30 de jan de 2014

A INTEGRAÇÃO E AS ARMAS


(Hoje em Dia) - Durante boa parte do século XX, principalmente nas décadas de 40, 50, 60 e 70, os militares latino-americanos costumavam ser apresentados e conhecer, uns aos outros, na então tristemente famosa “Escola das Américas”.

Um complexo militar norte-americano instalado na Zona do Canal do Panamá, onde eram treinados e instruídos pelas forças armadas dos EUA, e cooptados por “técnicos” do Pentágono e da CIA, para cerrar fileiras com os Estados Unidos na luta contra o “comunismo” e a URSS.

Era ali que urdiam e aprendiam como dar golpes sangrentos, nos quais a primeira vítima era a Liberdade, e a segunda, seus próprios povos, obrigados a padecer anos e anos sob o tacão de ditaduras, da quebra do Estado de Direito, do terror e da tortura.


Na semana passada, militares e especialistas em defesa da América do Sul se reuniram em Bogotá, para participar de mais um encontro do Conselho de Defesa da América do Sul, organismo vinculado à UNASUL - cuja presidência está sendo exercida, de forma compartilhada, pela Colômbia e o Suriname.


Criado em 2008, o CDS está voltado para quatro linhas de atuação: assistência humanitária e cooperação militar; formação e capacitação; políticas de defesa; e indústria e tecnologia bélica.

A sua existência tem permitido uma aproximação maior, na área de defesa, entre Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Ecuador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela.

Colômbia e Chile – apesar de membros da Aliança do Pacífico, prejudicada pelo pífio crescimento mexicano de apenas 1.2% - são sócios do Brasil no projeto do jato de transporte militar da Embraer KC-390, (foto - com Argentina, Portugal e República Tcheca). O Brasil compra lanchas fluviais de ataque colombianas para a marinha e o Peru mantêm estreita cooperação com Brasília, principalmente agora que os dois países tem comprado mais armamento russo.


Na reunião de Bogotá foram apresentadas e analisadas as metodologias de planejamento estratégico e de gestão orçamentária na área de defesa da Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Peru e Venezuela, com o objetivo de “estabelecer as bases para o desenvolvimento das forças armadas do futuro da região”, um dos temas da reunião de Ministros de Defesa da UNASUL, que está programada para os dias 19 e 20 de fevereiro, em Panamaribo.


Uma situação impensável há alguns anos, se consideramos problemas relativamente recentes, como os que opuseram a Colômbia à Venezuela, envolvendo as FARC - que já estão em processo de pacificação – e, historicamente, o Peru ao Chile, por limites fronteiriços.

Esses conflitos eram usados, no passado, por nações de outras regiões, para nos dividir e separar, e, hoje, não impedem que nossos países compartilhem informações estratégicas, e cooperem mutuamente em torno de projetos e objetivos comuns, nas reuniões do Conselho de Defesa da América do Sul. 

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