6 de abr. de 2012

A CRUCIFICAÇÃO DE CRISTO E O SUICÍDIO EM ATENAS


(JB) - O homem que prenderam, interrogaram, torturaram, humilharam, escarneceram e crucificaram, na Palestina de há quase dois mil anos, foi, conforme os Evangelhos, um ativista revolucionário. Ele contestava a ordem dominante, ao anunciar a sua substituição pelo reino de Deus. O reino de Deus, em sua pregação, era o reino do amor, da solidariedade, da igualdade. Mas não hesitou em chicotear os mercadores do templo, que antecipavam, com seus lucros à sombra de Deus, o que iriam fazer, bem mais tarde, papas como Rodrigo Bórgia, Giullio della Rovere, Giovanni Médici, e cardeais como os dirigentes do Banco Ambrosiano, em tempos bem recentes. O papa reinante hoje, tão indulgente com os gravíssimos pecados de muitos de sua grei, decidiu, ex-catedra, que as mulheres não podem exercer o sacerdócio.

Ao longo da História, duas têm sido as imagens daquele rapaz de Nazaré. Uma é a do filho único de Deus, havido na concepção de uma jovem virgem, escolhida pelo Criador. Outra, a do homem comum, nascido como todos os outros seres humanos, em circunstâncias de tempo e lugar que o fizeram um pregador, continuador da missão de seu primo, João Batista, decapitado porque ameaçava o poder de Herodes Antipas. Tanto João, quanto Jesus, foram, como seriam, em qualquer tempo e lugar, inimigos da ordem que privilegiava os poderosos. Por isso – e não por outra razão – foram assassinados, decapitado um, crucificado o outro.

Um e outro tiveram dúvidas, segundo os evangelistas. João Batista enviou emissário a Jesus, perguntando-lhe se era mesmo o messias que esperava, e Cristo, na agonia, indagou a Deus por que o abandonava. Os dois momentos revelam a fragilidade dos homens que foram, e é exatamente nessa debilidade que encontramos a presença de Deus: os homens sentem a presença do Absoluto quando as circunstâncias o negam. João Batista sentia-se movido pela fé, ao anunciar a vinda do Salvador.

Era um ativista, pregando a revolução que viria, chefiada por outro, pelo novo e mais poderoso dos profetas. Ao saber que Cristo pregava e realizava milagres, supôs que ele poderia ser aquele que esperava, mas duvidou. Nesse momento, moveu-se pela esperança de que o jovem nazareno fosse o Enviado – o que confirmaria a sua fé. Cristo, na hora da morte, talvez levasse a sua dúvida mais adiante, e se perguntasse se a sua morte, que previra e esperara, serviria realmente à libertação dos homens – desde que salvar é libertar. O Reino de Deus, sendo o reino da justiça, é a libertação. Daí a associação entre essa felicidade e a vida eterna, presente em quase todas as religiões. Na pregação de Cristo, a libertação começa na Terra, na confraternização entre todos os homens. Daí o conselho aos que o quisessem seguir, e ainda válido - repartissem com os pobres os seus bens, como fizeram, em seguida, os seus apóstolos, ao criar a Igreja do Caminho. Se acreditamos na vida eterna, temos que admitir que a vida na Terra é uma parcela da Eternidade, que deve ser habitada com a consciência do Todo. Assim, a vida eterna começa na precariedade da carne.

Quarta-feira passada - quando em São João del Rei, em Minas, a Igreja celebrou o Ofício das Trevas no rito antigo - um grego, Dimitris Christoulas, chegou pela manhã à Praça Syntagma, diante do Parlamento Grego, buscou a sombra de um cipreste secular, levou o revólver à têmpora, e disparou. Em seu bilhete de suicida estava a razão: aos 77 anos, farmacêutico aposentado, teve a sua pensão reduzida em mais de 30%, ao mesmo tempo em que se elevou brutalmente o custo de vida. As medidas econômicas, ditadas pelo empregado do Goldman Sachs e servidor do Banco Central Europeu, nomeado pelos banqueiros primeiro ministro da Grécia, Lucas Papademos, não só reduziram o seu cheque de aposentado, como o privaram dos subsídios aos medicamentos. “ Quero morrer mantendo a minha dignidade, antes que me veja obrigado a buscar comida nos restos das latas de lixo” – escreveu em seu bilhete de despedida, lido e relido pelos que tentaram socorrê-lo, e que se reuniam na praça.

“ Tenho já uma idade que não me permite recorrer à força – mas se um jovem agora empunhasse um kalashinov, eu seria o segundo a fazê-lo e o seguiria”.

No mesmo texto, Christoulas incita claramente os jovens gregos sem futuro à luta armada, a pendurar os traidores, na mesma praça Syntagma, “como os italianos fizeram com Mussolini em Milão, em 1945”. O tronco do cipreste se tornou painel dos protestos escritos. Em um deles, o suicídio de Christoulas é definido como um “crime financeiro”.

A morte de Christoulas, em nome da justiça, pode trazer nova esperança ao mundo, como a de Cristo trouxe. Não importa muito se ainda não foi possível construir o reino de Deus na Terra, e tampouco importa que o nome de Cristo tenha sido invocado para justificar tantos e tão repugnantes crimes. No coração dos homens de boa vontade, qualquer que seja o seu calvário – porque todos os homens justos o escalam, onde quer que nasçam e morram – a felicidade os visita quando comungam do sentimento de amor de Cristo pela Humanidade. Nesses momentos, ainda que sejam apenas segundos fugazes, habitamos o Reino de Deus.

Nunca, em toda a História, tivemos tanto desdém pela vida dos homens, como nestes tempos de ditadura financeira universal. Estamos vivendo vésperas densas de medo, mas dentro do medo, há centelhas de esperança. A morte do aposentado, quarta-feira de trevas, em Atenas, é, com toda a carga trágica de seu gesto, partícula de uma dessas centelhas.

Estamos cansados de sangue, mas o que está ocorrendo hoje – teorizem como quiserem economistas e sociólogos – é a etapa seguinte do grande projeto dos neoliberais, que vem sendo executado sistematicamente pelos que realmente mandam no mundo e que assumiram sua governança (para usar o termo de seu agrado), mediante a Trilateral e o Clube de Bielderberg, controlados, como se sabe, por meia dúzia de poderosas famílias do mundo. Esse projeto é o de dizimar, por todos os meios possíveis, a população, e transformar a Terra no paraíso dos 500.000.000 mais poderosos, ricos e eleitos, em oposição à utopia cristã. Mas é improvável que os pobres, que são a maioria, não identifiquem seu real inimigo, e se sacrifiquem, sem resistência, ao Baal contemporâneo - esse sistema financeiro que acabou com a antiga sacralidade da moeda, ao emitir papéis sem nenhuma relação com os bens reais do mundo, nem com a dignidade do trabalho. A força da mensagem do nazareno deve ser retomada: os oprimidos – negros, brancos, mestiços, muçulmanos, cristãos, budistas e ateus – devem compreender que os habita o homem, e não animais distintos, destinados à violência em proveito dos promotores da barbárie.

