8 de set. de 2016

DE EMPRESAS E DE NAÇÕES








A propósito do post anterior, é necessário lembrar que não existem grandes nações, capitalistas ou não, que tenham chegado a essa condição sem grandes empresas, sejam elas privadas ou estatais.


Mesmo as multinacionais globais, com sua propriedade teoricamente diluída em bolsas distribuídas em vários países do mundo, e dezenas de milhares de acionistas, têm pátria, e quem não acreditar nisso, ou é ingênuo, ou mal informado.     
  

Aqueles que estão preocupados com a corrupção - que países como a Grã Bretanha, os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, a Coréia do Sul, a Rússia, e, agora, a China, nunca conseguiram domar nem eliminar, desde que se entendem por gente - precisam se recordar que, mais importante do que o combate a ela - que deve ser uma atitude permanente como escovar os dentes, e não servir de instrumento para a chegada ao poder de fascistas e espertalhões -  é ter um projeto de Nação, e que não existe projeto desse tipo que seja factível sem grandes empresas  nacionais, principalmente nas áreas de infraestrutura, defesa e alta tecnologia.


A política de "campeões nacionais" tão execrada hoje em dia, como se fosse um crime ou um folclórico hábito "bolivariano", continua em voga nos países mais poderosos do mundo, como se pode ver pelos empréstimos e a compra de ações promovidos pelos EUA para impedir a quebra de empresas como a General Motors em 2008; ou o apoio do governo norueguês à Statoil, uma empresa 100% estatal, que está avançando no Brasil, com a benção e a comemoração dos mesmos energúmenos que defendem o esquartejamento e a total privatização da Petrobras.   
     

A grande tragédia da Operação Lava-Jato é que ela está, ao que parece, deliberadamente (não há outra explicação para as multas e bloqueios bilionários que estão sendo propostos para os maiores grupos econômicos nacionais) destruindo as grandes empresas e os programas estratégicos que poderiam fazer parte de nosso projeto de Nação para o Século XXI - vide o caso da Odebrecht, quanto ao submarino nuclear brasileiro, e ao míssil A-Darter em desenvolvimento pela Mectron com a África do Sul, e da própria Estratégia Nacional de Defesa  - sem deixar nada em seu lugar, a não ser, em suas consequências, um falso mito, uma situação ainda pior para empresários e trabalhadores, boatos e mentiras, e hipocrisia.


E muita gente boa, incluídos leitores que nos acompanham aqui e alhures, ainda não  compreenderam isso.

VEREMOS








O Ministério Público Federal anuncia que a  Lava Jato vai até setembro  de 2017. 


Se não houver mudanças, e se continuar punindo as empresas e não os corruptos - a maioria deles já em casa, em troca de delações premiadas de caráter pólítico - é preciso saber o que sobrará dos grandes grupos econômicos nacionais até lá - há consultorias sérias que dizem que foi responsável por 2,5% da queda do PIB apenas em 2015 e os efeitos deletérios dessa abordagem irresponsável economicamente, equivocada  e espetaculosa continua. 


Mas não acreditamos nisso. 


Produto sem prazo de validade descrito na embalagem, essa operação, se terminar um dia, já que se trata de poderoso instrumento nas mãos de quem a comanda, irá, no mínimo, até as vésperas da eleição em 2018, já que se transformou, há tempos, em suas consequências e desdobramentos, mais em uma campanha presidencial permanente - e em um movimento de antagonização da atividade política e de alteração da lei em detrimento das liberdades individuais  - do que em um processo de fato e exclusivamente jurídico.   

5 de set. de 2016

APERTEM OS CINTOS. O BOM SENSO SUMIU.





Vanessa Graziotin foi agredida, na última semana, em um vôo de carreira da LATAM, entre Brasília e Curitiba, pelo advogado paranaense Paulo Henrique Rocha Loures Demchuk, que tentou arrancar de sua mão o telefone celular com o qual a Senadora filmava as provocações que  lhe eram dirigidas por ele.


Se a Senadora não se feriu seriamente, isso não vem ao caso, para usar uma expressão muito em voga na capital paranaense.


O que importa é a intenção por trás  do fato, que, aliás, tem se repetido insistentamente, com outros personagens e vôos, desde 2013. 


"Quero ver se essa senadora vai ter coragem de pegar outro avião de novo - rsrsrsrsrs", comentou, sobre o fato, apoiando o primeiro, um energúmeno, em uma rede social,   evidenciando que o verdadeiro propósito por trás desses episódios - que estão longe de ser espontâneos ou descoordenados - é pressionar, constranger,  chantagear, engessar, representantes eleitos de milhares de eleitores brasileiros, impedindo seu livre exercício de direitos básicos do texto constitucional, como o de opinião e de o de ir e vir.


Ora, esse tipo de atitude, covarde, irresponsável, temerária, pode, se não for firmemente combatida pelas autoridades, ter um efeito diametralmente oposto.


Não será de estranhar que  políticos e parlamentares como Vanessa Graziotin, encontrem, entre seus apoiadores - a senadora teve 672.920 votos nas últimas eleições - 10, 20, ou 30 bem fornidos eleitores para cuidar de sua segurança em seus deslocamentos, e numerosos outros eleitores dispostos a financiar, por meio de doações, o salário ou a ajuda de custo desses guarda-costas  e o seu transporte, para preservar a dignidade e incolumidade pessoal de quem mereceu seus votos no último pleito.


