21 de set de 2013

OS EUA, LILIANA E DILMA ROUSSEF

(HD) - Depois de marchas e contramarchas, a Presidente Dilma Roussef resolveu postergar a visita de Estado que faria aos Estados Unidos, no dia 23 do mês que vem.
Mesmo considerando-se a repercussão alcançada pela medida, tomada sob a natural indignação suscitada, no Brasil e no governo, pela espionagem cibernética norte-americana - e a desenvolta presença  de agentes norte-americanos no Brasil - essa pode não  ter sido a solução mais adequada para responder ao insulto.
Quando se trata de uma relação madura, entre dois estados do mesmo nível, o melhor é ir até lá, encarar o interlocutor diretamente, e dizer tudo o que tinha a ser dito, não apenas a Obama e ao governo dos EUA, mas à comunidade internacional.
Deixando de ir, Dilma Roussef abriu mão de um palanque único - com  cobertura assegurada pela imprensa mundial – que poderia ter utilizado para passar a mensagem do Brasil  neste momento, não apenas com relação à espionagem dos EUA, mas também a questões como a Síria, por exemplo.
Isso poderá ser feito na reunião da ONU em Nova Iorque, mas talvez tivesse maior repercussão, se suas declarações fossem dadas sob o teto de Obama, nos jardins da Casa Branca.
De toda forma, os últimos fatos mostram que os EUA não têm a menor intenção de mudar a sua política com relação ao Brasil, e que, pretendem, pelo contrário, aprofundar sua atitude de antagonismo e beligerância com relação ao nosso país.
A nomeação, para o cargo de embaixadora em Brasília, de Liliana Ayalde - no lugar de Thomas Shannon, chamado de volta a Washington para trabalhar como assessor de John Kerry - deixa claras as intenções do governo Obama.
Formada em artes e em saúde pública nos EUA, Liliana Ayalde  trabalhou para a USAID na Colômbia e foi responsável pela área de Cuba, América Central e Caribe do Departamento de Estado.
Se envolveu com a polêmica  instalação de bases dos EUA na Colômbia, e com a “cooperação” do Comando Sul dos Estados Unidos em ações “humanitárias” no Paraguai, onde repassava “doações” norte-americanas a organizações de segurança de combate ao “tráfico de drogas” e à “corrupção”.
Em março de 2010, Ayalde organizou uma reunião na embaixada dos EUA em Assunção. Do encontro, participaram militares americanos, militares paraguaios da ativa, membros da oposição e o então vice-presidente paraguaio Federico Franco.
O tema era a abertura de um processo contra o Presidente Fernando Lugo no Congresso, para tirá-lo do poder.
Acusada pelo então Ministro da Defesa do Paraguai de interferência na política interna paraguaia, Ayalde negou que tivesse essa intenção.
Menos de dois anos depois Lugo seria processado e substituído por Federico Franco, por meio de um golpe  branco em Assunção.

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