31 de mar de 2016

O HOMEM MORCEGO, O GAROTO DE KRYPTON , OS EUA E O CONTROLE DO ENTRETENIMENTO.









O recorde batido por Batman x Superman no Brasil, de maior bilheteria arrecadada em um fim de semana de estreia – quase  35 milhões de reais - com um roteiro abaixo de crítica e direito, nas filas intermináveis, a adultos vestidos de camisetas com desenhos de morcego e  crianças a  partir de 12 anos com roupas de super-homem, não é apenas o símbolo da indigência cultural e intelectual de parte de uma classe média que reclama da crise, mas gasta mais de 100 reais para comprar três ingressos e um “combo” de pipoca com  refrigerantes de máquina, para lotar até a última poltrona os cinemas de shopping, correndo o risco - dependendo do lugar - de passar calor ou ser mordido por mosquitos, ou pegar uma conjuntivite com óculos 3D tão sebosos  quanto janelas de fábrica.


Pode-se alegar que se trata, apenas, de uma diversão “leve”.

Mas não o é.

Do ponto de vista da comunicação de massa, essa “conquista” conforma, também - com a mistura de heróis da Marvel e da DC Comics com as cores da bandeira dos EUA, e as alusões de sempre a terroristas e agentes do governo norte-americano, e a descendentes de ex-moradores da Cortina de Ferro - uma celebração ao sucesso da América do Norte em produzir entretenimento superficial, artificial e rasteiro, e em fechar o ciclo do controle desse entretenimento - e da involução mental de gerações - com o domínio das grandes cadeias internacionais de cinemas, do conteúdo dos blockbusters nelas exibidos, dos canais de TV a cabo – sempre os mesmos, com os mesmos filmes e séries, em qualquer lugar do mundo  –  e dos softwares de computação e de busca e exibição de conteúdo, por meio de empresas como Microsoft, Google, Youtube e Netflix, por exemplo.

Junte-se a isso o domínio do armazenamento e do fluxo de informações pessoais, privadas e empresariais com o controle dos grandes cabos oceânicos – que quase sempre passam por território norte-americano – e o monitoramento de agências como a NSA e as grandes redes de TV aberta – o Brasil é emblemático neste caso -  que têm de defender o american way of life para continuar dispondo de acesso a filmes e séries Made in USA - e percebe-se como é ingente a luta por oferecer alguma alternativa autóctone, do ponto de vista cultural e histórico, às populações de cada país e de cada região do mundo, e como são essenciais mecanismos que, com todos os seus defeitos, tornem possível disputar minimamente essa luta injusta e desigual de David contra Golias,  como a tão criticada Lei Rouanet, os editais da ANCINE, ou o Fundo Setorial Audiovisual, que teve uma importante vitória, no início deste mês, quando o Supremo Tribunal Federal suspendeu liminar que desobrigava as grandes operadoras de telecomunicações – graças ao governo FHC, em sua maioria controladas por capital estrangeiro - de pagar  a taxa do Condecine – destinada ao financiamento de produções nacionais de cinema e televisão – cuja arrecadação, neste ano, pode chegar a 1 bilhão de reais. 
 
O controle do universo do entretenimento pelos EUA não drena apenas bilhões de dólares gastos por dezenas de milhões de brasileiros, a cada vez que eles vão ao cinema, pagam sua internet, compram um produto multinacional anunciado na TV aberta, veem um vídeo em um site de streaming, ou pagam a mensalidade da TV a cabo.

Ele também limita a imaginação, a capacidade de criação e de realização de gerações de lobotomizados e fecha a porta, a milhões de jovens, do entendimento real do mundo que os cerca, justamente na fase da vida em que se processa a sua formação, abrindo caminho – como diria a direita - para a implantação de “ideologias exógenas”, e para o culto a símbolos nacionais e a instituições – como as forças armadas – de outros países, em um processo de permanente, contínua, lavagem cerebral.

