22 de nov. de 2015
O BRASIL DOS JATOS E O BRASIL DA LAVA-JATO.
Para o Brasil dos jatos Gripen, cuja transferência
de tecnologia a presidenta Dilma Rousseff foi negociar em outubro na Suécia, o
Brasil da Força Aérea, da Aeronáutica, do Exército, da engenharia, da indústria
bélica, da indústria pesada, da indústria naval, da indústria de energia, do
petróleo e do gás, do agronegócio, da mineração, este é o país que, mesmo com
todos os seus problemas, depois de anos e anos de abandono e estagnação, pagou
a dívida com o FMI; voltou a pavimentar e a duplicar rodovias; retomou obras
ferroviárias e hidroviárias; retomou a produção de navios e passou a fabricar
plataformas de petróleo, armas, satélites, sistemas eólicos, mergulhando, na
última década, em dos maiores programas de desenvolvimento de sua história. Seria bom se o Brasil da Lava
Jato se concentrasse em prender os corruptos, aqueles com milhões de dólares em
contas na Suíça, e não em libertá-los – como está fazendo com o Sr. Paulo
Roberto Costa, dispensado até mesmo de sua prisão domiciliar –, no lugar de
manter aprisionados, arbitrariamente, quase que indefinidamente, dirigentes de
partido sem nenhum sinal ou prova de enriquecimento ilícito e executivos de
nossas maiores empresas.
A maioria delas ligada, direta ou
indiretamente, a um amplo e diversificado programa de rearmamento e
infraestrutura que engloba a construção de nossos novos submarinos
convencionais e atômicos; de nossos novos (foto) caças Gripen NG BR; do nosso novo
avião cargueiro militar multiuso KC-390 – a maior aeronave já fabricada no
Brasil; de 1.050 novos tanques blindados Guarani; de nossos novos rifles de
assalto IA-2; de nossos novos sistemas de mísseis de saturação e de cruzeiro,
como o Astros 2020 e o AVTM-300 da Avibras – com alcance de 300 quilômetros; de
nossos novos mísseis ar-ar como o A-Darter; de nossos novos radares como os
Saber; de nossos novos e gigantescos complexos petroquímicos e refinarias de
petróleo, como Abreu e Lima e Comperj; de nossas novas plataformas de petróleo
com capacidade para produção de centenas de milhares de barris de óleo por dia;
de nossas novas e gigantescas usinas hidrelétricas, como Jirau, Santo Antônio e
Belo Monte – a terceira maior do mundo; de nossa nova frota de navios da
Transpetro, do tipo Panamax, com capacidade de transporte de 650 mil barris de
combustíveis cada um; de nossas novas embarcações de guerra, que voltamos até
mesmo a exportar; de nossos novos satélites de comunicações; ou de portentosas
obras de engenharia como a ponte sobre o Rio Negro, em Manaus, e a ponte Anita
Garibaldi, em Laguna, Santa Catarina.
Esse é o Brasil da estratégia, do
longo prazo, que a mídia conservadora nacional optou, há muito tempo, como
fazem os ilusionistas das festas infantis, por esconder com uma mão, enquanto
mostra como uma grande novidade, com a outra mão, o Brasil de uma “crise” e de
uma “corrupção” seletiva e repetidamente exageradas e multiplicadas ao extremo.
Há um Brasil que deveria estar
acima das disputas político-partidárias, que cabe preservar e defender. Quem
quiser fazer oposição precisa, se quiser chegar ao poder, mostrar, com um tripé
baseado no nacionalismo, na unidade, e no desenvolvimentismo, que estará
comprometido com o prosseguimento desses programas, fundamentais para o futuro
da Nação. Com todos os seus eventuais problemas, que podem ser solucionados sem
dificuldades, eles conformam um projeto de Nação que não pode ser interrompido,
cuja sabotagem e destruição só interessa aos nossos inimigos, muitos dos quais,
do exterior, se regozijam com o atual quadro de fragmentação e esgarçamento da
sociedade, antevendo o momento em que retomarão o controle de nosso destino e o
de nossas riquezas.
Seria bom que o Brasil da Lava
Jato – considerando-se os que comandam a operação homônima – trabalhasse com
responsabilidade e cidadania em sua missão, separando o joio do trigo,
prendendo quem tiver de prender, mas evitando, no lugar de incentivar, os danos
colaterais para empresas e projetos estratégicos que empregam milhares de
pessoas, nos quais já foram investidos bilhões e bilhões de dólares –
protegendo e não arrasando, como já está ocorrendo, parte da indústria pesada e
da
Seria bom se o Brasil da Lava
Jato – considerando-se os que torcem pela “operação” – tratasse a questão da
corrupção sem partidarismo e seletividade, preparando-se para o pleito do
próximo ano, já que não há melhor lugar do que uma urna para que o desejo e a
determinação – e até mesmo a eventual indignação – de um povo livre, civilizado
e democrático possam se manifestar.
21 de nov. de 2015
EM BRASÍLIA, O ALVO É A DEMOCRACIA.
Esta semana, o encontro de uma
manifestação de mulheres negras contra a violência e o racismo e um grupo de
golpistas de extrema-direita acampados em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, quase acabou em tragédia, quando um ex-policial
maranhense reformado - já preso antes no
mesmo local, alguns dias antes - e um
policial civil do Distrito Federal foram detidos depois de disparar suas
armas.
Os golpistas – infiltrados por malucos
e por provocadores armados que sabem muitíssimo bem o que estão fazendo - que acamparam
em frente ao Congresso Nacional com um general de brinquedo, não querem o impeachment nem uma intervenção
militar.
