30 de mar de 2013

VOLTAR AO HOMEM


(JB) - Este foi um ano, no Brasil e no mundo, contra o homem. Esta Sexta Feira  da Paixão, que lembra a morte de Cristo, deveria ser consagrada a todos os flagelados, torturados e mortos, sob o signo da ignomínia na história. Ano a ano, cresce a esperança de paz entre os verdadeiros cristãos, e ano a ano, essa esperança se desfaz, diante da brutalidade e da indiferença de uma sociedade devotada ao culto da violência.
        Há poucos dias, um jogador de futebol que se destacara como goleiro de popular clube do Rio, confirmou, no tribunal, que um comparsa matara uma de suas eventuais amantes, esquartejara o corpo e atirara as partes a cães famintos. A notícia foi lida com aparente indiferença. Nenhuma das mais conhecidas personalidades públicas brasileiras manifestou sua indignação contra crime tão hediondo. Durante o processo, em que se investigava o desaparecimento da jovem, surgiram informações de sua vida irregular, como garota de programa e atriz de filmes pornográficos, como se tal comportamento devesse ser punido com a morte.
        O horror a que essa jovem foi submetida, pelo fato de exigir do pai de seu filho que assumisse a responsabilidade devida, não espantou ninguém. E a ignomínia do expediente assumido pelos assassinos, de fazer com que os cães devorassem seus restos, a fim de oculta-los, tampouco trouxe indignação a uma sociedade tão preocupada com a sobrevivência de rãs e lagartos.
         Confirma-se a previsão de grandes pensadores do passado, de que a tecnologia, ao nos oferecer instrumentos mágicos, nos devolveria à barbárie. Como estamos no Brasil, poucos se espantam (embora em número bem maior do que ocorreu com a morte da “namorada” do goleiro) com a escolha do “pastor” Marco Feliciano para presidir à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O estranho religioso, que deveria estar na cadeia pela ofensa feita à metade da população brasileira, negra e mestiça, aferra-se ao cargo, com a protérvia de afirmar que só sai dali morto.
        Flagrado em vídeo que o mostra em pleno ato de estelionato, ao exigir de um fiel a senha de seu cartão de crédito, o “pastor” não foi expelido  da Comissão, pela negligência ética e cumplicidade corporativa da Câmara.  Ele e o seu partido, que se intitula “cristão”, são uma blasfêmia e um insulto ao homem de Nazaré que nos dá a sua mão na difícil travessia da vida. Se a Câmara guardar um mínimo de ética deve ir além – e cassar o seu mandato. Vamos ver como agirá nesta segunda feira, que lembra a Ressurreição.
        Estamos perdendo a alma, no abismo profundo do egoísmo – ou, na melhor teologia, no abismo do inferno. Esse é o verdadeiro suicídio da Humanidade, que poucos percebem. Podemos refletir hoje, à margem das homilias dos sacerdotes e da bela liturgia da paixão, sobre estes dois tristes episódios de nosso país e nosso tempo, entre outros: o martírio de uma mulher infeliz, que sonhou com a segurança e a riqueza para seu filho, e a petulância de um falso religioso, impiedoso e hipócrita, misógino e racista, que responde a processo por estelionato no STF, infelizmente eleito por cidadãos de São Paulo - que se orgulha de ser o mais rico e mais civilizado dos estados brasileiros.

     
         
 

