6 de nov de 2013

O BRASIL E A MACONHA URUGUAIA


(JB) - Uma delegação governamental brasileira, composta de autoridades do Governo Federal e do estado do Rio Grande do Sul, pretende visitar o Uruguai, nos próximos dias, para – segundo informam os jornais - “alertar” as autoridades de Montevideo a respeito do projeto de lei que legaliza a venda e o cultivo de maconha que está para ser votado este mês naquele país.
O Brasil estaria preocupado – e para isso tentando se meter em um assunto que só interessa ao povo uruguaio – com as consequências do projeto para o país de Mujica e os “outros nações da região”.
Do ponto de vista do Brasil – mergulhado em uma pandemia de crack e em uma guerra tão inútil, quanto mal sucedida, contra uma praga que já contaminou toda a sociedade - não dá para perceber em que aspecto a venda de maconha no Uruguai poderia piorar ainda mais a situação.
E muito menos que tipo de “orientação”, o Brasil poderia dar, nesse aspecto, ao governo de Pepe Mujica.
Será que o Brasil vai ensinar ao Uruguai a defender suas juízas para que elas não sejam assassinadas, ao descobrir que dezenas de  policiais, trabalhando em um mesmo bairro,  recebiam regularmente dinheiro de traficantes de drogas?
Ou será que vai propor à polícia uruguaia que use kits de teste, para evitar prender automaticamente qualquer um que esteja portando um papelote, ou uma “pedra”, mesmo que ali só haja anfetamina misturada com pó de mármore e bicabornato de sódio?
Será que iremos ensinar o Uruguai a não perder, em confrontos relacionados à repressão ao tráfico de drogas, em apenas três cidades, quase 2.000 pessoas assassinadas por ano?
Ou será que vamos ensinar a solucionar os problemas de superlotação, de péssima condição e das mortes por problemas de saúde e de violência nas cadeias uruguaias?
Como mostram estas poucas perguntas - irônicas, está claro - há uma série de assuntos,  entre eles corrupção, tráfico de drogas, violência, situação carcerária, procedimento legal no momento da prisão, etc, em que o Brasil não está em condições de dar lições a ninguém.
E muito menos ao povo uruguaio, um país que tem uma cultura e uma qualidade de vida – para ficar apenas em dois aspectos – muitíssimo superior às que nós temos aqui.
Para resolver o problema de drogas no Brasil e em outros países, é preciso, primeiro – como está fazendo o Uruguai - parar de relativizá-las hipocritamente.
O cigarro e a bebida – considerando-se o câncer, a violência e os acidentes de trânsito - matam tanto, direta e indiretamente, quanto a maconha, o crack e a cocaína, por exemplo.
Toda substância que afeta a mente e o comportamento é droga. Nunca vi ninguém deixar de fazer bêbado, o que faria sob o efeito de outras drogas, até porque o álcool é a droga de entrada, a partir da qual o usuário é apresentado às outras.
Um sujeito, sob o efeito de cocaína, pode matar a família a pauladas, em São Paulo, do mesmo jeito que outro faz o mesmo a machadadas, no interior da Bahia, depois de passar a noite bebendo pinga e fumando cigarro de palha.
Ora, se sequer proibimos a publicidade de álcool na televisão, como queremos nos meter nos assuntos internos de terceiros países para influenciar o que eles vão fazer com relação á maconha?
No Uruguai, e em alguns estados norte-americanos, cansados de armar a polícia gastando milhões, sem nenhum resultado palpável a não ser milhares de mortos e cadeias superlotadas, transformadas em universidades do crime, o que fizeram os governos?
Optaram por controlar e taxar a produção e a venda de maconha, tirando das mãos dos traficantes e dos corruptos que vivem à custa deles, e colocando nas mãos do estado, milhões de dólares que podem, por meio dos impostos, beneficiar a toda a sociedade.
O proibicionismo radical e intolerante, em um mundo em que a Europa e os EUA já  descriminalizaram, de fato, a maconha – e a situação pré-existente não piorou em razão disso - é anacrônico e descabido, e só serve para manter em funcionamento um estado repressivo fundamentalista no qual uma multidão de espertos explora a ignorância alheia e sobrevive da indústria do medo e da violência.
Se não se tivesse ido com tanta sede ao pote, a repressão ao tráfico de cocaína, antes restrito a pequena parcela dos jovens da classe média, talvez não tivéssemos hoje o fenômeno do crack.
Incomodados no seu “negócio”, os traficantes resolveram trocar o pequeno atacado por uma droga de varejo, para consumo de massa, que, pela disseminação e a quantidade de usuários, não pudesse ser rastreada ou controlada.
Hoje, até eles estão sendo alijados do processo. Até porque o que se está vendendo nas ruas é uma série de produtos químicos altamente tóxicos, que em suas diversas composições, muitas vezes não têm nem traço de cocaína.
Se esse fosse o caso, a produção boliviana não daria para abastecer nem o estado de São Paulo. 

