17 de mar. de 2016

O FIM DA PICADA






Jornal do Brasil - Se não falham os estudiosos, a expressão “o fim da picada”, deriva da situação em que se encontra, de repente, o sujeito que vinha seguindo uma trilha, no meio da floresta, e, subitamente, se vê perdido, quando essa trilha, ou “picada”, aberta à medida que se corta, ou se “pica” o mato à frente, termina abruptamente, obrigando o viajante a seguir às cegas, ou a voltar para um distante, e muitas vezes, inalcançável, ponto de partida.

O grampo contra a Presidente da República, com sua imediata divulgação, para uma empresa de comunicação escolhida para escancarar seu conteúdo ao país, operado por um juiz de primeira instância, depois da desnecessária e arbitrária condução coercitiva e do pedido de prisão de um ex-presidente da República, devido a uma acusação de falsidade ideológica – em um  país em que bandidos com dezenas de milhões de dólares em contas na Suíça, procurados pela Interpol e condenados à prisão em outros países circulam, soltos,  tranquilamente - representa isso.

O fim da picada de uma Nação em que as instituições se recusam a funcionar, e estão, virtualmente, sob o sequestro de meia dúzia de malucos concursados - apoiados corporativamente por toda uma geração de funcionários de carreira de Estado comprometidos ideologicamente, com a razoável exceção de organizações como a associação de Juízes para a Democracia - que atuam como ponta de lança de uma plutocracia estatal, que, embalada por uma imprensa parcial e irresponsável, pretende tutelar a República, colocando-se acima dos poderes constituídos.

Perguntado o que achava do pedido de prisão do Ministério Público de São Paulo, há poucos dias, o líder do PSDB na Câmara Alta, o senador Cássio Cunha Lima, disse que não via motivos para tanto e recomendou cautela neste momento.

Agradece-se a sua coragem e bom-senso – Cássio Cunha Lima foi violentamente atacado por isso pela malta radical fascista nos portais e redes sociais – mas agora é tarde.

A oposição deveria ter pensado nisso quando ainda não ocupava – tão hipócrita e injustamente quanto outros acusados - as manchetes da coluna de delações “premiadas”, e abandonou o calendário político normal para fazer política nos tribunais, por meio da criminalização da atividade, entregando o país a um grupo de procuradores e a um juiz de primeira instância que age - como se viu  pelo vazamento imediato do grampo do Palácio do Planalto - como um fio desencapado, não se importando – assim como os procuradores que o cercam ou nele se inspiram - em incendiar o país para dizer que é ele quem está no comando, independente da atitude da Presidente da Republica de trocar o Ministro da Justiça, ou nomear para a Casa Civil um ex-presidente da República, ou da preocupação de alguns ministros e ministras do STF – pelo menos aqueles que parecem ter conservado um mínimo de dignidade e de razão neste momento.

Iludem-se aqueles que acham que a Operação Lava-Jato vai livrar o país da corrupção.

Os resultados políticos da Operação Mani Pulite – a operação Mãos Limpas, à qual o Juiz Sérgio Moro se refere a todo instante como seu farol e fonte de “inspiração”, foram a condução de Berlusconi, um bufão pseudo fascista ao poder na Itália, por 12 anos eivados de escândalos, seguida da entrega do submundo do Estado a uma máfia comandada por ex-terroristas de extrema-direita, responsáveis por mega-escândalos como o da Máfia Capitale, que envolve desvios e comissões em obras públicas em Roma, da ordem de bilhões de euros, cujo julgamento começou no último mês de novembro.

Da mesma forma, iludem-se, também, aqueles que acham que, com a queda do governo, por meio de impeachment, ou de manobra no TSE ou no TCU, ou de uma Guerra Civil, que se desenha como cada vez mais provável, o Brasil irá voltar à normalidade.

A verdadeira batalha, neste momento e a perder de vista – e há uma grande proporção de parvos que ainda não entenderam isso – não é entre o governo e a oposição, mas entre o poder político, alcançado por meio do voto soberano da população, e a burocracia estatal, principalmente aquela que tem a possibilidade – pela natureza de seu cargo -  de pressionar, coagir, chantagear, a seu bel-prazer, a Presidência da República, o Congresso e o grande empresariado.

Em palestra recente, para empresários – quando, com suas multas e sanções, ele está arrebentando com metade do capitalismo brasileiro – o Juiz Sérgio Moro afirmou que a operação Lava-Jato não tem consequências econômicas.

