1 de jun. de 2018

MORO E A APOSTA DOS EUA


(Do blog com equipe) - Da mesma forma que a História não desculpará ao Supremo, por sua leniência, a intervenção da Lava Jato no processo político e eleitoral em curso, com a surreal condenação e prisão de Lula e a  clara, direta consequência da entrega do país - se as coisas continuarem como estão - a Bolsonaro em outubro, ela não perdoará à mesma operação a destruição neutrônica do Brasil e da engenharia brasileira e o enterro judicial dos projetos estratégicos que estavam destinados a aumentar a nossa independência e soberania frente a outras nações.


Nesse sentido - como já foi lembrado - é emblemática a ainda recente imagem em que aparecem, sorridentes, cumprimentando-se, o Sr, Pedro Parente e  o Sr. Sérgio Moro e sua esposa.


Tirada há duas semanas em Nova Iorque, em jantar patrocinado por bancos no qual, apesar disso, a Petrobras pagou 26.000 dólares por uma das principais mesas - olhaí, alegre consumidor, para onde vai a grana dos sucessivos aumentos da sua gasolina - de um evento em que um convite custava 1.200 dólares (cerca de 4.000,00 reais) por cabeça, ela é um fiel e bem acabado retrato do Brasil dos dias de hoje


De um lado, vemos o homem-símbolo de uma operação que, envolvendo o Judiciário e o Ministério Público,  interrompeu dezenas de bilhões de dólares em obras, entre elas, por suspeita de superfaturamento, a expansão do projeto da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que tinha como objetivo, com uma produção planejada de 230.000 barris por dia, contribuir para que o Brasil atingisse a autosuficiência na produção interna de óleo diesel.


Um  passo imprescindível para que se impedisse situações como a que o país vive agora, quando nossa dependência externa nesse quesito ficou escancarada com a greve dos caminhoneiros e o cerco pelos grevistas a portos por onde entram, em território nacional, milhões de litros de combustível importado, todos os dias,  principalmente dos EUA.


Na outra ponta desse cordialíssimo - e sorridentíssimo - aperto de mão, que o fotógrafo registrou para a História - que sempre dá um jeito de entrar como penetra nesses regabofes - estava o homem que esteve desmontando e entregando a Petrobras aos gringos nos últimos dois anos - das reservas do pré-sal às portentosas refinarias e gasodutos construídos pelos governos de Lula e Dilma Roussef ao longo de 13 anos, enfrentando sabotagens e resistências de todo tipo.


Um gênio da raça - desembarcado da máquina do tempo vinda dos fabulosos anos de FHC - que estava fazendo da venda de petroleo bruto lá fora e do aumento da importação de combustível dos Estados Unidos, com alto valor agregado, a pedra angular de sua administração à frente da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima.


O engenhoso condutor - não esqueçamos - da espetacular política de reajuste de preços da maior empresa do país, que, baseada justamente no atrelamento da Petrobras ao mercado externo, levou à paralisação da nação, com uma greve de caminhoneiros.

Um movimento infiltrado - e afinal sequestrado - por fascistas golpistas, que mergulhou o Brasil no maior desastre logístico de uma longa série de infortúnios, inaugurada quando a frota de Cabral - o navegante, não o governador - perdeu em um naufrágio a sua "Ventura', uma caravela com 150 homens e muitas provisões a bordo,  aos cuidados do comandante Vasco de Ataíde, no dia 22 de março de 1500, quando ainda estava a caminho desta gloriosa terra que hoje connecemos pelo nome de Brasil.


Não estranha, diante da situação,  que os dois tenham se encontrado, por ironia. em um convescote realizado em um lugar curiosamente mais (que, talvez) apropriado a ofídeos, o Museu de História Natural de Nova Iorque - em sagrado solo norte-americano, país ao qual os dois prestam, em consequencia direta e indireta de seus ações, inúmeros e relevantíssimos serviços.


Não apenas ao “stablishment” mais poderoso do mundo, mas à nação que, em troca da fidelíssima “cooperação” na luta contra o crime e em defesa de seu trumpiniano e elasticíssimo conceito de democracia -  vide seu implacável combate à busca de autonomia por outros países, incluído o nosso - premia direta e indiretamente nosso celebrado juiz de Curitiba organizando para satisfação de seu modestíssimo ego encontros desse tipo, que incluem, ao fabuloso herói tupiniquim deste simulacro de nação em que nos transformamos, a pública outorga, regada a champanhe, de rapapés e salamaleques, espelhinhos e miçangas.


Daqui a cinquenta anos, como monumento aos sonhos naconalistas da era Lula e Dilma, o que sobrará das refinarias, gasodutos, hidrelétricas, navios, plataformas de petróleo, submarinos, erguidos ou fabricados ao longo de 15 anos, depois de décadas de estagnação e de descaso, em que neste país não se construiu nenhuma obra desse porte?



As ruínas de gigantescos projetos interrompidos judicialmente - em decisões em que a irresponsabilidade estratégica só não é maior do que a falta de bom senso e a ignorância geopolítica - e uma ou outra obra que, se miraculosamente concluída, já estará, como todas as outras em sua condição, definitivamente desnacionalizada, entregue ao controle estrangeiro por um governo patético e lastimável, que não precisava, com a desculpa de ter sido convocado para “salvar o país” ou de estar “quebrado” - com 1.2 trilhões de reais em caixa em reservas internacionais herdadas - fazer exatamente o contrário do que faziam, em termos de política industrial soberana, as administrações que o precederam.