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


18 comentários:

Anônimo disse...

Perdi muitos amigos vitimas da droga, direta ou indiretamente. Acho que no Brasil, nao e o momento certo para se liberar o uso. As consequencias seriam tragicas.

Mauro Santayana disse...

Respeito seu ponto de vista, mas as conseqüencias - sem a liberação - já são trágicas, justamente porque a produção e a venda não estão sob o controle do Estado.

Anônimo disse...

Muita gente vai achar que e bobagem, mas aprendi desde crianca a nao me afastar demais da natureza. Nunca senti nescessidade de usar drogas. Acho que e por ai.

fauzi salmem disse...

Parabéns pela excelente exposição e comparações. Nada mais inteligente do que a legalização do comércio das drogas. De há muito que opino, em comentários nos jornais online, inclusive no IAB (Instituto de Advogados Brasileiros - claro que não fui apoiado) que os chefes do atual comércio ilegal poderiam ser reintegrados à sociedade, pagando impostos e mantendo os seus respectivos pontos nas próprias comunidades, reinvestindo parte de seus lucros nelas (o dinheiro que vai para a corrupção da polícia, por ex.). Por óbvio que haveria melhorias na qualidade de vida das favelas, e muito!...A questão é que o alto escalão não deixa legalizar, seja para não perder o lucro da corrupção, seja para ocupar o corpo policial, que foi montado para este combate eterno e ineficaz. O Uruguai saiu na frente, mas poderíamos pensar em otimizar a legalização aqui, conferindo-a aos atuais comerciantes ilegais, e não ao Estado ou aos empresários oportunistas. Diz-se que um dos fabricantes de cigarros já manifestou-se como candidato à produção da maconha, se legalizada...Em qualquer caso, qualquer legalização deverá ter a venda e uso controlados, nos moldes das bebidas alcoólicas, inclusive sob o aspecto criminal.

Mauro disse...

Caro Mauro, meu xará,

faço minhas as palavras do anônimo.Não gosto dessa relação do cigarro e do álcool com a maconha, não é porque duas situações estão erradas que vamos criar uma terceira. Legalizar a maconha sem um estudo profundo e amplo e sua divulgação para a sociedade é um erro e uma irresponsabilidade.
Existem estudos sérios que mostram que a maconha está associada a doenças mentais como psicose , esquizofrenia e depressão. A sociedade precisa saber disso! E será que nós estamos preparados para conviver com as possíveis consequências, e com seu custo social? Não damos conta, ainda de coisas mais básicas na saúde.As consequências já são trágicas, concordo, mas não existe nenhum estudo, evidência, ou prova de que não vai ser pior!
Onde moro tem vários adolescentes e adultos completamente fora da sociedade economicamente ativa, completos lesados pela maconha, o Estado tem que defendê-los. A que custo?Aumentando impostos ou criando específicos?
quais são os interesses envolvidos? Os dos usuários, e os econômicos? E depois, o que vem, cocaína , heroína, etc?E aí libera-se também? A que escala chegaremos? Vai-se legalizando, e vai-se criando novas drogas sintéticas para se escapar dos impostos por aqueles que não estiverem no "negócio"? É um saco sem fundo!

Anônimo disse...

A questao e saber as consequencias do uso liberado em um Pais ainda com tantos problemas sociais. Nao sera uma verdadeira bomba? Isso ninguem sabe.

Cynthia Dorneles disse...