27 de mar de 2013

BRICS. A NOVA REVOLUÇÃO MUNDIAL


(HD) -  Começou ontem, e se encerra hoje, em Durban, na República Sul-Africana, a quinta Cúpula Presidencial dos BRICS - aliança que une o Brasil à Rússia, Índia, China e África do Sul.
        Durante o encontro, como estava previsto, se realiza um fórum, sob o tema  “BRICS e África - Associação para a Cooperação, Integração, Industrialização e Desenvolvimento”, com a participação dos líderes, convidados, de 20 países do continente.
       De acordo com a imprensa sulafricana, já foi aprovada pelos chefes de Estado, e será destaque na Declaração Conjunta que será divulgada hoje, a criação de um Banco de Desenvolvimento para os BRICS, nos moldes do Banco Mundial, com capital inicial de 50 bilhões de dólares; um acordo de swap no valor de 100 bilhões de dólares, para empréstimo conjunto de recursos em caso de crise, nos moldes do que faz o FMI; e uma troca de moedas  entre o Brasil e a China, por três anos, em  valor equivalente a 30 bilhões de dólares por ano. A providencia garantirá o comércio de mercadorias, bens e serviços em moeda local, para ficar a salvo de eventuais flutuações da moeda norte-americana.
         China e o Brasil são, hoje, respectivamente, o primeiro e o terceiro credor individual externo dos EUA. Os países BRICS detêm, em conjunto, 4,5 trilhões de dólares em reservas internacionais, ou 40% do total do mundo.
        Com a criação do seu próprio banco de fomento, eles estão dizendo ao ocidente que se cansaram de esperar por reformas no Banco Mundial e no FMI, que lhes dessem poder equivalente nessas instituições, conforme o peso de seus recursos financeiros, sua população, seus  territórios, mercados, recursos naturais, e  dimensão geopolítica.
        Como ocorreu com o G-8, que se tornou uma sombra do que era antes, após a criação do G-20 - com a decisiva participação do Brasil - o FMI e o Banco Mundial poderão  minguar sua já decrescente importância na nova ordem multipolar no mundo do século XXI.
         Findou o tempo em que os países mais pobres tinham de ir aos EUA mendigar recursos para infraestrutura ou enfrentar crises geradas, como a atual, nas entranhas do descontrolado ultra- capitalismo.
        A partir de agora, eles terão outros interlocutores a procurar, em Brasília, Moscou, Nova Delhi, Pequim ou Pretoria, e não apenas em Washington, Londres ou Berlim.
       O Brasil, com a soja resistente à seca da Embrapa, a mais produtiva cana de açúcar  e o melhor gado tropical do mundo, suas construtoras e seus programas de combate à miséria e à fome, aliado à China, com seus gigantescos recursos financeiros, e aos russos e indianos, pode mudar, em poucas décadas, o futuro da população africana.
       Basta que, para isso, não cometamos os mesmos erros e os mesmos crimes do arrogante colonialismo ocidental, o mesmo que, depois de tantos séculos de espoliação e violência, acabou por nos reunir no BRICS. 

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25 de mar de 2013

A REPÚBLICA E AS MULTINACIONAIS


(Carta Maior) - O governo brasileiro tem tratado com deferência o Sr. Emilio Botin, dono do Grupo Santander, já investigado pela justiça espanhola, entre outras coisas, por remessas ilegais de dinheiro para o exterior e duvidosas contas na Suiça, pertencentes à sua família desde os tempos do franquismo. Ele comanda um grupo que teve que pegar, direta e indiretamente, no ano passado - em dinheiro e títulos colocados no mercado - mais de 50 bilhões de euros emprestados; demitiu dois mil empregados no Brasil no mesmo período, e teve uma queda de 49% em seu lucro global nos últimos 12 meses, devido, entre outras razões, a provisões para atender a ativos imobiliários “podres” no mercado espanhol.

A mera leitura dos comentários dos internautas espanhóis sobre o Sr. Botin daria, a quem estivesse interessado, idéia aproximada de como ele é visto em seu próprio país, e de como há quem preveja, com base em argumentos financeiros, que a bicicleta do Santander pode parar de rodar nos próximos meses, com a quebra do grupo ou, pelo menos, de seu braço controlador, ainda em 2013.

Nos últimos dez anos, as remessas de lucro para as matrizes de multinacionais – muitas delas estatais controladas direta ou indiretamente por governos estrangeiros – chegaram, no Brasil, a 410 bilhões de dólares, ou pouco mais que nossas reservas internacionais, duramente conquistadas no mesmo período.

Ora, se as multinacionais trazem dinheiro, e contribuem para aumentar o clima de competição em nossa economia, é natural que elas mandem seus lucros para o exterior. O problema, é que, na indústria, na área de infra-estrutura ou de telecomunicações, quem está colocando o dinheiro somos nós mesmos.

O BNDES tem colocado a maior parcela de recursos, e assumido a maior parte do risco, em empresas que mandam, apesar disso, ou por causa disso mesmo, bilhões de dólares para seus acionistas no exterior, todos os anos. Mais de 70% da nova fábrica da Fiat em Pernambuco foi financiada com dinheiro público. A Telefónica da Espanha recebeu do BNDES mais de 4 bilhões de reais em financiamento para expansão de “infraestrutura” nos últimos anos. E mandou mais de um bilhão e seiscentos milhões de dólares para seus acionistas espanhóis, que controlam 75% da Vivo, nos sete primeiros meses do ano passado.

A OI, que também recebeu dinheiro do BNDES, emprestado, e era a última esperança de termos um “player” de capital majoritariamente nacional em território brasileiro, corre o risco de se tornar agora uma empresa portuguesa, com a entrega de seu controle à Portugal Telecom, na qual o governo português – que já dificultou inúmeras vezes a compra de empresas lusitanas por grupos brasileiros, no passado - conserva mecanismos estratégicos de controle.

Empresas estatais estrangeiras, como a francesa ADP (Aeroportos de Paris) ou a DNCS, que montará aqui os submarinos comprados pelo Brasil à França, pertencem a consórcios financiados com dinheiro público brasileiro. Essa é a mesma fonte dos recursos que serão emprestados às multinacionais que vierem a participar das concessões de aeroportos, de rodovias (com cinco anos de carência para começar a pagar) e de ferrovias, incluindo o trem-bala Rio-São Paulo.