Apresentado pelo último ganhador da mesma homenagem, um esfuziante ex-prefeito de São Paulo, para cuja empresa daria uma palestra em Nova Iorque no dia seguinte, na qual negou, entre uma brincadeira e outra, ser agente da CIA, nosso badaladíssimo juiz - que - segundo a Folha -  escutou apelos de “Moro Presidente” quando subiu ao palco, enquanto cidadãos brasileiros e norte-americanos se manifestavam gritando “Moro salafrário, juiz partidário” do lado de fora - concluiu seu discurso dizendo que por aqui não existe risco de ruptura democrática e que os EUA podem apostar no Brasil de hoje.

Ora, no Brasil não existe risco de ruptura democrática porque nossa democracia já vem sendo estilhaçada desde 2006 pelas mãos do próprio Judiciário, quando foram elevados à condição de jurisprudência, borrachudos casuísmos como a versão tupiniquim da Teoria do Domínio do Fato,  levada a extremos nunca dantes navegados, e outros como mandar condenados para a cadeia sem provas, com a permissão da "literatura jurídica" e de outros subterfúgios verbais dignos de contorcionistas javaneses do Circo de Jacarta.

Ora, se fôssemos o Tio Sam, incluindo seus grandes grupos de engenharia que não precisam mais se preocupar com a concorrência de empresas brasileiras ou com financiamentos do BNDES no exterior; suas grandes petrolíferas, como a EXXON, que acaba de botar a mão, a preço de banana, em dezenas de milhões de barris das reservas do pré-sal, com isenção de impostos por 25 anos para a importação de produtos e serviços estrangeiros; ou os “falcões” de Washington que estão adorando ver homens como o pai do programa brasileiro de enriquecimento de urânio, o Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a mais de 40 anos de prisão; e Lula, que criou o BRICS, a UNASUL, e o Conselho de Segurança da América do Sul, atrás das grades e impedido de concorrer por um processo e um julgamento espúrios, à Presidência da República; contando, no Brasil, com amigos como o Meretíssimo Magistrado e - dentro ou fora da Petrobras - Mister Pedro Parente, e considerando os resultados alcançados até agora, em tempo recorde, com esse jogo, nós também dobraríamos o cacife e apostaríamos regiamente em seu país e em festejos e jantares como esse, como os Estados Unidos estão fazendo, mister Moro!

31 de mai. de 2018

AUDÁLIO DANTAS E ALBERTO DINES: O BRASIL CADA VEZ MAIS ÓRFÃO DE SI MESMO.




(Do blog com equipe) - Poucos dias depois da despedida de Alberto Dines, outro companheiro de incomensurável importância para o Brasil e para o jornalismo brasileiro, nosso amigo Audálio Dantas, nos deixou, ontem, a todos que amam este país, um pouco mais órfãos de nós mesmos.


Um de seus mais importantes gestos de amizade, mas não o último, foi nos dar a  honra de receber das mãos de Juca Kfouri, em outubro de 2015, o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos,  que depois foi entregue, em mãos, na nossa casa em Brasília, em afetuosa visita da companheira Ana Flávia Marx.


Para Audálio Dantas e Alberto Dines,  ficam estas palavras, que dormiram muito tempo na gaveta, desde que foram rabiscadas,  entre “cañas” e “tapas”, em uma noite solitária, em um bar de Madrid, na década de 1980:  


Los que luchan,
no parten.


Comparten.

El pan endurecido del coraje. 


La sangre que corre,
curtida en
odre de sudor y sal,
en sus venas solidarias.


Como el vino de uvas
veranas,
de soles antiguos,
paridas por la luz
del tiempo
insano
en la cara
de las montañas,
con prisa,
antes que la piedra
vuelva a ser arena,
serena,
en las orillas
de los horizontes.


Los que luchan,
no parten.


Brillan,
como el hidrógeno,
en el interior
de las estrellas.


Para donde vuelan,
como cohetes,
con la fuerza del inercial impulso
de su propio ímpetu.


Y pulsan,
en el corazón del futuro,
su memoria y su ejemplo.

30 de mai. de 2018

INFILTRADOS É EUFEMISMO. O NOME DESSE BICHO É FASCISMO !



(Do blog com equipe) - A leitura dos principais jornais e portais da internet brasileira, cuja cobertura privilegia aspectos como o abastecimento de alimentos e a retomada da venda de combustíveis pelos postos e distribuidoras, mostra como no Brasil a mídia continua fazendo o perigoso jogo  da avestruz que, enfiando a cabeça no meio da areia, prefere tapar o sol com a peneira no lugar de discutir o que realmente está acontecendo com o país, tanto do ponto de vista jornalístico quanto do nosso destino político.

Mais que o desabastecimento provocado pelos bloqueios dos caminhoneiros, o que importa é a emersão impune e violenta, mais uma vez, da extrema-direita na vida brasileira, com a rápida mobilização de milhares de canalhas por meio do Whatsapp, para se assenhorearem de um movimento de protesto, como aprenderam a fazer desde que inauguraram com sucesso essa tática nas famigeradas jornadas de junho de 2013.

Fosse mais organizada, ao menos estrategicamente, a esquerda teria chegado primeiro aos bloqueios, obviamente sem camisetas e lenços vermelhos, não para defender um golpe de estado, mas uma bandeira muito mais cara aos grevistas legítimos, a volta da política de preços - equilibrada e consciente - da Petrobras dos tempos de Lula e Dilma.   

Em 2013, as manifestações foram  tratadas pelo governo e pela imprensa, como se fossem movidas pelo anseio de democracia, quando o que verdadeiramente escondiam - também com financiamento e infiltração externa - era o germe da fragmentação da República e da destruição do presidencialismo de coalizão que, com todos os seus defeitos, tinha nos trazido - apesar dos sinais mais que premonitórios do distorcido julgamento do “Mensalão” - até as vésperas da Copa do Mundo, com um mínimo de paz, de equilíbrio institucional e de governabilidade.

