5 de mai de 2017

PROCURADORES DA LAVA-JATO NÃO QUEREM SER FILMADOS NO DEPOIMENTO DE LULA.








Rematada peça de cinismo a decisão dos procuradores da Lava Jato de evitar que se grave a imagem de todos os participantes do encontro de Lula com Moro, com a desculpa de impedir que se quebre o sigilo da comunicação entre o depoente e seus advogados, quando foi justamente a defesa que pediu que a audiência fosse gravada em todos os detalhes.

Tomada de depoimento a portas fechadas e com os holofotes na cara do depoente todo o tempo é típico da justiça nazista, stalinista, ou dos EUA nos tempos do Macartismo.

Como se dizia no sul antigamente, ninguém precisa ser o kid para saber que, omitindo-se as imagens dos outros personagens, fica mais fácil para qualquer um editar, como quiser - até mesmo em um filme do youtube - a fala do depoente, vide O MINISTÉRIO PÚBLICO E AS CENAS PROIBIDAS DA OPERAÇÃO LAVA-JATO.

Em benefício da verdade e da transparência, todos os ritos e atos da Justiça tem que ser publicos, principalmente quando se trata de um ex-presidente da República.

E com todo direito a publicidade, ou não foi assim que se justificou - todos se lembram - o Juiz Sérgio Moro quando da quebra de sigilo da conversa telefônica entre o ex-presidente Lula e e a Presidente Dilma Roussef e da sua maciça divulgação pela mídia para toda a população brasileira?

Ora, quem não deve - ou não quer ficar devendo - não teme.

A intenção dos procuradores de não aparecer lembra a famosa foto de Dilma em frente à Justiça Militar, com os oficiais presentes tapando o rosto para não ser captados pela câmera.

Ou os nobres procuradores do Ministério Público estão querendo esconder alguma coisa da opinião pública?

4 comentários:

Unknown disse...

obrigado, santayana

Anônimo disse...

Mauro, lembra também o caso do Francisco Dornelles, no começo da ditadura de 64 quando ele era assessor de Delfim Netto no Ministério da Fazenda e, cansado de perseguições por ser, ao mesmo tempo, sobrinho de Getúlio e Tancredo, descolou um curso de especialização em Harvard, mas um Coronel que estava "trabalhando" no MF não deixou ele ir sob o mesmo argumento que o Dallangnol está usando para não deixar filmar o depoimento de Lula, o incrível "protegê-lo".
Bom, naquele caso, o Dornelles, em depoimento à TV Senado, contou que, então, pediu ajuda a um tio (casado com uma irmã de seu pai) que era, por sua vez, irmão do Marechal Castello Branco. Seu tio, prontamente, ligou para o irmão que, num bilhete seco, ordenou que fosse atendido o pleito de SEU sobrinho (encampou o Dornelles como seu sobrinho para dar mais ênfase). E a licença, óbvio, foi concedida.
Mas um amigo do Dornelles não quis deixar barato e chamou-o para irem juntos à sala do Coronel perseguidor para "ver a cara dele". Quando lá chegaram, o Coronel saiu-se com essa - veja a coincidência, Mauro -: estava impedindo a ida do Dornelles para Harvard para protegê-lo!
Parece ou não parece coisa ensaiada (nos dois casos)?
P.S - por causa do acima relatado, o Dornelles ganhou o apelido de Chico Sobrinho".

Vandeco disse...

O Lula é um cidadão igual a todos os outros. O depoimento ter de ser nos mesmos moldes dos que já fizeram depoimentos. O que o Lula tem de diferente dos demais cidadãos brasileiros?

Hugo Camargo rocha disse...

Vandeco, o que Lula tem de diferente de você e de mim é o fato de ter sido Presidente por dois mandatos, ser um provável candidato nas próximas eleições, podendo ser eleito conforme indicam as pesquisas de opinião, e para terminar: ele é alvo de um massacre e difamação permanente pela mídia brasileira, com intensidade jamais vista por aqui. Se eu (ou você) for depor diante de um juiz, o fato não será conhecido nem por nossos vizinhos, e muito menos será filmado, gravado, editado, publicado, divulgado em rede nacional de televisão, e visto por milhões de cidadãos brasileiros. Mas o depoimento de Lula sim. Entendeu a diferença? Aposto que você viu o vídeo inteiro do Lula sendo questionado por Moro. Mas quem viu o vídeo (se é que filmaram) dos outros depoentes? Você viu? Eu nem fiquei sabendo que iam depor. Isto não faz de Lula um cidadão "desigual" a todos os outros, mas certamente ele é um cidadão bem "diferente" dos outros.