17 de mar de 2016

O FIM DA PICADA






Jornal do Brasil - Se não falham os estudiosos, a expressão “o fim da picada”, deriva da situação em que se encontra, de repente, o sujeito que vinha seguindo uma trilha, no meio da floresta, e, subitamente, se vê perdido, quando essa trilha, ou “picada”, aberta à medida que se corta, ou se “pica” o mato à frente, termina abruptamente, obrigando o viajante a seguir às cegas, ou a voltar para um distante, e muitas vezes, inalcançável, ponto de partida.

O grampo contra a Presidente da República, com sua imediata divulgação, para uma empresa de comunicação escolhida para escancarar seu conteúdo ao país, operado por um juiz de primeira instância, depois da desnecessária e arbitrária condução coercitiva e do pedido de prisão de um ex-presidente da República, devido a uma acusação de falsidade ideológica – em um  país em que bandidos com dezenas de milhões de dólares em contas na Suíça, procurados pela Interpol e condenados à prisão em outros países circulam, soltos,  tranquilamente - representa isso.

O fim da picada de uma Nação em que as instituições se recusam a funcionar, e estão, virtualmente, sob o sequestro de meia dúzia de malucos concursados - apoiados corporativamente por toda uma geração de funcionários de carreira de Estado comprometidos ideologicamente, com a razoável exceção de organizações como a associação de Juízes para a Democracia - que atuam como ponta de lança de uma plutocracia estatal, que, embalada por uma imprensa parcial e irresponsável, pretende tutelar a República, colocando-se acima dos poderes constituídos.

Perguntado o que achava do pedido de prisão do Ministério Público de São Paulo, há poucos dias, o líder do PSDB na Câmara Alta, o senador Cássio Cunha Lima, disse que não via motivos para tanto e recomendou cautela neste momento.

Agradece-se a sua coragem e bom-senso – Cássio Cunha Lima foi violentamente atacado por isso pela malta radical fascista nos portais e redes sociais – mas agora é tarde.

A oposição deveria ter pensado nisso quando ainda não ocupava – tão hipócrita e injustamente quanto outros acusados - as manchetes da coluna de delações “premiadas”, e abandonou o calendário político normal para fazer política nos tribunais, por meio da criminalização da atividade, entregando o país a um grupo de procuradores e a um juiz de primeira instância que age - como se viu  pelo vazamento imediato do grampo do Palácio do Planalto - como um fio desencapado, não se importando – assim como os procuradores que o cercam ou nele se inspiram - em incendiar o país para dizer que é ele quem está no comando, independente da atitude da Presidente da Republica de trocar o Ministro da Justiça, ou nomear para a Casa Civil um ex-presidente da República, ou da preocupação de alguns ministros e ministras do STF – pelo menos aqueles que parecem ter conservado um mínimo de dignidade e de razão neste momento.

Iludem-se aqueles que acham que a Operação Lava-Jato vai livrar o país da corrupção.

Os resultados políticos da Operação Mani Pulite – a operação Mãos Limpas, à qual o Juiz Sérgio Moro se refere a todo instante como seu farol e fonte de “inspiração”, foram a condução de Berlusconi, um bufão pseudo fascista ao poder na Itália, por 12 anos eivados de escândalos, seguida da entrega do submundo do Estado a uma máfia comandada por ex-terroristas de extrema-direita, responsáveis por mega-escândalos como o da Máfia Capitale, que envolve desvios e comissões em obras públicas em Roma, da ordem de bilhões de euros, cujo julgamento começou no último mês de novembro.

Da mesma forma, iludem-se, também, aqueles que acham que, com a queda do governo, por meio de impeachment, ou de manobra no TSE ou no TCU, ou de uma Guerra Civil, que se desenha como cada vez mais provável, o Brasil irá voltar à normalidade.

A verdadeira batalha, neste momento e a perder de vista – e há uma grande proporção de parvos que ainda não entenderam isso – não é entre o governo e a oposição, mas entre o poder político, alcançado por meio do voto soberano da população, e a burocracia estatal, principalmente aquela que tem a possibilidade – pela natureza de seu cargo -  de pressionar, coagir, chantagear, a seu bel-prazer, a Presidência da República, o Congresso e o grande empresariado.

Em palestra recente, para empresários – quando, com suas multas e sanções, ele está arrebentando com metade do capitalismo brasileiro – o Juiz Sérgio Moro afirmou que a operação Lava-Jato não tem consequências econômicas.

Sua Excelência poderia explicar isso ao BTG, cujas ações diminuíram pela metade seu valor, quebrando milhares de acionistas, ou que perdeu quase 20 de reais em ativos desde a prisão de André Esteves.

Ou à Mendes Júnior que teve de demitir metade dos seus funcionários e está entrando em recuperação judicial esta semana.

Ou, ainda, aos 128.000 trabalhadores terceirizados da Petrobras que perderam o emprego no ano passado.

Ou às famílias dos 60.000 trabalhadores da Odebrecht, que também foram demitidos, ou aos funcionários restantes que aguardam o efeito da multa de 7 bilhões de reais – mais de 15 vezes o lucro do Grupo em 2014 – que se pretende impor “civilmente” à companhia.