Dois aspectos marcaram esse processo:

O primeiro e mais evidente, o retorno da extrema direita ao universo político nacional, depois da aventura integralista dos anos 1930 e da derrota dos extremistas no contexto da própria ditadura militar, com o desfecho da crise provocada pelos assassinatos de Vladimir Herzog e de Manoel Fiel Filho, que culminou com a destituição do General Ednardo D´Ávila Mello e do Comandante do Exército, o General Silvio Frota pelo Presidente Geisel.

Mesmo que os radicais nunca tenham sido, de fato, totalmente controlados, como mostraram os atentados terroristas contra a ABI e o que matou a secretária da OAB, Dona Lyda Monteiro da Silva e a tentativa - frustrada pelo destino - de explodir uma bomba dentro do Riocentro, no governo Figueiredo.

Pela simples e cristalina razão de que a serpente do autoritarismo de direita, agora descaradamente voltada para a defesa da tortura, do genocídio e do retorno de um governo militar ao poder, além do fechamento do Congresso e do fim das eleições no país, nunca foi enfrentada com firmeza e com coragem pela sociedade brasileira.

Os covardes, como mostra a História, quando não são combatidos desde o ninho, crescem, em perversidade e violência, até o massacre de velhos, mulheres e crianças, como ocorreu com  o nazismo, que - não se iludam - subiu na base da mentira, da chantagem, da ameaça e fa brutalidade, exatamente como está ocorrendo no Brasil agora, sem nenhuma resistência digna de nota.

Por que isso ocorreu?

Porque, em primeiro lugar, vide O PT, O PSDB E A ARTE DE CEVAR OS URUBUS - a geração que lutou pela volta da democracia despreocupou-se totalmente da doutrinação democrática da população brasileira - em grande parte ignorante, manipulável, facilmente influenciável - no sentido não apenas do ensino da importância da liberdade como primeiro valor e principal conquista e riqueza de todo ser humano. mas também dos direitos e deveres do cidadão consubstanciados na Constituição de 1988.

É incrível que, mais de três décadas depois da reconquista do direito de voto para Presidente da República, tal conteúdo democrático, voltado para o ensino da cidadania e para explicar à sociedade - incluídos meninos e meninas que depois viriam a ser aprovados em concursos para a polícia, o Judiciário e o Ministério Público - como funciona o nosso sistema político, não tenha sido adotado, como aconteceu agora, com a elaboração e implementação da Base Nacional  Comum Curricular do governo Temer - obrigatoriamente sequer nas escolas públicas, a ponto de, pelo contrário, ter se fortalecido, em nosso país, a estapafúrdia tese do Movimento Escola sem Partido.

Esse equívoco, essa omissão, essa burrice - imperdoáveis historicamente do ponto de vista político - associados ao fato dos quartéis nunca terem aberto mão de sua versão particular do golpe de 1964 - ensinando intramuros que a derrubada de Jango se deu para evitar um fantasioso golpe comunista no Brasil -  levaram o país à situação em que se encontra agora.

Em que energúmenos armados de paus, pedras e armas e vestidos das cores nacionais mantêm sob a mira de revolveres, caminhoneiros em cárcere privado.

Altos oficiais das forças armadas - democratas e legalistas - se dizem preocupados com a influência de pseudo “manifestantes” sobre a tropa,

E torturadores e assassinos são festejados em eventos políticos, quando estão, há anos, em outros países,  como a Argentina e o Uruguai, pagando por seus crimes na cadeia.

Boa parte da responsabilidade por esse estado de coisas é da mídia conservadora brasileira, que sempre apoiou decisiva e entusiasticamente o radicalismo de direita, quando ele atende a seus interesses, como ocorreu com o impeachment de Dilma, e que depois, quando eclode o ovo da serpente, como está ocorrendo agora, finge não ter nada com isso, e apela para subterfúgios e eufemismos que impedem que a nação combata e dê nome aos bois do apocalipse.

Além disso, à pusilanimidade também do governo - ilegítimo, confuso, hesitante - soma-se a inapetência, a anomia neurológica e a inação de uma esquerda que, chamada a defender o país e a democracia - da qual depende sua sobrevência até mesmo física, em  um futuro próximo - continua fechada em seus guetos e reminiscências e divagações.

Deixando que os golpistas debatam e comentem livremente, como se apenas eles existissem, a situação do país no espaço de comentários de todos os jornais e portais da internet, sem o menor ataque, intervenção, contestação ou resistência.

Uma coisa é o sujeito alegar que não pode ir a uma manifestação, compreende-se.

Outra é se recusar a entrar no computador todos os dias, para acompanhar o que está ocorrendo e dar combate ao ódio, à canalhice e à mentira.

Hoje, no portal Terra, por exemplo - que sequer exige um cadastro para quem comenta - o  Comandante do Comando Militar Conjunto das Forças Armadas, Almirante Ademir Sobrinho, está sendo violentamente  desancado desde a manhã por pregar a obediência à Constituição, por hitlernautas - em meio a apelos para a distribuição de armas para matar “eleitores da esquerda” - sem que nenhum brasileiro decente apareça para defendê-lo ou apoiá-lo.    

A uma proporção de quinze para um, por baixo, de comentários contra a democracia, as eleições, o Estado de Direito, não estranha que muitos, na opinião pública, e não poucos, nas forças armadas, especialmente entre oficiais e sub-oficiais em início de carreira, para não falar nos conscritos, acreditem que os golpistas são ampla maioria na soiciedade brasileira.   
       
É preciso que quem crê na força da liberdade e da democracia tome - que me perdoem os leitores mas já estamos cansados de repetir esse alerta mais de mil vezes - vergonha na cara e parta imediatamente para o enfrentamento da mentira e da hipocrisia na internet, minuto a minuto, maciçamente, no tempo que nos resta até as eleições, e que se pare de apenas sonhar com Lula como uma Rapunzel presa na torre do castelo, que de lá sairá, miraculosamente, na undécima hora, para nos salvar dos monstros da Floresta.