Cansados de saber que o apoio a essas
teses está, ao menos nas manifestações, minguando a olhos vistos, eles estão –
como já poderia ter sido detectado há muito tempo pelos órgãos de inteligência,
como a ABIN - munidos de revólveres, picadores de gelo, de soco inglês, de
bastões e de impunidade – só falta o apoio declarado das forças policiais que deveriam
coibi-los - aguardando que se produzam as primeiras mortes, uns cinco ou seis
cadáveres, de preferência, em um eventual confronto, com vítimas de parte a
parte, para que a Nação se incendeie.
Cabe ao Congresso, ao Governo
Federal, se necessário, com a convocação de tropas do Exército, proibir, até
segunda ordem, indiscriminadamente, a realização de manifestações de qualquer
natureza ou orientação ideológica, fechando e controlando o acesso à Esplanada
dos Ministérios.
Onde estão o Senado, a Câmara dos Deputados,
a Presidência da República, o Ministério da Justiça, os órgãos de inteligência,
o Governo do Distrito Federal, a Corregedoria da Polícia Civil desse governo, e
a Polícia Federal?
Alguém imagina que a presença de
“manifestantes” armados em frente à Casa Branca, em Washington, ou na Praça
Vermelha, em Moscou, ou na Praça da Paz Celestial, em Pequim - e a sua prisão,
para serem liberados, horas depois, depois de terem sido simplesmente “ouvidos”
- seria tolerada, ou vista, em alguma circunstância, como “normal”?
A Guerra Civil da Ucrânia, que já
gerou milhares de mortos e esfacelou – até geograficamente – o país, começou com
a instalação de acampamentos neonazistas na Praça Maidan, seguida da
infiltração de atiradores fascistas nos telhados, que dispararam contra a
multidão, para acender a centelha que deu início a um conflito generalizado que
ainda não terminou.
Quem pariu Mateus que o embale.
A responsabilidade de desarmar a bomba
da violência antidemocrática é, em primeiro lugar, da oposição,
Foi a oposição que apostou na
criminalização e na judicialização da política, com a distorção e condenação,
aos olhos de uma minoria radical, despolitizada e ignorante, de práticas que
eram useiras e vezeiras - como diz o ditado - no sistema presidencialista
brasileiro.
Entre elas, o recurso ao Caixa 2; o
financiamento de coligações de apoio; e as
doações empresariais de campanha, acreditando, piamente, que isso iria atingir apenas
o governo, sem se voltar, como um bumerangue, como já está ocorrendo, contra si
mesma.
E, em segundo lugar, a
responsabilidade é do governo.
Por não ter reagido, desde o início -
como não o fez até agora – aos insultos individuais lançados contra certas
lideranças e a própria Presidente da República, assistindo passivamente à
escalada cotidiana, semanal, de ódio e de desinformação, e aceitando – porque
quem cala, consente – a condição de ladrão, terrorista, e outros termos impublicáveis,
com que têm sido brindados, por internautas, com nome e sobrenome, na internet,
sem nenhuma reação do ponto de vista jurídico.
E, como se isso não bastasse, o
governo pecou também por incompetência, ao não apresentar – ao menos em rede
nacional de televisão – a formulação e defesa do projeto, que, bem, ou mal,
tentou estabelecer para o país nos últimos anos.
Um programa que estava baseado, entre
outros pontos, no fortalecimento diplomático do país, com a liderança da
integração latino-americana, e a criação do Grupo dos BRICS, e conquistas como
a presidência da FAO e da Organização Mundial do Comércio.
Na recuperação dos fundamentos
macroeconômicos, com a diminuição da dívida pública líquida, e da dívida
externa - com o enxugamento dos títulos denominados em moeda estrangeira - e o
aumento, em mais 1000% das reservas internacionais.
E na expansão da safra agrícola; na produção
de energia e na exploração de petróleo; na recuperação, com o PAC, da
infra-estrutura, com a construção de portos, refinarias, grandes hidrelétricas;
e no planejamento e execução do maior esforço de rearmamento das Forças Armadas
do país em 500 anos de história.
Como estamos alertando há anos, exaustivamente - nós e outras vozes isoladas - se o golpismo tivesse sido combatido desde o começo, com base na legislação vigente - a apologia à quebra do Estado de Direito é crime, vide o artigo quinto da Constituição Federal, que diz XLV - "constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; a Lei de Segurança Nacional, que considera, no Artigo 22, crime "fazer, em público, propaganda: I - de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social; e o Artigo 23, I - que se refere à incitação, I - à subversão da ordem política e social; II- à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis; ou, III - à luta com violência entre as classes sociais, e próprio Código Penal, sobre a incitação ao crime - pelos Três Poderes da República, a serpente não teria eclodido, e não estaria presente e armada, provocando o Estado e a Nação, na praça que leva o seu nome.
Na imposição de limites que não devem
ser ultrapassados, o governo poderia aprender com o Exército, que, outro dia,
simplesmente proibiu a presença de certo expoente da extrema direita que vive
no exterior em sua página de comentários, por este estar insultando – como se estivesse
na Casa da Mãe Joana – o Comandante da força, General Villas Bôas.
O pior de tudo, é que a maior vítima
de tudo isso, não são nem o governo, nem a oposição, apesar de desmoralizados aos olhos de parte da população, mas a
própria Democracia, também execrada e vilipendiada, sem resposta, ou quase
nenhuma defesa, nos grandes portais da internet e redes sociais, enquanto o fascismo – ansioso para receber de braços abertos os escombros da República - milita com competência
nesses espaços e fora deles, em franca e aberta campanha para as eleições
presidenciais de 2018, sem denúncia nem fiscalização por parte de quem quer que
seja.
20 de nov. de 2015
AS "PEDALADAS", AS RESERVAS INTERNACIONAIS E A CPMF.
(Carta Maior) - Fiel à sua tática de continuar
produzindo novos factoides, a imprensa conservadora anuncia que o TCU pode
"obrigar" o governo a “pagar” R$ 60 bilhões de reais em pedaladas
fiscais.
