4 de nov de 2013

DIEGO COSTA E A ESPANHA



(HD) - “Cada uno es hijo de sus obras.” - a antiga advertência, de Don Quixote de La Mancha, que nos alerta para a conseqüência das más decisões, parece ter sido, nos últimos anos, totalmente esquecida pela Espanha.
Mesmo com uma dívida externa de quase 200%, 27% de desemprego, quase 100% de dívida interna líquida, e cerca de 20 bilhões de euros em reservas, Castela continua imprudente e arrogante.
E como não pode mais exibir duvidosos galardões econômicos, passou a exercitar sua proverbial petulância em outras áreas, como o futebol, por exemplo.
Antes da Copa das Confederações, os jornais espanhóis diziam que a “Roja” ia dar uma “lição” ao Brasil. Acabaram levando, de volta para casa, duas. Uma de futebol, e a outra de patriotismo, antes, durante e depois da final, no Maracanã, quando perderam de 3 x 0.
Sem entender que não estavam colhendo mais do que semearam antes – fora a antipatia futebolística, muitos torcedores não se esquecem das expulsões de brasileiros daquele país - os jornais espanhóis preferiram justificar as vaias recebidas por aqui com um suposto “apavoramento” do Brasil com a sua seleção.
E, como a Espanha não aceitou a derrota, continua o clima de confrontação. O último capítulo da picuinha foi o convite a Diego Costa para jogar pela seleção espanhola.  Convocado também pelo Brasil, ele optou pela Espanha e a CBF pediu a cassação de sua nacionalidade brasileira.
Envolvido com corrupção e com a ditadura, Marin não é – para dizer o mínimo – um exemplo de cidadão, mas, infelizmente, é preciso reconhecer que, hoje em dia, as pessoas trocam de passaporte como trocam de camisa.
A nacionalidade brasileira não é um direito, mas uma honra e um privilégio. Defender a bandeira de outra nação, em um campo de batalha ou de futebol, deveria determinar – para quem o faz - o irreversível direito de ser feliz em seu novo país e em sua nova condição.
Por ingenuidade ou interesse, Diego Costa foi usado como instrumento de uma briga que o Brasil não começou. 
A “Fúria”, para jogar a Copa, não precisava dele. E isso é reconhecido até por parte da opinião publica espanhola. Ao ver aceito seu convite, Del Bosque  ficou em uma sinuca de bico. Se trouxer o jogador para o Brasil, depois de ter escolhido a Espanha, estará obrigado a colocá-lo em campo, aumentando a pressão da torcida brasileira contra o time espanhol.
No final do torneio, se Diego Costa jogar mal e a Espanha perder, Del Bosque será execrado em seu país. Se ele jogar bem, e marcar, a versão que vai ficar é a de que a Espanha não ganhou por seus próprios méritos, mais sim porque tinha um brasileiro jogando em sua seleção.


3 comentários:

Anônimo disse...

Alem de futebolistas o Brasil tem tambem excelentes Sociologos e Economistas, que poderiam implantar por la: El Plano Royale. Pode levar que a gente nao briga.

Paulo disse...

Mauro, gosto muito dos seus textos, mas vou discordar.
Não entendo tanta crítica a Diego Costa. Por que não ouço as mesmas críticas a Pepe, Deco, Ruy Ramos, Wagner Lopes, Alex Santos, Paulo Rink, Cacau, Marcos Senna, Zinha, Mazzola, etc? São tantos brasileiros naturalizados que já serviram outras seleções que chega a ser patética essa discussão por Diego Costa. Diego Costa nunca teve reconhecimento no Brasil, nunca jogou profissionalmente por aqui. Agora, numa manobra inteligente, Felipão queria convocá-lo para impedir que sirva a Espanha, mas era óbvio que não iria passar disso, já que o técnico tem seus queridinhos e não o levaria para a copa. Diego Costa fez mais do que certo em prestigiar quem te prestigiou e dar as costas a quem te deu as costas. Que seja feliz...

Anônimo disse...

Ocorre Paulo que nem um desses jogadores jogaram uma copa do mundo no Brasil. O que ñ se pode aceitar é que um jogador brasileiro venha jogar do lado contrario em seu proprio pais.