1 de jan de 2016

A THE ECONOMIST E O UMBIGO INGLÊS.







Como os abutres, que, nas planícies da África, avançam sobre a carniça quando as hienas se distraem, tem gente festejando a matéria sobre o Brasil da The Economist, desta semana, mostrando uma Dilma Roussef cabisbaixa na capa.

Como faz com qualquer país que não reze segundo a cartilha neoliberal anglo-saxã, do tipo “faça o que eu digo, não o que eu faço”, The Economist alerta que o Brasil enfrenta um “desastre político e econômico”, cita o rebaixamento do país pela Fitch e pela Standard and Poors – mas não diz que essas agências foram incapazes de prever a crise que se abateu sobre os EUA e a Europa – Inglaterra incluída - em 2008, a ponto de terem sido multadas por incompetência e por enganar investidores – e conclui criticando o déficit previsto para nosso país em 2014, sem citar – aliás, como faz a imprensa conservadora tupiniquim -  as reservas internacionais brasileiras, de 370 bilhões de dólares, o equivalente a 1 trilhão, 480 bilhões de reais.  

A imprensa britânica sempre se especializou em “ditar” – a palavra ideal seria outra – regras para países que considera subdesenvolvidos ou “emergentes”.

O seu “foco” no Brasil como alvo aumentou muito, no entanto, depois do episódio em que ultrapassamos, momentaneamente, a Grã Bretanha como sexta maior economia do mundo em 2011.

Vide, por exemplo, o caso do Financial Times, recentemente vendido – sob risco de quebra - para capitais japoneses no dia em que publicou um editorial contra o Brasil (ler Os nossos Yes Bwana e os novos Hai Bwana do Financial Times).

Mas, na hora de falar sobre o Brasil, os jornalistas ingleses agem como se vivessem em outro planeta ou a Inglaterra, economicamente, estivesse acima do bem e do mal.

Em vez de conversar fiado, os redatores da The Economist deveriam olhar para o seu próprio umbigo inglês.

Se a questão é de deterioração dos fundamentos macro-econômicos, a dívida pública bruta do Reino Unido - The Economist cita a dívida pública bruta brasileira, mas esquece, convenientemente, a líquida, que é de aproximadamente 35% do PIB – é tão bem administrada que mais que dobrou, de menos de 40% em 2002 para quase 90% do PIB em 2014.



Enquanto a brasileira diminuiu no mesmo período, de quase 80% do PIB, para menos de 70% em 2014, como se pode ver pelo gráfico do Banco Central.


Quanto às reservas internacionais – uma das principais referências macro-econômicas para se verificar a solidez de uma economia - o Reino Unido também não fica bem na foto, na comparação com o Brasil.


Com uma economia praticamente empatada, em tamanho, com a nossa (nominalmente) as reservas de sua Majestade são de 154 bilhões de dólares, menos da metade das reservas, em dólares, do país a que os seus editores resolveram dedicar a sua primeira – e negativa - capa de 2016.

5 comentários:

Água Tônica disse...

A revista inglesa serve inescrupulosamente ao grande capital. Para eles seremos eternos exportadores de bananas, um povo inferior(um bando de mestiços) que deve ser colocado no devido lugar.

Francisco Lima disse...

Caro Mauro:

É interessante observar que nossos "iluminados" colonistas dizem que a melhor aplicação financeira do ano no país foi .... o dólar!

Anônimo disse...

Quem alimenta essa mídia nada confiável, com notícias do Brasil, são os corruptos tucanos, ex-ministros do governo FHC, portanto, não são dignos nem mesmo de leitura, quanto mais de crédito.

Anônimo disse...

Caro Mauro,
devemos parar de dar a interpretacao deles como grao-bretao ou anglo-sax por que dominados completamente por romanos durante mais de 1000 anos duvido que eles nao tenham pelo menos 50% de sangue latino
portanto sao anglo-sax-latinos essa que e a verdade...

Anônimo disse...

Neocolonialismo puro.

Quando a Inglaterra sucumbir ao seu complexo militar industrial alimentado por energias não renováveis, eu estarei bebendo caipirinha no Rio de Janeiro.