O sujeito que provoca uma figura pública - não interessando a que orientação política ou partido pertença - precisa entender que quem está ali não é um cidadão comum, mas milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares de brasileiros, portadores de um documento chamado título eleitoral, que o escolheram, entre muitos outros, e que a ele transmitiram, pelas urnas, a inquestionável autoridade e o poder intransferível de seu voto.


Da mesma forma, devem agir todos os funcionários do Estado diante de um representante eleito. 


Atrás de cada deputado, prefeito, senador, governador, presidente, existem milhares, dezenas de milhares, milhões de outros brasileiros que exigem que sua vontade seja respeitada, e  que se estivessem ali, no caso de Vanessa Graziotin, teriam linchado o advogado do episódio em  segundos, em reação ao desrespeito e à agressão sofrida pela pessoa que elegeram para representá-los e defender seus interesses no Congresso Nacional.


É contra isso, o contrato social do voto - o único que pode garantir um mínimo de paz e liberdade em um país com 206 milhões de habitantes e as proporções do Brasil - estabelecido pelo reconhecimento do poder da maioria, que se levanta e se insurge, da forma mais tosca e imbecil, o incipiente e ridículo fascismo tupiniquim.


Em nota, depois do ocorrido, o agressor, invertendo os papéis, tentou se fazer de vítima (de filmagem não autorizada), e aproveitou para fazer profissão de fé do fascismo rasteiro e desinformado e do "achincalhe" como arma política, dizendo que "no momento em que o estado brasileiro e seus funcionários de alto escalão são responsáveis pelos maiores crimes da história do Brasil" (errado, o "estado", como a ele se refere Demchuk, dando ao termo ares ideológicos, não pode ser responsabilizado por crimes de bandidos antigos, como Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, este já liberado outra vez pelo Juiz Sérgio Moro) e os maiores crimes já cometidos no Brasil foram os de tortura e assassinato cometidos pela corja reunida à sombra da ditadura militar; "é fundamental que o cidadão os antagonize (hostilize), é fundamental que o cidadão se oponha à autoridade (do voto), (normalmente ilegítima e irracional) (qual seria, para o advogado,  a autoridade "legítima e racional" então? A do estado, que ele parece odiar e desprezar? 


"Nesses momentos - prossegue o agressor - o ato de achincalhar não apenas intregra o movimento político (sic) (que "movimento" político? o fascista?) como é inerente a ele...


Para a população (que população, a fascista? ) que não detêm poder instituído (detêm sim, por meio do voto) o ato de achincalhar (irritar, insultar, agredir?) é uma bela (para o fascismo, toda violência desatada e estúpida é bonita) forma de demonstrar seu descontentamento contra os parasitas (que parasitas? os banqueiros, que levam 14% do dinheiro dos impostos, certos funcionários públicos que ganham muito acima que o teto constitucional, ou os grandes sonegadores, que desviam 500 bilhões de reais por ano ?)  

      

Ora, está explicado porque ele e outros imbecis do movimento a que, parece, pertence, odeiam a "política" e a autoridade advinda da soberania da vontade popular.


Porque - pelo menos até agora - eles não têm votos.

 

E não aceitam que tenham voto aqueles que não pensam exatamente como eles e que resistem, bravamente, à sua constante pressão e provocação, sem se acovardar.


Porque eles não têm mais força do que a da provocação rasteira, chula, de um bando de  idiotas se esforçando para aparecer, repetindo paradigmas hipócritas e informações falsas, tentando insultar quem está sentado, em frente, em outra poltroina do avião.


A pseudo força de três ou quatro sujeitos que acham - como ocorre no caso do próprio país - que representam a maioria dos passageiros, quando os eleitores que apoiam e votaram na mulher que estão tentando atacar covardemente encheriam tranquilamente 5.000 aviões do mesmo modelo daquele em que essa estúpida e miserável agressão aconteceu.


Resta saber o que vai ocorrer quando "políticos", artistas, intelectuais e lideranças de movimentos sociais que estão sendo atacados optarem por andar com 10 ou 20 seguranças como escolta.


Quando os que tiverem opinião contrária a eles passarem a fazer o mesmo.


E quando dois desses grupos se encontrarem em  plena viagem e qualquer um dos lados - normalmente o mais estúpido, arrogante e ignorante -  partir para a provocação e a violência.    

Haverá uma batalha campal em pleno ar, colocando em risco a segurança de toda a aeronave?


Começaremos a jogar aviões no solo porque estamos nos recusando a enfrentar, desde o primeiro indício, esse alegado direito à agressão e à imbecilidade?


Será que não haverá dentro desse avião algum parente, ou um ente querido, de um dos exemplares da malta odienta e ignara que apoiou a atitude fascista desse indivíduo na internet?  

  

É por isso que, independente de sua opinião política, caro leitor - seja você petista ou antipetista, de direita ou de centro, vira-latista ou nacionalista ou um funcionário da Infraero ou da Polícia Federal - que é preciso assegurar que esses agressores sejam exemplarmente punidos e processados - como não ocorreu depois do vôo para Curitiba - a cada vez que eles provoquem ou agridam alguém durante um vôo, antes que haja uma reação à altura, e em cadeia, e ocorra uma tragédia de grandes proporções.


Porque, agindo como estão agindo, eles não estão colocando em risco apenas a segurança de quem  eventualmente estejam insultando e agredindo, mas a sobrevivência de toda a aeronave, de todos os passageiros, de toda a tripulação.