Colocando os pingos nos is, o TCU não pode obrigar o governo a fazer nada.O Tribunal de Contas da União não é órgão do Judiciário, seus membros nunca passaram em concurso para magistrados e suas recomendações dependem de aprovação do Congresso Nacional, de quem não passa de um órgão auxiliar.
Caso o governo resolva “pagar” essas “pedaladas” fiscais – que o professor Dalmo Dallari, em entrevista na Globo News, afirmou que não acarretaram nenhum prejuízo para o país, porque não passam de um acerto de contas dentro do próprio setor público e "fazem parte das atribuições da Presidente da República" de manter em funcionamento os programas sociais de interesse da população, bastaria à Presidente Dilma Roussef converter 15 dos 370 bilhões de dólares que o país dispõe em reservas internacionais para "pagar" esses 60 bilhões de reais.
E ainda sobrariam, nas arcas do tesouro, o equivalente a 1 trilhão e 440 bilhões de reais em reservas internacionais, em dólares, ali colocados nos últimos 10 anos, depois do pagamento, ao FMI, da conta de 40 bilhões de dólares deixada pelo economicamente tão decantado, em prosa e verso, governo de Fernando Henrique Cardoso, que também deixou como herança uma dívida pública líquida de 60%, duplicada com relação à do governo Itamar Franco, que representa, hoje, diminuída pela metade, aproximadamente 34% do PIB.
Ao admitir - montada nas sextas maiores reservas internacionais do mundo, e na condição de que o Brasil goza, neste momento, de terceiro maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver pela página oficial do tesouro norte-americano, o discurso da mídia de que o país está em uma crise sem saída, a senhora Dilma Roussef - que já deveria ter convocado cadeia nacional de rádio e televisão para apresentar esses dados - não apenas comete um suicídio político e um verdadeiro desastre do ponto de vista da comunicação, mas também continua a fazer o jogo de seus adversários, deixando-se mansamente pautar pelos "moralistas sem moral" a que se referiu outro dia em discurso, e pela mídia de oposição.
O mesmo vale para a CPMF, mais uma faca que a Presidente da República coloca nas mãos de seus adversários, junto a uma opinião pública que, desinformada e intoxicada, dia a dia, semana a semana, pelo discurso neoliberal vigente, acredita no dogma de que o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do planeta e um dos estados mais inchados do mundo.
Algo que, nos dois casos, não resiste a uma comparação ligeira com países da Europa ou os próprios EUA, ou a uma mera leitura das estatísticas de instituições e órgãos financeiros internacionais.
Como disse o Prêmio Nobel de Economia, e colunista do New York Times, Paul Krugman, em recente entrevista à Folha de São Paulo - na qual reduziu praticamente à insignificância os recentes "rebaixamentos" do Brasil pelas agências internacionais - o Brasil tem problemas, boa parte deles derivado de uma situação econômica internacional negativa, que atinge boa parte do mundo, mas vive uma situação macroeconômica ímpar, que não pode ser comparada às enfrentadas e vividas no passado.
A Presidente Dilma – aproveitando uma eventual troca de Ministro da Fazenda - poderia lançar mão de parte das reservas para resolver os problemas pontuais e imediatos que o país enfrenta.
Assim, ela evitaria pisar nas cascas de banana que lhe atiram todos os dias.E caso também diminuísse os juros, sem aumentar impostos, beneficiando ainda mais a indústria e setores como o turismo interno, que tendem a se fortalecer com as recentes altas do dólar, o Brasil poderia começar o ano que vem sob outra perspectiva econômica e institucional.
Isso, se fosse possível superar a incompetência estratégica do governo - que há muito tempo deveria ter lançado uma campanha nacional com os reais dados macroeconômicos para combater a "crise"- que é de dar lástima, em sua comunicação com o povo brasileiro
Colocando os pingos nos is, o TCU não pode obrigar o governo a fazer nada.O Tribunal de Contas da União não é órgão do Judiciário, seus membros nunca passaram em concurso para magistrados e suas recomendações dependem de aprovação do Congresso Nacional, de quem não passa de um órgão auxiliar.
Caso o governo resolva “pagar” essas “pedaladas” fiscais – que o professor Dalmo Dallari, em entrevista na Globo News, afirmou que não acarretaram nenhum prejuízo para o país, porque não passam de um acerto de contas dentro do próprio setor público e "fazem parte das atribuições da Presidente da República" de manter em funcionamento os programas sociais de interesse da população, bastaria à Presidente Dilma Roussef converter 15 dos 370 bilhões de dólares que o país dispõe em reservas internacionais para "pagar" esses 60 bilhões de reais.
E ainda sobrariam, nas arcas do tesouro, o equivalente a 1 trilhão e 440 bilhões de reais em reservas internacionais, em dólares, ali colocados nos últimos 10 anos, depois do pagamento, ao FMI, da conta de 40 bilhões de dólares deixada pelo economicamente tão decantado, em prosa e verso, governo de Fernando Henrique Cardoso, que também deixou como herança uma dívida pública líquida de 60%, duplicada com relação à do governo Itamar Franco, que representa, hoje, diminuída pela metade, aproximadamente 34% do PIB.
Ao admitir - montada nas sextas maiores reservas internacionais do mundo, e na condição de que o Brasil goza, neste momento, de terceiro maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver pela página oficial do tesouro norte-americano, o discurso da mídia de que o país está em uma crise sem saída, a senhora Dilma Roussef - que já deveria ter convocado cadeia nacional de rádio e televisão para apresentar esses dados - não apenas comete um suicídio político e um verdadeiro desastre do ponto de vista da comunicação, mas também continua a fazer o jogo de seus adversários, deixando-se mansamente pautar pelos "moralistas sem moral" a que se referiu outro dia em discurso, e pela mídia de oposição.