A Caixa Econômica Federal, adquiriu, por sete mil reais, em julho, pequena empresa de informática e depois nela se associou minoritariamente à IBM . No mês seguinte, depois de constituída a nova sociedade, agora controlada pelos norte-americanos, com ela celebrou, sem licitação, contrato de mais de um bilhão e meio de reais - operação que se encontra em investigação pelo TCU.

Qual é o lucro que o Estado brasileiro leva, financiando, direta e indiretamente, a entrada de empresas estrangeiras de capital privado e estatal em nosso território para, em troca, em lugar de reinvestirem os seus lucros por aqui, continuarem mandando tudo o que podem para fora ?

Com a queda dos juros no exterior por causa da crise e da recessão que assolam a Europa e o Japão, existe liquidez bastante para que essas empresas busquem dinheiro lá fora para bancar, pelo menos, a parte majoritária de seus investimentos no Brasil.

Os chineses, por exemplo, têm dinheiro suficiente para financiar tudo o que fizerem no Brasil, sem tomar um centavo com o BNDES. Usar o banco para aumentar o conteúdo nacional nos projetos é inteligente. Mas, se estamos financiando empresas estatais estrangeiras, por que não podemos financiar nossas próprias estatais, não apenas para diminuir a sangria bilionária, em dólares, para o exterior, mas também para regular o mercado e os serviços prestados à população, como já ocorre com os bancos públicos no mercado financeiro?

Não se trata de expulsar ou discriminar o capital estrangeiro. Mas o bom sócio tem que trazer, ao menos, know-how e dinheiro próprio. A China sempre tratou - até por uma questão cultural - com superioridade quem quer investir lá dentro, e cresceu quase dez por cento ao ano, nos últimos 20 anos, porque sempre entendeu ser o mercado interno seu maior diferencial estratégico.

Aqui, continuamos financiando a entrada de empresas estrangeiras com dinheiro público, dando-lhes terrenos de graça, isentando-as de impostos, como se não fôssemos a sétima economia do mundo.

O desenvolvimento nacional tem que estar baseado no tripé capital estatal, capital privado nacional, e capital estrangeiro. Nosso dinheiro, parco com relação aos desafios que enfrentamos no contexto do crescimento da economia, deve ser prioritariamente reservado para empresas de controle nacional, que, caso sejam privadas, se comprometam a não se vender para a primeira multinacional que aparecer na esquina. Quem vier de fora, que traga seu próprio dinheiro, e o invista, preferivelmente, em novos negócios, que possam expandir o número de empregos, a estrutura produtiva e aumentar a parcela de recursos disponíveis para o investimento.

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24 de mar de 2013

ESTÓRIA DE DOMINGO - A LIBÉLULA E A A ARANHA



Delta e estuário de cinco córregos, o lago amalgamava as águas, trançando suas cores, porque, nelas a alma da montanha vertia óxidos vermelhos, pardos e negros. Depois de assim reunidas,  sangravam-se as águas em riacho rápido, que batia nas pedras da garganta, no ruído aberto e es­talado de tapas na face das rochas.

Sobre o lago, na canoa coberta de sapê, vivia o profeta, ali chamado “Sô Santo"; O símbolo de sua fé era a cruz mutilada; perdido o braço direito do madeiro de bálsamo, ficara apenas o esquerdo,  do qual, às vezes, pendia o trapo branco.

Vista assim de longe, a cruz parecia mastro de embarcação, mandando mensagem de trégua e de paz aos da margem. E a mensagem era de paz e de trégua.

Nas encostas vertentes moravam plantadores de salsaparrilha e açafrão. Desde tempos muito passados viviam disso. Bem mais embaixo, quando, engordado, o riacho se tornava rio, havia a pequena fábrica, que secava e moía as raízes  e os estigmas, para serem vendidos em latinhas decoradas com alegoria de Natureza: bela mulher, de cujos seios nasciam açaflores.

Todos os domingos desciam, ves­tidos com suas roupas claras, para ouvir “Sô Santo", os da encosta e, vindos de baixo, acompanhando as precárias trilhas, subiam, às vezes montados em burricos brancos, os trabalhadores da fábrica.

O profeta amarrava a canoa em esteio de pau-ferro, porque era de seu critério não pisar terra firme. Acocorava-se na proa, o rosto meio encoberto pela sombra, e lhes falava sobre as coisas do mundo.

“Ninguém pode fazer um só risco nas águas, e nenhum homem até hoje foi capaz de abrir o minuto ao meio. Só Deus pode separar as águas com um gesto, e só Deus pode separar o minuto em seus segundos, como a gente retira as favas de uma vagem. Só Deus pode levantar em um segundo a decisão de erguer pirâmides, quando Ele habita, nesse segundo, o coração de um faraó.”

