18 de jul de 2014

A ESCALADA DO OLIMPO


(Jornal do Brasil) - Com quase 2.800 metros de altitude,  o Monte Olimpo é o mais alto da Grécia e símbolo maior da mitologia grega, presente de Gaia a Zeus para a morada dos deuses.
Os autores gregos da Antiguidade situam-no entre as nuvens, e Aristófenes disse que Sócrates era nefelibata, e sobre as nuvens passeava.
Os gregos cultuavam seus deuses,  com os jogos que se celebravam de quatro em quatro anos,  em Olímpia e em outras cidades do Arquipélago.
Era uma competição entre cidades e atletas em busca da glória. Um grande poeta, Pindaro, vivia de lhes cantar a fama,  em troca de dinheiro.  
    Dele é o belo verso em que o homem é apenas  o sonho de uma sombra. Mas traz o consolo para a fugacidade da vida: quando o sol nos traz seu calor e sua luz, como a vida é bela…
Vivemos hoje como nos tempos gregos: de quatro em quatro anos, temos, revezando-se,  a Copa do Mundo e, como os gregos, os Jogos Olímpicos , carregados da mesma paixão  que opôs Atenas a Esparta.
Com a paixão do ódio, o facínora Adolf Hitler recusou-se a cumprimentar o negro norte-americano Jesse Owens, o mais destacado atleta dos Jogos de 1936, em Berlim, com quatro medalhas de ouro e a quebra de 4 recordes mundiais em 45 minutos.
        O Führer gastara milhões de marcos para promover a Alemanha no mundo e  obter o reconhecimento dos povos, mas sobretudo para demonstrar a superioridade da “raça ariana”.
     Os dirigentes nazistas, como Ribbentrop, Goering e Goebbels,  ofereceram faustosas recepções e jantares aos chefes de Estado e personalidades mundiais, presentes durante a competição - mas o seu gesto, de negar-se a apertar a mão negra do  grande atleta, desmoronou os seus esforços.
      Ainda que os dignitários europeus e norte-americanos, ali presentes, fossem  tão racistas quanto ele, a opinião dos trabalhadores e intelectuais do mundo foi de repúdio ao  ditador.
     Hitler sonhava uma aliança com os norte-americanos e ingleses, que ele considerava arianos como ele mesmo, com o objetivo de exterminar os judeus e escravizar todos os outros povos; assim, como manobra tática, determinara a suspensão - durante os jogos - das “Leis de Nuremberg”, que regulavam as normas antisemitas. Mas já sonhava com a Endlösung, com a  solução final, que levaria à morte de milhões de judeus, ciganos e eslavos.
      Em nossos dias, que ainda há pouco coincidiram com a Copa do Mundo, vemos como os jogadores e torcedores vivem a euforia olímpica, durante os noventa minutos de cada partida, eventuais prorrogações e disputas de pênalties, e na memória dos embates.
      Mas há uma diferença entre os  torcedores e os craques que entram em campo:  os segundos, além de sonhar com a glória - é o caso de Pelé que se diz apenas torcedor - sonham ainda mais com o dinheiro, que nunca utilizam para o bem comum e, sim para si mesmos.
      Os jogadores, com poucas exceções, são egoístas. Presumem-se acima do bem e do mal, e são, de fato, apátridas, só vestindo a camisa de seus patrões, nunca a de seu povo; só envergam as cores nacionais -  nas partidas amistosas, e nas disputas da Copa - poluídas de anúncios comerciais exclusivos, em que faturam bom dinheiro, em parceria com a Fifa e as confederações. Mas nem por isso merecíamos o score melancólico de 7a1 - e, menos, ainda, dos alemães.
       Tivemos a humilhante derrota  diante deles,  que venceram a partida final  com a Argentina.         
   Tão arrogantes quanto alguns de nossos adversários foram  as melancólicas desculpas do Sr. Scolari.  Nele, a vaidade consegue superar a tartamudez da linguagem e a cara e o espírito de perdedor.
   E para o sofrimento de nossa alma, houve cidadãos brasileiros que se disseram torcedores da Holanda e da Alemanha. São os saudosistas do 2 de Julho de 1822, quando a Bahia repudiou a Independência Nacional e combateu as forças brasileiras, ou os desmemoriados do afundamento dos navios brasileiros nas costas de Sergipe em agosto de  1942, o que nos impeliu a levar a pátria   ao chão italiano.
       Afinal, o que é Pátria? Na célebre conferência que pronunciou na Sorbonne, no fim do século 19, Ernest Renan disse que uma nação se faz e se mantém na solidariedade cotidiana entre seus membros. Assim são as pátrias. Quando as pessoas reagem como esses - como diria Nelson Rodriges -  novíssimos vira-latas,  ao rejeitar seu próprio povo nada merecem a não ser nosso repúdio.       