Sua Excelência poderia explicar isso ao BTG, cujas ações diminuíram pela metade seu valor, quebrando milhares de acionistas, ou que perdeu quase 20 de reais em ativos desde a prisão de André Esteves.

Ou à Mendes Júnior que teve de demitir metade dos seus funcionários e está entrando em recuperação judicial esta semana.

Ou, ainda, aos 128.000 trabalhadores terceirizados da Petrobras que perderam o emprego no ano passado.

Ou às famílias dos 60.000 trabalhadores da Odebrecht, que também foram demitidos, ou aos funcionários restantes que aguardam o efeito da multa de 7 bilhões de reais – mais de 15 vezes o lucro do Grupo em 2014 – que se pretende impor “civilmente” à companhia.

Ou aos funcionários da Odebrecht que estão envolvidos com projetos de extrema importância para a defesa nacional, como a construção de nossos submarinos convencionais e atômicos e nosso míssil ar-ar A-Darter, concebido para armar nosso futuros caças Gripen NG-BR, que terão de ser interrompidos caso essa multa venha a ser cobrada.    

Ou, ainda, aos “analistas” entre os quais é consenso que a Operação Lava Jato foi responsável por 2%, ou mais de 50%, da queda do PIB - de 3,8% - no ultimo ano.

Na mesma ocasião, o Sr. Sérgio Moro - como se fôssemos ingênuos de acreditar que juízes não têm suas próprias opiniões, ideologia e idiossincrasias políticas – afirmou não ter “partido”

Ora, ele tem, sim, o seu partido.
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E ele se chama PSM, o Partido do Sérgio Moro.   

Um “partido” em que não cabem os interesses do país, nem os do governo, nem os da oposição, a não ser que eles se coloquem sob a sua tutela.

Assim como não dá para acreditar, com sua relativamente longa experiência, depois dos episódios de Maringá e do Banestado, que ele esteja agindo como age por ter sido picado pelo messianismo que distrai e embala a alma de outros “salvadores da pátria” da Operação Lava-Jato.

O que - seguindo a lógica do raciocínio - só pode nos levar a pensar que ele está fazendo o que faz porque talvez pretenda meter-se a comandar o país diretamente – achando, quem sabe, que as Forças Armadas vão permitir que venha a adentrar o Palácio do Planalto carregado por manifestantes convocados pelo Whats UP, em uma alegre noite de buzinaço,  como um moderno Salazar ou Mussolini – ou quando eventualmente se cansar, lá pela milésima-primeira fase da Operação Lava-Jato - de exercitar seu ego e – até agora - seu incontestável poder de manter o país em suspense, paralisado política e economicamente, independentemente do ocupante de turno – quem grampeia um presidente grampeia qualquer presidente - que estiver sentado na principal poltrona do Palácio do Planalto.

A alternativa a essa República da “Destrói a Jato”, de um país mergulhado permanentemente na chantagem, na manipulação, no caos e na paralisia, é alguém ter coragem, nos órgãos de controle e fiscalização, de enfrentar o falso “clamor”, pretensamente “popular”, de um senso comum ditado pela ignorância e a mediocridade, e pendurar o guizo no pescoço do gato – ou desse tigre (de papel) -  impondo ao mito construído em torno dessa operação, e aos seus “filhotes”, o império da Lei e o respeito ao Estado de Direito e à Constituição Federal.

Mas para isso falta peito e consciência de História a quem pode fazê-lo.

E sobra – talvez pelo medo das tampas de  panela dos vizinhos - hesitação e covardia.

14 de mar. de 2016

SOB O DOMÍNIO DO ATRASO






Revista do Brasil - De olho na novela do impeachment e no julgamento pelo TSE da representação protocolada pelo PSDB contra a eleição de Dilma Rousseff e de Michel Temer, muitos têm deixado de perceber que a ofensiva do campo conservador tem ido muito além da tentativa de derrubar a presidente da República. Agora, à possibilidade que existe, também, de "sangrá-la" até o último dia de mandato, se agrega, a cada dia mais, um objetivo paralelo, uma terceira via, que tem avançado com incrível facilidade: a de impor a aprovação de uma agenda conservadora no Supremo Tribunal Federal e no Congresso, mantendo o governo, também ali, permanentemente nas cordas, a ponto de transformá-lo em cúmplice da implementação de medidas que teriam mais dificuldade de ser aprovadas se a oposição tivesse vencido as eleições.


