24 de jun de 2013

A CAIXA DE PANDORA


As manifestações que tomaram as ruas de todo o país nas últimas semanas começaram de forma legítima e democrática, convocadas por uma organização conhecida, que existe há muito tempo, e que há muitos anos defende a mesma bandeira, acompanhada de outras organizações, muitas delas situadas à esquerda do espectro político.

     O caráter apartidário do Movimento Passe Livre, o êxito da mobilização, a pauta relativamente aberta de reivindicações, foram logo vistos pela extrema direita como  oportunidade  para infiltrar, diretamente e pela internet, suas ideias no movimento, como o “Acorda Brasil”,  adaptação direta do  Deutschland  Erwacht! do nazismo, atribuído a Goebbels.

     Passou-se a incitar o ódio aos  políticos, o desprezo pelas instituições, com a intenção de  desacreditar a imagem do país no exterior, e de atingir a governabilidade e a economia.

     Em um primeiro momento, alguns setores da oposição democrática,  inseridos no sistema político normal,  podem ter sido atraídos  pelo movimento que exibia cartazes pedindo o impeachment da Presidente Dilma,  sem ver outros,  mais numerosos, pedindo indiscriminadamente a cabeça dos políticos e tachando-os, todos, de ladrões e corruptos.

      Outros membros da oposição também  se sentiram certamente acuados,  ao se verem cercados no Congresso, ou em cidades e estados governados por seus partidos, por milhares de pessoas e por grupos armados de paus, pedras e fogo.

     O que estamos vendo, resguardados os manifestantes comuns, é o vir à luz de um frankenstein político que, em nome da liberdade de manifestação, ataca, com bandidos   mascarados, instituições nacionais e militantes do PT, do PSTU, e do  PSDB,  quando estes ousam sair às ruas.

      A tentação de dançar com o diabo, mesmo que por parte de uma minoria, é perigosa e enganadora. Muitos daqueles que apostaram no caos em 1964, pensando que ascenderiam ao poder - como Carlos Lacerda -  terminaram cassados e humilhados pela Ditadura.

      Apesar do recuo das autoridades na questão do preço das passagens, continuam as manifestações, agora com a intenção deliberada de paralisar as capitais, como mostram as manobras sincronizadas de interrupção do tráfego em diferentes pontos, como aconteceu em São Paulo no início da semana.

     Essa vertente fascista vem estendendo paulatinamente o seu controle, indireta e insidiosamente, sobre centenas de pessoas inocentes e bem intencionadas, e não se descarta a possibilidade de que estejam sendo pagos os vândalos que promovem quebra-quebraS e desatam sua fúria diante das câmeras da imprensa internacional.

    É contra esses inimigos ocultos da  democracia que as instituições, os homens públicos e os cidadãos, quaisquer sejam seus partidos, têm que se unir –  e agora. 

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3 comentários:

Imeicosan Verdf disse...

http://cidadedeminas.blogspot.com.br/2013/06/brasil-acordou-o-gigante-acordou-raizes.html

Sérgio Alberto Bastos da Paixão disse...

O Político tem que entender que o Sistema que regula a relação do Estado com a estrutura das Classes já mudou na identidade mental da População Brasileira. Esta mudança no pensamento coletivo com relação aos elementos estruturais, sócio democráticos, explica os movimentos sociais.
Lutar contra a realidade desta luz é buscar um confronto inútil e improdutivo contra a própria sombra.
A complexidade da questão e a concepção inovadora incomodam e sua aceitação é dificultada pelo mecanismo defensivo da classe política dominante; contrapõe à concepção de um novo mundo.
Nesta nova regulação das relações de poder não cabem mais descabidas atrocidades com o dinheiro público.
Ou o Político para de desassociar com empáfia as suas atitudes das suas palavras e passa perceber a realidade caótica da maioria, ou iremos perder mais uma oportunidade de darmos um salto “evolucionário”.
Sérgio Alberto Bastos da Paixão
www.facebook.com/sergio.paixao.35
sealbapa@msn.com

Anônimo disse...

O PSOL e o PSTU, com seus grupos de pressão, chamaram em seus blogs para as marchas iniciais como se fosse mesmo uma revolta. Eles, que já ocuparam reitorias e até mesmo as depredaram, jogaram molotov no consulado americano no RJ, não são manifestantes pacíficos: querem sim desestabilizar o governo e fazem tudo o que podem para isso. Só que aqui deram um tiro no pé: o movimento foi apropriado pela direita mais reaça e golpista que há. Quem pode garantir que os vândalos das manifestações eram só da direita, ou anarquistas? Quem acende um pavio sem ver as cargas e a direção do vento acaba se dando mal. Foram impedidos de ter suas bandeiras nos atos, levaram porrada junto com manifestantes da CUT e do próprio PT. Virou revolta de direita, tipo Capriles. E no meio, gente alucinada que quer seguir um movimento internacional anarco-fascista violento que se intitula como'globalrevolution'. Faz lá primeiro, no lugar onde isso nasceu ...