O mesmo vale para a CPMF, mais uma faca que a Presidente da República coloca nas mãos de seus adversários, junto a uma opinião pública que, desinformada e intoxicada, dia a dia, semana a semana, pelo discurso neoliberal vigente, acredita no dogma de que o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do planeta e um dos estados mais inchados do mundo.
Algo que, nos dois casos, não resiste a uma comparação ligeira com países da Europa ou os próprios EUA, ou a uma mera leitura das estatísticas de instituições e órgãos financeiros internacionais.
Como disse o Prêmio Nobel de Economia, e colunista do New York Times, Paul Krugman, em recente entrevista à Folha de São Paulo - na qual reduziu praticamente à insignificância os recentes "rebaixamentos" do Brasil pelas agências internacionais - o Brasil tem problemas, boa parte deles derivado de uma situação econômica internacional negativa, que atinge boa parte do mundo, mas vive uma situação macroeconômica ímpar, que não pode ser comparada às enfrentadas e vividas no passado.
A Presidente Dilma – aproveitando uma eventual troca de Ministro da Fazenda - poderia lançar mão de parte das reservas para resolver os problemas pontuais e imediatos que o país enfrenta.
Assim, ela evitaria pisar nas cascas de banana que lhe atiram todos os dias.E caso também diminuísse os juros, sem aumentar impostos, beneficiando ainda mais a indústria e setores como o turismo interno, que tendem a se fortalecer com as recentes altas do dólar, o Brasil poderia começar o ano que vem sob outra perspectiva econômica e institucional.
Isso, se fosse possível superar a incompetência estratégica do governo - que há muito tempo deveria ter lançado uma campanha nacional com os reais dados macroeconômicos para combater a "crise"- que é de dar lástima, em sua comunicação com o povo brasileiro
16 de nov. de 2015
CLINTON, OBAMA E OS COMUNAS DA CIA.
(Jornal do Brasil) - Conferencista internacional, assim como Fernando Henrique
Cardoso e Lula, e um dos mais bem pagos palestrantes do mundo, o ex-presidente
Bill Clinton esteve na última semana em Brasília, onde encerrou encontro da CNI
– Confederação Nacional da Indústria.
Em seu discurso, ele lembrou as conquistas do Brasil nos
últimos anos, afirmou que o nosso futuro é brilhante, e que é preciso unir as
forças positivas da Nação para enfrentar os eventuais desafios deste que é “um
dos melhores países para se investir em todo o mundo”.
E, por isso, por nadar contra a corrente - daqueles que prefeririam
ver o país descer, se arrebentando, pedregosas corredeiras em direção a um ralo
de esgoto - Clinton foi e está sendo execrado e insultado por dezenas de indignados
hitlernautas na internet.
Em quem os brasileiros que “detonam” Clinton nas redes
sociais - porque ele diz que o Brasil não é, ao contrário do que afirmam muitos,
um barco que está afundando - querem que o ex-presidente norte-americano confie?
Nas manchetes de uma mídia seletiva, associada entre si em
veículos, negócios e pautas comuns, que pinta com as cores do diabo, o Brasil
de todos os dias, na capa dos diários, das revistas semanais, nos telejornais e
nos programas de rádio?
Ou no que diz, por exemplo, o órgão de espionagem e
contra-espionagem norte-americano, que tem o dever de informar o governo dos
EUA, a Central Intelligence Agency,
Agência Central de Inteligência, tão cantada e decantada - como bastião na
linha de frente da defesa do “ocidente” e da democracia, contra a assustadora “ameaça
comunista” - pelos mesmos radicais de direita que atacam o ex-presidente norte-americano, por falar bem do
Brasil?
Pelo que dizem a mídia, e os fascistas de plantão nos grandes
portais e nas redes sociais, o Brasil está quebrado, no fundo do poço, dominado,
destruído e inviabilizado economicamente, por um grupo criminoso mais poderoso e tentacular que a K.A.O.S,
a organização galhardamente combatida pelo Agente 86, mais conhecido como
Maxwell Smart, nas telas de televisão, no auge da Guerra Fria.
Uma suposta e fantasiosa ORCRIM (organização criminosa) -
comandada por certo Foro de São Paulo, com o objetivo de se assenhorear do
poder na América Latina, e construir “paredões” por todos lados - que destruiu
o país.
Pelo que diz a CIA, em seus relatórios anuais de informação
(The Worldfactbook 2002) (The Worldfactbook 2015), o Brasil passou de um PIB de
1.3 trilhões de dólares, em 2002, para 3.2 trilhões de dólares, em 2014, quase
triplicando o tamanho de sua economia por Poder Paritário de Compra, e mais que
duplicando, de pouco mais de 7.000 dólares, em 2002, para 16.100 dólares, a
renda per capita, também por Poder Paritário de Compra, desde que o Senhor
Fernando Henrique Cardoso deixou o poder.
É esse o retrato de um país acabado, no fundo do poço, que
está quebrado e sem solução?
Vejamos como começa o relatório da CIA sobre o Brasil:
“Characterized by
large and well-developed agricultural, mining, manufacturing, and service
sectors, and a rapidly expanding middle class, Brazil's economy outweighs that
of all other South American countries, and Brazil is expanding its presence in
world markets. Since 2003, Brazil
has steadily improved its macroeconomic stability, building up foreign
reserves, and reducing its debt profile by shifting its debt burden toward real
denominated and domestically held instruments. Since 2008, Brazil became a net external creditor and all three of the
major ratings agencies awarded investment grade status to its debt.”
“Caracterizada por setores agrícola, de mineração, manufatura
e serviços grandes e bem desenvolvidos, e uma classe média em rápida expansão,
a economia do Brasil supera a de todos os outros países da América do Sul, e o
Brasil está expandindo sua presença nos mercados mundiais. Desde 2003, (será que essa data é mera coincidência?) o Brasil melhorou a sua
estabilidade macroeconômica, construiu reservas de divisas, e reduziu o seu
perfil de dívida, transferindo sua dívida para instrumentos denominados em
reais no mercado interno. Desde 2008, o Brasil tornou-se um credor externo
líquido e as principais agências de rating
concederam grau de investimento para sua dívida.”