Ao expirar, depois de torturado, ultrajado seu corpo, humilhado, escarnecido, Cristo se tornou a maior referência de justiça. Aos 77 anos, o aposentado grego, ao matar-se, transformou-se em bandeira que ameaça iniciar, na Grécia, novo movimento em favor da igualdade – a mesma idéia que levou Péricles a fundar o primeiro estado de bem-estar social, ao reconstruir Atenas, empregar todos os pobres, e dotar os marinheiros do Pireu do pioneiro conjunto de casas populares da História.Vinte séculos podem ter sido apenas rápido intervalo – um pequeno descanso da razão.


Este texto foi publicado também nos seguintes blogs:

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/04/06/a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas/

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=180142

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/04/06/santayana-a-crucificacao-de-cristo-e-o-suicidio-em-atenas/

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-suicidio-de-christoulas-e-a-velha-nova-ordem-mundial#comment-859542

http://correiodobrasil.com.br/mauro-santayana-a-crucificacao-de-cristo-e-o-suicidio-em-atenas%C2%A0/426363/

http://jaderresende.blogspot.com/2012/04/dimitris-christoulas-e-esperanca.html

http://grupobeatrice.blogspot.com.br/2012/04/tenho-ja-uma-idade-idade-que-nao-me.html

http://peroratio.blogspot.com.br/2012/04/2012367-jesus-assassinato-e-christoulas.html

http://mestreaquiles.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://lucasechimenco.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://ecoepol.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://companheirojoaocouto.blogspot.com.br/

http://opiniaodivergente.com/?p=669

http://www.blogdopaulonunes.com/v3/2012/04/08/a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas/

http://easonfn.wordpress.com/2012/04/07/a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas/

http://opedeuta.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html#comment-form

http://teacherramossblog.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/04/repartir-esta-e-suplica-da-pascoa-grega.html

http://quarteiraodasaude.blogspot.com.br/2012/04/mauro-santayana-crucificacao-de-cristo.html

http://cmeriopreto.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://www.dignow.org/post/santayana-a-crucifica%C3%A7%C3%A3o-de-cristo-e-o-suic%C3%ADdio-em-atenas-3972560-3725.html

http://www.fundacaoastrojildo.com.br/index.php/politica-e-cidadania/2195-a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas

http://buracosupernegro.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://www.comentarium.com.br/blog-det.jsp?blogID=102672

http://chebolas.blogspot.com.br/2012/04/cristao-ou-nao-aproveite-o-texto.html

http://margaritasemcensura.com/ideias/crucificacao-de-cristo-suicidio-e-rebeliao-de-atenas

http://umpovoarasca1.blogs.sapo.pt/488068.html

http://asaguirre15sc.wordpress.com/2012/04/06/cristao-ou-nao-aproveite-o-texto-brilhante-do-mestre-santayana-para-refletir/

http://wwwpordentroemrosa.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-e-o-suicidio-em.html

http://www.opensanti.com/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://franklinalves.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://news-flow.net/?news_from=Brazil&single=228439&psl=0


5 de abr. de 2012

O NOVO CERCO AO BRASIL

(JB) - Se, amanhã, os terrestres vierem acolonizar Marte, como muitos sonham, o feito será, dentro das circunstâncias dotempo e da ciência, menos surpreendente do que foi o desembarque europeu naAmérica do Sul e a ocupação do espaço ainda desconhecido. Sabemos hoje muitomais do planeta vermelho do que os contemporâneos do Renascimento podiamconhecer da América do Sul. Na realidade, nem mesmo podiam ter certeza de que aquarta parte existisse.
Nãosó a conquista do território continental, mas a construção da consciência depátria - da plena identidade e da soberania de nossos povos - tem sido atopermanente de luta e de resistência, contra a natureza hostil e contra aopressão política.
Só há dois séculos, na esteira daRevolução Francesa, da Guerra de Independência dos Estados Unidos e das guerrasnapoleônicas, admitiram a nossa existência como povo, mas sob arrogante tutelae subordinação aos seus interesses. O pior é que as coisas continuam quase damesma forma. Querem-nos apenas como fornecedores de matérias primas. Ao usar ovocábulo commodities paradesignar nossos produtos primários, osneoliberais brasileiros engambelam-nos com a sonoridade britânica do termo,como antes os colonizadores nos engabelavam com os espelhos e miçangas.Continuamos exportando minérios e comprando máquinas; exportando soja e pagandoroyalties por tecnologia; exportando produtos de nossa singular biodiversidade,e importando medicamentos.
Se houvesse sido possível a exportaçãoda cana em seu estado natural, nãoteríamos construído aqui os primeiros engenhos açucareiros. Só depois daIndependência erigimos forjas para afundição econômica do ferro; até então foices e enxadas vinham da Europa, porvia de Portugal. A independência dos paises latino-americanos foi de interesseda Grã Bretanha, que substituiu Madri e Lisboa. A partir de então, Londres selivrou dos intermediários e passou a disputar, com os Estados Unidos, quecresciam, o nosso mercado, como fornecedor de matérias primas e compradorde produtos manufaturados.
É interessante notar que todas asvezes que as circunstâncias nos ajudavam, o cerco estrangeiro se fechava sobreo Brasil – e sobre os paises do continente. Nosso desenvolvimento industrial noSegundo Reinado - em que houve, para o bem e para o mal, a aliança da Coroa comMauá - foi tolhido pela ação britânica, contra a economia brasileira e com ocerco ao grande empreendedor, cuja presença política no continente incomodava ageopolítica imperialista.
ARepública, não obstante todos os seus avanços, propiciou, pelas dificuldades políticas de sua consolidação, oassédio britânico. As negociações draconianas da nossa dívida com a praça deLondres – o famoso funding loan é oexemplo da arrogância e voracidade dos banqueiros internacionais – favoreceram odesembarque de suas empresas no país, que, logo se associaram àsnorte-americanas.
Em 1922, em uma visão históricaequivocada, os tenentes se levantaramcontra a eleição do mineiro Artur Bernardes, a partir de cartas falsas, a eleatribuídas, e que ofendiam o marechal Hermes da Fonseca. Até hoje não sabemos,exatamente, a quê e a quem serviram os falsários, não obstante as versõesdivulgadas. Era um bom momento para o Brasil, e que se frustrou em parte, namedida em que o presidente teve que defender, a ferro e fogo, o seu mandato –não tendo, em razão disso, conseguido ampliar as medidas nacionalistas adotadascontra os interesses anglo-saxônicos, entre elas as de nosso desenvolvimentosiderúrgico.
Para não lembrar episódios menores nointervalo, o cerco a Getúlio, em seu segundo mandato, é nisso exemplar. Opresidente entendera, desde os anos 30, que não teríamos soberania sem quetivéssemos a energia necessária ao desenvolvimento da economia. Por isso,cuidou da Petrobrás e da Eletrobrás, como bases necessárias à economiaindustrial brasileira.
Os interesses estrangeiros – leia-se,norte-americanos – se mobilizaram, conforme documentos ianques indesmentíveis,com a ajuda dos meios de comunicação brasileiros, e políticos cooptados, a fim de acossar opresidente até a tragédia de 24 de agosto de 1954. Não satisfeitos, desde que otíbio governo de Café Filho não os garantira, tentaram novamente o golpe, em 11de novembro de 1955, mediante os seus cúmplices nacionais. Se impedissem a possede Juscelino, como queriam - e Lacerda vociferava em seus ataques ao mineiro -a primeira medida seria a revogação do monopólio estatal do petróleo.
A reação dos militares nacionalistas,chefiados por Lott, frustrou-lhes os planos, e Juscelino pôde, em seu qüinqüêniopresidir ao extraordinário salto do Brasil rumo ao futuro - enfrentando, aomesmo tempo os interesses estrangeiros e o derrotismo conformista de muitosbrasileiros. A vitória de Jânio e sua renúncia, meses depois, esso de o o da continuaçAD e outrosinstrumentos.gonhada intromissos de comunicaçimeira medida a ser tomada interromperamo processo de consolidação democrática. A facção pró-americana, de civis emilitares, que não queria o desenvolvimento autônomo do país, também açuladapor Lacerda e outros, iniciou o processo golpista, prontamente contido pelareação de Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul. Diante daiminência da guerra civil, houve negociações que mudaram o sistema,implantando-se o parlamentarismo. Jango assumiu reduzido em seus poderesconstitucionais, outorgados pelas eleições livres, e era natural que a naçãolutasse para que ele os recuperasse, como os recuperou, com a vitória noreferendo popular.
O novo momento foi, mais uma vez, usado pelosnorte-americanos, com a desavergonhada intromissão em nossos assuntos internos,mediante o IBAD e outros instrumentos. O golpe de 1964 se fez contra o Brasil,e não em defesa da soi-disant democracia hemisférica contra Cuba e a UniãoSoviética. O que eles temiam, e continuam a temer, é a transformação de nossopaís em grande potência econômica, provida de conseqüente força militar, capazde garantir a sua presença política continental e sua soberania no mundo.

