23 de jul de 2014

O PRÍNCIPE E O SEM TETO


(Hoje em Dia) - O príncipe George, filho de Catherine Midleton e do príncipe William, da Inglaterra, completou ontem um ano de vida. 

Segundo a AFP, “em comemoração à data, a coroa britânica divulgou imagens exclusivas do menino de cabelo louro, vestindo um macacão azul e uma camisa azul marinho”, registradas, há alguns dias, em um museu londrino. “ao qual o duque e a duquesa de Cambridge levaram seu filho para ver uma exposição sobre borboletas”. Em uma das imagens George aparece andando, cena saudada como "Os primeiros passos seguros do futuro rei da Inglaterra", pelo Sunday Telegraph.

É triste. Mas devemos cumprir o doloroso  dever de informar, que, segundo um último balanço, também publicado ontem, 143 crianças palestinas, 80 delas com menos de 12 anos de idade, não poderão ver as borboletas do museu britânico, nem nenhuma outra que estiver voando por aí,  por terem perecido, segundo a UNICEF, desde que começou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Nem elas poderão fazê-lo, nem o pequeno bebê de onze meses, que morreu no hospital, depois de ter ficado trinta e cinco horas, soterrado, com sua família, sob um prédio em construção que desabou em Aracaju.
    
A humanidade está – infelizmente – cada vez mais fútil.  Incapazes de revestir sua própria vida de maior interesse, enriquecendo-a com um pouco de cultura, ou dos sentimentos de justiça e solidariedade, milhões de pessoas mergulham no culto a “celebridades”, às vezes tão efêmeras e descartáveis como lâminas de barbear, e acompanham suas peripécias pelas publicações disponíveis nas salas de espera e nos salões de cabeleireiro.

O pequeno príncipe britânico, herdeiro da opulência de um império que cresceu pela exploração de dezenas de colônias e povos como os indianos, ou os aborígenes canadenses e australianos, acaba de entrar na lista – tão ridícula como absurda - das “dez crianças mais poderosas do mundo”.

O pequeno sem teto brasileiro, um mês mais novo que ele, morreu de frio e inanição, no escuro, debaixo das ruínas  do prédio em construção - no qual sua família dormia por não ter outro lugar para ir - porque sua mãe não conseguia se mover para aquecê-lo e amamentá-lo.


Os meios de comunicação noticiaram os dois fatos, cada um, naturalmente, em sua correspondente seção. Uma, festiva, perto das notas de variedades ou editoriais de moda. A outra, nas notícias de polícia, ou de cidades, lamentando, como não poderia deixar de ser, o desabamento do prédio e as vítimas do acidente de Aracaju.


Faltou alguém somar os dois meninos, e pensar, ao menos por um segundo, em seus diferentes destinos. Perguntando-se, porque, em pleno Século XXI, algumas crianças ainda nascem em suntuosos palácios, enquanto outras continuam morrendo debaixo de bombas em Gaza, ou sob os escombros de uma marquise, porque não tinham - como certo menino que nasceu em uma manjedoura - outro lugar para se abrigar.

Um comentário:

Aldo Luiz Fonseca disse...

Já concluí, e repito aqui para clarear minha posição aos outros comentaristas e leitores, quanto a Palestina, Brasil ou qualquer outro povo - "todas as utopias humanitárias são parte do jogo escravagista milenar" para a dualidade que sustenta o conflito financiado pelos banqueiros donos e senhores das casas grandes desse e quiça de outros mundos. A escravização do "homem" pelo "homem" é milenar. Criam-se, "modernamente" os das casas grandes, ( leia-se quadrilhas de banqueiros e comparsas), problemas para oferecer soluções aos das perenes senzalas mundo afora. Agora querem a depopulação dessas senzalas (excessivas), vide Israhell exterminando os palestinos enquanto não chega nossa vez. Treinam seus exércitos e suas armas promovendo estes genocídios, negócio mais lucrativos até que outras "drogas" e religiões com as quais também negociam lucrativamente...
O resto é alienação das boçalizadas massas, a sempre última a saber, a televisão e os demais "mídias" é garantia de sua perene e azeitada ignorância (milenar esta manobra de sabotagem do saber). A cada vinte anos, acomodam as idéias de bestialidade e "iluminação" das "novas" gerações de escravos. Estamos a caminho da Guantánamo planetária do 4º REICH nazi sionista e ninguém está vendo. Ou não podem ou não querem?

Sinto muito, me perdoe, vos amo, sou grato.