Será que haverá um maluco fascista nesse avião? Será que ele vai surtar e agredir alguém ? Será que esse alguém - ou a sua segurança - vai reagir ? Será que mais alguém vai entrar na briga ? Será que alguém pode estar armado nesse vôo? Será que ele vai disparar um ou dois tiros ? Será que o avião vai cair?


Pense nessas possibilidades - que não estão no manual de instruções que se encontra na bolsa da poltrona à sua frente - antes de iniciar uma discussão política a bordo de uma aeronave comum de passageiros.


Ou da próxima vez que você estiver entrando, ou  embarcando seu filho, sua filha, sua mãe, em um avião de carreira, neste absurdo Brasil em que estamos vivendo hoje.


Nunca é demais lembrar - recorrendo ao bom senso no lugar do senso comum  sórdido, hipócrita e tosco que está se espalhando como um vírus pelo país - que um avião lotado, principalmente se estiver em pleno vôo, não é o melhor lugar para a prática desse tipo de babaquice.


Ou é ?

30 de ago. de 2016

HERR SCHIEMER E O FUTURO DO BRASIL


Imaginem o que ocorreria se um executivo de uma multinacional brasileira, como a WEG, desse, por hipótese, uma entrevista para um jornal alemão, o Handelsblatt, por exemplo, afirmando que  é preciso decidir que tipo de Alemanha "queremos" para o futuro, comparando-a, digamos, com  a Ucrânia.


Pretendendo dar lições ao país em que está instalada a empresa para quem trabalha, o Presidente da Mercedes Benz no Brasil, senhor Phillipp Schiemer, em plena semana de julgamento do impeachment da Presidente da República, declarou, em entrevista ao Valor Econômico da sexta-feira passada, amplamente repercutida por sites de direita, que a ela pretenderam dar um cunho ideológico, que é preciso decidir "se queremos um Brasil como a Venezuela ou um Brasil inserido no novo mundo", como se, neste humilde, e, quem sabe, paralelo universo em que nos coube viver, cada vez mais desafiado pelo avanço da física quântica e de outras intrigantes descobertas, não tivéssemos mais alternativas que a submissão ou o caos - no caso  venezuelano fortemente induzido por pressões internas e externas - ou dependêssemos da opinião de cidadãos estrangeiros para decidir o futuro que queremos ter como Nação.


Ora, com todo respeito por Herr Shiemer e pelos problemas que assolam o povo venezuelano, o Brasil está longe de ser uma Venezuela.  


O Brasil é a nona economia e o terceiro maior fabricante de aviões do mundo. A Venezuela não o é. O Brasil é detentor das sextas maiores reservas internacionais do planeta, de 374 bilhões de dólares, e o quarto maior credor individual externo dos EUA. A Venezuela não o é.  


O Brasil tem uma indústria que se encontra, em parte, em crise, mas que é disseminada e diversificada, o que não é também o caso da Venezuela, que tem, historicamente, uma excessiva dependência do petróleo, commoditie cujo preço derreteu nos últimos 3 anos, fato que deve estar ligado, certamente, à atual escassez de reservas que assola avassaladoramente a economia desse país sul-americano.


Por outro lado, resta saber, também, a que "novo mundo" o Sr. Phillip Schiemer estaria se referindo em sua fala.


Ao mesmo velho mundo da época do Império persa ou do romano, que se consolidou com o advento do mercantilismo, em que as diferentes colônias ou países tinham que acomodar seus mercados e seus sistemas produtivos aos interesses de grupos econômicos estrangeiros?


Ao mundo de empresas como a então Companhia das Índias Ocidentais, ou, hoje,  a Mercedes Benz, em que nações tem que adaptar os preços cobrados de seus consumidores e os salários pagos a seus operários da forma mais adequada a maximizar o lucro obtido por multinacionais que operam,  em todo o mundo, muitas delas pressionando e eventualmente chantageando os governos e as nações em que estão instaladas?


Ou ao novo mundo da China, quem sabe, em que um país historicamente explorado volta a levantar a cabeça e dita suas normas aos seus antigos invasores e controladores, transformando-se no maior credor do planeta ou na segunda economia do mundo, sem ceder um centímetro de seus interesses?


Se fôssemos obrigados - o que não é o caso -  a uma escolha, há, com certeza,  brasileiros - e não são poucos - que prefeririam, do ponto de vista da soberania nacional, o modelo chinês àquele que o senhor Phillipp Schiemer nos está propondo.


O modelo chinês, mesmo que distante,  porque, por lá, pelo menos, do ponto de vista de vergonha na cara, a situação é outra, completamente diferente.


Pequim investe diretamente em tudo que envolve tecnologia - incluída a produção de automóveis - melhora as condições de vida e de consumo da população - (o mercado automobilístico chinês já é o maior do mundo e crescerá em média, 5% por ano até 2020) e por lá as multinacionais se adaptam aos interesses do governo e do país, ou caem fora, sem que executivos de empresas estrangeiras, como é o caso dos representantes da Mercedes Benz na China, ousem  dar pitacos de ordem política em assuntos de interesse nacional. 


Com todo o respeito, também, pelo democrático e sagrado direito  à liberdade de expressão, e pelos 14 anos de trabalho passados, em diferentes ocasiões, pelo ex-presidente mundial de marketing da Mercedes Benz em nosso país, assim como  pelos problemas e desafios que sua empresa está enfrentando no Brasil neste momento, que não são poucos, com uma brutal queda na venda de caminhões e a demissão de centenas de trabalhadores, manda a boa educação que os hóspedes - e o Sr. Phillip Schiemer é um hóspede no Brasil - se abstenham de meter a colher nos assuntos da casa.