O PT pode não precisar de um plano B, mas a nação precisa de um plano AB, e de uma aliança para travar o golpismo, urgentemente.

Ou será que em breve não restará outra alternativa que a de se importar armas do Paraguai e treinar em clubes de tiro e até mesmo no mato - como a direita já está fazendo há anos - com excursões desse tipo organizadas até mesmo por filhos de pré-candidatos à Presidência da República, e com a participação de “instrutores” norte-americanos, aqui e nos Estados Unidos, antes que muitos venham a ser caçados e massacrados como cordeiros daqui a um ou dois anos?

Não fiquem pensando que as centenas de sujeitos que defendem a tortura e o assassinato como arma política, todos os dias, na internet, sem por isso serem incomodados pelo MP ou pela Justiça,   estão falando da boca para fora ou que hesitariam nem por um instante se pudessem cometer seus crimes.

A diferença entre o canalha covarde que preliba este tipo de infâmia atrás do anonimato de seu computador e aquele que irá desatar todo o seu ódio e perversidade quando tiver a primeira oportunidade, é apenas um porrete na mão e um outro ser humano - desde que esteja desarmado, inerme e indefeso - na sua frente.         

A vanguarda das SA e das SS nazistas era composta de professores, advogados, farmacêuticos, comerciantes, agentes de segurança, que sem seus uniformes pardos e negros, posavam de "gente de bem", com um aspecto absolutamente normal de babacas inofensivos.

E não me venham dizer que estou defendendo ou pregando uma guerra civil.

Nesse aspecto e neste momento, estou sendo apenas mais um armamentista, dos muitos que proliferam por aí, e da linha norte-americana.

País que tem uma constituição que afirma que todo cidadão tem o direito de se armar para defender a liberdade e a democracia, principalmente contra a ameaça de formação de um governo tirânuico e ilegítimo.

Além de sua propriedade - como aqui defende a direita - todo brasileiro tem que gozar da prerrogativa de preservar os seus direitos e a sua vida, começando pelo de pensamento e opinião e o de ir e vir, como qualquer um pode perguntar aos caminhoneiros sequestrados nestes dias.

Que, se estivessem armados, poderiam ter tentado preservar a sua dignidade, dispersando em muito pontos de bloqueio a turba antidemocrática e ensandecida, que, irônica e hipocritamente, quase sempre aparece nessas ocasiões, pedindo intervenção militar, enrolada nas cores nacionais.

É um absurdo que a mídia continue a tratar genericamente como “infiltrados” - por quem, com que intenção, principalmente política? - uma malta de criminosos que agrediram caminhoneiros e destruíram os seus veículos e provocaram dezenas de bilhões de reais em prejuízo para empresários que, esperemos, aprendam com essa lição memorável, que vai lhes doer no bolso, com que tipo de capirotos enlouquecidos estão tratando, achando que é possível mantê-los sob controle, presos em uma garrafa, e onde estão amarrando a sua égua quando flertam, em concorridos regabofes, com a violência e o autoritarismo.

No mais, a população brasileira - quem está se arriscando a morrer porque não pode fazer hemodiálise, ou ficou com o filho doente e sem atendimento porque não havia funcionários nos postos de saúde - tem o direito de saber com quem está lidando.

Vamos lá, dona mídia.

Coragem para dizer a verdade.

Vamos dar nome aos bois.

Infiltrados é eufemismo.

O nome desse bicho é FASCISMO.

25 de mai. de 2018

GOLPISTAS APROVEITAM GREVE PARA PEDIR INTERVENÇÃO 'CONSTITUCIONAL".








(Do blog com equipe) - Sempre no cio, como lembrava Brecht, as cadelas do fascismo - e do golpismo - querem aproveitar a greve dos caminhoneiros para colocar faixas nas rodovias pedindo a eterna intervenção militar.


Quem sabe com saudade dos locautes golpistas chilenos, embora não dê para saber se o vídeo é de agora, já tem também pelo menos um sujeito vestido de sargento do exército pedindo que quem quiser ajudar os caminhoneiros coloque faixas nesse sentido nos pontos de concentração dos grevistas e sugerindo que o apelo seja espalhado pelo whatsapp.

Duas coisas a lembrar:

1 - O governo vai usar justamente o exército para forçar a passagem de caminhões de combustível pelas estradas para assegurar atividade essenciais.



2 - A intervenção “militar” no Rio de Janeiro, mostrou que as forças armadas, mesmo quando apenas cumprindo ordens, são tão sujeitas a problemas e limitações quanto qualquer outra instituição nacional.

Se essa força não consegue segurar a onda em favelas no Rio de Janeiro, cidade em que a violência aumentou no lugar de diminuir depois da chegada das tropas federais, vai conseguir fazer isso na quinta maior extensão territorial do mundo, pegando o verdadeiro rabo de foguete em que o golpe contra Dilma transformou o Brasil depois de 2016?

Só malucos vestidos de camisetas com fotos de torturadores, em festa de apoio à pré-candidatura de certo aspirante à presidência, colocariam suas fichas numa roubada dessa, principalmente porque o Brasil - ao contrário do que ocorria em 1964 - tem centenas de quilômetros de fronteira seca com países onde é mole comprar rifles e submetralhadoras, como o Paraguai e a Venezuela, onde está sendo instalada a segunda maior fábrica de rifles Kalashnikov do mundo, depois da própria Rússia, por exemplo.

Pior que um golpe - que como mostra o de 2016, todo mundo vê como começa, mas ninguém sabe como vai acabar - só um segundo golpe dentro dele.

Já pensou no "pega pra capar"?