Na beira do lago, sentados sobre o brando toco de samambaiaçus, os fiéis ouviam:
“Nas brenhas desta montanha o Senhor cavalga marimbondos, e vocês não vêem, porque sobre os seus olhos desce a névoa da soberba. Quem disse a vocês, para que vocês acreditassem, que só o homem comunga com Deus o seu Mistério? Quem disse a vocês que Deus não fala a seus domínios no uivo de lobo perdido de sua alcatéia? Quem disse a vocês que Deus não se encontra, às vezes, habitando a libélula agonizante nos palpos de uma aranha? Deus é assim: Ele é ao mesmo tempo, a libélula e a aranha."

Houve tarde em que, em congresso terrível, se reuniram nuvens muito negras, e a tempestade acabou por agachar-se sobre aqueles cantos. Quando o tempo era escuro, quase lôbrego na viscosidade do vento, o fogo de Santelmo brilhava no extremo vertical da cruz de três pon­tas. A mão do profeta, com um gesto, segurou os homens, as mulheres e seus meninos em seus lugares: aquela era uma das presenças de Deus, atentassem nela. E lhes disse:

“Foi assim um dia, quando, sobre seus apóstolos, Jesus fez descer a labareda. E as labaredas sempre se parecem a uma língua. A uma lín­gua de fogo. A língua é o verbo, o verbo é Ele, e Ele só habita entre nós quando fala, e naquilo que fala."

O profeta coçava as têmporas:
“Somos aquilo que falamos. Mes­mo quando aquilo que falamos não somos. Porque não somos apenas em nossa verdade. Somos, e muito, em nossa mentira. É aquilo que vocês podem ver: a sombra é o esconderijo da luz. Quando a verdade se esconde, a mentira aparece, mas, atrás dela, como a luz que faz a sombra, está a certeza das coisas."

23 de mar de 2013

JOSEBA SAI DA PRISÃO


Os amigos de Joseba Gotzón escrevem para comunicar que o ex-militante basco e professor de espanhol que vive no Rio de Janeiro, acaba de ser colocado em liberdade sob vigilância com tornozeleira eletrônica, que deverá usar até o julgamento de seu caso e a decisão final sobre seu pedido de residência no Brasil. O blog, que acompanhou o processo desde o primeiro momento, registra o empenho e a determinação de milhares de cidadãos brasileiros que participaram da campanha feita em prol da libertação de Joseba, após a sua prisão a pedido da polícia espanhola, sem que sequer tivesse sido julgado ou acusado formalmente na Espanha. Curiosamente, a imprensa espanhola, tão afoita em noticiar, na ocasião, com uma postura arrogantemente neocolonialista, em várias manchetes, a prisão de Joseba, "com a participação de policiais espanhóis, e devido    a "ordem internacional de prisão expedida pela justiça da Espanha", não deu, até agora, nem uma linha sobre a sua libertação.

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OS DILEMAS DO PODER E O PROJETO NACIONAL