Esse é o caso, por exemplo, da aprovação de uma lei antiterrorista absolutamente inócua, ambígua, ¬esdrúxula, anacrônica, desnecessária, antidemocrática – criticada pela própria ONU e pela OEA –, que, do ponto de vista de relações externas, pode vir a nos indispor com inimigos que nunca tivemos e, no âmbito interno, representa mais um passo na consolidação de um regime jurídico-policial de facto repressivo, injusto e arbitrário, e no estrangulamento do direito de opinião, de organização e de manifestação da população brasileira.

Em outro gigantesco passo rumo à fascistização do país, o STF, em flagrante atentado à Constituição, aprovou a prisão de réus logo após a condenação em segunda instância, como se tivéssemos excesso de impunidade em um país no qual 40% da população carcerária se encontra, sem julgamento ou culpa formada, atrás das grades, e a cada três horas, em média, um cidadão morre abatido pela polícia.

No mesmo caminho, o da radicalização de mecanismos de repressão e violência que mascaram a verdadeira natureza dos problemas e impedem a busca de soluções modernas, coletivas e racionais para eles, avança, no Congresso, a aprovação de lei que pretende, com o fim do Estatuto do Desarmamento, armar os "homens de bem" para "autodefesa", atendendo aos interesses de empresas que financiaram as campanhas.

Enquanto isso, controlar a altíssima remuneração, inconstitucional, de muitos juízes, funcionários do Congresso, promotores, deputados que juntam aos seus salários outros proventos públicos, ninguém quer. No Legislativo, se organizam grupos de deputados para impedir a aprovação do projeto de lei dos supersalários, que pretende acabar com a farra dos "penduricalhos" de setores que adoram se apresentar ao público como campeões dos bons costumes.

No campo da economia, não satisfeitos com a aceitação, pelo Senado, da proposta que muda as regras do pré-sal, abrindo caminho para leilões de novos campos de petróleo e para a aprovação pela Câmara de projeto ainda mais vergonhoso, que prevê o fim do regime de partilha e a volta ao de concessão estabelecido nos "fantásticos" tempos de FHC, os privatistas trabalham para aprovar, em regime de urgência, sem ampla discussão com a sociedade, o Projeto de Lei do Senado (PLS) 555, que pretende entregar para o "mercado" empresas essenciais para a execução de qualquer projeto de desenvolvimento nacional, como BNDES, Caixa Econômica Federal, Embrapa, Correios, a parte ainda não privatizada da Petrobras etc., substituindo sua função estratégica e social pelo interesse de "investidores".

Acreditar, a priori – em um mundo em que poderosas empresas 100% estatais como a Chemchina, se lançam à compra, por dezenas de bilhões de dólares, de gigantes multinacionais como a Syngenta –, que o Estado não deve ter presença na economia é um raciocínio tão estúpido quanto achar que não deva existir iniciativa privada, só porque ela é particular, ou que se deva impedir que capitais estrangeiros não possam ter lugar dentro de fronteiras nacionais. ¬Isso, desde que esses "capitais" aportem realmente alguma coisa ao país, e sejam controlados e limitados estrategicamente, segundo os interesses nacionais.

Este não é o caso de outro tema da agenda conservadora, o novo marco regulatório dos jogos no Brasil, que pretende entregar a empresas norte-americanas que sucederam a máfia em locais como Las Vegas e Reno, no estado de Nevada, nos Estados Unidos, um gigantesco "negócio", que, se aprovado, irá movimentar dezenas de bilhões de dólares por ano. São representantes dessas empresas, como a Sands Corporation, que estão sendo ouvidos pela comissão especial que estuda o assunto, para dar, generosa, altruísta, "colaboração" e "aconselhamento", para o estabelecimento da legislação pertinente ao tema, o que equivale mais ou menos a chamar um bando de raposas para assessorar no estabelecimento das regras da exploração futura de um galinheiro.
E quem vai impedir os negócios paralelos, como corrupção – que normalmente se prevê nesse tipo de negócio –, lavagem de dinheiro, exploração da prostituição e do tráfico de drogas, que são de amplo conhecimento de qualquer um que já tenha pisado em Las Vegas? Se a intenção é criar empregos, como se alega, que se passe a futura administração dos cassinos e bingos, no Brasil, à Caixa Econômica Federal, que já administra as loterias, para que o faça com rigoroso controle do pessoal envolvido, devidamente concursado e contratado como funcionários públicos.