Estamos em momento similar, e emplena ascensão. Essa situação auspiciosa, é bom repetir até a exaustão,recomenda a todos os brasileiros, civis e militares, conscientes de seupertencimento à comunidade nacional, o máximo de prudência. É preciso fechar as nossas portas aos estrangeiros, interessados em retirar o seu butim de eventuais conflitos internos, como fazem no Iraque, no Afeganistão, na Líbia - e se preparam para fazer na Síria e no Irã.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:

30 de mar. de 2012

A CÚPULA DOS BRICS E O BOICOTE DA MÍDIA OCIDENTAL .


A cada ano, quando chega a época da Cúpula Presidencial dos BRICS – a quarta edição desse encontro acaba de terminar em Nova Delhi, a capital indiana – torna-se cada vez mais evidente, para o observador atento, o patético esforço da mídia “ocidental” (entre ela boa parte da nossa própria imprensa) de desconstruir a imagem de uma aliança geopólítica que reúne quatro das cinco maiores nações do planeta em território, recursos naturais e população e que está destinada a modificar a o equilíbrio de poder no mundo, no século XXI.

Essa estratégia – com a relativa exceção dos meios especializados em economia - vai de simplesmente ignorar o encontro, à tentativa de diminuir sua importância, ou semear dúvidas sobre a unidade dos principais países emergentes, tentando ressaltar suas diferenças, no lugar do reconhecer o que realmente importa: a política comum dos BRICS de oposição à postura neocolonial de uma Europa e de um EUA cada vez mais instáveis, que se debatem com um franco processo de decadência econômica, diplomática e social.

Para isso, a mídia ocidental – incluindo a “nossa” - ignora os despachos das agências oficiais dos BRICS, principalmente as russas e as chinesas, que ressaltam a importância do Grupo e de suas iniciativas para suas próprias nações – o Brasil inexplicavelmente ainda não possui serviços noticiosos em outros idiomas, coisa que até mesmo Angola utiliza, e muito bem – e se concentra em procurar e entrevistar observadores “ocidentais” ou pró-ocidentais situados em esses países, que se dedicam a repetir a cantilena da “impossibilidade” do estabelecimento de uma aliança geopolítica de fato entre o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, baseados nos seguintes argumentos:

- A “distância” entre o Brasil, a África do Sul, e a Rússia, a índia e a China, como se em um mundo em que a informação é instantânea e um míssil atinge qualquer ponto do globo em menos de quatro horas, isso tivesse a menor importância.

- O fato de a África do Sul, o Brasil e a Índia serem democracias, e a China e a Rússia não serem democracias “plenas ” segundo o elástico conceito ocidental, que não considera a Venezuela uma democracia “plena”, mas o Kuwait ou a Arábia Saudita – autocracias herdadas e governadas pelo direito de sangue - sim.

- A concorrência da Índia, da China e da índia no espaço asiático, como se esses três países não cooperassem, até mesmo no campo militar, e não mantivessem reuniões, há muitos anos, para resolução de problemas eventuais.

- A rotulagem desses países em “exportadores de commodities” como a Rússia e o Brasil, “provedores de serviços”, como a India, e “fábricas do mundo”, como a China, como se essa situação, caso fosse verdadeira, não pudesse ser usada a favor de uma aliança intercomplementar, ou como se Rússia, Brasil e índia também não produzissem manufaturados, e entre eles produtos industriais avançados, como aviões, por exemplo.

É óbvio que uma aliança como os BRICS, que reúne um terço do território mundial, 25% do PIB, e praticamente a metade da população humana não se consolidará, política e militarmente, de uma hora para a outra. Mas também é igualmente claro, que não se trata de um grupo heterogêneo de nações que não tenham nada a ver uma com a outra.

Se assim fosse, o Brasil não estaria fornecendo aviões-radares para a índia, não estaríamos desenvolvendo mísseis ar-ar e terra-ar com a DENEL sul-africana, ou comprando helicópteros russos de combate, ou não teríamos, há anos, um programa de satélites de sensoriamento remoto com a China.

O primeiro traço comum entre os grandes “brics” como a Rússia, a China, a índia e o Brasil, e, em menor grau, a África do Sul, é, como demonstra a sua oposição à política ocidental para com a Libia e a Siria, o respeito ao princípio de não intervenção.

Porque o Brasil, a Rússia, a índia, a China, não aceitam que se intervenha em terceiros países, em função de questões relacionadas aos “direitos humanos”, por exemplo, ou devido à questão nuclear ?

Porque, como são países que prezam a sua soberania, não aceitam que, amanhã, o mesmo “ocidente” que hoje ataca a Libia, a Siria, ou o Irã, venha se unir contra um deles, qualquer deles, por causa de outras questões, como poderia acontecer conosco, eventualmente, no caso dos “ direitos” indígenas, ou da defesa da Amazônia, o “pulmão do mundo”.

