no entanto, se enganam. Os estudantes venezuelanos querem reformas de Maduro, mas não entregar seu país a uma oposição teleguiada pró-norte-americana.


Não dá para aproveitar as condições da Venezuela para jogar etnia contra etnia, como está ocorrendo na Ucrânia, com os tártaros, os russos e  ucranianos - ou em outros países recém  “democratizados” pelos EUA, como o Iraque, com sunitas, xiitas e curdos; ou no Egito, com cristãos, cooptas e muçulmanos,   por exemplo.


No golpe na Ucrânia, existem indícios de que franco-atiradores armados, contratados pelos próprios manifestantes de extrema-direita, atiraram contra a multidão, para colocar a culpa no governo, e  levar à derrubada de Yanukovitch.


A mesma tática foi usada no último golpe na Venezuela, em 2002, quando se tentou derrubar Chavez pela primeira vez, acusando falsamente chavistas de terem atirado contra opositores.


O povo foi para a rua, Chavez, que tinha sido preso, foi libertado, e os integrantes do novo governo, em plena cerimônia de posse, pálidos de medo, tiveram que sair correndo do Palácio Miraflores.


Sobre isso foi feito, por jornalistas irlandeses, um magnífico documentário, que pode ser visto no link
 https://www.youtube.com/watch?v=MTui69j4XvQ


É um trabalho extremamente   didático sobre o que ocorreu com a Venezuela no passado. E sobre o que - para o bem e para o mal - pode vir a acontecer no futuro. 

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