1 de nov de 2013

CHEGA DE COMPRAR EM MIAMI


(HD) - Neste ano, até o mês de setembro, o déficit de transações correntes – diferença entre o que enviamos e recebemos de dinheiro do exterior – alcançou mais de 80 bilhões de dólares. Boa parte do rombo advindo de dois hábitos adquiridos com o aumento da renda da população: um deles, o de andar de automóvel. O outro, o de viajar para fazer compras no exterior.
No primeiro caso, a isenção do IPI preservou empregos. Em 2002, o Brasil produzia um milhão de automóveis, hoje fabrica quase quatro milhões.
Mas o consumo de combustível, nacional e estrangeiro, teve que subir na mesma proporção.
Só de gasolina, as importações  aumentaram, em 42 mil vezes, de 2009 para cá. 
O programa Inovar-Auto foi, também, importante. Mas não obrigou as montadoras a oferecer modelos mais econômicos, a não ser em caminhões.
Outras opções teriam sido zerar os impostos, ou até mesmo subsidiar, a produção de etanol, que é pago em reais, e não em dólares. Ou a fabricação de carros elétricos para uso, por exemplo, como veículos de entrega nas grandes cidades. Mas só agora isso começa a ser pensado com relação, primeiro, a veículos híbridos.
A classe média reclama do governo - a crise está em todos os jornais - mas não deixa de comprar carro nem de viajar para fora. O brasileiro é o turista que mais gasta, hoje, nos EUA.
As despesas com turismo no exterior aumentaram 37%, para US$ 2,168 bilhões no mês passado, contra US$ 1,703 bilhão, no mesmo mês de 2012. E já passam de 40 bilhões de dólares nos primeiros nove meses de 2013.
Aí, também, a “culpa” é do governo. Embalado pelo aumento da renda e do emprego e do valor do real, nos últimos anos, o setor turístico, com destaque para a hotelaria – amplamente controlada por estrangeiros - tem metido a mão no bolso do consumidor e enviado gordas remessas de lucro para o exterior.
Só em 2013, as tarifas já aumentaram entre 7 e 10%, e estudos mostram que os preços das diárias dos hotéis em cidades da Copa do Mundo vão ficar até 583% mais caros até a competição.
Apesar disso, todo o lucro e empregos gerados hoje pelos consumidores brasileiros em viagens de compras em outros países e os dólares que eles gastam, poderiam ficar por aqui mesmo, se:
- o brasileiro tivesse a opção de pagar, em reais, os mesmos preços pelos mesmos serviços e produtos que compra lá fora.
- e pudesse ter acesso aqui a hospedagem e atrações semelhantes, sem precisar viajar para o exterior.
Independente da ZF de Manaus, e em parceria com a China – especialista em erguer cidades em questão de meses, e na produção de gadgets de qualquer tipo – Governo e Congresso poderiam estudar a criação de uma Área Especial Restrita, de interesse turístico e comercial.
Com jogo liberado e venda de produtos eletrônicos, e sob controle do BNDES, da CEF e da Embratur, ela poderia ser construída  a meio caminho entre o norte e o sul do país, e o público teria acesso a ela com o pagamento de uma pequena taxa por dia.
Com um projeto como esse, seriam gerados milhares de empregos, e os impostos, em vez de ficar na Flórida, ou no Paraguai, viriam para o nosso país.

7 comentários:

Anônimo disse...

E pra ja. Cabeca e pra ser usada. Indico Mauro Santayana pra assessorar o Ministerio do Turismo. Que gente preguicosa! Vamos trabalhar! Grande abraco.

Mauro Santayana disse...

Abraço!

Joana Oliveira disse...

O jeito é comprar em Miami até que um milagre no brasil aconteça.

Joana Oliveira disse...

O jeito é comprar em Miami até que um milagre no Brasil aconteça.

olindina vilasboas disse...

Pois é querido Santayana, vejas como o BRASIL ESTA CHEIO DE brasileiro falso. Se eu sei que meu PAÍS esta sendo boicotado,[existe em países alienígenas essa política de boicote]pq irei colaborar com os demoníacos? é por isto que não se sai do buraco, nesse país. Queremos VC, como MINISTRO, JÁ! D. DILMA ESTA MUITO MAL ASSESSORADA E NÃO SE DÁ CONTA....Beijão!

Blog do Zé Mário disse...

Nada é certo nesse país de jovens alienados que montam acampamento à espera para requebrar os quadris nos espetáculos de barulho, e tudo provém do fato de se ter um sistema econoômico comandado por um mantega que gasta muito mais em pagamento de juros do que em educação.

Anônimo disse...

Excelente texto. Penso exatamente isso!

Marcos