Posto isso, voltemos à situação da Nação neste momento.

Será que na luta fraticida pelo poder a qualquer preço – que inclui sobrevalorizada, cínica, manipulada campanha contra a corrupção – não se pode perceber que o estraçalhamento geral da atividade política e a destruição dos elementos estratégicos de desenvolvimento nacional, aí incluídas nossas maiores empresas privadas e públicas, equivale a jogar o bebê com a água do banho pela janela ou a matar os bois junto com os carrapatos, e só pode beneficiar a inimigos? A tudo isso, se contrapõe um quadro de total desorganização dos trabalhadores, dos nacionalistas, desenvolvimentistas, e de um capital nacional que não entende que, por trás do discurso de uma mídia majoritariamente entreguista e antibrasileira, não se encontra mais do que o germe de sua destruição e desnacionalização no horizonte próximo.

Onde está a Frente Parlamentar Nacionalista? O que pretendemos fazer com este país neste século?
Recuar, de maneira medieval, no campo estratégico e social, transformando-nos na vanguarda do atraso messiânico, conservador e fundamentalista da América Latina, em uma província norte-americana que entrega seu patrimônio e seu mercado e copia o que sua adorada matriz tem de pior, abrindo mão de toda possibilidade de ser uma nação de alguma importância entre seus pares do mundo, apesar de termos recebido daqueles que nos antecederam a bênção da quinta maior nação do planeta, forjada no suor e no sangue de nossos antepassados?

Ou vamos, como a Rússia, a Índia, a China, nossos sócios nos Brics, investir no nacionalismo, na união e no desenvolvimento, como fulcro de um projeto nacional que reúna o país em torno de objetivos perenes de fortalecimento geopolítico, consolidação e valorização da liberdade e da democracia, e a busca constante do progresso econômico e social, combatendo a miséria não com um 38 na mão, mas com mais educação, pesquisa, -tecnologia, amor ao Brasil e inteligência estratégica?

8 de mar. de 2016

OS GERDAU E A MALDIÇÃO VERMELHA






Carta Maior - A exemplo de Marcelo Odebrecht, agora guindado em certos espaços da imprensa brasileira, de bilionário símbolo da livre-iniciativa continental - com avultados negócios nos EUA - a um dos financiadores de uma pseudo conspiração comunista internacional formada para tomar, seguindo ordens do Foro de São Paulo, o poder em várias nações da África e da América Latina, Jorge Gerdau está pagando o preço de ter se aproximado do governo, como Presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do Conselho de Governo da Presidência da República.


Seu filho, André Gerdau, diretor-presidente do Grupo Gerdau, foi alvo de um mandato de condução coercitiva há poucos dias.



Apesar de o Grupo ter apenas recebido autos de infração e ter recorrido ao CARF, na forma da lei, sem sucesso ainda, segundo seus advogados, a empresa foi “visitada” por agentes federais, foram cumpridos 40 mandados (18 de busca e apreensão e 22 de condução coercitiva) relativos a ela, e teve que adiar – para evitar a “contaminação” pelo fato – para o dia 15 de março a publicação de seu balanço, com as informações financeiras padronizadas, as demonstrações anuais completas, além da realização da teleconferência prevista para apresentação dos resultados relativos ao exercício de 2015.

   

O recado subliminar por trás disso é  claro:



Todo grande empresário brasileiro que  ousar conviver civilizadamente com governos nacionalistas ou “populistas” em nosso continente – vide o que está ocorrendo, ainda mais uma vez, com a Odebrecht, por causa de suas obras ao sul da fronteira do México com os Estados Unidos, não interessando que tenha erguido metade de Miami, construindo obras como o estádio, o metrô suspenso e parte do aeroporto e do porto daquela cidade -  vai pagar, de alguma forma, pela “traição” cometida.



E aprenderá, doravante, não apenas a pensar duas vezes antes de se aproximar de governos rotulados como de esquerda, mas também a fugir – como o diabo da cruz - de qualquer contato com essa “gentalha”.