Quem tem telhado de vidro não joga pedra nos outros. Que atire a primeira quem nunca pisou na bola. Qual é o país, hoje, que pode acordar pela manhã, olhar-se, enquanto sociedade, no espelho, e dizer que não tem nenhum problema de direitos humanos?

E mais, quem arvorou à Europa e aos norte-americanos a missão de julgar o mundo? Pode um país como os Estados Unidos, que invadiu e destruiu o Iraque, por causa de outro mito intervencionista, o da existência – comprovadamente falsa - de armas de destruição em massa naquele país, falar em direitos humanos ?

Pode uma Nação que inventou e usou, no Vietnam, centenas de toneladas de um veneno químico chamado agente laranja, contaminando para sempre o solo e as águas de milhares de hectares de selva, falar em defesa da natureza e das florestas tropicais?

Ou pode um país que jogou duas bombas atômicas sobre dezenas de milhares de velhos, mulheres e crianças desarmadas, queimando-as até os ossos - quando poderia – se quisesse – tê-las testado sobre soldados do exército ou da marinha japonesa, falar, em sã consciência, de controle de armamento atômico e da não proliferação nuclear?

A realidade por trás do discurso de defesa dos direitos humanos e da natureza é muito mais complexa do que Hollywood mostra às nossas incautas multidões em filmes como Avatar. Por mais que muitos espíritos de "vira-lata" queiram - mesmo dentro do nosso país - que Deus tivesse dado à Europa e aos Estados Unidos o direito de governar o mundo, para defender seu artificial e efêmero “american way of life”, ele não o fez.

Pequenos países, como a Espanha ou a Itália, na ilusão de se sentirem maiores, podem – assim o decidiram suas elites - abdicar de sua soberania política e econômica e bombardear a população civil na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, em defesa de uma impossibilidade quimérica como a Europa do euro, e do mandato da “Pax Americana”.

Nações como o Brasil, a Índia, a China e a Rússia, se aferram ao direito à soberania, ao recurso à diplomacia, à primazia da negociação. Não se pode salvar vidas distribuindo armas para um bando descontrolado de açougueiros que espanca e mata prisioneiros indefesos, desarmados e ensanguentados – mesmo que eles se chamem Khadaffi – e obriga jovens muçulmanos a desfilarem em fila, de joelhos, repetidas e infinitas vezes, sob a lente da câmera e a ameaça de armas e chicotes, para mastigar e engolir nacos de cadáveres de cães putrefatos. O futuro da humanidade no século XXI e nos próximos, depende cada vez mais da emergência de um mundo multipolar que se oponha à pretensa hegemonia “ocidental”. E é isso – queiram ou não os jornais e comentaristas europeus e norte-americanos – que está em jogo a cada nova Cúpula dos BRICS, como a de Nova Delhi.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/04/os-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=179657&id_secao=9

http://www.planetaosasco.com/oeste/index.php?/2012040433230/Coluna-politica/os-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/03/cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://neccint.wordpress.com/2012/04/04/santayana-os-brics-e-o-boicote-da-midia/

http://mercosulcplp.blogspot.com.br/2012/04/cupula-do-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://grupobeatrice.blogspot.com.br/2012/03/cantilena-da-impossibilidade.html

http://brasileducom.blogspot.com.br/2012/04/cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://outroladodanoticia.com.br/inicial/32783-a-cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia-ocidental.html

http://cmarinsdasilva.com.br/wp/os-brics-e-o-boicote-da-midia/

http://nogueirajr.blogspot.com.br/2012/03/cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://advivo.com.br/blog/luisnassif/fora-de-pauta-674

http://www.sudoestenarede.com.br/v1/2012/04/01/mauro-santayana-a-cupula-do-brics-e-o-boicote-da-midia-ocidental/

http://ponto.outraspalavras.net/2012/04/04/cupula-dos-brics-boicote-da-midia-ocidental/

http://www.jornaldototonho.com.br/?p=26381

http://chebolas.blogspot.com.br/2012/03/visita-oficial-da-presidenta-dilma.html

http://midiaglobal.org/?tag=encontro

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/clipping-do-dia-582

http://psfranciscoalmeida.blogspot.com.br/2012/04/via-email-brasil-brasil.html

29 de mar. de 2012

DOIS GÊNIOS DA FILOSOFIA POLÍTICA


(JB) - A morte de Millor Fernandes e de Chico Anísio é mais do que a perda de dois grandes humoristas. Chico e Millor, cada um em seu espaço, foram importantes filósofos políticos, distanciados dos grilhões acadêmicos, e argutos observadores da realidade brasileira.

Millor não dispunha dos atributos do ator de Maranguape, capaz de usar duzentas máscaras diferentes, para expor os sentimentos e o ridículo da condição humana. Nele havia a profundidade de reflexão, ancorada em uma erudição tanto mais ampla quanto menos pomposa. Ambos fustigaram a mediocridade e fizeram o povo pensar.

E me permitam defender uma categoria de pessoas a que também pertenço: aquelas que encontraram o seu caminho fora das escolas formais. Millor e Chico foram dispensados da moldagem do ensino tradicional, mas compensaram essa aparente dificuldade na formação dialética – e ética - do trabalho. Millor um pouco antes, no início da adolescência, ao entrar para a equipe de O Cruzeiro, e Chico, poucos anos depois, ao se tornar locutor de uma emissora de rádio.

Sendo um homem do espetáculo, e vivendo tantos e tão diferentes personagens, Chico Anísio teve a vida exposta, como um eterno caçador de experiências amorosas e pai incansável. Uma psicanálise de botequim poderia explicar a sua afetuosidade insaciável, que o fez marido de tantas e tão belas mulheres, como resultado do mundo de ficção em que vivia. Os atores sempre adicionam à alma, ainda que não desejem, parcelas de seus personagens, como transplantes da emoção dos autores. Millor não era ator, mas, sim, um excepcional pensador. Essa foi a essencial diferença entre os dois.

Ambos foram ácidos críticos da sociedade e aplicados defensores da verdadeira razão política. Chico exercia a sua cáustica vigilância no aparente desprezo pelas personalidades públicas. Ninguém soube caricaturar com tanta acuidade o parlamentar corrupto, do que ele, ao encarnar o deputado Justo Veríssimo. Já na fase final do regime militar, os telefonemas de Salomé, de Passo Fundo, ao Presidente João Batista Figueiredo, serviram, ao mesmo tempo, de crítica ao governo e de estímulo ao movimento de redemocratização em marcha. Millor ia muito mais fundo. Sua crítica não se limitava à política em senso estrito, aos governos e às instituições do Estado, mas atingia, em seu âmago, a sociedade contemporânea, com seus desavisos e submissão ao efêmero. Para isso, ele sempre se abasteceu dos clássicos gregos aos autores contemporâneos, passando, naturalmente, por Shakespeare, Goethe, Schiller, Molière, Racine e tantos outros. Ele era capaz de ir adiante das reflexões desses grandes autores, ao trabalhá-las em sua fulgurante inteligência. Ele usava a erudição para resumir a sua visão do mundo em frases curtas, certeiras, surpreendentes, definitivas.