Parabéns pela lucidez de seu artigo. A hipocrisia sobre o uso da maconha é um absurdo sem tamanho. Tenho 54 anos e verdade seja dita, tenho amigos que fumam há pelo menos uns 30 anos, são bem sucedidos, produtivos. E tenho outros vários amigos que por conta do álcool realmente destruiram suas vidas. E o álcool é liberado. Qual o sentido de uma droga pesada feito o álcool ser legal e uma leve feito a maconha ser ilegal? Afora isto, o fato de no Brasil a lei ser tão obscura no que toca às quantidades consideradas como de uso pessoal ou tráfico só fazem com que mais oportunidades à corrupção surjam. Pela descriminalização da maconha. OU pela criminalização de todas as drogas- e teremos de novo aqueles tempos de bangue bangue da época da máfia porque tornar as drogas crimes só faz é realmente aumentar a violência.

Mauro. disse...

Caro Fauzi,

sei que sua intenção é boa, pelas suas palavras. Mas os donos do negócio já estão integrados à sociedade. Você se refere aos que moram em comunidades carentes. Estes são só empregados. Os verdadeiros donos moram nos endereços mais caros das capitais brasileiras. Quem está nos morros não tem estrutura de logística, transporte , etc. Não faz contato com os fornecedores , produtores .E se legalizar a maconha, vai ser muito bom para o negócio ilegal, porque como porta de entrada para outras drogas, a maconha vai aumentar o número de consumidores de outras drogas, que aí também teriam que ser legalizadas?

Mas democracia é isso, vamos continuar debatendo!

Anônimo disse...

Cara Cynthia,

conheço várias pessoas que bebem álcool e são pessoas de bem , bem sucedidas na vida.
Também tenho um primo com esquizofrenia desencadeada pelo uso de drogas, e mais uma prima e um outro primo fora do mercado de trabalho também por causa de drogas.
Meu irmão tem um amigo que foi internado por problemas mentais causado por maconha.
Sua linha de raciocínio está errada. Não é por hipocrisia de termos álcool e cigarro liberados que vamos, por argumentos superficiais , liberar outras drogas.

Anônimo disse...

Um homem, obviamente, não pode falar a respeito das dores do parto, experiência necessariamente feminina. Formar opinião baseado em opiniões e anunciá-las em um megafone em tom de verdade chega a beirar o absurdo.
Afirmar que alguém será peso para o Estado pelo fato de usar maconha me arrepia. Bem administrado o uso de drogas, milenar e presente em todo reino animal diga-se de passagem, é salutar. Caso contrário sugiro tentar curar uma enxaqueca com um repouso leve ou ser operado sem anestesia.
O problema é a cultura do ganho fácil. É a aversão ao trabalho. A preguiça intelectual. A mentira. A falta de honra.
Santayana, muito boa sua argumentação. Prepotência é apelido.

Anônimo disse...

Nesta brincadeira de se drogar, quem morre são os sóbrios;

Se a sociedade fosse mesmo representada no congresso, logicamente já teria se discutido isso;

Um plano com a venda da droga por R$ 0,50
No centro de cada cidade o ponto de vendas e um fumódromo para todos usarem, bem fiscalizado, com agentes de saúde e seguranças;

Em um tempo breve, as pessoas que fazem o uso serão observadas pela sua conduta e seus frutos sociais e muitos deixarão o vício ou não sentirão atraídos;

A legalidade faz com que a graça do que é proibido se perca, logo não há o sentimento de transgressão;

Legalizar é uma alternativa inteligente, mas não estamos em um país de representação do povo e sim de representação do mercado e seus interesses. Por isso o sistema é chamado capitalismo selvagem.

Anônimo disse...

Obrigada Cyntia pelo seu comentário, o único que demostra a sensibilidade para entender como funciona o mundo. O resto, parece que vivem num país atrazado, isolado e até sem acesso ao minimo de informação da internet, de saúde, química, biologia e psicologia. Falar tantas globagens (bobagens baseadas na informação disseminada pela rede Globo) no século 21 é realmente triste. O controle de seres humanos para não começar a querer se drogar, com drogas legais ou ilegais, que as duas estão sem maior dificuldade disponíveis no mercado e isso é uma realidade mundial, é primeiramente enraizado na educação e no esclarecimento. Outra observação: será que algum destes comentariaristas esta sendo pago para escrever aqui? A maquina das drogas é extensa, atinge grandes partes da alta sociedade e da clase em poder e lucra muuuiiito. Pode ser comparada à indústria do sexo que também anda entre a legalidade e a ilegalidade. Mas uma: Já viu alguém parar de beber alcool ou cheirar cocaina porque foi preso? Ja viu alguém para de beber alcool ou cheirar cocaina porque recebeu terapia? O passo para a melhora está em tirar as drogas (as legais e as ilegais) da mão da policia, do judiciario e da prisão e colocar na mão dos medicos, do ministério da saude e da educação.