A questão não é saber se a Gerdau, um dos principais grupos siderúrgicos das Américas, também com negócios nos Estados Unidos, sonegou ou não impostos, ou repassou propina a conselheiros do CARF – se o fez, que pague por isso - mas por que André Bier Gerdau Johannpeter foi o primeiro – pelo menos até agora – grande empresário a ter sido intimado coercitivamente a depor no âmbito da Operação Zelotes, expondo-se ao pelourinho da execração pública (vide os comentários derivados do fato na internet) quando se considera que, entre 2004 e 2015, passaram pelas mãos dos conselheiros do CARF decisões do julgamento de dívidas contestadas no valor de mais de quinhentos bilhões de reais, com a concessão de “perdão” por esses conselheiros, a outras empresas, em montantes maiores do que está sendo “investigado” nesse caso específico.
A pergunta que não quer calar é a seguinte: por que no lugar de ficar prejudicando mais uma empresa-símbolo da indústria nacional,     arrebentando, em nefasto efeito cascata, com a vida de milhares de acionistas e com milhares de trabalhadores e suas famílias, o Ministério Público não começa pelos maiores sonegadores eventualmente envolvidos, usando como um dos principais critérios, o quantitativo?
Alega-se para justificar a “operação”, que teriam sido sonegados – não há provas disso até agora - 1.5 bilhão em impostos pela Gerdau.
No caso do Santander – um banco estrangeiro que já foi acusado de uma série de irregularidades em seu país de origem ´- a quantia “perdoada” por conselheiros do CARF, em apenas uma oportunidade, foi de quase 4 bilhões de reais, mas ninguém foi conduzido, coercitivamente, a depor, por causa disso.
Será que é por que a intenção - a exemplo do que ocorre no âmbito da Operação Lava-Jato e com o atraso no julgamento do escândalo do metrô e dos trens em São Paulo – parece ser acabar com o capital nacional, destroçando, institucionalmente, as principais empresas brasileiras, enquanto se trata as multinacionais estrangeiras com luvas de pelica?
Além de seu “perdão” ter sido bem maior  do que o supostamente atribuído à Gerdau, o Santander têm pelo menos duas  “vantagens” a mais para atrair - seguindo a nova orientação estratégica do judiciário brasileiro – a atenção da mídia : há várias e boas fotos – sorridentes - do falecido fundador do grupo, o Sr. Emílio Botín, com a Presidente Dilma.
E, assim como o uniforme da “Fúria”, a estrela do PT, os bólidos da Ferrari, os maços de Marlboro e as “capas” e “muletas” que dançam nas mãos dos toureiros e enfurecem certos quadrúpedes, obcecados por elas, chifrudos e bovinos,  a  marca do banco espanhol – ao contrário do que ocorre com aquela do grupo Gerdau – ainda por cima é vermelha, imaginem!     

7 de mar. de 2016

A "RÉGUA" DO JOGO







Jornal do Brasil - Discretamente, sem muito barulho por parte da imprensa, o país se prepara para decidir, quase que na surdina,  o futuro de um negócio de dezenas de bilhões de dólares, que tende, se nada for feito, a ser entregue, de mão beijada, para os estrangeiros.