A DESASTROSA GESTÃO DA PETROBRAS E A PARALISAÇÃO DO BRASIL.






(Do blog com equipe) - Nada de novo na forma como o Brasil atual está tratando e vendo a greve convocada pelos caminhoneiros em protesto contra os sucessivos e absurdos aumentos dos combustíveis, que passam de 50% em alguns meses.  

O senso comum imposto ininterruptamente a marretadas por uma mídia irresponsável e ideologicamente comprometida e o discurso oficial, mentiroso, hipócrita e mendaz, continuam se apoiando na tese, ou melhor, no conto do vigário, de que os caminhoneiros estão exagerando e que a culpa é do PT, que teria “quebrado” a Petrobras devido à política de preços adotada nos governos Lula e Dilma.

Quando, na verdade, o vaivém dos preços foi, pelo contrário, usado inteligentemente nos últimos anos, para impedir fortes  aumentos, com a empresa guardando dinheiro quando a cotação do dólar e dos combustíveis lhe eram favoráveis, para subsidiar a compra de diesel e gasolina quando os preços estavam mais altos lá fora, evitando sacudir o mercado e o bolso dos consumidores com o desce e sobe (mais sobe do que desce) idiota e terrorista dos dias de hoje, em que um sujeito não pode sequer programar uma viagem de dois dias sem saber quanto vai gastar de combustível.

Uma doutrina - baseada no “laissez” faire” e na flutuação dos preços no “mercado”,  essa entidade-anjo, uma verdadeira filial do céu onde vive Nosso Senhor Jesus Cristo -  que só facilita a vida dos especuladores e dos donos de postos de gasolina, que também deveriam ter sido chamados para se sentar à mesa de negociação com o governo.

Afinal, caminhoneiros e cidadãos comuns estão fartos de saber que, depois que sobem, em uma espécie de “lei de antigravidade” que é extremamente grave e prejudicial para o país, os combustíveis, principalmente o diesel e a gasolina - que não dão safras sazonais como o álcool - jamais voltam a cair de preço no bico dos revólveres das bombas dos postos, a não ser na ordem ridícula dos centavos, em uma espécie de cruel gozação com a cara do consumidor brasileiro.

Em janeiro de 2016, o jornal ligado a uma importante rede de televisão publicou uma matéria tentando explicar, geopoliticamente, a razão para a queda de 60% da cotação do petróleo em menos de dois anos.

O texto citava, entre outras motivações:  o aumento da produção de óleo de xisto nos Estados Unidos para 9 milhões de barris por dia; a decisão da Arábia Saudita de tentar atrapalhar a indústria de exploração desse recurso nos EUA, aumentando a oferta e vendendo o petróleo da OPEP a 25 dólares o barril; e a volta de outros grandes fornecedores de petróleo ao mercado, como o Irã, após o fim de sanções impostas àquele país pela ONU.

Essas notícias não foram publicadas há 14 anos. Elas saíram, inacreditavelmente, e com grande destaque, há menos de 15 meses. O que é fantástico é que, na cobertura da greve dos caminhoneiros, com a grave crise internacional dos preços do petróleo, que ainda continua, ninguém tenha tocado no assunto e elas tenham sido escandalosamente apagadas, como os desafetos de Stalin e os acusados do macartismo, da história “oficial” vigente.

Deliberadamente omitidas pelo Ministério da Verdade, o MINIVER do livro 1984, de George Orwell, em que se transformou a grande mídia neoliberal, que adotou a tática de chamar dezenas de  “analistas”, a todo momento, alguns deles figuras carimbadas do desgoverno do Sr. Fernando Henrique Cardoso, para repisar a mentira deslavada de que a suposta crise que “obriga” a  Petrobras a aumentar o preço dos combustíveis a cada vez que o Atchim da estória da Branca de Neve espirra é culpa da política de estabilização de preços internos criteriosamente adotada durante anos pelos governos anteriores.

Como se o preço internacional do petróleo bruto não tivesse caído de 115 dólares em agosto de 2013, para 111 dólares em junho de 2014, 50 dólares em março de 2015,  e 30 dólares em janeiro de 2016.

E como se isso não tivesse afetado em nada as contas da Petrobras, que produz quase três milhões de barris de petróleo por dia.

Mesmo assim, como mostram exaustivamente dados divulgados pela AEPET, a Associação dos Engenheiros da Petrobras, a Petrobras perto de estar quebrada.

Ela teve, apesar da política de estabilização dos preços internos de combustíveis e gás de cozinha adotada pelos governos do PT, uma geração operacional de caixa de 33 bilhões de dólares em 2011, de 27 bilhões de dólares em 2012, de 26 bilhões de dólares em 2013, de 26 bilhões de dólares em 2014, de 25 bilhões de dólares em 2015, e de 26 bilhões de dólares em 2016, ano do golpe midiático-parlamentar que derrubou Dilma Roussef e desestabilizou o país levando-o à lastimável situação jurídica, econômica e política em que se encontra agora.

Na qual se prefere insistir em apresentar à opinião pública a tese calhorda, apoiada pela mesma velha plêiade de “analistas” e “especialistas” de um lado só, de que a culpa do que está acontecendo é do  Partido dos Trabalhadores.

Que, tendo economizado 380 bilhões de dólares apenas em reservas internacionais e deixado mais 800 bilhões (260 bilhões de reais em dinheiro) em ativos no BNDES, fora  o pagamento da dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI, teria sido responsável por jogar a empresa no buraco e por “quebrar” o Brasil, deixando-o na terrível condição em que ainda se encontra  de quarto maior credor individual externo dos EUA.

Sem aumentar a divida pública, que em 2002 ainda era maior do que é agora.

A importância atribuída pelo terrorismo midiático à queda no valor das ações da Petrobras também é ridícula.