Ou que se comportem com certo comedimento, mantendo-se no terreno econômico sem invadir a seara da política, para evitar dar a impressão de que estão se imiscuindo em assuntos internos, principalmente em momentos decisivos, de grande efervescência e radicalização político-partidária.


Há formas e formas de se ver e de se dizer as coisas.


Primeiro, porque se fôssemos ver a realidade apenas  do ponto de vista macroeconômico, por exemplo, em certos aspectos, como dívida pública com relação ao PIB e reservas internacionais mesmo (71% e 200 bilhões de dólares) alguns poderiam dizer que a situação do país do Sr. Shiemer é pior do que a nossa. 


E em segundo lugar, porque, como cidadão alemão, Herr Schiemer provavelmente não gostaria, por mais improvável que seja,  que um executivo chinês ou um dirigente de empresa russo, por exemplo,  falasse da mesma forma que ele fez no Brasil, com relação à Alemanha. 


16 de ago. de 2016

WHATSAPP, PRIVACIDADE A AUTORITARISMO.



 

 

(RBA - Revista do Brasil)- O  STF, por meio do ministro Ricardo Lewandowski­, suspendeu, no mês passado, a proibição, que durou algumas horas, decretada por uma juíza do Rio de Janeiro, de funcionamento do WhatsApp em todo o território nacional. Espera-se que a sábia decisão regulamente definitivamente a questão, não apenas com relação ao aplicativo em questão, mas também a outros semelhantes, e evite que parte da Justiça continue procurando chifre em cabeça de cavalo e passando ridículo aos olhos do mundo. 


A decisão da juíza e sua suspensão pelo STF se desenvolvem no âmbito da contradição entre indivíduo e sistema descrita por George Orwell, em seu profético livro 1984.


A obra do escritor britânico – publicada em 1949 –, que deu origem ao termo Big Brother, tão nefastamente apropriado por uma produtora de vídeo holandesa para servir de título ao programa de televisão homônimo, é a representação de um líder autoritário e onipresente, por meio de aparelhos de televisão, instalados em todas as casas e ruas de uma hipotética nação do futuro.


Por meio dessas telas, esse líder prega a ideologia de um regime político opressivo e brutal, com as mentiras cunhadas pelo Miniver – o Ministério da Verdade. 


E opera, ao mesmo tempo, um sistema de monitoramento que vigia a cada passo tudo que é feito pelo indivíduo, a cada momento, esteja ele nas ruas, no trabalho ou fechado em sua própria casa.


Desde, pelo menos, o uso do recenseamento pelos romanos – o que, segundo Lucas, levou a família de Jesus a Belém – e o mito do massacre ordenado por Herodes para matar, ainda ­bebê, o "rei" dos judeus, que a informação é utilizada pelo sistema para vigiar, localizar e eliminar seus inimigos.


Da mesma forma que o anonimato na internet pode facilitar a comunicação entre criminosos, ele protege a vida de pessoas perseguidas por suas convicções políticas ou religiosas, tentando escapar, com suas famílias, da prisão, da tortura, do assassinato, em mãos de regimes ou governos ilegítimos e autoritários.


Desse ponto de vista, mesmo que apenas uma vida fosse salva em qualquer lugar do mundo, por meio do WhatsApp ou de outros aplicativos semelhantes, já estaria plenamente justificada a proteção do sigilo de suas mensagens, mesmo que outras vidas pudessem vir a ser eventualmente ameaçadas por esse mesmo segredo, em outras circunstâncias.


Segundo divulgado pela mídia, o ministro da Justiça do governo ainda interino, Alexandre de Moraes, pretende enviar ao Congresso projetos de lei que levem empresas estrangeiras a instalar suas sedes no Brasil, e a utilizar tecnologia que possibilite a decriptação (decodificação de dados criptografados) das informações trocadas pelos usuários. A não ser que se trate de discurso para a plateia, essa é uma hipótese absurda e descolada da realidade.


Primeiro, porque a decisão de instalar ou não aqui uma sede ou representação é estritamente mercadológica e, para muitas empresas internacionais de internet, o Brasil ainda é um mercado secundário e periférico. 


Segundo, porque a internet não tem fronteiras. Google, Facebook, Telegram, WhatsApp não precisam instalar uma unidade em cada país para atender consumidores do mundo todo da mesma forma. 


E em terceiro lugar, porque seus produtos foram desenvolvidos exatamente para,  tecnológica e deliberadamente, por meio de criptografia automática e avançada – e a não gravação de dados – impedir que qualquer um, principalmente as autoridades, possa ter acesso às informações trocadas entre os usuários.


Ao contrário do que os governos pensam, muita gente escolhe usar um programa como o Telegram e o WhatsApp não para trocar informações, simplesmente, ou por uma questão de "popularidade", mas para assegurar que suas mensagens se mantenham em sigilo. 

Isso, porque coloca a sua privacidade em nível tão prioritário quanto o da facilidade no acesso ou agilidade de utilização. 


E não apenas com relação a alguém que possa eventualmente ter acesso físico ao seu computador, tablet ou telefone móvel, mas principalmente no contexto de que essa informação não possa ser interceptada, quando está circulando entre um ponto e outro da rede, pelos numerosos braços do Big Brother de governos cada vez mais autoritários.


As empresas que fornecem esses programas e aplicativos não fazem isso apenas porque sabem que esse apelo à privacidade é um importante, imprescindível, ponto de venda na conquista de novos usuários, em um ambiente empresarial extremamente complexo e altamente competitivo. 