(JB) - Atribui-se ao controvertido general Golbery do Couto e Silva a máxima de que só os incompetentes perdem o poder. A frase, em si, pode ser inteligente, mas deve ser submetida a uma investigação da lógica. Devemos antes entender de que poder se trata. Há os que consideram o poder como exercício do hedonismo puro; outros, a colheita da bajulação ou da adoração. Outros ainda, de pragmatismo canalha, dele fazem o meio de enriquecimento pessoal.
E há os que buscam o poder a fim de realizar projeto político honrado. Na raiz da ideia milita a discussão entre os meios e os fins. Sendo assim, o poder é apenas um meio. A ética aconselha não fazer distinção entre uma coisa e outra; a prática vulgar da política faz dela uma regra, quando o objetivo é o do poder pelo poder. O meio já encerra, em si mesmo, o fim, como ocorre com qualquer caminho.
O governo da Presidente Dilma Rousseff está diante desse dilema. Ministros defenestrados entram pelos portais palacianos, inflados de insolência, a fim de indicar seus sucessores. E, entre os ministros atuais, há os que, com arrogada autonomia, sabotam projetos do governo, agindo na contramão dos fins anunciados, como é o caso do Ministro Paulo Bernardo, no caso da Banda Larga e da Telebrás, e em suas concessões às empresas estrangeiras.
Uma das grandes dificuldades do atual governo é a falta de coordenação entre os seus integrantes. A boa prática administrativa recomenda reuniões ministeriais periódicas e, no intervalo entre elas, consultas bilaterais, sempre que for o caso. No governo atual elas são quase inviáveis: como reunir 40 ministros, com a frequência recomendável? Argumenta-se que a chefe do poder executivo federal é refém do parlamento e, para governar, tem que dar a cada partido, conforme sua representação, fatias do poder. É verdade, mas um governo, com a aprovação popular da atual presidente, pode virar a mesa, se quiser, e reduzir o número de ministérios ao patamar da razoabilidade.
É difícil administrar sem projeto nacional que se apoie em programa de ações coordenadas, como ocorreu, com seus acertos e erros, durante os governos de Vargas e Juscelino. Vargas defrontou-se com a prolongada crise econômica dos anos 30, agravada pela ascensão das potências do Eixo, mas, ainda assim, iniciou a ocupação racional do território, estabeleceu as bases de uma política social mais justa e, no momento certo, fez a opção internacional que mais nos convinha, ao aliar-se aos Estados Unidos. No segundo governo, avançou no  desenvolvimento econômico, o que lhe custou a vida – mas não se afastou do seu objetivo de construir a grandeza nacional. Juscelino prosseguiu no mesmo caminho, e governou de acordo com o seu programa de metas.
Os dois sofreram, tanto quanto o atual governo, da pressão dos interesses antinacionais, exercida mediante parcela comprometida dos meios de comunicação. A situação internacional, hoje, é mais favorável. Não estamos submetidos ao maniqueísmo da Guerra Fria, e isso nos possibilitou aproximação com países emergentes como o nosso – a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul. Não estamos aproveitando bem essa aliança natural com os BRICS.
Estamos agora construindo submarinos movidos a energia nuclear em parceria com a França, quando nos teria sido muito mais vantajosa parceria com a Rússia, de tecnologia melhor. E, mais: nada explica nossas relações desiguais com a Espanha, que tem retirado do Brasil, por intermédio de suas empresas aqui, alguns dos recursos com que vai engambelando os seus credores. O BNDES tem sido mais do que generoso com instituições espanholas, como o Banco Santander e a Telefônica. 
Terça-feira os países do BRICS se reúnem novamente em Durban, na África do Sul, com a presença de seus líderes maiores. É um bom momento para que o Brasil aprofunde as parcerias econômicas com a China, a Índia e a Rússia, que dispõem de recursos e tecnologia que ainda nos faltam – a fim de que possamos retornar ao Grande Projeto Nacional de Vargas. Mas é também necessário que coloquemos a administração nacional sob o jugo da racionalidade. 

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21 de mar de 2013

A ESTRANHA MORTE DE JANGO


(HD) - A família de João Goulart autorizou a exumação de seus ossos, a fim de que se averigúe a causa de sua morte – atribuída a um ataque cardíaco. O presidente deposto era, desde jovem, cardiopata, e isso facilitou a versão oficial para o óbito prematuro. Jango morreu aos 57 anos. Sobre o assunto tenho depoimentos a dar. O primeiro deles é sobre a personalidade serena de Jango. Conheci-o em seus primeiros meses como Ministro do Trabalho, em visita a Belo Horizonte.
         Como repórter, acompanhei-o em seus encontros com os líderes sindicais de Minas. Eu o veria várias vezes nos anos seguintes, antes de com ele conviver no exílio em Montevidéu. Jango foi fiel à memória de Vargas, a quem dedicava afeto de filho. Suas idéias eram as de Getúlio. A ele devo manifestações fortes de solidariedade naqueles anos sombrios.
         Quando Lacerda morreu, Tancredo Neves comentou comigo suas suspeitas. Era curioso que as três personalidades mais fortes da oposição ao regime militar, e que haviam estabelecido uma aliança para a recuperação republicana do Brasil, morressem uma depois da outra: Juscelino em agosto e Jango em dezembro de 1976, e Lacerda em maio do ano seguinte. “Se todos morreram por acaso, isso só pode ser proteção de Deus ou do Diabo aos militares”.  Como já estivéssemos no processo conspiratório para a redemocratização do país, Tancredo abriu a camisa, mostrou a medalha que trazia no peito, e disse contar com seus santos protetores, entre eles São Francisco de Assis.
         Os inúmeros depoimentos conhecidos mostram que os Estados Unidos não hesitam em livrar-se de seus inimigos, reais ou imaginários, por todos os meios. Quando lhes convêm, contratam sicários para a tarefa sórdida, como fizeram, ainda no festejado governo Roosevelt, ao recrutar o sargento Somoza para matar Sandino e, em seguida, entregar-lhe o governo da Nicarágua. Da mesma forma atuaram, ao apoiar, ostensivamente, o general Pinochet a fim de dar o golpe, bombardear o Palácio de La Moneda e dar fim a Salvador Allende, presidente do Chile. Quando isso não é recomendável, ou não dispõem de assassinos confiáveis, usam seus próprios agentes. Eles o fazem no “interesse da pátria”.
         Conhecer a verdade sobre a morte de Jango, se  ainda é possível descobrir as provas de possível assassinato, 36 anos depois, é um direito de seus familiares, e, mais do que seu direito, direito da nação. Se isso ocorreu, provavelmente os responsáveis pelo assassinato ainda poderão  ser localizados – e pagar pelo seu crime. Se forem agentes estrangeiros, só um vazamento nos revelará a agressão.
         Mas o conhecimento do crime será advertência severa contra aqueles que, em nome da “ordem”, ou de qualquer outra idéia, pregam a supressão da liberdade e submissão dos povos ao terror do Estado ditatorial. 

