19 de dez de 2013

HABEMUS PAPAM


(JB) - Acusado por um conservador norte-americano de ser marxista, Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, negou sê-lo, mas disse que não se sentia ofendido, por ter conhecido ao longo de sua vida, muitos marxistas que eram boas pessoas.
A declaração do Papa, evitando atacar ou demonizar os marxistas, e atribuindo-lhes a condição de comuns mortais, com direito a ter sua visão de mundo e a defendê-la, é extremamente importante, no momento que estamos vivendo agora.   
A ascensão irracional do anticomunismo mais obtuso e retrógrado, em todo o mundo - no Brasil, particularmente, está ficando “chic” ser de extrema direita – baseia-se em manipulação canalha, com que se tenta, por todos os meios, inverter e distorcer a história, a ponto de se estar criando uma absurda realidade paralela.
Estabelecem-se, financiados com dinheiro da direita fundamentalista, “Museus do Comunismo”; surgem por todo mundo, como nos piores tempos da Guerra Fria, redes de organizações anticomunistas, com a desculpa de se defender a democracia; atribuem-se, alucinadamente, de forma absolutamente fantasiosa, cem milhões de mortos ao comunismo.
Busca-se associar, até do ponto de vista iconográfico, o marxismo ao nacional-socialismo, quando, se não fossem a Batalha de Stalingrado, em que os Alemães e seus aliados perderam 850 mil homens e a Batalha de Berlim, vencidas pelas tropas do Exército Vermelho - que cercaram e ocuparam a capital alemã e obrigaram Hitler a se matar, como um rato, em seu covil - a Alemanha Nazista teria tido tempo de desenvolver sua própria bomba atômica e não teria sido derrotada.
Quem compara o socialismo ao nazismo, por uma questão de semântica, se esquece que, sem a heróica resistência, o complexo industrial-militar, e o sacrifício dos povos da União Soviética - que perdeu na Segunda Guerra Mundial 30 milhões de habitantes - boa parte dos anticomunistas de hoje, incluídos católicos não arianos e sionistas, teriam virado sabão nas câmaras de gás e nos fornos crematórios de Auschwitz, Birkenau e outros campos de extermínio.
Espalha-se, na internet – e um monte de beócios, uns por ingenuidade, outros por falta de caráter mesmo, ajudam a divulgar isso – que o Golpe Militar de 1964 - apoiado e financiado por uma nação estrangeira, os Estados Unidos – foi uma contra-revolução preventiva. O país era governado por um rico proprietário rural, João Goulart, que nunca foi comunista. Vivia-se em plena democracia, com imprensa livre e todas as garantias do estado de direito, e o povo preparava-se para reeleger Juscelino Kubitscheck Presidente da República em 1965.
1964 foi uma aliança de oportunistas. Civis que há anos almejavam chegar à Presidência da República e não tinham votos para isso, segmentos conservadores que estavam alijados dos negócios do governo e oficiais – não todos, graças a Deus – golpistas que odiavam a democracia e não admitiam viver em um país livre.
Em um mundo em que há nações, como o Brasil, em que padres fascistas pregam abertamente, na internet e fora dela, o culto ao ódio, e a mentira da excomunhão automática de comunistas, as declarações do Papa Francisco, lembrando que os marxistas são pessoas normais, como quaisquer outras - e não são os monstros apresentados pela extrema-direita fundamentalista e revisionista sob a farsa do “marxismo cultural” - representam um apelo à razão e um alento.
Depois de anos dominada pelo conservadorismo, podemos dizer, pelo menos até agora, que Habemus Papam, com a clareza da fumaça branca saindo, na Praça de São Pedro, em dia de conclave, das veneráveis chaminés do Vaticano.
Um Papa maiúsculo, preparado para fortalecer a Igreja, com o equilíbrio e o exemplo do Evangelho, e a inteligência, o sorriso, a determinação e a energia de um Pastor que merece ser amado e admirado pelo seu rebanho.       

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:






























































7 comentários:

Anônimo disse...

Comunista. O velho alibi dos criminosos. Basta ser honesto, para ser atacado. Mas o mundo vai reagir e coloca-los em seu lugar.

Anônimo disse...

Esse artigo seria até cômico, não fosse a burrice e/ou desonestidade do autor.
Esperar honestidade de um esquerdista é paradoxal, mas mesmo assim eu ainda me surpreendo. Obviamente o autor, ao falar "padre fascista", está se referindo ao reverendíssimo Padre Paulo Ricardo. É deveras fácil, facílimo, caricaturar alguém de "fascista" apenas porque esse alguém é honesto e fala a verdade, com provas autênticas, "matando a cobra e mostrando o pau".
A não ser, é claro, que Santayana diga que Marx e Engels estavam apenas "brincando", que Gramsci estava brincando, que a Escola de Frankfurt estava brincando, e que dentre outros, finalmente, a História estava brincando. Porque, afinal, é isso que essa gente faz: reinventam a História a seu favor, destruindo-a, portanto, e atacam bonecos, simulacros do que foi a verdadeira História, dos verdadeiros objetivos de tantos ideólogos, de fato destruidores.
"Pelos frutos os conhecereis". Finalizo aqui fazendo coro à essa máxima, uma vez que, tragicamente para o autor, e felizmente para alguém com cérebro que consiga identificar esquerdice, esse texto foi republicado por ninguém menos que o asqueroso e imbecil ideólogo Leonardo Boff, onde a desonestidade alcança tais proporções que quase poderia-se dizer que ela tomou forma humana.

Anônimo disse...

Resumindo: Devo nao pago, nego enquanto puder.

Anônimo disse...

Quanto mais a crise do capitalismo se arrastar, mais a direita vai pirar.

Do óbvio disse...

Os comentários "desafortunados" do tal anônino só confirmam como a internet está repleta de beócios, como afirma o autor do blog. Pessoas que jamais falariam essas baboseiras cara a cara com aqueles que julga burros e desonestos, de acordo com a covardia típica do fascismo que foi "tratorado" na II Guerra.

Anônimo disse...

Até o momento, o papa Francisco I tem demonstra que não quer ficar prisioneiro da extrema-direita em geral, seja dentro ou fora do Vaticano. Pelo jeito, mostra que deseja conduzir a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) para um posicionamento mais adequado diante dos problemas humanos no mundo atual. Seguir neste rumo será algo desejado, necessário e
louvável. Finalmente, no que se refere ao texto, nada a reparar, parabéns para o autor pelo belo texto "Habemus Papam". [Chico Barauna, 28-12-2013].

julio cesar disse...

comunismo=fascismo