São coisas assim, aparentemente anódinas, que ajudam a explicar porque cada vez mais pessoas que até algum tempo atrás eram apenas imbecis simples, padrão 1.0, estão se transformando rápida e repentinamente, em imbecis-fascistas, babosos e pavlovianos, com a mesma velocidade de propagação viral geométrica com que multidões de figurantes atacados por mortos-vivos se contaminam, logo depois de serem mordidos, e se transformam – correndo para estraçalhar com os dentes em riste quem quer que surja à sua frente- nos ensanguentados e pavorosos zumbis dos filmes norte-americanos.             





21 comentários:

Anônimo disse...

Texto preciso e genial, como sempre.
Vou repassar, também, como sempre.
É triste que uma grande parte das pessoas se ofenda e se irrite com a simples menção disso, e desconheça que existe música, cinema, televisão, etc sendo feitos em outros lugares.
A lobotomização é tal que as respostas raivosas, quase sempre em voz ,ou caixa, alta, são padronizadas e parecem ser ativadas por controle remoto.

Parabéns, mas parabéns MESMO, pelos seus textos.

Panino Manino disse...

Mauro, o entretenimento do EUA não vai sumir de uma hora para outra mesmo que em outros países cresçam e sejam mais exportados.
E você deixa passar um ponto fundamental principalmente no caso desses filmes... o público é nerd/otaku. Isso é metade da razão do sucesso comercial desses filmes. E são filmes de ação com alguma novidade, cheios de mágica e não apenas tiro.

Falando da qualidade e roteiro, e o que podem simbolizar, tenho visto que esses filmes se tornam a cada ano mais críticos da política externa do EUA, nem fazem mais questão de esconder isso. Esse Batman vs Super Homem, por mais que seja prejudicado pela direção simplória do Snyder, salta a vista em quantidade de críticas explícitas às políticas externas do EUA.

Anônimo disse...

Instituto Tavistok estudou e explicou o fenômeno no início do século passado.

Anônimo disse...

Sr Santayana,

Não se combate o sucesso dos filmes americanos com criticas deste tipo. Temos simplesmente que fazer melhor. O que, infelizmente, a maioria considera impossivel. Mas pior que ver as massas imbecilizadas idolatrar os enlatados gringos é sermos levados a criticas que mostram o nosso complexo de inferioridade.

Anônimo disse...

Muito bom o texto, concordo com tudo, menos com a parte relativa à classe média. Porque SÓ a classe média foi citada. Porque essa demonização da classe média. Ou os pobres não gostam dessa porcaria, e os que não tem dinheiro para ir ao shopping não ficam acompanhando os BBB da vida, tão indigentes culturalmente quando batman.
Toda nossa população está descendo ladeira abaixo culturalmente, isso não é um privilégio de classe.
wagner

Anônimo disse...

A lavagem cerebral funciona muito bem !!!
Eles (os USA) são profissionais !!!
Os governos trabalhistas, desde 2003, com seu "republicanismo suicida", quase nada fizeram para regular a mídia ...
Idem, para a Polícia Federal, para a PGR e para o STF !!!
Agora, estamos correndo atrás do prejuízo ...

Felipe Vargas Zillig disse...

E o que o governo do PT anti imperialista, anti globo , a qual todos no pt sabiam que era cia , fez para impedir que a guerra cultural e da mídia, prioridade da cia documentado em arquivos dos eua ,continuasse
Aumentou as verbas da globo , está privatizando a Petrobras , desemprego de 9% e visitas calorosas aos eua com direito a acordos na Amazônia e outras informações, só o dick cheney em pessoa faria estrago melhor na Nação
Impichao e responsabilização já de dilma , lula e do pt dos eua
Saudações Patrioticas

Henrique Dias disse...

Não vejo TV aberta, assisto NETFLIX. Documentários e filmes europeus e asiáticos.

Construção Criativa disse...

A lavagem cerebral funciona bem!! Os Ianques são profissionais e tem uma sucursal no Brasil muito bem montada - a região rica é uma Laranja de Amostra do capitalismo.Um exemplo de como a história está sendo reescrita pode ser a quase onipresente história do Muro de Berlin que a memória do Santayana consegue fazer um contraponto. Outra história do Muro:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/38385/no+aniversario+de+25+anos+da+queda+conheca+25+fatos+sobre+o+muro+de+berlim.shtml

Anônimo disse...