Anônimo disse...

Acho que a liberacao, deveria ser acompanhada da pena de morte, pra quem tirar a vida de outrem sob efeito de drogas.

Rick disse...

Caro Mauro, como vc pode observar, os cabeças-feitas pelo DEA infestam a internet. São do mesmo naipe dos que acreditam que os comunistas comem crianças. Pra este povo com deficiencia, nao é boa ideia liberar a maconha, pois tem medo de perder os poucos neuronios que lhes restaram. Juntando Osmar Terra,Alkmin e outros opus dei da vida e com o apoio dos Datenas et caterva, esta turma faz barulho e trava o debate. Nao perca seu tempo com eles.

Anônimo disse...

Visitem as emergencias dos hospitais, e verao adultos e criancas mutiladas pelos neuronios alterados por alcool, maconha, cocaina etc...

com_artigos disse...

Vejam este artigo interessante do jornal Zero Hora sobre este senhor e saibam o porquê dele legalizar o aborto e agora querer legalizar a maconha e/ou as drogas:

"

Artigo| Serei sócio do George Soros

08 de novembro de 20133

Com o tabaco,
demoramos um
século para poder
conter a sede
de lucro; e, com
a maconha,
como será?

SÉRGIO DE PAULA RAMOS*

Na última terça-feira, tive a honra de acompanhar o deputado Osmar Terra e o subprocurador-geral de Justiça do Estado (RS), Dr. Marcelo Dornelles, numa visita ao Congresso uruguaio, cujos senadores quiseram saber o que pensamos sobre a legalização da maconha, que está prestes a ser votada no país vizinho.
Como médico, que trabalha há quase 40 anos com dependentes químicos, entendi que minha missão era mostrar dados científicos. Tanto os que demonstram os malefícios do uso de maconha, sobretudo em jovens, quanto os que evidenciam o que aconteceu com os países que de alguma forma afrouxaram as leis sobre o consumo dessa droga.
Sobre os danos: o uso de maconha, já está bem demonstrado, causa declínio da produção escolar e acadêmica, aumento da evasão da escola, está associado com aumento na prevalência de esquizofrenia, depressão e acidentes de trânsito, bem como aumenta a chance, em alguns casos em até 60 vezes, de o usuário envolver-se com outras drogas. Esses dados autorizam-nos a prever que as despesas de Estado aumentarão e que o narcotráfico sairá fortalecido, pois, como acabo de informar, aumentará a chance de envolvimento com outras drogas.
Quanto ao ocorrido nos países que, de alguma forma, liberaram seu consumo, parcial ou totalmente, os dados falam por si: Portugal, Reino Unido e alguns estados dos EUA viram o consumo de maconha dobrar. Em Portugal, aumentou também o das demais drogas. O conjunto desses dados está disponível na internet em relatórios de organismos internacionais independentes. Então, a pergunta que fica é: se o consumo de drogas aumentará e com ele os problemas associados, quem pode estar interessado em sua liberação?
Recentemente, o presidente Mujica entrevistou-se em NYC com os megainvestidores George Soros e Rockefeller. Ambos totalmente a favor de proposta uruguaia. Pelo que li nos periódicos uruguaios, a empresa Monsanto também poderia se interessar pelo negócio, fora a indústria do tabaco, ávida por encontrar mercados alternativos, depois de ver minguar o nicho de fumantes.
A saúde pública sairá perdendo, o país também, mas parece que o interesse desses investidores não se preocupa com isso. Com o tabaco, demoramos um século para poder conter a sede de lucro a qualquer preço; e, com a maconha, como será? Esses investidores, inclusive a indústria do tabaco, lucrarão. Infelizmente, no entanto, eu também, pois aumentará o número de pacientes, mas, como sabem, os médicos são profissionais bastante atípicos: nós queremos sempre que nosso mercado diminua e, para isso, vivemos insistindo em prevenção.
No Uruguai, o mercado da droga se expandirá. Repito, infelizmente, acabarei sendo sócio do senhor George Soros. Como dizem os uruguaios, qué vergüenza.

