6 de nov de 2011

O IRÃ E A PERIGOSA APOSTA DE ISRAEL

Não se trata mais de hipótese: os falcões americanos e o governo britânico estão dispostos a apoiar ação militar de Israel contra o Irã, embora grande parte da opinião pública israelita advirta que essa aventura é arriscada. Aviões militares de Israel fazem manobras no Mediterrâneo e já se fala no emprego de mísseis de alcance médio contra o suposto inimigo. Seus líderes da extrema-direita, entre eles religiosos radicais, estimulam os cidadãos, com o argumento de que se trata de uma luta de vida ou morte.

Toda cautela é pouca na avaliação política da questão de Israel. Em primeiro lugar há que se separar o povo judaico do sionismo e do Estado de Israel - que parece condenado a sempre fazer guerra. Como disse um de seus grandes pensadores, se todos os estados possuem um exército, em Israel é o exército que possui o estado. É explicável que, com sua história atribulada e as perseguições sofridas, sobretudo no século 20, sob a brutalidade nazista, os judeus se encontrem na defensiva. Isso, no entanto, não autoriza a insânia de sua política agressiva contra os palestinos em particular, e contra os muçulmanos, em geral.

A política belicista de Israel, alimentada pelos fundamentalistas, e estimulada pelos interesses norte-americanos, tem impedido a paz na região. Os palestinos são tão semitas quanto os judeus, embora muitos dos judeus procedentes da Europa não sejam semitas em sua origem étnica, posto que convertidos a partir do século VIII. Os dois povos poderiam viver em paz, se o processo de ocupação da Palestina pelos judeus europeus tivesse seguido outra orientação. Mas o passado não pode ser mudado. Sendo assim, é tempo para o entendimento entre os dois povos – mas para parcelas das elites de Israel e seus patrocinadores americanos, a guerra é um excelente negócio. Sem a guerra, a receita de Israel – um território pobre de petróleo, tão próximo das mais pejadas jazidas do mundo – seria insuficiente para manter seu poderoso e bem remunerado exército e suas elites dirigentes, contra as quais começam a mover-se também os indignados, e com razão.

Israel nasceu sob o ideal de um sistema socialista baseado na solidariedade dos kibbutzim, mas hoje não se distingue mais dos países capitalistas. Os ensandecidos partidários da ação militar contra Teerã talvez imaginem que essa iniciativa tolha o reconhecimento do Estado da Palestina pela ONU, mas deixam de atentar para os grandes riscos da operação, apontados pelos judeus de bom senso. Em primeiro lugar há uma questão ética em jogo, que o mundo já medita há muito tempo: por que Israel pôde desenvolver as suas armas nucleares, e os outros países da região não podem investigar o aproveitamento do conhecimento nuclear para fins pacíficos? Em visão mais radical, mas nem por isso contrária à ética: porque Israel dispõe de 200 ogivas nucleares e os outros países não podem dispor de armas atômicas? O que os faz tão diferentes dos outros? Se o Estado de Israel se sente ameaçado pelos vizinhos, os vizinhos também têm suas razões para se sentirem ameaçados por Israel.

Façamos um rápido exercício lógico sobre as conseqüências de um ataque aéreo – que já não se trata de hipótese, mas de timing – de Israel às instalações nucleares do Irã. Como irão reagir a Rússia e a China e, antes das duas grandes potências, o que fará a Turquia? A Grã Bretanha, segundo informou ontem The Guardian, já está estudando participar de uma expedição contra o Irã e só o governo dos Estados Unidos – exceto alguns falcões - está relutante. Haveria, assim, uma aliança inicial entre Sarkozy, Cameron e Netanyahu contra o Irã. Talvez os europeus e os próprios norte-americanos vejam nesse movimento uma forma de superar o acelerado descontentamento de seus povos contra a submissão dos estados aos banqueiros larápios. O encontro de um bode expiatório, como parece a propósito a antiga Pérsia, poderia ser uma forma de buscar a unidade interna de ingleses, franceses, norte-americanos – e judeus. É ingenuidade imaginar que o provável ataque se concentrará nas instalações de pesquisa nuclear. Uma vez iniciada a agressão, ela não se limitará a nada, e se repetirá o holocausto da Líbia, com seus milhares de mortos e feridos, em nome dos “direitos humanos” dos ricos.