Na comissão que "estuda" o tema na Câmara dos Deputados,  parlamentares, como na fábula das galinhas, estão convocando  “raposas”, representadas por advogados e "executivos" estrangeiros ligados a empresas que substituíram a máfia em Las Vegas, para prestar, "desinteressadamente",  em benefício do “desenvolvimento” da indústria brasileira de “entretenimento" e de "turismo",  "conselhos" e "informações" para o estabelecimento de um Marco Regulatório do Jogo no Brasil.
Uma atividade que, caso fique em mãos particulares, esses mesmos "conselheiros" serão os primeiros a explorar, enviando para o exterior bilhões de dólares em ganhos, subtraídos dos bolsos de milhares de “otários” nacionais.
Ora, como no caso dos bingos, explorados na época do governo FHC, em São Paulo, pela máfia corsa, cujos membros não tinham a menor preocupação em se esconder,  arrogantes,  vestidos como lordes, à porta de luxuosos flats, antes de sair para comandar dezenas de estabelecimentos desse tipo e centenas de funcionários brasileiros,  não se discute que, no Brasil, a regulamentação do jogo poderia, potencialmente, criar muitos empregos.
O que preocupa é na mão de quem será entregue esse fabuloso negócio, e como se evitará - no caso de que estrangeiros fiquem com o controle do setor - a prática de atividades paralelas como a venda de drogas e a exploração de prostituição - qualquer um que já tenha ido a Las Vegas, sabe que há muito mais que dados, cartas ou caça-níqueis rolando nos cassinos da cidade - e, principalmente, como se evitará a corrupção de autoridades e políticos, dentro e fora do Congresso, começando, naturalmente, pelo próprio  processo de estabelecimento dessa nova legislação.
Como serão estabelecidos esses parâmetros, com que régua serão medidas as vantagens e as desvantagens da legalização dessa atividade?
Com a nossa régua, que deve, ou deveria, calcular, apontar, para a busca do máximo de benefícios para a população brasileira, ou a régua dos gringos, dos pseudo “investidores” estrangeiros, que já estão influindo na comissão antes mesmo que se inicie o processo de discussão mais ampla com a sociedade?   
Considerando-se que a Caixa Econômica Federal já cuida de loterias, o caminho mais lógico, natural, seria que a ela fosse entregue a administração e o controle dos outros jogos de azar no Brasil.
Segundo maior banco público do país, com lastro de centenas de milhões de reais em ativos, ninguém melhor do que a CEF para obter, dentro ou fora do país, os recursos para os investimentos que se fizerem necessários, dinheiro esse que raramente falta quando se trata desse tipo de negócio.
Funcionários do próprio banco poderiam ser aproveitados, ou ser contratados, por meio de concurso, entre trabalhadores que já tivessem eventualmente experiência na  indústria de turismo, e, se necessário, treinados por técnicos vindos de fora, facilitando, por tratar-se de empresa pública, a necessária, imprescindível, fiscalização, de dentro para fora, da atividade.      
Há também outras áreas, como o garimpo ilegal de ouro e de diamantes, em que apenas a presença do Estado - também eventualmente, por meio da CEF e do Exército - poderia impedir o esbulho do patrimônio da União, que tem por donos todos os brasileiros, prevenindo e reprimindo o roubo das riquezas nacionais e disciplinando e regulando a sua exploração.
A esculhambação nesse contexto é tão grande, que em novembro do ano passado a Polícia Federal teve de intervir, por meio da operação “Corrida do Ouro”, no Mato Grosso,  para prender policiais civis que haviam se assenhoreado, a ponta de revólver, da exploração de um garimpo ilegal na Serra da Borda, em Pontes e Lacerda, para extorquir dos garimpeiros não apenas sua obrigatória parte do ouro, mas também monopolizar todo e qualquer tipo de comércio, incluindo o de bebidas, alimentos, insumos e equipamentos e a prostituição.
     

O PACTO E O PATO


    


Convencidos de que as acusações sem trégua contra o PT correm o risco de não alcançar seus objetivos, e de que, pelo contrário, expuseram a atividade política como um todo e podem levar alguns de seus próprios membros aos bancos dos tribunais e à execração pública, há alguns parlamentares ligados à oposição que já falam na costura, ainda discreta, de uma aliança pela governabilidade, que poderia levar a um amplo pacto nas eleições de 2018, tendo como base uma plataforma que contemplasse algumas das “reformas” sem mexer nos principais bancos públicos e empresas estatais e nos avanços sociais dos últimos anos.


A percepção crescente, ainda que minoritária, seria de que o Juiz Sérgio Moro age cada vez mais como um fio desencapado, imprevisível, inconsequente e descontrolado, e de que o aprofundamento da radicalização está abrindo caminho para o fortalecimento de neófitos e aventureiros, que poderiam empurrar o país para o caos no final da década, dependendo do resultado das próximas eleições presidenciais.

A ideia é diminuir paulatinamente, de parte a parte, os ataques, e estabelecer uma agenda comum que pudesse fazer avançar algumas das questões mais prementes no Legislativo, principalmente se for concretizada uma eventual saída de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara dos Deputados. 

O raciocínio seria mais ou menos o seguinte – me comentou uma fonte: às vezes é melhor negociar um pacto, que beneficiaria a todos e ao próprio país, se feito, de forma programática, em torno de um projeto nacional, do que “pagar o pato”, de uma conta que está ficando cada vez mais alta para quem quer que ocupe cargo público ou exerça mandato eletivo, principalmente se estiver filiado a um dos três principais partidos do espectro político nacional.

5 de mar. de 2016

UM MALUCO NA CASA BRANCA.







