26 de fev de 2015

A "NOTA" DA PETROBRAS E A "NOTA" DA MOODY´S







(Jornal do Brasil) - A agência de classificação de “risco" Moody´s acaba de rebaixar a nota de crédito da Petrobras de Baa2 para Ba2, fazendo com que ela passe de "grau de investimento" para "grau especulativo".


Com sede nos Estados Unidos, o país mais endividado do mundo, de quem o Brasil é, atualmente, o quarto maior credor individual externo, a Moody´s é daquelas estruturas criadas para vender ao público a ilusão de que a Europa e os EUA ainda são o centro do mundo, e o capitalismo um modelo perfeito para o desenvolvimento econômico e social da espécie, que distribui, do centro para a "periferia", formada por estados ineptos e atrasados, recomendações e "notas" essenciais para a solução de seus problemas e a caminhada humana rumo ao futuro.


O que faz a Petrobras ?


Produz conhecimento, combustíveis, plásticos, produtos químicos, e, indiretamente, gigantescos navios de carga, plataformas de petróleo, robôs e equipamentos submarinos, gasodutos e refinarias.


De que vive a Moody´s ?


Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada, assim como suas congêneres ocidentais, que produzem, a exemplo dela, monumentais burradas, quando seus "criteriosos" conselhos seriam mais necessários.


Conversa fiada que primou pela ausência, por exemplo, quando, às vésperas da Crise do Subprime, que quase quebrou o mundo em 2008, devido à fragilidade, imprevisão e irresponsabilidade especulativa do mercado financeiro dos EUA, a Moody,s, e outras agências de classificação de "risco" ocidentais, longe de alertar para o que estava acontecendo, atribuíram "grau de investimento", um dos mais altos que existem, ao Lehman Brothers, pouco antes que esse banco pedisse concordata.


Conversa fiada que também primou pela incompetência e imprevisibilidade, quando, às vésperas da falência da Islândia - no bojo da profunda crise europeia, que, como se vê pela Grécia, parece não ter fim - alguns bancos islandeses chegaram a receber da Moody´s o Triple "A" (ilustração), o mais alto patamar de  avaliação, também poucos dias antes de sua quebra.


Afinal, as agências de classificação europeias e norte-americanas,  agem, antes de tudo, com solidariedade de “classe”. Quando se trata de empresas e nações “ocidentais”, e teoricamente desenvolvidas - apesar de apresentarem indicadores macro-econômicos piores do que muitos países do antigo Terceiro Mundo - as agências “erram” em suas previsões e só vêem a catástrofe quando as circunstâncias, se impõem, inapelávelmente, seguindo depois o seu caminho na maior cara dura, como se nada tivesse acontecido.


Quando se trata, no entanto, de países e empresas de nações emergentes, com indicadores econômicos como um crescimento de 400% do PIB, em dólares, em cerca de 12 anos, reservas monetárias de centenas de bilhões de dólares, e uma dívida pública líquida de menos de 35%, como o Brasil, o relho desce sem dó, principalmente quando se trata de um esforço coordenado, com outros tipos de abutres, como o Wall Street Journal, e o Financial Times, para desqualificar a nação que estiver ocupando o lugar de "bola da vez".

 

Não é por outra razão que vários países e instituições multilaterais, como o BRICS, já discutem a criação de suas próprias agências de classificação de risco. 


Não apenas porque estão cansados de ser constantemente caluniados, sabotados e chantageados por "analistas" de aluguel - como, aliás, também ocorre dentro de certos países, como o Brasil - mas também porque não se pode, absolutamente, confiar em suas informações.


Se houvesse uma agência de classificação de risco para as agências de “classificação” de risco ocidentais, razoavelmente isenta - caso isso fosse possível no ambiente de podridão especulativa e manipuladora dos "mercados" - a nota da Moody´s, e de outras agências semelhantes deveria se situar, se isso fosse permitido pelas Leis da Termodinâmica, abaixo do zero absoluto.