Desculpe-me por discordar, mas entretenimento tem muito mais de espírito econômico do que ideológico. O Brasil tem de parar de patrocinar os apaniguados de plantão e investir em cultura de verdade, até porque a esmagadora maioria da produção do cinema nacional, com honrosas exceções, foi, é, e sempre será lixo.

The Hunter disse...

Rapaziada, por favor pensem e leiam.Leiam um pouco de história e sociologia para tentar entender que a industria de entretenimento norte-americana é totalmente política.Pensem no que seus avós,pais e tios consumiram durante essas décadas.Pensem no que está por trás da bandeira norte-americana mostrada principalmente nos filmes e séries de heróis e espionagem.Será que só existe a "máfia russa, chinesa,japonesa e os árabes(tratados todos,sem nenhuma diferenciação) de mulçumanos terroristas.Dominação cultural pressupõe dominação econômica.Elas andam juntas.
O american way life que tanto nós vimos nos filmes,quadrinhos e séries, é pura ideologia.
PROPAGANDA. É puro "propaganda" do american way life.E como se não bastase temos a Rede Globo que é a TV Regional dos EUA.
A industria de entretenimento é a "super estrutura":. ela dá forma e legalidade a dominação econômica.
JABÁ na música e cinema:. jabá é uma expressão usada no meio cultural para a famosa "propina"(esta que vc vê no Congresso de Edurado Cunha e seus asseclas)paga para a distribuição do produto(CD ,filmes etc..)
Quando vc ouvir que um filme custou hipoteticamente falando $ 100,000 milhões esteja certo que 20% foi para a
produção do filme e os 80% restantes foram para a distribuição em forma de propina.
Querem assistir os filmes americanos? Assistam, mas lembre-se, que os terroristas, são os EUA.
Não sou comunista e sim um brasileiro que torce pelo Brasil e pelo Corinthias.

The Hunter disse...

Numa manhã de domingo de 2001 Karl Rove, Vice-Chefe da Casa Civil do presidente Bush, reuniu-se em Beverly Hills com os chefões de Hollywood. Era o início da criação da “Agenda Hollywood” para esse século – mais uma vez, a indústria do entretenimento norte-americana era convocada a servir de braço político para o jogo geopolítico mundial. Na época, o terrorismo da Al Qaeda. Hoje, as várias “primaveras”, árabe e brasileira, e o xadrez político jogado contra os países que compõem os BRICS. Sincronicamente quando a Agenda Hollywood intensifica a presença das franquias de super-heróis nas telonas, as diversas “primaveras” (manifestações e protestos em diversos países) são tomadas por bizarros adereços do super-heróis do cinema como metáforas de solução para crises políticas nacionais. Com isso, a Agenda Hollywood avança da simples propaganda para o “neurocinema”: moldar a percepção de que problemas podem ser resolvidos através da amoralidade dos super-heróis. A palavra-chave do jogo é indução à ingovernabilidade em países emergentes, como o Brasil.
Era novembro de 2001. Sob o impacto dos atentados de 11 de setembro daquele ano nos EUA, Karl Rove, Vice-Chefe da Casa Civil da administração George Bush, reuniu-se numa manhã de domingo com os chefões da indústria do entretenimento no Peninsula Hotel, Beverly Hills.
Estavam lá Summer Redstone, dono do império Viacom (MTV e Estúdios Paramount), Rubert Murdoch (News Corporation, rede Fox, 20th Centrury Fox, rede de TV Star na Ásia e jornais The Times e The Sun), presidente da Walt Disney Co. Robert Iger, presidente da MGM Alex Yemenidijian, o chefe da Warner Bros. Television Tom Rothman. Além de diretores, atores de Hollywood e roteiristas.
Numa reunião de 90 minutos, Rove exibiu para a plateia slides em Power Point sobre a história e alcance da rede terrorista Al Qaeda de Osama Bin Laden. Com muitas informações até então restritas à Inteligência da Casa Branca.
O resultado final foi a criação de uma agenda para Hollywood projetada para os próximos 20 anos: linhas gerais de criação de conteúdos (narrativas, temas, personagens etc.) buscando transformar TV e Cinema em uma braço dos esforços de propaganda de guerra.(Wilson Roberto Vieira Ferreira)

The Hunter disse...