Mas também porque ficaria­ tremendamente caro registrar e guardar os dados relativos à troca de bilhões de mensagens por dia, tornando proibitivo o preço do serviço para consumidores. 


Mas mesmo que, eventualmente, fosse possível proibir e bloquear, por lei, no Brasil, o uso de certos aplicativos para impedir a comunicação entre bandidos ou "terroristas", por exemplo, isso seria ainda, absolutamente inócuo.


Não há um, mas centenas de programas, até mesmo na Deep Web (internet "invisível", cujo conteúdo não é indexado a mecanismo de busca) – e surgem novos todos os dias – que permitem a comunicação criptografada e sem monitoramento. 


E centenas de outros programas que custam pouco mais de R$ 1 por dia e possibilitam ao usuário acessar a internet e todo tipo de aplicativos como se estivesse, virtualmente, em outro país – logo, fora do alcance da jurisdição das autoridades brasileiras.


E, finalmente, porque há, neste momento, dezenas de fundações e associações e milhares de cientistas e hackers trabalhando de graça, de modo voluntário e colaborativo, 24 horas por dia.


Denodados, criativos, eles aplicam tempo e esforços ao desenvolvimento de softwares gratuitos, voltados para assegurar e facilitar o anonimato e a privacidade na internet.


E se dedicam à defesa de ideais como liberdade de pensamento, de expressão, política e de comunicação, cada vez mais ameaçadas pelo avanço, em muitos lugares do planeta, do sistema representado pelo imenso Big Brother midiático-governamental do fascismo, da manipulação, da vigilância, do controle e do autoritarismo.

10 de ago. de 2016

O RABO E O CACHORRO



 

 

O fascismo vive, historicamente, de grande absurdos e de um processo crescente, paroxístico, de negação da realidade, que troca a verdade por um determinado paradigma mítico que a substitui na mentalidade dos povos, levando-os a cometer supremas imbecilidades.  


O movimento que levou Mussolini ao poder, baseava-se, entre outras coisas,  na ideia de que um dos povos mais misturados do planeta, nos últimos dois mil anos, o italiano, situado no encontro de todas as esquinas do mundo - a África e a Europa, o Oriente e o Ocidente, o Leste e o Oeste - fosse descendente puro dos romanos - já então miscigenados de escravos e bárbaros por gerações - que habitaram a Península Itálica há 2.000 anos. 


Isso, na crença da improvável hipótese de que um país récem-unificado há poucas décadas, mergulhado ainda na miséria e no analfabetismo, que exportava pobres para todos os continentes, estivesse predestinado a reeditar o poder da Roma Antiga e conquistar o mundo.


A Alemanha Hitlerista apropriou-se de um símbolo hindu, a suástica - criado por um povo de pele morena, magro, de cabelos escuros - e com ele consolidou uma mitologia nórdica de cabelos loiros e olhos azuis, que já vinha de obras como a Cavalgada das Walquirias ou o Anel dos Nibelungos,  de Wagner, para erguer como insuperáveis monumentos ao ódio, ignorância, preconceito e morte, as chaminés dos fornos crematórios de Maidanek, Treblinka, Birkenau, cujo principal papel era o de transformar vida - amores, esperanças, memórias,  sonhos, homens, mulheres  e crianças - em cinzas e fumaça.    


No Brasil de hoje, o oportunismo e um mal disfarçado fascismo desenvolveram uma ideia mestra com a qual pretendem chegar ao poder: a de que a corrupção é  culpada por todos os males brasileiros e que todos os defeitos e problemas   serão definitivamente sanados quando ela for eliminada para sempre da vida nacional.


Desde 2013, pelo menos, uma parcela aparentemente preponderante do Ministério Público, da polícia, dos juízes federais, aliada aos segmentos dominantes de uma mídia manipuladora e irresponsável - e a um verdadeiro exército de "colunistas", "especialistas"  e "filósofos" conservadores, mendazes, hipócritas   ideologicamente, e anacronicamente anticomunistas,  destituído de qualquer compromisso com o desenvolvimento do país ou a preservação de um mínimo de governablidade, estão defendendo esse mito, movendo uma das maiores campanhas institucionais e midiáticas já vistas no mundo, destinada a fazer o país acreditar que a corrupção é o maior problema nacional e que ela pode ser erradicada por obra e graça de algumas mudanças na lei e o trabalho repressivo conduzido por meia dúzia de salvadores da pátria.


Nada mais errado, equivocado e perigoso.


A corrupção, por mais que queiram nos fazer crer certos segmentos da plutocracia e seus apoiadores, naturalmente interessados em pintar o diabo pior do que parece e exagerar o mal em seu próprio benefício, uns, para se supervalorizarem, outros para chegar ao poder, outros, ainda, para destruir adversários ideológicos que não conseguem derrotar nas urnas, não é, insistimos, nem de longe, o maior problema brasileiro, nem o de outro país.


Dificilmente ela vai ser totalmente eliminada um dia, como mostra a sua ubíqua, universal, presença, comum e inerente à  sociedade humana, de forma amplamente disseminada, em qualquer nação do mundo, independentemente de sistema político ou grau de desenvolvimento, seja na Europa da  Itália da Operação Mãos Limpas ou da Grã Bretanha em que se pagam orgias com prostitutas com verba do Parlamento, ou em potências espaciais e atômicas, como a Rússia, a China e os EUA.


Na maioria dos países do mundo, a corrupção é vista, por quem tem um mínimo de conhecimento histórico,  como um rio que corre continuamente. 