Em um mundo normal, nenhum investidor acreditaria mais na Moody´s, ou investiria um "cent" em suas ações, para deixar de apostar e aplicar seu dinheiro em uma empresa da economia real, que, com quase três milhões de barris por dia, é a maior produtora de petróleo do mundo, entre as petrolíferas de capital aberto, produz bilhões de metros cúbicos de gás e de etanol por ano, em sua área, é a mais premiada empresa do planeta - receberá no mês que vem mais um "oscar" do Petróleo da OTC - Offshore Technologies Conferences - em tecnologia de exploração em águas profundas, emprega quase 90.000 pessoas em 17 países, e lucrou mais de 10 bilhões de dólares em 2013, por causa da opinião de um bando de espertalhões influenciados e teleguiados por interesses que vão dos governos dos países em que estão sediados aos de "investidores" e especuladores que têm muito a ganhar sempre que a velha manada de analfabetos políticos acredita em suas "previsões".


Neste mundo absurdo que vivemos, que não é o da China, por exemplo, que - do alto da segunda economia do planeta e de mais de 4 trilhões de dólares em ouro e reservas monetárias - está se lixando olimpicamente para as agências de "classificação" ocidentais, o rebaixamento da "nota" da Petrobras pela Moody´s, absolutamente aleatório do ponto de vista das condições de produção e mercado da empresa, adquire, infelizmente, a dimensão de um oráculo, e ocupa as primeiras páginas dos jornais.


E o pior é que, entre nós, de forma ridícula e patética, ainda tem gente que, por júbilo ou ignorância, festeja e comemora mais esse conto do vigário - destinado a enfraquecer a maior empresa do país - que não passa de um absurdo e premeditado esbulho.

9 comentários:

Anônimo disse...

Pois é prezado Santayana. Sou mais o seu artigo, que acaba de rebaixar a Moodys a extrato de pó de titica. Quem conhece confia. Leio seus textos a pelo menos uns 20 anos. Nota AAA.

Anônimo disse...

Primoroso!
Ajudou-me a entender o dito
de Ulisses Guimarães: “Pior que os estrangeiros que nos compram são os brasileiros que nos vendem”.
Tanto uns como os outros, trouxas e velhacos.
Obrigado!

Anselmo Alves de Sousa disse...

Certamente a petrobrás é um poço de eficiência. E toda corrupção inestigada na empresa é mais um conto de fadas.

Anônimo disse...

Defina "toda a corrupção da Petrobras":

a) A conduzida por diretores indicados no governo FHC, segundo Barusco, desde 1997.

b) A executada graças a uma lei que dispensou a necessidade de licitação em grandes compras, aprovada durate o governo FHC.

c) A que não foi sequer estabelecida ainda, porque encontra-se ainda em investigação, logo, não pode ser dimensionada, nem definida, antes que acabe a o processo de apuração dos desvios.

Anônimo disse...

Certamente, a Petrobras é um exemplo de eficiência, que não tem nada a ver com o fato de ladrões terem desviado dinheiro da empresa, como mostram os DADOS apresentados pelo articulista. E o senhor, tem algum DADO CONCRETO para dizer que a Petrobras não é eficiente ?

Ou trata-se apenas de CONVERSA FIADA, mesmo?

Anônimo disse...

Caro Mauro, acertou em cheio em relação a Moodys. Eles são um "absoluto nada". Porem o seu parágrafo sobre a Petrobrás, infelizmente, não está 100% correto. Esta é uma empresa com um pequeno corpo técnico extremamente competente submersa num mar de burocracia, ineficiencia, cabide de empregos e corrupção inerente a grandes estatais.

Anônimo disse...

Belo texto, querido MAURO... Quem dera, que os JORNALISTAS da velha midia, fossem um pouco mais BRASILEIROS, como denota o seu amor ao nosso PAÍS.. Parabéns, MAURO SANTAYANA...

Anônimo disse...

Seu texto é envenenado pela ideologia socialista e anti-imperialista.

Anônimo disse...

Para o anonimo de 6:25,
Melhor ser "envenenado" por essas ideologias do que ser entreguista. Na verdade você deve até ser um americano ou europeu ou até um brasileiro lambe- botas dos gringos. Leia um pouco sobre o México aqui mesmo no site do dr Mauro e perceberá como é bom estar debaixo de uma ideologia capitalista e imperialista. Eua e Europa, esses sim os verdadeiros terroristas.

Se me perguntassem qual meu ídolo eu responderia que é o dr. Mauro Santayana. Um Brasileiro com B mais do que maiúsculo, dispensa qualquer apresentação. Um verdadeiro patriota!
Agradeço a Deus por conhecer o senhor através de seus textos na época do JB berliner.

Obrigado

Jimmy