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20 de mar de 2013

O PAPA E OS FILHOS DE SI MESMOS


(JB) - É significativo que o novo papa tenha falado tanto em perdão. Essa insistência coloca em dúvida a defesa que dele fazem diante das acusações de que teria colaborado com o regime militar argentino e com o seqüestro de filhos dos militantes de esquerda, feitos prisioneiros uns e assassinados outros. Essas crianças, das quais roubaram a identidade, foram entregues a casais ligados ao sistema. Esse mesmo crime, com a hipócrita justificativa da caridade, foi também praticado pelos bispos espanhóis da Opus dei, durante o franquismo. Ao não conhecerem sua verdadeira origem, as vítimas dos seqüestros se tornam filhos de si mesmos. Renegam, e com razão, os que os adotaram, e não têm onde ancorar o seu afeto.

Qualquer seja a verdade, o papa foi eleito conforme as regras tradicionais, e não há poder na Terra que o destitua. As leis canônicas não prevêem o impeachment do bispo de Roma. Resta esperar que o novo pontífice – título vindo do sincretismo do catolicismo com o paganismo romano – erga realmente uma ponte entre o cristianismo primitivo, que era dos pobres, e o mundo moderno. Se isso ocorrer, os seus pecados, se os houve, esmaecerão, e ele cumprirá o seu dever de católico e de cristão. O perdão, ele  só poderá obter de sua própria consciência, onde Deus costuma habitar, se nela houver lugar para essa presença.

O mais importante não é o passado do Papa. Depois de Pio XII, Wojtyla e Ratzinger, de nítidos laços com os poderosos deste mundo, o que os verdadeiros cristãos esperam do Papa é que ele seja fiel ao Evangelho e conduza a Igreja ao reencontro com o homem de Nazaré que, em sua vida, martírio e morte, encarnou toda a fragilidade da espécie humana. A grande lição de Cristo,  que a Igreja nunca assumiu, é a de que a vida só é alegria e paz na solidariedade para com os nossos semelhantes.

Quando dividimos as dores do sofrimento alheio, as nossas próprias dores se aliviam, e o trânsito por este “vale de lágrimas” se faz mais suportável.  A Igreja se associou aos poderosos de cada tempo e, como lhe era conveniente, manteve instituições de caridade. Como alguns ricos, ela consolou sua consciência com a esmola. Os primeiros a receber o título de santos foram homens poderosos, que compraram a santidade com as sobras de suas riquezas.

Ao escolher o nome de Francisco, e de confirmar que buscava no poverello de Assis a inspiração de seu pontificado, Bergoglio dá um sinal importante de seu propósito, ou de sua astúcia. Não sabemos se, sendo sincero, ele será capaz de escapar ao acosso conservador e oportunista da Cúria Romana. Cabe-lhe, na hipótese da sinceridade – como chefe de uma instituição política – por mais herege pareça o conselho, seguir a orientação de Maquiavel, e agir com maior energia logo no início, a fim de preservar o principado conquistado. Isso significa reformar, de alto abaixo, a administração do Vaticano, com a convocação de prelados do mundo inteiro, de forma a conter o apetite de poder do clero italiano,  identificado com a história peninsular, construída nas conhecidas intrigas políticas européias. 
 
Os grandes líderes se legitimam na ação. Forma-se, até mesmo alimentado de esperança, o consenso de que a Igreja terá que demolir seus alicerces milaneses e retornar às catacumbas romanas, para que possa sobreviver. Seus pecados repetidos, da simonia à luxúria,  não a levaram ao Inferno, ainda que muitos de seus dirigentes tenham lá chegado, na visão profética de Dante. É da teologia prática que a contrição absolve os pecadores. Se Francisco conduzi-la ao caminho de Damasco, é possível que, como Paulo, ela se desfaça da cegueira voluntária e atenda ao chamado de Cristo. É possível, mas pouco provável. 