Um fenômeno que pode ser desviado,  represado, canalizado, momentaneamente, mas que não tem como ser totalmente eliminado - corruptos surgem permanentemente, por desvio de caráter, pressão, convencimento, oportunidade de meter a mão no alheio - que deve ser visto com a dimensão que realmente tem, e cujo controle tem que ser exercido de forma a não afetar o funcionamento de  um sistema infinitamente maior e mais complexo, e muitíssimo mais importante,  que abarca todo o universo político, econômico e social de cada país e toda uma teia, vasta e interligada, de instituições internacionais.


Imaginem se o combate à corrupção vai se sobrepor aos interesses estrategicos  de países como a Alemanha, a Rússia, a China, a Grã Bretanha, os Estados Unidos, que com ela convivem há centenas de anos.


Por lá, ele é um elemento a mais, no processo continuado, permanente, de fortalecimento e desenvolvimento nacional, que não destrói empresas nem empregos, nem programas ou projetos essenciais.    


Do ponto de vista econômico, também, por maior que seja, a importância da corrupção é relativa.


No caso brasileiro, mesmo que fosse inequivocamente provado tudo que se está falando - com desvios de bilhões na Petrobras, sem nenhum funcionário de comissão de licitação preso ou envolvido; delações premiadas conduzidas por promotores e procuradores que especificam o que querem ouvir, arrancadas a cidadãos detidos há meses, sob custódia do Estado; conduções coercitivas sem prévia comunicação da situação de investigado e vazamentos propositais a torto e a direito; a repentina e retroativa transmutação, também "de boca", de doações legais, absolutamente regulares à época, do ponto de vista  da lei e das instituições, em suposta propina - o dinheiro desviado pela corrupção seria, ainda, uma porcentagem mínima do que se desvia em sonegação de impostos, segundo algumas organizações, da ordem de mais de 700 bilhões de reais por ano.


Ou das centenas de bilhões de reais transferidos a cada 12 meses dos bolsos dos contribuintes para os cofres dos bancos privados, em juros pagos por títulos públicos, ou em meros cartões de crédito, por exemplo, com taxas de mais de 400% ao ano.  


A diferença entre o dinheiro desviado do público por um corrupto e por um banco particular é que a comissão do corrupto, segundo se alega nas investigações, é de um a três por cento, e a do banco pode chegar a 300%, 400% do valor da operação. 


Sobre o desvio do corrupto, o sujeito que eventualmente estaciona em vaga de portador de necessidades especiais de vez em quando, pode alegar, enraivecido, que não sabia do que estava acontecendo.


O assalto dos bancos ao erário, com a conivência dos governos é público, todo mundo sabe que está ocorrendo, mas muitos preferem fingir que não estão sabendo, nem a ele dedicar a mesma indignação. 


É claro que, para o "sistema" - e para quem vive de gigolar, permanente e malandramente o discurso anti-corrupção - é muito mais fácil e conveniente fazer os trouxas acreditarem que estão faltando escolas e hospitais mais devido à desonestidade dos políticos do que por causa das centenas e centenas de bilhões de reais pagos em juros ou perdidos com a sonegação de impostos.


Esse é o caso - embora a massa ignara e conservadora não perceba que está sendo miseravelmente passada para trás - de redes de televisão que sonegam centenas de milhões de reais e que ganharam no último ano cerca de 3 bilhões em rendimentos financeiros, boa parte deles atrelados à SELIC, que defendem a independência do Banco Central em seus editoriais, e "convidam" todos os dias "especialistas" para  "explicar" em seus programas de entrevistas  porque os juros devem subir, com justificativas como a atração de investidores  externos ou o combate à inflação.    


Mas esse discurso venal, pseudo-moralista não serve apenas para distrair uma pseudo maioria de idiotas dos problemas realmente importantes e da verdadeira situação do país.
Ele também é a espinha dorsal de um manual que estamos pensando em escrever,  chamado COMO CHEGAR AO PODER ATACANDO OS POLÍTICOS. 


Um livrinho simples, cheio de conselhos  simples de como enganar os trouxas, aproveitando-se de seus preconceitos e  ignorância, que certamente teria sido lido, e servido de programa tático, se já existisse à época, por pilantras  que usaram e abusaram desse estratagema, como Hitller e Mussolini, e outros assassinos  sanguinários e hipócritas que se seguiram, porque nunca aprendemos, nós, os que pensamos defender a liberdade e a democracia, a velha lição de George Santayana, que reza que aqueles que se esquecem da História estão condenados a repetí-la.


De vez em quando, quando derrotado, o sistema fabrica uma bandeira e em cima dela produz um salvador da pátria, como ocorreu com um certo "Caçador de Marajás". Ele entrou e saiu do governo e, décadas depois, o Brasil continua, paradoxalmente, cada vez mais cheio de marajás que recebem acima do teto constitucional, muitos deles envolvidos com a caça a suspeitos de serem "corruptos".


Como já dissemos aqui, antes, o discurso anti-corrupção e a alegação de que se vai "consertar" o país, castigando os "bandidos", premiando os "mocinhos" - quem sabe até com uma Presidência da República - e dando paz e tranquilidade para os "homens de bem", são características clássicas da estratégia fascista, que joga com o preconceito, o conservadorismo, o ódio irracional e o medo da parte mais ignorante da população para chegar, e instalar-se, confortavelmente,  no poder. 