Não conheci pessoalmente Chico Anísio. Meu universo era outro. Não morando no Rio, fui privado de convívio maior com Millor. Fazíamos parte, como tantos outros de nossos contemporâneos, do Círculo de Conceição de Mato Dentro que se reunia eventualmente no apartamento de José Aparecido, em Copacabana. Ambos fomos agraciados com o título de cidadãos de Conceição o que, para os que não conheceram Aparecido, nem a cidade na Serra do Espinhaço, pode não ter qualquer importância. A cidade de Aparecido, tão forte na história e no caráter de Minas, hoje, mais do que a Itabira de Drummond, não passa de uma foto esmaecida: mineradores estrangeiros a conspurcaram, ao dilacerar as serras que a cercam e esvaziar a cidade de sua identidade e de seu caráter ancestral.

Entre as minhas memórias de Millor, há a de um encontro na terra de Aparecido, em que ele, Gerardo de Mello Mourão, Newton Rodrigues e eu mesmo – não me lembro se houve outros colaboradores – redigimos longo poema sobre o aniversário de José, naquele mesmo dia, e que se iniciava com a evocação da morte de Giordano Bruno na fogueira, em 17 de fevereiro de 1600. Os versos de Millor foram os mais fortes, mais limpos e mais significativos, naquele “abc” em louvor do aniversariante.

As sucessivas gerações de homens brilhantes, que atravessaram o século 19 e fizeram a primeira metade do século 20, de Machado e Bilac, de Lima Barreto, de Belmonte e de J. Carlos; de Graciliano, José Lins, de Getúlio Vargas e de tantos homens de gênio foi sucedida por personalidades fortes da segunda metade do século passado, algumas das quais cruzaram o milênio. Chico e Millor, gênios vindos do povo, em sua forma de ver o mundo e nele se integrar, foram figuras emblemáticas dessa geração singular na história do país.

Uma frase de Millor, inscrita na escultura que adorna a porta do apartamento de José Aparecido no Rio, pode resumir a sua atitude diante da vida: Se alguém achar o vento a favor contrário, entra com o que tem.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/29/dois-genios-da-filosofia-politica-4/

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/03/dois-genios-da-filosofia-politica.html

http://carcara-ivab.blogspot.com.br/2012/03/dois-genios.html

http://arte.orkfeeds.com/arte/dois-genios-da-filosofia-politica-por-mauro-santayana

http://academiae.wordpress.com/2012/03/30/chico-e-millor-filosofos-politicos/#comments

http://www.jornaldototonho.com.br/?p=26492

28 de mar. de 2012

RACISMO, RELIGIÃO E TANATOS.


(JB) - Podemos talvez encontrar a origem do racismo, a partir do equívoco bíblico, de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Levando a idéia ao pé da letra, nasceu a paranóia da intolerância ao outro. A imagem negra de Deus é a de seus deuses africanos, a imagem judaica de Deus é a de um patriarca hebreu, na figura de Jeová. Os muçulmanos não deram face a Alá, nem veneram qualquer imagem de Maomé, mas isso não os fez mais santos. Desde a morte de Maomé, seus descendentes e discípulos se separaram em seitas quase inconciliáveis, que se combatem, todas elas reclamando o legado espiritual do Profeta. Os muçulmanos, como se sabe, reconhecem Cristo como um dos profetas.

Os protestantes da Reforma também prescindiram de imagens sagradas, o que, sem embargo, não os impediu de exercer intolerância e violência contra os católicos, com sua inquisição - em tudo semelhante à de seus adversários.

Essa idéia que associa as diferenças étnicas e teológicas à filiação divina, tem sido a mais perversa assassina da História. Os povos, ao eleger a face de seu Deus, fazem dele cúmplice e protetor de crimes terríveis, como os de genocídio. O Deus de Israel, ao longo da Bíblia, ajuda seu povo, como Senhor dos Exércitos, a “passar pelo fio da espada” os inimigos, com suas mulheres e seus filhos. Quando Cortés chegou ao México, incitou os seus soldados ao invocar a Deus e a São Tiago, com a arenga célebre: “adelante, soldados, por Dios y San Tiago”.

Quando falta aos racistas um deus particular, eles, em sua paranóia, se convertem em seus próprios deuses. Criam seus mitos, como os alemães, na insânia de se considerarem os mestres e senhores do mundo. Dessa armadilha da loucura só escaparam os primitivos cristãos, mas por pouco tempo, até Constantino. A Igreja, a partir de então, se associou aos interesses dos grandes do mundo, e fez uma leitura oportunista dos Evangelhos.

A partir do movimento europeu de contenção dos invasores muçulmanos e do fanatismo das cruzadas, a cruz, símbolo do sacrifício e da universalidade do homem, se converteu em estandarte da intolerância. Nos tempos modernos, o símbolo se fechou - com a angulação dos braços, no retorno à cruz gamada dos arianos - em sinal definitivo e radical da bestialidade do racismo germânico sob Hitler.

Os fatos dos últimos dias e horas são dramática advertência da intolerância, e devem ser vistos em suas contradições dialéticas. O jovem francês que mata crianças judias e soldados franceses de origem muçulmana, como ele mesmo, é o resultado dessa diabólica cultura do ódio de nosso tempo aos que diferem de nós, na face e nas crenças. É um tropeço da razão considerar todos os muçulmanos terroristas da Al-Qaeda, como classificar todos os judeus como sionistas e todos alemães como nazistas. Ser muçulmano é professar a fé no Islã – e há muçulmanos de direita, de esquerda ou de centro.

Merah, se foi ele mesmo o assassino, matou cidadãos do moderno Estado de Israel, como eram as vítimas da escola de Toulouse, mas também muçulmanos do Norte da África, como ele mesmo. Os fatos são ainda nebulosos, e os franceses de bom senso ainda duvidam das versões oficiais, como constatou Teh Guardian em matéria sobre o assunto.

Em El Cajon, nas proximidades de San Diego, na Califórnia – uma comunidade em que 40% de seus habitantes é constituída de imigrantes do Iraque, uma senhora iraquiana, que morava nos Estados Unidos há 19 anos, foi brutalmente assassinada, com o recado de que, sendo terrorista, depois de morta deveria voltar para o seu país. O marido, também iraquiano, é, por ironia da circunstância, empregado de uma firma que assessora o Pentágono na preparação psicológica dos militares que servem no Oriente Médio. E também nos Estados Unidos, na Flórida, um vigilante de origem hispânica (embora com o sobrenome significativo de Zimmermann, bem germânico) matou, há um mês, um jovem de 17 anos, Travyon Martin, provocando a revolta e os protestos da comunidade negra.

Em Israel, o governo continua espoliando os palestinos de suas terras e casas e instalando novos assentamentos para uso exclusivo dos judeus. O governo de Telavive não reconheceu a admoestação da ONU de que isso viola os direitos humanos essenciais. Os Estados Unidos votaram contra a advertência internacional a Israel. Como se vê os direitos humanos só são lembrados, quando servem para dissimular os reais interesses de Washington e de seus aliados e dar pretexto à agressão a países produtores de petróleo e de outras riquezas, como ocorreu com o Iraque, a Líbia e o Afeganistão.