As ações de qualquer empresa do mundo flutuam e as da Petrobras se mantêm estáveis no médio prazo.

Elas estavam em vinte reais em maio de 2013, caíram para 5 reais no início de 2016 - quando foram usadas pelos especuladores para fazer rios de dinheiro e ajudar a derrubar Dilma - e estão em 25 reais agora, como sei na condição de  modestíssimo acionista da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima.

Os idiotas que, para baixar ainda mais a cotação, venderam a cinco reais, às vésperas do impeachment, movidos pelo ódio contra o governo e o desprezo pela maior empresa brasileira se deixaram influenciar pelo preconceito ideológico e as emanações da mídia.

Com isso, quem ganhou gigantescas fortunas foram os gringos que apostaram dezenas de bilhões de dólares na empresa, como fez George Soros na época do impeachment,  comprando suas ações a preço de jiló murcho, porque sabiam e continuam sabendo que a Petrobras vai continuar sendo um dos maiores negócios do mundo, e, se não a destruírem totalmente, uma das mais avançadas organizações na geração de tecnologia para o setor petrolífero,  como  mostra o fato de ser a mais premiada companhia na OTC, a Offshore Technology Conference,  o “oscar” global da exploração de petróleo em águas profundas. 

O resto é especulação de curto prazo, em que “notícias” e boatos ajudam a fazer fortunas, literalmente da noite para o dia, como mostra a variação de mais de 10% nas ações da Petrobras nas últimas 48 horas.

O que não pode variar, como as ações, ao sabor do preconceito e da ideologia viralatista, pseudo-privatista e entreguista, é a indiscutível importância estratégica da maior empresa brasileira (condição que não se mede pelo seu valor em  bolsa).

O que a greve dos caminhoneiros - com suas filas de caminhões nas estradas e ameaça de suspensão de viagens aéreas e de desabastecimento de gêneros essenciais, principalmente alimentícios, está mostrando ao país, clara e didaticamente, é que uma Petrobras mal administrada, como está ocorrendo agora, pode fazer muito mais mal ao Brasil do que ao bolso de seus acionistas. 

Ela pode paralisar o país, e, por isso, tem que ser vista - ao contrário do que afirmou o Sr. Pedro Parente ontem - não como uma empresa privada com objetivo de gerar mais lucro para seus acionistas, mas como uma decisiva conquista - desde a campanha do petróleo é nosso da qual temos orgulho de ter participado - de todos os brasileiros.

Como um fator de fundamental importância do ponto de vista estratégico - como mostra a existência de empresas semelhantes, da Arábia Saudita à Noruega, na maior parte do mundo - para o funcionamento da nação e o desenvolvimento econômico e social do país.

Da Petrobras o povo brasileiro espera poucas coisas, neste particular momento da vida nacional.

Que não se entreguem as riquezas que ela descobriu sozinha, depois do fundo do mar, com tecnologia própria, a preço de banana, aos gringos, é uma delas.

Principalmente quando se considera que o rasteiro discurso privatista vigente está apenas despindo o estado brasileiro para beneficiar governos estrangeiros, abrindo o pré-sal para estatais norueguesas e chinesas, ou grupos em que o governo é o principal acionista, como a Total francesa.

A outra é que o preço dos combustíveis não mude, principalmente para cima, a cada vez que o Sr. Pedro Parente troca de camisa.

Também seria razoável que não se mentisse sobre a situação real da empresa, agora e no passado e se provasse a afirmação de que a Petrobras sofreu - sem que sequer um membro de comissão de licitação fosse investigado - um assalto de 6 bilhões de reais, nunca inequivocamente comprovado, mito estabelecido com a cumplicidade de uma empresa norte-americana  cuja história está eivada de escândalos e de “barrigadas”, lamentavelmente chamada a fazer uma “auditoria” na empresa, por um governo teoricamente nacionalista, à época, levado a fazer isso pela ininterrupta pressão fascista desfechada a partir de 2006.

Mas isso já seria demais quando vivemos em um país em que reina a jurisprudência da delação e do punitivísmo mais reles e implacável.

No qual se extraem as narrativas mais estapafúrdias de empresários constantemente ameaçados, se não se submeterem a isso, de prisão e de definitivo fechamento de suas empresas.

Em que a condução irresponsável de uma guerra jurídica baseada na denúncia e na descarada criminalização da atividade política, da democracia e do presidencialismo de coalizão, levou ao sucateamento de centenas de bilhões de reais em obras e projetos judicialmente interrompidos, a centenas de milhares de demissões e à quebra de um igual número de acionistas, investidores e fornecedores.

Quanto à “negociação” do governo com os caminhoneiros - muitos dos quais devem estar arrependidos de ter bloqueado estradas contra Dilma - a suspensão da cobrança de pedágio a veículos que estejam circulando vazios, com o terceiro  eixo levantado, pode ser muito mais  efetiva do que a pretendida queda ou suspensão de impostos dos combustíveis oferecida pelo governo aos transportadores e caminhoneiros autônomos, recursos que vão acabar, com quase absoluta certeza, no bolso dos donos dos postos de gasolina, que, se não houver controle de preços, dificilmente repassarão  essa queda para os consumidores.

Só há duas maneiras de resolver a questão a curto prazo.

Ou tabelar os preços, ou liberar as associações, organizações ou futuras cooperativas de caminhoneiros para comprar o diesel direto das distribuidoras, ao preço em que ele é vendido pela Petrobras, estabelecendo um prazo para que haja alterações de preço (uma vez por ano é razoável) voltando a dar oportunidade aos caminhoneiros de planejar suas atividades e à empresa de manter o preço mesmo quando houver queda no mercado internacional, para fazer caixa e comprar quando os preços subirem de novo.     