(Jornal do Brasil) - Mesmo com vitórias pontuais de seus concorrentes, a cada urna apurada nas prévias eleitorais norte-americanas, Donald Trump aproxima-se, cada vez mais, da condição de mais provável candidato do Partido Republicano dos Estados Unidos a disputar, provavelmente contra Hillary Clinton como aspirante a Presidente do Partido Democrata, as eleições presidenciais deste ano.
    
As chances de Trump ser eleito são aparentemente pequenas, mas, considerando-se a crise – quase que permanente - pela qual o capitalismo está passando e o processo de imbecilização crescente da população mundial, ligado ao crescimento de seitas mais ou menos fundamentalistas, ideias e propostas neo e ultraconservadoras – em muitos casos, simplesmente fascistas - na internet, sempre existe a possibilidade de que a loucura se imponha sobre um mínimo de razão, minguante, fazendo com que, como em um título de uma comédia de Hollywood, em breve se tenha - em caso de eventual derrota da senhora Clinton - Um Maluco na Casa Branca.

O relativo sucesso de Trump, até agora – mesmo que com a recomendação  contrária de expressivas lideranças do próprio Partido Republicano, deve servir de alerta ao Brasil.     

Se não houver um forte apelo ao bom senso, no sentido de um entendimento entre as principais lideranças políticas brasileiras, para conter a radicalização, o ódio ideológico e o imponderável, sempre existe a possibilidade do aparecimento, a cavalo do populismo, e da ignorância de um público cada vez mais raivoso, preconceituoso e burro, de um pequeno Donald Trump tupiniquim – não necessariamente loiro ou com peruca de asno – para disputar, e eventualmente ocupar, o principal cargo da República.

Afinal, como naqueles programas de televisão “sobrenaturais”, as coisas mais absurdas já vêm ocorrendo por aqui, e estão sendo tratadas, pelas instituições, e por uma parte retorcida e irresponsável da imprensa, como se fossem absolutamente normais.

Daí a se colocar Um Maluco no Palácio do Planalto, bastam apenas dois ou três passos.

Afinal, como se pode ver pelos “panelaços” e as redes sociais, politicamente boa parte da opinião pública está agindo como se usasse óculos 3D o tempo todo, para exagerar na distorção da realidade. 

E uma outra boa parte, viseiras.
    

3 de mar. de 2016

ENQUANTO OTÁRIOS TORCEM POR ELA, MALANDROS DEITAM E ROLAM COM A CRISE.







Em “notinhas”, jogadas aqui e ali na imprensa, tem gente no “mercado” que atribui a queda do dólar ao menor patamar deste início de ano, não a situações concretas, como o superávit de mais de 3 bilhões de dólares alcançado pelo país em fevereiro, mas a declarações de delatores “premiados”, que estariam “facilitando” as chances de impeachment do atual governo.   
   
Trata-se apenas de conversa fiada e de mais um aspecto de um clima permanente, rasteiro, de especulação safada e de reles boataria, que une otários que falam mal do país a bem-sucedidos malandros que os usam todos os dias e se aproveitam deles. 

Enquanto a maior parte da economia real, como o comércio, a construção civil e a indústria, sofre com a campanha de “crise” e pela crise, de “quanto pior, melhor”, promovida em parte por milhares de imbecis que também são afetados, mas torcem abertamente contra o país nos bares e redes sociais, muitos espertos estão fazendo  verdadeiras fortunas, ajudando a montar e disseminar boatos e mentiras para aproveitar-se do vaivém da bolsa e dos juros e do sobe e desce das principais divisas.


2 de mar. de 2016

MAIS UMA VEZ, JUSTIÇA ELEITORAL DESAFIA OS DETRATORES DA URNA ELETRÔNICA






A Justiça Eleitoral fará de novo, entre os dias 8 e 10 de março, em sua sede, em Brasília, um teste público de segurança, em que qualquer um pode colocar à prova nossas urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro, considerado por especialistas internacionais como um dos mais seguros do mundo.  

São alguns dias para perguntar para os idiotas que afirmam na internet que a eleição foi roubada, por que eles não conseguem justificar essa tese, mandando, contratando, pagando, seus hackers para provar o que dizem.

Será que é porque esse sistema está mesmo entre os mais avançados do planeta, ou por que os "hackers" da vanguarda do atraso no Brasil tiveram suas mentes “hackeadas” pelo vírus da imbecilidade?

Se acham que as urnas são manipuladas, a saída é simples: provem!