Faltou completar dizendo que a dívida líquida pública
brasileira caiu quase pela metade no mesmo período, e que o Brasil é, hoje, o
terceiro maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver na página do
próprio tesouro norte-americano:
Estará a imprensa brasileira sabendo de alguma coisa que a
CIA, ou, melhor, que o Fundo Monetário Internacional, ou o Banco Mundial, que
apresentam números ainda melhores do que os da Central Intelligence Agency
sobre a evolução do Brasil nos últimos 13 anos, não sabem?
Ou que a ONU não sabe, sobre a evolução dos indicadores sociais
do Brasil no mesmo período?
Ou terão sido os valorosos agentes secretos dos EUA, sedutoramente
enganados pelos malvados e famintos "MAVs" comedores de pão com mortadela do PT?
Ou pior, não terão os petistas, com sua conhecida competência
na insidiosa arte do aparelhamento, tão a gosto dos
esquerdistas-comunistas-gramscianos-bolivarianos, infiltrado alguns agentes
duplos “melancia” (verdes por fora, vermelhos por dentro), nos escritórios da
sede da CIA, em Langley, na Virginia?
A resposta é simples.
Clinton é norte-americano – teoricamente menos informado
sobre o Brasil, embora já tenha estado aqui por 15 vezes nos últimos anos – mas
não é burro, nem idiota.
Ao contrário de uma pseudo “maioria” ignorante e manipulada
que pulula pelos portais e redes sociais brasileiras, torcendo abertamente
contra o país e contra nossas maiores empresas (praga de urubu magro não pega
em cachorro gordo) ele não tem a mente feita – ou melhor, permanentemente
desfeita – pelo discurso raso e rasteiro da crise absoluta e do apocalipse
nacional.
Mister Clinton vive no século XXI, em um momento em que os
Estados Unidos acabam de reatar relações diplomáticas com Cuba, e são obrigados
a sentar-se e a negociar com russos e iranianos a situação na Síria.
E como uma figura pública, cuja mulher disputa a indicação
para candidata a Presidente da República pelo Partido Democrata nos EUA, ele prefere
certamente se basear em informações como as compiladas pelos funcionários do serviço secreto do seu país e por
organizações econômicas multilaterais internacionais, para analisar o Brasil,
diante de brasileiros, muitos deles
contaminados, infelizmente, por um ódio
cego e um preconceito ideológico que os impede, como viseiras, de avaliar a
verdadeira situação do país.
Nisso, Clinton se iguala a Obama, que, apesar, também, de ser
norte-americano, sabe muito bem que o Brasil é, enquanto a quinta maior nação
do planeta em território e população, e a sétima maior economia do mundo (ocupávamos
o décimo-quarto lugar em 2002) uma potência mundial, e não regional, como disse
claramente - contestando à abjeta pergunta-afirmação de uma repórter
“brasileira”, em entrevista coletiva na Casa Branca, durante visita da
Presidente Dilma aos EUA, em julho deste ano.
Tem razão o Ministro Lewandowski, que está sendo também
execrado, como Judas, pela mesma tropa fascista da internet, ao dizer que é
preciso esperar “três anos” sem golpe, que haverá eleições daqui a um ano, e
que a crise é mais política que econômica.
Como se pode ver pela recuperação do saldo da balança comercial,
pelo aumento da produção da Petrobras, pelo avanço da redução da desigualdade, por 1.5 trilhão de reais em reservas internacionais, pelos
fantásticos lucros dos bancos, está claro que a crise é, principalmente,
política.
Uma crise cada vez mais artificial, exagerada, mentirosa,
conspiratória e hipócrita.
Que precisa ser desmentida, desmistificada e combatida, politicamente,
por todo cidadão responsável e consciente deste país.
15 de nov. de 2015
JE SUIS PARIS – E TAMBÉM BAGDÁ, TRIPOLI E DAMASCO.
(Jornal do Brasil) - Foram lamentáveis e brutais, sob todos os aspectos, os
atentados ocorridos em Paris, que acarretaram centenas de mortos e feridos
inocentes, franceses e estrangeiros.
Nas horas que se seguiram, na frágil cobertura da TV estatal
francesa, que parecia só dispor de uma equipe e entrava, ao vivo, em contato,
por telefone, com o seu repórter que estava no interior da Boate Bataclan, o
foco foi mantido na solidariedade e na reação das autoridades e do governo.
O Presidente François Hollande, com a mesma expressão
de perplexidade mostrada por George Bush em suas primeiras declarações no dia
do atentado às Torres Gêmeas, declarou que a França permanecerá unida, e que ela
será implacável em sua resposta ao EI, o Exército Islâmico - o grupo terrorista
que assumiu a autoria dos ataques - e que serão tomadas medidas de segurança
para que a situação não se repita.
A retórica, dos jornalistas e do governo, é a única resposta
que pode ser dada pelos franceses à situação de absoluta vulnerabilidade e
impotência em que a França se meteu, ao intervir em outros países.
Uma retórica que serve para disfarçar – com a costumeira
cortina de fumaça e de maniqueísmo – a crua e implacável realidade em que Paris
se encontra, do ponto de vista desses ataques, e das escolhas que fez, nos últimos
anos, em sua política externa.
Em primeiro lugar, porque há muito pouco que a França possa fazer para evitar novos atentados.
Se seus autores forem apanhados, outros os substituirão, vindos de fora, ou recrutados na periferia das grandes cidades francesas, onde muitos jovens, filhos de emigrantes, precisam apenas de um pretexto para fazer explodir seu ressentimento e sua frustração com a miséria e o desemprego, ou a falta de perspectivas de futuro, em um continente onde não se sentem bem-vindos, assombrado pela decadência e a crise, onde a extrema direita floresce, alimentada pela xenofobia, o racismo e o preconceito.
