2 de ago de 2012

A REMUNERAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS


Com a sua visão de Estado, Tancredo sempre se preocupou com as forças armadas. Sua tese era a de que os políticos do Império e, mais tarde, da República, foram os primeiros responsáveis pela sedução dos militares brasileiros pelo poder. Eles deveriam ter sido tratados com respeito e, nesse respeito, ser entendida a sua separação das decisões políticas, com a necessária submissão ao poder civil - e a melhor recompensa possível pelos seus serviços, na manutenção da soberania nacional e da integridade do território pátrio.

O político mineiro lembrava, sempre, a advertência de Bernardo Pereira de Vasconcelos contra a decisão do governo de Pedro I, em conferir poder judiciário à Comissão Militar, comandada pelo brigadeiro Francisco Lima e Silva, pai do Duque de Caxias, enviada ao Nordeste a fim de combater a Confederação do Equador. Essa comissão, e outras que se seguiram foram impiedosas na repressão aos combatentes. Só em 1824, na luta contra os pernambucanos, onze revolucionários foram condenados à morte, entre eles, Frei Caneca.

É desse tempo – não obstante a visão política pacificadora do Duque de Caxias – que surgiu a idéia subjacente em alguns setores militares de que, além de defender as fronteiras, também seria deles parte da responsabilidade política do Estado, como condestáveis da República e, mesmo, quando considerassem necessários, pela chefia do Estado e condução do governo nacional – como ocorreu em 1964.

Os militares – e nisso coincidia Tancredo com Maurício de Nassau – devem ser muito bem remunerados, tendo em vista que é deles a responsabilidade de garantir a incolumidade de todos os seus concidadãos. “É preciso tratar bem os homens da guerra” – aconselhava Nassau. “Um país subdesenvolvido, como o nosso, não se pode dar o luxo de pagar mal aos seus militares” – ponderava Tancredo. Ele desenvolvia seu raciocínio, ao afirmar que as forças armadas necessitam de homens bem preparados intelectualmente e bem treinados, a fim de estar sempre preparados para a indesejável eventualidade da defesa de nossa soberania.

A revelação dos vencimentos dos militares e sua comparação com a dos outros servidores federais – de todos os três poderes – demonstra que o orçamento de pessoal não lhes faz justiça. Se os vencimentos dos servidores do Congresso forem conhecidos (como se sabe, o sindicato que os representa conseguiu impedir a divulgação de seus contracheques) a opinião pública ficará estarrecida com a diferença entre o que ganha, por exemplo, um capitão de qualquer das armas, e um motorista do Senado. Entre o que recebe um tenente coronel e um assessor de primeiro nível da Câmara dos Deputados. A isonomia entre os vencimentos oficiais dos servidores da União não será um ato de generosidade, mas, sim, de equidade.

7 comentários:

wesleyrj disse...

Caro Mauro Santayana,

Fui militar do Exército, formei-me na AMAN, e posso lhe garantir: existe há, pelo menos, 5 anos uma fuga em massa de oficiais e praças. Essa debandada ocorre principalmente por baixa remuneração. Alguns generais dizem que é por falta de vocação. Pura demagogia! Primeiro, porque tais militares migram para setores de alguma semelhança, como a Agência Brasileira de Inteligência,a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.Pasmem, todas elas pagam muito melhor. Se comparadas com o soldo dos praças, chega a ser vergonhosa tamanha discrepância. Segundo, esses generais, por terem direito adquirido, possuem, em média, 30% a mais sobre seus vencimentos. Essa gratificação não mais existe, o que demonstra total descolamento entre os soldos de militares antigos e modernos. Eu recentemente prestei um concurso(também na área de segurança pública). E, se tudo der certo, serei nomeado ainda este ano ganhando o dobro para fazer atividades similares.

Mauro Santayana disse...

Obrigado pelas informações, Wesley, é uma pena que a Nação invista o que investiu na formação de pessoas como você e que elas não possam ser plenamente aproveitadas em nossas Forças Armadas, para a defesa da Pátria.

Robsonh disse...

Sou militar da ativa, sou também formado em uma universidade em área pedagógica, por ter já 27 anos de serviço se torna inviável pedir baixa e não sei se poderei lecionar estando na reserva, o governo esta dificultando até isso. Fica difícil não acreditar que os governantes não praticam algum tipo de vingança contra aqueles que impediram que se estabelecesse o socialismo no Brasil.
Embora o número expresso no contracheque permaneça o mesmo, o salário diminui a cada dia e se torna complicado manter qualquer padrão, não ter recebido determinado salário é uma coisa, mas te-lo reduzido ao longo do tempo é algo extremamente difícil de aguentar, muito mais para quem tem filhos matriculados em escolas particulares. Parabéns pelo texto.

Anônimo disse...

Meu caro mestre, primeiro professor, (O homem, que enxerga o mundo em suas pequenas e grandes dimensões,com muita honestidade, anuncia e antecipa os fatos.A fila anda e eu Francisco Cardoso, seu primeiro office boy no Diário do
Diário do Rio Doce, em 57 ou 58. Também pudera o Senhor, hoje é cida
dão do mundo. Acredito, eu, que seja um espírito iluminado. A últi-
ma vez em que encontramos foi na campanha das Diretas Já.
cardosojf42@hotmail.com

um Espírito iluminado

Mauro Santayana disse...

Prezado Cardoso, fico feliz em receber notícias suas. Entrarei em contato pessoalmente tão logo seja possível.

Um abraço,

Paulo Duarte disse...

Sr Santayana,
Parabéns por lembrar-se de quem já esteve trabalhando ao seu lado (Sr. Cardoso). Gesto nobre: a gratidão e a lembrança!
Quanto ao seu texto: irrepreensível!!!
- Militar tem que submeter ao Poder Civil;
- Militar tem que ser reconhecido como uma das mais nobres carreiras de Estado (não de governo), instituições nacionais permanentes e regulares (ART. 142 CF/]88) e como tal devem ser tratadas.
- Militares devem ter salários e vencimentos condignos, bem como deve ser resolvida não só sua situação salarial, mas como relação ao reequipamento material!
BOM VER PESSOAS INTELIGENTES E LÚCIDAS, PATRIOTAS, QUE NÃO TEM CARÁTER DE REVANCHISMO COM GERAÇÕES DE MILITARES (FAMÍLIAS INTEIRAS ENDIVIDADAS EM EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS) QUE NEM ERAM NASCIDAS EM 1964.
"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda."



"O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado."
Frases atribuídas a um dos maiores juristas e civilistas que este país já teve: Rui Barbosa!!!!!!!!!!!!!!

Fraternal e patriótico abraço!

Anônimo disse...

Vejam só essa notícia:

http://www.aereo.jor.br/2013/02/03/primeira-aviadora-da-fab-pede-as-contas-e-vai-para-a-cgu/