O combate à corrupção deve ser visto como uma tarefa normal, permanente,  de qualquer país ou sociedade, e exercido com equilíbrio e bom senso, e nunca a serviço de interesses de um determinado grupo ou pessoa.


Se o Brasil fosse um cachorro - e está quase se transformando em um, com o avanço célere do "viralatismo" militante  que defende a entrega de nossas riquezas a outras nações, incluídas algumas que estão incensando e vibrando com "líderes" do que está acontecendo por aqui agora - o combate à corrupção seria o rabo - acessório eventualmente útil para combater as moscas - do animal, enquanto a economia, o trabalho, o emprego, a indústria, as grandes empresas praticamente dizimadas pela Lava Jato, os projetos estratégicos de infraestrutura e defesa, a Democracia, o Estado de Direito, a Constituição, as instituições, o Presidencialismo de Coalizão, com todos os seus eventuais defeitos, a República e a governabilidade, seriam o corpo, o esqueleto e os órgãos vitais do animal.

 

Ao querer, na prática e midiaticamente, limitar os problemas nacionais ao combate à corrupção; com um processo interminável que está afetando, da maneira como vem sendo conduzido, vários setores da economia; desviando o foco de todas as outras questões, transformando-o em prioridade máxima - quando se está cansado de saber que no dia em que a corrupção acabar no Brasil, principalmente por obra e graça de dois ou três "vingadores", o Cristo Redentor  vai  descer do Corcovado, com sua saída de praia, para pegar uma onda em Copacabana e em Katmandu choverão búfalos dourados e sagrados - os responsáveis pela Lava-Jato e quem a está defendendo como a última limonada do deserto estão tratando a cauda como a cabeça do cão e colocando o bicho para correr, em círculos atrás dela.


Ou pior, para usar outra imagem ainda mais clara:  hipotecar o futuro político e econômico da oitava economia e quinto maior país do mundo a uma operação jurídica discutível e polêmica é tão surreal e absurdo quanto querer que o rabo balance o cachorro, no lugar do animal balançar a própria cauda.


4 de ago. de 2016

A LAVA-JATO E O VICE-ALMIRANTE.



 

Em uma sentença que chama a atenção pela severidade e a ausência de proporcionalidade, o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, foi condenado, ontem, por um juiz do Rio de Janeiro - com uma decisão que atingiu também a sua filha - a 43 anos de prisão por crimes supostamente cometidos durante as obras da usina nuclear de Angra 3.



O vice-almirante Othon é um dos maiores cientistas brasileiros, um dos principais responsáveis pelo programa de enriquecimento de urânio da Marinha, que levou o Brasil, há 15 dias, a fazer a sua primeira venda desse elemento químico - usado como combustível para reatores nucleares - para o exterior, para uma empresa pertencente ao governo argentino.
Em qualquer nação do mundo, principalmente nos EUA - país que, justamente por ser brasileiro, e não norte-americano, o teria espionado, “plantando” um homem da CIA ao lado do seu apartamento - o vice-almirante Othon  estaria sendo homenageado, provavelmente com uma medalha do Congresso ou da Casa Branca, por serviços de caráter estratégico prestados ao fortalecimento da Nação e ao seu desenvolvimento.

No Brasil de Itamar Franco - um homem íntegro e nacionalista, que cometeu a besteira de confiar em quem não devia e abriu a Caixa de Pandora da tragédia neoliberal dos anos 1990, ao apoiar para sua sucessão  um cidadão em cujo governo, segundo o Banco Mundial, o PIB e a renda per capita recuaram e a dívida pública duplicou, deixando ainda um papagaio, com o FMI,  de 40 bilhões de dólares - o Almirante Othon recebeu, em 1994,  da Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Ele também é Comendador da Ordem do Mérito Naval; da Ordem do Mérito Militar; da Ordem do Mérito Aeronáutico; da Ordem do Mérito das Forças Armadas; da Medalha do Mérito Tamandaré; e recebeu, além disso, a Medalha do Pacificador, a Medalha do Mérito Santos-Dumont e a Medalha Militar de Ouro.

No Brasil kafquianamente imbecilizado, midiotizado, manipulado, plutocratizado, deturpado, moralmente, da atualidade, que caminha a passos largos para a instalação de um governo  - de fato - de exceção e fascista - e, ainda por cima, entreguista e anti-nacional - a partir de 2018,  ele está sendo condenado por uma justiça em que muitos membros recebem acima do teto constitucional, perseguem jornais que os denunciam, e podem fazer palestras remuneradas sem ter que declarar quanto estão recebendo, conforme resolução do CNJ divulgada no início deste mês de julho.    

Com uma maioria de patriotas, nacionalistas, legalistas, constitucionalistas,  os militares brasileiros tem suportado em silêncio digno a interrupção e as ameaças que pairam, como aves de rapina, sobre numerosos projetos de defesa que tiveram início na última década e sobre as empresas responsáveis por eles, como o dos submergíveis convencionais e o do submarino atômico - de cujo desenvolvimento do reator já participou o próprio Almirante Othon - sob responsabilidade da Odebrecht,  um dos grupos mais prejudicados e perseguidos pela Operação Lava-Jato, que já teve que demitir mais de 120.000 pessoas no último ano, também encarregada, por meio da Mectron,  da construção, em conjunto com a Denel sul-africana, do míssil A-Darter que irá armar os novos caças Gripen NG-BR, que estão sendo - também por iniciativa dos dois últimos governos - desenvolvidos com a Suécia por itermédio da SAAB.