Em segundo lugar, porque, por mais que sejam terríveis, para todos nós, e para as famílias enlutadas, os atentados em Paris em
nada diferem, em suas conseqüências
humanitárias, daqueles que ocorrem, todos os dias, em dezenas de lugares no
Afeganistão, no Norte da África e no Oriente Médio.
Por lá, pessoas explodem, a qualquer momento, ou são
fuziladas, decapitadas, estupradas, às dezenas, por terroristas originalmente
armados pelas mesmas potências
“ocidentais” que estão sendo atacadas agora - e por pseudo “democracias”, como a
Arábia Saudita onde adúlteras são punidas a chibatadas e mulheres não podem
sair de casa sem véu nem um homem que as vigie – com o intuito de derrubar governos em países, que, independente da orientação política de seus regimes, viviam em situação de paz e estabilidade.
No entanto, esses atentados, em outras partes do mundo, não
merecem matérias especiais de meia hora na televisão brasileira – afinal, é
melhor que nos identifiquemos com a “civilização” que queremos emular e com a
“democracia” que queremos emular - é muito mais conveniente, do ponto de vista do discurso de
doutrinação ideológica eurocêntrico e neoliberal, discutir a dor das famílias e
as medidas de segurança – absolutamente inócuas, diga-se de passagem - que devem ser supostamente adotadas - do que
revelar ao público o que está realmente por trás dos acontecimentos.
Nem se vêem nas camisetas e nos cartazes que rezam “Je suis
Paris”, em várias partes do mundo, espaço para frases como “Je suis Syrie”,
porque, claro, são muito mais importantes as mortes de Paris, do que aquelas
que ocorrem, literalmente, há anos, para lá de Bagdá, em lugares como Basra, Karbala ou Ramadi.
Finalmente, a pergunta que não quer calar, é a seguinte: se
Saddam Hussein e Muammar Kaddafi – com todos seus eventuais defeitos - estivessem
no poder e a Síria gozasse da mesma situação de estabilidade que tinha antes do início
– estimulado pelo “ocidente” – do trágico engodo da “primavera árabe”; se os
EUA – aliados da França – não tivessem armado
terroristas para atacar Damasco - os mesmos assassinos que hoje militam
e são a espinha dorsal do Estado Islâmico - os atentados de Paris teriam ocorrido?
Capitais europeias não eram atacadas antes da promulgação da “Guerra ao Terror”
pelos Estados Unidos, nem da “primavera árabe”, que gerou milhões de mortos e
refugiados, com a destruição de centenas de cidades; nem antes do envolvimento
da OTAN, a serviço dos EUA, com bombardeios na Líbia e
em outros lugares - contra governos que antes eram tratados, hipocritamente
como aliados pelo “ocidente” - em países em que crianças iam uniformizadas e
bem alimentadas à escola todos os dias, e não caçavam, para comê-los, ratos
entre os escombros de suas casas, como
agora.
Nunca é demais lembrar que quem planta vento, colhe tempestade.
Que os novos atentados de Paris - e o pânico com os falsos alarmes que se seguiram - sirvam de alerta ao Brasil - país em que convivem, em harmonia, judeus e muçulmanos, e gente de todos os lugares do mundo - que, estimulado pela doutrina
da repressão policialesca e pelo desejo de ser mais realista que o rei de “especialistas” que cresceram vendo enlatados de espionagem
norte-americanos, está se metendo a “gato mestre”, criando
leis “antiterroristas”, que podem nos fabricar inimigos onde nunca os tivemos.
Leis
que são, como podemos ver, pela vulnerabilidade e impotência dos países que as
adotam, tão supérfluas quanto inócuas e estúpidas.
13 de nov. de 2015
NO ESCÂNDALO DO CARF, O QUE IMPORTA SÃO OS BILHÕES.
Em novembro de 2011, em matéria escrita para este blog,
CARF PERDOA 4 BILHÕES DE REAIS EM IMPOSTOS DO SANTANDER republicada, entre outros lugares,
pelo Correio do Brasil, já chamávamos - com estranheza e desconfiança – a
atenção para a generosidade do CARF – o Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais, do Ministério da Fazenda, em decidir perdoar – por votação
surpreendentemente unânime - uma gigantesca dívida de impostos no valor de 4 bilhões
de reais do banco espanhol Santander para com o governo brasileiro.
Embora se tratasse de uma enorme quantia, de bilhões de
dólares, considerando-se o câmbio da época, cujo não pagamento deu um prejuízo
aos cofres públicos muito superior ao dos recursos supostamente “recuperados” –
incluindo multas e outros expedientes não diretamente ligados a desvios - na Operação
Lava-a-Jato até agora, a grande mídia - que hoje não deixa passar em branco
quantias de algumas centenas de milhares de reais, desde que se relacionem ao
caso julgado pelo Juiz Sérgio Moro, mal noticiou o assunto nem se manifestou
com relação ao fato.
Hoje, quatro anos depois, levantamento do Ministério da
Fazenda, divulgado pelo "Congresso em Foco", aponta que, apenas entre 2004 e 2015 – e por que não apurar também o
período do governo FHC? – passaram pelas mãos dos conselheiros do CARF o
julgamento de dívidas contestadas no valor de mais de 524 bilhões de reais,
mais de 5 vezes os fantásticos números aventados em diferentes ocasiões por
participantes da operação Lava-a-Jato, que até agora não passam,
comprovadamente, de algumas centenas de milhões de reais, e que tem sido
inflados midiaticamente, com a inclusão de acordos de leniência e a ameaça de
multas, agora extensível não apenas a empresas – que doam a gregos e troianos
porque não sabem quem vai ganhar cada eleição – mas também partidos políticos (só da situação, é claro).