Os episódios de intolerância se multiplicam em todos os países do mundo – e mesmo entre nós. No Distrito Federal, segundo revelações da polícia, um grupo de neonazistas mantinha célula terrorista há cerca de trinta anos, associada a outros extremistas de todo o país. Na madrugada de 28 de fevereiro deste ano, em Curitiba, vinte jovens neonazistas assassinaram um rapaz de 16 anos, a socos, pontapés e facadas. O principal executor, um estudante de direito, foi escolhido para cumprir ritual de entrada no grupo, como prova de coragem. A coragem de matar um menino desarmado. Também em Curitiba e em Brasília foram presos dois racistas, que usavam a internet para expor as suas idéias fascistas e incitar a violência contra ativistas femininas, homossexuais, negros e nordestinos.

Enquanto não aceitarmos a face morena de Jesus, como a mais próxima da face do Deus - criada para dar transcendência ao mistério da vida - o deus que continuará a dominar a nossa alma será Tanatos, o senhor da morte.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/27/o-racismo-a-servico-do-imperio-euro-americano/

http://port.pravda.ru/mundo/30-03-2012/33199-racismo_eua-0/

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/03/27/santayana-o-racismo-de-que-os-eua-gostam/

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio.html

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=d1d6a7eae40b025e869ac0853049efc2&cod=9540

http://www.jornalvanguarda.com.br/v2/?pagina=noticias&id=10530

http://pensarnetuno.blogspot.com.br/2012/04/o-racismo-de-que-os-eua-gostam.html

http://islam-maranhao.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio.html

http://religiosidadeafro.blogspot.com.br/

http://ecoepol.blogspot.com.br/

http://arededacidadania.wordpress.com/2012/03/31/mauro-santayana-racismo-religiao-e-tanatos/

http://carlosalbneto.wordpress.com/

http://izidoroazevedo.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio-euro.html

http://racismoambiental.net.br/2012/03/o-racismo-a-servico-do-imperio-euroamericano/

http://pscandiru.blogspot.com.br/2012/03/via-email-saraiva-13_28.html

http://saraiva13.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio.html

22 de mar. de 2012

A EXTREMA DIREITA E OS ATENTADOS NA FRANÇA


(JB) - A polícia francesa se encontrava, na noite de ontem, mobilizada a fim de identificar o homem que matou quatro pessoas, entre elas três crianças, e feriu outras, em uma escola judaica de Toulouse. Houve, tanto em França, como em Israel, preocupação em culpar os demônios do momento, ou seja, os “terroristas muçulmanos”. Antes de qualquer manifestação das testemunhas, os meios de comunicação e os porta-vozes oficiais quiseram inculpar os islamitas. Coube aos próprios policiais relacionar o atentado contra a escola judaica de Toulouse à morte de dois paraquedistas franceses, e graves ferimentos em dois outros, na mesma região, nestes mesmos dias, e de forma semelhante.
O detalhe que Tel Avive esqueceu: os dois paraquedistas mortos em Montauban, a 40 quilômetros ao norte de Toulouse, quinta-feira passada, eram muçulmanos, do norte da África: Abel Chenouf e Mohamed Legouard. Um terceiro muçulmano, Imad Ibn Ziaten também militar e igualmente paraquedista, fora alvejado na mesma cidade de Toulouse, no domingo anterior. Em todos os atentados, o assassino usava uma motocicleta. A arma que matou os soldados franceses é do mesmo calibre da que foi usada na escola judaica, ontem pela manhã. Apesar disso, há ainda quem tente atribuir os dois atentados aos muçulmanos. Quando examinamos os fatos com ódio, ou com leniência, é difícil ver as coisas em sua clareza. E há quem atribua os crimes aos muçulmanos em razão de seu próprio e calculado interesse.
Tudo é possível, em atos semelhantes, mas os primeiros indícios relacionam a brutalidade do matador de crianças judaicas à rearticulação da extrema direita racista na Europa de hoje. O atentado de Toulouse lembra - ainda que o número de vítimas tenha sido menor - a chacina da Noruega, plenamente assumida por um neonazista. As elites européias repetem os mesmos movimentos econômicos, políticos e culturais que promoveram, nos anos 20 e 30, o nazifascismo no continente, com os resultados conhecidos. Quando perceberam que Hitler tinha seu próprio projeto de ditadura universal, era quase tarde. Só a resistência desesperada dos russos, na defesa de sua pátria, pôde conte-los e empurra-los de volta a Berlim, onde foram vencidos. É de se ressaltar, também, o heróico sacrifício dos ingleses, durante os ataques aéreos sistemáticos a Londres e a outras cidades.
Os novos nazistas são os velhos nazistas e já não se inibem em manifestar-se. Um membro do SPD, Thilo Sarrazin, nascido no mesmo ano da derrota alemã, 1945, publicou violenta proclamação racista contra os muçulmanos - por ironia, seu sobrenome, vindo do francês, significa Sarraceno. Não poupou, como bom nazista, os judeus, insistindo na tese de que eles têm um gene particular e único. Seu livro “Deutschland Schafft Sich Ab” (A Alemanha se destrói) está sendo dos mais vendidos nos país. Apesar do caráter nazista do livro, o SPD ainda não o expulsou de seus quadros. Depois da morte de Willy Brandt, muitos socialistas alemães em nada diferem de seus adversários da CDU.
O caso mais grave, neste momento, é o da Hungria, onde o primeiro ministro Viktor Orban retorna aos anos terríveis da ditadura de Horthy, com a censura à imprensa e o racismo ensandecido. As milícias de seu partido, o “Jokkib”, semelhantes às S.A. dos nazistas, estão caçando ciganos a porretadas e aterrorizando as aldeias do país. Na Itália, os neofascistas atuam com toda ousadia, desde que Berlusconi, à frente de seu partido de extrema direita, assumiu o poder.
Para eles, judeus e muçulmanos pertencem a um só grupo de “inferiores” que devem ser eliminados, em nome da pureza dos soi-disant arianos. Em nosso país há também os que defendem a pureza racial européia e o seu direito a nos dominar. É hora de contê-los, antes que se faça tarde. Não podemos tolerar nenhuma violência racista, seja contra judeus ou muçulmanos, negros ou nordestinos. Se outra razão não houvesse, a imensa maioria de brasileiros é constituída de mestiços, e temos nos dado muito bem com essa mescla de sangues e de culturas diferentes.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:











20 de mar. de 2012

O CONFISCO ITALIANO E A NOSSA SOBERANIA


(JB) - Uma empresa de consultoria,a Italplan, situada em pequena cidade das proximidades de Arezzo, na Itália, com um capital de apenas 12 milhões de euros, conseguiu bloquear os depósitos do governo brasileiro, nas filiais do Banco do Brasil em Roma e em Milão. A sentença, inusitada nas relações internacionais, é de um juiz de primeira instância, e sem valor jurídico – segundo os especialistas. Apesar disso, autoridades italianas lhe deram razão e atacam o governo brasileiro. Se quiséssemos responder com a mesma insolência, seria o caso de congelar os ativos do governo italiano no Brasil, até resolver a questão. Mas, como é mais elegante, escolhemos outro caminho.
O México, tan lejos de Dios e tan cerca de Estados Unidos, insurge-se contra o nosso país, porque decidimos, em defesa de nossos interesses nacionais, rediscutir o acordo automotivo entre as duas nações. Em Madri – sempre em Madri – uma senhora de 77 anos foi ofendida e humilhada no Aeroporto de Barajas, onde passou três dias submetida aos mais duros constrangimentos. Devemos nos preparar para mais problemas dessa natureza, porque começamos a ter forte presença internacional.
Sempre foi de nossa índole tratar muito bem os estrangeiros. No entanto, como dizia Benjamin Franklin, no alto de sua versátil sabedoria, é preciso saudar com respeito o vizinho, mas manter o portão trancado. Infelizmente – e é triste constatar isso – há brasileiros que têm o “complexo de vira-lata”, conforme a observação ferina de Nelson Rodrigues. E, ao contrário do que se pensa, o sentimento de inferioridade é muito mais intenso - e mais grave - entre as pessoas da classe média e alta do que entre os brasileiros mais pobres.
Com todo o respeito pelos vira-latas que lutam pela sua sobrevivência nas ruas, a atitude dos brilhantes acadêmicos da PUC do Rio, e da USP de São Paulo, diante da Europa e dos Estados Unidos, não foi exatamente a de águias ou de leões – quando no governo do paulista Fernando Henrique Cardoso. Recorde-se que o chefe de Estado saudou a criminosa globalização do neoliberalismo como um novo Renascimento, e aplicou-se em implantá-lo. As conseqüências estão castigando hoje, também, os próprios países centrais.
Há, no entanto, razões para que nos sintamos realmente humilhados. Os escândalos que se sucedem, sobretudo os relacionados com a privatização dos ativos nacionais, não contribuem para a nossa auto-estima. Agora, temos os relacionados com o Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres e a VALEC, que são motivo de mal-estar entre os brasileiros de bem, ou, seja, a quase totalidade de nosso povo. Somos quase duzentos milhões de brasileiros honrados, que estudam e trabalham, amam o país, pagam seus impostos, mas exercem mal a sua cidadania, não examinando bem a vida daqueles que elegem.
O caso da Italplan é nisso emblemático. Há um estudo sério, feito pelo consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Eduardo Fernandez Silva, que deve ser lido com atenção pelo Governo e pela Base Aliada. O acesso ao documento pode ser feito por www.bd.camara.gov.br?/bd/bitstream/handle/bdcamara/1283/trem_bala_fernandez.pdf?sequence+1
A primeira dúvida do analista é se haveria demanda que justificasse o trem de alta velocidade. O estudo da Italplan, de acordo com o consultor, é “furado”, sem nenhum apoio técnico. O documento previu que, em 2011 – quando o trem-bala deveria estar operando – o tráfego, pela linha, nos dois sentidos, seria de 32 milhões de passageiros/ano no percurso entre as duas cidades. Outras estimativas previam menos de 8 milhões.
Para se ter uma idéia da ficção do projeto italiano, o registro de entrada e de saída da cidade de São Paulo, de todas as procedências e para todos os destinos, e por todos os meios de transporte, é hoje de cerca de 20 milhões de passageiros por ano.
Por outro lado, o projeto chega a mencionar “passagens de nível” no percurso, o que é absolutamente inconcebível em um trem com essa velocidade. Os trens semelhantes trafegam dentro de muros altos, ou em túneis, uma vez que o choque com um pequeno animal, na velocidade em que se deslocam, pode causar acidentes catastróficos.
A Italplan, fundada no ano 2000, afirmou, na ocasião em que apresentou seu “projeto”, que adquirira experiência quando participara do projeto do trem de alta velocidade Roma-Florença. Ora, a linha Direttissima foi projetada em 1970, e concluída em 1992 – 22 anos depois de iniciada e oito anos antes que a firma de Arezzo se instalasse. No seu site na Internet, no entanto, registrava como sua experiência a realização de “uma linha férrea de alta velocidade entre o Rio e São Paulo e a requalificação da Estação do Rio de Janeiro”, ou seja, refere-se ao pré-projeto que apresentara ao Ministério dos Transportes como tendo sido aprovado pelo governo, e ao trem bala como se estivesse em operação.
O Ministério dos Transportes e a Valec não poderiam ter-se comprometido com a Italplan sem antes averiguar a sua competência técnica para elaborar um projeto dessa natureza, mesmo porque a empresa, em seu portfólio da época, só apresentava projetos de esgotos e reciclagem de lixo para a Argentina e para a China, e como experiência ferroviária exatamente o que pretendia ser o seu projeto brasileiro.
Do que houve, podemos tirar algumas lições. A primeira delas é a de que as escolhas políticas podem atribuir o poder de decisão a personalidades sem competência técnica, nem bom-senso administrativo – isso sem falar nas suspeitas de corrupção. E há um assunto que deve ser tratado com urgência: a da remuneração da eficiência. Os vencimentos e salários dos administradores públicos no Brasil, responsáveis por projetos de bilhões de reais, são irrisórios. Qualquer empresa privada compete, nisso, com todas as vantagens, com o Estado. O Estado deve remunerar seus altos executivos conforme as leis do mercado.
Constatamos também que sábio foi Juscelino quando, a fim de realizar a sua meta de avançar 50 anos em 5, criou sistema paralelo de ação executiva , independente da burocracia tradicional, com seus grupos de trabalho, constituídos de personalidades com reconhecida notoriedade nos assuntos a eles confiados.
A fim de consolidar o avanço destes últimos anos, temos que examinar, sem hipocrisia e com a consciência de que não podemos perder o impulso, problemas como os da remuneração da eficiência. O Estado não pode ter os piores executivos, em nome de uma equivocada economia. Muitíssimo mais perdemos, ao nomear executivos que recebem pouco – e se remuneram muito, mediante os recursos conhecidos.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:















18 de mar. de 2012

TELEFÓNICA RECEBE RECURSOS DO BNDES, DEMITE MILHARES, E AINDA PEDE À ANATEL LICENÇA PARA ALIENAR O PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO

A desfaçatez das empresas espanholas no Brasil não tem limites. Ajudados por decisões do setor público, no mínimo incompreensíveis, os acionistas controladores da Telefônica auferem, aqui , lucros espantosos. Cem por cento desses lucros sobre o investimento estrangeiro, mais juros sobre esse capital, são repatriados via remessa de lucros . A empresa está, agora, procurando, com esse dinheiro, comprar as poucas ações ainda em mãos de brasileiros (cerca de 20%), para atingir a totalidade do controle acionário.

