30 de jul de 2013

A POLÍTICA COMO DEVER

                     
(Carta Maior)-Em seu discurso no Theatro Municipal, o papa Francisco defendeu o primado da política. Ele não disse, nem lhe era necessário dizer, que só a política assegura a sobrevivência da sociedade humana. Política, entendamos, significa a participação de todos, sob a liderança de homens capazes, na escolha de representantes para elaborar as leis e dirigir o Estado. O pontífice (e pontífice é aquele que projeta e edifica pontes) volta ao princípio basilar da ação política, que é a realização do bem-estar comum da sociedade nacional. Desde que o homem criou a linguagem, e passou a conviver em grupos maiores, ele exerce os atos políticos, porque política é, ao mesmo tempo, a organização do convívio e a administração dos conflitos.
                     Os atos políticos estão inseridos na esfera do cotidiano. Eles são um esforço permanente, nunca concluso, para que a Humanidade não pereça. Não é por acaso que o Papa citou o profeta Amós e sua objurgatória contra os opressores. Ele, com o exemplo bíblico, mostra que Deus não aceita a injustiça, não compactua com a glorificação do lucro, obtido com a desalmada exploração do trabalho daqueles que alugam seus braços em troca de salários aviltantes. Ele poderia valer-se de inumeráveis advertências semelhantes, encontráveis em Isaias, na única epístola de Tiago e, praticadas, nos Atos dos Apóstolos.
                    Deus, em nossa visão temporal e amarrada ao silêncio da matéria, é a palavra que encontramos para identificar o Absoluto, onde se escondem as imperscrutáveis razões da vida. Só a Fé, que obedece à lógica, mas não à ciência, é que dispensa a filosofia pedestre, e dá ao homem a força da esperança.                                 
                    Teólogos atentos encontraram, nos últimos escritos de Ratzinger, os sinais de  debilidade diante das exigências de sua missão. Ele tenta esvaziar a mensagem política da vida de Cristo e nega a história de sua própria Igreja que, para o bem e para o mal, foi, e continua a ser, uma presença política.
                   Coube à Igreja, na Alta Idade Média, conservar a racionalidade greco-romana, nos territórios do Império invadidos pelos bárbaros, e aos muçulmanos manter o saber antigo em seus livros e nos grupos de sábios - os da famosa Escola de Bagdá.
                   Ora, essa evidência tão clara é negada pelo papa Bento 16. Em sua interpretação, não foram políticos pervertidos pela luxúria e pela simonia, por exemplo, homens como Rodrigo Bórgia, Giuliano della Rovere e Giovanni de Médici, que sob os nomes de Alexandre VI, Júlio II e Leão X, governaram a Igreja de 1492 a 1513: os anos mais escuros de toda a História do Papado.
                   Não há outra explicação: o discernimento do Cardeal Ratzinger não era o de um homem em pleno domínio da razão, e a sua escolha para ocupar o trono de Pedro pode ser vista como vitória política do Cardeal Bertone que, associado a Wojtyla, vinha dividindo com o polonês o governo da Igreja.
               Há, mesmo na hierarquia brasileira, uma tentativa de reduzir a visita do Papa, de esvaziar a  mensagem evangélica, que reclama dos jovens a responsabilidade da reabilitação da política. Embora cauteloso em alguns momentos, Bergóglio deixou muito claro o seu pensamento – ele se encontra ao lado de Leão XIII, de Pio XI e de João XXIII – e bem distante de Pio X, de Pio XII e de João Paulo II.
               

5 comentários:

Anônimo disse...

Me desculpe Mauro, talvez vc não tenha tomado conhecimento do desmentido da notícia. O Globo mentiu mais uma vez. Pra começar, o servidor não foi preso.
Abraço!

http://www.viomundo.com.br/denuncias/carla-hirt-baleada-agredida-e-acusada-de-formar-quadrilha.html

Aldo Luiz Fonseca disse...

Caro Santayana

2013... Quem diria... Segue a agenda do estelionato milenar.

"A minha confissão é a confissão de uma derrota...

Guerra! Sangue! Sangueira! Todas as tentativas que fiz... Sangue. Mortificação. Errei quando pensei poder pedir a Igreja que combatesse um sistema de superstição, de ignorância, de violência. A Igreja usa o poder e não o amor. Quanta ingenuidade a minha acreditar poder reformar a condição dos homens com a ajuda deste ou daquele príncipe que tem o poder pedindo que reforme o sistema de seu Estado..."

Giordano Bruno, matemático e filósofo italiano (1548-1600).

E eu aqui, o mais idiota dos idiotas no escravista labirinto do nada, atirando garrafas ao mar, gritando aos céus essa milenar conspiração. Falando de perdão e amor, de amor incondicional. Pensando em Giordano Bruno e olhando boquiaberto as infinitas fotos do Papa visitante em nome de Jesus e Francisco de Assis cercado de mercenários e tenebrosos policiais militares por todos os lados.

Sinto muito.me perdoe, vos amo, sou grato.

Anônimo disse...

O lobo de sabonete

http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/14372-o-lobo-de-sabonete.html

Renato

Anônimo disse...

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/30355/por+que+alguem+gosta+do+foro+de+sao+paulo+.shtml

Renato

Paulo Eleito disse...

Defender o primado da política é jogar os dois Livros de Samuel no lixo.
A religião é uma coisa muuuito maleável.