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17 de mar de 2013

ESTÓRIA DE DOMINGO - SAL VERMELHO


O que vou contar ocorreu entre o dia 27 de março e 26 de junho de 1928. Durou 13 semanas exatas, ou 91 dias, de acordo com a memória de Demétrio Alexandrino Queirós, mestre em capação variada (de frango a elefante) e maçom renegado, inscrito no Livro Negro por desvios singulares e bem humanos.
Não fosse o povo de Cauaçu reles e egoísta, gente ordinária e pedan­te, devotada aos pecados sem prazer  - visto que são perdoados os pecados que alegram os sentidos e podem ser divididos em sua prática, como os de cama e mesa; e nefandos os do êxtase solitário, como os da avareza, da soberba e do onanismo -   não guardaria na memória a narração de Demétrio, uma das estórias exemplares    do sertão alto.
Convém gastar mais um pouco de tempo com a geografia física e moral de Cauaçu, para o bom en­tendimento do castigo. Ilha de terras roxas e úmidas, tão molhadas que os raríssimos calhaus chegavam a suar em pleno verão, o município era também o único ponto, em toda a comprida chapada, de chuva regular. Chuva fina, como se São Pedro tivesse ins­talado um chuveiro maneiro em cima daquele pedaço. Com água de cima e água de baixo, nascia ali o Cauaçu que, ao contrário de todos os rios, não crescia: descendo rumo ao Carinhanha entrava em terras sequíssimas e esponjosas, e acabava por desaparecer, reduzido a mero rego de palmo e meio, no Açude Velho, valhacouto dos restolhos humanos de toda aquela vasta e outrora esquecida zona.
Cauaçu era cidade dos paióis sempre cheios, de porcos de 15 arrobas,  arroz de soca, de três cortes e espigada cheia, e gente que chegava aos 90, cavalgando em pêlo e sem dor nas cadeiras. Mas – e isso era o que mais espantava os raros visitantes – não havia, no mundo inteiro, canalhas tão bem acabados. Primeiro, eram de especial avareza. Desde tempos muito velhos, juntavam ali suas moedas de ouro. Fazia-as mestre Cirilo, filho e neto de outros Cirilos, e punha em cada uma delas a efígie do cliente, cercado de seu nome e, no anverso, as armas de Cauaçu: pé-de-meia cheio e a frase antiga: "Vintém poupado, vintém ganho.” Tais moedas não circulavam: estava convencionado, e havia muito, que era a maior desonra desfazer-se de uma só delas. Cirilo não só as marcava, bem como as numerava e delas mantinha registro.
O arraial de Açude Velho, depósito da ralé, fora fundado por Negra Jovina, amásia do beato Mané Consola, morto por uma patrulha da Força Pública, em episódio que não cabe aqui, e fica para ser contado depois. Jovina  juntou ali cegos, leprosos, sifilíticas, aleijadas, abobados. Deus sabe como conseguia mantê-los, cozinhando raízes do mato, fazendo sopa de ervas do brejo e, segundo injuriosa gozação do pessoal de Cauaçu, assando pererecas e gafanhotos.
No início de março de 36 passou pela estrada, ao lado do Açude, um circo mambembe, e houve o acidente. Uma das moças, grávida de meses, caiu do cavalo,  abortou. Teve hemorragia brutal, ia morrer, e a salvou Jovina com benzedura, sal vermelho e  chá de osso de capivara. O dono do circo ficou conhecendo a história do arraial desprezado. Houve então o convite: aparecessem na Quinta-feira, em Cauaçu – a primeira função do circo seria apenas  para eles. No sábado seguinte, o espetáculo começaria oficialmente.
É fácil saber como reagiu aquela gente ordinária de Cauaçu, desviada dos mandamentos de Cristo e entregue à volúpia do ouro, quando soube do descabido privilégio. Encomendaram a De­métrio a capação do elefante, que dormia ao lado do circo, descuidado. Deram-lhe dose brutal de clorofórmio, e o bicho arriou. Demétrio fez o serviço, suturou o corte e passou creolina. Depois mandaram o cabo e os quatro soldados do Destacamento esperar a corja do Açude na entrada da cidade. Aos da frente,  deram  instrumentos musicais: cornetas, flautins, tambores, pandeiros e taróis. Sob os gritos dos soldados, e  a mira dos três mosquetões 1914, da dotação do Destacamento,  entraram na cidade tocando um dobrado imaginário e foram depois escorraçados a tiros de sal grosso.
Não se sabe se a idéia foi de Jovina, das pessoas do circo ou dos próprios bichos - quem sabe? -, Cauaçu foi arrasada naquela noite. Com a ajuda dos animais, o elefante, meio trôpego pelo ferimento, mas decidido, e a zebra, à frente, os miseráveis do Açude  tomaram a cidade, prenderam os cabeças e obrigaram os outros a servi-los, entre os quais os bravos militares,  vencidos pelo medo. Uns contam que fizeram mal às donzelas e que Demétrio foi forçado a  empregar  seus talentos de castração  “in anima nobile”, o que ele desmentiu. Tenho depoimentos seguros de que não houve tais abusos.  Aquela gente quis viver suas treze semanas, sem fome e com a dignidade do poder. Depois ajustaram o pacto, dividiram entre si as moedas de ouro encontradas e se dispersaram no mundo. Um deles, leproso, virou fazendeiro grosso no Urucuia. 
Desertado de seus ex-miseráveis, o Arraial do Açude Velho desapareceu do mapa. A gente de Cauaçu, que mudou de nome, continua ordinária até hoje.