*Psiquiatra e psicanalista, membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (Abead)

"

Eu, Marcos, comento este artigo dizendo que é claro que nem todos os médicos possuem este sentimento atípico, conforme o autor escreveu; mas, fora isso, as palavras do Dr. Sérgio são a mais pura realidade. Ora, vejam só: o dito socialista fazendo uma visitinha aos senhores George Soros e Rockefeller. Quem te viu, quem te vê, senhor Mujica. Quem diria! Quem diria, não é mesmo Santayana?

com_artigos disse...

Vejam este artigo interessante do jornal Zero Hora sobre este senhor e saibam o porquê dele legalizar o aborto e agora querer legalizar a maconha e/ou as drogas:

"

Artigo| Serei sócio do George Soros

08 de novembro de 20133

Com o tabaco,
demoramos um
século para poder
conter a sede
de lucro; e, com
a maconha,
como será?

SÉRGIO DE PAULA RAMOS*

Na última terça-feira, tive a honra de acompanhar o deputado Osmar Terra e o subprocurador-geral de Justiça do Estado (RS), Dr. Marcelo Dornelles, numa visita ao Congresso uruguaio, cujos senadores quiseram saber o que pensamos sobre a legalização da maconha, que está prestes a ser votada no país vizinho.
Como médico, que trabalha há quase 40 anos com dependentes químicos, entendi que minha missão era mostrar dados científicos. Tanto os que demonstram os malefícios do uso de maconha, sobretudo em jovens, quanto os que evidenciam o que aconteceu com os países que de alguma forma afrouxaram as leis sobre o consumo dessa droga.
Sobre os danos: o uso de maconha, já está bem demonstrado, causa declínio da produção escolar e acadêmica, aumento da evasão da escola, está associado com aumento na prevalência de esquizofrenia, depressão e acidentes de trânsito, bem como aumenta a chance, em alguns casos em até 60 vezes, de o usuário envolver-se com outras drogas. Esses dados autorizam-nos a prever que as despesas de Estado aumentarão e que o narcotráfico sairá fortalecido, pois, como acabo de informar, aumentará a chance de envolvimento com outras drogas.
Quanto ao ocorrido nos países que, de alguma forma, liberaram seu consumo, parcial ou totalmente, os dados falam por si: Portugal, Reino Unido e alguns estados dos EUA viram o consumo de maconha dobrar. Em Portugal, aumentou também o das demais drogas. O conjunto desses dados está disponível na internet em relatórios de organismos internacionais independentes. Então, a pergunta que fica é: se o consumo de drogas aumentará e com ele os problemas associados, quem pode estar interessado em sua liberação?
Recentemente, o presidente Mujica entrevistou-se em NYC com os megainvestidores George Soros e Rockefeller. Ambos totalmente a favor de proposta uruguaia. Pelo que li nos periódicos uruguaios, a empresa Monsanto também poderia se interessar pelo negócio, fora a indústria do tabaco, ávida por encontrar mercados alternativos, depois de ver minguar o nicho de fumantes.
A saúde pública sairá perdendo, o país também, mas parece que o interesse desses investidores não se preocupa com isso. Com o tabaco, demoramos um século para poder conter a sede de lucro a qualquer preço; e, com a maconha, como será? Esses investidores, inclusive a indústria do tabaco, lucrarão. Infelizmente, no entanto, eu também, pois aumentará o número de pacientes, mas, como sabem, os médicos são profissionais bastante atípicos: nós queremos sempre que nosso mercado diminua e, para isso, vivemos insistindo em prevenção.
No Uruguai, o mercado da droga se expandirá. Repito, infelizmente, acabarei sendo sócio do senhor George Soros. Como dizem os uruguaios, qué vergüenza.

*Psiquiatra e psicanalista, membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (Abead)

"

Eu, Marcos, comento este artigo dizendo que é claro que nem todos os médicos possuem este sentimento atípico, conforme o autor escreveu; mas, fora isso, as palavras do Dr. Sérgio são a mais pura realidade. Ora, vejam só: o dito socialista fazendo uma visitinha aos senhores George Soros e Rockefeller. Quem te viu, quem te vê, senhor Mujica. Quem diria! Quem diria, heim Santayana?

Controle Financeiro Pessoal disse...

ehhehe o Brasil quis dizer assim, olha como eu sou moralista, bom uma mera comparação é as senhoras no domingo irem a missa.