7 de out de 2013

A ENGORDA E O ABATE



(HD) - A agência britânica Moody´s, rebaixou, há alguns dias, a perspectiva da nota da dívida soberana do Brasil, de positiva para estável, e fez o mesmo com alguns bancos brasileiros.

A notícia, que talvez tenha tido uma repercussão negativa exagerada é significativa, no entanto, do ponto de vista do cerco que se tem feito ao país nas últimas semanas.

Poucos dias antes, a também britânica The Economist – que em 2009, publicou uma reportagem de capa sobre o Brasil, mostrando o Cristo Redentor decolando – já havia publicado uma reportagem sobre a economia brasileira, ilustrada com o Cristo Redentor, agora em queda desgovernada, com sugestivo título de "O Brasil estragou tudo ?”

Se somarmos a isso a repercussão, na imprensa internacional, da ausência de grandes empresas norte-americanas do leilão de Libra e as notícias que têm saído sobre a inflação e o crescimento da economia neste ano, fica fácil perceber o comportamento dicotômico das agências de qualificação e da imprensa estrangeira  a respeito do Brasil.

A opinião do sistema financeiro internacional sobre alguns países  emergentes parece obedecer a ciclos, bem definidos, de “abate” e de “engorda”.

Quando os juros estavam mais altos no Brasil, e havia menor participação dos bancos estatais no mercado, o país era festejado, como se estivéssemos em período de “engorda”.

Com a diminuição dos juros da Selic e o crescimento do crédito dos bancos públicos – essencial para evitar que o país caísse em recessão depois de 2008 – chegou o período do “abate”, ou da ameaça de abate.

Pressiona-se o país – sob pena de virar o “patinho feio” da vez na economia internacional - para que se faça o que desejam o “investidores” internacionais,  para depois colher bons resultados, com a especulação na bolsa de valores, com o câmbio e com os juros.

O ex-ministro Delfim Netto tem uma expressão para caracterizar essa “engorda”. É quando o país vira o “peru com farofa” dos mercados internacionais.  Delfim criticou, nesta semana, a matéria da  The Economist. Disse que a revista errou  quando superestimou, da primeira vez,  as conquistas econômicas do Brasil. E errou de novo agora, quando exagera as perspectivas negativas da economia brasileira. Embora – segundo ele - isso possa servir de alerta para que se façam correções que precisam ser feitas para melhorar as perspectivas de crescimento nos próximos anos.

O debate econômico – especialmente se feito dentro de nossas fronteiras - é sempre saudável, porque ninguém pode se considerar o dono da verdade.


Mas bem faria a The Economist se também abordasse, com a mesma contundência, a situação da Inglaterra, ou a dos EUA, que estão a ponto de provocar – por irresponsabilidade fiscal e administrativa - uma crise na economia internacional que ameaça levar o mundo ao abismo.  

Um comentário:

José Álvaro Lima Cardoso disse...

Excelente artigo, que desmascara o que é essencial. Que moral tem uma revista como essa para criticar o Brasil?

José Álvaro.