Tudo isso, em nome de um pseudo combate à corrupção hipócrita, ególatra, espetaculoso e burro, em que, para descobrir supostos desvios de um ou dois por cento em programas estratégicos de bilhões de dólares, condena-se ao sucateamento, atraso ou interrupção - como era o caso, há anos, das obras de Angra 3 antes de sua retomada justamente pelo Vice-Almirante Othon -  os outros 97%  dos projetos, sem nenhuma consideração pela aritmética, a lógica, o bom senso, a estratégia nacional, o fortalecimento ou o desenvolvimento brasileiros.

Isso, ainda, para vender, falsa e mendazmente, com a  cumplicidade de uma parcela da mídia irresponsável, apátrida, estúpida e venal, a tese de que se estaria "consertando" o país,  quando o que se está fazendo é jogar o bebê pela janela junto com a água do banho, e matando a boiada inteira para exterminar meia dúzia de carrapatos, no contexto de um projeto de endeusamento de um personagem constantemente incensado por uma potência estrangeira - justamente aquela que espionou o próprio Almirante Othon - quando se sabe que para prender corruptos não era preciso arrebentar com as maiores companhias de engenharia do país, como se está arrebentando, nem com os principais projetos bélicos e de infraestrutura em andamento, ou com a Estratégia Nacional de Defesa, árduamente erguida nos últimos anos, ou com um conjunto de programas do qual toma parte, ainda, o Astros 2020 da Avibras; a nova família de fuzis de assalto IA-2, da IMBEL; o Cargueiro  Militar multipropósito KC-390 da Embraer;  a nova linha de radares SABER;   os 1050 novos tanques Guarani, desenhados pelo Departamento de Engenharia do Exército, até algum tempo atrás - ao que se saiba - ainda em construção pela IVECO;   os novos navios de superfície da Marinha; ou o novo satélite de comunicações que atenderá às Forças Armadas.

Os alegados 4 milhões de reais em "propina"  eventualmente pagos em consultoria ao Almirante Othon - uma das razões de sua condenação a mais de 40 anos de prisão - seriam, caso sejam comprovados, uma migalha diante do que ele mereceria receber, em um país mais patriótico e menos hipócrita, como cientista e como compatriota, e uma quantia irrisória, se formos considerar, por exemplo, o preço de um apartamento de quatro quartos em Higienópolis, em São Paulo - há os que são vendidos a preço de “ocasião” - ou o fato de ratos como Eduardo Cunha, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, com dezenas de milhões de dólares na Suíça, terem sido soltos pelo Juiz Sérgio Moro e, tranquilos, estarem em casa neste momento.

Só no Brasil, também, um cientista desse porte é enxovalhado,  como o Vice-almirante Othon está sendo, nas redes sociais, por um bando de energúmenos, ignorantes, preconceituosos e estúpidos que não tem a menor ideia do que está ocorrendo no país, e que pensam mais com o intestino do que com a cabeça.  

Só não dá para dizer que dá vergonha de ser brasileiro porque o Brasil é maior que esta corja tosca, anti-nacional, vira-lata, manipulada e ignara, e  porque mesmo que os cães ladrem a caravana irá passar, finalmente, um dia, altaneira e impávida.

Como diria Cazuza, o tempo não pára.

Aos que estão arrebentando com a Pátria - e com as suas armas, seus heróis e seus exemplos - sacrificando-os no altar de suas inconfessáveis, imediatistas e rasteiras ambições,  sobrará o  inexorável e implacável julgamento da História.

3 de ago. de 2016

O BRASIL, O JAPÃO E O ESTÍMULO AO CRESCIMENTO ECONÔMICO.




 

 

O Japão, terceira maior economia do planeta, e um pais considerado desenvolvido em quase todos os aspectos - apesar de ter uma dívida bruta com relação ao PIB mais de três vezes maior que a nossa - acaba de lançar um pacote de estímulo de 274 bilhões de dólares, para apoiar o crescimento econômico, incluindo empréstimos a juro zero para obras de infraestrutura.


Enquanto isso, no Brasil, o Banco Central continua mantendo o pacote de estímulo aos bancos, com juros pornográficos da taxa SELIC na casa dos 14,5%, retirando dinheiro da economia real para dar boa vida a rentistas e especuladores.


Além disso, pretende-se também dimuir, no lugar de aumentar, o financiamento à atividade real,  via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que ainda corre o risco de ter que enviar 100 bilhões de reais ao Tesouro, restringindo sua capacidade de estimular obras e empresas, e move-se contra esse banco uma sórdida, mentirosa, campanha fascista nos meios de comunicação e redes sociais apesar de ele ter dado sempre lucro acima de 6 bilhões de reais a cada 12 meses, nos últimos anos.


Procura-se sabotar e inviabilizar, por aqui, a capacidade de intervenção e mobilização do Estado - que detêm mais de um trilhão de reais em reservas internacionais - justamente em um momento em que as nações mais importantes do mundo fazem, como o Japão, exatamente o contrário.

Estamos a ponto de votar, no Congresso, um teto obrigatório para os gastos do governo - que acaba de aprovar um generosíssimo "pacote" de aumento de salários - mesmo quando nosso grau de endividamento é menor do que o da maioria dos países desenvolvidos.

 

Isso, em um momento em que os juros estão negativos na maioria dessas nações, como é o caso da zona do Euro, como uma tentativa de resposta lógica, eficaz, potencialmente mais inteligente, a uma crise que, como se pode ver, não é só nossa, e que afeta neste momento - ao contrário do que por aqui querem fazer acreditar aos "trouxas" - a maior parte dos países do mundo.