Filmes militares, históricos e de super-heróis


Rove pediu conteúdos não só para o público interno, mas principalmente para as unidades militares da linha de frente e para os povos das zonas de conflito: “nós temos um monte de filmes, mas todos estão velhos e já assistiram milhares de vezes”, disse Rove para a plateia. Especificamente Rove pediu mais filmes “de família” e mencionou especificamente filmes como O Senhor dos Anéis e Harry Potter e a Pedra Filosofal.



Para o público interno filmes que salientassem o heroísmo e a ameaça externa; para o mundo, os valores familiares e morais pelos quais os EUA supostamente lutam pelo mundo afora.

Desde então, Hollywood iniciou uma escalada de filmes sobre protagonistas nas frentes do Afeganistão e Iraque (militares ou jornalistas) ou filmes “históricos” cujo ápice foi o filme Argo, premiado com o Oscar em um link ao vivo direto da Casa Branca – Michelle Obama abrindo o envelope de Melhor Filme de 2013 – sobre o filme como peça de propaganda clique aqui.

Sem falar a intensificação da exibição de franquias dos super-heróis da Marvel Comics e DC Comics como Homem Aranha, Batman, Os Vingadores, Homem de Ferro (no filme de estreia o protagonista Tony Stark é sequestrado por terroristas no Afeganistão), X-Men, entre outros. O que lembra os esforços de propaganda durante a Segunda Guerra Mundial quando os super-heróis Capitão América e Super-Homem era convocados a lutar contra os nazistas nas histórias em quadrinhos.

Quinze anos depois da criação dessa agenda pelos chefões do entretenimento, tudo leva a crer que o plano convocado por Karl Rove em 2001 tem hoje novos desdobramentos geopolíticos com a ascensão dos BRICS (Rússia, China, Brasil, Índia, África do Sul – projeto orgânico de alcance global que ameaça bloquear os planos expansionistas dos EUA) no cenário político-econômico global.

Vivemos atualmente a instabilidade política em dois países dos BRICS: Brasil e Rússia. No Brasil, o coquetel jurídico-midiático da “ingovernabilidade” e contra a Rússia a demonização da “agressão russa” na crise da Ucrânia e Síria e o ataque contra o rublo.

Hoje à propaganda comum do american way of life e demonização dos muçulmanos é acrescentada uma nova tática: o neurocinema. Mais uma vez a mitologia dos super-heróis é convocada para que a percepção da opinião pública dos países emergentes seja moldada não por valores explícitos de propaganda americana – mas pela amoralidade subliminar dos super-heróis (acima do Bem e do Mal, somente a Justiça) aplicada à suposta solução da corrupção e ingovernabilidade.

The Hunter disse...

Guerra Total


Os EUA tiveram que esperar até a Segunda Guerra Mundial para compreenderem a noção de “guerra total” do nazi-fascismo – a guerra não é apenas travada no campo de batalha mas principalmente no campo do imaginário da propaganda midiática e na esteticização da política.

Desde os primórdios do cinema a elite política e cultural dos EUA via a proliferação dos nickelodeons (diversão barata para proletários, desocupados e migrantes) como uma ameaça a ordem pública com o riso descontrolado das massas que viam seus heróis nos filmes burlando autoridades e policiais.

Com a ascensão de Hollywood como indústria a partir de 1920, as imagens e a fúria do primeiro cinema foram domesticados pelo Código Hays de restrição temática e moral e por Edgar Hoover, do Bureau of Investigation, que passou a mapear filmes supostamente imorais e “anti-americanos” numa época onde conflitos trabalhistas e repressão policial cresciam.

Mas do outro lado do Atlântico o nazi-fascismo via o Cinema de outro modo. Hitler era obcecado com o poder de propaganda dos filmes. Segundo Ben Urwand no livro The Collaboration: Hollywood’s Pact With Hitler, os nazistas promoveram ativamente filmes americanos como Capitains Courageous (1937) que, acreditavam, promovia valores arianos. O livro revela o temor de Hollywood um perder o seu segundo maior mercado de distribuição, passando a cortar nomes de judeus nos créditos de filmes e evitar roteiros que sugerissem qualquer crítica a Hitler ou Nazismo – Hollywood não faria um filme anti-nazista até 1940.