Ou aos funcionários da Odebrecht que estão envolvidos com projetos de extrema importância para a defesa nacional, como a construção de nossos submarinos convencionais e atômicos e nosso míssil ar-ar A-Darter, concebido para armar nosso futuros caças Gripen NG-BR, que terão de ser interrompidos caso essa multa venha a ser cobrada.    

Ou, ainda, aos “analistas” entre os quais é consenso que a Operação Lava Jato foi responsável por 2%, ou mais de 50%, da queda do PIB - de 3,8% - no ultimo ano.

Na mesma ocasião, o Sr. Sérgio Moro - como se fôssemos ingênuos de acreditar que juízes não têm suas próprias opiniões, ideologia e idiossincrasias políticas – afirmou não ter “partido”

Ora, ele tem, sim, o seu partido.
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E ele se chama PSM, o Partido do Sérgio Moro.   

Um “partido” em que não cabem os interesses do país, nem os do governo, nem os da oposição, a não ser que eles se coloquem sob a sua tutela.

Assim como não dá para acreditar, com sua relativamente longa experiência, depois dos episódios de Maringá e do Banestado, que ele esteja agindo como age por ter sido picado pelo messianismo que distrai e embala a alma de outros “salvadores da pátria” da Operação Lava-Jato.

O que - seguindo a lógica do raciocínio - só pode nos levar a pensar que ele está fazendo o que faz porque talvez pretenda meter-se a comandar o país diretamente – achando, quem sabe, que as Forças Armadas vão permitir que venha a adentrar o Palácio do Planalto carregado por manifestantes convocados pelo Whats UP, em uma alegre noite de buzinaço,  como um moderno Salazar ou Mussolini – ou quando eventualmente se cansar, lá pela milésima-primeira fase da Operação Lava-Jato - de exercitar seu ego e – até agora - seu incontestável poder de manter o país em suspense, paralisado política e economicamente, independentemente do ocupante de turno – quem grampeia um presidente grampeia qualquer presidente - que estiver sentado na principal poltrona do Palácio do Planalto.

A alternativa a essa República da “Destrói a Jato”, de um país mergulhado permanentemente na chantagem, na manipulação, no caos e na paralisia, é alguém ter coragem, nos órgãos de controle e fiscalização, de enfrentar o falso “clamor”, pretensamente “popular”, de um senso comum ditado pela ignorância e a mediocridade, e pendurar o guizo no pescoço do gato – ou desse tigre (de papel) -  impondo ao mito construído em torno dessa operação, e aos seus “filhotes”, o império da Lei e o respeito ao Estado de Direito e à Constituição Federal.

Mas para isso falta peito e consciência de História a quem pode fazê-lo.

E sobra – talvez pelo medo das tampas de  panela dos vizinhos - hesitação e covardia.

12 comentários:

Claudio Quintanilha Ramos disse...

O que da pra perceber é que vc não quer que ninguem seja investigado.
Se foram demitidas tantas pessoas é pq estas empresas tiveram culpa e contrataram demais com o dinheiro roubado do povo Brasileiro. Acorda pra vida!! Fez besteria tem que ser investigado e preso, não importe se é do PT, PMDB, PSDB...
E outra, o Brasil esta em recessão e não é só estas empresas que estão sofrendo e demitindo e sim a maioria e isso se deve ao péssimo governo do PT.

Anônimo disse...

Boa tarde Mauro, parabéns pelo artigo muito bem articulado e explicativo, mas acho que o próprio Lula alçou ao poder uma figura com o perfil do Moro. A Sra, Dilma era uma burocrata, e se comporta como tal na presidência, isso também contribuiu para levar nosso país ao naufrágio atual. Com tantos quadros no PT, tantos políticos renomados aliados, o ex-presidente Lula escolheu alguém com perfil burocrático, sem qualquer intimidade com o jogo político, pelo menos ao nível de um cargo tão alto, isso dito por seus aliados. Aliás ela nunca ocupou cargo algum eletivo antes da presidência. Então ela está no mesmo nível do Moro. Graças a maquina de marketing chamado João Santana, que de tão exitoso ganhou clientes na América Latina afora. Realmente o fim da picada para todos os lados. Salve-se quem puder!

mensagensnanett disse...

MAIS CAPACIDADE NEGOCIAL PARA OS CONTRIBUINTES/CONSUMIDORES!