A Telefônica obteve empréstimo, junto ao BNDES, de 3 bilhões de reais no ano passado, destinado à “expansão de infra-estrutura”. Ora, se ela tem dinheiro para comprar mais ações por que o empréstimo? Por que não usar o lucro a fim de cumprir suas obrigações de expansão da rede? Ou seus controladores, na realidade, vai usar o dinheiro do BNDES para comprar mais ações? Esses investimentos para expandir a infra-estrutura deveriam ter saído dos lucros que envia ao exterior. A empresa nada investe de seus ganhos, que escoam para fora do país, comprometendo nosso balanço de pagamentos.

Em contradição com esse pretenso movimento de “expansão da infra-estrutura”, e apesar desse gigantesco empréstimo público, a Telefônica está demitindo, no Brasil, segundo informa a imprensa, mil e quinhentos empregados.

Sabe-se que, por agora, na área técnica, ela já demitiu setenta dos funcionários mais antigos, mediante Plano de Demissão "voluntária".

Mas, em seu cabide de empregos, no Conselho de Administração, pendura-se Iñaki Undargarin, genro do Rei da Espanha - que está sendo processado por corrupção naquele país .

A ambição de lucro e de benefícios por parte do setor público, no entanto, não tem limites. Os meios de comunicação informam que a Telefônica do Brasil está pleiteando, agora, junto à ANATEL, a retirada de duas casas e de seu edifício sede - localizados no centro de São Paulo - da “ lista de bens reversíveis “, isto é, que devem, por força do contrato, retornar à posse da União quando acabar a concessão, e que fazem parte do patrimônio de todos os brasileiros.

Essa exclusão possibilitaria a venda dos imóveis, que, embora valendo milhões, são pálida migalha do que foi saqueado e entregue, a preço de banana, na farra do boi das privatizações dos anos noventa – realizada no governo FHC, pelo PSDB de São Paulo.

Maior do que a cara de pau da empresa em pedir a liberação dos imóveis para alienar o patrimônio e levar o dinheiro para a Europa- onde está devendo mais de 50 bilhões de euros (140 bilhões de reais) - será o escândalo que se vai armar se a ANATEL, Agência Nacional de Telecomunicações, atender a esse pedido.

O Congresso, os cidadãos, o Judiciário, precisam agir e impedir a agência de considerar com leviandade o caso. Pelo que se comenta, o Ministério Público já pensa determinar pesquisa cartorial, em todo o território nacional, que estabeleça a verdade em relação ao rol das propriedades das antigas estatais. Aceitar a possibilidade da exclusão dessas propriedades da Lista de Bens Reversíveis seria escandaloso crime de Lesa Pátria, sobretudo no momento em que a Vivo – cada vez mais “viva” - está demitindo centenas de trabalhadores.

Quando se esquartejou a Telebrás, uma das maiores empresas de telefonia do mundo, que concorria, por meio do CPQD, de forma direta, à época, com os grandes grupos de telecomunicações internacionais no desenvolvimento de tecnologia de ponta, como o cartão indutivo, as Centrais Trópico R, ou o BiNA, alegou-se que a entrega desse patrimônio estratégico nacional às empresas estrangeiras proporcionaria os capitais e a tecnologia necessários à universalização das telecomunicações no Brasil.

Nada disso ocorreu. Não houve praticamente investimentos em telefonia fixa, e o filé da telefonia celular foi entregue de mão beijada aos estrangeiros. Com acesso ao dinheiro do BNDES e aos benefícios concedidos às empresas estrangeiras depois da privatização – entre eles um brutal aumento das tarifas – técnicos e empresas nacionais já teriam alcançado, com folga, esse objetivo.

Os espanhóis não possuem tecnologia na área de telecomunicações e não desenvolvem nova tecnologia. A prova disso é que a maioria dos equipamentos usados aqui pela Telefônica são importados da China.

As empresas estrangeiras que atuam neste momento, no Brasil, na área de telecomunicações, não conseguem competir por seus próprios meios. O BNDES, sob controle do Ministério do Planejamento, e alimentado com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e parcela dos impostos de todos os brasileiros, tem que parar de ficar tratando a pão-de-ló as empresas estrangeiras. É urgente investir na recuperação institucional da Telebrás – que precisa voltar a trabalhar no varejo.

A ficar assim, daqui a pouco o Brasil estará trabalhando apenas para conseguir dólares para continuar garantindo – via remessa de lucros - a sobrevivência e o statu-quo, ou seja, a manutenção dessas elites desumanizadas neoliberais que estão submetendo seus povos à miséria - e colocaram seus países em crise, e neles, parte do povo é levada, por elas, a exacerbado ânimo colonialista.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://www.viomundo.com.br/denuncias/mauro-santayana-telefonica-recebe-recursos-do-bndes-e-demite-brasileiros.html

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-bndes-e-demissoes.html

http://minutonoticias.com.br/telefonica-recebe-recursos-do-bndes-demite-milhares-e-ainda-pede-a-anatel-licenca-para-alienar-o-patrimonio-do-povo-brasileiro

http://www.vermelho.org.br/ms/noticia.php?id_secao=6&id_noticia=178581

http://correiodobrasil.com.br/telefonica-bndes-e-demissoes/408130/

http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com.br/2012/03/economia-desfacatez-das-empresas.html

http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/comunicacao/274-noticias-de-comunicacao/13471-mauro-santayana-telefonica-recebe-r-3-bilhoes-do-bndes-e-demite-1-5-mil-no-brasil

http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-recebe-recursos-do-bndes.html

http://olhosdosertao.blogspot.com.br/

http://fichacorrida.wordpress.com/2012/03/19/telefnica-espanhola/

http://www.portalcwb.com/telefonica-bndes-e-demissoes.html

http://questaodefoco.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-recebe-r-3-bilhoes-do-bndes.html

http://cidadaniaverde2011.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-rece-r-3-bi-do-bndes-e.html

http://noticia-final.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-recebe-recursos-do-bndes.html

http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=1533:a-desfa%C3%A7atez-das-teles-estrangeiras-o-resultado-da-privataria&Itemid=169

http://linguadefogo.com/blog/?p=10183

http://mestreaquiles.blogspot.com.br/2012/03/desfacatez-sem-limites-no-brasil-da.html

http://lutadeclasses.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-ganha-r-3-bi-do-bndes-e.html

http://www.opensanti.com/2012/03/telefonica-recebe-recursos-do-bndes.html

http://boilerdo.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-recebe-recursos-do.html

http://ctbminas.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-ganha-r-3-bi-do-bndes-e.html

http://saude-ciencia.blogspot.com.br/2012/03/fwd-telefonica-recebe-r-3-bilhoes-do.html

http://carlos-geografia.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-recebe-r-3-bilhoes-do-bndes.html

http://blogdofajardo.wordpress.com/2012/03/19/mauro-santayana-telefonica-recebe-r-3-bilhoes-do-bndes-e-demite-15-mil-no-brasil/

http://telefonicabrasil.net.br/?p=44437

http://mediatelefonica.com.br/?p=19019

http://blogdosentapua.blogspot.com.br/2012/03/telefonica-espanhola-iniciativa-nas.html