Rolos de filmes alemães ou norte-americanos que passavam pelo crivo nazi eram levados aos países ocupados pelas blitzkrieg para serem exibidos nas linha de frente como um plano que ia além da propaganda militar – disseminar os valores arianos aos povos derrotados.

The Hunter disse...

Hollywood e o fascismo


Já na Itália, os fascistas contavam ainda com artistas Futuristas que viam na guerra uma obra de arte em si mesma: a destruição do passado clássico dos museus e estátuas que instituiria a nova arte baseada na modernidade radical: máquina, foguetes e velocidade.

Ao lado de Hitler, Mussolini também soube compreender como o cinema poderia ser ferramenta de propaganda. Rodado no mesmo ano da Grande Marcha Sobre Roma que iniciou sua ascensão ao poder, Mussolini atuou interpretando ele mesmo no filme The Eternal City (1922) onde o fascismo era mostrado como o grande salvador do mundo. O filme permitiu ao regime fascista aproveitar-se de uma produção americana para levar sua mensagem para além da Itália, coisa que um filme italiano jamais teria conseguido.

Ou seja, se a elite norte-americana temia que o cinema e o entretenimento pudessem provocar desordem pública e anomia social, ao contrário, os nazi-fascistas viam no cinema uma ferramenta preciosa para criar novas ordens.

Tudo mudou com o ataque japonês a Pearl Harbor, forçando a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial. O presidente Roosevelt anuncia uma novidade: a Agência de Informação de Guerra com escritório em Hollywood para incentivar produtores e roteiristas a realizar produções patrióticas e anti-nazistas e anti-japoneses.

O que se viu a seguir foi uma série de filmes antigermânicos e antinipônicos com conotação racista. Alemães e japoneses eram chamados de “hunos”, “bestas”, “ratos de olho puxados”, “macacos amarelos”. E os temas recorrentes sobre histórias de sobrevivência e fuga, a vida em campos de concentração, espionagem e companheirismo nas tropas etc.

The Hunter disse...

Super-heróis vão à guerra
No esforço de propaganda associam-se a Hollywood os comics do Superman (herói criado na Grande Depressão para defender “a verdade, a justiça e os valores americanos) e do Capitão América. Passada a Guerra, a mitologia dos super-heróis até viveu uma breve fase progressista ajudando a desmoralizar grupos racistas como, por exemplo, quando em um episódio o Superman enfrenta a Ku Kux Klan. Mas esse esforço em criar uma consciência social nos jovens foi imediatamente reprimida quando criou-se a Comics Code Authority, instrumento de autocensura da indústria do entretenimento para eliminar “conteúdos mais violentos”.

Mas na verdade os murros e sopapos dos super-heróis foram redirecionados para finalidades menos sociais e muito mais patrióticas no contexto da Guerra Fria e a ameaça comunista – uniram-se à TV e Cinema na forma de séries, animações e filmes. Tal como hoje onde as franquias de super-heróis voltam a dominar as telas em uma geopolítica mundial ameaçada pelos terrorismo e os BRICS.

A palavra-chave é ingovernabilidade, a arma atual de propaganda dos EUA para desestabilizar países do Oriente Médio e dos BRICS, em particular o seu elo mais fraco: o Brasil. A intensificação das franquias Marvel ou DC Comics na telona é mais um capítulo da atual Agenda Hollywood.

A mitologia dos super-heróis não é explorada como propaganda explícita de valores norte-americanos, mas atualmente como estratégia de agenda setting ou " neurocinema" – a criação de um novo modelo cognitivo de percepção da opinião pública sobre impasses e mazelas políticas e econômicas internas de cada país alvo do xadrez geopolítico dos EUA.


As versões nacionais de super-heróis nas diversas "primaveras": acima, Egito e Brasil; abaixo, Paquistão (Batman, Superman e Lanterna Verde)

The Hunter disse...