Golpes palacianos, dinheiro dos contribuintes usado para tapar 'buracos' na banca, etc, etc, etc... ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS, há que reinvidicar:
- mais capacidade negocial para os contribuintes/consumidores!
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O contribuinte não pode ir atrás da conversa dos parolizadores de contribuintes - estes, ao mesmo tempo que se armam em arautos/milagreiros em economia (etc), por outro lado, procuram retirar capacidade negocial ao contribuinte!!!
Mais, quando um cidadão quando está a votar num político (num partido) não concorda necessariamente com tudo o que esse político diz!
Leia-se, um político não se pode limitar a apresentar propostas (promessas) eleitorais... tem também de referir que possui a capacidade de apresentar as suas mais variadas ideias de governação em condições aonde o contribuinte/consumidor esteja dotado de um elevado poder negocial!!!
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Caso 1:
O CONTRIBUINTE TEM QUE SE DAR AO TRABALHO!!!
-» Leia-se: o contribuinte tem de ajudar no combate aos lobbys que se consideram os donos da democracia!
---»»» Democracia Semi-Directa «««---
-» Isto é, votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a ‘coisa’ terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
-» Leia-se: deve existir o DIREITO AO VETO de quem paga!!!
[ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »]
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Caso 2:
CONCORRÊNCIA A SÉRIO!!!
Não há necessidade do Estado possuir negócios do tipo cafés (etc), porque é fácil a um privado quebrar uma cartelização... agora, em produtos de primeira necessidade (sectores estratégicos) - que implicam um investimento inicial de muitos milhões - só a concorrência de empresas públicas é que permitirá COMBATER EFICAZMENTE A CARTELIZAÇÃO privada.
[ver blog « http://concorrenciaaserio.blogspot.pt/ »]
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P.S.
Outros Direitos que já há alguns anos (comecei nos fóruns clix e sapo) aqui o je vem divulgando:
---1--- O Direito à Sobrevivência de Identidades Autóctones:
-» Os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins... que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-» Pelo Direito à Sobrevivência de Identidades Autóctones, ver blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
---2--- O Direito à Monoparentalidade em Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas:
-» Promover a Monoparentalidade (sem 'beliscar' a Parentalidade Tradicional, e vice-versa) é evolução natural das sociedades tradicionalmente monogâmicas - ver blogs http://tabusexo.blogspot.com/ e http://existeestedireito.blogspot.pt/.

Maria Mota disse...

Certeiro o teu texto, ainda acredito que é possível sair dessa situação terrível em nos encontramos, defendendo nossa frágil democracia saindo dessa paralisia que está parando o país.

S.Bernardelli disse...

Arrasou! adorei o texto

Anônimo disse...

********** VAI SER MUITO DIFÍCIL LULA ESCAPAR DOS BANDIDOS DE TOGA***
GRAMPO SÓ É GRAMPO SE TIVER ÁUDIO, NÃO MESMO MINISTRO GILMAR MENDES?

https://www.youtube.com/watch?v=tSE3qFfY6tM

Ah! que saudade da doutora ELIANA CALMON em seu tempo de CORREGEDORIA.

MAS OS BANDIDOS DE TOGA NÃO POUPARAM NEM MESMO ELA.

https://www.youtube.com/watch?v=IR4p8KOw8yI

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Sérgio Muylaert disse...

Caro jornalista a sua frase lapidar em que sustenta que o douto Magistrado pretende tutelar a República é de toda verdadeira. O ensaio de muito que se tem avistado é como a Geny, na música do Chico Buarque, na qual todos atiram pedras por se boa prá apanhar, boa de cuspir, Maldita Geny, depois de locupletar grande parte da classe média e alegrar tubarões e supermercados, a bateria de tampas de panelas revela que as panelas dos "filhotes" está BOMBADA e muitos deles mal equipados intelectualmente. Parabéns pelo excelente texto. Saludos.

eduardo Gaignoux disse...

Infelizmente Cláudio é justamente isso que eles querem que nós pensamos.
Que o combate a corrupção está sendo feito, pela primeira vez estam passando o Brasil a limpo.
Ledo engano, atrás dessa capa está mais golpe!

Anônimo disse...

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https://soundcloud.com/julia-affonso-2/audio-entre-lula-e-dilma-rousseff
A ligação foi do telefone de DILMA para o telefone de LULA. Então o grampo estava no telefone da Dilma, pois gravou desde o inicio da ligação até o atendimento pelo segurança do LULA.
Se o telefone foi grampeado sem autorização da Instância Máxima do poder Judiciário, é um grampo ilegal.
Se foi autorizado por um Ministro do STF, quais os motivos ou indícios alegados para essa anormalidade e quem foi o Ministro que autorizou?
Em qualquer país livre e democrata o grampeador seria preso imediatamente.
Será que estamos vivendo um Golpe de Estado com a conivência da Polícia e da Justiça Nacional ?
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Anônimo disse...

Hoje, no Brasil, Moro é unanimidade. E como dizia Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra.

Faltam soluções como Ficha limpa, transparência nos financiamentos de campanha, adiminuição dos benefícios políticos e o investimento em infraestrutura.
Como isso afeta o status quo das elites, as massas de manobra desbandam para protestos ocos e o Brasil balança com medo da extrema direita.

Rezo pelo fortalecimento de nossa jovem democracia. Entre mortos e feridos, salvaremo-nos todos.

Gilson Goz disse...

Cunha, Renan e Aécio... São de quais partidos mesmo?

Anônimo disse...

Simplificando:
O Moro é "agente (via GLOBO)" da CIA, ou NSA; enfim, dos USA, de Wall Street.
A Polícia Federal do Brasil é comandada pela CIA e usa métodos da Gestapo nazista.
O republicanismo do Lula e da Dilma é submisso e suicida, desde 2003.
Quem não enfrenta, não governa !!!
Agora, temos de correr atrás do prejuízo ...