     Para glorificar a Pátria não podemos exaltar outras bandeiras, mas, sim, abraçar a nossa, com toda a força de nosso coração. Quem desdenha a Pátria, desdenha a si mesmo.

8 comentários:

Anônimo disse...

Obrigada, Mauro!
Vc não imagina como seus textos fazem bem.
Tua sabedoria é doce.

Anônimo disse...

Eu pensei que não existisse mais vida inteligente na Internet!
Encontrar este site foi uma grande surpresa!

Mauro Santayana disse...

Obrigado e sempre bem-vindos

Anônimo disse...

O senhor comentou recentemente que a comunidade israelita era "hospede"do Brasil...(no JB) Deve ter sido um "lapsus linguae" ou "lapso freudiano" ou algo similar, nao? Evidentemente voce nao vai publicar este comentario, mas o que voce escreveu, imputando responsabilidades inerentes ao comportamento dos israelenses com os nossos "hospedes israelitas"constitue incitamento "a la pogrom".

Mauro Santayana disse...

Escuta aqui, meu amigo, que prefere publicar sob o manto do anonimato, não apenas vou publicar o seu comentário, como gostaria que você enviasse o link desse texto recente ao qual você se refere, de incitação à "la pogrom", como se fosse "à la Carte". Temos, aqui, no Brasil, gente de todas as origens e culturas, e quando não são nascidos aqui ou cidadãos naturalizados, constituem sim, uma "comunidade" estrangeira, e como tal, sejam espanhóis, portugueses, árabes, gregos ou judeus, são "hóspedes", aqui, sim senhor.
Não sei como chamar alguém de "hóspede" pode incitar a um pogrom e aconselho Vossa Senhoria a ler o que já escrevi sobre pogroms e a Segunda Guerra Mundial, antes de escrever esse tipo de sandice.

Anônimo disse...

Colocar no mesmo paragrafo uma condenacao a Israel e, ao mesmo tempo, dar suporte a mesma escrevendo que os israelitas (quem sao eles, os de religiao judaica, os imigrantes com nomes "judeus, os nascidos aqui, os com nome Levy praticantes de Umbanda??!!) sao "hospedes" revela antisemitismo primario. Este seu comentario "post mortem"que todos sao "hospedes" revela uma posicao 100% defensiva. Assuma o seu antisemitismo. Pelo menos a honestidade pode ser salva aqui.

Anônimo disse...

“O que não se pode perdoar é que o porta-voz agrida o povo brasileiro, com deboche e sarcasmo, fazendo comparações com o futebol, paixão deste povo que tão carinhosamente hospeda a colônia israelita há tantos anos em nosso país” - Mauro Santayana.

Objetivando honestidade intelectual (sentimentos pessoais antisemitas são...pessoais) favor explicar a correlacão entre um comentario de uma nacão estrangeira e a nossa tão carinhosa hospedagem de israelitas.

Mauro Santayana disse...

Anônimo,

Para sua informação, ESSE TEXTO NÃO É MEU. Eu pedi, no seu último comentário, e exijo, agora, que vc me mande um LINK com esse texto apócrifo publicado na seção SOCIEDADE ABERTA do Jornal do Brasil, que esteja ASSINADO POR MIM. Se mandar , vou mandar localizar o IP, e processar quem o tiver escrito, atribuindo-o a mim. E da próxima vez, só publico alguma observação sua se vc ASSINAR embaixo do que escreve com o seu nome verdadeiro, se tiver um, ENTENDEU BEM ?