15 de mar de 2013

O RETORNO A DIDEROT



   
(JB) - Este deveria ser, em todas as universidades do mundo, o Ano de Diderot. Em outubro fará 300 anos de nascimento do pensador que, mais do que qualquer outro de seus contemporâneos, acendeu as velas do Iluminismo e ajudou a dar autonomia à razão dos homens. Diderot morreu cinco anos antes da Revolução Francesa. Sem ele, ela teria sido inviável.

Voltar a Diderot não é fuga de cronista político de atualidades, entediado, como tantos outros que sofrem com a mediocridade de nossos tempos chochos, mas convite à reflexão. Estamos em pausa, não obstante a turbulência aparente. A História cochila no mormaço de uma tarde que se alonga, enquanto as universidades, as grandes editoras de livros, e o meio estridente da internet — em que ainda se depositam esperanças — se encontram, a cada dia mais, sob o domínio das instituições financeiras. A moeda, ficção útil à sociedade dos homens, se tornou, manipulada por seus guardiões, instrumento de dissimulada tirania. E essa tirania limita a liberdade de pensar e de criar.

Diderot, filho de um mestre cuteleiro de Langres, estava destinado ao sacerdócio, de onde escapou ainda cedo. Educado pelos jesuítas,  levou algum tempo para abandonar a crença católica. Dedicou-se ao estudo das artes. Aos 19 anos, obteve o mestrado na Universidade de Paris. Depois de breve incursão no campo do direito,  passou a viver aleatoriamente. Dava aulas eventuais e, como ghost writer, redigia sermões para missionários. Ao frequentar os cafés da moda, conheceu Rousseau, um ano mais velho, e os dois, que se identificavam na inquietação filosófica e na sedução pessoal, tornaram-se o centro de um grupo que daria motor ao Iluminismo. Durante anos, ele, Condillac e Rousseau se reuniam para jantar e pensar em comum, no Panier Fleuri, singular restaurante da cidade naquele tempo.

Era senhor de um talento universal. Seu conhecimento ia da alta matemática de então aos ensaios em biologia —  que o fez antecipar-se a Darwin, ao discutir a capacidade da adaptação ao ambiente dos cegos, mediante o tato, e inspirar Braille. E ainda havia a sua surpreendente literatura de ficção.  Diderot, no entanto, foi, antes de tudo, homem de ação.

Ao ser convidado pelo editor André Le Breton para traduzir a discreta enciclopédia britânica de Chambers, em dois volumes, e, diante da recusa do seu autor em permitir a edição francesa, Diderot encontrou sua pólvora. Ele, Rousseau, Condillac e outros só viam uma saída para a Humanidade: a universalização do conhecimento. Decidiu-se, então, pelo ambicioso projeto da Encyclopédie e trouxe para a empreitada o químico — mas também grande humanista — D´Alembert.

Durante 21 anos, de 1751 a 1772, Diderot — sem abandonar suas múltiplas atividades e intensa vida social — empenhou-se na execução dos 17 extensos volumes da Enciclopédia. Além de rever todos os artigos e de fazer o que chamaríamos hoje “a lincagem” entre os vários verbetes para o melhor entendimento dos temas, Diderot administrou todo o processo editorial e comercial do projeto. Enfrentou a censura, e, mais do que ela, a reação da Igreja e dos aproveitadores das injustiças sociais e do obscurantismo que temiam o conhecimento da verdade pelas massas. Para não deixar dúvida de seu objetivo, Diderot deu à grande obra o subtítulo de Dictionnaire Raisonné: não se tratava de uma coleção de verbetes mas de uma incitação à liberdade de pensar sem os dogmas castradores da Igreja e seus teólogos.

Entre todos os depoimentos da grandeza de Diderot — que vendeu sua biblioteca para Catarina II da Rússia e dela ganhou uma pensão para viver seus últimos anos — está a de uma mulher da nobreza russa, princesa de Dachkov, que o conheceu em Paris. Disse ela, em suas memórias: “O mundo não conheceu bem esse homem extraordinário. Sua paixão dominante e seus estudos só visavam a contribuir para a felicidade de seus semelhantes”.

Se André Maulraux fosse hoje o ministro da Cultura da França,  provavelmente editaria  nova edição raisonnée, da Enciclopédia: os verbetes científicos podem estar superados pelas novas descobertas, mas o gênio insuperável dos enciclopedistas, Diderot à frente,  poderia despertar a inteligência universal da modorra em que letargia. É uma dívida da França com seu grande homem de pensamento e ação e para com a Humanidade em crise. 

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