O importante, no gigantesco montante do escândalo do CARF, é
saber – como no caso do Santander – qual foi, percentualmente, o dinheiro “perdoado”,
nesse mais de meio trilhão de reais.
Afinal, é muito mais provável que tenha havido corrupção de
grandes proporções no CARF do que no âmbito do que está sendo investigado pela
Operação Lava-a-Jato.
É muito mais fácil pedir a vista de um processo, emitir um
parecer favorável, ou um exame de admissibilidade, ou perdoar uma dívida dentro
de uma sala fechada, de forma combinada, com outras pessoas com as quais se
trabalha há anos, do que vencer uma licitação para a construção de uma
refinaria, de uma hidrelétrica, de um porto, de um navio, de uma plataforma de
petróleo, de uma sonda petrolífera, da duplicação de uma rodovia, da construção
de um novo trecho de ferrovia, de uma obra no exterior, com a diferença de que
no primeiro caso, o lucro para o país foi zero, e no segundo, as obras da
Petrobras e do PAC – que se tentam interromper e colocar aleatória e amplamente
sob suspeição - geraram centenas de milhares de empregos, em um esforço
coordenado de modernização da infra-estrutura nacional que vai beneficiar o
país por dezenas de anos.
No CARF, para “levar algum”, não era preciso licitação, nem
contratos, nem o suposto pagamento de propina em forma de doação eleitoral, tese
a cada dia mais distante de se provar ou sustentar juridicamente.
O sujeito - ou a empresa – devia milhões, dezenas de milhões,
centenas de milhões, ou vários bilhões de reais para o governo, recorria a um
conselho absurdamente formado por meia dúzia de iluminados, nenhum deles
guindado a tal posto por concurso público, e suas dívidas eram julgadas
improcedentes ou perdoadas, aos bilhões, com repasse de comissões para quem
eventualmente decidisse a seu favor, ou levasse o grupo a fazê-lo.
No entanto, estranha que a Operação Zelotes – e o caso CARF –
continuem a obter – pelo menos nas aparências – muito menos atenção do que a
Operação Lava-a-Jato.
E, também, que, nessa pouca atenção recebida, apesar de quase
600 bilhões de reais envolvidos, a Justiça e a imprensa dediquem tanto trabalho
e tanta atenção, a um milhão e quinhentos mil reais recebidos pela empresa do
filho de certo ex-presidente da República.
Um empresário que – mesmo que não tenhamos nenhum motivo para
colocar em dúvida sua lisura - faria um grande desfavor aos adversários de seu
pai se fechasse suas empresas e abandonasse a iniciativa privada.
Afinal, deveria preocupar mais à imprensa e à opinião pública,
saber o que está por trás dos 4 bilhões de reais perdoados ao Santander – quem
assinou essa decisão e se houve eventualmente enriquecimento ilícito –
beneficiando um banco eivado de escândalos em sua história no exterior, que até
hoje está sendo processado por “tungar” as ações que pertenciam a milhares de
aposentados do Banespa - criminosamente
privatizado no governo de Fernando Henrique Cardoso.
6 de nov. de 2015
BRASIL-EUA: A SUBMISSÃO, A “COOPERAÇÃO” E A SOBERANIA.
(Jornal do Brasil) - A vocação para submissão de parcelas do Judiciário e da área de
segurança brasileiras às autoridades norte-americanas é impressionante.
Como exemplo, temos a “colaboração” prestada pelo Ministério Público e
pela Operação Lava-a-jato a procuradores norte-americanos que estão recolhendo
provas contra a Petrobras e oferecendo acordos de delação premiada a presos
brasileiros submetendo-se colonizada, e alegremente - nas barbas do Ministério
da Justiça – às autoridades de um país estrangeiro, como se elas tivessem
jurisdição em território nacional, em uma causa que envolve uma empresa de
controle estatal que pertence não apenas aos seus “investidores” diretos, mas a
todos os cidadãos brasileiros.
Depois, temos a romaria de procuradores e juízes aos EUA, para receber “homenagens” relacionadas a assuntos internos nacionais, e a recente presença de
ministros da Suprema Corte em reuniões do Diálogo Interamericano - uma espécie
de Foro de São Paulo às avessas - nos EUA. Já imaginaram um procurador norte-americano se deslocando para o Brasil para ser premiado por sua atuação, na investigação, digamos, de corrupção na General Motors, ou na AMTRAK, uma das maiores empresas estatais dos EUA - tradicionalmente deficitária - com mais de 20.000 funcionários, e presente nos 48 estados da Federação?
Como se não bastasse, agora, chega a vez do Rio de Janeiro tomar a iniciativa de anunciar
a próxima abertura de um escritório da agência norte-americana de controle de
drogas no Estado, a pretexto de prestar, às autoridades fluminenses,
"consultoria" no combate ao tráfico e ao contrabando de armas.
Perguntar não ofende.
Considerando-se que as áreas de defesa e de relações internacionais
são prerrogativa da União, e o fato de a agência norte-americana ser federal e
não estadual, não seria o caso desses convênios e acordos passarem antes pelo
crivo e aprovação do Itamaraty, do Ministério da Defesa, do Ministério da
Justiça e da Comissão de Defesa e Relações Externas da Câmara dos Deputados?
Quando é que o Brasil vai começar a impedir ou a controlar as
atividades de agentes norte-americanos de inteligência - espiões, leia-se,
porque de outra coisa não se trata - em nosso território?
Essas áreas, tão solícitas em implorar o prestimoso “auxílio”
norte-americano, e em aparecer nos Estados Unidos, em eventos mais "sociais" do
que outra coisa, já ouviram ou conhecem o significado do termo reciprocidade,
aplicado à relação entre estados
soberanos?
Já se imaginou a Polícia Federal brasileira abrindo um escritório nos
EUA, para prestar "consultoria" à polícia nova-iorquina no combate ao
tráfico de armas?