O mapa geopolítico de hoje é um pouco diferente do que era em 1948 e 1967, quando se criou o Estado de Israel e quando ele se ampliou para além das fronteiras estabelecidas pela comunidade internacional.

É assustador pensar em uma Terceira Guerra Mundial, com novos atores em cena, entre eles possuidores das armas apocalípticas, como a China, o Paquistão e a Índia. Diante da insanidade de certos chefes de Estado de nosso tempo, é uma terrível probabilidade – e com todas as conseqüências impensáveis.

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5 comentários:

Anônimo disse...

Tenho 54 anos, e sempre que estudo história , em qualquer lugar do planeta que houver uma guerra tem sempre um judeu no meio.
Sou humanista, mas INFELIZMENTE, só vamos começar a ter paz no mundo quando DIZIMAR TODOS OS JUDEUS E OS AMERICANOS.
Pois são eles que patrocinão todos os conflitos !!!!!!!!!!!!
Quem discorda que Busch é um GENOCIDA !!!!!!!!!!

Adriano disse...

Boa tarde, Mauro.

Por favor, tome cuidado com os trolls sionistas que tentam desvirtuar os blogs que tenham posts com críticas válidas, pertinentes e legítimas aos crimes do Estado de Israel.

Esses trolls podem plantar comentários anti-semitas para causar tumulto ou tentar pedir alguma punição ao dono do blog.

Ou seja, cuidado com os falsos anti-semitas plantados.

Outro ponto que acho válido comentar é ressaltar que houve na imprensa corporativa a divulgação de que Ahmadinejad teria dito que queria "varrer Israel do mapa", porém no blog dele há o discurso dele onde essa imprensa disse que provém tal fala e não há nada disso.

Um abraço!

Mauro Santayana disse...

Um abraço também, Adriano.

Carlos Veloso disse...

Possuir ogivas nucleares significa blindagem contra os ataques terroristas feitos pelos EUA, França, Inglaterra, Israel e pela OTAN (organização a serviço dos interesses do ocidente colonizador).
Israel não se cansa de provocar o mundo árabe, com apoio dos EUA, para manter firme a constante necessidade de manter o comércio de armas que significa lucros para os investidores (normalmente judeus).
O Brasil, necessita urgentemente de armas nucleares para se manter imune a futuros ataques da quadrilha acima.
Eles, se necessário for, e dependendo de crises futuras, também poderão querer apropriar-se das nossas muitas riquezas. O que estão fazendo hoje no Oriente Médio e no continente Africano pode sim, acontecer conosco americanos do sul. Por que não?
Provocar guerras é uma saída fácil para estes países equilibrarem suas contas.
Além de cobrarem cada míssil utilizado para destruir, também ganham em dobro na reconstrução. Com isso o lucro aparece para o mercado financeiro que financia a fabricação de armas e também as empresas dos países invasores que são imediatamente recrutadas para promover a reconstrução.
É muito estranho que apenas países que possuem riquezas naturais e boas reservas financeiras (Iraque, Líbia), e que não tenham armas nucleares serem os escolhidos para invasões genocidas. Tudo isso utilizando a falácia da "intervenção humanitária".
O que mais me incomoda é que, a dita "intervenção humanitária" soa como música clássica (de excelente qualidade) nos ouvidos de muita gente boa.

Anônimo disse...

Prezado Mauro, há outro aspecto que me parece relevante, que é a construção de colônias judaicas em territórios Palestino, ferindo determinação expressa da ONU,e toda vez que estas construções estão em curso, há uma propalada invasão, ou retaliação, ou bombardeio ao IRÃ, com isto tirando o foco desta invasão cirurgica, homeopática, ao território Palestino.