Finalmente, a reoneração da folha de pagamento de mais de 20 setores da economia atinge o país em uma região do fígado que é a mais sensível para os mais pobres, depois do deletério efeito sobre o emprego do punitivismo anti-empresarial da Operação Lava-Jato e a irresponsável e inócua - em termos fiscais -  esterilização, pelo governo, com sua devolução antecipada e desnecessária ao tesouro nacional, de 260 bilhões de reais que se encontravam nos cofres do BNDES quando Temer assumiu, que poderiam ter sido investidos em novos projetos e na retomada de obras de infraestrutura com a geração de milhares de postos de trabalho.

Como já lembramos aqui, o Sr. Pedro Parente foi claro ontem na televisão.

O primeiro compromisso do atual governo com relação à Petrobras é tentar- o que não está conseguindo - agregar valor para os seus acionistas.

É aí que está - lembram-se quando tentaram trocar o nome da Petrobras para Petrobrax? - o X da questão.

A missão dos governos anteriores era usar a empresa para evitar que a inflação disparasse e permitir o abastecimento de combustíveis e a livre circulação de mercadorias, para cumprir o seu papel de garantir condições razoáveis de vida para a população e o funcionamento “normal” da nação.

Além de assegurar, a preços razoáveis, gás de cozinha para milhões de brasileiros - segundo o IBGE já são 1.2 milhões de famílias - que, hoje, em mais uma conquista neoliberal inesquecível, reviram caçambas em todo o país catando lenha para preparar a sua boia de cada dia.  

Quanto aos membros da classe média conservadora e manipulada que ajudaram a derrubar Dilma, aguentaram mais de 200 aumentos da gasolina sem chiar desde 2016 e agora se encontram bloqueados nos aeroportos tentando seguir viagem, cabe perguntar, respeitosa e carinhosamente: onde estão as panelinhas?


25 de abr. de 2018

A EXPIAÇÃO DOS CAPRINOS E OS DEMÔNIOS DE PANDORA.




(Do blog com equipe) - Os artigos da grande imprensa dando conta de que a transformação do  ex-governador e atual Senador Aécio Neves em réu pelo STF estaria enfraquecendo as bases de uma suposta “teoria persecutória” do PT, reforçam ainda mais, no lugar de esvaziar, a tese da judicialização e criminalização da política brasileira.

As várias manifestações em torno desse eventual “efeito” colateral “positivo”, do ponto de vista antipetista, apenas vêm aumentar a consistência da hipótese que abordamos no artigo “O alvo final é Lula”, em maio de 2017.

Diretamente acessado, apenas em nosso blog, por mais de 175.000 internautas, esse texto dizia que a armação contra Aécio e, de certa forma, também contra Temer, teriam como motivação subjacente - além de prejudicar obviamente os envolvidos - abrir caminho para viabilizar e tornar mais palatável aos olhos do povo e da opinião pública, um fato muitíssimo mais grave, do ponto de vista político: a condenação e posterior prisão - como ocorreu agora - do ex-presidente Lula,  com o seu impedimento de participar das eleições presidenciais de 2018.

Lula está na cadeia porque precisa transformar-se, como aconteceu com Jango, JK, Getúlio e Tiradentes (qual era mesmo o nome dos  três Ministros Desembargadores da Suplicação, que, chegados de Lisboa em 1790, condenaram Joaquim José a ser executado, esquartejado e espetado em diferentes locais da Capitania das Minas e a ter sua casa arrasada e salgada para todo o sempre?) em mais um símbólico,   didático, histórico, exemplo e aviso, de que certos limites não podem, neste simulacro de nação, ser ultrapassados impunemente.

Mesmo que se conte com o apoio da maioria dos brasileiros, pertencentes  àquilo que o jornalista Elio Gaspari costuma referir-se como o andar de baixo.   

Condenado por uma “compra” de imóvel que  não ocorreu e por supostas reformas que - como pode ser atestado pelos vídeos do xexelento “tríplex” postados nas redes sociais após a invasão do MST - também nunca aconteceram, Luís Inácio Lula da Silva transformou-se, nos últimos anos, no mais odiado, emblemático e referencial bode expiatório de uma sociedade atrasada, escravagista, apátrida, patriarcal e entreguista.

Dominada e manipulada por pilantras de variada fauna e mantida sob secular e violento controle por descendentes de feitores de escravos e capitães do mato.

Que não suportou que um sem dedo torneiro mecânico chegasse à Presidência da República.

Recuperando, com o pagamento da divida com o FMI e a criação do BRICS,  um mínimo de respeito para o país no exterior.

E que se desse às nossas diferentes senzalas - entre elas aquelas em que quilombolas são pesados e sopesados em arrobas - um  pouco de atenção e de humanidade.

Mesmo que fosse para transformá-las em consumidoras de serviços e  produtos fabricados pela Casa Grande, em um sistema capitalista periférico desigual e escandalosamente selvagem.

Dominado por uma oligarquia anacrônica, composta de barnabés cuja arrogância só rivaliza com sua ignorância estratégica.

Por “coronéis” toscos pseudo formados na doutrina imbecil do Estado mínimo sem maior noção da importância pós-mercantilista do fomento ao mercado interno e nenhum compromisso com o futuro ou a soberania nacional.

E por viralatistas e testas de ferro de empresas e interesses estrangeiros.

Já Aécio Neves entrou na fila da expiação dos caprinos, em um país em que até a Presidente da República teve uma ligação telefônica gravada e vazada ilegalmente, porque foi escolhido como alvo para uma arapuca - que não merece nem pode ser descrita de outra forma - montada, ao que tudo parece, por setores do Ministério Público, em conluio com empresários pressionados pela necessidade de livrar-se a qualquer custo da prisão e dos enlouquecidos tentáculos lavajatianos.