Isso nunca ocorreria, pelo simples fato de que a população, a imprensa,
o Judiciário e o Congresso dos EUA não o aceitariam, porque, ao menos nesse
aspecto, eles têm vergonha na cara.
Vergonha, em nosso lugar, com esse tipo de atitude, não é outra coisa
que países latino-americanos - com exceção do México, cada vez mais um estado
norte-americano - vão sentir ao saber dessa notícia.
Vergonha, em nosso lugar e não outro sentimento, é o que vão ter
nossos parceiros do BRICS, ao saber dessa notícia, já que todo o mundo sabe como
os EUA agem: primeiro abrem um escritório em uma determinada área, depois um
monte de escritórios de "cooperação" em várias outras áreas, e,
depois, dificilmente dão o fora, sem
criar problemas, a não ser que sejam derrotados e escorraçados, como
ocorreu ao fim da guerra do Vietnam.
Ou alguém aqui imagina a Rússia, a Índia e a China convidando a
polícia e os órgãos de inteligência norte-americanos a instalar escritórios e operar
em seus respectivos territórios?
Não.
Eles não fazem isso, assim como não admitem que imbecis, em seus
comentários de internet, em portais russos, indianos ou chineses, preguem a
entrega de suas empresas ou de seu país aos EUA, ou encaminhem petições de
intervenção à Casa Branca, como comumente ocorre, nestes tempos vergonhosos que
vivemos, em portais e sites brasileiros.
Talvez por isso, a Rússia, a China e a Índia, sejam potências
espaciais, militares e atômicas, enquanto nós estamos nos transformando, cada vez mais, em um ridículo simulacro de
província norte-americana, apesar de sermos, com mais de 250 bilhões de dólares
emprestados, o terceiro maior credor individual externo dos EUA.
Em tempo: em sua comunicação com a imprensa, o governo do Rio de
Janeiro conclui dizendo que não pode dizer quando vai começar a operar o
escritório norte-americano em território fluminense.
O anúncio oficial da instalação não será feito por nenhuma autoridade
brasileira.
Ele será feito – incrível e absurdamente - como se estivesse ocorrendo
em território norte-americano, pelo próprio governo dos EUA.
Nesta toada, conviria começar a pensar, com urgência, na realização de
um plebiscito para a entrega do Brasil aos Estados Unidos.
Com isso, os bajuladores poderiam exercer seu amor aos gringos sem
precisar de visto, ou de se deslocar para Miami ou Nova Iorque.
Aprenderíamos o inglês como primeira língua, sem necessidade de pagar
as mensalidades do curso de idiomas.
E todos nós receberíamos em dólares, trabalhando e descansando quando
Deus nos permitisse, já que nos EUA não existe sequer a obrigação de pagar férias remuneradas, por exemplo.
A questão é saber, se, juntamente com as riquezas e o território
brasileiros, os EUA, tão ciosos de sua nacionalidade - aceitariam receber, sob
sua bandeira, a "estirpe" de invertebrados morais, hipócritas, entreguistas,
submissos e antipatrióticos em que estamos nos transformando.
3 de nov. de 2015
O JOGO E A LITURGIA
(Do Blog) - A carreira política implica certos ritos e
sacrifícios.
Homem do povo, conhecedor das virtudes da discrição e da
humildade, teria sido mais conveniente, por parte do ex-presidente Luís Inácio
Lula da Silva, segurar, entre outras coisas, os ímpetos empresariais de seus
parentes mais próximos.
Assim, ele teria evitado que seu filho entrasse no campo em
que “brilham” outros rebentos, não tão famosos, de lideranças adversárias, que
chegaram até mesmo a montar empresas no exterior na época das privatizações,
mas que não atraem e, convenientemente, para alguns, nunca atraíram a mesma atenção da
Justiça ou da Mídia.
Homem preocupado com a separação entre poder e prosperidade,
o ex-presidente uruguaio José Mujica costuma aconselhar quem tem a intenção de
enriquecer a manter distância da política, para poder se dedicar plenamente àquele
tipo de atividade, que, como o próprio nome indica, é privada, em sua essência e
natureza.
Até porque - com muita justiça - como excelente
administrador, possuidor de títulos de Doutor Honoris Causa de algumas das
melhores universidades do mundo e - assim como outros ex-presidentes
brasileiros que receberam milhões da mesma forma - um palestrante bem-sucedido,
que tem muito a dizer em áreas que vão, por exemplo, da recomposição das
reservas internacionais, à expansão do crédito e do consumo e ao combate à
pobreza, Lula teria renda suficiente para cuidar de toda sua família, sem dar a
seus inimigos - que não são poucos - a oportunidade de implantar junto à
opinião pública factóides sobre si mesmo e sua família, como o de ser dono da
FRIBOI, ou de numerosas fazendas cujas escrituras nunca apareceram, sem quase
nunca ter reagido, em anos de sórdida campanha, institucional e juridicamente,
a esses boatos e mentiras.
Não importa se o Congresso está cheio de empresários, ou de
filhos de empresários, bem ou mal sucedidos, muitos deles processados por suas
atividades profissionais ou com problemas na justiça.
Não importa se pode parecer injusto limitar a filhos de
operários o acesso ao empreendedorismo, menos quando, como é o caso, trata-se
de filhos de operários que também ocuparam o cargo de Presidente da República.
A História implica, para seus protagonistas, uma abordagem
estratégica que abarque toda a extensão e a natureza dos acontecimentos que a
conformam, em uma determinada época e momento.
Faz parte da visão do estadista - e Lula pode corrigir isso,
se quiser, no futuro – evitar certas áreas do tabuleiro, controlando não apenas
os bispos e as torres, mas também - sem relaxar e sem benevolência - os peões
mais próximos do Rei, para parar de continuar armando, desnecessariamente, os
adversários, em uma guerra que é, por muitas vezes, tão cruenta quanto
injusta.
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