O super-herói amoral


A presença de novas versões de super-heróis nas chamadas “novas primaveras”, sejam árabes ou brasileiras (manifestações e protestos internos contra governos democraticamente eleitos, porém incômodos aos jogo global) é sintomática e recorrente. Brasil, Síria, Afeganistão e Paquistão apresentam bizarras novas versões dos super-heróis hollywoodianos em manifestações e veículos midiáticos.

A aplicação do modelo cognitivo do super-herói como expressão de problemas e soluções possui evidentes implicações ideológicas: a amoralidade política. Assim como os super-heróis são capazes de enfrentar seus inimigos destruindo cidades inteiras (desprezando baixas civis inocentes como “efeitos colaterais” na busca da Justiça), da mesma forma a busca de super-heróis nacionais implica em colocar abaixo o Estado de Direito e a Constituição como fosse também um inevitável “efeito colateral” da luta contra governos corruptos – sobre a amoralidade dos super-heróis clique aqui.

Só existiria uma coisa além do Bem e do Mal para o super-herói: a Justiça. Em nome dela, Os Vingadores ou a Liga da Justiça podem fazer de tudo inclusive suspender direitos e garantias democráticas. Tudo que a geopolítica norte-americana precisa para tornar a política e economia interna de países-chave ingovernáveis e economicamente instáveis, quebrando a resistência de potencias regionais emergentes.



Além disso, é sincrônico não só as representações de um juiz de primeira instância como Sérgio Moro como super-herói nas manifestações. Mas principalmente, em pleno momento de radical polarização política e os primeiros conflitos nas ruas, surgem nos cinemas um novo tema na saga dos super-heróis: lutas entre eles mesmos, divisões e guerra civil – Batman Vs Superman – A Origem da Justiça e Capitão América: Guerra Civil onde vemos países com opinião pública dividida levando ao conflito entre super-heróis.

Justamente quando lentamente, aqui e ali, em editorias de jornais, comentários em blogs e artigos em diversos veículos fala-se sobre um temor de “guerra civil” precipitado pelo atual ódio político.

Levando em consideração o histórico das ligações promíscuas entre Hollywood e as necessidades geopolíticas mundiais e como os EUA aprenderam tão bem as lições nazifascistas sobre propaganda e estetização da política, chega a ser preocupante esse timing e sincronismo entre os lançamentos do cinema e a realidade política das ruas.

The Hunter disse...

Para não ficarmos "papagaios da mídia" lá vai uma sugestão para a rapaziada que aparece por aqui.
Além do Blog do Mauro Santayana.com vou sugerir mais alguns.(Coloquem na busca do Tio Google e repassem)
Brasil 247___Diario Do Centro do Mundo__Jornal GGN__Carta Maior__Carta Capital_Brasil de Fato_Rede Brasil Atual_Observatório da Imprensa__Opera Mundi__Viomundo__Blog da Cidadania_Tijolaço__O Cafézinho_Diplomatique.org.br__Portal Revista Forum__
Abraço Mauro Santayana e toda rapaziada aqui presente.
The Hunter( @TucanoHunter )

Carlos disse...

Só citou sites de antas. Antas socilialistas. Batman - Superman US 700milhoes enquanto Que Horas Ela Volta (com dinheiro público) não paga nem o cache do Batman. Lixo nacional, como sempre.

Anônimo disse...

Há pouco estava assistindo a um filme em um cinema de Goiânia, onde estava de passagem, quando apareceu um super-herói novo - na hora H - todo de vermelho e exibindo uma marreta. Não resisti e gritei "Chapolin Colorado". A gargalhada foi (quase) geral. Valeu o ingresso.

Carlos Roberto Rocha III disse...

oi hunter,gostaria de acrescentar ao seu comentario os sites e blogs não alinhados ao imp€rio: Moon of Alabama__Voltaire.org__Actualid.rt__The Guardian__Salon.com__Sputnik.com__ORIENTMidia.orrg__IranNews__AsiaTimes__Wikileaks__Telesurtv.net__e por ai . ..Senão procurarmos sites alternativos não saberemos discernir uma informação.Abraço...#NãoVaiTerGolpe