Os longos braços peludos e amacacados de uma “operação” equilibrada como um orangotango em loja de louça, que, no trato com o empresariado, já tinha ficado marcada   pela contumaz paralisação destrutiva de obras e projetos estratégicos e de defesa no valor de dezenas de bilhões de dólares e pela quebra das maiores empresas do país e de uma extensa cadeia de milhares de acionistas, investidores e fornecedores, com a eliminação - direta e indireta - de mais de um milhão de empregos.   

E pelo fato de ter, Aécio, se transformado, entre as lideranças mais tradicionais da política brasileira, em um ícone fácil do antipetismo.

Um símbolo capaz, caso venha a ser  condenado e preso, de dar uma ínfima  camada de verniz de isonomia a uma certa justiça que, no frigir dos ovos, é política, seletiva e parcial, cujas decisões tem sido contestadas e ridicularizadas por juristas do mundo inteiro.  

Afinal - diria a malta - se até Aécio, que apareceu trocando salamaleques e sorrisos com o juiz Sérgio Moro em foto que ficou famosa -  está correndo o risco de ser preso, como negar a imparcialidade da justiça ou aceitar que ela volte atrás colocando Lula de novo na rua, permitindo sua candidatura?

  • A Constituição que se exploda - pontificaria, finalmente, a turba - o importante é que no Brasil a lei vale para todos!

Homem de muita sagacidade, caberá aos historiadores do futuro investigar por quem o Sr. Aécio Neves deixou-se emprenhar pelos ouvidos para cometer o quase suicídio político de apoiar a tese do impeachment da Presidente Dilma Roussef, proposta pela figura esdrúxula e patológica de uma certa senhorinha paulistana, que para  isso foi paga pelo seu partido.

Ao aceitar contestar o resultado das eleições, replicando o discurso fascista de colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, e ajudar a tirar do poder uma presidente eleita, com base em um pretexto absolutamente furado do ponto de vista jurídico, o Sr. Aécio Neves foi levado a fazer o jogo da extrema-direita, que - como se pode ver pelo menos desde 2010 com uma simples busca nos comentários da internet - o odiou e desprezou durante a maior parte de sua vida pública.

E abriu a escura caixa de Pandora,   libertando, ou, no mínimo, cevando, a pão de ló, os demônios do lawfare, do punitivismo inquisitorial e da antipolítica que ameaçam devorá-lo agora.

Isso, quando se tivesse simplesmente defendido a sábia e equilibrada manutenção das regras do jogo democrático, dedicando-se a comandar uma oposição minimamente civilizada, estaria chegando a este momento de quase véspera das eleições como líder inconteste do PSDB e de um patrimônio de dezenas de milhões de votos.

Em grandes condições de ajudar a evitar - mesmo com uma eventual prisão de Lula - que o país descambasse, como descambou, para a beira do precipício em que se encontra, prestes a escorregar, por  falta de lucidez e de bom senso de diferentes personalidades do espectro político e social, ao final da apuração dos votos das próximas eleições, para a goela de um fascismo estúpido, truculento, perigosíssimo e absolutamente imprevisível  do ponto de vista histórico.

Tudo isso somado, não é preciso lembrar que a História escreve mais nas entrelinhas do que nas manchetes dos jornais que ainda sobrevivem nas bancas.

Contra a lógica política não há argumento.

A quem beneficia a condenação e a eventual ida de Aécio e de outros adversários políticos do PT para  a cadeia, sob a égide do ativismo “antipolítico” do Judiciário e do Ministério Público, em um contexto, uma batalha surda, que opõe procuradores, juízes e policiais a deputados e senadores e envolve, entre outras questões, o amplo direito de defesa e a lei do controle de abuso de autoridade?

A quem quer ver Lula solto - com todas as consequencias políticas implícitas nessa alternativa - ou a quem quer ver o ex-presidente da República passar os próximos 12 anos trancado e isolado, a sete chaves, em  regime fechado, dentro da prisão?

Incluindo, natural e principalmente, a extrema-direita antipetista que é muitissimo mais radical - e potencialmente mais bem sucedida, eleitoralmente - que o PSDB, e que depende visceralmente de Lula continuar atrás das grades para chegar ao poder neste ano ?

Mas não se pode esquecer que os sempre inesperados meandros da História não apenas castigam.

Eles também abrem as asas da  necessidade e da oportunidade, para  redimir e ensinar.

Entre as muitas batalhas em andamento, está a importância, como vimos, de resgatar senão o prestígio, ao menos as prerrogativas institucionais dos representantes eleitos, segundo o espírito e  os princípios constitucionais.

Mas, mais premente do que tudo isso, é saber o  que farão, com o resto de inteligência e de serenidade que puderem reunir, os homens mais importantes do  Brasil, frente ao desafio que se coloca, nos próximos meses, diante deles, como uma implacável esfinge guardando um deserto quente e seco varrido pelos ventos do destino.

Invocados nas fogueiras das jornadas de junho, à sombra das bandeiras auriverdes sequestradas pelos inimigos da democracia, para onde nos levarão os demônios de Pandora, que começaram a germinar sob as arcadas do Supremo, nos idos do famigerado mensalão?

Decifra-me ou te devoro.

Não é preciso ser mandrake para responder à incontornável pergunta formulada neste  momento pela leonina quimera da história brasileira.

Ou  se costura uma ampla, urgente e democrática frente antifascista para a disputa das próximas eleições presidenciais, ou o fascismo será levado  ao poder no segundo turno, graças à esterilização eleitoral de Lula, com o apoio de uma vasta coalizão fisiológica que unirá - como já o está fazendo - em torno de seu seio venenoso e murcho o que existe de mais oportunista, tosco, maligno, mendaz e desprezível na sociedade - e na política - nacionais.